sábado, 25 de fevereiro de 2017

O Chamado 3

 Após uma ausência de exatos doze anos, a terceira parte de uma franquia de sucesso do terror finalmente chega às telas. Dessa vez, resolveram investir num diretor novo, da Espanha, F. Javier Gutiérrez, e também não há no elenco nenhuma presença dos episódios anteiores.

 Assim como hábito no gênero, o prólogo, em um voo, já causa expectativa de suspense e mistério. Fora isso, as fitas caseiras da garota Samara ainda continuam sendo copiadas por àqueles que assistem aos vídeos, com o intuito de terem suas vidas preservadas. E é o que acontece com a jovem Julia, que acaba vendo o filme e se vê obrigada a tomar uma atitude para preservar sua vida. O mesmo sucede com seu namorado Holt, que também assistiu à fita e recebeu o aviso de que morrerá em sete dias.

 Como mencionado anteriormente, o prólogo já cria uma boa atmosfera. No entanto, o roteiro, de David Loucka, Jacob Estes e Akiva Goldsman, acaba se esquecendo de sustos maiores em uma produção de entretenimento que deveria ter como objetivo deixar a plateia arrepiada. Infelizmente, há muita expectativa de mistério mas nenhuma cena impactante ou convincentemente assustadora. Os roteiristas se fixaram em desenvolver a origem da garota Samara, mostrando até mesmo o quanto foi vítima de maus tratos no passado. Ou seja, acaba se aproximando mais do drama do que outra coisa, o que certamente decepciona os fãs do gênero.

 Além disso, essa ideia de reproduzir fitas VHS não é mais convincentes nos dias de hoje; afinal, quem ainda tem videocassete? Em todo caso, as cópias também são realizadas através da inernet, deixando a trama um pouco menos ultrapassada; mas nem por isso salva a história, que pelo menos tenta ser surpreendente no fim e deixa uma porta para outra possível sequência.

 Num elenco de gente nova e pouco conhecida, há atores que não comprometem, ainda que sejam apáticos, caso dos protagonistas, a italiana Matilda Lutz e o britânico Alex Roe (de "A 5ª Onda"), e também coadjuvantes veteranos, como Johnny Galecki e Vincent D´Onofrio.

 Enfim, mesmo sendo um retorno que agrada muito a plateia, é um trabalho fraco e pouco inspirado, fica num meio termo tolo e sem ritmo. Caso haja outras continuações, espero que não fiquem a desejar. Abraços.

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terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Minha Mãe é Uma Peça 2: O Filme

 Algo que tem dado certo no cinema brasileiro e arrecadado muito dinheiro nas bilheterias são as comédias. Desde "Se Eu Fosse Você", em 2006, a fórmula está funcionando, mesmo a inspiração sendo nas comédias pipocas norte americanas. E sequências fazem sucesso maior ainda, o que explica o bom tempo em cartaz nas salas de cinema do filme "Minha Mãe é Uma Peça 2".

 Além disso, comédias protagonizadas por especialistas em humor são aplaudidas pelo público. E Paulo Gustavo repete o popular papel de Dona Hermínia, a dona de casa atarefada, que também apresenta um programa na tv. Aqui, ela vive em pé de guerra com o casal de filhos, o rapaz sexualmente confuso, e a menina que sonha em ser atriz. Também vive uma saia justa com o ex-marido, que não para de assediá-la. Para piorar, recebe a visita da irmã escandalosa, que acaba de chegar de Nova York. Assim, Dona Hermínia tenta levar a vida, mesmo se estressando constantemente.

 Pela sinopse, pode perceber que tudo é desculpa esfarrapada para Paulo Gustavo improvisar e dar o seu show no estilo "stand-up". E, graças a isso, o diretor (que agora é César Rodrigues, substituindo André Pellenz) consegue obter excelentes êxitos, já que a plateia gargalha constantemente nas tiradas dele, principalmente ao colocar um contexto regional em falas irônicas que transparecem a velha rivalidade existente entre as duas principais metrópoles do Brasil, Rio de Janeiro e São Paulo. Tudo isso, parte da criatividade do próprio Paulo Gustavo, autor do roteiro ao lado de Fil Braz.

 Outro fato interessante é que em fitas com homens interpretando papéis femininos, espera-se caricatura esteriotipada nos trejeitos e caras e bocas. Bom, isso acontece, claro, mas Paulo evita os excessos e tenta, no ponto de vista que se trata de uma comédia, deixar sua Dona Hermínia mais humana; e até que ele consegue esse feitio.

 O elenco é basicamente o mesmo do original, Patrícia Travassos e Alexandra Richter como as irmãs, Hérson Capri como o ex-marido, Rodrigo Pandolfo e Mariana Xavier como os filhos, a veterana Suely Franco como a tia idosa... Tem até uma participação bacana da apresentadora Fátima Bernardes como ela mesma.

 Assim como eu havia feito com "Meu Passado Me Condena 2", aliás outra comédia protagonizada por um ator de "stand-up", Fábio Porchat, eu assisti a esta sequência sem ter a assistido ao "Minha Mãe é Uma Peça 1". E admito que gostei, é um antídoto formidável contra qualquer tipo de mau humor. Por isso, vale a pena conferir e prestigiar nossos humoristas brazucas, competentes na arte de fazer rir. Abraços!

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terça-feira, 24 de janeiro de 2017

OSCAR 2017 - INDICADOS

 Finalmente saíram os indicados ao OSCAR 2017. Dessa vez, sabe-se lá por qual motivo, demoraram muito para divulgar os indicados; afinal, costumam-se divulgar as listas no começo ou no meio de janeiro, e não no fim como foi dessa vez. Bom, como de hábito aqui no blog, apenas vou me detalhar às seis categorias principais: filme, diretor, ator, atriz, ator coadjuvante e atriz coadjuvante.
 FILME:

 Esse ano foram nove os indicados: o eletrizante drama de guerra Até o Último Homem; a ficção científica reflexiva A Chegada; o drama racial Estrelas Além do Tempo; outro filme com temática racial, Cercas; o querido musical, e obviamente favorito, La La Land - Cantando Estações; o interessante e original Lion - Uma Jornada Para Casa; o pesado Manchester à Beira-Mar, também um dos favoritos; outro favorito na disputa, Moonlight - Sob a Luz do Luar, também com tema racial; e o policial western A Qualquer Custo.

 DIRETOR:

 Quanto a essa categoria, dos cinco candidatos, três já eram previsíveis, e são os favoritos: Danien Chazelle (La La Land - Cantando Estações), Barry Jenkins (Moonlight - Sob a Luz do Luar) e Kenneth Lonergan (Manchester À Beira Mar). Todos eles jovens e com poucos filmes no currículo, o que é interessante. Os outros dois são: Mel Gibson (Até o Último Homem) e Dennis Villeneuve (A Chegada), ambos com menos chances.

 ATOR:

 Casey Affleck: 41 anos, 2ª indicação. Foi indicado antes como coadjuvante por "O Assassinato de Jesse James Pelo Covarde Robert Ford". Agora concorre por "Manchester à Beira-Mar". Bom, Casey está ganhando praticamente tudo o que é festival, e provavelmente, irá ganhar também o Oscar. Não assisti ao filme ainda, por isso não posso julgar. Contudo, não gosto muito desse ator. 

 Andrew Garfield: 33 anos, 1ª indicação. Concorre por "Até o Último Homem", em que esse jovem franzino tem surpreendete atuação no papel do médico que, na 2ª Guerra Mundial apenas está na batalha para salvar vidas. É um trabalho bem feito, e a indicação é merecida.

 Ryan Gosling: 36 anos, 2ª indicação. Concorreu antes, também como principal, por "Half Nelson" (2006). Agora foi indicado por "La La Land: Cantando Estações". Certamente, esse bom ator está sendo muito badalado por concorrer pelo grande filme do ano. Tem boa atuação como o pianista apaizonado por jazz, mas provavelmente esse é um Oscar que La La Land não fatura.

 Viggo Mortensen: 58 anos, 2ª indicação. A indicação anterior foi em 2007, também principal, por "Senhores do Crime". Dessa vez, atua como o "Capitão Fantástico", um hippie de meia idade que aprende a levar a vida na selva, com seus diversos filhos. Ele tem um bom momento em cena, e seria bacana se ganhasse, o que não irá acontecer.

 Denzel Washington: 62 anos, 7ª indicação. Indicação anteriores foram "Um Grito de Liberdade" (1987, coadjuvante), "Tempo de Glória" (1989, coadjuvante, ganhou!), "Malcolm X" (1992, principal), "Hurricane - O Furacão" (1999, principal), "Dia de Treinamento" (2001, principal, ganhou!) e "O Voo" (2012, principal). Agora é a vez de "Cercas", que ele também dirigiu, e tem excelente atuação. É o veterano de Oscar da categoria, e mesmo sendo excepcional, parece que a estatueta será mesmo de Casey.

ATRIZ:

 Isabelle Huppert: 63 anos, 1ª indicação. Concorre pelo curioso e envolvente "Elle". É inadmissível e difícil de aceitar que essa que é uma das maiores estrelas da França, senão de todo o cinema, com diversas atuações surpreendentes, nunca tenha sido indicada ao Oscar antes. E ela está sempre em constante atividade. Agora é hora de reparar o erro, e espero que ela vença. Não é exatamente favorita, mas já ganhou muitos prêmios esse ano, incluindo o Globo de Ouro. Minha torcida é dela.

 Ruth Negga: 35 anos, 1ª indicação. Essa atriz negra da Etiópia não é exatamente novata (atua desde 2004 em papéis menores) e recebe aqui sua primeira chance pelo filme "Loving". A indicação dela surpreendeu um pouco, já que tanto ela quanto o filme andaram meio esquecidos nas premiações. Talvez seja o nascimento de uma estrela. De qualquer maneiras, as chances são pequenas.

 Natalie Portman: 35 anos, 3ª indicação. Foi indicada antes por "Closer - Perto Demais" (2005, coadjuvante) e "Cisne Negro" (2010, principal, ganhou!). Agora é indicada por "Jackie", biografia de Jacqueline Kennedy. Está entre as favoritas, e é muito querida em Hollywood. Porém, como já ganhou antes, talvez seja mesmo a vez de Huppert. Mas está no páreo, e obviamente, é uma ótima atriz.

 Emma Stone: 28 anos, 2ª indicação. A nomeação anterior foi em 2014, como coadjuvante, por "Birdman". Agora é a vez de "La La Land: Cantando Estações". Muito querida em Hollywood, é a estrela do momento. Atua muito bem no musical como a atriz sem sorte na vida. Pode até ter alguma chance, mas o páreo está difícil.

 Meryl Streep: 67 anos, 20ª indicação. Indicações anteriores foram para "O Franco Atirador" (1978, coadjuvante), "Kramer vs. Kramer" (1979, coadjuvante, ganhou!), "A Mulher do Tenente Francês" (1981, principal), "A Escolha de Sofia" (1982, principal, ganhou!), "Silkwood - Retrato de Uma Coragem" (1983, principal), "Entre Dois Amores" (1985, principal), "Ironweed" (1987, principal), "Um Grito no Escuro" (1988, principal), "Lembranças de Hollywood" (1990, principal), "As Pontes de Madison" (1995, principal), "Um Amor Verdadeiro" (1998, principal), "Música do Coração" (1999, principal), "Adaptação" (2002, coadjuvante), "O Diabo Veste Prada" (2006, principal), "Dúvida" (2008, princiap), "Julie & Julia" (2009, principal), "A Dama de Ferro" (2011, principal, ganhou!), "Álbum de Família" (2013, principal) e "Caminhos da Floresta" (2014, coadjuvante). Agora é indicada por "Florence: Que Mulher é Essa?". Ufa, cansei! Afinal, o que é Oscar sem Meryl Streep? Quase nada! Vida longa a ela! Será indicada ainda mais vezes, mas não ganhará novamente agora. Em todo caso, fica aí o registro de uma personalidade extraordinária, felizmente na ativa.

ATOR COADJUVANTE:

 Mahershala Ali: 43 anos, 1ª indicação. Concorre por "Moonlight - Sob a Luz do Luar", e é o grande favorito, pois está ganhando quase todos os prêmios. É desconhecido ainda, ambora seja um grande ator. Em todo caso, seu papel no filme fica até a metade, e depois sai de cena sem maiores esclarecimentos. Ela não ganhou o globo de ouro, o que não é bom sinal. Mas ainda segue com o favoritismo.

 Jeff Bridges: 67 anos, 7ª indicação. Indicações anteriores foram para "A Última Sessão de Cinema" (1971, coadjuvante), "Cidade das Ilusões" (1974, coadjuvante), "Starman - O Homem das Estrelas" (1984, principal), "A Conspiração" (2000, coadjuvante), "Coração Louco" (2009, principal, ganhou!) e "Bravura Indômita" (2010, principal). Agora é a vez de "A Qualquer Custo", em que faz um destemido policial. Ele é muito querido pela imprensa, e ganhou alguns prêmios. Pode até surpreender, mas não será fácil.

 Lucas Hedges: 20 anos, 1ª indicação. Concorre por "Manchester à Beira Mar", e já foi apontado como a revelação do ano. Como o filme está sendo bastante prestigiado, o garoto pode ter alguma chance. Em todo caso, já tem o esteriótipo de novo galã.

 Dev Patel: 26 anos, 1ª indicação. Concorre por "Lion: Uma Jornada Para Casa". Esse britânico, de origem indiana, após o sucesso de "Quem Quer Ser um Milionário?", começou a fazer muitos filmes em Hollywood. Não acreidto que tem muitas chances, mas o filme está fazendo boa carreira entre os críticos.

 Michael Shannon: 42 anos, 2ª indicação. Foi indicado antes, também como coadjuvante, por "Foi Apenas Um Sonho" (2008). Agora é indicado por "Animais Noturnos", onde atua brilhantemente como um policial vítima de câncer. Apesar da pouca idade, tem aparência de veterano e um grande domínio em cena. Seria bacana se ganhasse, mas acho pouco provável.

ATRIZ COADJUVANTE:

 Viola Davis: 51 anos, 3ª indicação. Foi indicada antes por "Dúvida" (2008, coadjuvante) e "Histórias Cruzadas" (2011, principal). O filme da vez é "Cercas", em que o mais provável seria indicação como atriz principal. Em todo caso, têm ótimas chances de vencer, o que será bárbaro, já que essa é uma das grandes atrizes do momento, e que só depois dos 40 teve chances maiores.

 Naomie Harris: 40 anos, 1ª indicação. Concorre por "Moonlight - Sob a Luz do Luar", numa interpretação humana e magistral. Pode ser que ganhe também, o que seria justo para uma atriz que, mesmo tendo uma estrada, ainda não tem tanta popularidade.

 Nicole Kidman: 49 anos, 4ª indicação. Foi indicada antes por "Moulain Rouge - Amor em Vermelho" (2001, principal), "As Horas" (2002, principal, ganhou!) e "Reencontrando a Felicidade" (2010, principal). Agora, pela primeira vez como coadjuvante, concorre por "Lion: Uma Jornada Para Casa". Apesar de ser uma das estrelas máximas de Hollywood, tem poucas chances de vencer, embora seja uma atriz excelente.

 Octavia Spencer: 46 anos, 2ª indiação. A indicação anterior ocorreu com "Histórias Cruzadas" (2010), também coadjuvante, e ganhou. Agora ela foi lembrada pelo filme "Estrelas Além do Tempo", representando o grande elenco soberbo da fita, pois foi a única indicada. Logicamente, ela é sensacional. Mas tem pouca probabilidade de vencer de novo.

 Michelle Williams: 36 anos, 4ª indicação. Indicações anteriores foram para "O Segredo de Brokeback Mountain" (2005, coadjuvante), "Namorados Para Sempre" (2010, principal) e "Sete Dias Com Marilyn" (2011, principal). Agora concorre pelo superestimado "Manchester à Beira-Mar". Embora tenha pouco tempo em cena no filme, está entre as prováveis favoritas, ao lado de Viola e Naomie. Além disso, é estrela do momento em Hollywood, o que pode favorecê-la.

 Pronto, aqui estão os principais indicados. O resultado conheceremos no dia 26/02. Quem for assistir pela tv, veja pela TNT, que é ótimo. Ou então assistam pela internet. Eu jamais recomendaria a Rede Globo, e nem poderei mesmo, poruqe o Oscar cairá no Carnaval. Até lá!

sábado, 14 de janeiro de 2017

Moana - Um Mar de Aventuras

 Todo começo de ano, época de férias, tem que estrear nas telas uma produção Disney de qualidade para a garotada. E eis que surge este Moana, uma emocionante aventura, que garante o espetáculo para quem procura um bom entretenimento.

 A dupla de diretores Ron Clements e John Musker são especialistas em animações do estúdio, tal como "A Pequena Sereia" e "A Princesa e o Sapo", e o roteiro liderado por Jared Bush focaliza a trama em mais uma figura feminina guerreira e determinada, de uma certa forma também princesa, embora não goste de ser chamada assim.

 Bom, a tal "princesa" de nome Moana é uma nativa de uma tribo localizada em algum lugar da Oceania, que está disposta a conhecer suas origens e determinada a desvendar um mito sobre monstros marinhos, que deixam o mar inabitável. Ela precisa da ajuda do semideus Maui nessa aventura, mas a incompatibilidade de gênios entre a dupla é um grande obstáculo. Ainda assim, persistem em sua jornada.

 Se analisarmos todas as animações de Disney, esse aqui não é exatamente original, e está de longe de estar numa lista entre os cinco ou dez melhores. Afinal de contas, os temas relacionados à busca da identidade, da autoconfiança, das descobertas de obstáculos já foram vistos antes em diversos filmes do estúdio, como "O Rei Leão", "Pocahonthas", "Mulan", e por aí vai. Em todo caso, é sempre interessante observar que as heroínas de pele branca, há um bom tempo, tem dado espaço para outras de origem africana ou índigena, o que também sucede aqui, o que deixa a narrativa mais curiosa acerca de culturas não dominantes no ocidente.

 Como não poderia faltar, há belas canções, e alguns personagens coadjuvantes que roubam a cena, como o caso do galinho atrapalhado, que não tem falas, mas consegue mesmo assim divertir a plateia. Outro ponto comum nos longas da Disney é o romance não correspondido, a princípio, entre seus protagonistas, que no decorrer da história vão se aproximando aos poucos. O semideus é inspirado no ator Dwayne Johnson, mais conhecido como "The Rock", repleto de músculos e tatuagens, e é dublado pelo próprio (caso alguém queira ver a versão original, se é que ela está passando).

 Enfim, se envolver com a animação é tarefa muito fácil, o cuidado técnico é impressionante e apenas mostra que o departamento técnico de longas para desenhos melhora com o passar dos anos, afinal, tudo é espetacular. Portanto, esqueçam os clichês, os lugares comuns da trama, e se envolvam com as aventura de Moana. Abraços!

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sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Passageiros

 Essa interessante ficção científica chama a atenção  por conta do seu belo visual, da dupla de protagonistas, e pelo pôster convidativo. Trata-se do novo trabalho do norueguês Morten Tyldum, após sua indicação ao Oscar de direção com "O Jogo da Imitação".

 O planeta Terra está devastado, e por isso uma nave leva milhares de terráqueos para outro planeta. No entanto, o tempo de viagem é de 90 anos, e por isso eles são adormecidos em cabines especiais à prova de tempo. Mas o astronauta Jim Preston, certamente por algum erro de sistema, acorda bem antes do tempo e se descobre como o único tripulante de pé. Como não consegue voltar a dormir, explora a nave, e tem contato com robôs que o distraem. No entanto, o sentimento de isolamento o deixa deprimido, e ele acorda outra tripulante, a bela Aurora Lane. A convivência de ambos é abalada quando descobrem que a nave corre sérios riscos, e eles tentam de tudo para salvar as vidas dos companheiros que estão em seu sono profundo.

 O trabalho de Tyldum é digno de nota, e a direção de arte competente oferece um espaço pouco visto em outras fitas do gênero, com cômodos luxuosos e deslumbrantes. Mas o roteiro, de Jon Spaiths, não é tão ousado quanto o cenário, e o filme passa a maior parte do tempo num romance espacial entre os protagonistas. Quando a sensação de perigo começa a abalá-los, há mais ação na história, mas nada surpreendente. Há ainda o acréscimo de mais um personagem no meio da narrativa, mas de forma pouco convincente.

 Jennifer Lawrence e Chris Pratt, num filme com poucos atores, são as esterlas e funcionam bem na tela, com uma química perfeita, que ganha a simpatia do espectador. Além deles, o britânico Michael Sheen, mais conhecido como o grande vilão da série "Crepúsculo", atua como o barman andróide que dialoga com Pratt, e há ainda Andy Garcia num papel menor como o capitão, e Laurence Fishburne no mencionado personagem que surge depois de um tempo.

 Enfim, dá pra curtir o entretenimento de forma despretenciosa, embora, talvez, não seja do agrado exclusivo para fãs de ficção científica. Mas que o interior da nave é um grande espetáculo e vale ser visto, é bastante óbvio. Abraços.

 TRAILER




sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Doutor Estranho

 Este é o novo filme do popular estúdio da Marvel, que agora ganha espaço bastante badalado no cinema também. O diretor da vez, quem diria, trata-se de um cineasta um tanto esquecido ultimamente, Scott Derrickson, também autor do roteiro adaptado dos quadrinhos de Steve Ditko, ao lado de Jon Spaihts e C. Robert Cargill, e que dirigiu filmes como "O Exorcismo de Emily Rose" e "O Dia Depois de Amanhã". 

 A maior preocupação sobre o sucesso desse blockbuster é que esse personagem não é bastante popular, e isso poderia não atrair a tenção das plateias, mas o sucesso está acontecendo e as bilheterias arrecadando muito. Enfim, no papel título, temos o ator Benedict Cumberbatch, recentemente indicado ao Oscar por "O Jogo da Imitação", um cirurgião arrogante e narcisista. Após dirigir em alta velocidade, de forma irresponsável, sofre um terrível acidente e tem seu corpo praticamente desfigurado. Felizmente, ele consegue êxitos na cirurgia, mas não consegue movimentar 100% o maior instrumento de sua profissão: suas mãos. Assim, ao descobrir que existe um lugar em que conseguirá a cura para suas mãos, Kamar-Taj, localizado em Katmandu, parte para lá, e se depara com um mundo repleto de misticismo e magia.

 Outra preocupação é que, ao se ler a sinopse e assistir a primeira parte da projeção, dá a impressão de que não se trata de um filme típico Marvel, com herói carismático e muita cena de luta. Ao contrário, parece uma mistura de "Matrix" com "O Nome da Rosa", com muita filosofaiada acerca do mundo e dos seres. Apenas na segunda parte, começa a ação e o público vai se familiarizando aos poucos com tudo aquilo que queria ver de início, mas que só acontece mais tarde. E, logicamente, toda a grana gasta na produção, se vê na tela com todo direito que um blockbuster classe A como esse merece. Mas, honestamente, estou me cansando do gênero, pois mesmo as cenas sendo espetaculares, é tudo previsível e facilmente esquecível; falta aquele entusiasmo e empolgação que tinham no mais recente filme do "Capitão América", pois aqui eu achei tudo muito cansativo.

 No elenco, o dinamarquês Mads Mikkelsen (da série "Hannibal") interpreta o vilão, Chewetel Ejiofor (de "12 Anos de Escravidão") faz o parceiro, Tilda Swinton, em mais uma composição irreverente, como a mística Anciã, e uma mal aproveitada Rachel McAdams como uma mocinha fraca e que não deixa sua marca. O melhor fica após os créditos finais, afinal trata-se de produção Marvel, em que há um diálogo muito bacana entre o Dr. Stranger e um herói muito popular e querido. Nunca pensei em dizer isso, mas é preciso passar parte dos letreiros finais para o filme ficar melhor (e olha que o longa nem chega a ter duas horas!).

 Enfim, é "assistível". Não me recordo de muita cena, o que simplesmente significa que o filme não me empolgou tanto. O fato é que a mencionada cena final já deixa bem claro que teremos sequência. Bom, a também já citada terceira parte do Capitão América foi melhor que o original. Portanto, quem sabe? Mas não boto muita fé, hehehehe... Abraços!

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sábado, 5 de novembro de 2016

A Garota no Trem

 Nos cinemas, este suspense considerado pela crítica e público como o "Garota Exemplar" do ano. Ainda que dessa vez seja sem a talentosa mão de David Fincher, diretor do filme mencionado acima, tem a experiente direção de Tate Taylor, que dirigiu "Histórias Cruzadas".

 Trata-se de uma adaptação de livro de Paula Hawkins (feita por Erin Cressida Bennett), e começa muito bem com uma mulher problemática e depressiva viajando constantemente de trem, e observando de forma fixa a casa onde seu ex-marido mora com a nova esposa (o casal tem um bebezinho). O fato é que essa mulher angustiada, de nome Rachel, acaba observando uma possível traição da nova esposa do marido e fica intrigada com essa situação. Para complicar um pouco mais, a babá do casal desaparece misteriosamente, e Rachel resolve ajudar nas investigações, para tentar encontrar um sentido para sua vida. Mas há muita coisa errada nessa estranha trama.

 O diretor Taylor apresenta um painel misterioso e inquietante a partir do início, em que divide a história em três pontos de vista, com a apresentação de suas três protagonistas; Rachel, Anna (a esposa) e Megan (a babá). Assim, o público pode esperar muitas reviravoltas e cenas em flashback que tentam esclarecer, ou embaralhar ainda mais, todos os fatos apresentados. O clima é envolvente, com uma atmosfera de tensão que coloca a plateia sempre na expectativa de algo surpreendente.

 O sucesso não seria o mesmo sem a forte presença de Emily Blunt no papel-título, bastante distante de suas heroínas belíssimas e finas. Surge em cena totalmente desglamourizada como a alcoólatra Rachel, que vive com um pé na insanidade (há rumores dela finalmente conseguir sua primeira indicação ao Oscar, mas as possibilidades são mínimas). A sueca Rebecca Ferguson (revelada no último "Missão Impossível") como a nova esposa e a jovem Haley Bennett ( "O Protetor", "Sete Homens e um Destino") no papel da promíscua babá também acertam no timing e contribuem para a sensação de mistério. E para não falar em exclusividade feminina, há os atores Justin Theroux (o ex marido de Rachel), Luke Evans (o marido da babá) e o venezuelano Edgar Ramírez (o psicólogo) como os homens envolvidos no conflito. Para completar o elenco, as boas atrizes Allison Janney, como a detetive Riley, e a muito envelhecida Lisa Kudrow, num papel aparentemente pequeno, mas que ressurge para uma surpreendente revelação.

 Como nem tudo é perfeito, quando o "quebra-cabeça" é montado e a verdade sobre a suposta traição de Anna e o sumiço de Megan são revelados, após inúmeras pistas falsas, tudo se torna previsível e deixa à mostra o típico clichê de telefilmes de suspense. Porém, de qualquer maneira, não se pode dizer que este não seja um passatempo atraente e dinâmico, valorizado pela sempre carismática Emily Blunt.

 Enfim, fica a dica para um suspense para se acompanhar nessas estranhas tardes frias de primavera. Abraços.

TRAILER: