terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Do Inferno

( EUA 2001 ). Direção: Albert Hughes, Allen Hughes. Com Johnny Depp, Heather Graham, Ian Holm, Robbie Coltrane, Ian Richardson, Jason Flemyng, Katrin Cartlidge, Terence Harvey, Susan Lynch, Paul Rhys. 122 min.


Sinopse: Londres, 1880. Jack , o Estripador está solto nas ruas cometendo assassinatos em série de prostitutas. Um inspetor toma conta do caso, e se apaixona por uma prostituta, que poderá ser a próxima vítima.

Comentários: Bem-sucedida adaptação dos quadrinhos de Alan Moore e Eddie Campbell, feita pela dupla de roteiristas Terry Hayes/Rafael Yglesias. Além disso, uma deslumbrante direção de arte e uma excepcional fotografia sombria e gótica dão charme a esse filme de suspense, protagonizado por Johnny Depp. Ele está bem no papel do inspetor supersticioso e sensitivo que tenta desvendar a identidade de Jack, o Estripador. A reconstituição de época é perfeita e o cenário nos leva a velha Londres do século XIX e suas ruas povoadas de bêbados, prostitutas, misérias e assassinatos. Curiosamente, quase todas as prostitutas do filme são feias. Exceto a bela Heather Graham, aliás, muito bem vestida para uma prostituta de esquina (ou seria bem vestida para os dias de hoje?). Ela serve de interesse romântico para Johnny Depp, e a química entre eles funciona. Depp, inclusive, se sai muito bem em filmes bizarros como esse. Na verdade, o filme foi injustiçado pelo Oscar, e ficou de fora das indicações. Deveria, ao menos, ter recebido alguma indicação técnica. O final é um pouco confuso, mas não compromete o todo, ao contrário, trás um esclarecimento lógico para os fatos ocorridos (prestem atenção). O filme tem um pouco de clichê, é verdade, como vários filmes sobre serial-killers. Entretanto, a parte técnica do filme faz a diferença e cria um clima, ao mesmo tempo, sofisticado e sobrenatural. Experimente.

Por que comprei o filme: Pelo clima diferenciado que esse filme proporciona ao telespectador. Conforme passa o tempo, fica cada vez mais difícil encontrar alguma originalidade em filmes de terror/suspense. Esse aqui não é nenhuma obra-prima, mas é bem interessante e está acima da média, perto de muitos filmes contemporâneos. Além disso, o casal central funciona bem no vídeo, e é mais um bom motivo para adquirir a fita.

domingo, 29 de novembro de 2009

A Praia

( EUA 2000 ). Direção: Danny Boyle. Com Leonardo DiCaprio, Tilda Swinton, Virginie Ledoyen, Robert Carlyle, Guillaume Canet. 119 min.


Sinopse: Jovem americano, em viagem no sudeste asiático, tem acesso a um mapa que identifica uma das praias mais belas e exóticas do mundo, localizada na Tailândia. Junto com um casal de franceses, ele parte para a Tailândia, e se envolve em várias aventuras, até chegar à praia e se envolver com os habitantes dela.

Comentários: A Praia foi o primeiro filme comercial do diretor de "Cova Rasa" e "Trainspotting - Sem Limites". Após os prestígios alcançados com esses filmes, o inglês Boyle penetrou em Hollywood e se uniu com um dos astros mais populares do momento, Leonardo DiCaprio. O resultado se transformou num filme de aventura, bastante movimentado e com locações turísticas e fotogênicas, com belas paisagens naturais. O roteiro de John Hodge, adaptado do livro de Alex Garland, possui temática que se assemelha um pouco com o posterior "A Vila", de M. Night Schyamalan. Claro que este "A Praia" é menos sério e mais agitado. Apesar de ser um "filme pipoca", e, portanto, diferente dos anteriores do diretor, A Praia conserva alguns elementos típicos de Boyle, tais como os pesadelos alucinógenos que o personagem de DiCaprio tem com o cadáver do homem que lhe entregou o mapa no sudeste asiático (participação especial de Robert Carlyle, um dos atores prediletos de Boyle). Além disso, chama a atenção também os tipos bizarros que compõe a praia. Eles são liderados por uma mulher (Tilda Swinton, em boa atuação), que tenta estabelecer uma sociedade justa e harmônica no local (apesar de algumas regras não garantirem total segurança). Em todo caso, A Praia é menos cerebral e mais um grande entretenimento, com muita emoção e adrenalina. Di Caprio está em forma e tem boa química com a francesa Virginie Ledoyen, que faz o interesse romântico. Bom divertimento, não desagrada o público do gênero.

Por que comprei o filme :Quando comprei a fita no Sebo do Messias, eu, talvez, era um dos poucos brasileiros que ainda não havia assistido ao filme. Afinal, levando em consideração que Leonardo DiCaprio é bilheteria garantida aqui no Brasil, é óbvio que o filme fez sucesso por aqui. Por isso, embora não tenha assistido, eu já havia lido a respeito do filme, e tive a sensação de que iria gostar, principalmente porque o diretor é bom. E foi assim. A Praia não deixa a peteca cair, tem um bom enredo e fotografia convidativa. Não precisa mais nada. Bem-vindo a América, Danny Boyle!

domingo, 22 de novembro de 2009

A Saga Crepúsculo: Lua Nova

Talvez eu seja um dos únicos mortais que tenha assistido essa sequência, sem ter visto o original, Crepúsculo, o famoso best-seller de Stephenie Meyer, que, inevitavelmente, teve que se transformar em filme. Não é segredo pra ninguém que eu não aprecio filmes de adolescentes (gosto apenas das boas comédias dos anos 80, no estilo "Curtindo a Vida Adoidado"). Mas, minha amada esposa faz questão de acompanhar a saga, e eu não tive escolha, a não ser acompanhá-la nessa enrascada.

A pior coisa foi o shopping em que assistimos ao filme, um certo Plaza Sul, que eu nunca tinha ido, e que é extremamente horrendo. Para piorar ainda mais, só tinha a versão dublada no cinema; e por fim, nunca vi tanto adolescente alienado dentro de uma mesma sala de cinema. É impressionante como essa série de filmes está atraindo pré-adolescentes. Eu me senti um gaiato no navio, tive que sentar bem lá na frente (isso porque o shopping é ruim, imaginem outros!). E como é insuportável tolerar os berros das meninas quando os bonitões entram em cena. Afe...

Bom, admito que entrei na sala com o intuito de bombardear e odiar o filme (e as condições mencionadas por mim agora pouco somente favoreceram o meu intuito). Entretanto, não é um filme ruim, dá até pra se distrair e manter um pouco interesse. Por outro lado, é apenas uma produção banal, inútil, sem-graça, e que prende a atenção do seu público-alvo, apenas.

A mocinha é Kristen Stewart, que foi filha de Jodie Foster em "O Quarto do Pânicio", e que repete o papel da heroína do filme anterior. Uma atriz muito esquisita (mas não tão feia quanto dizem), e que fica de boca aberta constantemente. Aliás, isso seria aceitável se a moça fizesse o papel de uma vampira, mas não é o caso. Enfim, ela continua apaixonada pelo vampiro "emo" Robert Pattinson (um branquelo insuportável que as "ninfetas" não cansam de chamar de lindo), que dá um jeito de desaparecer do filme, por um longo tempo, quando entra numa crise existencial (pelo menos, foi o que me pareceu). A coitada, portanto, fica sozinha, começa a ter pesadelos, e cai nos braços de outro amigo, feito por Taylor Lautner, que as mesmas ninfetas berram que é gostoso, sendo que na verdade, tem cara de esquilo e tem por hobbie, se transformar em lobisomem. É óbvio que o vampiro anêmico ressurge, o triângulo amoroso fortalece, e as escandalosas da plateia entram na paranóia total. Ah, tem também uma vampirinha ruiva (uma certa Rachelle Lefevre), que não abre a boca, e tenta matar a mocinha, por conta de algo que aconteceu no primeiro episódio. Em alguns instantes, comecei a torcer por ela, mas de repente ela some...

Dessa vez quem dirigiu essa sequência, foi Chris Weitz, que fez o interessante "Um Grande Garoto", e a roteirista do anterior permaneceu, no caso, Melissa Rosemberg, de séries de tv. Ah, e a estrelinha Dakota Fanning tem participação pequena como uma vampira, que pertence a família de Pattinson. Reparem! O que me lastima é que ainda existem mais duas sequências para estreia. E eu, obviamente, terei que acompanhar a Gisele. O pior de tudo é que, mais uma vez, serei obrigado a dividir meu espaço com um excessivo número de pré-adolescentes histéricas, que anseiam o tempo todo, que os galãs (galãs????) saiam da sala e as ataquem. Bem que isso poderia acontecer! Porém, nas próximas vezes, não assistirei no Plaza Sul, um shopping detestável. Ao menos, disso, eu posso me salvar. Abraços!

TRAILER:


domingo, 8 de novembro de 2009

Dança Comigo ?

( Japão 1998 ). Direção: Masayuki Suo. Com Tamiyo Kusakari, Koji Yakusho, Naoto Takenaka, Eriko Watanabe, Yu Tokui, Hiromasa Tagushi, Reiko Kusamura, Hideko Hara, Ayano Nakamura. 118 min.


Sinopse: Homem que trabalha em escritório, cansado das rotinas matrimonial e profissional, passa a freqüentar aulas de dança, após se encantar com a jovem professora de dança do local. Aos poucos, ele começa a se apaixonar pela arte da dança e passa a freqüentar as aulas mais vezes, preocupando sua esposa que acredita que ele está tendo um caso.

Comentários: Agradável surpresa dos anos 90, Dança Comigo comprova que o Japão também consegue produzir (e muito bem) filmes comerciais, e acaba com o estereótipo falso de que o país só produz filmes de artes marciais (aliás, a nova de onda de filmes de terror já está trazendo outro estereótipo, bem diferente dos filmes de Kurosawa). O filmes é simpático, divertido e humano. Trata-se de uma deliciosa comédia em que um homem, fugindo de todos os tipos de rotinas, encara um tipo de arte que é bem repreendido pela sociedade machista do país. Ou seja, um filme anti-preconceito, bem dirigido, roteirizado (Masayuki também é autor do roteiro), interpretado e com grandes seqüências de danças. Um grande acerto. O elenco está muito bem; gosto particularmente de uma atriz chamada Eriko Watanabe, que interpreta a dançarina estressada. O filme merece ser conhecido, não só pela bonita mensagem que traz, como também porque Hollywood já o refilmou recentemente com Richard Gere, Jennifer Lopez e Susan Sarandon (parece que refilmar sucessos de terror japoneses não foi suficiente para Hollywood; Dança Comigo é a prova de que todo gênero do país pode estar sendo refilmado), e poucos conhecem o original.Mas prefiram este, bastante original, que emociona e diverte. E viva os bons momentos cinematográficos do Japão!

Por que gravei o filme: Passou na HBO, e resolvi gravá-lo após assistir a um programa do Rubens Ewald Filho, em que o crítico havia colocado o filme na lista entre os 10 melhores que estrearam nos cinemas brasileiros no ano de 1999. E não me arrependi.

domingo, 1 de novembro de 2009

Tá Chovendo Hambúrguer

Longas em animação não são o "forte" da Columbia, mas admito que me diverti bastante com esse filme, que assisti ontem com a minha esposa Gisele no Shopping D. Aliás, ela estava doida para assistir a uma produção em 3D. Essa foi a oportunidade.

O título é aparentemente falso, uma vez que na trama chovem diversos tipos de alimentos, não apenas hambúrguer (esse apenas é o primeiro a cair). Enfim, o cientista Flint Lockwood vive numa pequena cidade marítima, com o pai, onde os frutos do mar são os únicos alimentos da população local. Cansado dessa rotina, Flint (conhecido por suas invenções atrapalhadas) resolve construir uma máquina que tem a capacidade de fazer chover alimentos do céu. A partir de então, hambúrgueres, pizzas, sorvetes, carnes, gelatinas, enfim toda a diversidade de alimentos começa a cair sobre a cidade, alimentando seus habitantes e causando a alegria geral. Flint passa a ser cobiçado pelo inescrupuloso prefeito, enquanto se deixa enamorar pela garota do tempo, que surge em cena para cobrir esse estranho evento. Só que as coisas fogem do controle, quando a máquina passa a produzir alimentos em excesso, que sofrem certas mutações...

Tá Chovendo Hambúrguer é um excelente entretenimento, divertido, interessante, curioso e muito engraçado. Admito que não tinha dado muita atenção para essa animação dirigida e roteirizada pela dupla Phil Lord e Chris Miller (adaptada do livro de Judi e Ron Barrett), e demorei para assistir. Mas me surpreendi, e gostei mais do que Up, filme em que depositei maiores expectativas. Aqui, como em diversas produções do gênero, alguns personagens coadjuvantes roubam a cena, como o camera-man da Guatemala, que também é médico e sabe pilotar máquinas voadoras. Além dele, o garoto propaganda da cidade, o chefe de polícia e sua família, e o pai de Flint são responsáveis pelo alívio cômico. Gostei também da mensagem, que faz referência ao descontrole humano, ao mostrar uma sociedade disposta a satisfazer suas vontades, sem se preocupar com os excessos e as consequências desastrosas que eles podem trazer.

É verdade que Tá Chovendo Hambúrguer é repleto de clichês (mesmo porque é difícil evitá-los, principalmente nesse gênero), mas eu gargalhei constantemente (teve uma hora que a Gisele teve que chamar minha atenção). Ou seja, adoro animações em longa metragem, principalmente quando elas são mais voltadas para a comédia. Recomendo a todos! Agora, eu quero ver o "Planeta 51", e a adaptação de "Alice no País das Maravilhas", novamente com o amalucado trio Tim Burton (diretor) e os atores Johnny Depp e Helena Bonham-Carter. Bom domingo!

TRAILER:

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Matrix

( EUA 1999 ). Direção: Larry Wachowski, Andy Wachowski. Com Keanu Reeves, Laurence Fishburne, Carrie-Anne Moss, Hugo Weaving, Joe Pantoliano, Gloria Foster, Marcus Chong, Robert Taylor, Paul Goddard, Julian Arahanga, Matt Doran, Belinda McClory, Ray Anthony Parker. 136 min.


Sinopse: Um jovem analista de sistemas, Neo, descobre que o mundo em que vivemos é, na verdade, uma grande ilusão, conhecida como Matrix. Acaba por descobrir, através da misteriosa Trinity e do astuto Morpheu, que o mundo verdadeiro foi dominado pelas máquinas, e que ele (Neo) é o ser "enviado'' para conter as máquinas, e salvar o mundo.

Comentários: Matrix se consagrou no final dos anos 90 como uma absoluta inovação técnica para o cinema. Os efeitos visuais estão extremamente impecáveis, permitindo ao espectador visualizar cenas fora do comum e criativas. A produção foi indicada a quatro Oscar, e ganhou todos: montagem, efeitos visuais, efeitos sonoros e som. Além de ter alcançado méritos na área técnica e o reconhecimento pela Academia, Matrix colocou no mapa o nome de dois diretores, que são irmãos: Larry e Andy Wachowski (também autores do roteiro), que já vinham feito o pouco conhecido "Ligadas Pelo Desejo", um filme menor. Mas, apesar dos efeitos e dos som serem os grandes responsáveis pelo espetáculo, o filme conta uma interessante história filosófica. Tendo como ponto de referência a "Alegoria da Caverna" de Platão, os irmãos Wachowski mostram a nossa realidade como um sonho, ou seja, algo totalmente em desacordo com o caos que o mundo se tornou, após o controle das máquinas sobre os homens. Elas, as máquinas, construíram a "matrix", e as pessoas que vivem nela são, na verdade, escravizadas naquele mundo de mentiras e estão impedidas de conhecer a verdade; tal como na Caverna do Platão, em que os seres humanos viviam acorrentados nela, desde a infância, sem a possibilidade de conhecer a verdade que existe no exterior dela. E o personagem Neo, vivido por Keanu Reeves (convincente no papel), se compara a um dos homens da Caverna que, como sugere Platão, consegue se libertar dela, descobre a verdadeira realidade e tenta libertar os outros prisioneiros; é o que acontece com o personagem de Reeves, que também consegue se libertar da caverna/matrix. Claro que as conseqüências negativas que o homem da Alegoria da Caverna sofre, não acontecem com o personagem central de Matrix; afinal, de contas, aqui, é um filme hollywoodiano de ação. Em todo caso, assistindo ao filme é impossível não refletirmos, se nós também não estamos presos dentro da Matrix. Será que nossa sociedade consegue conhecer os problemas reais que nós enfrentamos (guerra, violência,miséria...)? Ou será que nos entretemos exageradamente com a cultura de massas, a nossa matrix, enquanto o mundo se dirige ao caos da corrupção e da desigualdade? Bom, concluo que Matrix realmente tem um ótimo roteiro. Além disso, não posso deixar de reconhecer que as seqüências de kung fu e a trajetória das balas de revólver, que Keanu Reeves consegue desviar, são impressionantes e tornaram-se as marcas registradas do filme (foram satirizadas em Todo Mundo em Pânico, As Panteras, Shrek...). Além disso, destaco também as interpretações de Laurence Fishburne como Morpheus, o líder da resistência humana contra as máquinas, e a então estreante Carrie-Anne Moss como Trinity, parceira de Neo. O filme teve duas seqüências filmadas simultaneamente, tecnicamente superiores, mas com roteiros fracos e superficiais.

Por que gravei o filme: Gravei na HBO, e já havia assistido anteriormente no cinema. Matrix, na verdade, é um filme popular, todo mundo conhece e não é novidade para ninguém. É um filme de ficção científica, repleto de cenas de ação. Sem dúvida. É verdade também, que o filme arrecadou zilhões nas bilheterias, e que é prestigiado na maioria das vezes por adolescentes sem cultura, e que gostam apenas de ver pancadaria e violência na tela grande. Acredito que, por conta disso, as pessoas têm preconceito em assistir ao filme. Os mais cultos consideram o filme apenas como mais uma super-produção hollywoodiana de ficção científica. Claro que é uma super-produção, mas não podemos nos esquecer que Matrix tem referências filosóficas interessantes. Antes, poucos filmes haviam trabalhado com a idéia de uma possível associação entre o mundo e a Alegoria da Caverna (há, na verdade, "O Show de Truman" de Peter Weir, que também trata do tema). Portanto, o roteiro do filme também é inovador e curioso, mesmo que seja coadjuvante do show de efeitos especiais. Ambos, efeitos e roteiro, se completam, tornando Matrix uma produção acima da média. É necessário, portanto, as pessoas perderem o preconceito e encararem Matrix como o bom filme que ele é.

domingo, 11 de outubro de 2009

Salve Geral

Em 2006, quando ocorreram os ataques promovidos pelo PCC (Primeiro Comando da Capital), imaginei que esse fato poderia um dia virar uma produção cinematográfica. Não demorou muito, e o experiente cineasta Sérgio Rezende ("Lamarca", "Zuzu Angel") acabou assumindo a direção desse filme, roteirizado por ele mesmo e também por Patrícia Andrade.

Outro fato curioso é que esse foi o filme brasileiro escolhido para disputar uma vaga ao Oscar 2010, na categoria filme estrangeiro. Entretanto, após assistí-lo, comecei a questionar: por que justamente Salve Geral? Será que este ano foi muito fraco para o cinema nacional?

Vejam bem, o filme não é ruim, e apresenta temática que levanta o interesse de qualquer espectador (não podemos nos esquecer que o povo ainda é preconceituoso com fitas nacionais). A professora de piano, e também formada em direito, Lúcia (Andréa Beltrão) se encontra numa tremenda enrascada, quando seu filho (o estreante Lee Thalor) acaba matando, sem intenção, uma garota num racha. O rapaz vai preso, e sua mãe tenta de tudo para tirá-lo do inferno carcerário. Ela acaba conhecendo, por acaso, a advogada Ruiva (Denise Weinberg), que resolve ajudar Lúcia. Porém, o que professora de piano começa a descobrir aos poucos, é que Ruiva é filiada a um partido de presidiários, que intencionam provocar um grande alvoroço em São Paulo, caso seus desejos não sejam atendidos. Assim, Lúcia acaba se "infiltrando" no partido, levando recados de Ruiva para os presos, com o intuito de conseguir tirar o filho da cadeia. Até que finalmente explode a revolução do partido, em pleno dia das mães.

Mais uma vez, afirmo que a ideia do roteiro é interessante. O problema é que ele acaba se tornado bastante confuso, já que Rezende desenvolve diversas tramas paralelas entre os prisioneiros. Fora isso, as atitudes da protagonista acabam se tornando um tanto bizarras. Por exemplo, fica difícil de entender o que faz com que ela se envolva amorosamente com um dos líderes dos presos (na verdade, um dos possíveis "Marcolas" do filme, já que há pelo menos outros dois que possuem tal perfil). Enfim, mesmo inocentemente, ela acaba se tornando cumplíce da "máfia" dos criminosos, e por isso, fica muito complicado torcer por ela.

Andrea Beltrão foi bastante elogiada no papel da protagonista, mas não gosto muito da atriz em papéis dramáticos. Acho-a muito fria e neutra demais. Na verdade, ela não tem uma grande cena. Por outro lado, quem se destaca é a pouco conhecida Denise Weinberg (da minissérie "Maysa"), no papel da advogada Ruiva. Ela acaba sendo a alma do filme, e rouba as cenas. Os demais atores também atuam bem (Kiko Mascarenhas, Taiguara Nazareth, Eucir de Souza, Chris Couto...).

Em Salve Geral, Rezende fez uma crítica à corrupção policial, ao mostrar algumas parcerias entre bandido e polícia na promoção dos atentados, o que acabou sendo uma atitude corajosa. Aliás, em nenhum momento é citado o nome da facção, "PCC", que sempre é referenciada como o "partido". Mas, honestamente, acho praticamente impossível Salve Geral ser indicado ao Oscar. Os excessos de cenas de ação e os conflitos entre os personagens não irão satisfazer os americanos. Além disso, o tema inspirado em fatos reais, se teve alguma repersussão nos EUA, já caiu no esquecimento, sem dúvida. A conclusão apresenta um não merecido final feliz, e prejudica ainda mais o resultado. Enfim, vale a pena para discutir um momento aterrorizante que São Paulo sofreu recentemente, e pela presença marcante de Denise Weinberg. Mas Rezende já fez melhor. Boa noite!

TRAILER: