segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

Oscar 2020 - indicados

 Hoje em dia aquela expectativa de surpresa para a lista de indicados ao Oscar nem existe mais. Afinal, com tanta premiação que antecede o Oscar, e suas listas que sempre se repetem, é raro encontrar alguma surpresa. Mas não posso deixar de mencionar a felicidade que é saber que o nosso brasileiro "Democracia em Vertigem" foi indicado como documentário. Num momento turbulento que o país vive, com um presidente que quer negar a história, defendendo que não houve uma ditadura no Brasil, esse reconhecimento é importantíssimo. Não sei se ganha, a categoria documentário é um mistério, nunca sei ao certo qual é a fita favorita. Mas a torcida tá aí e a indicação já é um prêmio.

 Dito isso, eu sempre comento, como de costume, apenas as seis categorias princiapis: filme, direção, ator, atriz, ator coadjuvante e atriz coadjuvante. Vamos lá:

FILMES:

Ultimamente, é difícil encontrar uma lista com 10 filmes; dessa vez, foram 9 os indicados. Toda vez que eu vejo uma quantidade inferior a 10, me passa algo ruim, pois dá a impressão de que o ano não foi bom... Enfim, eles são: 1917, Adoráveis Mulheres, Coringa, Era Uma Vez em Hollywood, Ford vs. Ferrari, História de um Casamento, O Irlandês, Jojo Rabbit e Parasita. Desses, três tem grandes chances: Era Uma Vez em Hollywood oscilou muito, desceu, subiu e agora volta para competir com um filme pouco badalado, mas que agora está entre os mais populares, 1917. Junto com eles está o sul-coreano Parasita que está ganhando tudo que é prêmio. Entretanto, dificilmente uma fita estrangeira vence como melhor filme... Quanto aos demais, as produções da Netflix O Irlandês e História de um Casamento começaram bombando, mas despencaram. Os outros quatro filmes completam a lista e são os azarões. 

DIRETORES:

 Antes é preciso mencionar que num ano em que as mulheres dirigiram muito filme bom, nenhuma delas foi lembrada, e temos apenas homens indicados na categoria. Academia machista? Percebe-se que nomes como Greta Gerwig, Kasi Lemmons, Olivia Wilde, Marielle Heller, Lulu Wang, Celine Sciamma, Lorene Scafaria... tiveram seus filmes elogiados pela crítica, mas ficaram de fora. Enfim, vamos aos indicados: Bong Joon-ho (Parasita), Sam Mendes (1917), Todd Phillips (Coringa), Martin Scorsese (O Irlandês) e Quentin Tarantino (Era Uma Vez em Hollywood). A categoria não está fácil para previsões. Certamente, Phillips é o azarão, e Scorsese não ganhará novamente, sobretudo porque o públiico rejeitou seu filme e a culpa está na longa duração. Assim sendo, nós temos o oriental Joon-ho que está passando o rodo em tudo, mas é estrangeiro; Tarantino, mais pela carreira do que pelo filme; e Sam Mendes que veio devagarzinho, mas agora cresceu. Será um dos três.

ATORES:

ANTONIO BANDERAS, 59 anos, 1ª indicação. Concorre por Dor e Glória. Um astro bastante popular como Banderas, somente agora, beirando os 60 , tem sua primeira chance ao Oscar. É um trabalho muito bom, em que atua falando sua língua de origem, o espanhol. Mas não vai ganhar.

LEONARDO DiCAPRIO, 45 anos, 6ª indicação. Indicações anteriores foram Gilbert Grape - Aprendiz de Sonhador (coadjuvante, 1993), O Aviador (principal, 2004), Diamante de Sangue (principal, 2006), O Lobo de Wall Street (principal, 2013) e O Regresso (principal, 2015, ganhou!). Agora concorre por Era Uma Vez em Hollywood. Caprio é aquele ator que conseguiu fazer as pazes com a Academia, que o rejeitou diversas vezes. Em mais uma parceria com Tarantino, tem uma composição esforçada e digna de Oscar. Mas ele só foi indicado para aumentar os números de indicados em um filme bastante popular, já que não ganhou nada esse ano, e certamente ficará de mãos vazias também no Oscar.

ADAM DRIVER, 36 anos, 2ª indicação. Foi indicado no ano passado como coadjuvante por Infiltrado na Klan. Agora, como protagonista, concorre por História de um Casamento. Driver ganhou diversos prêmios em festivais mais alternativos, e caiu no gosto dos críticos de forma geral. Tem chances de ganhar, mas fica aqui como um "plano B", já que o favorito parece ser outro.

JOAQUIN PHOENIX, 45 anos, 4ª indicação. Indicações anteriores foram Gladiador (coadjuvante, 2000), Johnny & June (principal, 2005) e O Mestre (principal, 2012). Agora concorre por Coringa. É justamente ele o adversário de Driver, que impressionou com o seu poder de versatilidade, na intepretação honrosa de um dos vilões mais populares do cinema e dos quadrinhos. Mesmo sendo ele uma pessoa difícil, e até antipática, o Oscar seria justíssimo. Ganhou o globo de ouro e o critics choice. Certamente ganhará o Oscar também.

JONATHAN PRYCE, 72 anos, 1ª indicação. Concorre por Dois Papas. Como que um ator com uma trajetória excessivamente longa nos cinemas, e também na tv, com tantas interpretações elogiadas, nunca concorreu antes? Chega a ser um crime. O fato é que Pryce tem uma louvável interpretação do Cardinal Jorge Bergoglio no filme de Fernando Meirelles. Se houvesse justiça, ganharia. Porém, é o azarão do grupo.

ATRIZES:

CYNTHIA ERIVO, 33 anos, 1ª indicação. Concorre por Harriet. Ela também é cantora, e concorre por uma canção do mesmo filme na categoria canção original. É uma atriz que fez poucos trabalhos no cinema, esse é seu terceiro filme. Não assisti ainda, mas ela tem estado em listas entre as melhores atrizes do ano. Para ela, essa dupla indicação já é um prêmio. Contudo, é a azarona entre as indicadas. 

SCARLETT JOHANSSON, 35 anos, 1ª indicação. Concorre por História de um Casamento. Johansson é aquela atriz que já foi indicada várias vezes ao globo de ouro, mas sempre foi esnobada ao Oscar. É uma atriz de popularidade grande, sempre lembrada como a Viúva Negra da série "The Avengers". Agora, finalmente, é reconhecida pela crítica. Tem uma excelente performance no filme, e até pode ganhar, o que seria justo. Mas não é a favorita; assim como seu parceiro de elenco Driver, é o "plano B".

SAOIRSE RONAN, 25 anos, 4ª indicação. Indicações anteriores foram Desejo e Reparação (coadjuvante, 2007), Brooklyn (principal, 2015) e Lady Bird (principal, 2017). Agora concorre por Adoráveis Mulheres. Ainda não assisti a essa nova versão da obra de Louisa May Alcott, e tenho até receio de não ter nada de diferente do filme de 1994. Ma o que impressiona é que essa jovem, que ainda está longe dos 30, já conseguiu 4 indicações ao Oscar. Não é a favorita, não vai ganhar, mas já se pode perceber que, mesmo com um nome difícil, é queridinha da Academia. Um dia ela ganha...

CHARLIZE THERON, 44 anos, 3ª indicação. Concorreu antes por Monster - Desejo Assassino (principal, 2003, ganhou!) e Terra Fria (principal, 2005). Depois de uma longa ausência, uma das atrizes mais lindas do momento é novamente indicada, dessa vez por Escândalo. Theron é sempre excepcional na tela e faz um grande trabalho. Está constante nas diversas listas de indicadas a prêmios, porém, apenas para completar. Não será dessa vez que ganhará mais um Oscar...

RENÉE ZELLWEGER, 50 anos, 4ª indicação. Concorreu antes por O Diário de Bridget Jones (principal, 2001), Chicago (principal, 2002) e Cold Mountain (coadjuvante, 2003, ganhou!). Agora concorre por Judy - Muito Além do Arco-Íris. É a favorita, já que a grande vencedora de festivais do ano, Lupita Nyong´o, não foi indicada. É uma atriz querida, muito popular e que ficou um bom tempo fora das telas. Retornou em grnade estilo, e Hollywood ama isso. Assisti ao filme, em que ela interpreta a estrela Judy Garland, e o esforço dela está na tela. Contudo, Zellweger tem uma voz característica dela, o que a impede de interpretar com perfeição alguma personalidade famosa. Essa é a restrição que eu faço. Enfim, prefiro Johansson, mas creio que será Zellweger mesmo...

ATORES COADJUVANTES:

TOM HANKS, 63 anos, 6ª indicação. Indicações anteriores foram Quero Ser Grande (principal, 1988), Filadélfia (principal, 1993, ganhou!), Forrest Gump - O Contador de Histórias (principal, 1994, ganhou!), O Resgate do Soldado Ryan (principal, 1998) e Náufrago (principal, 2000). Agora, pela primeira vez, concorre como coadjuvante por Um Dia Lindo na Vizinhança. Após 20 anos ausentes da premiação mais badalada do cinema (injustamente, diga-se de passagem), Hanks retorna como concorrente por um filme interesante, mas que ainda não ganhou conhecimento do público. É uma boa atuação de uma figura popular nos States, o apresentador de tv Fred Rogers. Mas é o azarão do grupo.

ANTHONY HOPKINS, 82 anos, 5ª indicação. Indicações anteriores foram O Silêncio dos Inocentes (principal, 1991, ganhou!), Vestígios do Dia (principal, 1993), Nixon (principal, 1995) e Amistad (coadjuvante, 1997). Agora concorre por Dois Papas. É questionável ver Hopkins como coadjuvante num filme em que o título demonstra que DOIS são os protagonistas. Enfim, de qualquer forma, é agradável ver essa lenda viva do cinema nessa seleta lista. Interpretação fenomenal, mas é tão azarão quanto Hanks.

AL PACINO, 79 anos, 9ª indicação. Indicações anteriores foram O Poderoso Chefão (coadjuvante, 1972), Serpico (principal, 1973), O Poderoso Chefão - Parte 2 (principal, 1974), Um Dia de Cão (principal, 1975), Justiça Para Todos (principal, 1979), Dick Tracy (coadjuvante, 1990), Perfume de Mulher (principal, 1992, ganhou!) e O Sucesso a Qualquer Preço (coadjuvante, 1992). Quase 30 anos depois, esse outro ator consagrado concorre por O Irlandês. Trata-se, mais uma vez, de Hollywood prestigiando seus grandes astros, que estavam afastados das premiações principais. Não se tem o que falar de Pacino, que sempre domina. Porém, assim com Hanks e Hopkins, só está completando a lista, já que precisa de 5 nomes...

JOE PESCI, 77 anos, 3ª indicação. Concorreu antes por O Touro Indomável (coadjuvante, 1980) e Os Bons Companheiros (coadjuvante, 1990, venceu!). Agora é a vez de O Irlandês. Curiosamente, todas as três indicações foram para filmes de seu amigo Martin Scorsese. De fato, ele tem um papel mais marcante que o do seu colega de elenco Al Pacino, e tem sido apontado como um nome forte para coadjuvante do ano. Mas, como mencionado antes, ele é o ator "plano B", pois o forte favorito é o próximo.

BRAD PITT, 56 anos, 4ª indicação. Indicações anteriores foram Os Doze Macacos (coadjuvante, 1995), O Curioso Caso de Benjamin Button (principal, 2008) e O Homem que Mudou o Jogo (principal, 2011). Concorre agora por Era Uma Vez em Hollywood. Pitt já foi indicado como melhor filme (pois quem concorre para filme do ano é produtor, e ele também acumula essa função; aliás, ganhou por 12 Anos de Escravidão), mas na categoria interpretação nunca venceu. E ele é o franco cavorito, elogiado em diversos festivais. A interpretação é correta e madura, por isso não será injusto se vencer.

ATRIZES COADJUVANTES:

KATHY BATES, 71 anos, 4ª indicação. Indicações anteriores foram para Louca Obsessão (principal, 1990, ganhou!), Segredos do Poder (coadjuvante, 1998) e As Confissões de Schmidt (coadjuvante, 2002). Agora concorre por O Caso Richard Jewell, filme de Clint Eastwood, que foi praticmente esquecido, se não fosse a indicação de Kathy. Ainda não assisti ao filme, mas a presença dela é sempre forte em qualquer filme que atua. Contudo, é a azarona da lista.

LAURA DERN, 53 anos, 3ª indicação. Foi indicada antes por As Noites de Rose (principal, 1991) e Livre (coadjuvante, 2014). Agora é a vez de História de um Casamento. Ela é a forte favorita na categoria, ainda mais porque surpreendentemente sua concorrente mais próxima, Jennifer Lopez, não foiindicada. A interpretação dela é excelente, embora seja um papel relativamente pequeno, não exatamente marcante. Mas ela domina em suas cenas.

SCARLETT JOHANSSON, 35 anos, 2ª indicação. Na verdade, trata-se de uma dupla indicação no mesmo ano, mas como nesse texto já falei dela antes, por isso coloquei "2ª indicação". Além de História de um Casamento, ela concorre por Jojo Rabbit, o que só demonstra que esse foi o ano dela. Tem bons momentos no filme pela qual ela recebe a indicação nessa categoria, mas suas chances são pequenas.

FLORENCE PUGH, 24 anos, 1ª indicação. Ela concorre por Adoráveis Mulheres, e é uma jovem atriz que tem tentado o estrelato. recebeu muitos elogios pelo terror Midsommar: O Mal não Espera a Noite, e certamente a sua indicação aqui é influenciada pelas duas participações. Está completando o time, mas pode ser que um dia chegue a vez dela.

MARGOT ROBBIE, 29 anos, 2ª indicação. Foi indicada anteriormente por Eu, Tonya, de 2017, como principal. Agora é a vez do filme Escândalo, Robbie, uma das atrizes mais sensuais do momento, também esteve em Era Uma Vez em Hollywood, em que também foi muito elogiada. Por ter dois papéis marcantes no mesmo anos, e sem Jennifer Lopez na corrida, ela pode ser a concorrente mais próxima da favorita Laura Dern. Mas as chances não são altas mesmo assim.

É isso! Vamos aguardar agor a premiação, dessa vez mais cedo que de costume, no dia 09/02/2020. Eu, obviamente, acompanho pela TNT, pois Rede Globo não respeita o Oscar. Abraços!





domingo, 12 de janeiro de 2020

Frozen 2

 O mês de janeiro representa o momento de férias escolares, num verão, muitas vezes, insuportável por aqui. Felizmente, muitas salas de cinema são equipadas com ar condicionado, e o tema congelante dessa sequência de uma animação de sucesso, ajuda a refrescar. Refiro-me a Frozen 2, que retoma no cinema com seus populares personagens.

 Aqui, a rainha Elza é assombrada por vozes que a fazem tentar decifrar mistérios que envolvem as ações de seu avô no passado. Parte para uma aventura para manter o reino em segurança, já que segredos relacionados a uma floresta negra, podem trazer destruição e ruína. Ela conta com o auxílio de sua irmã Ana, do namorado desta, Kristoff, e do simpático boneco de neve, Olaf.

 Ok, a história é bonitinha, e encanta o público infantil, sobretudo as meninas. Entretanto, percebe-se aqui um roteiro preguiçoso, dos próprios diretores Jennifer Lee e Chris Buck, que não conseguem tanta criatividade para sustentar uma sequência de um fenomenal sucesso de 2013. Além disso, as diversas canções não são memoráveis, nem simpáticas. Fica então a parceria do público com seus carismáticos protagonistas, sendo que, obviamente, mais uma vez o boneco Olaf leva a melhor como alívio cômico. Mas não há tenta coisa de extraordinário.

 Não sei se chegará a ser indicado ao Oscar de canção, mas certamente estará entre os cinco finalistas de longa em animação. E, reafirmo, é um passatempo agradável e divertido. Mas não esperem novidades maiores, além da inclusão de uma espécie de filhote de dragão na história, para acrescentar mais "foforice para a narrativa". Até mais!

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sábado, 4 de janeiro de 2020

Minha Mãe é Uma Peça 3: O Filme

 Para fechar a trilogia de enorme sucesso nas bilheterias brasileiras, o show de humor do talentoso Paulo Gustavo como Dona Hermínia está de volta; e mais uma vez as salas de cinema ficaram cheias, comprovando o quanto o público aplaude o estilo de humor de Paulo Gustavo e sua carismática personagem. A direção ficou por conta de Susana Garcia, após o sucesso no ano passado com "Os Homens são de Marte".

 Garcia também colabora no roteiro, ao lado de Paulo Gustavo e Fil Braz. Entretanto, não existe exatamente uma história, mas sim um alongamento de cenas cômicas e divertidas. Tanto que a projeção aqui se aproxima das duas horas, bem diferene dos outros dois filmes, que se chegavam a passar de uma hora e meia, era pouco (caso do segundo episódio).

 Mas em nenhum momento o público sai da sala de exibição com a ideia de que assistiu a uma fita arrastada e sem novidades. Ao contrário, as gargalhadas são garantidas do início ao fim, e a duração longa da fita nem é sentida; na verdade, se tivesse mais cenas, o público somente iria agradecer. Méritos de Paulo Gustavo, defintivamente o humorista do ano, que tem um poder impressionante sobre as plateias. Bem, a Dona Hermínia anda entediada em seu apartamento, pois os filhos não moram mais com ela. Além do filho mais velho, Garib, que mora em Brasília com esposa e filho, os outros dois, Marcelina e Juliano, já decidiram as vidas deles, pois a moça está grávida e vai morar com o namorado hippie, e Juliano decide se casar com o namorado. Para piorar, o ex marido Carlos Alberto resolve ser vizinho dela, deixando-a mais irritada. Bem, agora Dona Hermínia consegue ocupar seus dias em comprar roupinhas para o netinho (ou netinha) e implicar com a sogra do filho, Ana, uma megera  ricaça e prepotente. E nas horas vagas ela arranja tempo para ir para Nova York ao lado da vizinha Dona Lourdes.

 Enfim, ao ler a sinopse, já se pode perceber que tudo o que se sucede em cena é apenas com o pretexto de matar o público de rir. E realmente, Paulo Gustavo apenas conseguiu melhorar o humor nas sequências. Quase todo o elenco retorna aqui, como Mariana Xavier e Rodrigo Pandolfo como os filhos Marcelina e Juliano, Patrícia Travassos e Alexandra Richter como as irmãs, Hérson Capri como o ex-marido, Samantha Schmütz como a empregada, Malu Galli como a vizinha Dona Lourdes... Acrescentam-se ao grupo, a atriz Stella Maria Rodrigues como a sogra do filho de Hermínia e Cadú Fávero, como o hippie que se casa com Marcelina.

 Percebe-se que provavelmente não teremos um episódio 4, já que Gustavo fez questão de prestar uma homenagem à família dele nos letreiros finais, especialmente para a mãe dele, aliás, outros momentos divertidos em que a própria mãe do ator/roteirista aparece em cena, o que demonstra onde ele tirou a inspiração para criar Dona Hermínia. Tal homenagem soa como uma despedida das telas de uma das personagens mais carismáticas do cinema brasileiro. Por outro lado, a série já foi confirmada, e a turma toda, em breve, irá invadir a telinha. Não percam e divirtam-se! Abraços!

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sexta-feira, 15 de novembro de 2019

Ford vs. Ferrari

 Ford vs. Ferrari é uma das estreias dessa semana, e eu conferi no cinema, principalmente por conta do título chamar a atenção por sugerir algum tipo de duelo entre dois nomes bastantes populares. O diretor é o  James Mangold (de filmes como "Johnny & June" e "Logan"), que se apoiou em um roteiro elaborado por Jez Buttenworth, John-Henry Buttenworth e Jason Keller, sobre duas marcas bem conceituadas mundo afora.

 Carroll Shelby é um fabricante de automóveis muito prestigiado. Ele trabalha sempre em parceria com o mecânico Ken Miles, também piloto de suas máquinas. Shelby é contratado para integrar a equipe de Henry Ford II, para produzir uma "super-máquina" capaz de derrotar seu arquinimigo Enzo Ferrari nas corridas de fórmula 1. Contudo, Ken Miles não é aceito na equipe como piloto, mas Shelby fará de tudo para mostrar o quanto competente seu amigo é na arte de pilotar.

 A duração excessiva do filme (quase três horas) pode desagradar um pouco, mas a narrativa é muito atraente e apresenta cenas memoráveis e bem elaboradas de corridas de fórmula 1. Na verdade, nem precisa ser entendido nesse esporte para curtir essa boa aventura, cujo único problema é ter um título que não está totalmente de acordo com a ideia central. Ainda que as marcas Ford e Ferrari duelem em cena nas corridas, os intérpretes dos chefões (Tracy Letts e Remo Girone, respectivamente) são apenas coadjuvantes, pois a ação é centrada na amizade enter Shelby e Miles.

 Falando nos protagonistas, Matt Damon e Christian Bale atuam perfeitamente como os parceiros que precisam superar obstáculos perigosos para conseguir todo o prestígio requisitado pela Ford. Christian Bale se destaca ainda mais numa excelente composição, como um impulsivo e irreverente Miles. Já o Shelby de Matt Damon não tem em cena nem mesmo um interesse romântico, já que apenas o seu profissional é focado.

 Ainda no elenco, Jon Bernthal e Josh Lucas são os executivos da Ford, responsáveis pela contratação de Shelby, sendo que o último funciona como uma espécie de vilão. O garotinho Noah Jupe (de "Extraordinário") faz o filho de Bale, e a atriz irlandesa Caitriona Balfe (de "Jogo do Dinheiro") interpreta a esposa.

 A conclusão é satisfatória e não deixa de mostrar uma mensagem crítica à ganância e ao poder do dinheiro. Certamente terá algumas indicações ao Oscar 2020, até mesmo uma possível de ator coadjuvante para Christian Bale. Sem dúvida, mesmo não sendo um primor, é um filme interessante e agradável. Até!

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sábado, 2 de novembro de 2019

Malévola: Dona do Mal

 Não tenho o hábito de assistir às sequências das fitas da Disney no cinema, mas acabei conferindo essa produção, agora comandada pelo norueguês Joachim Ronning, que fez o mais recente episódio da série Piratas do Caribe, "A Vingança de Salazar".

 Aventuras como essa acabam sendo entediantes pois nós todos já sabemos como vai começar e como vai terminar. Quando se sai da sala de projeção, fica a sensação do famoso dito e feito, pois tudo o que era previsto acontece. Não que o roteiro seja ruim, mas não se tem como fugir do convencional quando se trata de contos de fadas. Ao menos, dessa vez, o roteiro, de Linda Woolverton, Noah Harpster e Micah Fitzerman-Blue, não coloca a figura sinistra e diabólica da Malévola como vilã.

 A jovem Aurora está prestes a se casar com o príncipe Philip, por quem é apaixonada. Contudo, terá que convencer sua madrasta Malévola a aceitar o casório. Inclusive, a própria é convidada para um jantar no castelo do futuro genro. Entretanto, um plano ardiloso da rainha Ingrith, mãe de Philip, faz com que Malévola caia numa armadilha, e precisa fugir para não ser exterminada. Acaba encontrando seres da mesma espécie que ela, com quem se une. Enquanto isso, Aurora, entristecida, perde a confiança em sua madrasta.

 Bem, pelo fato da grande vilã do clássico "A Bela Adormecida" ganhar o título do filme, é normal o fato dela ser a heroína da vez. Mas o mais importante mesmo na história é o já batido tema, ainda que sempre oportuno, da diversidade. Afinal, fica a mensagem de que as diferenças precisam ser compreendidas, e que não deve existir relação de superioridade de uma raça para outra; é o que fica evidente no confronto entre os humanos e os seres da espécie de Malévola.

 No elenco, Angelina Jolie de volta às telas no papel título, sempre carismática e poderosa em cena. Elle Fanning retorna como a sonsa princesa Aurora, assim como as três fadas têm as mesmas Lesley Manville, Imelda Staunton e Juno Temple do filme anterior. Sam Riley, como o fiel acompanhante de Malévola, também retorna em cena. Mudaram o ator que faz o príncipe, agora é um certo Harris Dickinson (muito fraco, por sinal). Ainda no elenco, o talentoso Chiwetel Ejiofor, como o líder da espécie de Malévola, Ed Skrein, como um rebelde desse mesmo grupo, Robert Lindsay como o rei, e a melhor do elenco, a já envelhecida Michelle Pfeiffer, como a rainha, a grande vilã da narrativa.

  Enfim, a produção é agradável e fotogênica, com belos figurinos e direção de arte. Todavia, é mais mesmo um passatempo para as crianças, cuja exibição teria sido oportuna nas férias escolares do mês de julho. Vale pela mensagem politicamente correta e, obviamente, pela ilustre presença de Angelina Jolie. Abraços!

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sábado, 19 de outubro de 2019

Coringa

 Nessa guerra simbólica entre Marvel x DC Comics, com filmes protagonizados por seus super-heróis populares, quem ganha é o público, que confere toda a diversidade de fitas. Se parecia, para alguns, que a Marvel estava levando a melhor, a DC (ou Warner) demonstrou que produzir um filme protagonizado por um anti-herói, feito com muita seriedade, consegue superar a batalha de egos de diversos heróis envolvidos numa só projeção, como é o caso da série Avengers.

 Quem diria, o diretor Todd Phillips (também roteirista, ao lado de Scott Silver), responsável por comédias escrachadas como a série "Se Beber, Não Case" e "Um Parto de Viagem", assumiu essa prdoução em que, por mais que Coringa seja conhecido por ser uma figura irônica e diabolicamente engraçada, quase não há espaço para a comédia; tudo aqui consegue ser mais sombrio e tenebroso que qualquer filme na nova franquia do Batman, comandada por Christopher Nolan.

 O nosso popular "herói" é vítima constante de bullying por ser desajeitado e ter um péssimo aspecto físico. Além disso, sofre de uma doença em que, quando está nervoso, começa a gargalhar freneticamente. Enfim, trata-se de um perdedor, desprezado por todos. A situação piora quando ele é demetido de seu trabalho, no qual ele se disfarçava de palhaço para animar as pessoas em eventos. As coisas fogem da normalidade de vez quando descobre um segredo envolvendo a identidade de seu possível pai. A partir daí, consumado pela ira, Arthur Fleck torna-se Coringa, e está disposto a fazer valer sua justiça.

 Não me recordo da classificação etária do filme, e já informo que ele é bastante pesado para crianças e pré-adolescentes. A trilha sonora densa e tocante sugere que o público está assistindo a uma produção de horror, gênero que se aproxima bastante da narrativa. Mais uma vez, palmas para Todd Phillips, que mostrou versatilidade atrás das câmeras, ao abandonar o seu lugar comum na comédia. O que também é facilmente perceptível é a homenagem aos filmes do cineasta Martin Scorsese, sobretudo fitas como "Taxi Driver" e "O Rei da Comédia", que surgem na mente do espectador mais familiarizado com o cinema, quando observa diversas cenas. Falando em Scorsese, que tem o hábito de registrar suas tramas em Nova York, a Gotham City daqui é uma fotografia idêntica de Nova York, sobretudo nas cenas dos guetos noturrnos.

 Mas o que mais me chamou a atenção, é a temática voltada às questões sociais, em épocas que fica cada vez mais evidentes, tanto nos EUA como no Brasil, o quanto o menos favorecido é hostilizado pela sociedade. Estamos muito acostumados a ver no cinema americano criminosos negros ou latinos causando o terror nas ruas e nos metrôs. Aqui, contudo, há uma realidade pouco vista nos filmes: homens brancos e ricos demonstrando sua fúria contra a minoria e mulheres indefesas. Outro momento de interessante reflexão se esconde por de trás da personalidade do pai do homem-morcego, o milionário Thomas Wayne (o Batman só aparece aqui como criança), cuja conduta faz lembrar muito o oportunismo de políticos corruptos (sobretudo, lembra muito um governador de estado aqui no Brasil). Essa nova possibilidade de leitura ma faz refletir: seria mesmo Batman um herói? Ok, ele não aparece com sua habitual roupa, mas ao analisarmos o legado que lhe é deixado por um homem não exatamente escrupuloso, nos faz pensar nisso... Enfim, de qualquer forma, que fique claro: Coringa é sim um vilão! Mesmo sendo humilhado constantemente, como uma versão masculina de "Carrie, a Estranha", a maldade assumida por ele não se justifica.

 Como de hábito, deixo pro fim informações obre o elenco. No papel título, Joaquin Phoenix demonstra de vez sua versatilidade. Sem dúvida, é o filme de sua carreira, numa interpretação digna de Oscar. O astro Robert DeNiro (aliás, habitual parceiro de Scorsese) interepreta aqui um apresentador comediante (no estilo Jô Soares), idolatrado exageradamente por Fleck. A veterana Frances Conroy faz a mãe  do Coringa, Brett Cullen vive o já mencionado Thomas Wayne e Zazie Beetz (de "Deadpool 2") faz um provável interesse romântico do protagonista.

 Coringa se concretiza como o filme de heróis para o público adulto, com poucos momentos de humor, e com diversas possbilidades reflexivas sobre questões sociais. É fácil de entender o porquê do filme ter desagradado  muitos políticos de partidos conservadores, pois afinal de contas, tais perfis não são exaltados nessa narrativa; ao contrário, demonstram repulsividade, e isso tem certa lógica. Este é dos filmes que merece uma nova análise, e certamente precisa ser conferido. Vale a pena!

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sábado, 14 de setembro de 2019

It: Capítulo Dois

 Após dois anos, finalmente estreou a sequência de uma obra de Stephen King bastante popular, além de ser um dos livros mais longos (senão o mais longo) do autor. It - A Coisa apresenta um dos vilões mais demoníacos e perversos do universo literário de King, o sinistro palhaço Pennywise. Essa segunda parte, mias uma vez adaptada por Gary Dauberman e dirigida por Andy Muschietti, concentra a ação no grupo de crianças agora adultos.

 Cada personagem tomou seu rumo e saiu da cidade pequena de Derry, com exceção de Mike, que permaneceu por lá. Quando eventos estranhos e sangrentos começam a acontecer, como o sumiço de crianças, e corpos que surgem pelos córregos, Mike contata todo o grupo dos perdedores: Beverly, Bill, Ritchie..., como objetivo de derrotarem de vez a coisa Pennywise.

 A metragem é bem extensa (quase três horas de duração), e já começa com um prólogo bastante impactante, em que um casal homossexual é vítima de bullying (uma sequência bem violenta), e um deles ainda torna-se presa de Pennywise. A apresentação dos personagens enquanto adultos é breve, e o diretor Muschietti se concentra na ação, e nos traumas paralelos de cada um dos personagens, para mostrar cenas assustadoras. Há também momentos de flashback, em que o público mata a saudade do elenco-mirim. Contudo, de forma geral, ainda que o entretenimento seja interessante, o filme é arrastado, e, infelizmente, menos assustador que o primeiro, que apesar de ter muita cena de comédia, era mesmo mais tenebroso.

 O próprio autor Stephen King faz uma pequena participação como um fã de escritor de histórias de terror, e faz um auto-sátira, ao dizer que o que estraga as obras do autor, são os finais decepcionantes (algo bem comum com a escrita do próprio King). Na verdae, esse problema de finais não exatamente bons, acontece nos livros e nas adaptações também. Aqui, por exemplo, percebe-se que a figura central do Pennywise, mais uma vez vivido pelo sueco Bill Skarsgaard, tem menos destaque, e isso percebe-se conforme a projeção vai seguindo até o fim (algo não exatamente bacana com um vilão de porte).

 Além de Skarsgaard, e todo o elenco mirim do anterior, as presenças estelares de Jessica Chastain, como Beverly, e James McAvoy, como Bill (o escritor) acrescentam mais entusiasmo para a história. Os outros cinco atores que compõe o painel de protagonistas são os menos famosos Bill Hader (Richie), Isaiah Mustafa (Mike), Jay Ryan (Ben), Jams Ransone (Eddie) e Andy Bean (Stanley).

 Enfim, sem ser uma grande obra-prima, vale a pena conferir nos cinemas essa sequência aterrorizante, mesmo seu resultado ficando um pouco abaixo das expectativas. Quem tiver curiosidade, vale a pena conhecer a minissérie para tv feita em 1990, que também é muito boa. Abraços!

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sábado, 27 de julho de 2019

O Rei Leão

 Nesse fim de férias, um dos mais queridos e populares protagonistas dos estúdios Disney, que encantou e emocionou todos os públicos do mundo na década de 90, ganhou sua versão carne e osso na tela grande. E, evidentemente, as bilheterias lotaram facilmente.

 Nessa versão, embora não seja animação, não há seres humanos em cena, e sim os famosos animais da produção de 1994, que são dublados por um elenco estelar. Quem comanda o espetáculo visual dessa vez é o também ator Jon Favreau, que dirigiu os dois primeiros episódios de "Homem de Ferro", enquanto o roteiro é assinado por Jeff Nathanson, que reorganizou a história original de 1994.

 É difícil existir alguém que não saiba do que se trata o filme, porém, vamos lá: Nasce o pequeno Simba, filho dos leões Scar e Sarabi, que tem a missão de substituir o pai na liderança entre os animais. Contudo, seu tio, o inescrupuloso Mufasa, arma um plano diabólico para derrotar Scar e Simba, e cobiçar o trono. Mas Simba sobrevive, e vai para o outro lado da floresta, onde é amparado pela dupla atrapalhada Timon e Pumbaa. Porém, retorna para o seu habitat original, ao descobrir que todos correm risco de vida nas mãos de Mufasa, sobretudo sua mãe, e sua amada Nala.

 O melhor da fita está na exuberane fotografia, que apresenta belíssimas paisagens da natureza africana, qualificando a excepcional arte da produção. Porém, fora isso, o interesse somente é mantido por quem ainda não assistiu ao original de 1994 (se é que existe alguém que ainda não viu). Em 1998, o diretor Gus Van Sant foi duramente criticado por ter feito um remake colorido de "Psicose", do grande Hitchcock, por ter refeito cena por cena, sem inovar. É o mesmo que Favreau faz aqui: cena por cena do desenho foi recriada com os animais de carne e osso, que mais parecem os protagonistas de algum programa do popular canal a cabo "Animal Planet". Por essa razão, apesar de toda a exuberância da paisagem, o filme é lento, cansativo, óbvio, nada especial. Todas as músicas reaparecem, inclusive o enjoativo hit do Timon e Pumbaa.

 Dessa vez, o elenco principal que empresta as vozes para os simpáticos personagens é black, com Donald Glover vivendo Simba, a cantora Beyoncé vivendo Nala, Chiwetel Ejiofor e Alfre Woodard como os pais de Simba, e James Earl Jones como o vilão Mufasa (curiosamente, o próprio fez o mesmo personagem na versão animada). Os comediantes Seth Rogen e Billy Eichner emprestam as vozes para Pumbaa e Timon, respectivamente. Contudo, de nada adianta saber disso, se você assistir a versão dublada, que predomina em nossas salas.

 Enfim, os amantes de O Rei Leão aprovaram essa versão, alguns até choraram, já que a história é de fato muito bonita. Eu, por outro lado, mesmo reconhecendo a eficiência técnica, achei desnecessário. Mas acredito que a criançada vai curtir... Abraços!

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sábado, 6 de julho de 2019

Annabelle 3: De Volta Para Casa

 O tempo está mesmo passando depressa! Parece que o primeiro Annabelle (2014) foi feito ontem, e agora a franquia já está na terceira parte. O primeiro dividiu opiniões entre fãs do gênero, mas o segundo fez muito mais sucesso. Agora a boneca demoníaca do momento protagoniza mais uma aventura horripilante.

 O roteirista Gary Dauberman, que escreveu os dois episódios anteriores, estreia na direção, e obviamente assume mais uma vez o roteiro. O bacana é que dessa vez há participação dos populares personagens protagonistas de "Invocação do Mal", o casal de parapsicólogos Warren, Ed e Lorraine. Interessante, pois a boneca Annabelle apareceu pela primeira vez na tela no início de Invocação, em um quarto secreto na casa do casal.

 Na verdade, a história começa a partir do instante em que Annabelle é trancada pelos Warren a sete chaves, por ser considerada um objeto perigosíssimo, repleto de influências demoníacas. Contudo, quando o casal se ausenta para um evento, e deixa a filha aos cuidados da babá, os problemas começam. Afinal, a curiosa melhor amiga da babá, consegue entrar no quarto secreto e liberta Annabelle. Assim, as três garotas passarão por sérios apuros, já que forças demoníacas almejam as almas delas.

 O ritmo de terror é bastante envolvente nessa sequência, o que resulta em cenas impactantes e assustadoras. Claro, sem abrir mão dos habituais clichês, com cenas silenciosas de suspense, que assustam o espectador com o surgimento escandaloso do mal, repentinamente. A reconstiuição de época e os figurinos típicos da década de 70 também são convincentes.

 No elenco, os intérpretes dos Warren, Patrick Wilson e Vera Farmiga, retornam em seus papéis populares de Invocação, mas não são os protagonistas aqui. Ganham a cena no início, e depois no fim, mas as protagonistas são as garotas McKenna Grace (a filha), Madison Iseman (a babá) e Katie Sarife (a melhor amiga). Há alguns momentos de alívio cômico, quando o atrapalhado interesse romântico da babá, interpretado por um ator chamado Michael Cimino (que não tem relação com o famosos diretor já morto, de mesmo nome), surge em cena, o que acaba prejudicando um pouco o ritmo. Em todo caso, no contexto geral, os sustos são eficientes para provocar na plateia instantes de medo.

 Eu ainda prefiro o episódio anterior, mas acredito que o público irá aprovar essa sequência que, talvez, possa gerar novos frutos. Para um final de tarde de inverno, o entretenimento vale a pena. Abraços!

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sábado, 29 de junho de 2019

Aladdin

 A nova moda do momento em Hollywood é a de refilmar clássicas animações Disney em versões de carne e osso. Foi o que sucedeu com "Cinderella", "A Bela e a Fera", "Dumbo", em breve com "O Rei Leão", e agora este "Aladdin".

 A novidade é que o filme é assinado pelo inglês Guy Ritchie (também autor do roteiro, ao lado de John August), um diretor que tornou-se comercial com "Sherlock Holmes", mas que sempre é lembrado pelos seus trabalhos cults (como "Jogos, Trapacas e Dois Canos Funegantes"). Dessa vez, aventura-se pelo mundo Disney, e apresenta uma produção luxuosa e deslumbrante em todos os sentidos: fotografia, direção de arte, figurinos, efeitos especiais e sonoros. Ou seja, cinemão-pipoca de qualidade para se ver na tela.

 A história não é desconhecida por ninguém. Aladdin é um pobbre rapaz que vive pelas periferias do Egito, com seu macaquinho de estimação. Como um "Robin Hood" do oriente, ele rouba dos ricos, para ajudar os mais necessitados, embora faça isso mais por puro prazer juvenil. Se encanta com a bela princesa Jasmine, mas terá problemas com um pretendente dela, o inescrupuloso Jafar. Mas, ao encontrar uma lâmpada velha, descobre ser ela mágica, e acaba evocando o gênio que a tem por moradia, que lhe concede três desejos. Aladdin precisa pensar bem sobre o que realmente necessita.

 Todo mundo já sabe o que irá encontrar na história, mesmo porque o desenho animado de 1992 foi um estrondoso sucesso. Há batalhas entre o mocinho e o vilão, muita emoção na viagem em cima do tapete mágico (um coadjuvante alívio-cômico) e muitas canções interpretadas pelas personagens. Isso, talvez, canse o público, que pode ter uma recepção fria, mesmo com todo o padrão classe A da produção. Entretanto, o humor é bem utilizado na figura que rouba a cena, o gênio, interpretado pelo único astro de peso no filme, Will Smith, engraçado na medida certa. Os demais atores são pouco conhecidos: Mena Massoud (Aladdin), Naomi Scott (princesa Jasmine), Marwan Kenzari (vilão Jafar), Navid Negahban (o sultão, pai de Jasmine) e Nasim Pedrad (interesse romântico do gênio).

 Enfim, um filme família, típico para esse início de férias escolares. Mas, apesar do belíssimo aspecto visual, não deixa marcas; facilmente esquecível. Mais uma vez, vale para gargalhar com a performance de Will Smith. Abraços.

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quarta-feira, 15 de maio de 2019

Vingadores: Ultimato

 Uau! Eis que finalmente o fecho da popular cinessérie Avengers invade as telas de cinema. Nem consigo traduzir numericamente o quanto as bilheterias arrecadaram, mas é fato bastante óbvio que todos os filmes dos heróis da Marvel, fizeram sucessos históricos (tanto o dos heróis em conjunto, quanto os "solos", apesar do Hulk ter sido o mais fraco e sem sequência).

 Não é segredo para ninguém que essa produção, mais uma vez comandada pelos irmãos Russo, Anthony e Joe, teve todo o cuidado de sigilo, para que os fãs fossem surpreendidos com todo o mistério por trás da história. O problema, na verdade, era escapar dos spoilers, já que muitos acabavam revelando quem morria ou outros tópicos. Enfim, os roteiristas Christopher Markus e Stephen McFeely souberam balancear bem a história e distribuir perfeitamente as cenas para os populares personagens criados por Stan Lee.

 A aventura começa a partir do instante em que o anterior Guerra Infinita foi finalizado, com os heróis sobreviventes tentando destruir o temível Thanos, e vingar as mortes de seus colegas. Na verdade, eles, após derrotarem o vilão (e isso não é spoiler, já que acontece no início), conseguem ter acesso a uma máquina do tempo, e pretendem voltar ao passado com o intuito de impedir o acesso às pedras preciosas por parte de Thanos, o que anularia o extermínio de metade da população da Terra. Mas muita confusão e diversos obstáculos surgirão nessa possibilidade de dar uma segunda chance ao planeta.

 Bem, falar da qualidade técnica é totalmente dispensável, afinal chega a ser redundante elogiar os efeitos visuais e sonoros, figurinos, direção de arte e fotografia de uma produção que já tem isso como qualidades típicas. A duração, por outro lado, precisa ser comentada, pois, afinal de contas, é o filme mais longo de toda a série: 3 horas e 1 minuto! Também pudera: com tantos protagonistas dividindo a cena, a projeção tinha mesmo que ser longa.

 Aliás, falando no elenco, está todo mundo na tela. Robert Downey Jr., Chris Evans, Chris Hemsworth, Scarlett Johansson, Mark Ruffalo e Jeremy Renner atuam com suas permanentes competências como os heróis títulos. Quem se sai melhor, certamente, é Chris Hemsworth, roubando a cena como alívio cômico, compondo um Thor barrigudo e bêbado, após uma crise depressiva. Aliás, Hemsworth demonstra grande versatilidade nessa mudança de composição do personagem.

 E podem apostar: todos estão mesmo de volta! Algns com grandes destaques, outros fazendo ponta. Independente disso , trata-se do elenco estelar do ano, já que nunca se viu tanta gente famosa em um filme. A ainda pouco conhecida Karen Gillan, como Nebula, a meu ver, tem o principal papel feminino, já que muita coisa gira em torno dela. Paul Rudd, como o Homem-Formiga, também rouba a cena e já surge de forma triunfal. Brie Larson, a Capitã Marvel, já chega arrasando, embora suma depois, mas retorna em grande forma. Rene Russo, quem diria, nos seus 65 anos, ainda é uma bela mulher, como a mãe de Thor. Tilda Swinton tem uma interessante participação como "The Ancient One".

 Querem mais? Então vamos lá: Don Cheadle, Benedict Cumberbatch, Chadwick Boseman, Elizabeth Olsen, Gwyneth Paltrow, Chris Pratt, Zoe Saldana, Josh Brolin, Tom Holland, Tom Hiddleston, Danai Gurira, Anthony Mackie, Dave Bautista, Letitia Wright, Hayley Atwell, Vin Diesel, Bradley Cooper... Alguns parecem figurantes, pois somente aparecem rapidamente: Michelle Pfeiffer, Marisa Tomei, Natalie Portman, Angela Bassett, William Hurt, Samuel L. Jackson (aliás, como fizeram isso com um personagem tão importante como o Nick Fury???). Os veteranos Michael Douglas e Robert Redford, embora também tenham poucas cenas, têm algumas falas.

 Enfim, a conclusão é satisfatória, e dessa vez não há cenas pós-créditos. O público não sairá desapontado, embora haja uma sensação triste pelo encerramento da série. O maior desafio para o espectador é conseguir fugir dos spoilers, já que quem viu não perdoa mesmo. Nessa altura do campeopnato, as filas já estão mais tranquilas, então aproveitem a oportunidade de verem os heróis populares da Marvel juntos pela última vez. Até!

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sexta-feira, 10 de maio de 2019

De Pernas Pro Ar 3

As comédias brasileiras estão num bom momento de popularidade, sobretudo pelo fato de renderem sequências. É exatamente o que succede aqui com as aventuras da empresária do mundo do sex shop, Alice Segretto, nessa terceira aventura.

 O humor, dessa vez, está mais discreto. Isso porque a diretora Julia Rezende (dos dois "Meu Passado Me Condena") resolveu focar no amadurecimento de sua protagonista, e em suas inseguranças e escolhas. Claro que isso tudo rende muitas gargalhadas, sem dúvida. Mas, com um cantinho de sensibilidade também.

 Bem, o fato é que Alice agora resolve se aposentar para cuidar mais da família: seu marido João Luiz, e os filhos, o adolescente Paulinho, e a pequena Clarinha. Por essa razão, deixa seus negócios nas mãos da mãe, Marion. Contudo, volta a ativa quando se sente ameaçada por uma jovem concorrente na área, Leona, que inventa um óculos ultramoderno, capaz de satisfazer os maiores desejos sexuais. Para piorar, a garota passa a namorar o filho de Alice, deixando a empresária mais irritada,

 O time de roteiristas (Rene Belmonte, Paulo Cursino, Marcelo Saback e a própria estrela Ingrid Guimarães) retomam situações hilárias das fitas anteriores, além de acrescentar novos "produtos", como o mencionado óculos, além de uma boneca inflável. As locações externas também são convidativas, já que parte da trama se passa em Paris, onde Alice participará de congressos. Ingrid continua arrasando em cena, demonstrando ser uma das melhores comediantes do país. Bruno Garcia, como o marido, também apresenta um personagem mais maduro e reflexivo. A excelente Denise Weinberg, como a mãe Marion, chega a roubar a cena no início, mas depois parece ser esquecida pelo roteiro (o que foi um vacilo tremendo). Em compensação, Cristina Pereira, como a empregada Rosa, diverte a plateia com suas atrapalhadas,

 Há várias participações especiais interessantes, como Cauã Reymond interpretando a si próprio numa cena hilária, Fernanda Lima, também como ela mesma, num momento de entrevista, além da co-estrela das fitas anteriores, Maria Paula, que retorna numa participação, na qual faz meditação.

 A bela mensagem sobre os valores que importam na vida das pessoas, apesar de clichês, rendem momentos reflexivos, contribuindo para o clima alto astral e romântico da narrativa. Enfim, "De Pernas Pro Ar" rendeu uma franquia de três filmes de grande sucesso e com diversão garantida. Podem conferir! Abraços!

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sexta-feira, 22 de março de 2019

Capitã Marvel

 De fato, a Marvel e a DC Comics construíram seus impérios no cinema, e constantemente produções de ambos os "estúdios" estreiam no cinema. Um projeto bastante aguardado da Marvel é esse em que a própria está no título, "Capitã Marvel", dirigido por uma dupla desconhecida (porém, não estreantes), Anna Boden e Ryan Fleck.

 A heroína é Carol Danvers, uma moça que vive em outro planeta, mas que já viveu na Terra, apesar de não ter muita lembrança disso. Ela é uma guerreira treinada pelo seu mentor Yon-Rogg, e tem o intuito de manter a paz no planeta, e protegê-lo de terríveis inimigos. Mas segredos do passado na Terra, envolvendo Carol, que era piloto da aeronáutica, e sua superiora Dra. Wendy Lawson, a fazem voltar para lá, onde depara com o agente Nick Fury, que vai ajudá-la a descobrir sua verdadeira origem.

 O roteiro, da dupla de diretores ( e ainda Geneva Robertson-Dworet, Nicole Perlman e Meg LeFauve) é muito confuso, embora surpreenda em algumas reviravoltas e revelações (especialmente na figura dos vilões). As cenas de batalha, sobretudo no espaço, são um pouco cansativas e lembram o contexto de "Star Wars". Também falha no alívio cômico, embora tenha uma gatinha bizarra que cuida dessa parte, de forma inusitada. A caracterização dos seres intergalácticos também soa óbvia e muito semelhante a de muitas produções de ficção científica. Ao menos, o clima de nostalgia é bacana, já que a história se passa na década de 90, e há muitas músicas pop-rock daquela época; além disso, a cena em que a heroína cai em uma blockbuster é bem divertida. Não se trata de um filme ruim, na verdade vai melhorando com o passar da projeção, mas não supera nenhm filme de qualquer um dos "vingadores".

 No elenco, a ganhadora do Oscar por "O Quarto de Jack", Brie Larson, que parecia sumida, assume o papel-título. Não gosto muito da interpretação dela, parece caricata e forçada demais, talvez Emily Blunt faria melhor (outra coisa irritante é o uniforme dela, que lembra muito a rival DC, com a "Supergirl"). De qualquer forma, trabalha com competência de sobra, e lidera um elenco estelar: Samuel L. Jackson, como Nick Fury, se responsabiliza em fazer a ponte da Capitã Marvel com Os Vingadores; Annette Bening, sempre excelente, faz a chefa da aeronáutica; Jude Law, o treinador de Brie. E há ainda Ben Mendelsohn, Clark Gregg, Djimon Hounsou, e as interessantes participações pós créditos finais de alguns vingadores: Scarlett Johansson, Chris Evans, Mark Ruffalo e Don Cheadle. Aliás, tal cena é uma das melhores da fita, que desperta a curiosidade e a empolgação direcionadas ao novo filme da série Vingadores, Ultimato, que estreia mês que vem, com a participação da própria Brie Larson como a Capitã Marvel.

 Enfim, um espetáculo eletrizante, numa produção bem cuidada. Mesmo não sendo excepcional no conjunto da obra, ainda assim mantém o padrão alto de qualidade Marvel. Por essa razão, vale acompanhar as aventuras dessa heroína, em épocas de empoderamento feminino, na tela grande. Abraços!

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terça-feira, 5 de março de 2019

Aquaman

 Nesse duelo de Marvel vs. DC por bilheteria no cinema, é difícil saber quem leva a melhor, já que ambas apresentam produções classe A na tela. A DC/Warner lançou recentemente o filme sobre o rei do mar, "Aquaman", que já havia apareceido em "Batman vs. Superman" e "Liga da Justiça", mas que agora ganhou seu filme solo.

 Aquaman na verdade se chama Arthur, fruto de um relacionamento entre um humano e uma figura mítica do mar, uma espécie de sereia. Desde pequeno é consciente de seus superpoderes, e é treinado por um ser marítimo, Vulko. Quando cresce, Arthur recebe a missão de ir para o mar conquistar o trono que lhe pertence por direito, pois seu meio-irmão Orm, inescrupuloso, tem planos de destruir a Terra. Nessa aventura, conta com a ajuda da Princesa Mera, prometida para Orm, mas que despreza os planos diabólicos dele.

 O aspecto visual da belíssima fotografia e da competente direção de arte cria cenários espetaculares nas profundezas do Oceano, e destaca toda a diversidade marítima que se tem direito. Méritos do jovem cineasta malaisiano  James Wan, especialista em fitas de terror, como "Jogos Mortais" e "Invocação do Mal", mas que tem demonstrado excepcional talento em produções de ação, tal como fez mostrou em "Velozes & Furiosos 7". Além disso, paisagens exuberantes no deserto do Saara e na Sicília surpreendem o espectador pelo aspecto da beleza focalizada. Aliás, nunca se viu antes a bela Sicília ser alvo de pancadaria e destruição, em cenas extraordinárias, que adicionam mais um ponto para se assistir ao filme na tela grande.

 Jason Momoa, o astro do momento, nasceu para viver Aquaman, embora demonstre facilmente sua canastrice, além de não convencer nas sequências de alívio cômico. A bela Amber Heard faz a heroína, e tenta fazer algo além do interesse romântico. O elenco ainda reune nomes consagrados, como Willm Dafoe, como o mentor de Aquaman, Patrick Wilson como o vilão King Orm, o veterano Dolph Lundgren (quem diria!) como King Nereus e a incansável Nicole Kidman, como a mãe do herói. Há também a voz da estrela Julie Andrews como o monstro Karathen na parte final.

 O roteiro, de David Leslie Johnson-McGoldrick e Will Beall, não economiza nos detalhes, e o resultado é uma projeção de quase duas horas e meia. De qualquer jeito, todo o cuidado visual e sonoro faz o tempo passar despercebido, e garante um prazer delicioso de se acompanhar as eletrizantes aventuras dentro do oceano. James Wan já está confirmado como diretor da sequência, anuncaiada para 2022.   

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quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Minha Vida em Marte

 Se tem um gênero que se afirmou muito bem aqui no Brasil é a comédia. Muitos críticos até podem dizer que fitas comerciais como "Se Eu Fosse Você" e "Minha Mãe é Uma Peça" se inspiram em fitas americanas, mas certas características de nossa "brasilidade"é o que faz a diferença nestes filmes. Entre elas, está o humor. Afinal, nas fitas citadas é comum ver o público explodir em gargalhada, até mesmo muito mais do que em qualquer fita americana do Jim Carrey. Nesse Minha Vida em Marte, também sucede isso.

 Trata-se de uma sequência de "Os Homens São de Marte... E É Pra Lá Que Eu Vou", realizado em 2014, com a mesma dupla central, Mônica Martelli e Paulo Gustavo. Aliás, os protagonistas também são responsáveis pelo roteiro, escrito em parceria com a diretora estreante Susana Garcia, e também com Emanuel Araújo e Júlia Lordello.

 Aqui, a administradora de um buffett Fernanda Garcia (Mônica) está em crise no casamento com Tom (Marcos Palmeira, que também esteve no filme anterior). Tenta de tudo para fugir da rotina, e conta com a ajuda de seu sócio homossexual, Aníbal (Paulo Gustavo). Porém, as coisas caminham para a separação. Nesse caso, para levantar a moral da amiga, Aníbal lhe proporciona várias atividades de entretenimento, incluindo uma viagem para Nova York, onde ambos passam por diversas situações divertidas.

 Apesar da simplicidade da história, fazia tempo que eu não gargalhava com gosto. Os dois comediantes são perfeitos na arte da diversão, sobretudo Paulo Gustavo, simplesmente um fenômeno nas tiradas, nos diálogos e nos trejeitos. A mensagem também não deixa de ser poética e positiva para o ser humano, que muitas vezes precisa aprender a valorizar a si próprio, acima de qualquer relacionamento.

 No elenco, a presença ilustre de vários atores populares na telinha, como Ricardo Pereira, no papel de um interesse romântico de Mônica lá em Nova York, Heitor Martinez Mello como um paquera em uma festa, Dudu Pelizzari como o instrutor da academia, Fiorella Mattheis como a namorada do ex-marido, Guida Vianna como a dona do sex shop, além da cantora Anitta interpretando ela mesma.

 Enfim, uma verdadeira injeção contra o mau-humor. É daqueles filmes que deixa o público na expectativa de uma nova sequência, para se divertir ainda mais. Assista sem preconceito, e tenha a garantia de que rir é sempre prazeroso, sobretudo quando de forma espontânea. Abraços!

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quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

Vidro

 Eu já tinha perdido a esperança no cineasta M. Night Schyamalan, que surgiu bastante promissor com o aterrorizante "O Sexto Sentido", em 1999. Contudo, a sucessão de filmes ruins, sobretudo os de ficção científica, demonstravam uma infeliz decadência, inclusive na história, já que ele é roteirista de seus filmes, como também acontece aqui em "Vidro". Mas ele voltou com tudo em 2016 com "Fragmentado", e felizmente seu novo filme não decepciona.

 Falando em Fragmanetado esse Vidro é uma sequência desse e também de um outro filme que ele fez lá atrás, "Corpo Fechado", em 2000. A ideia de ligar todos esses filmes demonstra que Schyamalan tem excelente criatividade, pois entrelaçar todas essas histórias não parece algo fácil; e ele conseguiu com maestria.

 Para quem não lembra de Corpo Fechado (ou para quem não viu), o protagonista David Dunn, que era segurança, tem o dom de sentir o "caráter" das pessoas com um simples toque. No passado, ele foi o único sobrevivente num acidente ferroviário, e isso causou espanto, já que não havia chances de alguém sobreviver; e como ele saiu ileso, seu filho concluiu que ele só poderia ser um super-herói. No presente ele e o filho (agora adulto) trabalham na caça de um perigoso serial killer, que possui 24 personalidades, e que sequestrou um grupo de garotas. Quando Dunn o localiza, com a personalidade da Fera (visto em Fragmentado), o duelo de titãs é interrompido pela polícia, que os deixam sobre o controle da psicóloga Ellie Staple, que tenta convencê-los de que são homens comuns. Aí entra outro personagem de Corpo Fechado, Elijah Price, debilitado e em cadeira de rodas (o oposto de Dunn, representando a extrema fraqueza), que também passa pelo tratamento da doutora. Entretanto, todos eles juntos, no mesmo espaço, fazem surgir ideias perigosas.

 A trama pode parecer complexa, mas faz uma leitura bacana sobre o mito do super-herói, destacando suas habilidades, mas também os pontos fracos. A expectativa de suspense, de que algo inusitado e surpreendente vai acontecer em cena, acompanha constantemente o espectador. E, de fato, há boas reviravoltas em uma conclusão eficiente, que faz lembrar um pouco os filmes da franquia "X-Men".

 O elenco conta com três astros em forma, James McAvoy comprovando ser um dos grandes atores de sua geração, ao reviver as 24 personalidades em um corpo só (embora a maioria seja "figurante"), com uma expressão aterrorizante e demoníaca; Bruce Willis não faz feio, embora conserve o irritante biquinho ao interpretar mais uma vez David Dunn; e o melhor do elenco, Samuel L. Jackson, em uma entrada triunfal e enigmática, além de responsável pelos momentos de grande tensão, como Elijah Price, o "vidro" do título. Há também a excelente Sarah Paulson (de "12 Anos de Escravidão" e da série "American Horror Story") como a psicóloga, e a sobrevivente de Fragmentado, Anya Taylor-Joy (na verdade não faz muito sentido o retorno dela, mas não deixa de ser um ponto importante na conclusão). Juntam-se a eles outros atores de Corpo Fechado: Spencer Treat Clark, o filho de Bruce Willis, e Charlayne Woodard, como a mãe de Samuel L. Jackson (curiosamente, ela é cinco anos mais nova que ele na vida real!).

 Enfim, um eletrizante suspense, que requer paciência e concentração para se deliciar e se envolver com uma trama muito bem escrita e conduzida por Schyamalan, que agora parece ter recuperado a mão cheia. Abraços!

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terça-feira, 22 de janeiro de 2019

OSCAR 2019 - indicados

 Saíram hoje os indicados ao OSCAR 2019. Como já é tradição, eu faço uma análise nas categorias de interpretações aqui (ator, atriz, ator coadjuvante e atriz coadjuvante), além de mencionar os filmes e diretores indicados.
 Sobre os filmes, A academia tem seus métodos estranhos quando informa que os filmes indicados são entre oito e dez; aí fazem os cálculos para ver quantos serão indicados. Deveriam indicar sempre dez, pois no ano que nomeados são em quantidade menor, passa a ideia de que o ano recorrente foi um ano ruim. Agora, por exemplo, foram oito os indicados: Bohemian Rhapsody, A Favorita, Greeen Book: O Guia, Infiltrado na Klan, Nasce Uma Estrela, Pantera Negra, Roma e Vice. Assisti mais da metade desses filmes até o momento, e por enquanto aprecio mais o Infiltrado na Klan, do genial Spike Lee. Porém, todos já sabem que o superestimado da Netflix, Roma, será o vencedor. É a Academia em mais uma tentativa de ousadia, em premiar uma produção streaming, que não passou no cinema. O filme não é ruim, mas o exagero todo em torno dele é bem irritante.

 Quanto aos diretores, são esses os indicados: Alfonso Cuarón por Roma; Yorgos Lanthimos por A Favorita; Spike Lee por Infiltrado na Klan; Pawel Pawlikowski por Guerra Fria; e Adam McKay por Vice.  O favorito, óbvio, é Algonso Cuarón com seu Roma, e que já venceu antes por Gravidade. Adam McKay já teve indicação antes por A Grande Aposta, e os demais são indicados pela primeira vez. Spike Lee já teve indicações antes como roteirista e documentário, mas, como diretor, pasmem, é a primeira vez! O azarão é o polonês Pawel Pawlikowski que, surpreendentemente, consguiu uma indicação.

ATORES

Christian Bale, 45 anos, 4ª indicação. Foi indicado antes por O Vencedor (2010, coadjuvante, ganhou!), Trapaça (2013, principal) e A Grande Aposta (2015, coadjuvante). Agora concorre pelo filme Vice, onde tem uma caracterização surpreendente, na interpretação do vice presidente de George W. Bush. Aparentemente é o favorito, podendo ganhar seu srgundo Oscar, além de ser uma figura muito querida pelos americanos.

Bradley Cooper, 44 anos, 4ª indicação. Foi indicado antes por O Lado Bom da Vida (2012, principal), Trapaça (2013, coadjuvante) e Sniper Americano (2014, principal). Agora concorre por Nasce Uma Estrela. Foi esnobado como diretor, mas já era presença garantida entre os indicados para ator. Teve bastante força no começo das campanhas, mas agora enfraqueceu. Certamente, não ganhará.

Willem Dafoe, 63 anos, 4ª indicação. Foi indicado antes por Platoon (1986, coadjuvante), A Sombra do Vampiro (2000, coadjuvante) e Projeto Flórida (2017, coadjuvante). Agora, pela primeira vez como ator principal, concorre por No Portal da Eternidade, onde interpreta ninguém mais ninguém menos que o pintor Vincent van Gogh. Ainda não vi esse filme, mas sei que Dafoe é o azarão do grupo, já que sua indicação foi uma surpresa. Seria bacana se ganhasse, por ser um ator extraordinário.

Rami Malek, 37 anos, 1ª indicação. O ator tem interpretação elogiadíssima pelo público ao interpretar o cantor Freddie Mercury em Bohemian Rhapsody. Realmente, uma incorporação surpreendente! Ele é o obstáculo de Christian Bale, o único capaz de tirar o Oscar dele, vamos aguardar...

Viggo Mortensen, 60 anos, 3ª indicação. Foi indicado antes por Senhores do Crime (2007, principal) e Capitão Fantástico (2016, principal). Agora é a vez da comédia Green Book: O Guia, que tem recebido alguns elogios da crítica alternativa. Creio ter poucas chances, mesmo sendo um ótimo ator.

ATRIZES

Yalitza Aparicio, 25 anos, 1ª indicação. Certamente, a grande surpresa da categoria, pois se o filme pela qual ela recebeu a indicação, Roma, é esperado em diversas categorias, não o era na categoria de interpretações. E aqui nós temos uma triz inexperiente, que nunca fez absolutamente nada antes, e já estreia com indicação ao Oscar. Sorte dela, mesmo sendo a azarona entre as cinco indicadas. Em todo caso, a indicação é merecida, já que a naturalidade dela na personagem é o coração do filme.

Glenn Close, 71 anos, 7ª indicação. Foi indicada antes por O Mundo Segundo Garp (1982, coadjuvante), O Reencontro (1983, coadjuvante), Um Homem Fora de Série (1984, coadjuvante), Atração Fatal (1987, principal), Ligações Perigosas (1988, principal) e Albert Nobbs (2011, principal). Agora concorre por A Esposa. Uma estrela do calibre de Glenn Close que nunca ganhou um Oscar até hoje é admirável. Talvez por essa razão ela possa vir a ganhar pelo filme A Esposa, uma produção simples, em que ela tem competente atuação, mas sem ser algo extraordinário. Pode até vencer por ser muito querida, e pela carreira. Mas ele tem duas fortes adversárias na categoria.

Olivia Colman, 45 anos, 1ª indicação. Ela concorre pelo filme A Favorita, que fez bastante suceso entre os críticos, no papel da rainha Anne da Inglaterra do século XVIII. Ela ganhou diversos prêmios e concorre entre as favoritas ao Oscar. Porém, por ser britânica, pode ser que as outras adversárias, americanas,  tenham mais chances...

Lady Gaga, 32 anos, 1ª indicação. Se tem uma estrela do momento nessa categoria, é Lady Gaga, que concorre por Nasce Uma Estrela, onde ela faz o que mais sabe fazer: cantar. Preconceitos a parte, tem forte atuação dramática, e é a concorrente de Glenn Close e Olivia Colman. Lembrando que esse ano ela teve indicação por uma das canções em que ela canta no filme, "Shallow", e nessa categoria ela ganha. Já teve indicação na categoria também, por um documentário de 2015 chamado "The Hunting Ground".

Melissa McCarthy, 48 anos, 2ª indicação. Foi indicada antes por Missão Madrinha de Casamento (2011, coadjuvante), e agora concorre por Poderia Me Perdoar?. Melissa, uma grande comediante, teve altos elogios numa atuação dramática. Ganhou alguns prêmios no começo, mas se distanciou de suas concorrentes, por isso não deve ganhar.

ATORES COADJUVANTES

Mahershala Ali, 45 anos, 2ª indicação. Foi indicadao antes por Moonlight: Sob a Luz do Luar (2016, coadjuvante, ganhou!), e agora é indicado por Green Book: O Guia. Por ter vencido o globo de ouro e o critics choice, é apontado como provável favorito. Porém, como ganhou um Oscar bem recentemente, pode ser que não ganhe novamente agora. Em todo caso, há um concorrente bem forte disputando pau-a-pau com ele.

Adam Driver, 35 anos, 1ª indicação. Concorre por Infiltrado na Klan, no papel do policial que faz jus ao título (embora não seja ele o protagonista). O filme é excelente, mas a interpretação do ator é apenas competente, nada especial. Por essa razão, certamente não ganhará.

Sam Elliott, 74 anos, 1ª indicação. Concorre por Nasce Uma Estrela. Esse veteraníssimo ator, que tem uma trajetória imensa na tv e no cinema, sempre em papéis coadjuvantes, somente foi lembrado agora, por incrível que pareça. Infelizmente, entretanto, não deve vencer, já que seu érsonagem não é marcante, facilmente sai da memória do público, mesmo sendo Sam um ator excelente. Uma pena...

Richard E. Grant, 61 anos, 1ª indicação. Concorre por Poderia Me Perdoar?. Esse ator veterano, que nasceu na Suazilândia (!), mas fez carreira na Inglaterra, também tem uma grande trajetória no cinema, embora esteja sendo lembrado apenas agora. É o concorrente mais próximo de Mahershala Ali, já que está colecionando prêmios... Será que ganha?

Sam Rockwell, 50 anos, 2ª indicação. Foi indicado antes por Três Anúncios Para Um Crime (2017, coadjuvante, ganhou!), e agora concorre por Vice. Interpreta George W. Bush, e arrancou muitos elogios da crítica. Ainda assim, é o azarão do grupo, e dessa vez não ganhará.

ATRIZES COADJUVANTES

Amy Adams, 44 anos, 6ª indicação. Foi indicada antes por Retrato de Família (2005, coadjuvante), Dúvida (2008, coadjuvante), O Vencedor (2010, coadjuvante), O Mestre (2012, coadjuvante) e Trapaça (2013, principal). Agora concorre por Vice. Uma das estrelas da atualidade, apesar de ter diversas indicações, Amy nunca ganhou um Oscar. Se a categoria não tivesse uma franca favorita, ela certamente levaria a estatueta. Porém, não será dessa vez...

Marina de Tavira, 44 anos, 1ª indicação. Concorre pelo superestimado Roma. Tal como sua colega de elenco, teve indicação inesperada. Ela interpreta a patroa de Yalitza Aparicio, atua com bastante competência, mas é a azarona na categoria. A indicação já é um prêmio.

Regina King, 48 anos, 1ª indicação. Concorre por Se a Rua Beale Falasse, e é a grande babada do evento. Ganhou quase todos os prêmios até agora e é a favoritíssima ao Oscar. Justo! Afinal, tem uma longa trajetória, sempre em papéis coadjuvantes e nunca lembrada pela crítica. Agora chegou o seu momento.

Emma Stone, 30 anos, 3ª indicação. Foi indicada antes por Birdman (2014, coadjuvante) e La La Land - Cantando Estações (2016, principal, ganhou!). Junto com Amy Adams, uma das estrelas da categoria, e concorre por A Favorita. Poderia concorrer de igual por igual com as demais indicadas, se não tivesse Kig na parada...

Rachel Weisz, 48 anos, 2ª indicação. Foi indicada antes por O Jardineiro Fiel (2005, coadjuvante, ganhou!). Agora concorre, assim como Emma Stone, por A Favorita. Apesar de ser excelente atriz, infelizmente também só está completando a lista das indicadas, pois o prêmio já tem dona.

Bom, é isso. A cerimônia acaontecerá no dia 24/02 a partir das 22h, e eu como sempre, irei ver no canal pago TNT, pois a Globo pouco se importa com o telespectador, e vai preferir apresentar o Big Brother no lugar. Enfim, aguardemos o reultado. 

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Halloween

 Os produtores de Hollywood não se cansam em refilmar, fazer sequências ou começar uma nova frnquia através de clássicos do cinema. Seria isso ausência de criatividade coletiva por parte dos roteiristas? Enfim, o fato é que, pela segunda vez, resolvem refazer Halloween, o clássico do terror de John Carpenter.

 Na verdade, o que ocorre aqui não é uma nova franquia; isso ocorreu sim em 2007, com uma continuação em 2009. Dessa vez, contudo, a ideia foi outra: fazer uma sequência direta do clássico de 1978, e ignorar todas as diversas sequências que a fita originou. Isso explica a presença da heroína Laurie Strode, morta em "Halloween: A Ressurreição" (simplesmente a coisa mais desastrosa já feita na vida, um "big brother" de terror!), mais uma vez vivida pela excelente Jamie Lee Curtis.

 Laurie é uma idosa que vive sozinha, e totalmente neurótica, perturbada com os acontecimentos de exatos quarenta anos atrás, em que o assassino psicopata Michael Myers a aterrorizou e matou seus amigos. Quando ela descobre que ele fugiu do hospital psiquiátrico em que se encontrava, parte para a defesa, e tenta proteger sua família: a filha com quem mal se relaciona, e a neta, uma adolescente rebelde. Essas três mulheres mostrarão a força através da união.

 A excepcional trilha sonora angustiante e amedrontadora , presença fixa em todos os filmes "Halloween" permanece aqui. A introdução, como Michael Myers sendo visitado por uma dupla de médicos, é arrepiante e deixa uma boa sensação de expectativas. Entretanto, o roteiro, do próprio diretor David Gordon Green, ao lado de Danny McBride e Jeff Fradley, é muito ruim. Tudo o que sucede em cena é previsível, e as cenas de mortes são fracas. Para piorar, alguns personagens são esquecidos no meio da trama, e outros assumem condições de idiotas (como o pai da mocinha). Além disso, um conflito dramático que sugere um ajuste de contas entre mãe, filha e neta, fica a desejar, e nunca chega a acontecer.

 No elenco, além de Jamie Lee Curtis, envelhecida, mas em forma aos 59 anos, a boa atriz Judy Greer está desperdiçada como a filha de Jamie, deixando uma personagem que deveria ser importante, relegada a coadjuvante sem força. A verdaeira heroína da vez é uma novata chamada Andi Matichak, que não deixa impressões. Aliás, quem foi responsável pelo elenco não soube escolher bem, pois os rapazes, além de péssimos atores, são feios demais, nenhum convencem como galãs. Por fim, há também a presença do veterano Will Patton, como um policial.

 Por que resolveram fazer essa sequência? Em 1998, o diretor Steve Miner já havia realizado uma boa continuação, intitulada "H20: Vinte Anos Depois", em que Jamie já ressurgia poderosa. E mesmo tendo sido realizado depois o desastre "Ressurreição", não deveriam ter constrangido Jamie mais uma vez. Como terror resulta numa produção fraca, cansativa, previsível e com uma falsa propaganda de expectativa no início. Não vale a pena. Abraços!

TRAILER:

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

A Freira

 Para a galera que curtiu as franquias de "Invocação do Mal" e "Annabelle", não podem perder "A Freira", a demoníaca personagem que foi citada em ambos os filmes mencionados. A popularidade que ela adquiriu em comunidades de redes sociais criou uma certa expectativa para a estreia do filme.

 A história é ambientada na década de 50, quando um padre e uma noviça são designados para investigarem um convento numa comunidade distante na Romênia, pois uma jovem freira foi encontrada brutalmente morta. Assim, associam-se com um jovem trabalhador rural (que encontrou o corpo da freira) e passam a investigar. Estranhas aparições causam o pânico dos três, junto com as demais freiras que povoam o convento.

 Como se pode esperar, há sustos eletrizantes, que pegam o espectador desprevinido (ainda que isso já seja um clichê). As locações na Romênia favorecem para um clima de pânico e terror, o que contribui ainda mais para a diversão. Entretanto, os momentos de alívio cômico, constantes na figura do galã, interpretado pelo jovem belga Jonas Bloquet, atrapalham o que deveria ser uma trama sobrenatural e tensa. Além disso, a expectativa sobre a origem da personagem título é quebrada, se alguém esperava uma biografia ou coisa parecida.

 No elenco, fora Bloquet, o mexicano Demián Bichir, já indicado ao Oscar, faz o exorcista, acompanhado da jovem Taissa Farmiga, como a noviça Irene. Taissa, aliás, é irmã mais nova de Vera Farmiga, a protagonista dos filmes "Invocação do Mal". A própria Vera, junto com Patrick Wilson, faz participação no fim. Ambos revivem seus personagens de "Invocação" (Vera também aparece no início). 

 Enfim, o excesso de sustos fáceis, sempre acompanhados por trilha sonora tensa, podem parecer lugar comum para o habituado fã. Ao menos, há cenas que ficam marcadas, como o momento da reza coletiva entre as freiras, atrapalhado pela presença do mal. O final também surpreende e deixa a porta aberta para uma sequência. O novo mestre do terror, James Wan, diretor de "Sobrenatural" e o já mencionado "Invocação do Mal" é apenas o produtor e colaborou no roteiro de Gary Dauberman. O diretor da vez é Corin Hardy, que já tinha feito o interessante "A Maldição da Floresta" três anos antes, e consegue fazer um razoável entretenimento do terror. Para quem não for muito exigente, vale conferir.

 TRAILER:

domingo, 29 de julho de 2018

Missão Impossível: Efeito Fallout

 Quem diria que a série "Missão Impossível" iria ter vida longa no cinema! Este já é o sexto episódio, e o bacana é que tecnicamente um vai sempre superando o outro, além de todos serem grandes espetáculos visuais para se ver na tela grande.

 A direção de Christopher McQuarrie no episódio anteior, "Nação Secreta",deu certo e ele assumiu mais essa agitada aventura, além de ser autor do roteiro, sempre se inspirando na popular série de tv da década de 60, criada por Bruce Geller.

 Sem dúvida, o que torna a série mais complexa, sobretudo essa sequência, é o roteiro extremamente confuso, em que as missões impossíveis são acompanhadas de ordens complicadas e surreais mesmo. Aqui, o agente Ethan Hunt precisa recuperar uma pulseira de plutônio, ou coisa parecida, e deter um perigoso vilão, Solomon Lane (visto em "Nação Secreta") e entregá-lo para uma quadrilha, chefiada pela Viúva Branca, que querem a cabeça dele. Assim, Hunt e sua turma embarcam para missões perigosíssimas.

 O legal da série é que ela não cansa nunca. Mesmo as cenas de perseguições e explosões se assemelharem a tantos outros filmes, são sempre dinâmicas, bem elaboradas e prendem a atenção. Aqui, nem mesmo a duração excessiva (duas horas e meia) atrapalha a diversão. As locações turísticas dessa vez são Paris, Londres e Caxemira, que prometem situações eletrizantes. No começo, já há uma sequência de salto de helicóptero com para-quedas surpreendente. De qualquer forma, é bom admitir que a melhor sequência no quesito ação é mesmo a quarta parte, cujo subtítulo é "Protocolo Fantasma".

 Vamos ao elenco. Tom Cruise já prometeu que esse é seu último filme de ação, principalmente pelo fato de ter se machucado para valer, já que sempre dispensa dublês. Além disso já está sentindo o peso da idade também. Ving Rhames e Simon Pegg, os habituais parceiros, dão um jeito no alívio cômico. A bela sueca Rebecca Ferguson, também de "Nação Secreta", está em boa forma e garante bons momentos de impacto. Alec Baldwin também retorna representando a autoridade do agente Hunt. A novidades estão por conta da presença de um novo parceiro vivido pelo canastrão Henry Cavill, outra autoridade governamental vivida pela ótima Angela Bassett, a jovem Vanessa Kirby como vilã, outro reotno, o do vilão do episódio anterior, Sean Harris e também retorna Michelle Monaghan, como a ex-esposa de Hunt.

 O espetáculo é garantido, e cria uma expectativa de "quero mais", um possível novo episódio, mesmo sem Tom Cruise (será????). Só não entendi muito bem, no fim, a lógica da personagem de Angela Bassett, mas nada estraga o prazer de se apreciar um blockbuster eficiente, divertido e eletrizante. Recomendo.

TRAILER: