Sem Escalas é o novo projeto do diretor Jaume Collet-Serra, que se uniu mais uma vez ao astro Liam Neeson, após o thriller "Desconhecido" de 2011. E ambos investem mais uma vez no gênero, e oferecem um suspense repleto de ação e reviravoltas.
Neeson interpreta um policial, especialista em garantir a segurança em vôos. Em um desses, da Inglaterra para os EUA, ele passa a receber mensagens de texto anônimas em seu celular de um criminoso, que ameaça aterrorizar o avião, caso não receba uma alta quantia de dinheiro em troca. A partir de então, o policial tenta controlar a situação e tenta investigar por conta própria a identidade do vilão. No entanto, este começa a cumprir a promessa de matar 1 pessoa a cada meia hora. E a situação se complica quando o próprio policial torna-se o principal suspeito de tais crimes.
Esperem aqui diversos clichês do gênero, desde uma criança inocente que surge como presa fácil do incidente, passando pela mocinha da história que conhece o herói no dia em que toda a ação ocorre, até chegar a um leque de suspeitos que estão presentes no vôo (sm, há um árabe no meio, e piadinhas esteriotipadas previsíveis). Apesar disso, o filme cumpre sua função: consegue deixar a plateia atenta constantemente durante toda a projeção. Mérito do time de roteiristas (John W. Richardson, Christopher Roach e Ryan Engle) que armam situações inesperadas, principalmente na originalidade das mortes das vítimas (ainda que no fim das contas sejam um tanto "forçadas"). Em todo caso, é daquelas fitas que nunca caem no tédio e despertam o interesse, principalmente por conta da complexidade do personagem central, na realidade, um policial melancólico, fumante compulsivo e aparentemente autodestrutivo.
O elenco conta com a presença carismática da excelente Julianne Moore, como a passageira que puxa conversa com Neeson, o auxilia em diversas situações, e também acaba se tornando suspeita das ameças. Há também a bela inglesa Michelle Dockery (de "Hanna" e "Anna Karenina"), ainda pouco conhecida pelo público, no papel da aeromoça que também ajuda o personagem de Neeson. A maior novidade fica por conta da presença da recém oscarizada por "12 Anos de Escravidão", Lupita Nyong´o em seu 1° papel após o Oscar pelo filme mencionado. Há também um bom time de coadjuvantes, desde Shea Wighman (de "O Lobo de Wall Street"), como um outro agente no vôo e Scoot McNairy (de "Argo" e também de "12 Anos de Escravidão"), como um outro passageiro, ambos suspeitos de comprometer a segurança de todos.
No final das contas, não há tantas novidades na história, principalmente pelo fato de que o gênero conta com diversas histórias semelhantes, tanto clássicas ("Aeroporto") como produções mais recentes ("Plano de Vôo"). As diversas pistas falas também são típicas de clichês, e a identidade revelada do criminoso, e seus reais motivos, não convencem satisfatoriamente. Ainda assim, Collet-Serra foi bem sucedido em armar um clima repleto de tensão. Ou seja, gostando ou não do resultado final, a plateia acompanha a projeção com muita empolgação e curiosidade até o fim. Por isso, está acima da média e merece uma conferida, principalmente em dias nublados ou chvosos. Até mais!
( EUA 2002 ). Direção: Martin Scorsese. Com Daniel Day-Lewis, Leonardo DiCaprio, Cameron Diaz, Jim Broadbent, Henry Thomas, John C. Reilly, Brendan Gleeson, David Hemmings, Liam Neeson. 166 min.
Sinopse: No século XIX, em Nova York, duas gangues rivais se enfrentam: Os Nativistas e os Coelhos Mortos, liderados por um padre e com participação das massas carentes. O líder dos nativistas, corrupto e cruel, assassina o líder da outra gangue. Anos depois, o filho do assassinado, de descendência irlandesa, resolve se vingar e reorganiza a gangue.
Comentários: Super-produção da Miramax indicada a dez Oscar: filme, diretor, ator (Daniel Day-Lewis), roteiro original (de Jay Cooks, Steven Zaillian e Kenneth Lonergan), fotografia, figurino, direção de arte, montagem, som e canção, mas não ganhou nada. A maior surpresa, entretanto, foi a não premiação de Martin Scorsese como melhor diretor de 2002, já que essa categoria era uma das únicas que o filme disputava como favorita. Quem ganhou, na ocasião, foi Roman Polanski, por "O Pianista", aliás, outro cineasta normalmente esquecido pela Academia. Na verdade, Scorsese era o favorito na categoria, não exatamente pelo filme, mas sim pelo conjunto da obra, já que ele é um grande cineasta e nunca tinha sido premiado pela academia. E certamente, o famoso diretor de "Taxi Driver - Motorista de Táxi"e "Os Bons Companheiros" fez filmes melhores antes de "Gangues", e também depois (O Aviador, Os Infiltrados). Ou seja, o Oscar não surgiu na hora errada. Em relação ao filme, Gangues de Nova York trás um eficiente trabalho de direção de arte, na reconstituição da Nova York dos anos mil e oitocentos, com bons figurinos e fotografia. O roteiro é inspirado em fatos que marcaram a história nova-iorquina, e oferece cenas bem violentas e sangrentas. Daniel Day-Lewis também era favorito no Oscar (e também perdeu por um ator de "O Pianista", Adrien Brody), e está muito bem como o vilão Bill Cutting, bem sádico e sanguinolento (além de assassino, o personagem é açougueiro). Ele está um tanto irreconhecível com bigodão, e um pouco exagerado em algumas cenas. Leonardo DiCaprio se consagrou em 2002 como um dos atores mais detestados pela academia de artes e ciências cinematográficas, que não indicou o rapaz ao Oscar. Num ano em que ele se destacou em dois filmes (o outro é Prenda-me se For Capaz, de Spielberg), Leonardo demonstrou que realmente é um bom ator (apesar da voz um tanto enjoada), e merecia uma indicação. E a bela Cameron Diaz, no papel de uma ladra trapaceira, surge como a moça dividida entre os dois astros centrais. Scorsese fez em seu filme uma analogia às guerras da era Bush, ao mostrar, paralelamente entre as brigas de gangues, o alistamento obrigatório para a guerra civil do governo Lincoln. O que se destaca na cena, é a resistência dos pobres, que organizam passeatas e tentam fazer valer o direito de não irem para a guerra. Claro que as conseqüências disso são lamentáveis e desfavoráveis às classes mais baixas (sobretudo, aos negros). Enfim, Gangues é um filme que denuncia a guerra e o racismo (os irlandeses imigrantes também são vítimas da intolerância racial), mas sem ser anti-patriota. Afinal, na conclusão, Nova York é consagrada e enaltecida, vista como um local que, apesar das sangrentas batalhas, conseguiu se recompor e se tornou uma das cidades mais ricas do mundo. E é também um filme que tem como ideal a justiça com as próprias mãos: ou seja, o herói sofre bastante, inocentes morrem, ficamos com ódio de Day-Lewis que está sempre por cima... mas, no final, os vilões pagam caro por suas maldades. Concluindo, Gangues é um bom filme, mas não excelente, bastante arrastado, longo, violento, confuso e sem grandes surpresas.
Por que gravei o filme: Admiro o conjunto da obra de Martin Scorsese, por isso gravei o filme no Max Prime. E mesmo não sendo o meu filme favorito de Scorsese, gostei da mensagem que a fita acabou trazendo (mesmo sem saber se foi ou não intencional) contra as guerras. E os atores estão competentes nos papéis, até mesmo Liam Neeson, que tem participação pequena como o padre que lidera a "gangue do bem" na primeira parte do filme. E, por fim, o filme se sustenta como um bom épico de aventura, com cenas de batalha bem elaboradas, e garante o entretenimento.