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terça-feira, 13 de março de 2012

A Mulher de Preto / Cada um tem a Gêmea que Merece

Fiquei bastante tempo afastado dos cinemas, pois conferi, mesmo que em casa, os filmes indicados ao OSCAR. Definitivamente, o cinema está muito caro, e encontrei uma forma de acompanhar os últimos lançamentos cinematográficos em casa através da internet. Não acho isso formidável, pois valorizo muito a tela grande. Enfim, lógico que não abandonei o cinema, e assisti a dois filmes pouco badalados, se comparados com os acadêmicos.

O primeiro deles foi o suspense A Mulher de Preto, dirigido pelo pouco conhecido James Watkins (que é roteirista de alguns filmes do gênero), adaptado do livro de Susan Hill pela roteirista Jane Goldman. Trata-se de um thriller eficiente e até assustador sobre um jovem corretor viúvo que é designado para o interior da Inglaterra, com o intuito de vender um casarão abandonado e assombrado. Conforme a lenda, esse local é possuído pelo espírito da personagem-título da trama. Quando alguém vê o seu vulto, uma criança morre misteriosamente. Dessa forma, o nosso herói é visto com maus olhos pela população local, pois acreditam que ele poderá atraí-la e fazer com que as misteriosas mortes continuem.

Gostei bastante do filme, pois é uma boa sacada para o gênero. Tem um clima perturbador e angustiante, além de uma bela fotografia. Apenas faço concessão na escolha do protagonista, o para sempre eternizado Harry Potter, Daniel Radcliffe, que não convence em hipótese alguma como viúvo. Não sei se essa foi a escolha adequada para fugir do esteriótipo adquirido com o famoso bruxinho interpretado por ele. Em todo caso, ele também não estraga o passatempo.

No elenco, presenças também de Ciarán Hinds ("Munique", "Miami Vice", "Sangue Negro") e a indicada ao OSCAR desse ano, Janet McTeer (por "Albert Nobbs") como o único casal da cidade que acolhe Radcliff, e que teve seu filho morto em circunstâncias misteriosas. Com um final surpreendente, embora um pouco decepcionante para muitos, A Mulher de Preto torna-se um agradável passatempo para os fãs do gênero.

TRAILER:



O outro filme, me arrependo até agora de tê-lo visto na tela grande. Trata-se daquela bobagem chamada "Cada um tem a Gêmea que Merece". Atribuo a culpa à minha esposa Gisele, que, ingenuamente, deixou-se enganar pelo trailer.

Nunca gostei de Adam Sandler, o acho um ator forçado, canastrão, e nem um pouco engraçado (o único filme dele que eu me simpatizei foi o "Click"). Aqui, o cineasta Dennis Dugan, que já fez diversas parcerias com Sandler, compromete mais uma vez o ator, dessa vez em dose duplas: como um produtor de comerciais de tv e sua irmã gêmea, solteirona e desengonçada!

Pois é, a partir daí, qualquer comentário torna-se inócuo. O que posso dizer, é que a gêmea do título resolve passar uma temporada com o irmão e a família, e apronta as mais bizarras confusões, por conta de seu jeito atrapalhado e exagerado de ser. O que acaba chamando a atenção é que o interesse romântico para a "protagonista" é o ator Al Pacino, que interpreta a si próprio (!), o que demonstra o estado de bom humor do veterano ator, de "O Poderoso Chefão" e "Perfume de Mulher" (há até uma brincadeira com o OSCAR que ele ganhou por esse último filme). Ainda no elenco, a sra. Tom Cruise, Katie Holmes, interpreta a esposa de Sandler, de uma forma apática e com cara de paisagem, enfim, com pouco o que fazer; e Johnny Depp também faz uma ponta como ele mesmo.

Como era de se supor, o filme foi indicado a diversos framboesas de ouro, premiação dedicada aos piores do ano. Obviamente, Sandler concorre, assim como Pacino e Holmes. Pior ainda é assistir ao filme dublado. A forçada (e proposital) voz feminina da irmã gêmea é tão ridícula, que pode provocar gargalhadas. E o final apresenta o típico clichê de que, apesar de tudo, o que vale é a união da família. Isso, aliás, até soa grosseiro, pois uma gêmea dessas é bem melhor manter distância.

Concluindo, quem tolera Sandler (e ele, apesar de tudo, tem seus defensores!), e apenas estes, vão se divertir. E o filme tem mesmo a cara dele, pois ele é um dos roteiristas, ao lado de Steve Koren. Em todo caso, aceitem meu conselho e fujam! É melhor esperar chegar na sessão da tarde da globo! Abraços!!!

TRAILER:

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

O Pagamento Final

( EUA 1993 ). Direção: Brian DePalma. Com Al Pacino, Sean Penn, Penelope Ann Miller, John Leguizamo, Viggo Mortensen, Luiz Guzman, James Rebhorn, Adrian Pasdar, Ingrid Rogers, Richard Foronjy, Jorge Porcel, Rick Aviles, Paul Mazursky. 144 min.



Sinopse: Um famoso traficante de drogas, Carlito Brigante, após ser liberto da prisão, resolve mudar de vida e abandona o crime. Mas acaba se metendo com gângsteres corruptos e com as paranóias do seu desequilibrado advogado.

Comentários: Brian DePalma está menos hitchcockiano que de costume, e voltou a seguir a linha de filmes como "Scarface" e "Os Intocáveis". Contou mais uma vez com o astro do primeiro filme, Al Pacino, nesse policial um tanto longo, mas que mantém o interesse. DePalma continua fazendo seus jogos de câmeras, ainda que com menor freqüência, se comparado com outros trabalhos do diretor. Aqui, isso ocorre na cena inicial do jogo de bilhar, na cena do elevador e principalmente nos momentos de perseguição final, quando Pacino soa a camisa ao fugir dos gângsteres (em uma das cenas ela atira neles, enqaunto desce uma escada-rolante deitado!). Apesar de bons enquadramentos de câmera, e de grandes momentos de pura adrenalina, O Pagamento Final não apresenta maiores novidades, uma vez que após o lançamento de "Os Bons Companheiros", de 1990, dirigido por Scorsese, esse gênero tornou-se muito comum e um tanto repetitivo (até mesmo a metragem desses filmes é propositalmente longa). O filme, roteirizado por David Koepp, é uma adaptação de duas obras de Edwin Torres, e começa com um prólogo revelador: sabemos que Pacino será assassinado no fim, e se prestarmos bastante atenção, saberemos até quem será o assassino. Depois, há uma seqüência de tribunal bem- humorada em que Pacino, sabendo que deixará a prisão, começa a fazer um interminável discurso de agradecimentos, como se tivesse numa cerimônia do Oscar. Em seguida, ocorre os previsíveis clichês: o protagonista tenta mudar de vida, mas não consegue abandonar o crime; passa a ser perseguido por perigosos mafiosos que querem sua cabeça a prêmio; é apaixonado por uma bela mulher (Penelope Ann Miller), que espera que ele tome juízo, etc. No elenco, Sean Penn compõe um personagem bizarro e bem esquisitão. Ele aparece em cena com cabelos ruivos cacheados, no papel do advogado viciado em cocaína. E o futuro galã Viggo Mortensen tem participação pequena como um traficante aleijado. Há no filme uma canção bem famosa, e que foi bastante tocada nas rádios: You Are So Beautiful", cantada por Joe Cocker; aliás, o que soa um tanto estranho, já que se espera esse tipo de música em comédias românticas, e não em filmes do gênero. O Pagamento Final, apesar disso e dos habituais clichês, mantém o interesse graças ao típico estilo de Brian DePalma, que segura a atenção por conta de seus infalíveis movimentos de câmera.

Por que gravei o filme: Sou admirador desse cineasta contemporâneo, um dos discípulos mais fiéis de Hitchcock, apesar de alguns trabalhos frustrantes. Não é o caso desse "O Pagamento Final", que aliás, também não é o seu grande filme. Mas aprecio o gênero "gângster", e o estilo do diretor. Por isso, gravei o filme no canal AXN.