Os produtores de Hollywood não se cansam em refilmar, fazer sequências ou começar uma nova frnquia através de clássicos do cinema. Seria isso ausência de criatividade coletiva por parte dos roteiristas? Enfim, o fato é que, pela segunda vez, resolvem refazer Halloween, o clássico do terror de John Carpenter.
Na verdade, o que ocorre aqui não é uma nova franquia; isso ocorreu sim em 2007, com uma continuação em 2009. Dessa vez, contudo, a ideia foi outra: fazer uma sequência direta do clássico de 1978, e ignorar todas as diversas sequências que a fita originou. Isso explica a presença da heroína Laurie Strode, morta em "Halloween: A Ressurreição" (simplesmente a coisa mais desastrosa já feita na vida, um "big brother" de terror!), mais uma vez vivida pela excelente Jamie Lee Curtis.
Laurie é uma idosa que vive sozinha, e totalmente neurótica, perturbada com os acontecimentos de exatos quarenta anos atrás, em que o assassino psicopata Michael Myers a aterrorizou e matou seus amigos. Quando ela descobre que ele fugiu do hospital psiquiátrico em que se encontrava, parte para a defesa, e tenta proteger sua família: a filha com quem mal se relaciona, e a neta, uma adolescente rebelde. Essas três mulheres mostrarão a força através da união.
A excepcional trilha sonora angustiante e amedrontadora , presença fixa em todos os filmes "Halloween" permanece aqui. A introdução, como Michael Myers sendo visitado por uma dupla de médicos, é arrepiante e deixa uma boa sensação de expectativas. Entretanto, o roteiro, do próprio diretor David Gordon Green, ao lado de Danny McBride e Jeff Fradley, é muito ruim. Tudo o que sucede em cena é previsível, e as cenas de mortes são fracas. Para piorar, alguns personagens são esquecidos no meio da trama, e outros assumem condições de idiotas (como o pai da mocinha). Além disso, um conflito dramático que sugere um ajuste de contas entre mãe, filha e neta, fica a desejar, e nunca chega a acontecer.
No elenco, além de Jamie Lee Curtis, envelhecida, mas em forma aos 59 anos, a boa atriz Judy Greer está desperdiçada como a filha de Jamie, deixando uma personagem que deveria ser importante, relegada a coadjuvante sem força. A verdaeira heroína da vez é uma novata chamada Andi Matichak, que não deixa impressões. Aliás, quem foi responsável pelo elenco não soube escolher bem, pois os rapazes, além de péssimos atores, são feios demais, nenhum convencem como galãs. Por fim, há também a presença do veterano Will Patton, como um policial.
Por que resolveram fazer essa sequência? Em 1998, o diretor Steve Miner já havia realizado uma boa continuação, intitulada "H20: Vinte Anos Depois", em que Jamie já ressurgia poderosa. E mesmo tendo sido realizado depois o desastre "Ressurreição", não deveriam ter constrangido Jamie mais uma vez. Como terror resulta numa produção fraca, cansativa, previsível e com uma falsa propaganda de expectativa no início. Não vale a pena. Abraços!
( EUA 1994 ). Direção: James Cameron. Com Arnold Schwarzenegger, Jamie Lee Curtis, Charlton Heston, Bill Paxton, Tia Carrere, Tom Arnold, Art Malik, Eliza Dushku, Karina Lombard, Grant Heslov. 140 min.
Sinopse: Um agente secreto tem a missão de desvendar os planos terroristas de árabes que querem explodir os EUA. Paralelo a isso, precisa continuar convencendo a esposa de que ele é um vendedor de computadores, pois ela desconhece sua verdadeira profissão.
Comentários: Super produção milionária que não economiza nenhum centavo nas eficientes cenas de explosão e nos surpreendentes efeitos especiais. Ou seja, um típico filme de James Cameron (também autor do roteiro), que adora esbanjar e abusar dos efeitos em suas produções. E quem se une mais uma vez ao diretor, após os sucessos de O Exterminador do Futuro 1 e 2, é o mega-astro Arnold Schwarzenegger, que continua péssimo como sempre, mas que tem carisma e compõe com humor o seu personagem. Ao menos dessa vez, ele não permanece invicto na pancadaria, já que leva algumas porradas também. Quem, entretanto, rouba a cena, é a versátil Jamie Lee Curtis, excelente e cômica, como a esposa de Arnold. True Lies, na verdade, é um blockbuster de primeiríssima qualidade, apresentando cenas de ação originais e frenéticas, e não desaponta os fãs do gênero. Prova disso, são as cenas em que Arnold persegue, a cavalo, o vilão (Art Malik) por toda a cidade (inclusive, entra no elevador junto com o cavalo!) e aquela em que Arnold precisa resgatar Jamie de helicóptero, enquanto o carro em que ela permanece, está prestes a cair da ponte quebrada. E outras imagens de pura adrenalina como essas não faltam nesse filme, em que encontramos na tela até o último centavo gasto nessa produção classe A de ação. O que acaba irritando o entretenimento é o fato de que Hollywood, constantemente, adora colocar os americanos como heróis se contrastando com os vilões de outras nacionalidades. Aqui, os inimigos são árabes (pra variar), e olha que estávamos anos antes dos ataques terroristas ao World Trade Center. Enfim, basta não levar a sério o patriotismo barato e se divertir. Ainda no elenco, a presença pequena do veteraníssimo Charlton Heston, que aparece no início, como o chefe de Arnold. Indicado ao Oscar de efeitos visuais.
Por que gravei o filme: A justificativa é única: é uma diversão espetacular, um entretenimento que prende a atenção, além de ser muito engraçado. Em meio a tanta produção capenga, True Lies se destaca graças aos recursos de alta tecnologia utilizados por Cameron e sua equipe. Não sou fã de Schwarzenegger, mas admito que gosto dele nos filmes de Cameron (gosto da cena em que ele faz paródia com o sucesso "Perfume de Mulher", ao dançar tango, primeiro com Tia Carrere, e depois, com Jamie). Além disso, adoro Jamie Lee Curtis, que aproveita muito bem o seu papel para demonstrar a excelente comediante que é. Tudo isso destaca essa riquíssima produção que melhora visualmente, ao ser assistida na tela grande. E, como cinema também é pipoca, True Lies é bem-vindo na minha videoteca. Gravado no AXN.