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sábado, 16 de dezembro de 2017

Assassinato no Expresso do Oriente

 Fazia tempo que a grande escritora Agatha Christie não era adaptada para os cinemas. Mas o diretor e ator Kenneth Branagh resolveu fazer um remake de uma das maiores obras dela, que teve sua primeira versão assumida por Sidney Lumet em 1974. Aqui, com roteiro adaptado por Michael Green, também conseguiu reunir um elenco estelar, na qual ele próprio interpreta o protagonista: o popular detetive Hercule Poirot.

  Em um luxuoso expresso, repelto de diversos passageiros, partindo de Istambul para vários pontos da Europa, acontece um inesperado assassinato e a vítima é o milionário Edward Ratchett, que mais tarde o tempo vai mostrar ser ele um homem inescrupuloso. O detetive Hercule Poirot, que se autodenomina como o melhor detetive do mundo, está presente no trem e começa as investigações. A conclusão que ele chega é a de que todos os tripulantes tinham razões suficientes para matar Ratchett, o que deixa o trabalho do carismático detetive muito mais denso e difícil.

 A reconstiuição de época, a direção de arte, a belíssima fotografia, as belas paisagens e os figurinos são de qualidades inquestionáveis. Para quem não conhece o filme original, e nem mesmo a obra de Agatha Christie, vale a recomendação de que este suspense policial não atende aos padrões de quem procura um entretenimento blockbuster com explosões, correria e sangue. Aqui tudo é refinado e exige uma compreensão de um público com um bom raciocínio lógico para não perder as informações que vão surgindo. Isso não significa que se trata de uma história difícil ou entediante; ao contrário, a diversão é garantida para quem se acostumar com o ritmo e os instantes de alívio cômico.

 Para o público que conhece o livro ou filme original, não há mudanças sobre a identidade do assassino, mas alguns elementos são modificados ou atualizados para trazer mais sabor para a narrativa. Na introdução, já acontece um crime solucionado por Poirot, feito de maneira irreverente, e que serve para deixar o público bem a vontade.

 No mencionado elenco estelar, Kenneth Branagh tem extraordinária caracterização, sobretudo nos longos bigodes, e consegue ser mais inspirado, e menos exagerado, que Albert Finney no filme de 1974. Há também Michelle Pfeiffer como uma rica viúva, Willem Dafoe como um professor, Judi Dench como uma princesa e Johnny Depp como o assassinato, todos perfeitos. A figura feminina central está caracterizada na jovem Daisy Ridley, como a governanta que mantem um caso com um médico negro (o pouco conhecido Leslie Odom Jr.), como um pretexto para mencionar também a questão racial (a trama é ambientada nos anos 30). Penelope Cruz tem pouco a fazer como uma missionária fanática, e está péssima. Há ainda outros nomes poucos conhecidos, mas em papéis importantes, como o veterano Derek Jacobi, Josh Gad, Olivia Colman e Lucy Boynton, todos entre os suspeitos.

 O que se pode dizer é que tudo é bem amarrado no roteiro, até chegar no surpreendente desfecho. Ou seja, uma história de suspense a moda antiga, bem realizada e interpretada, um brinde para um público que está esgotado com fitas de super-heróis ou  comédias escrachadas. No fim, há um ponto de partida sobre outra história de Christie, "Morte Sobre o Nilo", que provavelmente também será realizada por Branagh na direção e Green no roteiro. Vamos aguardar. Abraços!

 TRAILER:

domingo, 5 de abril de 2015

Cinderella

 Ultimamente, a Disney tem investido em refilmagens de clássicos de desenhos animados para produções de "carne e osso". Após o recente "Malévola", sobre a popular vilã de "A Bela Adormecida", agora é a vez do clássico Cinderella invadir as telas.

 A sinopse é obviamente dispensável, já que dificilmente alguém não conhece a história da famosa gata borralheira. Bom, a garota protagonista passa por maus bocados nas mãos de sua perversa madrasta e suas duas filhas, após receber a notícia do falecimento do pai. Assim, ela é, aos poucos, escravizada em sua própria casa, e conta apenas com a amizade de simpáticos ratinhos. Por acaso, conhece um belo príncipe, que se encanta com a moça. Disposto a reencontrá-la, ele organiza um baile e convida todas as moças para o evento. Cinderella se entusiasma, mas não tem a permissão de sua madrasta para ir ao baile. Porém, felizmente, recebe o auxílio de uma fada madrinha atrapalhada e consegue ir à festa. Quando retorna, deixa seu sapatinho de cristal no caminho, e o príncipe, ao encontrá-lo, parte em busca da dona do sapatinho, que é a mesma que arrebatou seu coração.

 Enfim, qual a novidade? Nenhuma! Torna-se até mesmo muito cansativo assistir a tudo o que se conhece e se espera. Afinal, o roteiro de Chris Weitz não se destaca pela criatividade. Em todo caso, é interessante encontrar o nome do shakesperiano Kenneth Branagh no comando da direção do filme. E, como se pode prever, a produção é impecável e tecnicamente perfeita. E os atores transmitem muita simpatia, o que torna o passatempo leve e agradável. Quem rouba a cena, ainda que tenha pouco tempo na projeção, é Helena Bonham-Carter como a fada madrinha. Um dos melhores momentos são as bizarras transformações que ela promove com sua descontrolada varinha mágica. A excelente Cate Blanchett transmite sua habitual competência como a madrasta vilã e o novato Richard Madden (da série "Game of Thrones") tem uma boa figura como o príncipe. Apenas a escolha da protagonista Lily James soa um tanto estranha, pois embora carismática, não é exatamente bela para interpreta uma princesa Disney.

 Enfim, apesar de sua total previsibilidade, Cinderella tem seus encantos e agrada a plateia infanto-juvenil (em particular, as meninas). Quanto aos adultos, na dúvida, talvez seja conveniente levar um travesseiro. Abraços!

TRAILER: