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terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Thelma e Louise

( EUA 1991 ). Direção: Ridley Scott. Com Susan Sarandon, Geena Davis, Harvey Keitel, Brad Pitt, Michael Madsen, Christopher MacDonald, Lucinda Jenney, Timothy Carhart, Sonny Carl Davis, Stephen Tobolowsky, Jason Beghe. 129 min.



Sinopse: Duas amigas resolvem fazer uma viagem, com o intuito de atravessar o estado. Entretanto, acabam cometendo um assassinato em legítima defesa, e tornam-se fugitivas. Decidem fugir para o México, enquanto são perseguidas pela polícia.

Comentários: Famoso road-movie indicado a seis Oscar, ganhou o de roteiro original (de Callie Khouri). Foi indicado ainda para diretor, atrizes (Susan Sarandon e Geena Davis), montagem e fotografia. O cineasta Ridley Scott ressurge em boa forma, após alguns anos sem ostentar o brilho de filmes como "Alien - O Oitavo Passageiro" e "Blade Runner - O Caçador de Andróides", e fez uma película envolvente e interessante com as duas estrelas em grande forma. Sarandon interpreta Louise, uma garçonete séria e amargurada com um segredo do passado, que resolve embarcar numa viagem pelo deserto americano ao lado da amiga Thelma. Esta, é interpretada por Geena Davis (como seu olhar vesgo, mas em grande performance), uma dona-de-casa rotineira, casada com um homem bruto e ignorante, que sempre a deixa relegada em segundo plano. Juntas, encaram várias situações que surgem em seus caminhos, e descobrem um pouco mais sobre elas mesmas, através de suas ações. A partir desse universo feminino, Scott coloca as personagens num cenário, em que ambas têm de enfrentar o machismo e a intolerância masculina, ao mesmo tempo que fortalecem os seus laços de amizade. Uma das cenas mais famosas, e que foi muito imitada em filmes satíricos, é aquela em que as garotas são importunadas na estrada por um motorista de caminhão, velho e nojento. Enfim, com final aberto e passível de inúmeras interpretações, Thelma e Louise é um espetáculo geralmente adorado por mulheres, e também apreciado por homens, graças ao excelente roteiro de Callie Khouri, à experiência de Ridley Scott e, principalmente, às interpretações de Susan Sarandon e Geena Davis. Quanto aos demais atores do elenco, os destaques vão para Harvey Keitel (como o policial que se interessa pela história das moças), Christopher McDonald (como o grosseiro marido de Geena) e o galã Brad Pitt, em início de carreira, como um assaltante de estrada. Um bom passatempo que entretêm e envolve na dose certa.

Por que gravei o filme: Gravado no AXN. É um dos meus filmes prediletos, e sem dúvida, o melhor que Ridley Scott fez nos anos 90. Admirei bastante a forma como o cineasta mostrou o quanto uma viagem, regada a crimes e perseguições, pode modificar duas vidas banais e sem grandes perspectivas. Ou seja, é um filme sobre a descoberta de si mesmo e sobre o respeito e a valorização que todo o ser humano tem direito. Por fim, torno a comentar sobre as duas atrizes do filme, realmente extraordinárias. Contudo, a minha favorita é Susan Sarandon, uma das figuras mais humanas e verdadeiras do cinema americano, além de ser boa cidadã na vida real também. Thelma e Louise é para ser sempre revisto e discutido.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

As Bruxas de Eastwick

( EUA 1987 ). Direção: George Miller. Com Jack Nicholson, Cher, Susan Sarandon, Michelle Pfeiffer, Veronica Cartwright, Richard Jenkins. 118 min.


Sinopse: A vinda de um misterioso homem na pequena cidade de Eastwick modifica o simples cotidiano dos moradores. Sobretudo de três belas mulheres que se envolvem com ele, e acabam sendo seduzidas pelos seus dotes diabólicos.

Comentários: Grande sucesso dos anos 80, As Bruxas de Eastwick desagradou alguns críticos, pois o livro de John Updike (roteirizado por Michael Cristofer) ganhou uma adaptação livre nas telas. Apesar disso, a direção de Miller é bastante segura, e o elenco, como era de se supor, extraordinário. Jack Nicholson está magnífico e diabolicamente convincente como Daryl Van Horne, a figura encarnada do próprio diabo. E o trio de estrelas central atua com boa disposição e muito charme. Elas estão em forma, e fica difícil saber quem se sai melhor. Michelle Pfeiffer, a mais nova das três, estava no auge e protagonizava um filme após outro. E as já quarentonas na época, Cher e Susan Sarandon, continuam belíssimas. O roteiro mostra como uma coisa nova e inesperada, ainda que maligna, modifica o comportamento do ser-humano, acostumado com as rotinas banais da vida. O tom do filme é comédia, mas vai mudando o rumo no decorrer da trama, quando Nicholson começa a explicar para as moças sua verdadeira origem. A partir de então, o filme torna-se terror, mas acaba bem-humorado e irônico. Nostálgico e divertido, com muitas cenas interessantes, e com o excelente quarteto central, As Bruxas de Eastwick não envelheceu e agrada bastante o público que freqüentava as vídeo-locadoras nos anos 80. Merece ser conhecido pela nova geração. Duas indicações ao Oscar: trilha sonora e sonorização.

Por que gravei o filme: Por incrível que apareça, mesmo já conhecendo a popularidade do filme, eu o gravei na HBO sem antes tê-lo assistido. E é óbvio que eu adorei esse filme, uma rara oportunidade de assistir a uma comédia dirigida por Miller. Uma das cenas que mais me agrada, é aquela em que o quarteto está jogando tênis na quadra da mansão de Nicholson. De repente, a "bola" toma a decisão de ser rebatida em câmera lenta, e os jogadores entram no clima do jogo. Outra cena interessante, mais aterrorizante que a primeira, é aquela em que a personagem de Veronica Cartwright começa a vomitar caroços de cerejas ao ser dominada pelo sinistro Van Horne, enqaunto este e suas belas "bruxas" se deliciam com as frutas. Enfim, um dos filmes americanos mais charmosos e bizarros dos anos 80.