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sexta-feira, 10 de maio de 2019

De Pernas Pro Ar 3

As comédias brasileiras estão num bom momento de popularidade, sobretudo pelo fato de renderem sequências. É exatamente o que succede aqui com as aventuras da empresária do mundo do sex shop, Alice Segretto, nessa terceira aventura.

 O humor, dessa vez, está mais discreto. Isso porque a diretora Julia Rezende (dos dois "Meu Passado Me Condena") resolveu focar no amadurecimento de sua protagonista, e em suas inseguranças e escolhas. Claro que isso tudo rende muitas gargalhadas, sem dúvida. Mas, com um cantinho de sensibilidade também.

 Bem, o fato é que Alice agora resolve se aposentar para cuidar mais da família: seu marido João Luiz, e os filhos, o adolescente Paulinho, e a pequena Clarinha. Por essa razão, deixa seus negócios nas mãos da mãe, Marion. Contudo, volta a ativa quando se sente ameaçada por uma jovem concorrente na área, Leona, que inventa um óculos ultramoderno, capaz de satisfazer os maiores desejos sexuais. Para piorar, a garota passa a namorar o filho de Alice, deixando a empresária mais irritada,

 O time de roteiristas (Rene Belmonte, Paulo Cursino, Marcelo Saback e a própria estrela Ingrid Guimarães) retomam situações hilárias das fitas anteriores, além de acrescentar novos "produtos", como o mencionado óculos, além de uma boneca inflável. As locações externas também são convidativas, já que parte da trama se passa em Paris, onde Alice participará de congressos. Ingrid continua arrasando em cena, demonstrando ser uma das melhores comediantes do país. Bruno Garcia, como o marido, também apresenta um personagem mais maduro e reflexivo. A excelente Denise Weinberg, como a mãe Marion, chega a roubar a cena no início, mas depois parece ser esquecida pelo roteiro (o que foi um vacilo tremendo). Em compensação, Cristina Pereira, como a empregada Rosa, diverte a plateia com suas atrapalhadas,

 Há várias participações especiais interessantes, como Cauã Reymond interpretando a si próprio numa cena hilária, Fernanda Lima, também como ela mesma, num momento de entrevista, além da co-estrela das fitas anteriores, Maria Paula, que retorna numa participação, na qual faz meditação.

 A bela mensagem sobre os valores que importam na vida das pessoas, apesar de clichês, rendem momentos reflexivos, contribuindo para o clima alto astral e romântico da narrativa. Enfim, "De Pernas Pro Ar" rendeu uma franquia de três filmes de grande sucesso e com diversão garantida. Podem conferir! Abraços!

TRAILER:

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Romance

Hoje fui ao shopping de Santana com a minha esposa Gisele. Nós decidimos de última hora ir ao parque Villa Lobos; e eu achei conveniente a idéia, pois estava com a pretensão de alugar uma bike e dar umas pedaladas... No entanto, a tarde estava meio fria, e resolvemos não ir mais ao parque. Assim, fomos ao shopping, e decidimos ir ao cinema. Sim, meus caros amigos, esse cinéfilo conseguiu entrar numa sala de cinema, após a última vez que isso ocorreu: lá embaixo, agosto/2007.
Resolvemos assistir ao filme "Romance" (não tinha muita opção, pra variar; além disso, Gisele queria ver esse filme, desde algumas semanas). Esse desprotegido cinéfilo, portanto, foi até a caixa eletrônica 24 horas para tirar o pouco "cash" que restava. Assim fiz, mas descobri que isso foi desnecessário! Afinal, o filme "Romance" é brasileiro, e desde 10/11 (de segunda a quinta) os ingressos para as películas brasileiras custam R$4,00 (e eu não sabia disso!). No mais, como Gisele e eu somos professores, pagamos meia, cada um R$2,00. Enfim, nunca foi tão legal ir ao cinema depois de muita ausência...
Quanto ao filme, Romance (dirigido por Guel Arraes, e co-roteirizado por ele e Jorge Furtado), conta a história do jovem diretor e ator de peças teatrais, Pedro (Wagner Moura). Normalmente, ele dirige grandes clássicos da literatura mundial, de Othello a Cyrano. Dessa vez, Pedro resolve transportar para os palcos o clássico "Tristão e Isolda", de Joseph Bedier, em que protagoniza ao lado da namorada Ana (Letícia Sabatella). Com o tempo, Pedro e Ana vão conquistando seu público e, certa vez, um diretor de tv (José Wilker) se impressiona com a atuação da moça, e a convida para participar de uma novela que será dirigida por ele. Ana aceita o convite, e divide sua vida profissional entre o teatro em São Paulo, e as novelas no Rio de Janeiro. Com isso, a relação do casal esfria, e ambos se separam. Três anos depois voltam a se encontrar, quando Ana sugere que Pedro escreva um roteiro para um epecial de fim-de-ano na tv. O jovem , então, decide, adaptar para a tv um grande sucesso que fez nos palcos: Tristão e Isolda.
Guel Arraes e Jorge Furtado, após alguns sucessos no cinema (e depois de escreverem e adaptarem diversos roteiros para as minisséries globais), se uniram na realização dessa comédia romântica, que insiste em ser dramática. É um filme simpático, agradável e divertido, que fala do amor do artista pela arte (no caso, o teatro) e das conturbadas relações amorosas entre os seres . Contudo, apesar de não ter uma duração longa, o filme se arrasta um pouco, ao enfatizar demais alguns personagens coadjuvantes. Além disso, a falta de equilíbrio no gênero atrapalha um pouco; ou seja, por hora, não sabemos se é comédia ou drama. Outra falha, foi a escolha de Letícia Sabatella na interpretação da mocinha. Letícia é uma atriz discutível, que já teve altos e baixos, já foi estrela na globo, depois foi desperdiçada, agora voltou a ser estrela... Enfim, o fato é que ela não tem química para ser par romântico de Wagner Moura. A escolha de uma atriz mais jovem (Alinne Moraes, Débora Falabella, Mariana Ximenes...) seria mais adequada. Por outro lado, alguns atores roubam a cena: Andréa Beltrão, como a diretora de elenco e amiga do casal, serve como alívio cômico; Marco Nanini surpreende e diverte nas poucas cenas em que aparece; e Vladimir Brichta, quem diria, revela bom talento cômico. Apenas Wilker exagera e super-representa como sempre. E Wagner Moura se consagra como o maior ator do cinema brasileiro da atualidade (ao lado de Lázaro Ramos). Outro equívoco é percebido o roteiro, no instante em que a personagem Ana passa a se relacionar amorosamente com o namorado e o colega de trabalho (Brichta), e essa relação é facilmente compreendida por todos (inclusive pelo namorado!). Ou seja, a personagem tenta convencer que atração física e amor sejam sinônimos, o que soa muito incoerente. Ainda assim, dá pra se divertir com o filme, que apresenta uma conclusão interessante e satisfatória.
Vale ressaltar, por fim, que o cinema brasileiro tem encontrado seu público, já que as pessoas estão perdendo o preconceito que tinham em relação aos filmes nacionais. Afinal, as produções um tanto "pornográficas" dos anos 70/80 trouxeram uma imagem negativa para o nosso cinema. Porém, por outro lado, o cinema brasileiro também está (infelizmente) perdendo um estilo interessante e bem típico que conseguiu conservar durante um certo tempo, ou seja, o cinema novo. Onde estão os discípulos de Glauber Rocha e Nélson Pereira dos Santos? Essa nova safra de filmes, se por um lado deixou de ser erótica, por outro deixou nosso cinema mais comercial. Filmes como Romance, têm muita proximidade com produções hollywoodianas, o que denota a perda da identidade cultural do nosso cinema. Em todo caso, comercial ou não, admito que os filmes brasileiros têm conseguido bons êxitos nas bilheterias nacionais. E isso já é bem-vindo.

TRAILER: