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quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Elysium

 Uma ficção científica interessante, reflexiva, agitada e divertida! Em poucas palavras, assim se resume as qualidades de Elysium, filme que assisti no cinema recentemente. Só lastimo o fato de que ultimamente temos um excesso de filmes dublados por todas as salas de projeção da cidade. Toda a veracidade se perde quando ouvimos vozes que não são as verdadeiras. Isso acontece porque vivemos num país em que pouco se lê, e a demanda solicita cópias dubladas. Uma pena! Enfim, pelo menos as vozes dos astros brazucas do filme são dubladas por eles mesmos. Ainda bem!

 Bom, broncas a parte, Elysium é a nova produção do cineasta sul africano Neill Blomkamp, que teve popularidade merecida com o ótimo "Distrito 9". Aqui em sua nova pelicula ele continua focando a crítica social, que também esteve presente no filme anterior. No ano de 2154, o planeta Terra está um verdadeiro caos, e é apenas habitado por pessoas pobres. A minoria privilegiada , os ricos, refugiaram para Elysium, uma espécie de "supernave", ou "miniplaneta" projetada com todo luxo e conforto para atender as acomodações de seus habitantes. Nas mansões do lugar, existem mesas que têm o poder de curar àqueles que tem algum tipo de doença. Por isso, o operário Max precisa desesperadamente desse recurso medicinal, pois, após sofrer um acidente de trabalho, ele tem poucos dias de vida. Com o intuito de chegar até Elysium, ele necessita da ajuda de Spider, que financia viagens "clandestinas" para lá. No entanto, Max terá que tomar o máximo de cuidado com Delacourt, uma das "poderosas" do lugar, e do temível vilão Kruger.

 Blomkamp, também roteirista, brinda os fãs do gênero com as mais interessantes cenas de ação que poderia colocar, apesar dos habituais clichês que não estragam a diversão. Curioso é visualizar a Terra de 2154 bastante parecida com bairros do subúrbio de São Paulo e morros com diversas favelas que lembram muito bem a periferia do Rio de Janeiro. Paralelo a isso, a famosa Elysium tem todo conforto sofisticado e moderno típico de qualquer país de "primeiro mundo". Com esse contraste, Blomkamp acentua muito bem a divisão de classes, objeto de sua crítica.

 No elenco, os "brazucas" mencionados no começo do texto são a já estrela por lá nos States, Alice Braga, no papel da mocinha, e Wagner Moura, tentando a sorte no cinemão americano, após o êxito obtido com o Capitão Nascimento de "Tropa de Elite". Moura interpreta Spider, que ajuda o mocinho feito pelo galã Matt Damon (curiosamente, ele parece ser o único loiro de olho azul que habita a Terra, bastante povoada por negros e latinos). Jodie Foster interpreta a inescrupulosa Delacourt. A estrela, aliás, aparece bastante envelhecida e sem maquiagem, aos 50 anos. O grande vilão, contudo, é o ator sul africano que foi o herói de "Distrito 9", um certo Sharlto Copley, que rouba a cena em alguns instantes. Por fim, há também no elenco, presença do mexicano Diego Luna, como o amigo de Damon. 

 Elysium certamente não é melhor que Distrito 9, mas apresenta uma boa reflexão e um alerta para se pensar em como preservar o futuro. Com tanto pessimismo em cena, é bastante natural ficarmos chocados e inconformados com a possibilidade de vivermos num lugar que vai piorando com o passar do tempo. E, reafirmo, há os habituais clichês, e a gente sabe como tudo vai acabar (apesar de alguma surpresa ou outra inesperadas). Porém, o filme atinge as expectativas, e Elysium se conclui como uma boa alternativa do cinema-pipoca. Mas, se conseguir, tente evitar a versão dublada! Abraços!

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segunda-feira, 12 de setembro de 2011

O Homem do Futuro

Não escondo de ninguém que eu estou adorando essa nova cara do cinema brasileiro. Ele está sendo bastante comercial, e isso é simplesmente ótimo!!!!!!! Afinal, as pessoas estão frequentando as salas para assistir à produções nacionais. Isso mostra, que o preconceito ficou pra trás, junto com aquela estética questionável de pornografia barata, típica dos anos 70/80. E este O Homem do Futuro tem o ritmo ideal que agrada ao público.

Tá certo, esse novo filme de Cláudio Torres ( do também sucesso "A Mulher Invisível") não é original ou diferente. Segue a linha de diversos filmes americanos como a série "De Volta Para o Futuro", a ficção científica "Efeito Borboleta", a comédia romântica "Kate & Leopold" ou o clássico "A Felicidade não se Compra". Mas, qual o problema? Acho bacana ver novas versões desses roteiros com estilo brasileiro.

Wagner Moura interpreta o cientista Zero, professos universitário, mas frustrado na vida. Ele acredita que não conseguiu exatamente tudo o que queria graças a uma decepção amorosa do passado, em que foi humilhado pela namorada Helena ( Alinne Moraes ). Então, com a famosa "máquina do tempo" criada por ele, Zero resolve voltar ao passado, na mesma noite em que foi humilhado ( o ano era 1991 ), e tentar reverter a situação para melhorar o futuro. Mas nem tudo se resolve como ele queria...

Envolvendo emoção e humor na dose certa, e mesmo apesar da obviedade da sinopse apresentada, O Homem do Futuro trás situações novas e hilariantes, disfarçando um pouco os clichês do roteiro ( escrito pelo próprio Cláudio ). Gosto particularmente dos diálogos que Zero trava com com suas duas versões(!) do passado. Outra coisa que emociona muito é a bela canção "Tempo Perdido" da Legião Urbana, que é a música tema do filme, tornando-o bem nostálgico. Aliás, nesse aspecto, Alinne Moraes se surpreende também como cantora, além de convencer como atriz.

Fora Alinne e Wagner Moura ( definitivamente, o maior astro do cinema brasileiro do momento, aliás, ele também canta ), o filme também acerta com os coadjuvantes: a esposa do diretor, e um tanto sumida das novelas, Maria Luísa Mendonça tem um papel chave na história, como Sandra, a amiga do protagonista, e que está sempre presente nos momentos de impacto. Fora ela, foi bacana colocar como antagonista um dos galãs do momento da tv, Gabriel Braga Nunes, que foi vilão na última novela das 9. E há também um ator desconhecido, mas interessante, chamado Fernando Ceylão, que interpreta o melhor amigo de Zero.

Elenco agradável, trama divertida, música contagiante, enfim, tudo isso supera qualquer clichê, e trás uma bela mensagem sobre a vida e sobre o tempo, e uma injeção de bom humor para quem pretende ir ao cinema para relaxar. Recomendo com toda certeza, vocês vão adorar!!!!! Abraços!!!

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segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Tropa de Elite 2 - O Inimigo Agora é Outro

Olá! Depois de uma ausência de quase dois meses, estou de volta. E nada melhor do que um retorno agradável, com um filme interessante, inteligente e repleto de reviravoltas. Não imaginava que a sequência do fenômeno Tropa de Elite pudesse ser tão boa; afinal, sequências geralmente são fracas (principalmente no Brasil, em que há poucas continuações) e o 1° parecia ser imbatível. Enfim, inesperadamente esse segundo filme é melhor que o original. Ponto para o cineasta José Padilha e para o roteirista Bráulio Montovani.

Bom, aqui o capitão Nascimento (o insubstituível Wagner Moura ), após uma falha de comando no BOPE, passa a trabalhar agora como sub secretário da inteligência. A partir daqui, ele começa a perceber os esquemas de corrupção entre o governo e a polícia ( o que explica o subtítulo ), com os traficantes dos morros carioca. E descobre que esses últimos são menos perigosos. Ao tentar controlar a situação, coloca em risco a vida de seu filho adolescente Rafael ( Pedro Van Held), de sua ex-esposa Rosane ( Maria Ribeiro ) e do deputado Diogo Fraga ( Irandhir Santos ), com quem tem conflitos ideológicos, e que agora está casado com Rosane.

Em ano eleitoral, foi uma sacada brilhante do roteiro em trazer essa crítica ácida contra as promessas que são feitas, estrategicamente, contra a violência. Mais que isso, funciona como um alerta à sociedade, ao mostrar as ciladas que são criadas pelo governo ( o filme deixa bem claro que a trama é uma ficção, e não baseada em fatos reais; ainda assim, custa a acreditar ). O espectador, ao se envolver com o filme, se encontra numa situação tremendamente assustadora e bastante próxima da realidade. Outra vez, ponto para Padilha, que se consagra como um dos melhores cineastas de nosso país.

O elenco também se destaca, principalmente um ator desconhecido chamado Sandro Rocha, no papel do corrupto major Russo, e o hilário André Mattos, como "um Datena candidato a deputado". Os atores André Ramiro e Milham Cortaz voltam com os seus papeis do episódio anterior, e Seu Jorge faz uma participação especial como um traficante. Mas o melhor ator do filme, sem dúvida, é Wagner Moura, cada vez mais convincente e magnífico, e convencendo ser um dos melhores atores do cinema brasileiro, ao lado de Selton Mello.

Também é interessante a união de pontos de vistas distintos a favor de um bem maior. O capitão Nascimento é contra qualquer tipo de criminalidade e deixa bem claro que bandido merece o pior de todos os castigos; por outro lado, seu oponente, o deputado Fraga, é a favor dos direitos humanos, e critica o sistema carcerário. No entanto, ambos se aliam ao descobrir os verdadeiros esquemas não bem intencionados, promovidos pelo governo. Outro ótimo recurso do roteiro que, de propósito, traça uma trilha falsa no começo, mas depois explicita seus objetivos.

Enfim, se o primeiro filme criticava, não só o tráfico de drogas como também o usuário, esse aqui tem um inimigo maior e mais poderoso: o próprio governo. Por isso, é um filme brilhante e corajoso. Uma pérola rara do nosso cinema, não percam Tropa de Elite 2 - O Inimigo Agora é Outro.

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quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Romance

Hoje fui ao shopping de Santana com a minha esposa Gisele. Nós decidimos de última hora ir ao parque Villa Lobos; e eu achei conveniente a idéia, pois estava com a pretensão de alugar uma bike e dar umas pedaladas... No entanto, a tarde estava meio fria, e resolvemos não ir mais ao parque. Assim, fomos ao shopping, e decidimos ir ao cinema. Sim, meus caros amigos, esse cinéfilo conseguiu entrar numa sala de cinema, após a última vez que isso ocorreu: lá embaixo, agosto/2007.
Resolvemos assistir ao filme "Romance" (não tinha muita opção, pra variar; além disso, Gisele queria ver esse filme, desde algumas semanas). Esse desprotegido cinéfilo, portanto, foi até a caixa eletrônica 24 horas para tirar o pouco "cash" que restava. Assim fiz, mas descobri que isso foi desnecessário! Afinal, o filme "Romance" é brasileiro, e desde 10/11 (de segunda a quinta) os ingressos para as películas brasileiras custam R$4,00 (e eu não sabia disso!). No mais, como Gisele e eu somos professores, pagamos meia, cada um R$2,00. Enfim, nunca foi tão legal ir ao cinema depois de muita ausência...
Quanto ao filme, Romance (dirigido por Guel Arraes, e co-roteirizado por ele e Jorge Furtado), conta a história do jovem diretor e ator de peças teatrais, Pedro (Wagner Moura). Normalmente, ele dirige grandes clássicos da literatura mundial, de Othello a Cyrano. Dessa vez, Pedro resolve transportar para os palcos o clássico "Tristão e Isolda", de Joseph Bedier, em que protagoniza ao lado da namorada Ana (Letícia Sabatella). Com o tempo, Pedro e Ana vão conquistando seu público e, certa vez, um diretor de tv (José Wilker) se impressiona com a atuação da moça, e a convida para participar de uma novela que será dirigida por ele. Ana aceita o convite, e divide sua vida profissional entre o teatro em São Paulo, e as novelas no Rio de Janeiro. Com isso, a relação do casal esfria, e ambos se separam. Três anos depois voltam a se encontrar, quando Ana sugere que Pedro escreva um roteiro para um epecial de fim-de-ano na tv. O jovem , então, decide, adaptar para a tv um grande sucesso que fez nos palcos: Tristão e Isolda.
Guel Arraes e Jorge Furtado, após alguns sucessos no cinema (e depois de escreverem e adaptarem diversos roteiros para as minisséries globais), se uniram na realização dessa comédia romântica, que insiste em ser dramática. É um filme simpático, agradável e divertido, que fala do amor do artista pela arte (no caso, o teatro) e das conturbadas relações amorosas entre os seres . Contudo, apesar de não ter uma duração longa, o filme se arrasta um pouco, ao enfatizar demais alguns personagens coadjuvantes. Além disso, a falta de equilíbrio no gênero atrapalha um pouco; ou seja, por hora, não sabemos se é comédia ou drama. Outra falha, foi a escolha de Letícia Sabatella na interpretação da mocinha. Letícia é uma atriz discutível, que já teve altos e baixos, já foi estrela na globo, depois foi desperdiçada, agora voltou a ser estrela... Enfim, o fato é que ela não tem química para ser par romântico de Wagner Moura. A escolha de uma atriz mais jovem (Alinne Moraes, Débora Falabella, Mariana Ximenes...) seria mais adequada. Por outro lado, alguns atores roubam a cena: Andréa Beltrão, como a diretora de elenco e amiga do casal, serve como alívio cômico; Marco Nanini surpreende e diverte nas poucas cenas em que aparece; e Vladimir Brichta, quem diria, revela bom talento cômico. Apenas Wilker exagera e super-representa como sempre. E Wagner Moura se consagra como o maior ator do cinema brasileiro da atualidade (ao lado de Lázaro Ramos). Outro equívoco é percebido o roteiro, no instante em que a personagem Ana passa a se relacionar amorosamente com o namorado e o colega de trabalho (Brichta), e essa relação é facilmente compreendida por todos (inclusive pelo namorado!). Ou seja, a personagem tenta convencer que atração física e amor sejam sinônimos, o que soa muito incoerente. Ainda assim, dá pra se divertir com o filme, que apresenta uma conclusão interessante e satisfatória.
Vale ressaltar, por fim, que o cinema brasileiro tem encontrado seu público, já que as pessoas estão perdendo o preconceito que tinham em relação aos filmes nacionais. Afinal, as produções um tanto "pornográficas" dos anos 70/80 trouxeram uma imagem negativa para o nosso cinema. Porém, por outro lado, o cinema brasileiro também está (infelizmente) perdendo um estilo interessante e bem típico que conseguiu conservar durante um certo tempo, ou seja, o cinema novo. Onde estão os discípulos de Glauber Rocha e Nélson Pereira dos Santos? Essa nova safra de filmes, se por um lado deixou de ser erótica, por outro deixou nosso cinema mais comercial. Filmes como Romance, têm muita proximidade com produções hollywoodianas, o que denota a perda da identidade cultural do nosso cinema. Em todo caso, comercial ou não, admito que os filmes brasileiros têm conseguido bons êxitos nas bilheterias nacionais. E isso já é bem-vindo.

TRAILER: