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domingo, 13 de outubro de 2013

Gravidade

 A temporada está aberta para ficções científicas! Contudo, esqueça meus comentários sobre Elysium, que era agitado e até divertido. Dessa vez, temos um suspense dramático e assustador, com apenas alguns instantes descontraídos. E fala-se muito nas boas possibilidades de indicações que Gravidade pode ter em 2014. E eu acredito que muita coisa boa vai mesmo acontecer, de fato.

 O diretor Alfonso Cuáron, que contou com a colaboração de seu filho Jonas Cuáron no roteiro, se destaca por dirigir filmes com temáticas diferentes entre si. Enveredou pelo mundo infantil com "A Princesinha", drama romântico com "Grandes Esperanças", comédia erótica com "E Sua Mãe Também" e o melhor filme da série "Harry Potter", com "O Prisioneiro de Azkaban". Aqui, ele eleva sua originalidade fazendo uma ficção científica diferente de tudo que já se viu no gênero (aliás, abro um parênteses; ele também já investiu no gênero com "Filhos da Esperança", mas com história bem distinta).

 No elenco há apenas dois atores em cena, Sandra Bullock e George Clooney. Eles interpretam dois astronautas que estão em missão no espaço (pouco importa qual é a missão, que se torna coadjuvante perto do que se sucede). Enquanto eles, e mais um, estão do lado de fora da nave, tentando solucionar algum problema externo de satélite, uma chuva de meteoros mata o companheiro deles,e a situação se complica quando descobrem que os demais tripulantes também estão mortos. Precisam flutuar em direção à nave, e os problemas persistem quando perdem contato com a central de Houston, e começam a perder o pouco oxigênio que insiste em diminuir em seus trajes.

 O que torna Gravidade uma produção bastante diferenciada em relação a outras do gênero, é o fato de que a maior parte da ação acontece na parte de fora da nave, no espaço mesmo, nu e cru! Ou seja, ambos exploram o espaço constantemente enquanto lutam contra o tempo. Nesses instantes, o espectador se depara com cenas belíssimas e com a "aparente" tranquilidade que o cenário demonstra. Toda essa beleza é mérito da competente direção de arte, e também de uma eficiente fotografia. O espaço nunca pareceu, como aqui, um lugar infinito, misterioso e repleto de curiosidades para exploração. A angústia toma conta quando a personagem de Bullock permanece sozinha na aventura, após perder o contato com o astronauta de Clooney.

 A atriz, aliás, está em excepcional atuação, como a novata que está em sua primeira missão no espaço, após uma tragédia pessoal (perdeu a filha num acidente de carro). Fala-se muito numa provável indicação ao OSCAR do próximo ano, o que eu não descarto. Aqui, ela segura uma personagem ao mesmo tempo sensível e determinada, superando o papel que lhe rendeu a estatueta de ouro em 2009 ("Um Sonho Possível"). Clooney, por sua vez, é responsável pelos momentos de alívio cômico. Por ser um veterano de viagem espacial, ele procura sempre manter a tranquilidade e faz piadinhas o tempo todo. No fim, seu personagem (com destino infelizmente previsível) é um alter ego de si próprio, o cara boa praça, simpático e descontraído, o típico papel que ele costuma fazer em comédias românticas (ainda, que aqui seja outro terreno). Por isso, a indicação dele é menos provável...

 O final não deixa a peteca cair, é eletrizante também, e termina de forma satisfatória. O filme, porém, pode desagradar a alguns por falta de mais personagens e tramas paralelas. Além disso, o clima angustiante e sufocante pode causar um certo mal estar (principalmente se o ar condicionado da sala estiver desligado). Em todo caso, dessa vez eu gostei do 3D do filme, bastante oportuno e responsável por bons momentos de tensão. Até as lágrimas de Bullock parecem como partículas sólidas. Creio que Gravidade será uma grata surpresa nos festivais do próximo ano, não só na parte técnica, como nas categorias principais. O diretor Cuáron e a estrela Sandra Bullock devem figurar entre os indicados. Vamos aguardar... Abraços!

TRAILER:

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Amor Sem Escalas

É impressionante como Hollywood tem uma extrema originalidade em inventar profissões no cinema! Fora o fato de idolatrar assassinos profissionais (o que beira o absurdo), agora chegou as telas brasileiras esse filme (no original, "Up in the Air") dirigido por Jason Reitman (filho do cineasta veterano Ivan Reitman, também produtor desse filme). E foi o que eu e a Gisele assistimos ontem nesse chuvoso e cinzento mês de janeiro!

O protagonista é Ryan Bingham, feito pelo preferido das mulheres, George Clooney. É ele que tem a estranha profissão que eu mencionei no início. Clooney trabalha numa firma contratada para demitir funcionários de diversas ocupações. Ou seja, eles não têm coragem de mandar ninguém embora, e por isso, essa missão cabe a Clooney, que viaja para todas as cidades dos EUA. Em uma dessas viagens, ele conhece a executiva Alex Goran (Vera Farmiga, de Os Infiltrados), e acaba se envolvendo com ela. Com o tempo, Ryan passa a treinar a jovem Natalie Keener (Anna Kendrick, de Crepúsculo), que também se especializa nessa profissão.

Bom, e assim flui a história (roteirizada pelo próprio Jason e Sheldon Turner, adaptada do livro de Walter Kim). Clooney passa o filme todo viajando e dando palestras, um homem charmoso e solteirão, que não pensa em responsabilidades matrimoniais. O filme acaba mostrando as vantagens de ser solteiro, mas aponta também as amarguras da solidão. Num meio termo perdido entre comédia e drama, Reitman retrata muito bem o cotidiano de homens e mulheres na casa dos 30 e 40, e que tentam buscar a felicidade. Isso é percebido através das personagens de Clooney e da excelente Vera Farmiga, uma atriz talentosa, e que agora poderá ser melhor reconhecida. No entanto, quem rouba a cena é a jovem Anna Kendrick, no papel da estagiária de Ryan. Ela serve como contraste às vidas maduras de Clooney e Vera; representa a juventude idealista, cheia de planos para o futuro e repleta de receios e ansiedades. O trio central, certamente, será indicado ao Oscar, mas nenhum deles deve ganhar. O final apresenta uma surpresa interessante sobre a conduta de uma das personagens, e que pode desagradar alguns (o que ocorreu com a minha esposa).

O filme demora um pouco para engrenar, começa de uma forma muito lenta, mas depois envolve, agrada, diverte. Trata-se de uma comédia dramática realista, às vezes fria (algumas demissões acabam sensibilizando; principalmente, porque vivemos num país em que o desmprego impera!), às vezes simpática. Gostei do filme, embora admito que não é para todo o público. Quem pensa que se trata de comédia romântica, por conta de presença de Clooney, vai se decepcionar. Ainda assim, recomendo. Um forte abraço!!!

TRAILER: