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domingo, 12 de janeiro de 2020

Frozen 2

 O mês de janeiro representa o momento de férias escolares, num verão, muitas vezes, insuportável por aqui. Felizmente, muitas salas de cinema são equipadas com ar condicionado, e o tema congelante dessa sequência de uma animação de sucesso, ajuda a refrescar. Refiro-me a Frozen 2, que retoma no cinema com seus populares personagens.

 Aqui, a rainha Elza é assombrada por vozes que a fazem tentar decifrar mistérios que envolvem as ações de seu avô no passado. Parte para uma aventura para manter o reino em segurança, já que segredos relacionados a uma floresta negra, podem trazer destruição e ruína. Ela conta com o auxílio de sua irmã Ana, do namorado desta, Kristoff, e do simpático boneco de neve, Olaf.

 Ok, a história é bonitinha, e encanta o público infantil, sobretudo as meninas. Entretanto, percebe-se aqui um roteiro preguiçoso, dos próprios diretores Jennifer Lee e Chris Buck, que não conseguem tanta criatividade para sustentar uma sequência de um fenomenal sucesso de 2013. Além disso, as diversas canções não são memoráveis, nem simpáticas. Fica então a parceria do público com seus carismáticos protagonistas, sendo que, obviamente, mais uma vez o boneco Olaf leva a melhor como alívio cômico. Mas não há tenta coisa de extraordinário.

 Não sei se chegará a ser indicado ao Oscar de canção, mas certamente estará entre os cinco finalistas de longa em animação. E, reafirmo, é um passatempo agradável e divertido. Mas não esperem novidades maiores, além da inclusão de uma espécie de filhote de dragão na história, para acrescentar mais "foforice para a narrativa". Até mais!

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sexta-feira, 15 de novembro de 2019

Ford vs. Ferrari

 Ford vs. Ferrari é uma das estreias dessa semana, e eu conferi no cinema, principalmente por conta do título chamar a atenção por sugerir algum tipo de duelo entre dois nomes bastantes populares. O diretor é o  James Mangold (de filmes como "Johnny & June" e "Logan"), que se apoiou em um roteiro elaborado por Jez Buttenworth, John-Henry Buttenworth e Jason Keller, sobre duas marcas bem conceituadas mundo afora.

 Carroll Shelby é um fabricante de automóveis muito prestigiado. Ele trabalha sempre em parceria com o mecânico Ken Miles, também piloto de suas máquinas. Shelby é contratado para integrar a equipe de Henry Ford II, para produzir uma "super-máquina" capaz de derrotar seu arquinimigo Enzo Ferrari nas corridas de fórmula 1. Contudo, Ken Miles não é aceito na equipe como piloto, mas Shelby fará de tudo para mostrar o quanto competente seu amigo é na arte de pilotar.

 A duração excessiva do filme (quase três horas) pode desagradar um pouco, mas a narrativa é muito atraente e apresenta cenas memoráveis e bem elaboradas de corridas de fórmula 1. Na verdade, nem precisa ser entendido nesse esporte para curtir essa boa aventura, cujo único problema é ter um título que não está totalmente de acordo com a ideia central. Ainda que as marcas Ford e Ferrari duelem em cena nas corridas, os intérpretes dos chefões (Tracy Letts e Remo Girone, respectivamente) são apenas coadjuvantes, pois a ação é centrada na amizade enter Shelby e Miles.

 Falando nos protagonistas, Matt Damon e Christian Bale atuam perfeitamente como os parceiros que precisam superar obstáculos perigosos para conseguir todo o prestígio requisitado pela Ford. Christian Bale se destaca ainda mais numa excelente composição, como um impulsivo e irreverente Miles. Já o Shelby de Matt Damon não tem em cena nem mesmo um interesse romântico, já que apenas o seu profissional é focado.

 Ainda no elenco, Jon Bernthal e Josh Lucas são os executivos da Ford, responsáveis pela contratação de Shelby, sendo que o último funciona como uma espécie de vilão. O garotinho Noah Jupe (de "Extraordinário") faz o filho de Bale, e a atriz irlandesa Caitriona Balfe (de "Jogo do Dinheiro") interpreta a esposa.

 A conclusão é satisfatória e não deixa de mostrar uma mensagem crítica à ganância e ao poder do dinheiro. Certamente terá algumas indicações ao Oscar 2020, até mesmo uma possível de ator coadjuvante para Christian Bale. Sem dúvida, mesmo não sendo um primor, é um filme interessante e agradável. Até!

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sábado, 2 de novembro de 2019

Malévola: Dona do Mal

 Não tenho o hábito de assistir às sequências das fitas da Disney no cinema, mas acabei conferindo essa produção, agora comandada pelo norueguês Joachim Ronning, que fez o mais recente episódio da série Piratas do Caribe, "A Vingança de Salazar".

 Aventuras como essa acabam sendo entediantes pois nós todos já sabemos como vai começar e como vai terminar. Quando se sai da sala de projeção, fica a sensação do famoso dito e feito, pois tudo o que era previsto acontece. Não que o roteiro seja ruim, mas não se tem como fugir do convencional quando se trata de contos de fadas. Ao menos, dessa vez, o roteiro, de Linda Woolverton, Noah Harpster e Micah Fitzerman-Blue, não coloca a figura sinistra e diabólica da Malévola como vilã.

 A jovem Aurora está prestes a se casar com o príncipe Philip, por quem é apaixonada. Contudo, terá que convencer sua madrasta Malévola a aceitar o casório. Inclusive, a própria é convidada para um jantar no castelo do futuro genro. Entretanto, um plano ardiloso da rainha Ingrith, mãe de Philip, faz com que Malévola caia numa armadilha, e precisa fugir para não ser exterminada. Acaba encontrando seres da mesma espécie que ela, com quem se une. Enquanto isso, Aurora, entristecida, perde a confiança em sua madrasta.

 Bem, pelo fato da grande vilã do clássico "A Bela Adormecida" ganhar o título do filme, é normal o fato dela ser a heroína da vez. Mas o mais importante mesmo na história é o já batido tema, ainda que sempre oportuno, da diversidade. Afinal, fica a mensagem de que as diferenças precisam ser compreendidas, e que não deve existir relação de superioridade de uma raça para outra; é o que fica evidente no confronto entre os humanos e os seres da espécie de Malévola.

 No elenco, Angelina Jolie de volta às telas no papel título, sempre carismática e poderosa em cena. Elle Fanning retorna como a sonsa princesa Aurora, assim como as três fadas têm as mesmas Lesley Manville, Imelda Staunton e Juno Temple do filme anterior. Sam Riley, como o fiel acompanhante de Malévola, também retorna em cena. Mudaram o ator que faz o príncipe, agora é um certo Harris Dickinson (muito fraco, por sinal). Ainda no elenco, o talentoso Chiwetel Ejiofor, como o líder da espécie de Malévola, Ed Skrein, como um rebelde desse mesmo grupo, Robert Lindsay como o rei, e a melhor do elenco, a já envelhecida Michelle Pfeiffer, como a rainha, a grande vilã da narrativa.

  Enfim, a produção é agradável e fotogênica, com belos figurinos e direção de arte. Todavia, é mais mesmo um passatempo para as crianças, cuja exibição teria sido oportuna nas férias escolares do mês de julho. Vale pela mensagem politicamente correta e, obviamente, pela ilustre presença de Angelina Jolie. Abraços!

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sábado, 27 de julho de 2019

O Rei Leão

 Nesse fim de férias, um dos mais queridos e populares protagonistas dos estúdios Disney, que encantou e emocionou todos os públicos do mundo na década de 90, ganhou sua versão carne e osso na tela grande. E, evidentemente, as bilheterias lotaram facilmente.

 Nessa versão, embora não seja animação, não há seres humanos em cena, e sim os famosos animais da produção de 1994, que são dublados por um elenco estelar. Quem comanda o espetáculo visual dessa vez é o também ator Jon Favreau, que dirigiu os dois primeiros episódios de "Homem de Ferro", enquanto o roteiro é assinado por Jeff Nathanson, que reorganizou a história original de 1994.

 É difícil existir alguém que não saiba do que se trata o filme, porém, vamos lá: Nasce o pequeno Simba, filho dos leões Scar e Sarabi, que tem a missão de substituir o pai na liderança entre os animais. Contudo, seu tio, o inescrupuloso Mufasa, arma um plano diabólico para derrotar Scar e Simba, e cobiçar o trono. Mas Simba sobrevive, e vai para o outro lado da floresta, onde é amparado pela dupla atrapalhada Timon e Pumbaa. Porém, retorna para o seu habitat original, ao descobrir que todos correm risco de vida nas mãos de Mufasa, sobretudo sua mãe, e sua amada Nala.

 O melhor da fita está na exuberane fotografia, que apresenta belíssimas paisagens da natureza africana, qualificando a excepcional arte da produção. Porém, fora isso, o interesse somente é mantido por quem ainda não assistiu ao original de 1994 (se é que existe alguém que ainda não viu). Em 1998, o diretor Gus Van Sant foi duramente criticado por ter feito um remake colorido de "Psicose", do grande Hitchcock, por ter refeito cena por cena, sem inovar. É o mesmo que Favreau faz aqui: cena por cena do desenho foi recriada com os animais de carne e osso, que mais parecem os protagonistas de algum programa do popular canal a cabo "Animal Planet". Por essa razão, apesar de toda a exuberância da paisagem, o filme é lento, cansativo, óbvio, nada especial. Todas as músicas reaparecem, inclusive o enjoativo hit do Timon e Pumbaa.

 Dessa vez, o elenco principal que empresta as vozes para os simpáticos personagens é black, com Donald Glover vivendo Simba, a cantora Beyoncé vivendo Nala, Chiwetel Ejiofor e Alfre Woodard como os pais de Simba, e James Earl Jones como o vilão Mufasa (curiosamente, o próprio fez o mesmo personagem na versão animada). Os comediantes Seth Rogen e Billy Eichner emprestam as vozes para Pumbaa e Timon, respectivamente. Contudo, de nada adianta saber disso, se você assistir a versão dublada, que predomina em nossas salas.

 Enfim, os amantes de O Rei Leão aprovaram essa versão, alguns até choraram, já que a história é de fato muito bonita. Eu, por outro lado, mesmo reconhecendo a eficiência técnica, achei desnecessário. Mas acredito que a criançada vai curtir... Abraços!

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sábado, 29 de junho de 2019

Aladdin

 A nova moda do momento em Hollywood é a de refilmar clássicas animações Disney em versões de carne e osso. Foi o que sucedeu com "Cinderella", "A Bela e a Fera", "Dumbo", em breve com "O Rei Leão", e agora este "Aladdin".

 A novidade é que o filme é assinado pelo inglês Guy Ritchie (também autor do roteiro, ao lado de John August), um diretor que tornou-se comercial com "Sherlock Holmes", mas que sempre é lembrado pelos seus trabalhos cults (como "Jogos, Trapacas e Dois Canos Funegantes"). Dessa vez, aventura-se pelo mundo Disney, e apresenta uma produção luxuosa e deslumbrante em todos os sentidos: fotografia, direção de arte, figurinos, efeitos especiais e sonoros. Ou seja, cinemão-pipoca de qualidade para se ver na tela.

 A história não é desconhecida por ninguém. Aladdin é um pobbre rapaz que vive pelas periferias do Egito, com seu macaquinho de estimação. Como um "Robin Hood" do oriente, ele rouba dos ricos, para ajudar os mais necessitados, embora faça isso mais por puro prazer juvenil. Se encanta com a bela princesa Jasmine, mas terá problemas com um pretendente dela, o inescrupuloso Jafar. Mas, ao encontrar uma lâmpada velha, descobre ser ela mágica, e acaba evocando o gênio que a tem por moradia, que lhe concede três desejos. Aladdin precisa pensar bem sobre o que realmente necessita.

 Todo mundo já sabe o que irá encontrar na história, mesmo porque o desenho animado de 1992 foi um estrondoso sucesso. Há batalhas entre o mocinho e o vilão, muita emoção na viagem em cima do tapete mágico (um coadjuvante alívio-cômico) e muitas canções interpretadas pelas personagens. Isso, talvez, canse o público, que pode ter uma recepção fria, mesmo com todo o padrão classe A da produção. Entretanto, o humor é bem utilizado na figura que rouba a cena, o gênio, interpretado pelo único astro de peso no filme, Will Smith, engraçado na medida certa. Os demais atores são pouco conhecidos: Mena Massoud (Aladdin), Naomi Scott (princesa Jasmine), Marwan Kenzari (vilão Jafar), Navid Negahban (o sultão, pai de Jasmine) e Nasim Pedrad (interesse romântico do gênio).

 Enfim, um filme família, típico para esse início de férias escolares. Mas, apesar do belíssimo aspecto visual, não deixa marcas; facilmente esquecível. Mais uma vez, vale para gargalhar com a performance de Will Smith. Abraços.

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terça-feira, 5 de março de 2019

Aquaman

 Nesse duelo de Marvel vs. DC por bilheteria no cinema, é difícil saber quem leva a melhor, já que ambas apresentam produções classe A na tela. A DC/Warner lançou recentemente o filme sobre o rei do mar, "Aquaman", que já havia apareceido em "Batman vs. Superman" e "Liga da Justiça", mas que agora ganhou seu filme solo.

 Aquaman na verdade se chama Arthur, fruto de um relacionamento entre um humano e uma figura mítica do mar, uma espécie de sereia. Desde pequeno é consciente de seus superpoderes, e é treinado por um ser marítimo, Vulko. Quando cresce, Arthur recebe a missão de ir para o mar conquistar o trono que lhe pertence por direito, pois seu meio-irmão Orm, inescrupuloso, tem planos de destruir a Terra. Nessa aventura, conta com a ajuda da Princesa Mera, prometida para Orm, mas que despreza os planos diabólicos dele.

 O aspecto visual da belíssima fotografia e da competente direção de arte cria cenários espetaculares nas profundezas do Oceano, e destaca toda a diversidade marítima que se tem direito. Méritos do jovem cineasta malaisiano  James Wan, especialista em fitas de terror, como "Jogos Mortais" e "Invocação do Mal", mas que tem demonstrado excepcional talento em produções de ação, tal como fez mostrou em "Velozes & Furiosos 7". Além disso, paisagens exuberantes no deserto do Saara e na Sicília surpreendem o espectador pelo aspecto da beleza focalizada. Aliás, nunca se viu antes a bela Sicília ser alvo de pancadaria e destruição, em cenas extraordinárias, que adicionam mais um ponto para se assistir ao filme na tela grande.

 Jason Momoa, o astro do momento, nasceu para viver Aquaman, embora demonstre facilmente sua canastrice, além de não convencer nas sequências de alívio cômico. A bela Amber Heard faz a heroína, e tenta fazer algo além do interesse romântico. O elenco ainda reune nomes consagrados, como Willm Dafoe, como o mentor de Aquaman, Patrick Wilson como o vilão King Orm, o veterano Dolph Lundgren (quem diria!) como King Nereus e a incansável Nicole Kidman, como a mãe do herói. Há também a voz da estrela Julie Andrews como o monstro Karathen na parte final.

 O roteiro, de David Leslie Johnson-McGoldrick e Will Beall, não economiza nos detalhes, e o resultado é uma projeção de quase duas horas e meia. De qualquer jeito, todo o cuidado visual e sonoro faz o tempo passar despercebido, e garante um prazer delicioso de se acompanhar as eletrizantes aventuras dentro do oceano. James Wan já está confirmado como diretor da sequência, anuncaiada para 2022.   

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domingo, 22 de julho de 2018

Jurassic World: Reino Ameaçado

 Três anos após o início de uma nova safra sobre uma franquia de enorme sucesso que estreou em 1993, "Jurassic Park", comandado por ninguém mais ninguém menos que Steven Spielberg, surge essa sequência, que ganha novo diretor , o espanhol J.A. Boyona (de "O Orfanato" e "O Impossível"), e conta com o cineasta do anterior, Colin Trevorrow, no roteiro, junto com Derek Connolly.

 Claire Dearing (Bryce Dallas Howard) é convidada para retornar à ilha Nublar para salvar os dinossauros de um vulcão que está prestes a entrar em erupção. Organiza sua equipe e convence Owen Grady (Chris Pratt) a retornar também. Mas há uma conspiração por parte de quem a convidou, Eli Mills (Rafe Spall), que pretende leiloar os dinossauros e se tornar milionário. Entretanto, novas e aterrorizantes raças de dinossauros estão lá para acabar com tudo e todos, e podem estragar os planos do vilão.

 Quando o primeiro Jurassic World estreou (sempre nos créditos consta o nome do autor do livro original, Michael Crichton, embora a adaptação mesmo é a do filme de 1993), fez um razoável sucesso, contando uma história empolgante, divertida, assustadora e repleta de sequências de ação e suspense. Aqui, contudo, tudo é previsível, cansativo, e sem maiores surpresas. O casal central que retorna, Pratt e Dallas Howard, está mais apáticos. Alguns críticos acharam que essa nova produção está bem próixima do gênero terror, especialidade do diretor. No entanto, o Jurassic Park 3 parecia muito mais terror do que esse. As sequências finais, com os vilões sendo devorados pelos dinossauros, trazem mais entusiasmo para a narrativa. Mas, de forma geral, esse aqui ficou abaixo das expectativas (nem mesmo o show de efeitos visuais e sonoros me convenceu).

 No elenco, além dos heróis, Rafe Spall faz um vilão nada memorável, Jeff Goldblum (que atuou em Jurassic Park 1 e 2) retorna numa participação no mesmo papel, na cena inicial e na final, mas sem grandes chances, o veterano James Cromwell faz o novo proprietário do parque (faz lembrar Richard Attenborough na safra anterior), Toby Jones faz o vilão nanico, a veterana Geraldine Chaplin está num papel que é rapidamente esquecido, há uma criança chata feita por uma certa Isabella Sermon (aliás, todas as crianças de qualquer filme Jurassic são chatas) e há também uma dupla de coadjuvantes que auxiliam o casal central, e servem como alívio cômico (mas sem sucesso), interpretada por dois rostos novos, Justice Smith e Daniella Pineda.

 Enfim, sabe-se que o Jurassic World 3 está em pré produção e vai estrear em 2021, novamente com Trevorrow (do primeiro) na direção, e também Chris Pratt e Bryce Dallas Howard de novo no elenco. Espera-se que tenha mais criatividade na história e cenas de ação mais ousadas, pois esse aqui é daqueles entretenimentos que caem facilmente no esquecimento. Abraços!

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segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Thor: Ragnarock

 Terceira aventura do simpático e popular deus do trovão estreia nos cinemas com bastante bom humor e sequências eletrizantes de aventura e lutas sensacionais. O neozelandês Taika Waititi é o diretor da vez e fez um trabalho digno e com bastante competência.

 O ponto de partida mostra nosso herói preocupado com o paradeiro do pai Odin, e recorre a ajuda do nem sempre bem intencionado irmão Loki para procurá-lo. Para tanto, viajam no tempo e vão parar na Nova York da atualidade, local onde Odin foi visto pela última vez. Entretanto, além de não encontrá-lo, Thor se depara com a fúria de Hela, uma deusa cruel e vingativa, que almeja destruir Asgar, o planeta de Thor, e escravizar toda a população de lá. Como se não pudesse ficar pior, ele é aprisionado por um excêntrico comandante de um reality show, Grandmaster, que promove lutas mortais entre seus prisioneiros. Para sair dessa, o guerreiro do martelo conta com a ajuda do amigo Hulk, outro prisioneiro, e da exótica Valkyrie, também de seu planeta, para derrotar Hela e salvar todo o povo.

 Claro que se pode prever em uma produção Marvel, definitivamente um estúdio de cinema, que o que está na tela, efeitos visuais, sonoros, direção de arte, fotografia e figurinos, representam o significado de uma qualidade técnica exemplar. O astro Chris Hemsworth, além disso, com todo seu carisma apenas demonstra que de fato nasceu para ser Thor, e adiciona mais um ponto a favor do filme. Outro fator interessante é que o roteiro, de Eric Pearson, Craig Kyle e Christopher Yost, desenvolve duas personagens femininas que despertam a curiosidade: a guerreira Valkyrie, interpretada pela jovem Tessa Thompson, de "Creed: Nascido Para Lutar", e a vilã Hera, defendida pela sempre extraordinária Cate Blanchett, que arrasa sobretudo nas batalhas finais, em que o espectador, aliás, é brindado com um cenário inesquecível que faz lembrar um quadro pós-apocalíptico.

 Achei desnecessário apenas a presença do personagem Dr. Estranho, vivido por Benedict Cumberbatch, que não faz absolutamente nada de importante, o que torna a participação tola e sem sentido. Ainda no elenco, Tom Hiddleston revive Loki, mas sem a vilaneza característica, aqui ele está "bonzinho"; Mark Ruffalo surge enfurecido como Hulk; Idris Elba faz um guerreiro de Asgar; o veterano Jeff Goldblum, (fora Cate, talvez o melhor do elenco) dá vida ao excêntrico Grandmaster. Há também uma divertida cena em que dois atores interpretam Odin e Thor num teatro típico da história antiga, respectivamente o veterano Sam Neill e Luke Hemsworth, ninguém mais nem menos que o irmão mais novo de Chris. Por fim, participações pequenas de Anthony Hopkins como o verdadeiro Odin, e Scarlet Johansson como a Viúva Negra.

 Enfim, reafirmo que esse trabalho foi muito bem realizado e garante um entretenimento nota 10. O clima de bom humor foi o que mais me agradou no envolvimento de toda história. Há algumas surpresas e, logicamente, uma cena extra no pós crédito, sempre insistente em deixar uma porta aberta para próximas aventuras. Stan Lee, o criador dos quadrinhos, está mesmo nadando em rios de dinheiros. Não percam tempo, e confiram na tela grande. Abraços!

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sexta-feira, 1 de setembro de 2017

A Torre Negra

 Nos cinemas, uma nova adaptação de livro de Stephen King (adaptada por Akiva Goldsman, Jeff Pinker, Anders Thomas Jensen e o próprio diretor, o dinamarquês Nikolaj Arcel), A Torre Negra é uma série composta por 8 livros, e se constitui como a saga mais popular da literatura de King. O primeiro volume foi lançado no fim dos anos 70, mas apenas agora conseguiu uma versão cinematográfica.

 Bom, como leitor do mestre do terror e do suspense, eu admito que adaptar "A Torre Negra" não é uma tarrefa fácil. Justamente por isso, muitos fãs bombardearam o filme. Afinal, o que temos é uma adaptação livre, que na verdade, incrementa mais ação e aventura para a narrativa; ou seja, se fosse uma adaptação nas entrelinhas, o ritmo seria mais lento, já que o primeiro livro da série não é muito agitado.

 Nesse sentido, o filme não se sai ruim. O que tem que ficar claro é que este não é um filme de terror, está mais para uma aventura juvenil. No mundo medieval, Roland de Gilead é o último pistoleiro de sua geração, e tem a missão de perseguir o temível homem de preto, antes que este encontre a tal torre negra e a destrua. A torre é o alicerce que equilibra o mundo e não permite que ele seja dominado por forças ocultas e malignas. Na atualidade, o garoto Jake, que sonha constantemente com o mundo de Roland, acaba sendo transportado para lá, e auxilia o pistoleiro em sua empreitada.

 A produção é bem cuidada e os efeitos são bons. Torno a dizer que a versão do livro para a tela grande melhorou na ação e no acréscimo de personagens, uma vez que no livro Roland perambula a narrativa praticamente sozinho e sua rotina só é abalada com a chegada do menino Jake. O próprio vilão "homem de preto", bastante mencionado nos livros, aparece pouco de forma geral. O maior problema, no entanto, é que essa aventura não apresenta nada de diferente no gênero, tudo é muito previsível, o que torna o passatempo, ora ou outra, entediante. Mas continuo insistindo que a adaptação livre não foi ruim.

 No elenco, Idris Elba (de "Beasts of No Nation") faz o protagonista Roland e o menino estreante Tom Taylor faz o garoto Jake. No elenco há outros nomes mais ou menos famosos em papéis menores, como Dennis Haysbert, Jackie Earle Haley e Claudia Kim. Mas o nome mais famoso é mesmo o do astro Matthew McConaughey, como o "homem de preto". O personagem é bem destacao na história, e, diferente do livro, chefia uma quantidade imensa de funcionários que trabalha para ele num espaço que mais lembra uma nave espacial (o que deixa um ar de ficção científica). O grande problema é que McConaughey parece nunca mais ter voltado a boa forma física, depois que emagreceu esqueleticamente para o filme "Clube de Compras Dallas", que lhe rendeu um Oscar. O ator aparece muito abatido em cena, e pouco inspirado no papel...

 Até o momento, não se sabe se haverá sequências para a história. O que provavelmente acontecerá é uma série realizada para a tv, comandada pelo próprio diretor Arcel (de "O Amante da Rainha"). Enfim, o trabalho dele aqui é mediano, acerta em modificar uma história muito devagar para uma aventura mais dinâmica; e erra em não empolgar o público, deixando a ação um pouco superficial. De qualquer maneira, o final já deixa uma brecha para possíveis continuações. Creio que o filme mereça um pouco de atenção. Abraços!

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domingo, 25 de junho de 2017

A Múmia

É desejo agora da Universal em refilmar todos os seus clássicos de monstros do terror, que faziam sucesso nas décadas de 30 e 40. O primeiro desse série é justamente a popular múmia, que dessa vez faz jus ao artigo feminino que lhe acompanha, pois trata-se de uma mulher.

 Quem, no entanto, agurada uma aventura cômica a la Indiana Jones, tal como aconteceu com a popular trilogia iniciada em 1999, estrelada por Brendan Fraser e Rachel Weisz, irá se decepcionar; afinal, o ritmo é mais acelerado para a ação (sem ser propriamente terror também), e o roteiro, de David Koepp, Christopher McQuarrie e Dylan Kussman, até tem cenas de alívio cômico, mas o humor está pouco presente. Outra mudança é o cenário, que deixa de ser Egito, e passa a ser o Iraque (mudança que tende a desagradar os fãs).

 Quanto a história, há muito tempo atrás, bem antes de Cristo, a egípcia Ahmanet é uma bruxa perigosa e perversa, que tem seus planos maquiavélicos de governar o mundo interrompidos, e por isso é mumificada e enterrada em uma tumba no Iraque. Atualmente, em nossa época, um grupo do exército que transita pela região, pousa no mesmo local onde Ahmanet está sepultada, e dois soldados, Nick Morton e Chris Vail, tentam localizar relíquias raras com o intuito de comercializá-las. A pesquisadora Jenny Halsey se une a eles e tenta investigar a tumba que encontram. Assim, acabam despertando Ahmanet, que pretende continuar com seus planos.

 Se por um lado a história não lembra Indiana Jones, por outro faz lembrar a popular série atual "The Walking Dead", já que as vítimas da múmia são transformadas em zumbis, e ficam a disposição dela (algo um tanto inusitado e estranho). E, nesse ponto, há os instantes de humor, quando o parceiro do protagonista, interpretado pelo pouco conhecido Jake Johnson ("Anjos da Lei", "Jurassic World"), após ser assassinado, aparece constantemente para o seu parceiro e é responsável por algumas piadas.

 Sobre o elenco, o astro Tom Cruise faz o herói, não exatamente bonzinho, mas carismático. Mesmo mostrando o peso da idade (54 anos), Cruise ainda exibe boa forma física, e coloca seu personagem em sua típica galeria de heróis de fitas de ação. O também astro Russell Crowe, que está com aparência mais envelhecida e fora de forma, interpreta o Dr. Henry Jekyll (clara referência ao clássico da literatura, "O médico e o monstro"), um exímio pesquisador sobre a vida de Ahmanet. Há também Coutney B. Vance, como o superior de Cruise, Annabelle Wallis (de "Annabelle" [!]) como a mocinha, e finalmente, a atriz que interpreta a "personagem título, a argelina Sofia Boutella, que fez um curioso papel em "Kingsman - Serviço Secreto", e que se sai bem como a temível vilã.

 Tecnicamente o filme é impecável, e a qualidade do que se vê na tela é de uma competência excepcional. O diretor Alex Kurtzman é um veterano produtor de cinema e tv, mas está apenas em seu segundo longa como cineasta, o anterior foi o dramático "Bem Vindo à Vida", realizado cinco anos antes, com Michelle Pfeiffer e Chris Pine. Enfim, o entretenimento é cativante, mas deixa a impressão de que a safra anterior com o Brendan Fraser era muito superior. Quando isso acontece, não é bom sinal... De qualquer maneira, é sempre bacana ver um ponto de vista diferente... Abraços!

Trailer:

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Mulher Maravilha

 Sempre achei estranho o fato de a heroína mais popular entre todas não ter seu filme próprio. Existia sim a clássica série de tv, estrelada por Lynda Carter, mas no cinema a mulher maravilha sempre foi desprezada. Bom, após a participação da personagem em "Batman vs. Superman", finalmente a garota tem seu filme solo.

 Fitas de ação, mesmo com protagonistas do sexo feminino, raramente são dirigidas por mulheres, e esta aqui chama a atenção, justamente porque é uma diretora quem comanda o espetáculo, Patty Jenkins, que no cinema fez apenas "Monster - Desejo Assassino", que deu o Oscar de melhor atriz para Charlize Theron. Quanto ao todo poderoso Zach Snyder, normalmente cineasta das adaptações da DC Comics, aqui é o produtor, e também roteirista (junto com Allan Heinberg e Jason Fuchs).

 A ação é contextualizada na Primeira Guerra Mundial. Um soldado (piloto) britânico vai parar acidentalmente numa ilha paradisíaca, habitada apenas por mulheres, que agem como se estivessem na era mitológica. O soldado, Steve Trevor, se encanta com a guerreira Diana, que acredita que o "deus da guerra" é o responsável pelas desgraças da humanidade. Assim, ela parte junto com Trevor para a Inglaterra, com o intuito de derrotar aquele que ela acredita estar por detrás da guerra, e se depara com um mundo bastante diferente do seu.

 Apesar da longa projeção, a diretora Jenkins acertou em cheio, e construiu um bom filme de ação, repleto de brilhantes efeitos especiais e sonoros, com uma qualidade técnica impecável. A introdução, na tal ilha paradisíaca, reserva os melhores momentos da história, misturando batalhas memoráveis e um cenário fotogênico e encantador. Outro momento de destaque é quando a personagem título usa seu famoso escudo nas batalhas que enfrenta em plena Primeira Guerra Mundial. Fora isso, há alguns instantes de aelívio cômico, quando a garota tenta encontrar um modelito mais adequado para vestir, bem distante de suas vestimentas na ilha.

 O elenco é extraordinário. Gal Gadot pode até não ser excelente atriz, mas não faz feio como Mulher Maravilha, e exibe um excelente condicionamento físico. Ao lado dela, Chris Pine é o interesse romântico, um papel até clichê, mas também com algumas tiradas cômicas. Há também as veteranas Connie Nielsen e Robin Wright, respectivamente como mãe e tia de Diana, David Thewlis, como o superior do piloto Trevor, e Danny Huston e Elena Anaya, em curiosas partiçipações como o s grandes vilões, com destaque especial para a espanhola Anaya ("A Pele Que Habito"), como a desfigurada Dra. Maru.

 Há algumas surpresas na trama, outros instantes filosóficos e reflexivos sobre a humanidade, e um "final falso", que acaba abrindo espaço para mais batalhas e aventuras. Pelo que tudo indica, uma sequência é inevitável. Enfim, um blockbuster acima da média; sem dúvida, o ingresso vale a pena para bons momentos de diversão. Abraços.

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sábado, 25 de março de 2017

A Bela e a Fera

 Não iria mesmo demorar muito para uma versão com personagens de carne e osso desse grande clássico da Disney; mesmo porque, é a tendência do momento: refilmar animações com atores. E "A Bela e a Fera" fez um sucesso gigantesco, chegando mesmo a ser a primeira animação a ser indicada ao Oscar como melhor filme.

 Essa nova versão, atualizada por Stepehen Chbosky e Evan Spiliotopoulos, e tendo a experiência de Bill Condon na direção, que fez de tudo um pouco (desde "Deuses e Monstros" até  "A Saga Crepúsculo") é esplendidamente luxuosa, com um cuidado técnico espetacular e deslumbrantes cenários e figurinos. Ou seja, tudo o que se espera de um padrão Disney "classe A".

 Quanto a história, todo mundo já conhece, a tal "fera" do título era um príncipe arrogante, que enfeitiçado por uma bruxa, torna-se um ogro detestável e rabugento. Assim como ele, os empregados de seu palácio também são amaldiçoados, e se transformam em objetos. A jovem Bela, que teve seu pai capturado pela Fera, se oferece como prisioneira em troca do pai, e passa a conviver com o cotidiano do ogro ranzinza e seus criados transformados em objetos falantes. Aos poucos, ela se afeiçoa por ele. Mas um outro príncipe ganancioso surge no caminho como obstáculo.

 As canções que existiam no desenho, todas elas, estão de volta, além de alguns acréscimos (a projeção ultrapassa os 120 minutos!) Funciona tudo como um grande espetáculo para se ver no teatro, mas mesmo na tela grande, há um bom impacto. O elenco, encabeçado pela inglesa Emma Watson, que não faz jus ao adjetivo bela (mas, na verdade, nem mesmo a personagem) e o ainda pouco conhecido Dan Stevens ("O Quinto Poder") como Fera, tem ainda Luke Evans, como o antigalã Gaston, Kevin Kline como o pai da Bela, e ainda grandes nomes como os objetos, mas que aparecem no fim em carne e osso: Emma Thompsom (cantando a música tema, como o simpático bule), Ian McKellen, Stanley Tucci, Ewan McGregor, Audra McDonald, Gugu Mbatha-Raw... Além disso, o gordinho Josh Gad, que emprestou sua voz para Olaf em "Frozen - Uma Aventura Congelante", faz aquele que é conhecido como o primeiro personagem assumidamente gay da Disney, o serviçal de Gaston, mas essa condição sexual aparece de forma implícita.

 Enfim, um encanto de produção para todas as idades, mesmo não sendo superior à animação de 1991. Ou seja, certamente, vale o ingresso. Abraços!

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sábado, 14 de janeiro de 2017

Moana - Um Mar de Aventuras

 Todo começo de ano, época de férias, tem que estrear nas telas uma produção Disney de qualidade para a garotada. E eis que surge este Moana, uma emocionante aventura, que garante o espetáculo para quem procura um bom entretenimento.

 A dupla de diretores Ron Clements e John Musker são especialistas em animações do estúdio, tal como "A Pequena Sereia" e "A Princesa e o Sapo", e o roteiro liderado por Jared Bush focaliza a trama em mais uma figura feminina guerreira e determinada, de uma certa forma também princesa, embora não goste de ser chamada assim.

 Bom, a tal "princesa" de nome Moana é uma nativa de uma tribo localizada em algum lugar da Oceania, que está disposta a conhecer suas origens e determinada a desvendar um mito sobre monstros marinhos, que deixam o mar inabitável. Ela precisa da ajuda do semideus Maui nessa aventura, mas a incompatibilidade de gênios entre a dupla é um grande obstáculo. Ainda assim, persistem em sua jornada.

 Se analisarmos todas as animações de Disney, esse aqui não é exatamente original, e está de longe de estar numa lista entre os cinco ou dez melhores. Afinal de contas, os temas relacionados à busca da identidade, da autoconfiança, das descobertas de obstáculos já foram vistos antes em diversos filmes do estúdio, como "O Rei Leão", "Pocahonthas", "Mulan", e por aí vai. Em todo caso, é sempre interessante observar que as heroínas de pele branca, há um bom tempo, tem dado espaço para outras de origem africana ou índigena, o que também sucede aqui, o que deixa a narrativa mais curiosa acerca de culturas não dominantes no ocidente.

 Como não poderia faltar, há belas canções, e alguns personagens coadjuvantes que roubam a cena, como o caso do galinho atrapalhado, que não tem falas, mas consegue mesmo assim divertir a plateia. Outro ponto comum nos longas da Disney é o romance não correspondido, a princípio, entre seus protagonistas, que no decorrer da história vão se aproximando aos poucos. O semideus é inspirado no ator Dwayne Johnson, mais conhecido como "The Rock", repleto de músculos e tatuagens, e é dublado pelo próprio (caso alguém queira ver a versão original, se é que ela está passando).

 Enfim, se envolver com a animação é tarefa muito fácil, o cuidado técnico é impressionante e apenas mostra que o departamento técnico de longas para desenhos melhora com o passar dos anos, afinal, tudo é espetacular. Portanto, esqueçam os clichês, os lugares comuns da trama, e se envolvam com as aventura de Moana. Abraços!

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sábado, 29 de outubro de 2016

O Lar das Crianças Peculiares

 O diretor Tim Burton ficou de fora da sequência de "Alice no País das Maravilhas" (como cineasta), mas encarou essa adaptação literária de Ransom Riggs (adaptada por Jane Goldman), que tem muito em comum com o estilo "peculiar" dele.

 Dessa vez não temos Johnny Depp no filme, mas os elementos do absurdo e do surreal fazem parte dessa narrativa, muito bem fotografada e tecnicamente competente. O garoto Jake, junto com seu pai, parte para uma ilha da Escócia, que era frequentada há muito tempo atrás pelo seu próprio avô quando garoto. Lá, ele descobre um casarão enorme, em ruínas, após ser destruído durante a Segunda Guerra Mundial. O fato é que se trata de um lugar mágico, comandado pela excêntrica Miss Peregrine, e repleto de crianças com suas peculiaridades: há a menina superforte, o garoto invisível, o garoto que tem abelhas na boca... Jake, então, consegue ter acesso a esse lugar, e entra em contato com todos seus habitantes. Miss Peregrine, inclusive, encontrou uma forma do casarão não ser destruído, ao voltar o tempo através de seu relógio, todos os dias, alguns minutos antes do fatídico acidente. Assim, a harmonia prevalece, embora haja alguns vilões que almejam destruir o lar das crianças peculiares.

 Certamente, o sucesso dessa fita é garantido por atrair boa parte do público que frequenta as salas de cinema na atualidade, na verdade fãs de filmes como "Harry Potter" e "Percy Jackson", além dos admiradores do cineasta.  E, realmente, não há ninguém melhor do que Burton para dialogar tão bem com o fantástico e o absurdo. Afinal, além de deixar o visual do filme belíssimo em toda a qualidade técnica da produção, ele consegue, ao mesmo tempo, encantar e divertir através das características de seus personagens, um grande delírio mágico. No entanto, torna-se repetitivo e até mesmo entediante, nas cenas finais em que o óbvio maniqueísmo ganha cena na típica luta travada entre o bem e o mal. Há perseguições bacanas, mas nenhuma delas se torna memorável.

 Mas o elenco ajuda! Eva Green, que já havia feito com Burton "Sombras da Noite" encabeça o time como a excêntrica Miss Peregrine. Embora a francesa Green já tenha 36 anos, e tenha atuado em outros filmes em papéis de destaque, ainda não se tornou a estrela que merece, talvez sua oportunidade comece agora, já que está magnífica no papel. Ao lado dela, o jovem inglês Asa Butterfield (de "O Menino de Pijama Listrado") também não faz feio e esbanja carisma. O elenco de apoio é repleto de nomes famosos como Samuel L. Jackson, que só diz a que veio na metade da projeção, e outros desperdiçados em papéis pouco memoráveis, como Judi Dench, Rupert Everett e Allison Janney. O veterano Terence Stamp tem um prólogo interessante como o avô de Jake. Enfim, independente dos destaques, Burton sabe conduzir bem os atores com quem trabalha.

 Não se pode dizer que este trabalho esteja entre os melhores do diretor de "Edward - Mãos de Tesoura" e "Ed Wood", nem mesmo é melhor que o já mencionado "Alice"; mas, garante o ingresso e dá ao público uma sensação de desejo para se apreciar futuras sequências. Por isso, vale conferir. Abraços!

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domingo, 24 de julho de 2016

A Lenda de Tarzan

 O simpático herói do título já protagonizou diversos filmes, até mesmo uma popular animação da Disney. Dos filmes, sem dúvida, o mais popular é aquele que inspirou diversas sequências, e que teve início em 1932 com "Tarzan, o Filho das Selvas", com o astro Johnny Weissmuller. Agora chega às telas essa nova versão, dirigida por David Yates, dos últimos filmes da saga "Harry Potter".

 Tarzan agora atende pelo nome John Clayton, e vive numa mansão em Londres com sua esposa Jane. Vivem infelizes com a perda de um filho, mas Jane fica animada quando seu marido recebe um convite para voltar ao Congo, onde trabalhará como emissário de comércio do Parlamento. No entanto, eles nem imaginam que isso tudo é um plano do inescrupuloso Leon Rom, que fez acordo com o chefe de uma tribo, Mbonga, que deseja a cabeça a prêmio de Tarzan, por conta de ajustes de conta referente ao passado.

 Nem precisa dizer o quanto o cinema evoluiu tecnicamente, que chegamos a pensar que não tem mais por onde evoluir. Tudo é majestoso e deslumbrante, desde a fotografia, passando pelos efeitos sonoros, e as brilhantes cenas de ação pela selva do Congo. No entanto, o roteiro, de Adam Cozad e Craig Brewer, mais uma vez inspirado no universo de Edgar Rice Burroughs, não mostra muito de diferente daquilo que já conhecemos sobre o personagem; apenas capricham na ação, colocam uma Jane mais valente que sensível, e esqueceram da macaca Cheeta, que ficou de fora da projeção. Mas animais é o que não falta, e o público é brindado pela diversidade da fauna africana, comandada por barulhentos gorilas, e até mesmo hipopótamos ferozes (!).

 No papel central, o sueco Alexander Skarsgaard, filho do veterano Stellan Skarsgaard, tem boa forma física e interpreta o papel que lhe cai como uma luva (apesar de já ter 39 anos, o ator é mais popular na tv, com a série "True Blood"; este aqui é o filme de sua carreira). Samuel L. Jackson diverte a plateia sendo alívio cômico, como o parceiro do "homem macaco", que tem dificuldades culturais em terras distintas. Há também Christoph Waltz, em mais uma típica composição de vilão, Djimon Hounsou, bem caracterizado como o Chefe Mbonga, e a melhor do elenco, a bela Margot Robbie, de "O Lobo de Wall Street", no papel da doce e determinada Jane, transmitindo charme para a história.

 No mais, temos um blockbuster agradável, tecnicamente espetacular. É a pedida certa para quem procura cinema como entretenimento. Como eu mencionei antes, esqueçam maiores novidades na narrativa, e se divirtam com o visual da película, arrebatador. E vamos aguardar as prováveis sequências de uma possível nova franquia que se iniciou aqui. Abraços!

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sábado, 23 de julho de 2016

Caça-Fantasmas

 Já que a moda de atualizar clássicos dos anos 80, e quem sabe refazer franquias, continua de pé em Hollywood, chegou a vez de uma nova versão de "Ghostbusters", enorme sucesso de 1984, e que teve uma sequência em 1989. A diferença é que agora temos caçadoras como protagonistas.

 Tudo começa quando Erin Gilbert torna-se acadêmica e respeitada, por isso deixa de lado essa história de caçar fantasmas. Porém, quando sua colega Abby Yates publica um livro que revela sobre essa estranha especialidade de ambas, compromete a carreira de Erin. Assim, desmoralizada, e como passa a acreditar que fantasmas estão atacando Nova York, se junta a antiga parceira, e ainda com outras duas -Jillian Holtzman e Patty Tolan (esta útlima, ex guichê de metrô)- e passa a exterminar tudo o que é fantasma que encontra pela frente.

 O mais bacana dessa fita, e que mantém o charme nostálgico das duas produções anteriores, é que o logotipo dos caça-fantasmas permanece o mesmo, assim como a aparição do monstrengo Geleia (ainda que ele não seja chamado pelo nome por ninguém), e principalmente a excelente trilha sonora. O diferencial aqui, nesse roteiro escrito pelo próprio diretor Paul Feig, junto com Katie Dippold, é o fato de se ter protagonistas mulheres, todas elas comediantes. Isso, aliás, é hábito na filmografia de Feig, que sempre coloca mulheres como as heroínas em suas comédias de ação. Falando nisso, é exatamente o que ocorre aqui: ação. Há muito humor, mas dessa vez Feig está discreto e não escracha muito. Por isso, sua atriz favorita, Melissa McCarthy, aparece mais discreta (e menos gorda também), não brilhando muito como em outras fitas que fez com Feig, como "Missão Madrinha de Casamento" e "A Espiã Que Sabia de Menos".

 Ainda no elenco, a protagonista de fato é Kristen Wiig (também de "Missão Madrinha de Casamento"), que faz a mais cerebral, e também a mais atrapalhada, do quarteto. As outras duas são menos famosas, Kate McKinnon e Leslie Jones, ambas do humorístico ""Saturday Night Live", cada uma com seu humor peculiar. Entre os homens, o bonitão "Thor" Chris Hemsworth surpreende e rouba a cena como o secretário lesado e fora de órbita. Há também um tanto envelhecido Andy Garcia como o prefeito e Charles Dance como o chefe de Wiig, fora as pequenas participações de astros do original, como Bill Murray, Dan Aykroyd, Sigourney Weaver, Ernie Hudson e Annie Potts, realçando a força da nostalgia.

 Enfim, ainda que não se dê grandes gargalhadas, é simpático e divertido. Quem sabe faça a nova geração sentir curiosidade e conhecer o original; isso seria formidável! Abraços!

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segunda-feira, 16 de maio de 2016

Capitão América: Guerra Civil

 E eis que estreia com muita expectativa o terceiro filme da série Capitão América, intitulado por Guerra Civil. Fortíssimo candidato a blockbuster do ano, as bilheterias lotaram na primeira semana. Aproveitei a oportunidade e assisti no Cinepólis do Shopping JK Iguatemi, naquela sala especial em que as cadeiras se mexem e um ar congelado refresca a sala, dependendo da cena do momento. Essa foi uma travessura que demorarei a fazer novamente, pois o ingresso é caríssimo (mesmo meia entrada!), mas valeu a diversão.

 Essa aventura foi mais uma vez comandada pelos irmão Anthony e Joe Russo, do "Soldado Invernal". Aqui, ainda que "o" estrela seja mesmo o Capitão América, quase todos os Avengers estão no elenco, com a exceção de Thor e Hulk. O roteiro de Christopher Markus e Stephen McFeely, adaptado dos quadrinhos de Mark Millar, sabe aproveitar bem os demais heróis, mesmo com o excesso de personagens, e algum momento ou outro todos tem direito de dar o seu canto do cisne.

 A premissa faz lembrar outro filme recente de heróis,o da DC Comics, "Batman vs. Superman"", no sentido de que o governo americano está saturado com as irresponsabilidades dos heróis, e por isso, pretende estabelecer um painel, comandado pela ONU, em que os heróis somente entrarão em cena caso solicitados. Isso é acatado por alguns, mas nem todos concordam com essa decisão. Por isso, eles acabam duelando entre si: de um lado o Capitão América se alia com seu melhor amigo Soldado Invernal (manipulado por um temível vilão), Falcão, Aqueiro, Feiticeira Escarlate e Homem Formiga, formando o grupo que se opõe às decisões do governo; e do outro lado, o Homem de Ferro se une com a Viúva Negra, Máquina de Combate, Pantera Negra, Vision e Homem Aranha, a favor das decisões governamentais. Enquanto eles duelam, o tal vilão mencionado acima (que controla a mente do Soldado Invernal), Zemo, arquiteta seu plano de vingança, cujos motivos serão revelados no final.

 Não tem segredo para se realizar uma fita de ação interessante e bem-sucedida: basta apenas aproveitar tudo aquilo de excelente que o gênero proporciona, e caprichar! Felizmente, quase todas as produções Marvel para cinema, conseguem esse feitio; bem diferente da DC Comics, que com seu já mencionado "Batman vc. Superman" apenas entregou um blockbuster chato, cansativo e longo demais. Ok, a projeção desse 3° episódio do Capitão América (que pode ser considerado, como um "mini Avengers") também é longa; mas o interesse do espectador está sempre presente até o desfecho. Além disso, diga-se de passagem, esse foi o melhor filme da série.

 Falar do elenco é uma tarefa difícil:Chris Evans comanda o espetáculo (afinal, o filme é dele); Robert Downey Jr. persiste com o seu hilário Homem de Ferro, e conserva todo o cinismo e ironia que o personagem esbanja (alguns críticos acharam o Iron Maiden mais contido e sério; eu não!); Scarlett Johansson esbanja talento, beleza e carisma como a Viúva Negra (hoje em dia eu topo tudo que é filme, desde que tenha Scarlett no elenco!); Don Cheadle, como o Máquina de Combate, é outro excelente ator; Jeremy Renner surge de repente com seu Arqueiro, quando até tínhamos esquecido dele, e não fica atrás de seus parceiros; Elizabeth Olsen também tem grandes momentos como a Feiticeira Escarlate. E ainda: Sebastian Stan (Soldado Invernal), Anthony Mackie (Falcão), Chadwick Boseman (Pantera Negra) e Paul Bettany (Vision) são outros que se destacam (os dois últimos surgem pela primeira vez numa produção Marvel). No alívio cômico estão o Homem Formiga (Paul Rudd) e o Homem Aranha, dessa vez interpretado por um novato, Tom Holland, que encarna o personagem como de fato ele é: um adolescente nerd muito "maroto".

 E não para por aqui, pois há muitos outros famosos em papéis pequenos: a interessante canadense Emily VanCamp (que já esteve no episódio 2) mais uma vez como interesse romântico do Capitão América, e com algumas sequências de luta; William Hurt e, quem diria, o "hobbitt" Martin Freeman representando o governo americano; a excelente Alfre Woodard, no começo, quando dá um belo de um "toim" no Homem de Ferro; John Slattery e Hope Dais em cena de flashback como os pais do Homem de Ferro; e a minha favorita, Marisa Tomei, como a tia de Peter Parker, mais uma vez repetindo a cena com Robert Downey Jr. (o curioso é que todas as intérpretes de May Parker eram bem senhoras, apenas Marisa aparece bem jovem, mesmo aos 51 anos). Por fim, o grande vilão é feito pelo espanhol Daniel Brühl, que depois do sucesso de "Adeus, Lênin", tornou-se astro no States.

 Enfim, Guerra Civil nos faz recordar o quanto prazeroso é esquecer dos problemas e se entregar a um puro momento de descontração, feito com qualidade de primeira, e que te faz ter vontade de querer repetir alegrias como essa várias vezes. Vale a pena encarar, mesmo que numa sala 2D simples, essa grande aventura da indústria do entretenimento. Imperdível!

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quinta-feira, 5 de maio de 2016

O Caçador e a Rainha do Gelo

 Quatro anos após "Branca de Neve e o Caçador", surge essa espécie de sequência, mas sem a mocinha do título que acompanha a produção original de 2012. Dessa vez o diretor também é outro, o novato Cedric Nicolas-Troyan,e mudaram também os roteiristas, Evan Spiliotopoulos e Craig Mazin. Felizmente, no entanto, a atriz original que fazia a rainha permanece, Charlize Theron.

 Na verdade, Charlize torna-se o principal atrativo dessa fábula, que agora se inspira também no popular e amado por crianças de todas as idades, "Frozen - Uma Aventura Congelante". O que pode desapontar os pequenos fãs, contudo, é que a Rainha do gelo, amargurada e decepcionada com os caminhos que a vida lhe proporciona, é na verdade uma vilã.

 A Rainha Freya é irmã da Ravenna da Charlize Theron, e após uma decepção amorosa se isola em seu reino gelado e proíbe que haja amor por ali. Porém, para desespero dela, dois de seus pupilos, ao crescerem, se apaixonam perdidamente, e isso provoca sua ira. Entra em cena também Ravenna, que tem contas a acertar com Branca de Neve.

 Assim como Charlize, o bonitão do momento, Chris Hemsworth retorna como o Caçador, mas não faz nada de diferente do que já tinha feito, além de arrancar mais suspiros da plateia feminina. O maior defeito do roteiro é a ausência de Branca de Neve, que apenas aparece em uma cena de costas, feita por uma figurante qualquer. Isso soa ruim, já que trata-se de uma personagem mencionada na projeção constantemente, e que por isso, deveria ganhar a cena. Mas, como isso não sucede, dá uma sensação de falsidade essa tão planejada vingança contra a princesa; parece uma briga com o invisível.

 Quem interpreta a Rainha do Gelo é a bela e interessante Emily Blunt, que tem se especializado em fitas de contos de fada pelo jeito (ela teve papel de destaque no recente "Caminhos da Floresta"). Há também Jessica Chastain como a jovem apaixonada, e correspondida, pelo Caçador, mas ela não tem a menor química com ele em cena, com visual mais envelhecido, o que deixa evidente que essa escolha para o papel não foi perfeita.

 Fora isso, há momentos de alívio cômico com a presença de dois casais de anões atrapalhados, e que se aliam ao Caçador. Apesar da boa qualidade técnica, a previsibilidade das situações deixam a diversão monótona e cansativa. Até mesmo as piadas dos anões não são lá tão engraçadas. Enfim, realmente é mesmo Charlize Theron que faz tudo valer a pena, sobretudo o retorno dela no meio da projeção, esplêndido. Mas não sei se vale o ingresso. Abraços!

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segunda-feira, 28 de março de 2016

Batman vs. Superman: A Origem da Justiça

 Realmente a campanha de marketing na indústria do entretenimento é surpreendente. Afinal, não é de agora que se fala tanto desse blockbuster, certamente o mais esperado entre todos. E, obviamente, se inicia aqui uma franquia que acredito que terá vida longa na tela grande.

 Bom, os roteiristas Chris Terrio e David S. Goyer tentaram ser fiéis ao máximo na caracterização dos populares personagens de Bob Kane e Bill Finger ("Batman") e Jerry Siegel e Joe Shuster ("Superman"). O resultado é este não exatamente grande filme, mas sim filme grande, numa luxuosa e esplêndida produção que não economizou na grana, e se vê na tela tudo o que foi gasto, é fato.

 Quanto a história, Batman tem uma crise de ciúme ao saber da existência de Superman. Para piorar, conforme informações divulgadas pela mídia local, o homem de aço ganha a fama de ser o responsável pela morte de diversas pessoas inocentes, o que choca a todos, sobretudo o homem morcego. Assim, Batman resolve tirar a história a limpo e enfrentar seu mais novo adversário. Quem se diverte com isso tudo é o maligno Lex Luthor, que como sempre, almeja ver o circo pegar fogo para se sair bem, costumeiramente. E há também a abelhuda da repórter Lois Lane que sempre atrapalha seu marido "Super Clark", que precisa interromper seu serviço para salvá-la dos apuros que ela vive se metendo. E eis que após muito lenga lenga, chega uma nova heroína na história: sim, a Mulher Maravilha, que promete ser outro obstáculo para Luthor e suas perversas criaturas.

 Evidentemente, eu simplifiquei com muito bom humor aquilo que teve a intenção de ser uma história complexa e muito detalhada. Mas, no final das contas, o que o público sempre quer ver são os espetaculares momentos de ação e luta, principalmente os iludidos que ainda compraram ingresso para o 3D (ou aqueles, que como eu, ficaram sem opção e precisaram encarar os típicos óculos escuros). Enfim, como já mencionei antes, a fita é extremamente longa, e por isso, torna-se chata, cansativa e até mesmo entediante. As cenas de ação que se tem são tão superficiais e óbvias, que não impressionam em absolutamente nada (a final, sim, é boa; mas pra chegar até lá, tem chão!). Os fãs aprovaram a fidelidade dos quadrinhos transpostos para as telas, mas eu achei o passatempo interminável. Nada contra produções com longa projeção, afinal, eu admiro muito a trilogia "Hobbitt", e também a dos anéis, que são até mais longas; e aprecio muito também "The Avengers", cuja projeção é mais ou menos do mesmo tamanho desse "Batman vs. Superman", mas tem conteúdo, cenas eletrizantes, e o melhor ainda, senso de humor (que faz muita falta aqui).

 Além disso, achei muito estranho o fato de que o diretor Zach Snyder tenha pedido à imprensa americana sigilo sobre as surpresas que o filme reserva, para não estragar a diversão. Mas, onde estão tais surpresas???? Que a Mulher Maravilha entra em cena, todos sabem... (aliás, o filme quase acaba sem ela entrar na trama). É possível que o grande segredo é aquele do fim, que é a abertura para a inevitável sequência, e que a "adolescentaiada" já está contando para todos os quatro cantos do mundo; sim, é a era do Spoiler!

 Vamos ao elenco: Ben Affleck pode ser bonitão e tudo mais, mas é horrível e canastrão em tudo quanto é filme em que atua; aqui não é diferente, e faz sentir falta de Christian Bale; Henry Cavill, como Superman, compromete menos por ter menos fama, mas também é horrível; A tal da Gal Gadot, que fez um monte de "Velozes e Furiosos" até que se encaixa bem como Mulher Maravilha, mas já vi queixas da plateia que preferia aquela lutadora de UFC no papel, a Ronda Rousey (oh, Meu Deus!). Enfim, ela terá mais ação mesmo nos próximos filmes, assim imagino. Quanto aos coadjuvantes, Amy Adams só atrapalha como a Lois Lane (embora a culpa é da personagem e não da atriz); Laurence Fishburne (chefe de Clark e Lois), Jeremy Irons (mordomo Alfred) e Diane Lane (Martha Kent) são desperdiçados em cena e fazem muito pouco (Diane Lane, ao menos, é sequestrada para ganhar algum holofote); Holly Hunter retorna em cena como uma senadora megera, e fala com uma batata na boca (isso me incomodou muito); Kevin Costner ressurge em cena de sonho como o pai de Kent, e também não acrescenta nada; e o melhor do elenco é Jesse Eisenberg como o vilão Lex Luthor, o único que compõe um personagem interessante, e que serve até mesmo como alívio cômico.

 No fim das contas, o mérito está no final, onde qualquer possibilidade de clichê é quebrada. E mesmo que cause algum desapontamento no público, digo de novo, terá sequências que irão trazer novas alternativas. Não digo que não gostei da película, mas saí da sala com uma enorme vontade de assistir ao próximo episódio de "The Avengers", essa sim, uma franquia bem-sucedida e completa em todos os sentidos. Mas, infelizmente, não posso mentir: Batman vc. Superman deixou a desejar. Mas assistam e tirem suas próprias conclusões. Abraços!

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sábado, 5 de março de 2016

Orgulho & Preconceito e Zumbis

 Como está na moda o tema "zumbis", graças especialmente ao seriado de grande sucesso, "The Walking Dead", Hollywood agora resolve inserir os seres comedores de carne humana na literatura clássica. Assim, o diretor e roteirista Burr Steers adaptou os quadrinhos de Seth Grahame-Smith, que por sua vez adaptou o clássico romance de Jane Austen. E o resultado é essa sátira, que conferi no cinema.

  Bom, não se trata exatamente de sátira. Ou seja, não espere comédia escrachada e grosseira no estilo "Todo Mundo em Pânico" ou "Inatividade Paranormal". Há humor, claro, já que a situação absurda pede isso, mas de forma refinada. E há também muito romance, já que a obra de Austen não foi deixada de lado, jamais.

 Quanto a história, as irmãs Bennett tiveram aulas de defesa na China, com o intuito de conseguir se defender de ataques de ferozes zumbis que, sabe-se lá como, voltaram a vida e atacam as pessoas. A mais velha delas, Elizabeth, é geniosa e destemida, não pensa em se casar jamais. No entanto, tudo pode mudar, ao ser cortejada pelo policial, e caçador de zumbis Mr. Darcy, e mais tarde, também por outro oficial, George Wickham. Mas os inconvenientes mortos não querem deixar os vivos em paz. Por isso, Elizabeth está mais atenta à sua defesa e não ao amor.

 Essa mistura de romance, aventura e horror funciona bem, trata-se de um passatempo despretencioso e divertido, que reserva algumas interessantes surpresas no final (inclusive, o final aberto deixa claro que haverá sequência). O elenco bacana, composto por jovens promissores como Jack Huston, Sam Riley, Bella Heathcote, Douglas Booth, e outros veteranos como Lena Headey (também vilã como em "Game of Thrones") e Charles Dance, atua a vontade. Apenas a protagonista Lily James, que recentemente viveu "Cinderella", não tem porte e nem beleza suficiente para heroínas românticas (isso, inclusive, é até satirizado na fita); todavia, também não atrapalha.

 Enfim, um bom programa, não é repulsivo para quem não aprecia filmes de terror, mas também não deixa os fãs do gênero entediados; dá para curtir tranquilamente. Abraços!

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