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quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

Vidro

 Eu já tinha perdido a esperança no cineasta M. Night Schyamalan, que surgiu bastante promissor com o aterrorizante "O Sexto Sentido", em 1999. Contudo, a sucessão de filmes ruins, sobretudo os de ficção científica, demonstravam uma infeliz decadência, inclusive na história, já que ele é roteirista de seus filmes, como também acontece aqui em "Vidro". Mas ele voltou com tudo em 2016 com "Fragmentado", e felizmente seu novo filme não decepciona.

 Falando em Fragmanetado esse Vidro é uma sequência desse e também de um outro filme que ele fez lá atrás, "Corpo Fechado", em 2000. A ideia de ligar todos esses filmes demonstra que Schyamalan tem excelente criatividade, pois entrelaçar todas essas histórias não parece algo fácil; e ele conseguiu com maestria.

 Para quem não lembra de Corpo Fechado (ou para quem não viu), o protagonista David Dunn, que era segurança, tem o dom de sentir o "caráter" das pessoas com um simples toque. No passado, ele foi o único sobrevivente num acidente ferroviário, e isso causou espanto, já que não havia chances de alguém sobreviver; e como ele saiu ileso, seu filho concluiu que ele só poderia ser um super-herói. No presente ele e o filho (agora adulto) trabalham na caça de um perigoso serial killer, que possui 24 personalidades, e que sequestrou um grupo de garotas. Quando Dunn o localiza, com a personalidade da Fera (visto em Fragmentado), o duelo de titãs é interrompido pela polícia, que os deixam sobre o controle da psicóloga Ellie Staple, que tenta convencê-los de que são homens comuns. Aí entra outro personagem de Corpo Fechado, Elijah Price, debilitado e em cadeira de rodas (o oposto de Dunn, representando a extrema fraqueza), que também passa pelo tratamento da doutora. Entretanto, todos eles juntos, no mesmo espaço, fazem surgir ideias perigosas.

 A trama pode parecer complexa, mas faz uma leitura bacana sobre o mito do super-herói, destacando suas habilidades, mas também os pontos fracos. A expectativa de suspense, de que algo inusitado e surpreendente vai acontecer em cena, acompanha constantemente o espectador. E, de fato, há boas reviravoltas em uma conclusão eficiente, que faz lembrar um pouco os filmes da franquia "X-Men".

 O elenco conta com três astros em forma, James McAvoy comprovando ser um dos grandes atores de sua geração, ao reviver as 24 personalidades em um corpo só (embora a maioria seja "figurante"), com uma expressão aterrorizante e demoníaca; Bruce Willis não faz feio, embora conserve o irritante biquinho ao interpretar mais uma vez David Dunn; e o melhor do elenco, Samuel L. Jackson, em uma entrada triunfal e enigmática, além de responsável pelos momentos de grande tensão, como Elijah Price, o "vidro" do título. Há também a excelente Sarah Paulson (de "12 Anos de Escravidão" e da série "American Horror Story") como a psicóloga, e a sobrevivente de Fragmentado, Anya Taylor-Joy (na verdade não faz muito sentido o retorno dela, mas não deixa de ser um ponto importante na conclusão). Juntam-se a eles outros atores de Corpo Fechado: Spencer Treat Clark, o filho de Bruce Willis, e Charlayne Woodard, como a mãe de Samuel L. Jackson (curiosamente, ela é cinco anos mais nova que ele na vida real!).

 Enfim, um eletrizante suspense, que requer paciência e concentração para se deliciar e se envolver com uma trama muito bem escrita e conduzida por Schyamalan, que agora parece ter recuperado a mão cheia. Abraços!

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sábado, 16 de dezembro de 2017

Assassinato no Expresso do Oriente

 Fazia tempo que a grande escritora Agatha Christie não era adaptada para os cinemas. Mas o diretor e ator Kenneth Branagh resolveu fazer um remake de uma das maiores obras dela, que teve sua primeira versão assumida por Sidney Lumet em 1974. Aqui, com roteiro adaptado por Michael Green, também conseguiu reunir um elenco estelar, na qual ele próprio interpreta o protagonista: o popular detetive Hercule Poirot.

  Em um luxuoso expresso, repelto de diversos passageiros, partindo de Istambul para vários pontos da Europa, acontece um inesperado assassinato e a vítima é o milionário Edward Ratchett, que mais tarde o tempo vai mostrar ser ele um homem inescrupuloso. O detetive Hercule Poirot, que se autodenomina como o melhor detetive do mundo, está presente no trem e começa as investigações. A conclusão que ele chega é a de que todos os tripulantes tinham razões suficientes para matar Ratchett, o que deixa o trabalho do carismático detetive muito mais denso e difícil.

 A reconstiuição de época, a direção de arte, a belíssima fotografia, as belas paisagens e os figurinos são de qualidades inquestionáveis. Para quem não conhece o filme original, e nem mesmo a obra de Agatha Christie, vale a recomendação de que este suspense policial não atende aos padrões de quem procura um entretenimento blockbuster com explosões, correria e sangue. Aqui tudo é refinado e exige uma compreensão de um público com um bom raciocínio lógico para não perder as informações que vão surgindo. Isso não significa que se trata de uma história difícil ou entediante; ao contrário, a diversão é garantida para quem se acostumar com o ritmo e os instantes de alívio cômico.

 Para o público que conhece o livro ou filme original, não há mudanças sobre a identidade do assassino, mas alguns elementos são modificados ou atualizados para trazer mais sabor para a narrativa. Na introdução, já acontece um crime solucionado por Poirot, feito de maneira irreverente, e que serve para deixar o público bem a vontade.

 No mencionado elenco estelar, Kenneth Branagh tem extraordinária caracterização, sobretudo nos longos bigodes, e consegue ser mais inspirado, e menos exagerado, que Albert Finney no filme de 1974. Há também Michelle Pfeiffer como uma rica viúva, Willem Dafoe como um professor, Judi Dench como uma princesa e Johnny Depp como o assassinato, todos perfeitos. A figura feminina central está caracterizada na jovem Daisy Ridley, como a governanta que mantem um caso com um médico negro (o pouco conhecido Leslie Odom Jr.), como um pretexto para mencionar também a questão racial (a trama é ambientada nos anos 30). Penelope Cruz tem pouco a fazer como uma missionária fanática, e está péssima. Há ainda outros nomes poucos conhecidos, mas em papéis importantes, como o veterano Derek Jacobi, Josh Gad, Olivia Colman e Lucy Boynton, todos entre os suspeitos.

 O que se pode dizer é que tudo é bem amarrado no roteiro, até chegar no surpreendente desfecho. Ou seja, uma história de suspense a moda antiga, bem realizada e interpretada, um brinde para um público que está esgotado com fitas de super-heróis ou  comédias escrachadas. No fim, há um ponto de partida sobre outra história de Christie, "Morte Sobre o Nilo", que provavelmente também será realizada por Branagh na direção e Green no roteiro. Vamos aguardar. Abraços!

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terça-feira, 17 de outubro de 2017

A Morte te dá Parabéns!

 De vez em quando, é bacana observar alguma produção menor e discreta que está passando nos cinemas, normalmente produções de terror, que acabam sendo curiosas e divertidas. É o que acontece com esse modesto filme, com uma história interessante.

 Não é exatamente uma fita de terror, está mais para um suspense bem-humorado; na verdade, quase comédia, já que o tom de sátira é bastante presente. E, também, não se trata de uma narrativa original, é praticamente uma versão teen do já cult "Feitiço do Tempo", com Andie MacDowell e Bill Murray (aliás, no fim, é feita uma homenagem a esse clássico dos anos 90, através da fala de um dos personagens).

 A jovem Tree Gelbman é uma estudante de medicina bonita e atraente. No entanto é também arrogante, rabugenta e insuportável como ser humano. Justamente por isso, é assassinada. Porém, após receber o golpe que lhe tira a vida, acorda na cama de um garoto que conheceu na noite anterior, e revive o mesmo dia. Toda vez que é assassinada, vai acontecendo tudo novamente. Enfim, após se acostumar com a nova rotina, Tree tenta descobrir, dentre as várias pessoas que têm motivos de sobra para matá-la, qual deles é seu assassino.

 Assim como sucedeu em "Feitiço do Tempo", não espere que aqui tenha alguma explicação sobre a repetição do tal dia. O que chama a atenção no roteiro, de Scott Lobdell, é a típica  sátira com as high school americanas, em que a luta pela popularidade e sucesso são as preocupações centrais das estudantes. As situações do assassinato da garota são engraçadas e repeltas de reviravoltas. Aliás, o final já apresenta uma situação inesperada, que pode ser decifrada antes, caso o espectador seja bem observador.

 O elenco é completamente desconhecido, repeleto de jovens iniciantes. Destaque para a protagonista, Jessica Rothe (de "La La Land: Cantando Estações") que passa por inúmeras situações inusitadas; aos poucos, o público tende a torcer por ela, pois é justamente depois que ela morre, que se torna mais simpática e, ironicamente, mais humana. O diretor Christopher Landon é jovem, mas já demonstrou talento no gênero com "Atividade Paranormal: Marcados Pelo Mal" e "Como Sobreviver a um Ataque Zumbi".

 Enfim, é um passatempo agradável e descontraído, pode ser encarado dessa forma tranquilamente; até mesmo por quem não curte fitas de horror. Abraços.

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sábado, 5 de novembro de 2016

A Garota no Trem

 Nos cinemas, este suspense considerado pela crítica e público como o "Garota Exemplar" do ano. Ainda que dessa vez seja sem a talentosa mão de David Fincher, diretor do filme mencionado acima, tem a experiente direção de Tate Taylor, que dirigiu "Histórias Cruzadas".

 Trata-se de uma adaptação de livro de Paula Hawkins (feita por Erin Cressida Bennett), e começa muito bem com uma mulher problemática e depressiva viajando constantemente de trem, e observando de forma fixa a casa onde seu ex-marido mora com a nova esposa (o casal tem um bebezinho). O fato é que essa mulher angustiada, de nome Rachel, acaba observando uma possível traição da nova esposa do marido e fica intrigada com essa situação. Para complicar um pouco mais, a babá do casal desaparece misteriosamente, e Rachel resolve ajudar nas investigações, para tentar encontrar um sentido para sua vida. Mas há muita coisa errada nessa estranha trama.

 O diretor Taylor apresenta um painel misterioso e inquietante a partir do início, em que divide a história em três pontos de vista, com a apresentação de suas três protagonistas; Rachel, Anna (a esposa) e Megan (a babá). Assim, o público pode esperar muitas reviravoltas e cenas em flashback que tentam esclarecer, ou embaralhar ainda mais, todos os fatos apresentados. O clima é envolvente, com uma atmosfera de tensão que coloca a plateia sempre na expectativa de algo surpreendente.

 O sucesso não seria o mesmo sem a forte presença de Emily Blunt no papel-título, bastante distante de suas heroínas belíssimas e finas. Surge em cena totalmente desglamourizada como a alcoólatra Rachel, que vive com um pé na insanidade (há rumores dela finalmente conseguir sua primeira indicação ao Oscar, mas as possibilidades são mínimas). A sueca Rebecca Ferguson (revelada no último "Missão Impossível") como a nova esposa e a jovem Haley Bennett ( "O Protetor", "Sete Homens e um Destino") no papel da promíscua babá também acertam no timing e contribuem para a sensação de mistério. E para não falar em exclusividade feminina, há os atores Justin Theroux (o ex marido de Rachel), Luke Evans (o marido da babá) e o venezuelano Edgar Ramírez (o psicólogo) como os homens envolvidos no conflito. Para completar o elenco, as boas atrizes Allison Janney, como a detetive Riley, e a muito envelhecida Lisa Kudrow, num papel aparentemente pequeno, mas que ressurge para uma surpreendente revelação.

 Como nem tudo é perfeito, quando o "quebra-cabeça" é montado e a verdade sobre a suposta traição de Anna e o sumiço de Megan são revelados, após inúmeras pistas falsas, tudo se torna previsível e deixa à mostra o típico clichê de telefilmes de suspense. Porém, de qualquer maneira, não se pode dizer que este não seja um passatempo atraente e dinâmico, valorizado pela sempre carismática Emily Blunt.

 Enfim, fica a dica para um suspense para se acompanhar nessas estranhas tardes frias de primavera. Abraços.

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quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Garota Exemplar

 Novo filme de David Fincher sempre causa bastante curiosidade no mínimo. Admito que me interessei bastante pelo pôster, e até resolvi adquirir o livro de Gillian Flynn, a autora que também foi a responsável pela adaptação. Após a leitura, conferi nas telas este suspense atraente e repleto de reviravoltas.

 Amy é uma jovem rica e muito bonita que fez sucesso no passado com uma revista adolescente de pesquisas, daquelas no estilo "Capricho", e faz popularidade com a personagem "Amy Exemplar". Conhece o jornalista Nick Dunne numa festa, por quem se apaixona, e acaba por se casar logo mais. O casamento é um verdadeiro mar de rosas, porém, com o passar do tempo, a relação vai se desgastando. E para piorar, Amy desaparece misteriosamente, e há uma forte suspeita de sequestro. Nick, embora preocupado, não demonstra muito sentimento, e justamente por isso é suspeito de ser o responsável pelo sumiço da esposa. A questão, enfim, é: o que houve com Amy?

 Fincher conduz este suspense com o cuidado na riqueza de detalhes (que são muitos) e de forma episódica, em que, a cada instante, surpreende o espectador com revelações inusitadas. A adaptação tentou ser o mais fiel possível, e apenas eliminou alguns personagens e outros detalhes (isso foi necessário, já que o excesso deles em cena já tende a confundir um pouco). O filme é dividido em duas partes: o desaparecimento de Amy, em que o público assiste ao presente, e as atitudes do marido e seu cotidiano, e também aos momentos de flashback, através do diário de Amy; e a segunda parte, Fincher resolve escancarar e apresentar quem de fato realmente é sua heroína. Este é o instante em que surge o clímax, e o interesse vai aumentando. A longa duração, contudo, e a demora para a resolução dos diversos conflitos, vão exigir uma santa paciência do espectador, que pode se desviar um pouco do enredo. Ainda assim, a curiosidade para se descobrir o que de fato aconteceu, e o que ainda está para acontecer, insiste em acompanhá-lo.

 Tecnicamente perfeito, como é de se esperar em produções dirigidas por Fincher, e com uma linguagem criativa, em que é focalizado o ponto de vista de cada um dos protagonistas, o cineasta também caprichou no elenco. Ben Affleck, normalmente apenas o bonitão "canastra", se sai muito bem como o marido suspeito de sequestro, e até mesmo, de um possível assassinato. Mas, de fato, é a bela Rosamund Pike (de "Orgulho e Preconceito" e "Jack Reacher - O Último Tiro" ) quem rouba a cena no complexo papel de Amy, numa interpretação chocante, modificando a personalidade e os sentimentos. Há, inclusive, boas possibilidades de uma indicação ao Oscar de atriz em 2015. Mas não para por aí, pois há muitos atores em cena: Neil Patrick Harris faz um ex-namorado também suspeito; a estreante em cinema Carrie Coon faz a irmã gêmea do herói; Tyler Perry interpreta o advogado; Kim Dickens e Patrick Fugit atuam como os detetives que investigam o caso; Sela Ward faz uma famosa apresentadora de telejornal, e assim sucessivamente. Como foi dito, há muitos personagens em cena, e é necessário prestar bastante atenção nas características deles.

 O filme seria melhor, por incrível que possa parecer, se tivesse uma adaptação mais livre e de acordo com a linguagem cinematográfica. O problema da tentativa de fidelidade à obra, é a ausência de cenas de ação, o que torna a película um pouco cansativa (apesar disso, há um assassinato eletrizante, bem sangrento, que surpreende). O desfecho, inclusive, também é prolongado, e a plateia precisa aguardar um pouco mais para a resolução, que, infelizmente, acaba desinteressante (na verdade, não há aqui um detalhe do livro muito importante, que faz falta e daria mais sentido para uma revelação). Em todo caso, é agradável de assistir esse retrato irônico e inusitado sobre uma relação matrimonial, e as alternativas que são utilizadas para escapar da rotina.

 Enfim, não acredito que será este o longa que finalmente dará o Oscar de diretor para David Fincher; nem garanto que ele possa ser indicado. No entanto, a originalidade de se mostrar um suspense diferente e fascinante é sempre um ato grandioso. Vale o ingresso, sem dúvida, e até mesmo uma reprise. Bom divertimento!

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domingo, 28 de setembro de 2014

Isolados

 Nos últimos tempos, o Brasil tem assumido uma atitude mais comercial com o seu cinema, e tem enveredado por gêneros comuns no cinemão americano, como o suspense e o terror, algo raro por aqui. Esse ano tivemos "Confia em Mim", e agora esse "Isolados", que possui um argumento mais voltado para o sobrenatural.

 Um casal, formado por um psiquiatra e uma paciente atormentada, resolve passar uma temporada numa casa de campo em algum lugar do interior. O problema é que o rapaz descobre, numa parada para gasolina, que perigosos assassinos estão a solta na região, e já mataram várias mulheres. Como ele está quase chegando no destino, resolve esconder essa informação da esposa. Mas o medo e a paranóia reinam constante na casa isolada, principalmente quando a jovem resolve fazer alguns passeios pela região.

 Apreciei bastante a atitude do cinema nacional em produzir fitas de gênero. Oras, por que não? Com produções assim, a tendência é despertar ainda mais o interesse do público em geral, que se delicia com histórias aterrorizantes. O roteiro, do próprio diretor Tomas Portella e Mariana Vielmond, não é exatamente o de uma história de horror, mas vai se assemelhando a esse gênero com as reviravoltas e as atitudes dos personagens, que sempre surpreendem. O grande problema são algumas pistas falsas sobre o passado dos protagonistas, o que cria expectativas sobre algum fato inusitado que surgirá em qualquer momento. Mas isso não sucede, e fica evidente o quanto o uso dos flashbacks foi desnecessário. Outro problema é a tentativa de se criar tramas paralelas, na pele de dois policiais que investigam os crimes da região, algo mal desenvolvido. Além disso, o cenário que serve de palco para o casal central, a casa isolada, é bonita por fora, mas totalmente desconfortável e rústica por dentro, enfim, um local que mais espanta do que atrai turistas. E há muitos clichês que fazem lembrar filmes como "Pânico na Floresta", "Sob o Domínio do Medo" e "O Sexto Sentido". Em todo caso, o entretenimento é garantido, e a película funciona. Afinal, não se pode esperar o máximo de criatividade em um gênero pouco explorado no país (com exceção das produções do Zé do Caixão).

 O diretor Portella, que fez antes a comédia "Qualquer Gato Vira-Lata" se saiu muito bem e constrói uma atmosfera agonizante e assustadora. Seu maior triunfo foi deixar os atores bem a vontade. Tanto Bruno Gagliasso quanto Regiane Alves atuam com muita segurança e encarnam nos medos, traumas, comportamentos e caráter dos personagens de forma surpreendente. Há também uma participação do recém falecido José Wilker (em seu último filme, a qual recebe uma bela dedicação no final), no papel de um médico, chefe do jovem interpretado por Bruno.

 Vale conhecer, se divertir e prestigiar esse simpático e aterrorizante suspense que, mesmo apesar de muitas falhas, é digno e respeitável. Que os nossos roteiristas possam se inspirar nele e desenvolver novas histórias desse estilo. Eu curti! Abraços!

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segunda-feira, 21 de abril de 2014

Confia em Mim

 Uma sugestão bem alternativa para quem gosta de produções nacionais é justamente esse Confia em Mim, a esteria em longas do cineasta Michel Tikhomiroff. A grande novidade é que se trata de uma história de suspense, algo fora do comum no cinema brasileiro.

 O roteiro, escrito por Fábio Danesi, não nega inspiração em filmes do mestre Hitchcock, e o filme não é tão surpreendente, se compararmos com outras produções americanas do gênero. Ainda assim, está acima da média, e tudo é feito redondinho e com um bom desfecho.

 Quanto a história, a chef de um restaurante Mariana (Fernanda Machado, de "Tropa de Elite"), após um longo dia de trabalho, vai com a amiga para um barzinho e conhece o sedutor Caio (Mateus Solano). O clima esquenta, ambos começam a namorar e até passam a morar juntos. O sonho tende a virar pesadelo quando Caio sugere que Mariana peça dinheiro emprestado para a própria mãe, que é rica, com o intuito dela mesma abrir um restaurante. Ela age dessa forma, confia o dinheiro e a parte burocrática nas mãos do namorado, e se surpreende quando ele desaparece de vez do mapa. A partir de então, ela tenta descobrir o paradeiro dele, enquanto tenta conviver com o fato de ter sido enganada.

 Ou seja, não há nada mais preocupante, principalmente para nós brasileiros, de sermos passados para trás e "entrarmos bem" após um investimento furado como esse que a protagonista passa. Não há como ficar indiferente aos problemas que ela passa, mesmo porque é muito fácil se sentir na pele dela. Há algumas reviravoltas e surpresas interessantes, e um excelente clima de suspense que deixa o espectador instigado até a conclusão, que termina de forma satisfatória (desculpe o spoiler).

 Tudo poderia dar errado se o diretor não tivesse sabedoria na hora de escolher seus protagonistas. Afinal, tanto Fernanda quanto Mateus estão esplêndidos e convincentes em seus papéis nesse embaraçoso jogo de gato e rato. Mateus, aliás, por conta da popularidade de seu recente personagem Félix, da novela "Amor à Vida", é o tipo de ator que consegue arrastar uma boa bilheteria. O que acaba sendo engraçado, e ao mesmo tempo constrangedor, é a ideia de que os trejeitos do efeminado Félix persistem no Caio, que não tem nada de homossexual. Isso apenas demonstra o quanto Mateus ficou marcado com o carismático vilão da novela. E os coadjuvantes ajudam em cena, como a pouco conhecida Fernanda D´Umbra, no papel da amiga Tereza (e responsável pelo alívio cômico) e Bruno Giordano, no papel do detetive Vicente, que se solidariza com a personagem de Fernanda (um fato bastante inusitado é termos aqui um policial que se entrega de corpo e alma ao caso, algo muito distante da realidade brasileira.)

 Enfim, recomendo este suspense com muito estilo e com uma característica bem brasileira. Afinal, se o mercadão americano de blockbusters possui muitas produções do gênero, nenhuma dela se compara com as características dessa estreia promissora do diretor Michel. Pague pra ver e divirta-se!

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quarta-feira, 12 de março de 2014

Sem Escalas

 Sem Escalas é o novo projeto do diretor Jaume Collet-Serra, que se uniu mais uma vez ao astro Liam Neeson, após o thriller "Desconhecido" de 2011. E ambos investem mais uma vez no gênero, e oferecem um suspense repleto de ação e reviravoltas.

 Neeson interpreta um policial, especialista em garantir a segurança em vôos. Em um desses, da Inglaterra para os EUA, ele passa a receber mensagens de texto anônimas em seu celular de um criminoso, que ameaça aterrorizar o avião, caso não receba uma alta quantia de dinheiro em troca. A partir de então, o policial tenta controlar a situação e tenta investigar por conta própria a identidade do vilão. No entanto, este começa a cumprir a promessa de matar 1 pessoa a cada meia hora. E a situação se complica quando o próprio policial torna-se o principal suspeito de tais crimes.

 Esperem aqui diversos clichês do gênero, desde uma criança inocente que surge como presa fácil do incidente, passando pela mocinha da história que conhece o herói no dia em que toda a ação ocorre, até chegar a um leque de suspeitos que estão presentes no vôo (sm, há um árabe no meio, e piadinhas esteriotipadas previsíveis). Apesar disso, o filme cumpre sua função: consegue deixar a plateia atenta constantemente durante toda a projeção. Mérito do time de roteiristas (John W. Richardson, Christopher Roach e Ryan Engle) que armam situações inesperadas, principalmente na originalidade das mortes das vítimas (ainda que no fim das contas sejam um tanto "forçadas"). Em todo caso, é daquelas fitas que nunca caem no tédio e despertam o interesse, principalmente por conta da complexidade do personagem central, na realidade, um policial melancólico, fumante compulsivo e aparentemente autodestrutivo.

 O elenco conta com a presença carismática da excelente Julianne Moore, como a passageira que puxa conversa com Neeson, o auxilia em diversas situações, e também acaba se tornando suspeita das ameças. Há também a bela inglesa Michelle Dockery (de "Hanna" e "Anna Karenina"), ainda pouco conhecida pelo público, no papel da aeromoça que também ajuda o personagem de Neeson. A maior novidade fica por conta da presença da recém oscarizada por "12 Anos de Escravidão", Lupita Nyong´o em seu 1° papel após o Oscar pelo filme mencionado. Há também um bom time de coadjuvantes, desde Shea Wighman (de "O Lobo de Wall Street"), como um outro agente no vôo e Scoot McNairy (de "Argo" e também de "12 Anos de Escravidão"), como um outro passageiro, ambos suspeitos de comprometer a segurança de todos.

 No final das contas, não há tantas novidades na história, principalmente pelo fato de que o gênero conta com diversas histórias semelhantes, tanto clássicas ("Aeroporto") como produções mais recentes ("Plano de Vôo"). As diversas pistas falas também são típicas de clichês, e a identidade revelada do criminoso, e seus reais motivos, não convencem satisfatoriamente. Ainda assim, Collet-Serra foi bem sucedido em armar um clima repleto de tensão. Ou seja, gostando ou não do resultado final, a plateia acompanha a projeção com muita empolgação e curiosidade até o fim. Por isso, está acima da média e merece uma conferida, principalmente em dias nublados ou chvosos. Até mais!

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domingo, 16 de dezembro de 2012

A Última Casa da Rua

 O pôster chamou minha atenção! Por isso, resolvi encarar esse suspense dirigido por um certo desconhecido chamado Mak Tonderai. Pelo título acreditava que se tratava do tema "casa mal assombrada", mas não é exatamente isso.

 O filme começa com um brutal assassinato, cometido por uma garota que assassinou os pais a sangue frio, e se suicidou em seguida. Alguns anos mais tarde, mãe e filha se mudam para a região, e alugam a casa vizinha, uma verdadeira mansão ( que, evidentemente, foi alugada por um valor baixo, já que o crime ocorrido no passado desvalorizou a região ). Os problemas surgem, quando a adolescente descobre que o filho do casal assassinado ainda vive na casa. Por razões óbvias, ele é evitado por todos e até é vítima de bullying. Isso simplesmente faz com que a garota se interesse por ele. Mas, há alguns segredos bizarros na casa do rapaz.

 O filme começa bem interessante, e seu prólogo parece informar que ocorrerá muitos fatos surpreendentes durante a projeção! Mas, isso não ocorre tanto! Há diversos sustos previsíveis, há uma reviravolta lógica e um clima de curiosidade acerca do garoto órfão. Entretanto, a impressão que se tem é a de que já vimos vários filmes semelhantes a esse. O roteirista David Loucka ( do fraco e mais ou menos parecido A Casa dos Sonhos ) contou com a colaboração do cineasta Jonathan Mostow ( de Breakdown - Implacável Perseguição ) no roteiro. E os diversos clichês esperados rodeiam o filme, desde a relação tumultuada entre mãe divorciada e filha adolescente, até o previsível relacionamento da garota com o "estranho da cidade". Ah, sim, e repleto de muitos jovens no elenco de apoio.

 Falando em elenco, a presença da talentosa e já estrela Jennifer Lawrence, torna-se a melhor coisa do filme. Depois de "Jogos Vorazes", e da indicação aos Oscar por "Inverno da Alma", a jovem já eleva sua popularidade às alturas, e provavelmente, receberá uma segunda indicação à estatueta de ouro pela comédia "O Lado Bom da Vida". E aqui, ela defende muito bem seu papel. Interpretando a mãe de Lawrence, temos a estrela dos anos 80/90 Elisabeth Shue, tentando dar a volta por cima e reerguer sua carreira. Ao menos, conserva sua boa aparência. O ator Gil Bellows ( de "Um Sonho de Liberdade" ) tem pouco a fazer como o xerife, e o jovem Max Thieriot ( de "Operação Babá" e "O Preço da Traição" ) tenta se tornar o galã da vez em seu enigmático personagem.

 Enfim, não se trata de um filme ruim. Gostei bastante de algumas resoluções. Ainda assim, é bem medíocre, apenas digno de uma espiada ( nem chega a ser terror, no fim das contas! ). Vale pela protagonista Jennifer Lawrence, uma grande promessa para o futuro. Abraços!

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sábado, 5 de novembro de 2011

Contágio

Aguardei a estreia desse filme com muita expectativa, pois o cartaz chamou a atenção pelo próprio título, e também pelos nomes que compõem o elenco estelar e a direção, Steven Soderbergh. Em seguida, li algumas críticas, todas elas negativas, e por isso, já não estava esperando tanta coisa. No entanto, até que gostei do filme sim.

Em 1995, o filme Epidemia, de Wolfgang Petersen, lotou as salas de cinema e foi um enorme sucesso. Cito esse filme, pois o contexto é bem parecido; a diferença é que aquele era pura ação, literalmente, com direito a momentos de correria e explosões, enquanto a produção de Soderbergh focaliza mais para a tensão e o drama que o contágio proporciona.

Tudo começa quando a americana Beth Emhoff ( Gwynrth Paltrow ) retorna ao seu país, após uma viagem de negócios na China, infectada com um vírus mais fatal que a gripe suína. A partir de então, esse vírus vai evoluindo e sendo transmitido para diversas pessoas, que morrem em pouco tempo. Estranhamente, o marido de Beth, Mitch Emhoff ( Matt Damon ) é imune e não se contagia. Enquanto isso, diversos médicos liderados por Dr. Ellis Cheever ( Laurence Fishburne ) e Dra. Leonora Orantes ( Marion Cotillard ) tentam diversas formas de combater a epidemia que se alastra por todo o mundo.

O roteiro de Scott Z. Burns, ao propor esse problema, sugere uma reflexão acerca de algo bastante comum na nossa realidade. A elevação do vírus é mostrada didaticamente pelas diversas palestras e explicações proporcionadas pelos doutores em cena. Aliás, essa é uma das críticas que fizeram contra o filme, que foi caracterizado por alguns críticos como um episódio "dialogado" de algum documentário do Discovery Channel. Em todo caso, fico aliviado com o fato de que a fita não estreou no auge da gripe suína, já que Soderbergh traz uma mensagem bastante assustadora e chocante sobre o tema. Afinal, quando boa parte da população já foi dizimada, o caos e a violência tomam conta das cidades, e o desespero e a luta pela sobrevivência invadem o interior de todos. Num estado como esses, quando uma vacina é produzida, àqueles que tem o poder conseguem se salvar, junto com os seus entes queridos. Mas, e o resto da população? Esse é um dos questionamentos que a película coloca no ar. E o Brasil já tem problemas demais; por isso, fico aliviado que o surto da gripe suína já tenha dado uma trégua.

Quanto ao elenco, ouvi alguma coisa sobre uma possível indicação ao OSCAR de coadjuvante para Gwynet Paltrow, o que eu acho uma asneira extremamente profunda. Afinal, Gwyneth tem pouco tempo na tela, e não tem nenhuma cena surpreendente. Gosto sim de Kate Winslet, como uma médica que também se contamina, e de Jude Law, como um jornalista blogueiro que, através do sensacionalismo virtual, manipula os cidadãos americanos e aumenta a angústia e a revolta de todos; um personagem ambíguo e bem construído pelo ator. Jude sim, e também Kate merecem atenção do OSCAR. Quem também leva a melhor é a pouco conhecida Jennifer Ehle ( de "Força Policial" e "O Discurso do Rei" ) que interpreta a doutora responsável pela criação do antídoto contra o vírus. Enfim, com tanto destaque em cena, fico preocupado com esse mito em torno de Gwyneth, que mal abre a boca...

No fim das contas, não aguardem um filme explosivo como "Epidemia" ou algum tipo de suspense aterrorizante, pois não é disso que se trata Contágio. Mas também não se trata de um filme lento ou cansativo, nem mesmo sou da opinião de que se trata de um episódio do Discovery. Ele apenas adverte detalhadamente, mesmo sendo polêmico, sobre algo permanente no mundo, e que vem e volta a qualquer momento. E eu gosto quando temas polêmicos são discutido na tela. O problema é que Soderbergh se perde com tanta trama paralela. O final da personagem de Marion Cotillard, por exemplo, fica em aberto e não tem conclusão. Mas, mesmo assim, a produção mantém o interesse. Ah! Apesar de assustar os espectadores, o final é positivo e esperançoso, ok? Para quem não se impressiona fácil com as coisas, e quem gosta do tema, Contágio pode ser um passatempo oportuno, mesmo sem ser uma obra prima. Abraços!

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quinta-feira, 28 de abril de 2011

A Garota da Capa Vermelha

Estava pronto para detonar esse filme, já que todas as críticas que li sobre ele eram destrutivas. Entretanto, acho que eles exageraram e pegaram pesado com o filme da diretora de Crepúsculo, Cahterine Hardwicke. Afinal, o filme não é tão ruim assim. Até que é um passatempo razoável, e tem um bom clima de suspense. Ah, obviamente, minha esposa Gisele adorou!

O que desagrada nessa tentativa de ser um "Chapéuzinho Vermelho mal-assombrado", é que Hardwicke insiste sempre em referenciar Crepúsculo. Começa em colocar no papel de pai da mocinha o ator Billy Burke, que no filme mencionado foi o pai de Kristen Stewart. Aqui, a "chapéuzinho" é adolescente, se chama Valerie e é interpretada por Amanda Seyfreid, que está em tudo que é filme ultimamente, e continua apática. Bom, ela vive um triângulo amoroso com o riquinho Henry (Max Irons, de "O Retrato de Dorian Gray", e que de galã não tem nada), e com o lenhador (pasmem!), feito por um novato chamado Shiloh Fernandez, e que está propositalmente parecido com Robert Pattinson. Enquanto isso, um perigoso lobisomem ataca a aldeia em que os integrantes do triângulo moram.

Enfim, essas imitações de Crepúsculo acabam de fato irritando, o que denota as limitações da diretora e do roteirista David Johnson. Até o pôster do filme é semelhante com os episódios da saga Twilight. Além disso, as semelhanças não param por aí, principalmente no final, não só pela deixa que sugere uma continuação, mas também pelas atitudes e comportamentos dos protagonistas (inclusive, um video clip romântico em flashback, com a mocinha e um dos rapazes) . Por isso, concordo em parte com as críticas negativas. Mas, retomando o que afirmei no início, a história não é de toda ruim, há um clima interessante de suspense, muitas personagens (afinal, um deles é o lobisomem) e uma fotografia forte e atraente. Fora isso, se o trio central desagrada, eu gosto dos coadjuvantes: o sempre ótimo Gary Oldman compõe mais um personagem lunático, no caso, um padre não exatamente bom-caráter; a veterana Julie Christie interpreta uma vovó bastante bizarra; Virginia Madsen está bastante jovial aos 50 anos como a mãe; e Lukas Haas (lembram dele? aquele garotinho de A Testemunha, com Harrison Ford) interpreta o padre bonzinho.

Se me perguntarem, é lógico que eu prefiro muito mais a animação Deu a Louca na Chapéuzinho, a melhor adaptação do clássico infantil. Mas, este A Garota da Capa Vermelha não chega a ser ruim (embora eu tenha achado meio previsível a identidade do lobisomem). Sei que ele foi fracasso nos EUA, mas algo me diz que aqui ele vai encontrar seu público; ainda que seja pelas razões que eu condeno. Em todo caso, se Catherine Hardwicke não passar por um processo de reciclagem, nem as adolescentes histéricas brazucas vão suportar seus filmes. Ah, uma curiosidade: o astro Leonardo DiCaprio é um dos produtores. No todo, é um filme esquecível, mas digno de uma espiada. Abraços!

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sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Cisne Negro

Um filme diferente, ousado, perturbador e pesado! Com certeza, Cisne Negro não é para todos os públicos, mas se trata de um exercício de pesadelo delirante e arrebatador. Um roteiro ( de Mark Heyman e Andres Heinz) que provoca e surpreende o tempo todo; uma direção segura e competente; e uma formidável atriz no papel central contribuem para o sucesso do filme. Mas, vale um repeteco no recado, não é para todos os gostos, é um filme difícil e, muitas vezes, insuportável.

Quem já assistiu Réquiem Para Um Sonho, conhece um pouco da atmosfera pesada do cineasta Darren Aronofsky, que, agora sim, está se tornando um diretor de estilo, e conseguiu cinco indicaçõs ao OSCAR para seu filme - filme, direção, atriz (Natalie Portman), montagem e fotografia. Certamente, Aronofsky não é o favorito, mas já está acumulando popularidade, pois seu próximo longa é extremamente comercial, The Wolverine.

Quanto ao filme, Natalie Portman interpreta a jovem bailarina Nina Sayers, uma moça tímida e sexualmente reprimida. Ela adora o ballet, e está prestes a protagonizar o espetáculo Lago do Cisnes, como o Cisne Branco. Entretanto, seu diretor (o francês Vincent Cassel), pretende que uma única bailarina interprete tanto o Cisne Branco, quanto o Cisne Negro, tarefa difícil para Nina, pois ela não tem o toque de malícia ideal para o papel. Assim, uma outra bailarina, Lily (Mila Kunis, de "O Livro de Eli"), torna-se um grande obstáculo, já que ela tem o perfil completamente apropriado para interpretar o Cisne Negro. Assim, cega pelo desejo em obter o duplo papel, Nina modifica sua personalidade, e não medirá esforços para conseguir o que almeja.

Alucinação, loucura, sonho e delírio integram a atmosfera do filme. Há, inclusive, um toque de terror em alguns momentos nessa produção que parece mesclar o clássico A Malvada (com Bette Davis) com o grande sucesso de DePalma, Carrie - A Estranha. É, de fato, o grande momento da jovem veterana Natalie Portman, um papel forte e difícil, que é perfeitamente encarnado pela atriz. Ou seja, é praticamente impossível Portman não levar o OSCAR. Em todo caso, ela não é a única que brilha, pois as coadjuvantes também dão um show - a veterana Barbara Hershey interpreta, brilhantemente, a mãe obcecada pelo sucesso da filha, e a novata Mila Kunis surpreende como a sedutora e maldosa Lily ( uma cena bastante corajosa é àquela de lesbianismo ao lado de Portman ), ambas injustamente ignoradas pela Academia. Até Winona Ryder está bem, num papel não-típico de sua carreira, a bailarina depressiva e decadente Beth Macintyre, que perde seu lugar ao sol para Nina.

E é exatamente sobre a luta inescrupulosa pelo poder e sucesso que trata o filme, que poderia se perder facilmente como uma história repleta de clichês, se não fosse a experiência de Aronofsky, ao introduzir esse clima de tensão e pesadelo para essa história dark e crua. Quem assistiu Réquiem Para Um Sonho sabe do que eu estou falando. Se você percebeu todas as condições adversas, e se encara numa boa o estilo de Aronofsky, não pode perder Cisne Negro, talvez a produção mais ousada do ano. E vamos guardar o nome Mila Kunis, ela promete surpreender muito ainda. Até!

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sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Enterrado Vivo

Eu sei que por ser véspera de Natal, hoje não seria o dia ideal para postar esse filme. Mas, paciência, foi, até então, o mais recente que vi no cinema. Além do mais, li críticas satisfatórias sobre o filme, e por isso resolvi conferir.

Bom, o grande mérito do cineasta espanhol Rodrigo Cortés (na verdade, um roteirista que aqui estreia na direção) é conseguir prender, literalmente, a respiração do espectador, com essa trama sufocante.

Como o próprio título informa, alguém está enterrado vivo. Trata-se de Ryan Reynolds, que interpreta um caminhoneiro à serviço no Iraque. O que se sabe é que seu grupo foi exterminado, e ele foi enterrado em algum lugar no país. Em sua cova, há apenas um isqueiro, uma caneta e um celular. Com esse aparelho, ele tenta se comunicar com o mundo, em luta pela própria sobrevivência. A situação se complica, quando ele recebe uma ligação de um iraquiano, que exige uma quantia alta em dinheiro, em troca de seu resgate. Assim, o desespero aumenta e ele fará de tudo para escapar da cova. Há sim, mais tarde ele também recebe a visita de uma cobra.

Quem sofre de ansiedade, não vai suportar o filme (inclusive, na sala em que eu assisti, muitas pessoas abandonaram a sessão). Fora a cobra, Reynolds é o único ator em cena, do começo ao fim. E fora ele, diversas vozes atuam, quando o personagem tenta estabelecer contato com as pessoas através do celular ( esposa, sogra, mãe, sequestrador, embaixada, FBI... etc ).

O roteiro de Chris Sparling apresenta algumas pistas falsas, e aumenta a tensão. Enterrado Vivo, de fato, é um ótimo exercício para testar os nervos do espectador. Mas essa atmosfera angustiante acaba ocasionando um mal estar; afinal, definitivamente, trata-se de um filme de tortura, tanto física quanto psicológica. E o espectador que consegue acompanhar a projeção até o fim, espera aguardar um final feliz para o protagonista. Mas isso não acontece. Eu posso até estar informando demais, contudo prefiro agir dessa forma e prevenir as pessoas de ver aquilo que elas não querem ver. Admito, inclusive, que também fiquei decepcionado com o desfecho.

Minha esposa e minha sobrinha Luana quase me lincharam, na saída do Cinemark do Shopping D. Por isso também, recordo mais uma vez que não existirá aqui um "happy end". Se serve como dica também, não aceitem convite de ir ao Iraque, nem a trabalho, rsssss. Agora é com vocês, forte abraço e Feliz Natal!

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quarta-feira, 2 de junho de 2010

Pânico na Neve

Não conhecia o diretor Adam Green, um cineasta promissor do gênero terror/suspense, que fez bastante sucesso em premiações de filmes de terroc com Hatchet (que eu também desconheço). Por isso, assisti Pânico na Neve sem grandes expectativas. Mas é, definitivamente, acima da média.

Green, que também é o roteirista do filme, em sua metragem não muito longa, nos apresenta um filme perturbador, angustiante e assustador. Não é exatamente um filme de terror, pois os vilões não são nem fantasmas, nem qualquer outro tipo de ser sobrenatural. Mas, as situações apresentadas na tela, são capazes de amedrontar muito mais do que um assassino mascarado com uma faca na mão.

Com elenco desconhecido (praticamente três atores em cena), Pânico na Neve fala sobre três jovens (um rapaz, a namorada e o melhor amigo) que resolvem esquiar no gelo, em um típico parque de diversões. O problema se acentua quando todos eles são esquecidos em um teleférico, enquanto o parque é fechado. A partir de então o desespero toma conta da cena, já que a temperatura cai, surge uma tempestade de gelo (que queima o rosto deles) e, de quebra, lobos ferozes e famintos os vigiam lá de baixo. Enquanto tentam encontrar uma solução para sair dessa enrascada, passam por conflitos pessoais (em que as diferenças tornam-se claras) e muito desespero. Principalmente, quando suas vidas passam a estar por um fio.

Enfim, fiquei bastante entusiasmado com o filme, sobretudo por conta da originalidade do roteiro, em trabalhar com uma sinopse que apresenta uma situação não muito fora do comum, e sem superficializar as personagnes (que não são heróis, apenas pobres mortais lutando para salvar sua vidas). Como eu disse, é um tema perturbador e que chega a incomodar àqueles que não têm domínio sobre as emoções. Mas fica aqui minha dica de recomendação. E vamos guardar o nome Adam Green, que promete um futuro bem-sucedido nas telas. Fiquem com Deus!

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segunda-feira, 3 de maio de 2010

Seven - Os Sete Crimes Capitais

( EUA 1995 ). Direção: David Fincher. Com Brad Pitt, Morgan Freeman, Gwyneth Paltrow, Kevin Spacey, R. Lee Ermey, John C. McGuinley, Richard Rowndtree, Richard Partnow, Mark Boone Jr., Julie Araskog. 127 min.


Sinopse: Dois detetives, um veterano e presItálicotes a se aposentar, e outro jovem e idealista, investigam misteriosas mortes, praticadas por assassino que mata pessoas que cometeram um dos sete pecados capitais.

Comentários: Eficiente thriller de suspense, com roteiro inteligente (de Andrew Kevin Walker), e que revelou o nome do diretor David Fincher, que antes havia feito "Alien 3". Fincher, inclusive, tornou-se um cineasta de prestígio e de estilo próprio, após esse bem-sucedido trabalho. O filme pegou carona com o sucesso de "O Silêncio dos Inocentes", a quem faz uma rápida referência, mas desenvolveu-se de uma forma original e extremamente perturbadora (não há final feliz). Ponto paras os realizadores, que conseguiram construir um clima mórbido, sombrio e assustador, repleto de reviravoltas e surpresas, a ponto de fazer o espectador ficar preso na tela e alheio aos bizarros acontecimentos que aparecerão. Apesar de tudo, não é um filme violento; ao contrário, é até discreto, já que o roteiro poupa o público de presenciar as vítimas morrendo, uma vez que os corpos aparecem nos locais do crime já sem vidas. Ou seja, o mais assustador do filme é exatamente aquilo que não é mostrado, permitindo ao espectador a oportunidade de imaginar como as mortes foram executadas. Quanto ao elenco, Morgan Freeman leva a melhor como o detetive veterano. Aliás, esse é o papel que se tornou habitual na carreira desse grande ator, após Seven. Kevin Spacey, como o assassino (não se preocupem; aqui, a identidade do assassino não é nenhum segredo), demonstra que o Oscar que recebeu em 95 não foi em vão. Bem, como é sabido, Spacey não ganhou o Oscar de coadjuvante por esse filme, mas sim por "Os Suspeitos", do mesmo ano. Ou seja, foi de qualquer forma um prêmio super-merecido pelo conjunto da obra, já que ele esteve excelente em ambos os filmes (apesar de aqui não aparecer creditado). Gwyneth Paltrow, como a esposa de Pitt (na época, eram noivos na vida real), está apenas apática, mas não estraga. Portanto, o único canastrão é o galã, o próprio Brad Pitt. Atua sem emoção e com texto decorado. Quase estraga a última cena, inclusive. Em todo caso, nem ele atrapalhou a grande surpresa que Seven acabou sendo para o gênero que, apesar das várias imitações, sempre consegue manter seu status, graças ao ótimo roteiro e a competente direção de Fincher. Indicado ao Oscar de montagem.

Por que gravei o filme: Foi gravado na HBO, simplesmente pelos motivos que já foram expostos no comentário acima. Seven abriu as portas para que o público pudesse conhecer o novo cineasta que surgia na época, apesar de seus filmes posteriores terem oscilado entre bons e maus. Mas Fincher é sempre interessante, e seus filmes merecem, dignamente, mais do que uma espiada. Freeman e Spacey dão um show de interpretação, o que acaba tornando o filme mais atraente e digno de credibilidade.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Ladrão de Casaca

( EUA 1955 ). Direção: Alfred Hitchcock. Com Cary Grant, Grace Kelly, Jessie Royce Landis, Brigitte Auber, Charles Vanel, John Williams, Georgette Anys. 106 min.


Sinopse: Famoso ladrão de jóias, atualmente "aposentado", é perseguido pela polícia quando é acusado de ser o principal suspeito de uma nova onda de roubo de jóias. Tenta descobrir a identidade do verdadeiro criminoso, enquanto foge, e se envolve com bela mulher.

Comentários: Um dos filmes mais diferentes do grande mestre Hitchcock, Ladrão de Casaca é um suspense bastante humorado. Aqui, os instantes de tensão são substituídos por momentos de refinado humor, ainda que com boas sequências de perseguição. Cary Grant continua esbanjando seu charme, ainda que na época já tivesse 51 anos. E forma uma dupla perfeita com uma das estrelas favoritas de Hitchcock, a futura princesa de Mônaco Grace Kelly, que esbanja talento, beleza e, naturalmente, sua habitual elegância, já que aparece vestida com luxuosos figurinos. A cena de maior impacto é quando Grace dirige seu automóvel em alta velocidade, tentando despistar a polícia, ao lado de um amedrontado Cary Grant, que tenta disfarçar o seu medo perante essa situação. Com Ladrão de Casaca, sem dúvida, sentimos falta de momentos mais macabros e assustadores, existentes na maioria dos filmes do mestre. Além disso, o roteiro de John Michael Hayes (adaptado do livro de David Dodge), não fornece chances para cenas mais assustadoras, como àquelas existentes em filmes como Disque M Para Matar ou Janela Indiscreta (ambos com Kelly, inclusive), e as cenas de maior suspense são algumas de perseguições, como a já mencionada anteriormente. E, por fim, o final é fraco. Em todo caso, a direção de Hitchcock permanece segura e intacta, a dupla central tem química perfeita e a fotografia é deslumbrante. Sem dúvida, um ótimo entretenimento. Indicado a três Oscar, ganhou melhor fotografia, e foi indicado ainda para direção de arte e figurino.

Por que gravei o filme: Sem dúvida porque é um filme de Hitchcock. Este não é dos meus filmes favoritos, mas qualquer produção assinada pelo grande mestre do suspense, bem-sucedida ou não, é indispensável na coleção de qualquer cinéfilo. E Cary Grant e Grace Kelly formam sempre uma dupla digna de ser assistida. O único problema é que foi gravado no excelente Retro Channel, que apresenta um único defeito: o ruim sistema de legendagem. Mas não atrapalha muito, e dá para assistir à esse bom clássico.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Ilha do Medo

Conforme havia mencionado na postagem anterior, no último sábado assistimos Ilha do Medo, o novo filme de Martin Scorsese. Como gosto muito do cineasta, já aguardava assistir ao filme com alguma expectativa. E admito: gostei.

Scorsese é aquele tipo de diretor que faz de tudo: ainda que, frequentemente, dirija filmes de gângsters (Os Bons Companheiros, Cassino, Os Infiltrados), já fez comédia (Depois de Horas), drama romântico (A Época da Inocência), biografia (O Aviador) e até terror (Cabo do Medo). E está de volta no gênero sobrenatural com esse suspense acima da média.

Leonardo DiCaprio (atualmente, o ator predileto do diretor) interpreta o policial Teddy Daniels que, junto com seu parceiro, Chuck Aule (Mark Ruffalo, de E Se Fosse Verdade), é convocado para investigar o misterioso desaparecimento de uma mulher chamada Rachel, uma paciente de um hospital psiquiátrico, localizado numa ilha chamada Shutter. A história se passa nos anos 50, e enqaunto DiCaprio tenta solucionar o mistério, é assombrado por alucinações do passado, em que recorda sua atuação profissional contra os nazistas, e a morte acidental de sua esposa, Dolores Chanal (Michelle Williams), que morreu queimada no prédio em que moravam. As coisas se complicam, quando o policial começa a desconfiar que está envolvido numa possível cilada.

Com muitas reviravoltas no roteiro, escrito por Laeta Kalogridis ( e adaptado do livro de Dennis Lehane), além de contar com boa direção de arte e fotografia, Ilha do Medo surpreende o espectador, por conta de algumas pistas falsas que a trama apresenta e que, aos poucos, vai mostrando onde quer chegar. A conclusão pode desagradar àqueles que esperam um suspense previsível e com desfecho feliz para o herói. Isso pode ocorrer facilmente, porque o tempo todo estamos torcendo para DiCaprio solucionar o mistério. Mas, Scorsese, reserva algumas surpresas no desenvolvimento da história, que lembra um pouco produções como O Sexto Sentido, Os Outros e Identidade. Espero não estar revelando nada; em todo caso, relaxem: DiCaprio não é um morto-vivo, que depois descobre que morreu.

No elenco, destaque também para a participação de Patricia Clarkson que, apenas em uma cena, desenvolve uma personagem interessante, e que trás informações surpreendentes para a história. Talvez se a personagem surgisse novamente, próximo ao fim, o filme tomaria um rumo mais agradável ao espectador. Os veteranos e excelentes Ben Kingsley e Mas Von Sydow, interpretam os médicos/diretores do hospital, que tornam-se obstáculos para as investigações de DiCaprio. E Jackie Earle Haley ( o novo Freddy Krueger, da nova safra A Hora do Pesadelo ) faz um lunático, que apresnta algumas pistas para o desfecho. Paro por aqui, estou revelando muita informação.

Enfim, Ilha do Medo é um thriller eficiente, muito bem dirigido e protagonizado, e que prenderá a atenção dos fãs do gênero. Após a conclusão do filme, existe a possibilidade de diversas leituras alegóricas sobre a personagem de DiCaprio. Recomendo com o maior prazer. Abraços!

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terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Do Inferno

( EUA 2001 ). Direção: Albert Hughes, Allen Hughes. Com Johnny Depp, Heather Graham, Ian Holm, Robbie Coltrane, Ian Richardson, Jason Flemyng, Katrin Cartlidge, Terence Harvey, Susan Lynch, Paul Rhys. 122 min.


Sinopse: Londres, 1880. Jack , o Estripador está solto nas ruas cometendo assassinatos em série de prostitutas. Um inspetor toma conta do caso, e se apaixona por uma prostituta, que poderá ser a próxima vítima.

Comentários: Bem-sucedida adaptação dos quadrinhos de Alan Moore e Eddie Campbell, feita pela dupla de roteiristas Terry Hayes/Rafael Yglesias. Além disso, uma deslumbrante direção de arte e uma excepcional fotografia sombria e gótica dão charme a esse filme de suspense, protagonizado por Johnny Depp. Ele está bem no papel do inspetor supersticioso e sensitivo que tenta desvendar a identidade de Jack, o Estripador. A reconstituição de época é perfeita e o cenário nos leva a velha Londres do século XIX e suas ruas povoadas de bêbados, prostitutas, misérias e assassinatos. Curiosamente, quase todas as prostitutas do filme são feias. Exceto a bela Heather Graham, aliás, muito bem vestida para uma prostituta de esquina (ou seria bem vestida para os dias de hoje?). Ela serve de interesse romântico para Johnny Depp, e a química entre eles funciona. Depp, inclusive, se sai muito bem em filmes bizarros como esse. Na verdade, o filme foi injustiçado pelo Oscar, e ficou de fora das indicações. Deveria, ao menos, ter recebido alguma indicação técnica. O final é um pouco confuso, mas não compromete o todo, ao contrário, trás um esclarecimento lógico para os fatos ocorridos (prestem atenção). O filme tem um pouco de clichê, é verdade, como vários filmes sobre serial-killers. Entretanto, a parte técnica do filme faz a diferença e cria um clima, ao mesmo tempo, sofisticado e sobrenatural. Experimente.

Por que comprei o filme: Pelo clima diferenciado que esse filme proporciona ao telespectador. Conforme passa o tempo, fica cada vez mais difícil encontrar alguma originalidade em filmes de terror/suspense. Esse aqui não é nenhuma obra-prima, mas é bem interessante e está acima da média, perto de muitos filmes contemporâneos. Além disso, o casal central funciona bem no vídeo, e é mais um bom motivo para adquirir a fita.

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Veludo Azul

( EUA 1986 ). Direção: David Lynch. Com Kyle MacLachlan, Isabella Rossellini, Dennis Hopper, Laura Dern, Dean Stockwell, Hope Lange, George Dickerson, Priscilla Pointer, Jack Harvey, Frances Bay, Ken Stovitz, Brad Dourif. 120 min.



Sinopse: Um jovem encontra uma orelha em um jardim, e a leva para a polícia. Ele fica tão incomodado com a situação, que resolve investigar o que aconteceu por conta própria, e se vê envolvido num mundo de falsas aparências e crueldades.

Comentários: Sem dúvida, o filme mais famoso da carreira do cineasta delirante, David Lynch. Apesar disso, diferente das demais obras do diretor, Veludo Azull tem trama linear e de fácil entendimento, não exigindo muita reflexão do público no acompanhamento da história. Talvez isso tenha facilitado a indicação ao Oscar de Lynch, como diretor (ele também é autor do roteiro). Na verdade, trata-se de um suspense interessante, que mantém o bom ritmo inicial e entretém. É, contudo, uma história simples, com desfecho convencional, previsível, e com os habituais clichês do gênero. Assim, por que o filme causou tanto impacto? E por que é a obra mais referencial de Lynch? Apesar da conclusão nada original, o filme apresenta elementos sufocantes e instigantes, com clima perturbador e angustiante. Através das investigações do protagonista, o espectador descobre, junto com ele, os mistérios que a sociedade aparentemente pacata escondem. Isso é revelado de uma forma explosiva, e nos faz concluir que às vezes é melhor não saber sobre a verdade que se esconde por de trás do superficial. Afinal, ela se mostra muitas vezes suja, perigosa e violenta. Assim, Lynch conduz seu filme, com trilha sonora melancólica e fotografia escurecida, envolvido por uma atmosfera repleta de desespero e angústia, mas com final feliz. No papel do protagonista, está o galã (e um dos atores favoritos do dieretor) Kyle MacLachlan com seu famoso queixo cumprido. Há também Laura Dern, bem jovem e em início de carreira, no papel da namorada do herói. Mas os destaques vão para Isabella Rossellini, numa interpretação eufórica e sufocante, como a bela cantora que tenta esconder um conflito desesperador, e Dennis Hopper (injustamente esquecido pelo Oscar) no papel de um vilão sádico, insano e masoquista. Tudo isso demonstra os méritos de Veludo Azul, um grande clássico contemporâneo e perturbador.

Por que comprei o filme: Não podia faltar na minha coleção um dos filmes mais envolventes e angustiantes dos anos 80. Comprei no Sebo da Penha por R$5,00 OU R$6,00 (por ser um clássico, o valor saiu barato, mesmo se tratando de um VHS). Gosto bastante de cineastas que tem um estilo próprio e diferente na realização de seus filmes. E, nesse sentido, não há ninguém melhor que David Lynch, um dos gênios do cinema fantástico americano. Revejo o filme sempre que tenho oportunidade, e o considero um dos meus filmes prediletos, não pelo resultado final, mas sim pela originalidade e pela atmosfera aflita que há no filme.

domingo, 18 de janeiro de 2009

A Troca

Ontem fui em um cinema diferente, estava na hora de aposentar o Shopping Santana, rsss. Para assistir ao filme do título, Gisele e eu fomos ao Bristol, da Av. Paulista. Esse é um dos meus cinemas favoritos, já assisti a diversas produções aí (é um cinema um tanto caro também...). Mas eu e minha digníssima esposa não estávamos sozinhos: meu amigão Leandro e sua namorada Luzia, nos acompanharam para assistir a essa nova produção dirigida por Clint Eastwood.

Bom, vamos ao filme: Sabe, muitas vezes assisto algumas películas e fico revoltado com os acontecimentos que surgem em cena. Produções como "Mississipi em Chamas", "O Expresso da Meia-Noite" e "Terra Fria", entre outras, tratam da injustiça social, e revoltam o público ao mostrar todo o tipo de intolerância e desrespeito que pessoas inocentes sofrem pelo sistema corrupto. Em "A Troca", isso não é diferente. Angelina Jolie interpreta Christine Collins, uma mãe solteira que se desespera quando seu filho de 9 anos (Gattlin Griffith) desaparece misteriosamente. O cenário é a Los Angeles de 1928 (antes do crack da bolsa), e Christine age como qualquer mãe em seu lugar: procura a ajuda da polícia, e ora para reencontrar seu filho.

A partir dessa sinopse, o espectador pode imaginar que se trata de um filme bastante piegas, que retrata a trajetória de uma mãe desesperada em busca do filho desaparecido, tal como "Nas Profundezas do Mar Sem Fim", com Michelle Pfeiffer, ou diversos telefilmes sobre o tema. Contudo, o roteiro de J. Michael Straczynski surpreende ao focalizar um ponto de vista mais interessante: tudo bem, Angelina Jolie se desdobra para reencontrar o filho, mas o roteiro centraliza a ação no sistema corrupto policial, a quem dirige uma forte crítica.

Voltando a sinopse, a polícia informa à Christine que seu filho foi encontrado. No entanto, a mãe desconhece o garoto que lhe é mostrado, mas não é ouvida pelas autoridades, que insinuam que ela está emocionalmente abalada. O intuito do chefe de polícia (Jeffrey Donovan) é declarar para a mídia que (pelo menos) um caso já foi resolvido na cidade, e colocar um fim definitivo nas críticas que recebe, referentes aos diversos crimes não solucionados. Dessa forma, sozinha e desorientada, Christine recebe apenas o apoio de um pastor presbiteriano (John Malkovich), que tem um famoso programa no rádio, e é conhecido por denunciar a má conduta das autoridades.

O veterano Clint Eastwood mantém a boa forma e constrói um suspense intrigante, que denuncia o sistema de segurança nacional. A cena em que Christine é mandada para o hospício, e presencia as diversas calamidades que as autoridades praticam, é um verdadeiro soco na boca do estômago. Por vários momentos, o espectador se sente angustiado com o festival de absurdos que a polícia pratica, com o objetivo de acobertar suas falhas e corrupções.

Quando trata desse tema, Eastwood é bastante feliz na sua empreitada. Entretanto, o filme modifica o foco: as autoridades são julgadas em tribunal, Angelina sai do hospício, e o roteiro passa a centralizar a ação no possível seqüestrador da criança. A partir de então, o vilão passa a ser um sujeito insano e violento, que mata crianças por esporte. Ou seja, Eastwood utiliza elementos de um filme anterior que ele dirigiu em 2003, Sobre Meninos e Lobos. Agora, toda a denúncia ao sistema corrupto, é substituída pela justiça com as próprias mãos. Enfim, essa situação poderia ter sido evitada, se o roteiro apenas mencionasse o criminoso (feito por Jason Butler Harner, bem medonho por sinal), sem lhe dá maiores ações ou destaques. Afinal, o tema desenvolvido anteriormente, a denúncia à corrupção policial, era mais oportuno e original. Por conta disso, creio que Eastwwod não será indicado ao Oscar 2009 como diretor (e nem o roteiro de Straczynski). Mas Angelina Jolie com certeza estará entre as cinco atrizes finalistas; não só pela boa atuação, mas porque não foi indicada no ano passado por "O Preço da Coragem", em que estava muito bem. É a forma que Hollywood encontra para pedir desculpas à suas estrelas. Mas ela não vai ganhar. Ainda no elenco, Amy Ryan (de "Medo da Verdade") tem boa participação como a prostituta que também foi parar no hospício injustamente.

Concluindo, ainda assim, dá para se aventurar com esse "A Troca", que possui belíssima fotografia e boas atuações do elenco (John Malkovich também tem ecelente atuação). O que mais revolta o público é o fato de que o filme é inspirado em fatos reais, e o final, se não é triste, também não é exatamente feliz.

Acho que me empolguei muito! Só como desabafo, mudando radicalmente de assunto, hoje tomei coragem e peguei no volante após algum tempo. Acho que estou prestes a me livrar de um certo trauma... Aos poucos, a sociedade terá que se conformar com a possibilidade de presenciar Rob Seixas dirigindo por aí... Pois é, o retorno de uma aventura com final feliz, XD!

Abraços!

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