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sábado, 6 de março de 2010

Constantine

( EUA 2005 ). Direção: Francis Lawrence. Com Keanu Reeves, Rachel Weisz, Shia LaBeouf, Djimon Hounsou, Max Baker, Peter Stormare, Pruitt Taylor Vince, Tilda Swinton. 121 min.

Sinopse: John Constantine é um exterminador de demônios, tipo um exorcista. Após a misteriosa morte de uma mulher, ele se une à irmã gêmea dela, uma policial, na investigação do homicídio. Ao mesmo tempo, se depara com criaturas malignas que pretendem trazer à terra, o filho de Satã.

Comentários: Baseado em quadrinhos, Constantine apresenta eficientes cenas de ação, e uma excelente direção de arte, sobretudo na composição do inferno. Entretanto, o roteiro adaptado por Kevin Brodbin e Frank Cappello é bastante confuso e não esclarece muito bem a relação existente entre as gêmeas e as criaturas. Enfim, porque que elas são perseguidas? O fato de uma delas ter o dom de ver fantasmas não é tão esclarecedor. Quem interpreta as irmãs é Rachel Weisz, antes do Oscar por "O Jardineiro Fiel", na ascenção de seu estrelato. Faz parceria com Keanu Reeves, canastrão como sempre. A novidade é que aqui ele faz umas expressões faciais que o torna bem esquisito, além de fumar excessivamente. Mas continua inconvincente. No elenco, também estão Djimon Hounsou, no papel de um barman que estabelece relações com os fantasmas, e a estranha Tilda Swinton como o anjo Gabriel (!). O que garante o interesse no filme, realmente, são os duelos que são travados entre Reeves e as criaturas malignas. Além disso, o clima de histórias em quadrinhos também chama a atenção, sobretudo do público que curte esse gênero. Ou seja, fica claro que, apesar do tema, não é terror, e sim ação. Após os intermináveis letreiros finais, o filme reserva uma surpresa envolvendo um dos personagens. Constantine, portanto, agradará aos adolescentes, mas decepcionará àqueles que esperam uma trama mais séria, no estilo Advogado do Diabo (também com Reeves) ou O Bebê de Rosemary.

Por que gravei o filme: Não vi Constantine nos cinemas, porque já havia intuído que não se tratava de um suspense com trama sobrenatural e assustadora, apesar do chamativo "pôster"que dá uma impressão errada ao filme. Em todo caso, gravei na HBO2, mais pelo fato de Constantine ser um blockbuster campeão de audiência, do que por ele mesmo. Mas Constantine não é de todo ruim, e apresenta alguns shows de bizarrices que chamam a atenção (sobretudo no personagem de Tilda). Keanu Reeves está tão canastrão, que até funciona na tela. Afinal, o personagem dele é tão canastra como o ator, que eu não consigo imaginar outra pessoa vivendo Constantine. No fim, também gosto das cenas de ação, e por isso o filme permanece na minha videoteca.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Matrix

( EUA 1999 ). Direção: Larry Wachowski, Andy Wachowski. Com Keanu Reeves, Laurence Fishburne, Carrie-Anne Moss, Hugo Weaving, Joe Pantoliano, Gloria Foster, Marcus Chong, Robert Taylor, Paul Goddard, Julian Arahanga, Matt Doran, Belinda McClory, Ray Anthony Parker. 136 min.


Sinopse: Um jovem analista de sistemas, Neo, descobre que o mundo em que vivemos é, na verdade, uma grande ilusão, conhecida como Matrix. Acaba por descobrir, através da misteriosa Trinity e do astuto Morpheu, que o mundo verdadeiro foi dominado pelas máquinas, e que ele (Neo) é o ser "enviado'' para conter as máquinas, e salvar o mundo.

Comentários: Matrix se consagrou no final dos anos 90 como uma absoluta inovação técnica para o cinema. Os efeitos visuais estão extremamente impecáveis, permitindo ao espectador visualizar cenas fora do comum e criativas. A produção foi indicada a quatro Oscar, e ganhou todos: montagem, efeitos visuais, efeitos sonoros e som. Além de ter alcançado méritos na área técnica e o reconhecimento pela Academia, Matrix colocou no mapa o nome de dois diretores, que são irmãos: Larry e Andy Wachowski (também autores do roteiro), que já vinham feito o pouco conhecido "Ligadas Pelo Desejo", um filme menor. Mas, apesar dos efeitos e dos som serem os grandes responsáveis pelo espetáculo, o filme conta uma interessante história filosófica. Tendo como ponto de referência a "Alegoria da Caverna" de Platão, os irmãos Wachowski mostram a nossa realidade como um sonho, ou seja, algo totalmente em desacordo com o caos que o mundo se tornou, após o controle das máquinas sobre os homens. Elas, as máquinas, construíram a "matrix", e as pessoas que vivem nela são, na verdade, escravizadas naquele mundo de mentiras e estão impedidas de conhecer a verdade; tal como na Caverna do Platão, em que os seres humanos viviam acorrentados nela, desde a infância, sem a possibilidade de conhecer a verdade que existe no exterior dela. E o personagem Neo, vivido por Keanu Reeves (convincente no papel), se compara a um dos homens da Caverna que, como sugere Platão, consegue se libertar dela, descobre a verdadeira realidade e tenta libertar os outros prisioneiros; é o que acontece com o personagem de Reeves, que também consegue se libertar da caverna/matrix. Claro que as conseqüências negativas que o homem da Alegoria da Caverna sofre, não acontecem com o personagem central de Matrix; afinal, de contas, aqui, é um filme hollywoodiano de ação. Em todo caso, assistindo ao filme é impossível não refletirmos, se nós também não estamos presos dentro da Matrix. Será que nossa sociedade consegue conhecer os problemas reais que nós enfrentamos (guerra, violência,miséria...)? Ou será que nos entretemos exageradamente com a cultura de massas, a nossa matrix, enquanto o mundo se dirige ao caos da corrupção e da desigualdade? Bom, concluo que Matrix realmente tem um ótimo roteiro. Além disso, não posso deixar de reconhecer que as seqüências de kung fu e a trajetória das balas de revólver, que Keanu Reeves consegue desviar, são impressionantes e tornaram-se as marcas registradas do filme (foram satirizadas em Todo Mundo em Pânico, As Panteras, Shrek...). Além disso, destaco também as interpretações de Laurence Fishburne como Morpheus, o líder da resistência humana contra as máquinas, e a então estreante Carrie-Anne Moss como Trinity, parceira de Neo. O filme teve duas seqüências filmadas simultaneamente, tecnicamente superiores, mas com roteiros fracos e superficiais.

Por que gravei o filme: Gravei na HBO, e já havia assistido anteriormente no cinema. Matrix, na verdade, é um filme popular, todo mundo conhece e não é novidade para ninguém. É um filme de ficção científica, repleto de cenas de ação. Sem dúvida. É verdade também, que o filme arrecadou zilhões nas bilheterias, e que é prestigiado na maioria das vezes por adolescentes sem cultura, e que gostam apenas de ver pancadaria e violência na tela grande. Acredito que, por conta disso, as pessoas têm preconceito em assistir ao filme. Os mais cultos consideram o filme apenas como mais uma super-produção hollywoodiana de ficção científica. Claro que é uma super-produção, mas não podemos nos esquecer que Matrix tem referências filosóficas interessantes. Antes, poucos filmes haviam trabalhado com a idéia de uma possível associação entre o mundo e a Alegoria da Caverna (há, na verdade, "O Show de Truman" de Peter Weir, que também trata do tema). Portanto, o roteiro do filme também é inovador e curioso, mesmo que seja coadjuvante do show de efeitos especiais. Ambos, efeitos e roteiro, se completam, tornando Matrix uma produção acima da média. É necessário, portanto, as pessoas perderem o preconceito e encararem Matrix como o bom filme que ele é.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

O Dia em que a Terra Parou

Esse foi o filme que Gisele e eu assistimos segunda no (adivinhem...) Shopping Park Santana, pra variar. Não fomos para assistir a esse filme exclusivamente, mas era o que tinha um horário bom. Então... Além disso, tive certa curiosidade em assistir essa fita porque é refilmagem de um clássico de 1951, dirigido por Robert Wise, e estrelado por Michael Rennie e Patricia Neal. E eu vi o clássico na minha adolescência, quando passou na madrugada da globo. E devo dizer que me diverti muito com essa modesta produção em preto-e-branco.

Diferente, foi o que ocorreu com essa nova versão. Trata-se de um filme chato, cansativo, exaustivo, interminável... Não apresenta nenhuma novidade, e as boas cenas de ação e explosões (constantes em filmes-pipoca do gênero) são poucas. Keanu Reeves interepreta o alienígena Klaatu que vem à Terra com o intuito de salvá-la. A vinda desse alien, certamente, causa o pânico e o medo por todos os lados, e governantes americanos tentam de tudo para imobilizá-lo. Apenas a cientista Helen Benson (Jennifer Connelly) lhe dá um crédito de confiança, e movida pela esperança de ver o planeta ser salvo, o ajuda em sua missão.

A partir da sinopse, o espectador que já conhece o filme original poderá facilmente concluir que a trma é a mesma. Mas não é. Os nomes dos personagens centrais não foram alterados, mas a Helen dos anos 50 de Patricia Neal não é a cientista pós-moderna feita pela Jennifer Connelly da atualidade. Além disso, a ausência do humor é sentida. No filme original, existia todo aquele clima de paranóia em tempos de guerra fria; e a vinda do extraterrestre contribuiu para aumentar a euforia do período (será ele, na verdade, um soviético disfarçado?). A direção de Scott Derrickson ("Lenda Urbana 2", "O Exorcismo de Emily Rose"), contudo, é fria e desinteressada. O roteiro de David Scarpa não oferece instantes de humor, e nem possibilita um romance entre os protagonistas (nesse ponto, até que tudo bem). E a trama, obviamente, é repleta de clichês. Em produções do gênero é até aceitável algum clichê, desde que exista pelo menos alguma cena impactante; mas, infelizmente, isso não ocorre. Na verdade, no meio do filme, há uma surpresa interessante e o suspense aumenta. Depois, entretanto, cai na rotina, e volta a ficar chato.

No elenco, além de Reeves e Connelly, a oscarizada Kathy Bates, encarna a autoridade americana, na pele da secretária de defesa (talvez o personagem mais clichê do roteiro). Além dela, John Cleese interpreta um professor, amigo de Connelly, e o menino Jadan Smith (filho do casal Will Smith/Jada Pinkett na vida real) faz o insuportável e irritante entiado de Connelly ( o tipo de personagem que a gente acaba torcendo para que seja eliminado, apesar de criança).

Enfim, quem curte o gênero ficção científica (quem gosta muito, mesmo) talvez consiga se divertir um pouco. Eu fiquei muito decepcionado. Keanu Reeves continua apático e péssimo ator (Matrix é, definitivamente, o filme da carreira dele). Não me espanta se ele for indicado ao Framboesa de Ouro de pior ator do ano (na verdade, ele não está especialmente mal; apenas ruim como sempre). E Jennifer Connelly soa a camisa com sua habitual simpatia. No possível final feliz do filme, o título é esclarecido; e pode decepcionar. Quem quiser conferir, pague pra ver! Abraços.

TRAILER: