Para fugir um pouco da rotina, eu e minha esposa Gisele fomos a um cinema que nunca tínhamos ido antes: o cinemark do Market Place. E, de imediato, gostei da grata surpresa de ter a possibilidade de poder escolher o lugar para sentar na plateia, na compra do ingresso. Não sabia dessa onda ( e nem a quanto tempo isso ocorre ). Mas gostei bastante, e creio que em breve essa moda vai pegar.
Quanto ao filme, não me surpreendeu tanto ( e eu nem esperava isso ), afinal, as produções dirigidas por James Mangold são bastante previsíveis. O melhor filme do cineasta, na minha humilde opinião, foi o sobrenatural Identidade. Mas aqui, encontramos todos os elementos existentes e esperados em filmes de ação.
Tom Cruise brinca novamente de Missão Impossível, ao interpretar Roy Miller, um agente secreto perseguido por uma organização, por conter uma fonte de energia muito cobiçada. Por acaso, Miller acaba esbarrando na vida de June ( Cameron Diaz ), uma jovem que está prestes a ser madrinha do casamento da irmã. A partir de então, a moça também passa a ser seguida, e Miller torna-se a única pessoa em quem precisa confiar.
Enfim, a partir da sinopse, percebe-se que esse tipo de roteiro já foi visto dezenas de vezes na tela grande. O diferencial, nessa história escrita por Patrick O´Neill, são as belas locações em alguns países, que ajudam a movimentar a trama ( gosto, particularmente, da perseguição de moto, na Espanha ). Fora isso, surgem em cena as típicas situações atrapalhadas por parte dos protagonistas, que têm personalidades diferentes, mas que precisam estar lado-a-lado ( o romance é obviamente inevitável ). Além disso, como já sugere o título, não faltam explosões, lutas e tiroteios, ingredientes essenciais para um filme de ação.
Como comédia, o filme de Mangold não agrada muito àqueles que já viram o trailer em alguma ocasião; afinal, não foi acrescentada mais nenhuma piada, fora aquelas existentes no trailer. Como ação, não decepciona, porém, também não trás grandes novidades. O casal Cruise-Diaz ( que já trabalharam antes em Vanila Sky ) tem boa química, mas já estão um tanto envelhecidos para os papéis ( apesar disso, Cruise insiste na pose de galã, e Diaz permanece com os excessos de caras e bocas ). Ainda no elenco, um certo Paul Dano ( que fez Roubando Vidas e Sangue Negro ) interpreta o nerd que inventou a fonte de energia ( aliás, outro personagem clichê ), Peter Sarsgaard faz o vilão, Viola Davis ( indicada ao Oscar, por Dúvida ) interpreta uma "espécie" de chefe da CIA, e Maggie Grace ( da série Lost ) faz a irmã de Diaz.
No todo, admito que, apesar de contar com roteiro altamente previsível, Encontro Explosivo não aborrece, e torna-se um passatempo agradável e descontraído. Para quem ainda está curtindo os últimos instantes de férias, o filme é uma boa pedida. Mas ainda aguardo alguma produção do gênero com ideias mais criativas e empolgantes. Forte abraço!
( EUA 2002 ). Direção: Martin Scorsese. Com Daniel Day-Lewis, Leonardo DiCaprio, Cameron Diaz, Jim Broadbent, Henry Thomas, John C. Reilly, Brendan Gleeson, David Hemmings, Liam Neeson. 166 min.
Sinopse: No século XIX, em Nova York, duas gangues rivais se enfrentam: Os Nativistas e os Coelhos Mortos, liderados por um padre e com participação das massas carentes. O líder dos nativistas, corrupto e cruel, assassina o líder da outra gangue. Anos depois, o filho do assassinado, de descendência irlandesa, resolve se vingar e reorganiza a gangue.
Comentários: Super-produção da Miramax indicada a dez Oscar: filme, diretor, ator (Daniel Day-Lewis), roteiro original (de Jay Cooks, Steven Zaillian e Kenneth Lonergan), fotografia, figurino, direção de arte, montagem, som e canção, mas não ganhou nada. A maior surpresa, entretanto, foi a não premiação de Martin Scorsese como melhor diretor de 2002, já que essa categoria era uma das únicas que o filme disputava como favorita. Quem ganhou, na ocasião, foi Roman Polanski, por "O Pianista", aliás, outro cineasta normalmente esquecido pela Academia. Na verdade, Scorsese era o favorito na categoria, não exatamente pelo filme, mas sim pelo conjunto da obra, já que ele é um grande cineasta e nunca tinha sido premiado pela academia. E certamente, o famoso diretor de "Taxi Driver - Motorista de Táxi"e "Os Bons Companheiros" fez filmes melhores antes de "Gangues", e também depois (O Aviador, Os Infiltrados). Ou seja, o Oscar não surgiu na hora errada. Em relação ao filme, Gangues de Nova York trás um eficiente trabalho de direção de arte, na reconstituição da Nova York dos anos mil e oitocentos, com bons figurinos e fotografia. O roteiro é inspirado em fatos que marcaram a história nova-iorquina, e oferece cenas bem violentas e sangrentas. Daniel Day-Lewis também era favorito no Oscar (e também perdeu por um ator de "O Pianista", Adrien Brody), e está muito bem como o vilão Bill Cutting, bem sádico e sanguinolento (além de assassino, o personagem é açougueiro). Ele está um tanto irreconhecível com bigodão, e um pouco exagerado em algumas cenas. Leonardo DiCaprio se consagrou em 2002 como um dos atores mais detestados pela academia de artes e ciências cinematográficas, que não indicou o rapaz ao Oscar. Num ano em que ele se destacou em dois filmes (o outro é Prenda-me se For Capaz, de Spielberg), Leonardo demonstrou que realmente é um bom ator (apesar da voz um tanto enjoada), e merecia uma indicação. E a bela Cameron Diaz, no papel de uma ladra trapaceira, surge como a moça dividida entre os dois astros centrais. Scorsese fez em seu filme uma analogia às guerras da era Bush, ao mostrar, paralelamente entre as brigas de gangues, o alistamento obrigatório para a guerra civil do governo Lincoln. O que se destaca na cena, é a resistência dos pobres, que organizam passeatas e tentam fazer valer o direito de não irem para a guerra. Claro que as conseqüências disso são lamentáveis e desfavoráveis às classes mais baixas (sobretudo, aos negros). Enfim, Gangues é um filme que denuncia a guerra e o racismo (os irlandeses imigrantes também são vítimas da intolerância racial), mas sem ser anti-patriota. Afinal, na conclusão, Nova York é consagrada e enaltecida, vista como um local que, apesar das sangrentas batalhas, conseguiu se recompor e se tornou uma das cidades mais ricas do mundo. E é também um filme que tem como ideal a justiça com as próprias mãos: ou seja, o herói sofre bastante, inocentes morrem, ficamos com ódio de Day-Lewis que está sempre por cima... mas, no final, os vilões pagam caro por suas maldades. Concluindo, Gangues é um bom filme, mas não excelente, bastante arrastado, longo, violento, confuso e sem grandes surpresas.
Por que gravei o filme: Admiro o conjunto da obra de Martin Scorsese, por isso gravei o filme no Max Prime. E mesmo não sendo o meu filme favorito de Scorsese, gostei da mensagem que a fita acabou trazendo (mesmo sem saber se foi ou não intencional) contra as guerras. E os atores estão competentes nos papéis, até mesmo Liam Neeson, que tem participação pequena como o padre que lidera a "gangue do bem" na primeira parte do filme. E, por fim, o filme se sustenta como um bom épico de aventura, com cenas de batalha bem elaboradas, e garante o entretenimento.