Nessa guerra simbólica entre Marvel x DC Comics, com filmes protagonizados por seus super-heróis populares, quem ganha é o público, que confere toda a diversidade de fitas. Se parecia, para alguns, que a Marvel estava levando a melhor, a DC (ou Warner) demonstrou que produzir um filme protagonizado por um anti-herói, feito com muita seriedade, consegue superar a batalha de egos de diversos heróis envolvidos numa só projeção, como é o caso da série Avengers.
Quem diria, o diretor Todd Phillips (também roteirista, ao lado de Scott Silver), responsável por comédias escrachadas como a série "Se Beber, Não Case" e "Um Parto de Viagem", assumiu essa prdoução em que, por mais que Coringa seja conhecido por ser uma figura irônica e diabolicamente engraçada, quase não há espaço para a comédia; tudo aqui consegue ser mais sombrio e tenebroso que qualquer filme na nova franquia do Batman, comandada por Christopher Nolan.
O nosso popular "herói" é vítima constante de bullying por ser desajeitado e ter um péssimo aspecto físico. Além disso, sofre de uma doença em que, quando está nervoso, começa a gargalhar freneticamente. Enfim, trata-se de um perdedor, desprezado por todos. A situação piora quando ele é demetido de seu trabalho, no qual ele se disfarçava de palhaço para animar as pessoas em eventos. As coisas fogem da normalidade de vez quando descobre um segredo envolvendo a identidade de seu possível pai. A partir daí, consumado pela ira, Arthur Fleck torna-se Coringa, e está disposto a fazer valer sua justiça.
Não me recordo da classificação etária do filme, e já informo que ele é bastante pesado para crianças e pré-adolescentes. A trilha sonora densa e tocante sugere que o público está assistindo a uma produção de horror, gênero que se aproxima bastante da narrativa. Mais uma vez, palmas para Todd Phillips, que mostrou versatilidade atrás das câmeras, ao abandonar o seu lugar comum na comédia. O que também é facilmente perceptível é a homenagem aos filmes do cineasta Martin Scorsese, sobretudo fitas como "Taxi Driver" e "O Rei da Comédia", que surgem na mente do espectador mais familiarizado com o cinema, quando observa diversas cenas. Falando em Scorsese, que tem o hábito de registrar suas tramas em Nova York, a Gotham City daqui é uma fotografia idêntica de Nova York, sobretudo nas cenas dos guetos noturrnos.
Mas o que mais me chamou a atenção, é a temática voltada às questões sociais, em épocas que fica cada vez mais evidentes, tanto nos EUA como no Brasil, o quanto o menos favorecido é hostilizado pela sociedade. Estamos muito acostumados a ver no cinema americano criminosos negros ou latinos causando o terror nas ruas e nos metrôs. Aqui, contudo, há uma realidade pouco vista nos filmes: homens brancos e ricos demonstrando sua fúria contra a minoria e mulheres indefesas. Outro momento de interessante reflexão se esconde por de trás da personalidade do pai do homem-morcego, o milionário Thomas Wayne (o Batman só aparece aqui como criança), cuja conduta faz lembrar muito o oportunismo de políticos corruptos (sobretudo, lembra muito um governador de estado aqui no Brasil). Essa nova possibilidade de leitura ma faz refletir: seria mesmo Batman um herói? Ok, ele não aparece com sua habitual roupa, mas ao analisarmos o legado que lhe é deixado por um homem não exatamente escrupuloso, nos faz pensar nisso... Enfim, de qualquer forma, que fique claro: Coringa é sim um vilão! Mesmo sendo humilhado constantemente, como uma versão masculina de "Carrie, a Estranha", a maldade assumida por ele não se justifica.
Como de hábito, deixo pro fim informações obre o elenco. No papel título, Joaquin Phoenix demonstra de vez sua versatilidade. Sem dúvida, é o filme de sua carreira, numa interpretação digna de Oscar. O astro Robert DeNiro (aliás, habitual parceiro de Scorsese) interepreta aqui um apresentador comediante (no estilo Jô Soares), idolatrado exageradamente por Fleck. A veterana Frances Conroy faz a mãe do Coringa, Brett Cullen vive o já mencionado Thomas Wayne e Zazie Beetz (de "Deadpool 2") faz um provável interesse romântico do protagonista.
Coringa se concretiza como o filme de heróis para o público adulto, com poucos momentos de humor, e com diversas possbilidades reflexivas sobre questões sociais. É fácil de entender o porquê do filme ter desagradado muitos políticos de partidos conservadores, pois afinal de contas, tais perfis não são exaltados nessa narrativa; ao contrário, demonstram repulsividade, e isso tem certa lógica. Este é dos filmes que merece uma nova análise, e certamente precisa ser conferido. Vale a pena!
Seguindo a tradição de "Idas e Vindas do Amor", o cineasta Garry Marshall e a roteirista Katharine Fugate, os responsáveis pelo filme mencionado, apresentam agora mais uma estória repleta de tramas paralelas e personagens agradáveis, trata-se de Noite de Ano Novo.
Como se pode prever, é um roteiro banal, óbvio e repleto de clichês, representado por um elenco estelar da mais alta qualidade. Se "Idas e Vindas" focalizava a trama no dia dos namorados (uma data, aliás, que não bate com a comemoração brasileira), dessa vez tudo se torna mais mágico, mais sensível, mais bonitinho... Afinal, a hora da virada é um dos momentos mais aguardados pelo brasileiro no geral. E Nova York aparece bem chamativa, atraente, encantadora. Ela e o grande elenco conseguiram, e ainda conseguem, lotar as nossas plateias. Isso sem falar das diversas canções que contagiam o clima.
Enfim, sem dar muitos detalhes na sinopse, são vários encontros e desencontros que ocorrem na véspera de fim de ano. Temos a Michelle Pfeiffer, já envelhecida e desglamourizada, se demitindo do emprego, e tentando realizar suas vontades antes do término do ano com a ajuda do garoto Zac Effron (tentando no cinema o público da tv); Robert DeNiro faz um paciente que agoniza numa cama de hospital, enquanto é consolado pela boa enfermeira Halle Berry; Jon Bon Jovi faz um cantor (novidade...) tentando reconquistar a ex Katharine Heigl, enquanto é vítima da tietagem da Sofia Vergara; Ashton Kutcher e Lea Michele (do megasucesso "Glee"; sim, ela canta em cena!) ficam presos no elevador (algo bastante clichê no cinema americano) e se envolvem; Hilary Swank faz a pessoa responsável pelo maior evento das últimas horas: quando resolvem soltar do alto da Times Square, a bola que marca a virada do ano! Só que a bola emperra no meio do caminho, e o técnico Hector Elizondo (um dos grande favoritos do diretor) é chamado pra solucionar o caso; Sarah Jessica Parker faz a mãe superprotetora que impede que sua filha Abigail Breslin (agora crescida, depois de "Pequena Miss Sunshine") namore; E a gestante Jessica Biel tenta parir antes da meia noite para ganhar um concurso... E por aí vai...
Repararam no elenco ilustre? E ainda temos Matthew Broderick, James Belushi, Carla Gugino, Til Schweiger, Seth Meyers, Sarah Paulson, Josh Duhamel, Alyssa Milano, Cary Elwes... E apesar da obviedade do roteiro, a roteirista apresenta algumas pistas falsas sobre os relacionamentos das personagens, e acaba trazendo algumas surpresas bacanas...
Bom, apesar de todos os clichês, Noite de Ano Novo, é o típico filme que nós gostamos de assistir no fim de ano. Por isso, mandei tudo às favas, e me diverti bastante com as tramas paralelas... Deixar de lado o preconceito, e encarar o filme de Marshall como uma agradável diversão, é o melhor que temos a fazer. Então, quem não viu ainda, vá ao cinema mais próximo, até 31/12, e se divirta com "Noite de Ano Novo"... Quem sabe algum diretor brasileiro resolva se inspirar e fazer um filme com essa temática sobre São Paulo no fim de ano... Por que não? Feliz Natal a todos!!!!
Direção: Brian DePalma. Com Kevin Costner, Sean Connery, Robert DeNiro, Andy Garcia, Charles Martin Smith, Richard Bradford, Billy Drago, Patricia Clarkson. 119 min.
Sinopse: Nos anos 30, na época da Lei Seca, quatro policiais se unem na captura do famoso gângster Al Capone, e se deparam com rastro de violência e morte pela frente.
Comentários: Produção classe A indicada a quatro Oscar, ganhou o de ator coadjuvante (Sean Connery). Foi ainda indicada para direção de arte, figurinos e trilha sonora. Os Intocáveis se consagrou nos anos 80 como o melhor filme dirigido por Brian DePalma que, dessa vez, foi menos hitchcockiano. Aqui, ele envereda pelo mundo dos gângsteres e focaliza a perseguição de grupo de policiais (os "intocáveis" do título) na perseguição do maior de todos os criminosos da época: o lendário Al Capone. Embora não seja um filme do gênero em que DePalma dirigia com maior freqüência (vide "Vestida Para Matar", "Um Tiro na Noite" e "Dublê de Corpo"), Os Intocáveis apresenta eletrizantes cenas de alta tensão (como a parte em que o personagem de Sean Connery é espionado e perseguido, estando na própria casa) e os habituais jogos de câmera, que são fundamentais em sua obra. Mas a cena espetacular do filme, que já é clássica na história do cinema, é àquela que homenageia a pérola do cinema russo dos anos 20, "O Encouraçado Potemkin", em que um berço começa a descer, desparadamene, uma escadaria de vários degraus. Além disso, o filme ainda conta com belíssima direção de arte, que reconstitui com competência a época em que se passa o enredo. Outro fator importante para o todo, é a formidável trilha sonora de Ennio Morricone, que envolve o telespectador e é bem utilizada nas cenas devidas. O roteiro de David Mamet não decepciona, oferecendo momentos ágeis e surpreendentes. O único problema é a violência extrema. As cenas de mortes são sanguinolentas e impiedosas (nem crianças são poupadas). Quanto ao elenco, Connery ganhou o Oscar de coadjuvante, no papel do policial experiente do grupo. Na verdade, o ator continua com seu bom-humor escocês, além de ser uma figura simpática. Seu personagem tem boas cenas, e talvez por isso tenha ganhado o Oscar, já que não está nem ruim, nem espetacular (esteve bem melhor no ano anterior em "O Nome da Rosa"). Kevin Costner soa a camisa no papel do policial Elliott Ness, o líder dos intocáveis, que persegue o gângster de uma forma fanática. Mas o melhor do elenco é Robert DeNiro como Al Capone. Na verdade o ator excede um pouco, mas não compromete e consegue construir um vilão odioso e repugnante, ainda que carismático. No todo, Os Intocáveis conta com a direção segurade DePalma e trama que prende atenção, com suas cenas ágeis e bom roteiro. Imperdível como cinema.
Por que comprei o filme: Essa é a primeira vez que posto um filme comprado em DVD. Infelizmente, estou caindo na real e percebendo que os VHSs são mesmo limitados. Uma pena que o DVD também seja... Enfim, é filme de Brian DePalma, com ótimo elenco, e uma grande referência para o cinema; é um clássico moderno. E o consegui por R$12,99 nas Americanas ( hoje, está em torno de R$20,00 ). Fiz um ótimo negócio, portanto. Creio que a partir de agora uma nova fase se inicia; apenas, espero que a moda Blue Ray demore pra pegar...