Direção: Brian DePalma. Com Kevin Costner, Sean Connery, Robert DeNiro, Andy Garcia, Charles Martin Smith, Richard Bradford, Billy Drago, Patricia Clarkson. 119 min.
Sinopse: Nos anos 30, na época da Lei Seca, quatro policiais se unem na captura do famoso gângster Al Capone, e se deparam com rastro de violência e morte pela frente.
Comentários: Produção classe A indicada a quatro Oscar, ganhou o de ator coadjuvante (Sean Connery). Foi ainda indicada para direção de arte, figurinos e trilha sonora. Os Intocáveis se consagrou nos anos 80 como o melhor filme dirigido por Brian DePalma que, dessa vez, foi menos hitchcockiano. Aqui, ele envereda pelo mundo dos gângsteres e focaliza a perseguição de grupo de policiais (os "intocáveis" do título) na perseguição do maior de todos os criminosos da época: o lendário Al Capone. Embora não seja um filme do gênero em que DePalma dirigia com maior freqüência (vide "Vestida Para Matar", "Um Tiro na Noite" e "Dublê de Corpo"), Os Intocáveis apresenta eletrizantes cenas de alta tensão (como a parte em que o personagem de Sean Connery é espionado e perseguido, estando na própria casa) e os habituais jogos de câmera, que são fundamentais em sua obra. Mas a cena espetacular do filme, que já é clássica na história do cinema, é àquela que homenageia a pérola do cinema russo dos anos 20, "O Encouraçado Potemkin", em que um berço começa a descer, desparadamene, uma escadaria de vários degraus. Além disso, o filme ainda conta com belíssima direção de arte, que reconstitui com competência a época em que se passa o enredo. Outro fator importante para o todo, é a formidável trilha sonora de Ennio Morricone, que envolve o telespectador e é bem utilizada nas cenas devidas. O roteiro de David Mamet não decepciona, oferecendo momentos ágeis e surpreendentes. O único problema é a violência extrema. As cenas de mortes são sanguinolentas e impiedosas (nem crianças são poupadas). Quanto ao elenco, Connery ganhou o Oscar de coadjuvante, no papel do policial experiente do grupo. Na verdade, o ator continua com seu bom-humor escocês, além de ser uma figura simpática. Seu personagem tem boas cenas, e talvez por isso tenha ganhado o Oscar, já que não está nem ruim, nem espetacular (esteve bem melhor no ano anterior em "O Nome da Rosa"). Kevin Costner soa a camisa no papel do policial Elliott Ness, o líder dos intocáveis, que persegue o gângster de uma forma fanática. Mas o melhor do elenco é Robert DeNiro como Al Capone. Na verdade o ator excede um pouco, mas não compromete e consegue construir um vilão odioso e repugnante, ainda que carismático. No todo, Os Intocáveis conta com a direção segurade DePalma e trama que prende atenção, com suas cenas ágeis e bom roteiro. Imperdível como cinema.
Por que comprei o filme: Essa é a primeira vez que posto um filme comprado em DVD. Infelizmente, estou caindo na real e percebendo que os VHSs são mesmo limitados. Uma pena que o DVD também seja... Enfim, é filme de Brian DePalma, com ótimo elenco, e uma grande referência para o cinema; é um clássico moderno. E o consegui por R$12,99 nas Americanas ( hoje, está em torno de R$20,00 ). Fiz um ótimo negócio, portanto. Creio que a partir de agora uma nova fase se inicia; apenas, espero que a moda Blue Ray demore pra pegar...
( EUA 1993 ). Direção: Brian DePalma. Com Al Pacino, Sean Penn, Penelope Ann Miller, John Leguizamo, Viggo Mortensen, Luiz Guzman, James Rebhorn, Adrian Pasdar, Ingrid Rogers, Richard Foronjy, Jorge Porcel, Rick Aviles, Paul Mazursky. 144 min.
Sinopse: Um famoso traficante de drogas, Carlito Brigante, após ser liberto da prisão, resolve mudar de vida e abandona o crime. Mas acaba se metendo com gângsteres corruptos e com as paranóias do seu desequilibrado advogado.
Comentários: Brian DePalma está menos hitchcockiano que de costume, e voltou a seguir a linha de filmes como "Scarface" e "Os Intocáveis". Contou mais uma vez com o astro do primeiro filme, Al Pacino, nesse policial um tanto longo, mas que mantém o interesse. DePalma continua fazendo seus jogos de câmeras, ainda que com menor freqüência, se comparado com outros trabalhos do diretor. Aqui, isso ocorre na cena inicial do jogo de bilhar, na cena do elevador e principalmente nos momentos de perseguição final, quando Pacino soa a camisa ao fugir dos gângsteres (em uma das cenas ela atira neles, enqaunto desce uma escada-rolante deitado!). Apesar de bons enquadramentos de câmera, e de grandes momentos de pura adrenalina, O Pagamento Final não apresenta maiores novidades, uma vez que após o lançamento de "Os Bons Companheiros", de 1990, dirigido por Scorsese, esse gênero tornou-se muito comum e um tanto repetitivo (até mesmo a metragem desses filmes é propositalmente longa). O filme, roteirizado por David Koepp, é uma adaptação de duas obras de Edwin Torres, e começa com um prólogo revelador: sabemos que Pacino será assassinado no fim, e se prestarmos bastante atenção, saberemos até quem será o assassino. Depois, há uma seqüência de tribunal bem- humorada em que Pacino, sabendo que deixará a prisão, começa a fazer um interminável discurso de agradecimentos, como se tivesse numa cerimônia do Oscar. Em seguida, ocorre os previsíveis clichês: o protagonista tenta mudar de vida, mas não consegue abandonar o crime; passa a ser perseguido por perigosos mafiosos que querem sua cabeça a prêmio; é apaixonado por uma bela mulher (Penelope Ann Miller), que espera que ele tome juízo, etc. No elenco, Sean Penn compõe um personagem bizarro e bem esquisitão. Ele aparece em cena com cabelos ruivos cacheados, no papel do advogado viciado em cocaína. E o futuro galã Viggo Mortensen tem participação pequena como um traficante aleijado. Há no filme uma canção bem famosa, e que foi bastante tocada nas rádios: You Are So Beautiful", cantada por Joe Cocker; aliás, o que soa um tanto estranho, já que se espera esse tipo de música em comédias românticas, e não em filmes do gênero. O Pagamento Final, apesar disso e dos habituais clichês, mantém o interesse graças ao típico estilo de Brian DePalma, que segura a atenção por conta de seus infalíveis movimentos de câmera.
Por que gravei o filme: Sou admirador desse cineasta contemporâneo, um dos discípulos mais fiéis de Hitchcock, apesar de alguns trabalhos frustrantes. Não é o caso desse "O Pagamento Final", que aliás, também não é o seu grande filme. Mas aprecio o gênero "gângster", e o estilo do diretor. Por isso, gravei o filme no canal AXN.