Mostrando postagens com marcador ficção científica. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador ficção científica. Mostrar todas as postagens

sábado, 28 de outubro de 2017

Blade Runner 2049

 É bastante arriscado quando Hollywood resolve realizar uma sequência de um clássico absoluto, aclamado pela crítica e público. Ainda assim, resolveram fazer isso com o filme referencial da carreira de Ridley Scott, e a responsabilidade ficou com o canadense Dennis Villeneuve.

 O visual "noir" do clássico, junto com os bons cenários futuristas, é o que chamavam a atenção no filme de Scott. Aqui, o aspecto noir sai de cena, e a direção de arte tornou-se ainda mais criativa, ao compôr um cenário urbano, em que o avanço tecnológico de outdoors interativos e a destruição nas ruas de metrópoles são so grandes contrastes da modernidade. Se o orginal já era assustador em propor um futuro pessimista (e muito próximo, 2019!), esse aqui não deixa por menos e mostra 2049 povoado praticamente por apenas andróides.

 Enfim, quanto a história, um policial andróide, que atende por "K", é designado para investigar vestígios do passado, quando desconfia que tenha existido uma criança, reproduzida por replicantes. Assim, temendo uma provável guerra entre humanos e andróides, caso seja descoberta essa possibilidade de reprodução, K tem a missão de encontrar essa criança, agora adulta, e eliminá-la. Mas, andróides de outra linha, mal intencionados, também têm o mesmo objetivo do policial. Tudo indica que tal criança, pode ser o próprio K, que acredita ser filho dos andróides Rick Deckard, a quem ele encontra e o ajuda na missão, e Rachael.

 O roteiro, de Hampton Fancher e Michael Green, ainda seguindo a inspiração do clássico livro de Philip K. Dick, encontrou uma oportunidade perfeita de colocar novamente na história os andróides protagonistas da fita de 1982, Deckard e Rachael. Fora isso, toda a atmosfera angustiante e pessimista que tumultuam pela Califórnia do futuro, instigam mais ainda o interesse pela história. Há muitos personagens femininos, com destaques surpreendentes para a narrativa, além de um protagonista determinado e que ganha de imediato a simpatia do público.

 Falando nos personagens, cabe ao galã do momento, Ryan Gosling, a tarefa de dar vida ao policial andróide K, que contracena com o veterano Harrison Ford, de volta em um dos papéis mais importantes de sua carreira, Rick Deckard. A atriz Sean Young, a Rachael, tem uma aparição na metade da projeção, usada de forma bacana. Há também Robin Wright, como a chefe de K, a cubana Ana de Armas ("Bata Antes de Entrar") como uma inteligêntia artificial apaixonada pelo personagem de Gosling (aliás, os sentimentos entre andróides são bem explorados na história, fato que os confunde demais com seres humanos), o vaterano Edward James Olmos, também retornando em uma apraição como Gaff, a interessante holandesa Sylvia Hoeks, talvez o personagem feminino mais importante, a vilã Luv e Jared Leto como o grande vilão Niander Wallace (ainda assim, o personagem não tem conclusão, certamente a grande falha do roteiro, ou isso talvez seja uma brecha para outra sequência).

 Questões envolvendo a ética nas descoberta científicas e os limites que ultrapassam aquilo que máquinas não poderiam fazer, como gerar filhos, estão presentes aqui, o que deixa essa continuação repleta de interesses que atraem facilmente a plateia (apesar da confusão, pois a impressão que se tem é a de que não há mais humanos na terra, todos parecem andróides!). Certamente, o filme receberá algumas indicações ao Oscar na área técnica, e acredito que surpreenderá de maneira positiva em diversos festivais por aí, vamos aguardar. Vale ver, e também rever. Abraços!

TRAILER:


sexta-feira, 19 de maio de 2017

Alien: Covenant

 Cinco anos após "Prometheus", o filme que funcionou como prólogo da série "Alien", surge essa sequência, realizada justamente pelo mentor da série, Sir. Ridley Scott.

 A história não apresenta muitas novidades: tripulação em exploração pelo sistema solar, capta sinais de vida, vindo de uma outra nave que se encontra num planeta isolado. Essa nave é justamente a "Prometheus" do episódio anterior, e os tripulantes encontram o andróide David, que explica para todos o que aconteceu com os demais membros. Mas o local está repleto de colônias de aliens, que os ataca, invadem a nave e epalham o terror.

 Apesar de parecer o "mais do mesmo", a típica rotina de terror e ficção científica, em fitas de alienígenas, essa aqui tem um prólogo interessante, ao mostrar um diálogo entre criador (ser humano) e criatura (máquina), o que já denota os perigos da inteligência artificial, quando tenta assumir o controle da situação.

 Além disso, o desenvolvimento do roteiro, de John Logan e Dante Harper, é eficiente e cria uma atmosfera de expectativa de tensão e angústia, principalmente quando os tripulantes da tal "Covenant" começam a explorar o planeta. Os efeitos visuais e sonoros, a direção de arte e a fotografia também são de um primor técnico admirável e excepcional.

 No elenco, apenas Michael Fassbender retorna no papel do andróide David, e também de um outro, Walter. A partir de seu personagem David, são esclarecidas as resoluções do episódio anterior, e o que sucedeu com a protagonista, Dra. Elizabeth, que foi vivida por Noomi Rapace, e que infelizmente não está presente.

 A mocinha da vez é a britãnica de Katherine Waterston (de "Steve Jobs" e "Animais Fantásticos e Onde Habitam") numa performance digna de Sigourney Weaver no auge da juventude. Há também Billy Crudup como o comandante, e vários outros atores conhecidos entre a trpulação: Danny McBride, Demián Bichir, Carmen Ejogo, Callie Hernandez... Ainda, duas participações não creditadas, de Guy Pearce, o "criador" no prólogo, e James Franco, que é rapidamente exterminado, bem antes da aparição dos aliens.

 Enfim, há excesso de persoangens, e o destino da maioria deles é previsível. De qualquer jeito, há um fascínio que envolve em torno da ideia de se pesquisar sobre vidas em outros planetas, que resulta em momentos filosóficos e arrepiantes, principalmente no diálogo entre as faces de Michael Fassbender representando um andróide do bem e outro do mal. O desfecho, muito eletrizante, deixa a plateia na empolgação de conferir logo a próxima sequência. Os fãs não irão se decepcionar nessa aterrorizante viagem espacial. Abraços!

 TRAILER:

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Passageiros

 Essa interessante ficção científica chama a atenção  por conta do seu belo visual, da dupla de protagonistas, e pelo pôster convidativo. Trata-se do novo trabalho do norueguês Morten Tyldum, após sua indicação ao Oscar de direção com "O Jogo da Imitação".

 O planeta Terra está devastado, e por isso uma nave leva milhares de terráqueos para outro planeta. No entanto, o tempo de viagem é de 90 anos, e por isso eles são adormecidos em cabines especiais à prova de tempo. Mas o astronauta Jim Preston, certamente por algum erro de sistema, acorda bem antes do tempo e se descobre como o único tripulante de pé. Como não consegue voltar a dormir, explora a nave, e tem contato com robôs que o distraem. No entanto, o sentimento de isolamento o deixa deprimido, e ele acorda outra tripulante, a bela Aurora Lane. A convivência de ambos é abalada quando descobrem que a nave corre sérios riscos, e eles tentam de tudo para salvar as vidas dos companheiros que estão em seu sono profundo.

 O trabalho de Tyldum é digno de nota, e a direção de arte competente oferece um espaço pouco visto em outras fitas do gênero, com cômodos luxuosos e deslumbrantes. Mas o roteiro, de Jon Spaiths, não é tão ousado quanto o cenário, e o filme passa a maior parte do tempo num romance espacial entre os protagonistas. Quando a sensação de perigo começa a abalá-los, há mais ação na história, mas nada surpreendente. Há ainda o acréscimo de mais um personagem no meio da narrativa, mas de forma pouco convincente.

 Jennifer Lawrence e Chris Pratt, num filme com poucos atores, são as esterlas e funcionam bem na tela, com uma química perfeita, que ganha a simpatia do espectador. Além deles, o britânico Michael Sheen, mais conhecido como o grande vilão da série "Crepúsculo", atua como o barman andróide que dialoga com Pratt, e há ainda Andy Garcia num papel menor como o capitão, e Laurence Fishburne no mencionado personagem que surge depois de um tempo.

 Enfim, dá pra curtir o entretenimento de forma despretenciosa, embora, talvez, não seja do agrado exclusivo para fãs de ficção científica. Mas que o interior da nave é um grande espetáculo e vale ser visto, é bastante óbvio. Abraços.

 TRAILER




sábado, 26 de dezembro de 2015

Star Wars: O Despertar da Força

 O público sempre se entusiasma quando descobre que uma nova franquia de cinessérie clássica de sucesso é produzida. E, obviamente, nada é mais popular na telona do que os filmes de Star Wars. Este episódio VII promete mais uma safra espetacular, e já é garantia de recordes de bilheterias, mundo afora, algo nada surpreendente.

 Um dos diretores da moda do momento, J.J. Abrams, responsável por "Missão Impossível 3" e "Além da Escuridão - Star Trek", é a escolha ideal para essa super aventura de ficção científica. Ele também comanda o roteiro, ao lado do experiente, e também cineasta, Lawrence Kasdan (Michael Arndt também colabora nessa saga idealizada por George Lucas). Outro fator evidente, é que trata-se de uma produção tecnicamente perfeita, desde os efeitos, passando pela direção de arte, fotografia e figurinos, até a trilha sonora. Tudo agradável!

 O que mais surpreende mesmo é o retorno dos protagonistas dos episódios IV, V e VI. Harrison Ford comanda a fita, e transmite bom humor como o seu Han Solo (Peter Mayhew também retorna como o seu inseparável Chewbacca). Carrie Fisher também está de volta como a princesa Leia. E Mark Hamill, ao menos nesse filme, tem apenas uma cena como o herói Luke Skylwalker, mas já fica óbvio que ele ganhará a ação nos próximos filmes.

 Fora os veteranos, Abrams comanda um elenco de novatos que segura bem a responsabilidade de seus personagens. Quem protagoniza dessa vez é uma figura feminina, a catadora de lixo Rey (Daisy Ridley) que, acidentalmente, acaba tendo acesso a um mapa que leva ao mito Luke Skywalker, objeto de cobiça das forças do mal. Isso ocorre, quando ela encontra o simpático robozinho BB-8, possuidor do mapa que lhe foi entregue pelo seu dono, o piloto Poe Dameron (Oscar Isaac), perseguido pelos militares comandados pelo obscuro e maligno Kylo Ren (Adam Driver) que almeja o poder. Dameron recebe a ajuda do soldado Finn (John Boyega), tido como traidor, e eles acabam cruzando o caminho de Rey, Han Solo e Chewbacca, e todos se unem para derrotar o mal. 

 A sinopse que eu tentei esboçar foi de uma forma para não divulgar spoiler, nem contar as surpresas que vão surgindo, e não são poucas. Algumas delas, que fique bem claro, não vão agradar aos fãs, mas há muito ainda para se observar nos próximos episódios. Enfim, um entretenimento de alto padrão, garante a diversão da plateia, e apenas demonstra que toda a série Star Wars é de fato bem sucedida em todos os detalhes. Ainda no elenco, o veterano Max von Sydow no comecinho, e uma mal aproveitada Lupita Nyong´o num papel em que ela não dá as caras, literalmente. Há também Andy Serkis, Donhnall Gleeson, Simon Pegg e Anthony Daniels também de volta como o simpático cativante robô C-3PO. 

 Que o despertar da força acompanhe todo o público para essa eletrizante produção! E que venham os próximos filmes!!!! Até mais.

TRAILER:

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Expresso do Amanhã

 Chega ao cinema com certo atraso essa diferente ficção científica, realizada em 2013, por um bom cineasta da Coreia do Sul, Joon-ho Bong (de "O Hospedeiro" e "Mother - A Busca Pela Verdade"), que também é autor do roteiro ao lado de Kelly Masterson (inspirado em uma graphic novel francesa).

 Num futuro bem próximo (pra ser preciso, em 2031), o mundo todo foi congelado, e as pessoas dizimadas. Os sobreviventes encontram refúgio num quilométrico expresso, que não para de correr sobre trilhos, que ligam praticamente todo o planeta. Nele, há divisões sociais, os mais favorecidos ocupam os lugares mais luxuosos, enquanto os menos favorecidos se encontram amontoados no mesmo vagão, e são praticamente escravizados e com escassez de alimento. Entre os pobres, está o revolucionário Curtis, que almeja acabar com toda a injustiça que ele e seus parceiros sofrem, e organiza um grupo para chegar até o criador do expresso, Wilford, e fazer sua própria justiça. No entanto, para chegar até ele, passará por maus bocados...

 É difícil de entender os motivos que fizeram com que essa talentosa fita (e, certamente, se tornará cult no futuro) tenha recebido pouca repercussão, e até mesmo seu atraso em nossos cinemas é questionável (fora ter sido esnobada no último Oscar). O fato é que o competente diretor brinda o público com uma aventura de ficção científica espetacular, não apenas no cuidado técnico e visual, mas também com um roteiro inteligente, que não poupa em mostrar o descaso social de forma real e crua. Afinal, não seria o expresso uma alegoria sobre o mundo em que vivemos? As desigualdades e os esquemas de corrupção e violência que se vê na tela não são muito diferentes do que acontece hoje em dia em qualquer sociedade do planeta. Bong faz uma variação de diversos gêneros, com destaque para as violentas cenas de luta (bem ao estilo oriental), e mistura um pouco de drama, humor, aventura e até mesmo um momento musical (certamente, o ponto mais surreal de toda a história, que surpreende).

 Num elenco excepcional, o protagonista é o Capitão América Chris Evans, com uma maquiagem que o torna muito distante do galã que impressiona e arranca suspiros do público feminino (ainda assim, ele seria um trunfo para uma propaganda de marketing, com o intuito de arrecadar ingressos, se não houvesse má vontade das distribuidoras). Além dele, o grupo é composto pelo sempre admirável John Hurt (como o mentor do grupo), Octavia Spencer (no papel da mulher guerreira) e Jamie Bell (que faz o rebelde contestador e melhor amigo do personagem de Evans). Ed Harris interpreta o grande vilão, que apenas aparece no fim, mas com grande destaque (faz lembrar o personagem que interpretou em "O Show de Truman", com o Jim Carrey). E o grande destaque, sem sombra de dúvida, vai para a excelente Tilda Swinton, em mais uma perfeita composição bizarra, no papel da ministra Mason; ela está irreconhecível, numa interpretação digna de Oscar. E para encerrar, sem ser menos importante, há uma dupla coreana, que já havia trabalhado com o diretor em "O Hospedeiro", Kang-ho Song e Ah-sung Ko, respectivamente pai e filha, que auxiliam o grupo de militantes liderados por Evans.

 A cada vagão que os heróis penetram, novas surpresas e cenários magníficos invadem à mente do espectador, fazendo o interesse aumentar cada vez mais. O final é satisfatório para uma possibilidade otimista (ainda que remota), e deixa uma janela para uma provável sequência (se de fato isso acontecer, temo que comprometa o bom resultado desse filme). Enfim, um espetáculo que cumpre seu papel no entretenimento, e ainda convida o público para uns momentos de reflexão sobre ética e sociologia. Quem ainda não viu, não perca a oportunidade. Abraços!

TRAILER:




quinta-feira, 4 de junho de 2015

Mad Max: Estrada da Fúria

 Quando você imaginava que uma franquia clássica blockbuster entre o fim dos anos 70 e início dos 80 já tinha sido encerrada, e sonhando com a possibilidade de remake, eis que o veterano George Miller ressuscita a série, e lança o 4º episódio de Mad Max, dessa vez batizado como "Estrada da Fúria", exatamente 30 anos após o último filme. E Miller não derrapa na condução dessa sequência, além de ser responsável pelo roteiro, ao lado de Brendan McCarthy e Nick Lathouris.

 Dessa vez, sai de cena Mel Gibson, e entra o novo astro do momento, Tom Hardy, que ainda não é tão popular assim no Brasil, embora tenha tido bastantes destaques em "A Origem" e "Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge". Enfim, Hardy sua a camisa e causa bastante impacto na pele de Max, que vaga pelas estradas australianas sem rumo, e já desiludido com a vida, após perder sua família, assassinada por gangues de motoqueiros, no primeiro filme da série. O fato é que  mundo pós apocalíptico desse novo episódio, é mais pessimista e assustador do que os outros três. Os vilões, inclusive, possuem caracterizações medonhas e macabras, parecendo os zumbis de "The Walking Dead", aproximando um pouco ao terror. Nesse caso, quem se destaca é o ditador interpretado pelo indiano Hugh Keays-Byrne (que também esteve no 1° Mad Max), uma figura aterrorizante.

 Mas Max recebe a ajuda do jovem Nux (o simpático protagonista de "Meu Namorado é um Zumbi", Nicholas Hoult), a princípio um "soldado" do mal, mas que acaba ajudando o herói por uma questão de consequência dos fatos. A grande figura de cena, contudo, é feminina: a excelente Charlize Theron domina todo o espetáculo na pele de Furiosa (e faz jus ao nome), uma guerreira de um braço só, que tenta escapar do domínio de Immortan Joe (o personagem mencionado de Hugh), e leva junto a ela as cinco esposas dele, uma delas grávida, inclusive.

 Enfim, tudo isso num cenário totalmente dominado pelas areias, não há mais nada na tela, não se vê casas, estradas concretas, jardins.... Nada! Segundo a visão de Miller, todo o planeta foi coberto pela terra. A partir de então, o espectador se surpreende com a excelente qualidade técnica da produção, começando pela fotografia, e se estendendo aos efeitos visuais e a sonoridade, prováveis babadas para o Oscar 2016. Quem espera momentos de alívio cômico, vai se frustrar, afinal a edição é ágil, e o que se vê constantemente é ação do início ao fim, com poucos momentos de conversa. Isso, talvez, possa incomodar um pouco uma plateia mais leiga, que necessita de maiores esclarecimentos, mas não prejudica o resultado final.

 Sem dúvida, o pessimismo amargo e cruel para um futuro sem perspectivas de sobrevivência (com a escassez de água) não deixa de impressionar. As inevitáveis sequências já estão sendo desenvolvidas, e existe uma remota possibilidade um episódio a ser estrelado pela Furiosa de Charlize Theron. Afinal, definitivamente, ela comanda o espetáculo, e rouba a cena, sem desmerecer o Max de Tom Hardy. No mais, uma boa sugestão de blockbuster para o feriado. Abraços!

TRAILER:

sábado, 9 de agosto de 2014

Planeta dos Macacos - O Confronto

 A tão aguardada sequência do remake de 2011 estreia agora nos cinemas, dessa vez sobre a batuta de Matt Reeves, que ganhou popularidade após o bom êxito de "Cloverfield - Monstro", e continua a história dez anos após a liberdade do protagonista, o macaco Caesar.

 Antes de mais nada, é sempre bom exaltar a performance do ator Andy Serkis, um grande especialista em interpretar criaturas na tela, principalmente com o popular Smeagol da série "O Senhor dos Anéis". E ele acertou o tom mais uma vez na pele do revolucionário líder dos macacos.

 Quanto a história, os humanos estão sofrendo uma séria crise de epidemia, causada por um vírus criado em laboratório. Um grupo de sobreviventes vão parar em uma floresta habitada por uma comunidade de primatas, liderada por Caesar. Assim, eles tentam buscar uma trégua com os macacos, e deter a epidemia.

 Como se deve esperar de uma sequência, a produção é de qualidade magnífica, os efeitos bons, assim como a tecnologia do som. A história, no entanto, é cansativa, longa e sem maiores novidades. Até mesmo as cenas de ação, aliás, são óbvias, previsíveis e também não empolgam. Se o espectador optar por ver em 3D, simplesmente pagará o ingresso mais caro e não se impressionará com nada (como, aliás, acontece de costume ultimamente).

 O roteiro, escrito por Mark Bomback, Rick Jaffa e Amanda Silver, adaptado do livro de Pierre Boulle (naturalmente, de forma livre), até faz uma interessante colocação crítica na cena em que os humanos são aprisionados pelos macacos, e tratados de forma cruel e autoritária, da mesma forma que nós, habitualmente, tratamos as outras espécies (o que faz refletir sobre o preconceito e o desrespeito entre as raças). Mas tudo é tão lento e cansativo, que acaba passando batido.

 Para piorar, o elenco é fraco, com destaque apenas para o veterano Gary Oldman, no papel de um cientista, que de certa forma é o vilão humano principal (há outro, mais importante, no grupo dos macacos, um certo Koba), Mas o personagem é rapidamente esquecido. O fraco Jason Clarke lidera o grupo de humanos que interagem com Caesar, e Keri Russell faz o fraco e desperdiçado papel da mocinha que tem pouco a fazer em cena. E por aí vai.

 Infelizmente, a história não empolgou, apesar de um momento nostálgico de flashback, em que Caesar lembra de suas origens. Vale mesmo pela atuação e movimentos do já mencionado Serkis, e pela curiosa linguagem de sinais adotada como processo de comunicação entre os primatas. Fora isso, não é o típico filme que eu recomendaria para ver no cinema. Mas muitos gostaram! Enfim, que cada um tome seu próprio partido. Abraços!

TRAILER:

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Transcendence - A Revolução

 Esta nova ficção científica chegou nos cinemas agora nesse período de férias, e chama a atenção pelo trailer e por ter um elenco atraente. Por esse motivo, fui conferir essa longa que marca a estreia na direção do fotógrafo Wally Pfister. Falando em férias, abro um parêntese para demonstrar minha irritação com o excesso de filmes dublados que dominaram o Brasil. E pelo andar da carruagem, em breve as produções com o áudio original serão uma extinção. Triste que isso aconteça num país em que a leitura é algo pouco investido... Uma pena!

 Quanto ao filme, Will (Johnny Depp) é um cientista que cria um computador consciente. Isso é visto com maus olhos por um grupo de radicais anti-tecnologia, e acaba sendo assassinado. Porém, a esposa (Rebecca Hall) consegue transferir o cérebro de Will para um computador, e ele permanece na máquina. Mas sua personalidade não é a mesma.

 Seria uma aventura eletrizante, se não fosse muito confusa. O roteiro de Jack Paglen se perde na prolixidade da linguagem científica, e arrasta o filme. As cenas de ação demoram para surgir, e o espectador não consegue conter a impaciência de presenciar situações mal explicadas e confusas demais. Nos 40 minutos finais, a história consegue ter um ritmo mais ágil, mas custa chegar até lá. E não deixa de ser estranho ver Johnny Depp (dessa vez contido) ressurgir na máquina como se fosse a noiva do frankenstein. A partir desse momento, a impressão que fica é a de que os herói tornou-se vilão, e os vilões, mocinhos.

 No elenco, além de Depp e Rebecca, o veterano Morgan Freeman em mais um papel de coadjuvante-auxiliar do herói (a impressão que fica é a de que o veterano ator está aceitando qualquer coisa agora). E há também Paul Bettany e Cillian Murphy como agentes aliados a Depp, e ainda Kate Mara (de "Homem de Ferro 2"), como uma revolucionária anti-tecnologia.

 Enfim, o filme garante o seu público que curte ficção científica. Mas se fosse menos confuso e mais movimentado, teria resultado satisfatoriamente, o que não acontece. Enfim, quem quiser se arriscar... Abraços!

 TRAILER:



sábado, 1 de março de 2014

Robocop

 Robocop marca a estreia na direção americana do nosso cineasta brasileiro, José Padilha, que ganhou fama com os dois "Tropa de Elite". Fui conferir na tela grande essa aventura, principalmente por se tratar de um remake bastante esperado, do clássico dos anos 80, que inaugurou o holandês Paul Verhoevem em Hollywood, já famoso em sua Holanda natal.

 Como era de se esperar, não temos aqui uma xerox perfeita do original, o que é bom, já que os tempos são outros. O roteiro, de Joshua Zetumer, dá uma ideia mais futurista que o original de 1987, e conseguimos visualizar com facilidade uma era dominada por avanços tecnológicos de última geração. Além disso, nós temos um Robocop com traje mais escuro, e pilotando uma moto frequentemente. E a parceira dele, a policial Anne Lewis, vivida por Nancy Allen no filme de Verhoeven, está fora da história e foi substituída por um policial de mesmo sobrenome chamado Jack, interpretado pelo ator Michael K. Williams (que também está em "12 Anos de Escravidão").

 Dessa vez, no lugar de Peter Weller, nós temos o novato sueco Joel  Kinnaman (que atuou em "A Hora da Escuridão" e "Protegendo o Inimigo") interpretando o herói, o policial Alex Murphy. Diferente do clássico de 87, ele não morre, mas sofre um terrível acidente, ao ter seu carro explodido por perigosos bandidos. Assim, uma coorporação chefiada pelo político Raymond Sellars (o sumido Michael Keaton, de volta à ativa) tem uma brilhante ideia: criar um robô policial para defender os civis e trazer mais segurança para a população de Detroit, com o intuito de conseguir votos e ser eleito (creio que a senador, ou coisa parecida). Para tanto, contrata o cientista Dennett Norton (o sempe ótimo Gary Oldman), que é o responsável pela nova identidade de Murphy. No entanto, o desejo de vingança de nosso herói persiste, e ele deseja acabar com aqueles que quase o mataram. A partir de então, descobre um esquema de corrupção policial, e acaba por perceber que o pior inimigo agora é outro.

 José Padilha adicionou elemntos de "Tropa de Elite 2" na construção da figura pública governamental como vilã, o que torna a aventura ainda mais interessante. Claro que tudo é tecnicamente perfeito, o visual é impressionante e o ritmo é ágil. Apesar disso, muitas cenas de ação são banais e repetitivas. Mas nada estraga essa nova versão, bastante pessimista em relação ao futuro. No elenco ainda, destaque para o excepcional Samuel L. Jackson, no papel de um apresentador sensacionalista de telejornal (tal como o interpretado por André Mattos em "Tropa 2"). E para não ficar restrito ao clube do Bolinha, há algumas personagens femininas interessantes que substituem muito bem a policial Lewis da série clássica. A loirinha Abbie Cornish (de "O Brilho de Uma Paixão" e "Sete Psicopatas e um Shih Tzu") faz a esposa de Murphy, uma personagem pouco desenvolvida no original; a boa atriz Jennifer Ehle interpreta a assistente do vilão Keaton; e a já indicada ao Oscar, Marianne-Jean Baptiste (por "Segredos e Mentiras", de Mike Leigh) faz a chefa de Murphy.

 O final deixa portas abertas para prováveis sequências, mesmo porque não esclarece os destinos de alguns personagens. Enfim, trata-se de um remake bem-sucedido, que contou com a mão firme de Padilha, demonstrando ter um futuro bastante promissor nos States. Assistam a Robocop, e preparem-se para um eficiente filme de ação.

TRAILER:

domingo, 13 de outubro de 2013

Gravidade

 A temporada está aberta para ficções científicas! Contudo, esqueça meus comentários sobre Elysium, que era agitado e até divertido. Dessa vez, temos um suspense dramático e assustador, com apenas alguns instantes descontraídos. E fala-se muito nas boas possibilidades de indicações que Gravidade pode ter em 2014. E eu acredito que muita coisa boa vai mesmo acontecer, de fato.

 O diretor Alfonso Cuáron, que contou com a colaboração de seu filho Jonas Cuáron no roteiro, se destaca por dirigir filmes com temáticas diferentes entre si. Enveredou pelo mundo infantil com "A Princesinha", drama romântico com "Grandes Esperanças", comédia erótica com "E Sua Mãe Também" e o melhor filme da série "Harry Potter", com "O Prisioneiro de Azkaban". Aqui, ele eleva sua originalidade fazendo uma ficção científica diferente de tudo que já se viu no gênero (aliás, abro um parênteses; ele também já investiu no gênero com "Filhos da Esperança", mas com história bem distinta).

 No elenco há apenas dois atores em cena, Sandra Bullock e George Clooney. Eles interpretam dois astronautas que estão em missão no espaço (pouco importa qual é a missão, que se torna coadjuvante perto do que se sucede). Enquanto eles, e mais um, estão do lado de fora da nave, tentando solucionar algum problema externo de satélite, uma chuva de meteoros mata o companheiro deles,e a situação se complica quando descobrem que os demais tripulantes também estão mortos. Precisam flutuar em direção à nave, e os problemas persistem quando perdem contato com a central de Houston, e começam a perder o pouco oxigênio que insiste em diminuir em seus trajes.

 O que torna Gravidade uma produção bastante diferenciada em relação a outras do gênero, é o fato de que a maior parte da ação acontece na parte de fora da nave, no espaço mesmo, nu e cru! Ou seja, ambos exploram o espaço constantemente enquanto lutam contra o tempo. Nesses instantes, o espectador se depara com cenas belíssimas e com a "aparente" tranquilidade que o cenário demonstra. Toda essa beleza é mérito da competente direção de arte, e também de uma eficiente fotografia. O espaço nunca pareceu, como aqui, um lugar infinito, misterioso e repleto de curiosidades para exploração. A angústia toma conta quando a personagem de Bullock permanece sozinha na aventura, após perder o contato com o astronauta de Clooney.

 A atriz, aliás, está em excepcional atuação, como a novata que está em sua primeira missão no espaço, após uma tragédia pessoal (perdeu a filha num acidente de carro). Fala-se muito numa provável indicação ao OSCAR do próximo ano, o que eu não descarto. Aqui, ela segura uma personagem ao mesmo tempo sensível e determinada, superando o papel que lhe rendeu a estatueta de ouro em 2009 ("Um Sonho Possível"). Clooney, por sua vez, é responsável pelos momentos de alívio cômico. Por ser um veterano de viagem espacial, ele procura sempre manter a tranquilidade e faz piadinhas o tempo todo. No fim, seu personagem (com destino infelizmente previsível) é um alter ego de si próprio, o cara boa praça, simpático e descontraído, o típico papel que ele costuma fazer em comédias românticas (ainda, que aqui seja outro terreno). Por isso, a indicação dele é menos provável...

 O final não deixa a peteca cair, é eletrizante também, e termina de forma satisfatória. O filme, porém, pode desagradar a alguns por falta de mais personagens e tramas paralelas. Além disso, o clima angustiante e sufocante pode causar um certo mal estar (principalmente se o ar condicionado da sala estiver desligado). Em todo caso, dessa vez eu gostei do 3D do filme, bastante oportuno e responsável por bons momentos de tensão. Até as lágrimas de Bullock parecem como partículas sólidas. Creio que Gravidade será uma grata surpresa nos festivais do próximo ano, não só na parte técnica, como nas categorias principais. O diretor Cuáron e a estrela Sandra Bullock devem figurar entre os indicados. Vamos aguardar... Abraços!

TRAILER:

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Elysium

 Uma ficção científica interessante, reflexiva, agitada e divertida! Em poucas palavras, assim se resume as qualidades de Elysium, filme que assisti no cinema recentemente. Só lastimo o fato de que ultimamente temos um excesso de filmes dublados por todas as salas de projeção da cidade. Toda a veracidade se perde quando ouvimos vozes que não são as verdadeiras. Isso acontece porque vivemos num país em que pouco se lê, e a demanda solicita cópias dubladas. Uma pena! Enfim, pelo menos as vozes dos astros brazucas do filme são dubladas por eles mesmos. Ainda bem!

 Bom, broncas a parte, Elysium é a nova produção do cineasta sul africano Neill Blomkamp, que teve popularidade merecida com o ótimo "Distrito 9". Aqui em sua nova pelicula ele continua focando a crítica social, que também esteve presente no filme anterior. No ano de 2154, o planeta Terra está um verdadeiro caos, e é apenas habitado por pessoas pobres. A minoria privilegiada , os ricos, refugiaram para Elysium, uma espécie de "supernave", ou "miniplaneta" projetada com todo luxo e conforto para atender as acomodações de seus habitantes. Nas mansões do lugar, existem mesas que têm o poder de curar àqueles que tem algum tipo de doença. Por isso, o operário Max precisa desesperadamente desse recurso medicinal, pois, após sofrer um acidente de trabalho, ele tem poucos dias de vida. Com o intuito de chegar até Elysium, ele necessita da ajuda de Spider, que financia viagens "clandestinas" para lá. No entanto, Max terá que tomar o máximo de cuidado com Delacourt, uma das "poderosas" do lugar, e do temível vilão Kruger.

 Blomkamp, também roteirista, brinda os fãs do gênero com as mais interessantes cenas de ação que poderia colocar, apesar dos habituais clichês que não estragam a diversão. Curioso é visualizar a Terra de 2154 bastante parecida com bairros do subúrbio de São Paulo e morros com diversas favelas que lembram muito bem a periferia do Rio de Janeiro. Paralelo a isso, a famosa Elysium tem todo conforto sofisticado e moderno típico de qualquer país de "primeiro mundo". Com esse contraste, Blomkamp acentua muito bem a divisão de classes, objeto de sua crítica.

 No elenco, os "brazucas" mencionados no começo do texto são a já estrela por lá nos States, Alice Braga, no papel da mocinha, e Wagner Moura, tentando a sorte no cinemão americano, após o êxito obtido com o Capitão Nascimento de "Tropa de Elite". Moura interpreta Spider, que ajuda o mocinho feito pelo galã Matt Damon (curiosamente, ele parece ser o único loiro de olho azul que habita a Terra, bastante povoada por negros e latinos). Jodie Foster interpreta a inescrupulosa Delacourt. A estrela, aliás, aparece bastante envelhecida e sem maquiagem, aos 50 anos. O grande vilão, contudo, é o ator sul africano que foi o herói de "Distrito 9", um certo Sharlto Copley, que rouba a cena em alguns instantes. Por fim, há também no elenco, presença do mexicano Diego Luna, como o amigo de Damon. 

 Elysium certamente não é melhor que Distrito 9, mas apresenta uma boa reflexão e um alerta para se pensar em como preservar o futuro. Com tanto pessimismo em cena, é bastante natural ficarmos chocados e inconformados com a possibilidade de vivermos num lugar que vai piorando com o passar do tempo. E, reafirmo, há os habituais clichês, e a gente sabe como tudo vai acabar (apesar de alguma surpresa ou outra inesperadas). Porém, o filme atinge as expectativas, e Elysium se conclui como uma boa alternativa do cinema-pipoca. Mas, se conseguir, tente evitar a versão dublada! Abraços!

TRAILER:



sexta-feira, 22 de junho de 2012

Prometheus

 O título passou despercebido por mim, e imaginava ser um filme no estilo "Transformers", o que não é apreciado por mim. Mas, ao ler algumas "fofocas cinematográficas", descobri que Prometheus foi rotulado como um prólogo da série "Alien". Então, como sou fã da série, não pensei duas vezes, e embarquei nessa companhia. E não me arrependi.

  Ainda bem que Ridley Scott investiu na ideia, e trouxe um destino mais feliz para a série, que havia caído no extremo mal gosto com o horrendo "Alien vs. Predaor", e sua abominável sequência, que eu nem vi, e nem pretendo ver. Aqui, ele tem um excelente trabalho de produção, direção de arte, fotografia, tudo digno de um blockbuster classe A, além de um elenco comprometido.

 Não vou me ater a detalhes quanto a época em que passa o filme. O fato é que antecede os acontecimentos do Alien n°1, e se passa no futuro (algo tipo 2070, por aí...). Enfim, a sinopse que eu vos apresento é típica de clichês, que encontramos em qualquer filme similar. É a velha equipe espacial que se aventura entre as galáxias e planetas distantes, com o intuito de encontrar respostas acerca da origem da humanidade. Obviamente, encontram problemas pela frente: uma estranha raça de alienígenas que têm aquela estranha vontade de matar os seres humanos... A partir daí, salvem-se quem puder!

 Pelo tom satírico em que fiz o comentário, talvez vocês possam estar pensando que eu não gostei do filme. Muito pelo contrário! Achei um trabalho magnífico e acima da média, e que poderia correr um sério risco se parasse em outras mãos, senão nas do experiente Scott, que é especialista no gênero. Tudo bem, de fato, Prometheus (que, aliás, é o nome da nave da tripulação) tem clichê a beça: há um robô extremamente inteligente e cheio de astúcia entre eles; há momentos em que, enquanto um grupo explora o planeta desconhecido (que eu nem me recordo se o nome dele foi mencionado), outros monitoram pela nave; a figura do líder da missão é fria e gananciosa; e, como não podia deixar de ser, sai um aliem sai da barriga de um dos tripulantes, no caso, da heroína da história. Fora isso, o roteiro desenvolvido pela dupla Jon Spaihts/Damon Lindelof mistura ação com filosofia. Afinal, a discussão sobre a origem da humanidade aparece frequentemente em cena. No início da projeção, inclusive, há um prólogo que faz lembra o clássico kubrickiano, "2001 - Uma Odisseia no Espaço". Em todo caso, acho que o ponto fraco da película consta justamente nessa tentativa de misturar terror e filosofia. Afinal, não são satisfatoriamente esclarecidos os motivos pelos quais as respostas sobre a origem da vida estariam no planeta em questão. E para não deixar o filme muito "prolixo", os aliens estão lá para arrebentar e destruir, eliminando um a um toda a tripulação.

 No elenco, quem faz a mocinha é a sueca Noomi Rapace, estrangeira candidata à estrela em Hollywood, e que esteve na sequência de Sherlock Holmes. Ela não é nenhuma Sigourney Weaver (a saudosa tenente Ripley, de toda a série), mas não deixa a peteca cair. Inclusive, tem os trejeitos mais femininos que a Ripley, e cai na simpatia do público feminino. Quem se destaca, no entanto, é Michael Fassbender ( de "X-Men - Primeira Classe" e "Shame" ), um dos novos astros de Hollywood, e que faz o robô David. Seu personagem é o foco da trama, e a interpretação do ator é sublime. Creio até em alguma possibilidade de premiação (tudo bem, é filme de ação! Mas, não se esqueçam que Johnny Depp já foi indicado ao Oscar por Piratas do Caribe!; aliás, a própria Sigourney Weaver foi indicada por Aliens - O Resgate!). Ainda no elenco, Guy Pearce (numa esplêndida maquiagem, ele aparece bem envelhecido), Idris Elba ( de "Thor") e Patrick Wilson, numa participação pequena como o pai da heroína. Ah, sim! Não posso me esquecer da grande estrela do ano, Charlize Theron, que interpreta a líder do grupo. Eu mencionei anteriormente essa personagem, só não disse que a figura era feminina. Mesmo não sendo a protagonista, Charlize marca bem sua presença em cena.

 Enfim, gostei do filme. Ele trás uma atmosfera angustiante, e até mesmo pessimista, que me contagiou. Desenvolvi um estranho sentimento por esse filme. E é isso que o torna diferente, em um gênero muito explorado ultimamente. Falei do pessimismo, mas repleto de esperança também. O final deixa uma janela aberta para uma provável sequência (não creio que seja revelador o que eu direi, mas as respostas não foram encontradas pela personagem). Quero assistir mais uma vez ao filme para ter um posicionamento melhor sobre ele. E, lógico, certamente indico essa aventura que eu assisti em 3D (vale a pena ver nesse formato!) Uma boa tarde pra todos!!!

TRAILER:

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Super 8

Produção de Steven Spielberg e direção de J.J. Abrams. Os dois nomes famosos são atrativos, e a sinopse, para um "filme pipoca", também chama a atenção. Por isso, eu e minha esposa fomos assistir ao filme.

A história se passa no fim dos anos 70, e nos deparamos com um grupo de pré-adolescentes que se diverte filmando produções "classes z" de zumbis devorando as pessoas (percebo aqui, uma homenagem ao cineasta do gênero, George A. Romero). Para tanto, utilizam a máquina primitiva do título, a famosa "Super 8". Algo estranho acontece, no entanto, quando eles gravam um desastroso acidente, envolvendo um tem em disparada e um veículo, que é estraçalhado por ela. A partir de então, coisa bizarras e estranhas passam a acontecer na pequena cidade de Ohio, onde os garotos vivem.

Começa muito bem, com um clima convidativo e atraente. No início, entrei de cabeça na aventura dos garotos, e me recordei de filmes do gênero que marcaram minha infância, como "Os Goonies", "Os Garotos Perdidos" e "Deu a Louca nos Monstros". Porém, da metade em diante, torna-se uma ficção científica chata, entediante e interminável, com uma gigantesca e sinistra criatura abduzindo quase todo o elenco. Uma derrapada feia no roteiro, escrito pelo próprio Abrams, interrompe a diversão. Isso, aliás, devia ser esperado, já que Abrams cometeu o mesmo equívoco com a série "Lost", que de original e surpreendente, perdeu o interesse, com tanto absurdo que não foi explicado. Pelo menos, a cena do acidente é inesquecível e admirável, competência óbvia da marca spielbergiana da produção.

Sem grandes nomes no elenco, os mais famosos são Kyle Chandler ( de King Kong, como o xerife, e pai do protagonista, o garoto Joel Courtney, talvez, um novo Elijah Wood ) e Elle Fanning ( O Curioso Caso de Benjamin Button, Um Lugar Qualquer ) como a única garota do grupo. Ainda assim, gostei das interpretações de todo o conjunto, e eles podem ( quem sabe?) virar astros.

Apesar de ter perdido o fio da meada ( o final é uma grande bobagem ), a produção apresenta uma surpreendente novidade durante os créditos finais, pra mim o melhor momento da película, em que é mostrado o filme de terror que os garotos produziram. Bom, não sei se eu recomendo assistir Super 8 no cinema, talvez seja mais conveniente vê-lo em DVD. O fato é que, apesar das poucas boas sacadas, o filme foi uma decepção. Esperava muito mais... Abraços!

TRAILER:



segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Matrix

( EUA 1999 ). Direção: Larry Wachowski, Andy Wachowski. Com Keanu Reeves, Laurence Fishburne, Carrie-Anne Moss, Hugo Weaving, Joe Pantoliano, Gloria Foster, Marcus Chong, Robert Taylor, Paul Goddard, Julian Arahanga, Matt Doran, Belinda McClory, Ray Anthony Parker. 136 min.


Sinopse: Um jovem analista de sistemas, Neo, descobre que o mundo em que vivemos é, na verdade, uma grande ilusão, conhecida como Matrix. Acaba por descobrir, através da misteriosa Trinity e do astuto Morpheu, que o mundo verdadeiro foi dominado pelas máquinas, e que ele (Neo) é o ser "enviado'' para conter as máquinas, e salvar o mundo.

Comentários: Matrix se consagrou no final dos anos 90 como uma absoluta inovação técnica para o cinema. Os efeitos visuais estão extremamente impecáveis, permitindo ao espectador visualizar cenas fora do comum e criativas. A produção foi indicada a quatro Oscar, e ganhou todos: montagem, efeitos visuais, efeitos sonoros e som. Além de ter alcançado méritos na área técnica e o reconhecimento pela Academia, Matrix colocou no mapa o nome de dois diretores, que são irmãos: Larry e Andy Wachowski (também autores do roteiro), que já vinham feito o pouco conhecido "Ligadas Pelo Desejo", um filme menor. Mas, apesar dos efeitos e dos som serem os grandes responsáveis pelo espetáculo, o filme conta uma interessante história filosófica. Tendo como ponto de referência a "Alegoria da Caverna" de Platão, os irmãos Wachowski mostram a nossa realidade como um sonho, ou seja, algo totalmente em desacordo com o caos que o mundo se tornou, após o controle das máquinas sobre os homens. Elas, as máquinas, construíram a "matrix", e as pessoas que vivem nela são, na verdade, escravizadas naquele mundo de mentiras e estão impedidas de conhecer a verdade; tal como na Caverna do Platão, em que os seres humanos viviam acorrentados nela, desde a infância, sem a possibilidade de conhecer a verdade que existe no exterior dela. E o personagem Neo, vivido por Keanu Reeves (convincente no papel), se compara a um dos homens da Caverna que, como sugere Platão, consegue se libertar dela, descobre a verdadeira realidade e tenta libertar os outros prisioneiros; é o que acontece com o personagem de Reeves, que também consegue se libertar da caverna/matrix. Claro que as conseqüências negativas que o homem da Alegoria da Caverna sofre, não acontecem com o personagem central de Matrix; afinal, de contas, aqui, é um filme hollywoodiano de ação. Em todo caso, assistindo ao filme é impossível não refletirmos, se nós também não estamos presos dentro da Matrix. Será que nossa sociedade consegue conhecer os problemas reais que nós enfrentamos (guerra, violência,miséria...)? Ou será que nos entretemos exageradamente com a cultura de massas, a nossa matrix, enquanto o mundo se dirige ao caos da corrupção e da desigualdade? Bom, concluo que Matrix realmente tem um ótimo roteiro. Além disso, não posso deixar de reconhecer que as seqüências de kung fu e a trajetória das balas de revólver, que Keanu Reeves consegue desviar, são impressionantes e tornaram-se as marcas registradas do filme (foram satirizadas em Todo Mundo em Pânico, As Panteras, Shrek...). Além disso, destaco também as interpretações de Laurence Fishburne como Morpheus, o líder da resistência humana contra as máquinas, e a então estreante Carrie-Anne Moss como Trinity, parceira de Neo. O filme teve duas seqüências filmadas simultaneamente, tecnicamente superiores, mas com roteiros fracos e superficiais.

Por que gravei o filme: Gravei na HBO, e já havia assistido anteriormente no cinema. Matrix, na verdade, é um filme popular, todo mundo conhece e não é novidade para ninguém. É um filme de ficção científica, repleto de cenas de ação. Sem dúvida. É verdade também, que o filme arrecadou zilhões nas bilheterias, e que é prestigiado na maioria das vezes por adolescentes sem cultura, e que gostam apenas de ver pancadaria e violência na tela grande. Acredito que, por conta disso, as pessoas têm preconceito em assistir ao filme. Os mais cultos consideram o filme apenas como mais uma super-produção hollywoodiana de ficção científica. Claro que é uma super-produção, mas não podemos nos esquecer que Matrix tem referências filosóficas interessantes. Antes, poucos filmes haviam trabalhado com a idéia de uma possível associação entre o mundo e a Alegoria da Caverna (há, na verdade, "O Show de Truman" de Peter Weir, que também trata do tema). Portanto, o roteiro do filme também é inovador e curioso, mesmo que seja coadjuvante do show de efeitos especiais. Ambos, efeitos e roteiro, se completam, tornando Matrix uma produção acima da média. É necessário, portanto, as pessoas perderem o preconceito e encararem Matrix como o bom filme que ele é.

domingo, 17 de maio de 2009

Contatos Imediatos do Terceiro Grau

( EUA 1977 ). Direção: Steven Spielberg. Com Richard Dreyfuss, Teri Garr, François Truffaut, Melinda Dillon, Cary Guffey, Bob Balaban, Lance Henriksen. 137 min.



Sinopse: Um gigantesco OVNI pousa numa cidadezinha americana e captura um pequeno garoto. Um grupo de pessoas, incluindo um pai de família e a mãe do menino, tentam desvendar os mistérios que envolvem o OVNI, enquanto um grupo de cientistas, liderados por um francês, tenta estabelecer contato com a nave.

Comentários: Espetacular ficção científica indicada para oito Oscar, ganhou o de melhor fotografia. Foi indicado ainda para diretor, atriz coadjuvante (Melinda Dillon), edição, direção de arte, efeitos visuais, sonorização e trilha sonora. Spielberg já tinha popularidade nessa época, e tinha dirigido "Tubarão" no ano retrasado. E aqui comandou uma produção requintada e caríssima. Antes mesmo de "E.T.", o cineasta já havia trabalhado com tema sobre extraterrestres, que são tratados com mistério, mas com conclusão positiva. Contatos Imediatos é um típico filme spielbergiano, ou seja, conta com produção técnica luxuosa e história para ser acompanhada por toda família. O roteiro (escrito por ele mesmo) tem uma mensagem de paz e civilidade, promovida pelos estranhos habitantes do OVNI, que apenas se deixam aparecer no final, bem pacíficos e simpáticos. A excelente trilha sonora, indicada ao Oscar, é bem utilizada no instante em que os cientistas tentam captar a mensagem instrumental deixada pelos ets. O próprio OVNI, aliás, foi criado com muita vivacidade e competência, dando mérito aos efeitos visuais. Enfim, tecnicamente não há o que se discutir, pois tudo é perfeito. E a história é bem narrada e interpretada (Melinda Dillon chegou a ser indicada ao Oscar, no papel da mãe do garotinho; o cineasta francês François Truffaut tem inédita participação como ator, no papel do cientista ). Tornou-se um dos clássicos famosos de Spielberg, e impressiona até hoje pela riqueza de detalhes artísticos e pela exuberante fotografia oscarizada. Emocionante e divertido, merece ser sempre revisto.

Por que comprei o filme: Sem dúvida, Contatos Imediatos do Terceiro Grau, é um marco para a história do cinema americano. Além de ser uma grande produção técnica e inovadora, tem roteiro atraente, misterioso e emocionante. Uma das melhores cenas é aquela em que um dos extraterrestres, antes de abandonar o planeta, acena um tchau para os terráqueos, com seus olhos pacíficos e ternos. Ou seja, em épocas de guerra (levando em consideração que o filme foi dirigido em tempos de Vietnã), a imagem singela dos ets acenando para nós trás uma mensagem de esperança e anti-violência. No fim, não há o que contestar: é um clássico, até mesmo um tanto sentimentalóide (afinal, é de Spielberg), mas espetacular e original. Talvez, o melhor filme sobre o tema já produzido. E eu só paguei R$1,50 em uma locadora que estava se desfazendo de suas fitas de vídeo cassete. Não preciso nem explicar que é um filme bem-vindo na minha coleção.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Mad Max

( Austrália 1979 ). Direção: George Miller. Com Mel Gibson, Joanne Samuel, Steve Bisley, Tim Burns, Roger Ward. 90 min.



Sinopse: Num futuro não determinado, grupo de motoqueiros espalha o medo e o terror nas cidades australianas, atrapalhando a rotina dos habitantes e da polícia.

Comentários: Mad Max já é um cult, conhecido e prestigiado pelo público no geral. Sem contar o fato de ter consagrado o mega-astro Mel Gibson, na época apenas um desconhecido jovem de 23 anos. Todo o sucesso do filme é merecido. Afinal, em sua curta duração, o filme de Miller (também autor do roteiro) faz um estudo sobre a delinqüência e a violência urbana, que geralmente é praticada por seres marginalizados pela sociedade. Aqui, os vilões são representados por grupo de motoqueiros desajustados e ferozes. O filme é bem ágil, com alto clima de suspense e tensão, além de muita violência (considerando os padrões da época, evidentemente). Outro ponto alto do filme é a fotografia do deserto australiano; na produção de Miller, ele é mostrado como um gigantesco abismo, seco, infinito, devorador e sem esperança. Foi bastante imitado por filmes de ficção científica que foram realizados posteriormente (até hoje ele inspira produções classe z), e gerou duas seqüências de enorme sucesso (sobretudo o segundo de 81, apontado por muitos críticos como o melhor dos três). Enfim, eficiente trabalho de roteiro e direção, em produção de baixo orçamento, transformou Mad Max num referencial do gênero de ficção científica, além de possuir tema que permanece atual em nossos dias.

Por que gravei o filme: Apesar da crítica enaltecer o segundo filme da série (que, aliás, também existe na minha coleção), o meu favorito é este aqui. O segundo tem mais ação, mas o clima perturbador de medo e pânico estão inseridos nesse primeiro. Acho as paisagens do deserto australiano simplesmente esplêndidas e totalmente coerentes como espaço central para o enredo do filme. Não consigo imaginar outro cenário para o desenrolar da violenta e movimentada história contada por Miller. Mel Gibson melhorou sua interpretação nas seqüências, e aqui aparece bem jovem. Não canso de assistir a este filme, que não envelheceu e impressiona até hoje. Gravado no Cinemax.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

O Dia em que a Terra Parou

Esse foi o filme que Gisele e eu assistimos segunda no (adivinhem...) Shopping Park Santana, pra variar. Não fomos para assistir a esse filme exclusivamente, mas era o que tinha um horário bom. Então... Além disso, tive certa curiosidade em assistir essa fita porque é refilmagem de um clássico de 1951, dirigido por Robert Wise, e estrelado por Michael Rennie e Patricia Neal. E eu vi o clássico na minha adolescência, quando passou na madrugada da globo. E devo dizer que me diverti muito com essa modesta produção em preto-e-branco.

Diferente, foi o que ocorreu com essa nova versão. Trata-se de um filme chato, cansativo, exaustivo, interminável... Não apresenta nenhuma novidade, e as boas cenas de ação e explosões (constantes em filmes-pipoca do gênero) são poucas. Keanu Reeves interepreta o alienígena Klaatu que vem à Terra com o intuito de salvá-la. A vinda desse alien, certamente, causa o pânico e o medo por todos os lados, e governantes americanos tentam de tudo para imobilizá-lo. Apenas a cientista Helen Benson (Jennifer Connelly) lhe dá um crédito de confiança, e movida pela esperança de ver o planeta ser salvo, o ajuda em sua missão.

A partir da sinopse, o espectador que já conhece o filme original poderá facilmente concluir que a trma é a mesma. Mas não é. Os nomes dos personagens centrais não foram alterados, mas a Helen dos anos 50 de Patricia Neal não é a cientista pós-moderna feita pela Jennifer Connelly da atualidade. Além disso, a ausência do humor é sentida. No filme original, existia todo aquele clima de paranóia em tempos de guerra fria; e a vinda do extraterrestre contribuiu para aumentar a euforia do período (será ele, na verdade, um soviético disfarçado?). A direção de Scott Derrickson ("Lenda Urbana 2", "O Exorcismo de Emily Rose"), contudo, é fria e desinteressada. O roteiro de David Scarpa não oferece instantes de humor, e nem possibilita um romance entre os protagonistas (nesse ponto, até que tudo bem). E a trama, obviamente, é repleta de clichês. Em produções do gênero é até aceitável algum clichê, desde que exista pelo menos alguma cena impactante; mas, infelizmente, isso não ocorre. Na verdade, no meio do filme, há uma surpresa interessante e o suspense aumenta. Depois, entretanto, cai na rotina, e volta a ficar chato.

No elenco, além de Reeves e Connelly, a oscarizada Kathy Bates, encarna a autoridade americana, na pele da secretária de defesa (talvez o personagem mais clichê do roteiro). Além dela, John Cleese interpreta um professor, amigo de Connelly, e o menino Jadan Smith (filho do casal Will Smith/Jada Pinkett na vida real) faz o insuportável e irritante entiado de Connelly ( o tipo de personagem que a gente acaba torcendo para que seja eliminado, apesar de criança).

Enfim, quem curte o gênero ficção científica (quem gosta muito, mesmo) talvez consiga se divertir um pouco. Eu fiquei muito decepcionado. Keanu Reeves continua apático e péssimo ator (Matrix é, definitivamente, o filme da carreira dele). Não me espanta se ele for indicado ao Framboesa de Ouro de pior ator do ano (na verdade, ele não está especialmente mal; apenas ruim como sempre). E Jennifer Connelly soa a camisa com sua habitual simpatia. No possível final feliz do filme, o título é esclarecido; e pode decepcionar. Quem quiser conferir, pague pra ver! Abraços.

TRAILER:

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Efeito Borboleta

( EUA 2004 ). Direção: Eric Bress, J. Mackye Gruber. Com Ashton Kutcher, Melora Walters, Eric Stoltz, Amy Smart, William Lee Scott, Elden Henson, John Patrick Amedori, Kevin Schmidt, Jesse James. 114 min.


Sinopse: Rapaz que tem momentos de amnésia, desde a infância, descobre que consegue se transportar para o passado, através de seus escritos em um diário. Assim, ele "viaja" para o passado, com o intuito de melhorá-lo e impedir que algumas tragédias que presenciou na infância atrapalhem seu futuro.

Comentários: Uma fita de suspense e ficção científica eficiente e de grande sucesso de público. Os diretores, e também roteiristas, Bress e Gruber, bolaram um roteiro inovador, curioso e interessante, daqueles que faz com que o espectador não desgrude , em nenhum instante, os olhos da tela. A história começaum pouco confusa e deixa algumas interrogações no ar, mas aos poucos as situações vão se esclarecendo, e o público se vê convidado a embarcar na viagem ao passado junto com o protagonista. Este é interpretado por um dos galãs da atualidade, Ashton Kutcher, e é ajudado por um elenco de jovens competentes, incluindo a bela Amy Smart (de "Tá Todo Mundo Louco"), que faz a colega de infância de Kutcher. O suspense é contagiante, e cada mudança que o protagonista faz em seu passado, parece prejudicar ainda mais o futuro, o que causa bastante impacto na platéia. Com alguma violência moderada e alguns personagens instigantes (sobretudo o garoto com ares de psicopata, que é um dos amigos do herói), Efeito Borboleta é uma ótima opção para quem procura novidades no gênero, e uma história bem narrada e dirigida. Ou seja, está acima da média. Teve uma continuação em 2006.

Por que gravei o filme: Quando assisti Efeito Borboleta na tv a cabo, não esperava que eu fosse gostar bastante do filme. Não conhecia, afinal, a popularidade dele e só tinha ouvido falar a respeito dele, bem vagamente. Mas, confesso que me surpreendi com a trama muito bem narrada pela dupla de diretores/roteiristas. É, realmente, um ótimo entretenimento, um dos melhores filmes-pipoca do ano de 2004, e apresenta cenas fantásticas e de grande impacto (e inverossímeis, evidentemente). Dentro do gênero, são aceitáveis as coisas improváveis que existem na fita, e Efeito Borboleta agrada bastante aos fãs de suspense/ficção científica. Por tudo o que foi dito, o gravei no Cinemax.

sábado, 29 de novembro de 2008

THX 1138

( EUA 1971 ). Dierção: George Lucas. Com Robert Duvall, Donald Pleasence, Don Pedro Colley, Maggie McOmey, Ian Wolfe, Marshall Efrom. 95 min.


Sinopse: Numa sociedade americana do futuro, a relação sexual é depreciada e considerada como ato criminosos pela constituição. Um homem que trabalha para o governo acaba se envolvendo sexualmente com sua colega de quarto e é aprisionado pelo Estado opressor.

Comentários: Original e diferente, THX 1138 é o filme menos conhecido da minúscula filmografia de George Lucas (minúscula carreira como cineasta, claro, e não como produtor). Além disso, é também o mais interessante e sério filme do diretor de "Star Wars". Com clima que lembra bastante o clássico livro "1984" de George Orwell (aliás, já em filmado em 84[!], com John Hurt), THX 1138 apresenta a opressão do Estado sobre as massas, que corrompe a liberdade e os direitos humanos. A sociedade é robotizada, os trabalhadores estão sempre vestidos com os mesmos uniformes brancos e todos (homens e mulheres) têm as cabeças raspadas. Além disso, as pessoas confessam seus pecados a uma estátua, que parece uma mistura de Deus e oráculo. Esta, na verdade, surge como a representação alienadora de um ser elevado e superior, que tem o poder sobre todos, mas que não se assemelha em mais nada com o Deus bíblico (tal estátua fala algumas palavras de uma forma fria e desconexa). Além de ser autor do próprio roteiro (junto com Walter Murch), é evidente que George Lucas também foi o responsável pela produção, em gênero que domina (a produção executiva é de Francis Ford Coppola). A direção de arte, os efeitos visuais e a fotografia, ainda que considerando os padrões tecnológicos dos anos 70, são de primeira e ajudam a manter o interesse no filme. Mas, não é uma ficção científica para adolescentes. Ou seja, por mais que tenha sido dirigido pelo mago dos efeitos visuais, e que produziu diversos filmes para o público-pipoca, THX 1138 tem até momentos de ação, mas é sério, dramático e crítico. Enfim, o tema tratado pelo roteiro já denota que é filme para adultos, e que contém algumas reflexões filosóficas sobre o homem, a sociedade, a política, Deus... O final é otimista e sugere uma possibilidade de resistência contra a opressão. O ator central é Robert Duvall, ainda em início de carreira, e atua muito bem no papel do homem que questiona o ditador mundo em que vive. Ainda pouco conhecido (ao menos, pela nova geração), THX 1138 merece encontrar seu público. Definitivamente, hoje já é um cult.

Por que gravei o filme: Passou no Max Prime, e gravei mesmo sem assisitr, pois já conhecia algumas críticas a respeito do filme. Gosto do visual e da atmosfera perturbadora que a produção de Lucas deixa claro em cena. Por fim, THX representa o início da carreira de um dos mais bem-sucedidos e competentes cineastas da indústria norte-americana, e já previa o talento técnico excepcional de George Lucas.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Laranja Mecânica

( Inglaterra 1971 ). Direção: Stanley Kubrick. Com Malcolm MacDowell, Patrick Magee, Adrienne Corri, Miriam Karlin, Michael Bates, Philip Stone, Sheila Raynor, Warren Clarke, Anthony Sharp. 135 min.


Sinopse: Num futuro indeterminado, jovens violentos causam o caos em todo mundo, espancando mendigos e idosos, e estuprando garotas indefesas. Um deles, Alex, é capturado pela polícia e passa por um processo de lavagem cerebral, financiado pelo governo, com o intuito de diminuir a violência.

Comentários: Um dos filmes mais provocadores e impressionantes de todos os tempos, Laranja Mecânica recebeu quatro indicações no Oscar: filme, diretor, roteiro adaptado (do próprio Kubrick, através do romance de Anthony Burgess) e edição, mas acabou não levando nenhuma estatueta. O inovador Kubrick, assim como já havia feito com o extraordinário "2001 - Uma Odisséia no Espaço", utilizou cenários futuristas diferentes e exóticos, na construção dos cômodos e móveis das casas dos personagens, e do bar que serve como point para os protagonistas do filme. Enfim, umas arquiteturas surpreendentes, jamais vistas antes (exceto em 2001), e mereciam, ao menos, ser lembradas pelo Oscar na categoria direção de arte. Quanto ao roteiro adaptado pelo próprio genial Kubrick, é perturbador e resiste a debates e discussões nos dias de hoje. A sociedade apresentada pelo cineasta é controlada pela violência promovida por grupo de delinqüentes juvenis, que passa o tempo tomando leite nos bares (!), duelando com grupos rivais, torturando anciãos e estuprando mulheres. Tal cotidiano é mostrado de uma forma comum e natural, e estes jovens parecem ter o domínio de todos. Quando o líder deles (interpretado de uma forma caricata e amalucada, mas convincente por Malcolm McDowell) é capturado pela polícia, passa a servir como "cobaia" para testes de cientistas que têm o objetivo de reduzir a violência. Enfm, o personagem passa por um processo de lavagem cerebral, e começa a sentir náusea e aversão ao sexo e à violência. A partir de então, Kubrick faz uma crítica ao estado opressivo e ditador, que extermina a liberdade do ser humano, e o condiciona a uma laranja mecânica, ou seja, coloca o homem como alguém que não reflete, e age de acordo com a vontade de quem tem o poder (no caso, o governo). Por outro lado, tal lavagem cerebral surge para acabar com o caos e a desordem provocados pelos jovens. Afinal, aceitar a liberdade do cidadão em estuprar e espancar o outro, é o mesmo que ser conveniente com tudo aquilo que fere os direitos humanos. Em contrapartida, a livre expressão de pensamento também é um direito humano, e se violada (mesmo se por um bom motivo) contribui para a o estado de manipulação sofrido pelo homem. Enfim, Kubrick apresenta uma faca de dois gumes mostrando duas situações imorais e ausentes dos padrões éticos para a vida. E o que se deve fazer: acabar com a violência, ainda que de uma forma ilegal, ou defender a liberdade, e permitir que o caos continue existindo na sociedade? Uma questão que exige muita reflexão, mesmo porque a manipulação mental e a violência pesistem em nossos dias. O filme apresenta belas canções, desde a nona sinfonia de Beethoven (que tem grande importância na história) até o clássico cantado por Gene Kelly em "Cantando na Chuva". McDowell tem um ar de cínico e constrói um personagem irritantemente antipático ( muitas vezes, sentimos vontade de entrarmos em cena e estraçalhá-lo). O final é arrebatador e irônico, além de dúbio. Finalmente, chegamos a conclusão de que o bem venceu... e o mal também. Definitivamente, Laranja Mecânica é uma obra-prima do cinema.

Por que gravei o filme: Tudo o que foi dito acima despensa maiores comentários. Laranja Mecânica, afinal, precisa ser analisdo, discutido e debatido constantemente; é um filme obrigatório. Descobri tudo isso depois que o gravei no Cinemax, já que antes nunca o havia assistido, embora conhecesse o filme. Já o utilizei em sala de aula na minha disciplina, filosofia. Lembro que eu precisei gravar o filme em DVD, já que o vídeo da escola não funcionava. Todavia, os excessos de violência (sobretudo sexual) desagradam bastante o público que não está habituado aos filmes de Kubrick. Por isso, não tive uma boa recepção quando tentei exibi-lo em uma sala de suplência. Ainda assim, acredito ser importante a divulgação dele, e pretendo encontrar alguma estratégia para exibí-lo novamente. Sem mais.

download: http://uploaded.net/file/qhs9gc8c