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sábado, 22 de dezembro de 2012

O Hobbit: Uma Jornada Inesperada

 Finalmente, assisti essa tão aguardada estreia. Dessa vez não quis fazer o mesmo como fiz com o último episódio da saga Crepúsculo, em que assisti na pré-estreia (ainda que obrigado, hehehe). Eu preferi esperar um pouco para encontrar menos muvuca nas bilheterias. E tive sorte, pois tudo estava tranquilo! Creio que nessas épocas de fim de ano, com todo mundo querendo comprar presentes na última hora, as salas de cinema tornam-se mais disponíveis. E eu assisti, junto com minha fiel companheira Gisele, na sala IMAX do Espaço Itaú de Cinema, do Bourbon Shopping. E infelizmente não consegui assistir no formato 48 fps, que era minha verdadeira intenção, movido por uma curiosidade que ainda impera aqui dentro. Afinal, esse filme é pioneiro nessa inovação. Certamente, em alguns anos, será considerado como um divisor de águas pela nova tecnologia. Bom,quem sabe eu ainda veja numa próxima ocasião?

 Aliás, como a sala IMAX é formidável! Esse foi o 2° longa que eu vejo nessa tela (o anterior foi Alice no País das Maravilhas, do Tim Burton, cujo texto encontra-se no blog), e recomendo para todos. O preço do ingresso é um pouquinho mais caro, evidentemente! Mas vale a pena mesmo. E a aventura já começa com um trailer de 10 minutos sobre o próximo episódio de Jornada nas Estrelas ( até para leigos dessa série como eu, o IMAX faz você mudar de ideia ). A impressão que se tem é que Star Trek é o típico filme que se tem que ver nesse formato também, o trailer arrasou!

 Ok, chega de conversa sem volta, e vamos direto ao filme. Tenho muita coisa para dizer sobre ele, e talvez esqueça de alguma coisa; talvez, não. Como sempre faço, vou tentar esboçar uma sinopse. O hobbit do título (um ser tão baixinho quanto um anão, mas com as orelhas mais pontudas) é recrutado pelo mago de grande poder Gandalf para salvar a cidade de Erebor, dominada por um temível dragão. Desajeitado e sem talentos para um guerreiro, Bilbo Bolseiro (o nome do hobbit) aceita o desafio e parte para a inesperada jornada do subtítulo, ao lado de 13 anões, liderados pelo lendário Thorin Escudo-de Carvalho. No meio do caminho se deparam com orcs e diversas criaturas abomináveis que serão obstáculos para essa odisseia.

 Antes de mais nada, quero deixar bem claro uma coisa: Se você nunca assistiu a trilogia O Senhor dos Anéis, você entenderá o filme perfeitamente! Afinal, não se trata de uma sequência, mas sim, uma nova saga, com diversos personagens da franquia anterior, e que se passa 60 anos antes! Aliás, vai um conselho: você gostará mais ainda do Senhor dos Anéis, se assistir antes Hobbit (pelo menos esse primeiro episódio). E o filme é bom? Tenho algumas ressalvas, mas gostei. Peter Jackson, definitivamente, é o dono da bola da vez em Hollywood. Quem já assistiu aos filmes da carreira pré-histórica dele, tais como "Trash - Náusea Total" ou "Fome Animal" dificilmente acreditaria na filmografia tecnicamente milionária que ele construiu. Aqui, ele conta com a ajuda de suas típicas companheiras de quase todos os seus filmes no roteiro: Fran Walsh e Phylippa Boyens. E um fato curioso: além delas, o talentoso cineasta Guillermo DelToro também colabora no roteiro! Toro, diretor de filmes como a trilogia "Hellboy" e "O Labirinto do Fauno", pode ser considerado uma "mistura" de Jackson e Tim Burton. E eu tenho certeza que os monstros e criaturas da literatura de J.R.R. Tolkein ganharam o formato que nós vemos na tela, graças a amalucada mente dele. Não tem como não lembrar de Fauno em algumas cenas...

 Como falei anteriormente, tenho algumas ressalvas. Mas, também tenho muitos elogios.Pra começar, adorei o prólogo em que, 60 anos após essa aventura, encontramos o já velho Bilbo Baggins (Ian Holm) descrevendo como era a cidade Erebor para o seu sobrinho Frodo (Elijah Wood). Uma cena nostálgica e agradável (mas, de novo: não se preocupe se você não viu a trilogia dos anéis). Gostei bastante também do humor que envolve o filme na primeira hora de projeção. Cheguei a ter a sensação de que eu estava assistindo a uma comédia, graças ao grupo de anões que já aparecem numa entrada triunfal, em que chegam na casa de Bilbo, inesperadamente, e comem de tudo e até cantam. Lembro que o humor esteve presente em Senhor do Anéis, sobretudo nos diálogos entre o elfo Legolas Greenleaf e o anão Gimli. Mas aqui, eu cheguei a gargalhar. Esse humor foi uma boa sacada, sem dúvida!

 Outra coisa: acreditava, conforme o que eu havia lido antes, que a presença do Gollum ( ou Smeágol ) seria curta. Graças a Deus, isso não ocorre! Ele não domina a projeção toda, mas a cena em que ele aparece é a melhor de todo o filme (e também nostálgica. Aliás, também um convite para se assistir O Senhor dos Anéis). Ainda sobre os aspectos positivos, creio que seja inócuo falar da parte técnica. Ela é impecável, obviamente, e isso era o mínimo que se esperava: fotografia, direção de arte, efeitos, maquiagem... Enfim, tudo isso brilha graças a um empenho de equipe classe "A", infinitamente superior à tecnologia de "Trash", por exemplo.

 As ressalvas que faço são semelhantes às previsões de muitos jornalistas. Afinal, admito que em alguns instantes, O Hobbit torna-se um pouco cansativo. As cenas de batalha, como a primeira aparição dos orgs, e também dos lobos no deserto (estes tem um nome mais "tolkeiniano", que eu não me recordo no momento) são de tirar o fôlego. E, na tela IMAX, fica ainda muito melhor. No entanto, as outras batalhas que ocorrem, sobretudo à noite, são previsíveis e até banais para qualquer espectador que já esteja acostumado com filmes do gênero. Afinal, depois da fuga dos anões, quando eles encontram Elrond ( Hugo Weaving ), as cenas de ação, por mais espetaculares que sejam, chegam a cansar pela falta de criatividade. E isso é preocupante, pois os três filmes do Hobbit já foram feitos. Não tenho certeza, mas creio que a duração dos outros dois episódios seja basicamente a mesma desse inicial. Enfim, se as cenas de batalha forem tão previsíveis assim, o tiro pode sair pela culatra, o que compromete a boa renda do filme.

 O que também preocupa é que, como já é do conhecimento de todos, Jackson faria apenas dois filmes com o Hobbit. Tornou-se uma trilogia pela sobra de material. E, por isso, questiono: Será suficiente esse material para sustentar 3 filmes? Eu não li o livro ainda, mas sei que ele é com posto por 300 páginas, mais ou menos. Se não houver um trabalho bem elaborado de edição, pode comprometer o resultado. E, em uma trilogia, normalmente a 2ª parte é a que tende ao fracasso, pois torna-se arrastada, cansativa, repleta de diálogos intermináveis que sempre caem no lugar comum... Bom, Jackson é um homem sábio, e espero que ele faça bom uso de sua sabedoria. 

 Quanto ao elenco, Martin Freeman parece mesmo ter nascido para interpretar o Bilbo Bolsero. Eu já o conhecia de filmes, como "Simplesmente Amor" e "Todo Mundo Quase Morto", mas nem lembrava de sua existência. Foi um grande acerto a escolha dele. Aliás, falando em Bilbo, existe um problema no roteiro em relação ao seu protagonista, afinal, no meio do filme, ele perde a ação. A impressão que se dá, é que ele está inserido com os anões, como se fosse um mero figurante. Esse problema ocorre, depois que que ele salva seus companheiros de serem devorados por alguns orcs. Ele retorna com toda força de herói, certamente. Mas, por alguns longos minutos, tive a impressão de que ele foi esquecido. Ou seja, muito ruim para o herói...

 Voltando ao elenco, temos aqui muita gente que trabalha com a competência esperada: o sempre esplêndido Sir. Ian Mckellen, Hugo Weaving, Andy Serkis (o Gollum), o grande Christopher Lee, em boa aparência e demonstrando lucidez aos 90 anos, como Saruman. E não posso me esquecer do colírio para o público masculino, Cate Blanchett, de volta como a Galadriel. Ela é a única mulher em cena, fora as figurantes. Nos próximos episódios, teremos também a estrela de Lost, Evangeline Lilly. Todos os atores que fazem os anões são excelentes também, e responsáveis pelo alívio cômico. Em suma, quero registrar duas interpretações que eu gostei particularmente: Sylvester McCoy, como Radagast, o mago castanho que convive com os animais, e Richard Armitage, no papel de Thorin, o líder dos anões. São dois atores britânicos, desconhecidos, mas que fizeram muitos seriados. Armitage, inclusive, também esteve no "Capitão América", e tem pinta de galã. Pode vir a se tornar astro em Hollywood...

 No fim das contas, gostei bastante de O Hobbit: Uma Jornada Inesperada. Saí do cinema com aquela vontade  de rever a trilogia Senhor do Anéis, principalmente porque o anel é um elemento importante no filme. Afinal, 60 anos antes dos episódios relatados em sua saga, o anel já surgia como objeto de desejo e cobiça por parte de quem almeja o poder. Aliás, em nossa sociedade, quantos fariam de tudo, sem se importar com as consequências, para conseguir o seu simbólico anel? Fiquei com isso na cabeça. Ah, finalizo dizendo que quase detestei o filme! Afinal, estive esperando um importante personagem, que quase não apareceu. Mas, felizmente, a última cena é dele. Querem saber? Então assistam! Abraços!

TRAILER:

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças

( EUA 2004 ). Direção: Michel Gondry. Com Jim Carrey, Kate Winslet, Kirsten Dunst, Mark Ruffalo, Tom Wilkinson, Elijah Wood, Jane Adams, David Cross, Deidre O'Connell. 108 min.


Sinopse: Joel, ao descobrir que sua amada Clementine resolveu apagar da mente as lembranças que ela tinha dele, resolve fazer o mesmo quando procura o Dr. Howard Mierzwiak. Os problemas acontecem quando eles se encontram por acaso, se apresentam e passam a se relacionar novamente.

Comentários: Uma das produções mais originais e envolventes do ano de 2004, Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças levou o Oscar de roteiro original (de Charlie Kaufman, Michel Gondry e Pierre Bismuth), além de ter recebido indicação de melhor atriz para Kate Winslet. Sem sombra de dúvida, o roteirista Charlie Kaufman é o rei do pedaço de Hollywood, em tempos dominados por idéias fracas e história repetitivas. Assim como já havia feito nos ótimos "Quero Ser John Malkovich" e "Adaptação", Kaufman volta a inovar seu talento próprio e diferente de contar histórias bizarras e interessantes, além de contar com o co-roteirista Gondry na direção. Brilho Eterno é definido por uns como drama, e por outros como comédia romântica, mas é um filme sobre o amor. A impressão que o público sente, quando se chega a conclusão do filme, é a de que os relacionamentos amorosos duradouros podem até ser desgastantes, mas sempre deixam marcas e certas saudades. Afinal, se na realidade existisse um medicamento semelhante ao usado pelos protagonistas do filme, ou seja, "um apagador de memórias", certamente poderíamos nos livrar de nossos pares amorosos, que se tornaram chatos (e até de alguns amigos inconvenientes). Mas, o que aconteceria se, por obra do acaso, fôssemos apresentados à aquelas pessoas que optamos em esquecer? De acordo com o roteiro de Kaufman, voltaríamos a sentir afeto por elas. Além de contar com um excelente roteiro, o que chama a atenção em Brilho Eterno é o seu protagonista: Jim Carrey. Se alguém ainda tinha dúvidas sobre a performance do ator em cenas dramáticas, o filme de Gondry faz questão de deixar bem claro que Carrey é um ator versátil, e se sai muito bem em papéis dramáticos. Até o momento, nunca se viu Jim Carrey em um papel discreto, tímido, comportado e deprimido (ele até chora em cena). Claro, no meio do filme ele faz algumas comédias, mas a seriedade com que ele desempenha o personagem é bastante convincente. Todavia, a Academia mais uma vez esnobou o talento de Carrey, e não o indicou ao Oscar. A estrela da fita, Kate Winslet, por sua vez, foi indicada à estatueta, num personagem que é o opsto do de Carrey: uma mulher desiquilibrada, escandalosa, esquisita e caricata. É verdade que Kate é boa atriz, e até rouba a cena de Carrey em alguns instantes, mas ele não fica muito atrás. Ainda no elenco, Elijah Wood e Mark Ruffalo interpretam os cientistas que controlam o medicamento, e Kirsten Dunst faz a recepcionista do dr. Mierzwiak (Tom Wilkinson). Enfim, Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças, é um filme magnífico e extraordinário, curioso e original, muito bem roteirizado, e com Jim Carrey e Kate Winslet em excelentes performances.

Por que comprei o filme: Encontrei a fita em uma locadora que já estava se desfazendo dos VHSs. E essa bem-sucedida comédia dramática me custou apenas R$1,50. Com isso, eu descobri que as fitas de vídeo em locadoram são mais barateadas que em sebos. Bom, quanto ao filme, eu o considero como um dos melhores do ano de 2004, e que reconheceu (finalmente) o talento do roteirista Charlie Kaufman, que já tinha feito o espetacular (e até melhor) Quero Ser John Malkovich. E Jim Carrey se consagra aqui em seu melhor papel no cinema. Tudo isso reunido em um filme só deveria servir de incentivo e apelo para que surjam novas boas idéias em Hollywood.

download: http://uploaded.net/file/xxrl5r72