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domingo, 3 de dezembro de 2017

Liga da Justiça

 Com grandes expectativas de curiosidade do público mundo a fora, finalmente chegou em nossas telas Liga da Justiça, o filme que reúne os principais heróis da DC Comics. Zack Snyder continua a frente da produção, além de colaborar no roteiro adaptado por Chris Terrio e Joss Whedon.

 O melhor dessa sequência, diferente do anterior "Batman vs. Superman" está na atmosfera mais leve e bem-humorada, na qual o herói The Flash é o responsável pelas piadas mais divertidas. O novelo que se desenrola e une todos os heróis também acontece de forma satisfatória e convincente.

 O fato é que tanto Batman como Mulher Maravilha sentem-se responsáveis em recrutar um grupo de heróis para se unir a eles contra um temível vilão, que pretende tomar posse três caixas "poderosas", que contém algo como se fosse a essência para a segurança do mundo, mas que pode trazer plenos poderes para quem se apossar dela; algo nada bom quando cai nas mãos de um ser inescrupuloso e maligno. Bom, uma das caixas se encontra no reino da Mulher Maravilha; outra, no fundo do oceano; e ainda há mais outra onde ninguém sabe onde está. Assim, Cyborg, Aquaman e o já citado The Flash unem-se a dupla para deter Steppenwolf, o tal vilão. Ah, sim, Superman encontra um jeito de ressuscitar e entra na briga (não é SPOILER, todos já sabiam disso, hehehe).

 Os momentos de humor ajudaram a impor um ritmo mais saboroso para a história. Além disso, mais uma vez diferente do anterior, a projeção não é tão longa (dessa vez, apenas 2 horas!). Entretanto, continuo a não me surpreender com as cenas de ação, soam óbvias, previsíveis e nada marcantes. Apenas uma é realmente eletrizante, no início quando Steppenwolf e seus soldados atacam na era da Mulher Maravilha, e o espectador presencia batalhas incríveis bem coreografadas, num verdadeiro show de efeitos visuais e direção de arte esplêndida. As demais, porém, não empolgam muito.

 Falando em direção de arte, todos os cenários específicos dos personagens foram construídos com muita competência, assim como a fotografia e os figurinos. Ou seja, fica registrado na tela o que o público já esperava: a perfeição técnica como um todo, incluindo também os efeitos sonoros.

 Quanto ao elenco, nem preciso dizer que Gal Gadot, a Mulher Maravilha, leva a melhor. De fato, a novata israelense superou mesmo as expectativas, e a personagem lhe cai como uma luva. Ben Aflleck, quem diria, não faz feio como Batman, não está difícil se acostumar com ele na pele do homem morcego. E, afinal, não há como reclamar da atuação dele, mesmo ele não sendo bom ator, pois a canastrice está em cena na pele de Henry Cavill, horrível como sempre na pele de Superman. A presença do ator nos faz questionar: tinha mesmo que ressuscitar o Superman?

 Há ainda muita gente famosa, incluindo os intérpretes dos novos heróis Flah, Aquaman e Cyborg, respectivamente feitos por Ezra Miller, Jason Momoa (o novo idolatrado do público feminino) e Ray Fisher. O elenco estelar ainda conta com Amy Adams (uma Lois Lane mais apagada), Diane Lane (mãe do Superman), Jeremy Irons (mais uma vez como o fiel mordomo Alfred), Connie Nielsen (a rainha Hippolyta), J.K. Simmons (escondido como o Comissário Gordon), Amber Heard (um "provável" interesse romântico do Aquaman) e Ciarán Hinds (o vilão Steppenwolf).

 Enfim, é uma aventura bacana, certamente superior a "Batman vs. Superman", mas eu ainda prefiro os heróis da Marvel, já que a ação destes é mais criativa e empolgante. Mas não desmereço "Liga da Justiça", vale experimentar. Abraços!

TRAILER:

segunda-feira, 28 de março de 2016

Batman vs. Superman: A Origem da Justiça

 Realmente a campanha de marketing na indústria do entretenimento é surpreendente. Afinal, não é de agora que se fala tanto desse blockbuster, certamente o mais esperado entre todos. E, obviamente, se inicia aqui uma franquia que acredito que terá vida longa na tela grande.

 Bom, os roteiristas Chris Terrio e David S. Goyer tentaram ser fiéis ao máximo na caracterização dos populares personagens de Bob Kane e Bill Finger ("Batman") e Jerry Siegel e Joe Shuster ("Superman"). O resultado é este não exatamente grande filme, mas sim filme grande, numa luxuosa e esplêndida produção que não economizou na grana, e se vê na tela tudo o que foi gasto, é fato.

 Quanto a história, Batman tem uma crise de ciúme ao saber da existência de Superman. Para piorar, conforme informações divulgadas pela mídia local, o homem de aço ganha a fama de ser o responsável pela morte de diversas pessoas inocentes, o que choca a todos, sobretudo o homem morcego. Assim, Batman resolve tirar a história a limpo e enfrentar seu mais novo adversário. Quem se diverte com isso tudo é o maligno Lex Luthor, que como sempre, almeja ver o circo pegar fogo para se sair bem, costumeiramente. E há também a abelhuda da repórter Lois Lane que sempre atrapalha seu marido "Super Clark", que precisa interromper seu serviço para salvá-la dos apuros que ela vive se metendo. E eis que após muito lenga lenga, chega uma nova heroína na história: sim, a Mulher Maravilha, que promete ser outro obstáculo para Luthor e suas perversas criaturas.

 Evidentemente, eu simplifiquei com muito bom humor aquilo que teve a intenção de ser uma história complexa e muito detalhada. Mas, no final das contas, o que o público sempre quer ver são os espetaculares momentos de ação e luta, principalmente os iludidos que ainda compraram ingresso para o 3D (ou aqueles, que como eu, ficaram sem opção e precisaram encarar os típicos óculos escuros). Enfim, como já mencionei antes, a fita é extremamente longa, e por isso, torna-se chata, cansativa e até mesmo entediante. As cenas de ação que se tem são tão superficiais e óbvias, que não impressionam em absolutamente nada (a final, sim, é boa; mas pra chegar até lá, tem chão!). Os fãs aprovaram a fidelidade dos quadrinhos transpostos para as telas, mas eu achei o passatempo interminável. Nada contra produções com longa projeção, afinal, eu admiro muito a trilogia "Hobbitt", e também a dos anéis, que são até mais longas; e aprecio muito também "The Avengers", cuja projeção é mais ou menos do mesmo tamanho desse "Batman vs. Superman", mas tem conteúdo, cenas eletrizantes, e o melhor ainda, senso de humor (que faz muita falta aqui).

 Além disso, achei muito estranho o fato de que o diretor Zach Snyder tenha pedido à imprensa americana sigilo sobre as surpresas que o filme reserva, para não estragar a diversão. Mas, onde estão tais surpresas???? Que a Mulher Maravilha entra em cena, todos sabem... (aliás, o filme quase acaba sem ela entrar na trama). É possível que o grande segredo é aquele do fim, que é a abertura para a inevitável sequência, e que a "adolescentaiada" já está contando para todos os quatro cantos do mundo; sim, é a era do Spoiler!

 Vamos ao elenco: Ben Affleck pode ser bonitão e tudo mais, mas é horrível e canastrão em tudo quanto é filme em que atua; aqui não é diferente, e faz sentir falta de Christian Bale; Henry Cavill, como Superman, compromete menos por ter menos fama, mas também é horrível; A tal da Gal Gadot, que fez um monte de "Velozes e Furiosos" até que se encaixa bem como Mulher Maravilha, mas já vi queixas da plateia que preferia aquela lutadora de UFC no papel, a Ronda Rousey (oh, Meu Deus!). Enfim, ela terá mais ação mesmo nos próximos filmes, assim imagino. Quanto aos coadjuvantes, Amy Adams só atrapalha como a Lois Lane (embora a culpa é da personagem e não da atriz); Laurence Fishburne (chefe de Clark e Lois), Jeremy Irons (mordomo Alfred) e Diane Lane (Martha Kent) são desperdiçados em cena e fazem muito pouco (Diane Lane, ao menos, é sequestrada para ganhar algum holofote); Holly Hunter retorna em cena como uma senadora megera, e fala com uma batata na boca (isso me incomodou muito); Kevin Costner ressurge em cena de sonho como o pai de Kent, e também não acrescenta nada; e o melhor do elenco é Jesse Eisenberg como o vilão Lex Luthor, o único que compõe um personagem interessante, e que serve até mesmo como alívio cômico.

 No fim das contas, o mérito está no final, onde qualquer possibilidade de clichê é quebrada. E mesmo que cause algum desapontamento no público, digo de novo, terá sequências que irão trazer novas alternativas. Não digo que não gostei da película, mas saí da sala com uma enorme vontade de assistir ao próximo episódio de "The Avengers", essa sim, uma franquia bem-sucedida e completa em todos os sentidos. Mas, infelizmente, não posso mentir: Batman vc. Superman deixou a desejar. Mas assistam e tirem suas próprias conclusões. Abraços!

 TRAILER:





quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Garota Exemplar

 Novo filme de David Fincher sempre causa bastante curiosidade no mínimo. Admito que me interessei bastante pelo pôster, e até resolvi adquirir o livro de Gillian Flynn, a autora que também foi a responsável pela adaptação. Após a leitura, conferi nas telas este suspense atraente e repleto de reviravoltas.

 Amy é uma jovem rica e muito bonita que fez sucesso no passado com uma revista adolescente de pesquisas, daquelas no estilo "Capricho", e faz popularidade com a personagem "Amy Exemplar". Conhece o jornalista Nick Dunne numa festa, por quem se apaixona, e acaba por se casar logo mais. O casamento é um verdadeiro mar de rosas, porém, com o passar do tempo, a relação vai se desgastando. E para piorar, Amy desaparece misteriosamente, e há uma forte suspeita de sequestro. Nick, embora preocupado, não demonstra muito sentimento, e justamente por isso é suspeito de ser o responsável pelo sumiço da esposa. A questão, enfim, é: o que houve com Amy?

 Fincher conduz este suspense com o cuidado na riqueza de detalhes (que são muitos) e de forma episódica, em que, a cada instante, surpreende o espectador com revelações inusitadas. A adaptação tentou ser o mais fiel possível, e apenas eliminou alguns personagens e outros detalhes (isso foi necessário, já que o excesso deles em cena já tende a confundir um pouco). O filme é dividido em duas partes: o desaparecimento de Amy, em que o público assiste ao presente, e as atitudes do marido e seu cotidiano, e também aos momentos de flashback, através do diário de Amy; e a segunda parte, Fincher resolve escancarar e apresentar quem de fato realmente é sua heroína. Este é o instante em que surge o clímax, e o interesse vai aumentando. A longa duração, contudo, e a demora para a resolução dos diversos conflitos, vão exigir uma santa paciência do espectador, que pode se desviar um pouco do enredo. Ainda assim, a curiosidade para se descobrir o que de fato aconteceu, e o que ainda está para acontecer, insiste em acompanhá-lo.

 Tecnicamente perfeito, como é de se esperar em produções dirigidas por Fincher, e com uma linguagem criativa, em que é focalizado o ponto de vista de cada um dos protagonistas, o cineasta também caprichou no elenco. Ben Affleck, normalmente apenas o bonitão "canastra", se sai muito bem como o marido suspeito de sequestro, e até mesmo, de um possível assassinato. Mas, de fato, é a bela Rosamund Pike (de "Orgulho e Preconceito" e "Jack Reacher - O Último Tiro" ) quem rouba a cena no complexo papel de Amy, numa interpretação chocante, modificando a personalidade e os sentimentos. Há, inclusive, boas possibilidades de uma indicação ao Oscar de atriz em 2015. Mas não para por aí, pois há muitos atores em cena: Neil Patrick Harris faz um ex-namorado também suspeito; a estreante em cinema Carrie Coon faz a irmã gêmea do herói; Tyler Perry interpreta o advogado; Kim Dickens e Patrick Fugit atuam como os detetives que investigam o caso; Sela Ward faz uma famosa apresentadora de telejornal, e assim sucessivamente. Como foi dito, há muitos personagens em cena, e é necessário prestar bastante atenção nas características deles.

 O filme seria melhor, por incrível que possa parecer, se tivesse uma adaptação mais livre e de acordo com a linguagem cinematográfica. O problema da tentativa de fidelidade à obra, é a ausência de cenas de ação, o que torna a película um pouco cansativa (apesar disso, há um assassinato eletrizante, bem sangrento, que surpreende). O desfecho, inclusive, também é prolongado, e a plateia precisa aguardar um pouco mais para a resolução, que, infelizmente, acaba desinteressante (na verdade, não há aqui um detalhe do livro muito importante, que faz falta e daria mais sentido para uma revelação). Em todo caso, é agradável de assistir esse retrato irônico e inusitado sobre uma relação matrimonial, e as alternativas que são utilizadas para escapar da rotina.

 Enfim, não acredito que será este o longa que finalmente dará o Oscar de diretor para David Fincher; nem garanto que ele possa ser indicado. No entanto, a originalidade de se mostrar um suspense diferente e fascinante é sempre um ato grandioso. Vale o ingresso, sem dúvida, e até mesmo uma reprise. Bom divertimento!

TRAILER: