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sábado, 16 de dezembro de 2017

Assassinato no Expresso do Oriente

 Fazia tempo que a grande escritora Agatha Christie não era adaptada para os cinemas. Mas o diretor e ator Kenneth Branagh resolveu fazer um remake de uma das maiores obras dela, que teve sua primeira versão assumida por Sidney Lumet em 1974. Aqui, com roteiro adaptado por Michael Green, também conseguiu reunir um elenco estelar, na qual ele próprio interpreta o protagonista: o popular detetive Hercule Poirot.

  Em um luxuoso expresso, repelto de diversos passageiros, partindo de Istambul para vários pontos da Europa, acontece um inesperado assassinato e a vítima é o milionário Edward Ratchett, que mais tarde o tempo vai mostrar ser ele um homem inescrupuloso. O detetive Hercule Poirot, que se autodenomina como o melhor detetive do mundo, está presente no trem e começa as investigações. A conclusão que ele chega é a de que todos os tripulantes tinham razões suficientes para matar Ratchett, o que deixa o trabalho do carismático detetive muito mais denso e difícil.

 A reconstiuição de época, a direção de arte, a belíssima fotografia, as belas paisagens e os figurinos são de qualidades inquestionáveis. Para quem não conhece o filme original, e nem mesmo a obra de Agatha Christie, vale a recomendação de que este suspense policial não atende aos padrões de quem procura um entretenimento blockbuster com explosões, correria e sangue. Aqui tudo é refinado e exige uma compreensão de um público com um bom raciocínio lógico para não perder as informações que vão surgindo. Isso não significa que se trata de uma história difícil ou entediante; ao contrário, a diversão é garantida para quem se acostumar com o ritmo e os instantes de alívio cômico.

 Para o público que conhece o livro ou filme original, não há mudanças sobre a identidade do assassino, mas alguns elementos são modificados ou atualizados para trazer mais sabor para a narrativa. Na introdução, já acontece um crime solucionado por Poirot, feito de maneira irreverente, e que serve para deixar o público bem a vontade.

 No mencionado elenco estelar, Kenneth Branagh tem extraordinária caracterização, sobretudo nos longos bigodes, e consegue ser mais inspirado, e menos exagerado, que Albert Finney no filme de 1974. Há também Michelle Pfeiffer como uma rica viúva, Willem Dafoe como um professor, Judi Dench como uma princesa e Johnny Depp como o assassinato, todos perfeitos. A figura feminina central está caracterizada na jovem Daisy Ridley, como a governanta que mantem um caso com um médico negro (o pouco conhecido Leslie Odom Jr.), como um pretexto para mencionar também a questão racial (a trama é ambientada nos anos 30). Penelope Cruz tem pouco a fazer como uma missionária fanática, e está péssima. Há ainda outros nomes poucos conhecidos, mas em papéis importantes, como o veterano Derek Jacobi, Josh Gad, Olivia Colman e Lucy Boynton, todos entre os suspeitos.

 O que se pode dizer é que tudo é bem amarrado no roteiro, até chegar no surpreendente desfecho. Ou seja, uma história de suspense a moda antiga, bem realizada e interpretada, um brinde para um público que está esgotado com fitas de super-heróis ou  comédias escrachadas. No fim, há um ponto de partida sobre outra história de Christie, "Morte Sobre o Nilo", que provavelmente também será realizada por Branagh na direção e Green no roteiro. Vamos aguardar. Abraços!

 TRAILER:

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Caminhos da Floresta

 No finalzinho das férias escolares, surgiu um filme para a garotada, Caminhos da Floresta, uma produção que mistura na mesma trama personagens populares dos contos de fada, e que já foram animações dos estúdios Disney. A novidade, é que trata-se de um musical, dirigido pelo especialista no gênero Rob Marshall, adaptado de um espetáculo de muito sucesso, de James Lapine e Stephen Sondheim, pelo próprio Lapine.

 Pode até causar um certo distanciamento do público infantil, uma vez que uma projeção quase totalmente cantada não seja algo que as crianças queiram ver. Mas a narrativa é bem divertida e atraente, além de ser um primor em termos técnicos. Quanto à história, uma rancorosa bruxa, que sofreu uma maldição e por isso tornou-se feia, precisa de um antídoto para voltar a  ser bela. Assim, ela abusa da vontade de um simples casal, que deseja ter um filho mas não consegue, e propõe a eles que vão atrás dos ingredientes que necessita; se conseguirem isso, ela jogará um feitiço na esposa, que engravidará. No entanto, bastante trabalhoso será conseguir aquilo que a bruxa necessita: uma vaca branca, um capuz vermelho, alguns fios de cabelo louro e um sapatinho de cristal. A partir de então, a vida do casal cruza com as de João e o Pé de Feijão, Chapéuzinho Vermelho, Rapunzel e Cinderela.

 O roteiro armou bem as situações e uniu de forma convincente e divertida tais heróis dos contos de fadas. E tudo isso teve um resultado satisfatório, graças ao elenco estelar, em que se destaca Meryl Streep como a bruxa (pela primeira vez em sua longa carreira interpretando uma!), Anna Kendrick como a Cinderela, Emily Blunt e James Corden como o simplório casal (ele é sempre mencionado como "o padeiro"), Chris Pine como o Príncipe da Cinderela, e as crianças Daniel Huttlestone (João) e Lilla Crawford (Chapeuzinho). Há ainda, divertidas participações das veteranas Tracey Ullman, como a mãe de João (ou Jack, como preferem os americanos) e Christine Baranski, no papel da madrasta de Cinderela. Apenas a Rapunzel e seu príncipe encantado (os novatos Mackenzie Mauzy e Billy Magnussen) são pouco explorados. Ah, e uma pequena participação (bem pequena mesmo) do astro Johnny Depp, em mais uma composição bizarra, como o Lobo Mau.

  Como se prevê em um uma produção dirigida por Marshall, tudo é de primeira qualidade, dos cenários até a fotografia. O filme conseguiu três indicações ao OSCAR 2015: figurinos, desenho de produção e atriz coadjuvante para Meryl Streep, em sua, pasmem, 19ª indicação, um verdadeiro recorde! É óbvio que Meryl é sempre uma figura excelente e excepcional, mas a indicação foi um tanto exagerada, diga-se de passagem.

 Já que nem tudo é perfeito, apenas o final torna-se arrastado, envolvendo um grupo de personagens no desfecho, e poderia ser solucionado com mais criatividade, sem enrolação em detalhes desnecessários. A personagem "giganta" é outra carta fora do trabalho, que apenas causa certa curiosidade, mas é dispensável. Claro que isso não atrapalha o prazer de se assistir a essa bela película na tela grande. Certamente, encantará aos adultos também. O filme já abriu 2015 como o espetáculo cinematográfico do ano, ao menos, por enquanto. Abraços!

 TRAILER:



segunda-feira, 30 de junho de 2014

Transcendence - A Revolução

 Esta nova ficção científica chegou nos cinemas agora nesse período de férias, e chama a atenção pelo trailer e por ter um elenco atraente. Por esse motivo, fui conferir essa longa que marca a estreia na direção do fotógrafo Wally Pfister. Falando em férias, abro um parêntese para demonstrar minha irritação com o excesso de filmes dublados que dominaram o Brasil. E pelo andar da carruagem, em breve as produções com o áudio original serão uma extinção. Triste que isso aconteça num país em que a leitura é algo pouco investido... Uma pena!

 Quanto ao filme, Will (Johnny Depp) é um cientista que cria um computador consciente. Isso é visto com maus olhos por um grupo de radicais anti-tecnologia, e acaba sendo assassinado. Porém, a esposa (Rebecca Hall) consegue transferir o cérebro de Will para um computador, e ele permanece na máquina. Mas sua personalidade não é a mesma.

 Seria uma aventura eletrizante, se não fosse muito confusa. O roteiro de Jack Paglen se perde na prolixidade da linguagem científica, e arrasta o filme. As cenas de ação demoram para surgir, e o espectador não consegue conter a impaciência de presenciar situações mal explicadas e confusas demais. Nos 40 minutos finais, a história consegue ter um ritmo mais ágil, mas custa chegar até lá. E não deixa de ser estranho ver Johnny Depp (dessa vez contido) ressurgir na máquina como se fosse a noiva do frankenstein. A partir desse momento, a impressão que fica é a de que os herói tornou-se vilão, e os vilões, mocinhos.

 No elenco, além de Depp e Rebecca, o veterano Morgan Freeman em mais um papel de coadjuvante-auxiliar do herói (a impressão que fica é a de que o veterano ator está aceitando qualquer coisa agora). E há também Paul Bettany e Cillian Murphy como agentes aliados a Depp, e ainda Kate Mara (de "Homem de Ferro 2"), como uma revolucionária anti-tecnologia.

 Enfim, o filme garante o seu público que curte ficção científica. Mas se fosse menos confuso e mais movimentado, teria resultado satisfatoriamente, o que não acontece. Enfim, quem quiser se arriscar... Abraços!

 TRAILER:



domingo, 26 de junho de 2011

Piratas do Caribe: Navegando em Águas Misteriosas

Em minha última postagem, eu critiquei o excesso de sequências que chega às telas no mês de férias de julho. E foi justamente por isso, pela falta de opção, que embarquei nesse 4° filme da série Piratas do Caribe (na verdade, estreou entre fim de maio ou começo de junho, não me lembro). Enfim, apesar de dublado (afinal, já estreou faz tempo, e quase não há a versão original com legendas), ele não é ruim. Eu até gostei um pouco.

Sempre admirei Piratas do Caribe (aliás, aqui no blog eu tenho resenha do 1° episódio, confiram!). Não gostei muito do 2° filme, "O Baú da Morte", e admito que ainda não vi o 3°, "No Fim do Mundo". Mas esse aqui, apesar de algumas mudanças, ainda consegue manter a série (creio que ainda virão mais filmes)...

Bom, as principais mudanças é que saiu o diretor dos filmes anteriores, Gore Verbinski, e no lugar colocaram um cineasta de prestígio maior, Rob Marshall, já indicado ao OSCAR por "Chicago". Em todo caso, os roteiristas de toda a série, Ted Elliott e Terry Rossio, permanecem. Saíram também de cena os talentosos Orlando Bloom e Keira Knightley. Orlando foi substituído por um rapazinho mais ou menos parecido com ele, um certo Sam Claflin, ainda inexpressivo, e que faz um padre (ou coisa que o valha), e que é seduzido por uma sereia (outra novata, a espanhola Astrid Berges-Frisbey). E falando em espanhola, a atual estrela e oscarizada Penelope Cruz substitui a inglesa Keira. A principal mudança, no entanto, é que o Barbosa do grande Geoffrey Rush não é o principal vilão do filme; aliás, ele até se alia ao Jack Sparrow do Johnny Depp. A bola da vez está com o britânico Ian MacShane ("Sexy Beast", "Corrida Mortal"), no papel do pirata Blackbeard.

Quanto à mudança de atores, não sei o que motivou a saída de Orlando e Keira, não sei se as personagens morreram no episódio anterior (porque eu não vi). O fato é que eu já havia me acostumado com os dois. Em todo caso, os roteiristas conseguiram manter o interesse à história: Dessa vez, Sparrow e seus homens precisam encontrar a fonte da juventude. Para isso, se aliam ao velho Barbosa e a uma antiga paixão que reaparece (Penelope). Entretanto, o pirata Blackbeard tem interesses inescrupulosos pela fonte...

Apesar de excessivamente longo, como os episódios anteriores, e também da fotografia, muito escurecida em algumas cenas (até mesmo quando é dia), Navegando em Águas Misteriosas entretém e diverte. Não gosto muito de Penelope Cruz, mas nem ela atrapalha. Aliás ela e Depp já atuaram juntos antes no irregular "Profissão de Risco". E falando em Depp, mais uma vez ele dá conta do recado, e continua bastante bem-humorado na pele do pirata mais cara-de-pau da Disney. Contudo, não deixei de notar um ar de cansaço no astro. Acho que Sparrow já está desgastando demais a carreira do ator. Ainda assim, não consigo pensar em um substituto a altura para fazer Jack Sparrow. Afinal, só Depp se encaixa nos trejeitos femininos da personagem (nesse episódio, aliás, isso foi até satirizado em uma fala da Penelope). Gostei também das aparições das sereias, e das clássicas batalhas de capa-e-espada (a melhor, acontece no começo do filme, no castelo da Inglaterra). Ah, sim! No elenco, também está o veterano e desconhecido Kevin McNally, de volta com o seu Gibbs.

Posso até ter sido um tanto relapso na sinopse, mas não tem muito o que dizer. Apenas o fato de que o roteiro consegue inovar e trazer aventuras inéditas. É bom sim, e eu recomendo. Mas, eu pensaria duas vezes antes de se produzir um novo episódio (o que parece inevitável, quando se chega ao fim da projeção). O fato é que estamos em férias, e por isso, essa aventura é recomendável! Até mais!!!

TRAILER:

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Alice no País das Maravilhas

Finalmente assisti a essa super-produção , talvez a mais aguardada do ano. E tive o prazer de assisti-la na sala IMAX do Shopping Bourbon (na verdade, a expectaiva de ver o filme nesse formato era maior), no domingo passado às 22h15! O que posso dizer referente a sala, é que ela não é muito diferente das salas 3Ds, afinal, possui a mesma estrutura que elas. O diferencial, de fato, é a mega tela, que é específica para espetáculos grandiosos como Alice. Aliás, tive vontade de assistir Avatar em uma sala IMAX (talvez eu teria apreciado mais). Em todo caso, pretendo frequentar essas salas mais vezes, nem que seja para ver o documentário de animação, Um Mar de Aventuras. O trailer foi excepcional!

Quanto ao filme, admito que foi bom assistir no IMAX. Caso contrário, não teria gostado muito. Afinal, o entusiasmo para assistir ao filme era tanto, que acabei me decepcionando um pouco. O autor Lewis Carroll trabalha com o fantástico e o absurdo em sua obra literária. Portanto, não conseguia imaginar outro cineasta comandando essa produção. Tinha que ser mesmo Tim Burton, um diretor com estilo próprio e único. Porém, achei tudo tão rápido, pouco criativo, previsível. No começo, quando a jovem Alice (no livro, ela é criança) começa a dançar uma quadrilha bem bizarra, senti mais do que nunca a presença irreverente de Burton, e aguardei bastante atento outras esquisitices burtinianas. Mas não apareceram muitas. Claro que os cenários, a maquiagem e a caracterização das personagens são extraordinários (particularmente, gosto dos garotos gêmeos), e isso acaba sendo o ponto alto do filme.

Acho que Alice no País das Maravilhas dispensa qualquer comentário referente a sinopse, já que esse clássico é bastante popular, e já foi filmado outras vezes. O que muda é a idade da heroína, que aqui é uma jovem prestes a ser pedida em casamento. Quem interpreta Alice é a estreante Mia Wasikowska, que se encaixa como uma luva no papel. Contudo, quem tem mais chances no roteiro de Linda Woolverton é o Chapeleiro Maluco, que é interpretado pelo ator predileto de Burton, Johnny Depp. Seu personagem tem participação de destaque no filme, bem diferente do que acontecia no livro. E ele se encaixa bem em personagens estranhos, definitivamente é um bom ator ( e os momentos de humor são graças a ele). Ainda no elenco, a musa de Burton, Helena Bonham- Carter, no papel da Rainha Vermelha. Pelo que parece, a atriz abandonou de vez as personagens aristocratas de filmes de época, e tem uma caracterização bastante hilária como a rainha de cabeça enorme e que adora cortar cabeças! Por fim, Anne Hathaway transmite charme e encanto como a Rainha Branca. Não posso me esquecer das vozes dos britãnicos Stephen Fry, Michael Sheen e Alan Rickman, respectivamente, como o gato, o coelho e a lagarta azul, todos competentes.

Não digo que não gostei do filme; ao contrário, apreciei muito. Mas, como sou admirador da obra de Burton, esperava uma aventura mais ousada e mais bizarra. Não gostei também da luta estilo "capa-espada" entre a heroína e um monstro; definitivamente, fora de contexto. Há também uma surpresa no fim, que esclarece o espanto que as personagens tem com a presença de Alice (pra mim, dispensável). Mas, me diverti bastante com o filme (minha esposa também) e o recomendo! Preferencialmente, assistam na sala IMAX. Em todo caso, ainda aguardo uma produção burtiniana, ao estilo de "Os Fantasmas se Divertem" e "Ed Wood", na minha humilde opinião, os melhores filmes do cineasta. Abraços!

TRAILER:

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Do Inferno

( EUA 2001 ). Direção: Albert Hughes, Allen Hughes. Com Johnny Depp, Heather Graham, Ian Holm, Robbie Coltrane, Ian Richardson, Jason Flemyng, Katrin Cartlidge, Terence Harvey, Susan Lynch, Paul Rhys. 122 min.


Sinopse: Londres, 1880. Jack , o Estripador está solto nas ruas cometendo assassinatos em série de prostitutas. Um inspetor toma conta do caso, e se apaixona por uma prostituta, que poderá ser a próxima vítima.

Comentários: Bem-sucedida adaptação dos quadrinhos de Alan Moore e Eddie Campbell, feita pela dupla de roteiristas Terry Hayes/Rafael Yglesias. Além disso, uma deslumbrante direção de arte e uma excepcional fotografia sombria e gótica dão charme a esse filme de suspense, protagonizado por Johnny Depp. Ele está bem no papel do inspetor supersticioso e sensitivo que tenta desvendar a identidade de Jack, o Estripador. A reconstituição de época é perfeita e o cenário nos leva a velha Londres do século XIX e suas ruas povoadas de bêbados, prostitutas, misérias e assassinatos. Curiosamente, quase todas as prostitutas do filme são feias. Exceto a bela Heather Graham, aliás, muito bem vestida para uma prostituta de esquina (ou seria bem vestida para os dias de hoje?). Ela serve de interesse romântico para Johnny Depp, e a química entre eles funciona. Depp, inclusive, se sai muito bem em filmes bizarros como esse. Na verdade, o filme foi injustiçado pelo Oscar, e ficou de fora das indicações. Deveria, ao menos, ter recebido alguma indicação técnica. O final é um pouco confuso, mas não compromete o todo, ao contrário, trás um esclarecimento lógico para os fatos ocorridos (prestem atenção). O filme tem um pouco de clichê, é verdade, como vários filmes sobre serial-killers. Entretanto, a parte técnica do filme faz a diferença e cria um clima, ao mesmo tempo, sofisticado e sobrenatural. Experimente.

Por que comprei o filme: Pelo clima diferenciado que esse filme proporciona ao telespectador. Conforme passa o tempo, fica cada vez mais difícil encontrar alguma originalidade em filmes de terror/suspense. Esse aqui não é nenhuma obra-prima, mas é bem interessante e está acima da média, perto de muitos filmes contemporâneos. Além disso, o casal central funciona bem no vídeo, e é mais um bom motivo para adquirir a fita.

sábado, 24 de janeiro de 2009

A Fantástica Fábrica de Chocolate

( EUA 2005 ). Direção: Tim Burton. Com Johnny Depp, Helena Bonham-Carter, Freddie Highmore, David Kelly, Christopher Lee, Noah Taylor, James Fox, Missi Pyle, Deep Roy. 115 min.



Sinopse: Garoto pobre, junto com outros quatro garotos ricos, é sorteado para visitar a fantástica fábrica de chocolate do irreverente Willy Wonka. Um familiar adulto acompanha a sua respectiva criança, e junto com o Sr. Wonka, partem para uma exótica e divertida viagem pelo interior da fábrica.

Comentários: Refilmagem do famoso clássico de 71, estrelado por Gene Wilder. Quem assume a direção dessa nova versão é Tim Burton; portanto, podemos esperar um show de situações absurdas e exóticas. E para protagonizar esse cenário maluco, temos ninguém mais, ninguém menos que a estranha figura de Johnny Depp, especialista do gênero e dos filmes de Burton. Aqui, o ator de "Edward - Mãos de Tesoura", está bastante maquiado e com peruca para a composição do famoso Willy Wonka. Com muito bom humor, ótima direção de arte e bela fotografia, o filme ainda é recheado com algumas esquisitas canções, protagonizadas pelos estranhos funcionários de Wonka (os "Oompa-loompas"), como se estivessem em números musicais. Sem dúvida, o estilo habitual de Burton não se relaciona com o resultado do filme homônimo de 71, mas o diretor consegue ser original nessa adaptação de livro de Roald Dahl (feita por John August) ao conciliar aventura com humor e esquisitices na dose certa. Como se trata de um filme destinado ao público infantil, é óbvio que há no roteiro boas mensagens a respeito dos verdadeiros valores que devem ser seguidos, tanto por crianças como por adultos. Além de Depp, quem se destaca no elenco é o bom ator-mírim Freddie Highmore, no papel de Charlie, o garoto pobre. Helena Bonham-Carter interpreta a mãe do menino (ela é a atual namorada do diretor, e de uns tempos pra cá, a presença dessa atriz inglesa nos filmes de Burton tornou-se constante). Quem faz o pai é outra figura estranha e desaparecida: o inglês Noah Taylor, que fez filmes como "O Clube dos Cinco 2" e "Shine - Brilhante". Claro que ele não combina com Helena, mas a intenção de Burton é fazer tudo o mais esquisito possível. E o veterano Christopher Lee interpreta o dentista, pai de Willy Wonka. Divertido e inusitado, essa nova versão de A Fantástica Fábrica de Chocolate é mais ousada e dinâmica que a anterior, tornando-se um passatempo agradável para pessoas de todas as idades. Indicado ao Oscar de figurino.

Por que gravei o filme: Sou fã de Tim Burton. Ele fez muita coisa feia em sua carreira, mas até quando erra, ele o faz de uma maneira própria e pessoal. Ou seja, é um diretor de estilo. Admito que até o presente momento, eu sou um dos pouquíssimos mortais que ainda não assisitu a versão anterior do livro de Roald Dahl; portanto, não posso julgar qual é a melhor. Em todo caso, sei que essa versão apresenta as típicas características burtinianas, que acabam funcionando também no gênero infantil. E Johnny Depp comprova que nasceu para interpretar papéis estranhos e diferentes. No geral, o filme funciona: direção de arte, roteiro, fotografia, interpretações... Enfim, é um dos melhores do gênero dentre as novas produções. E olha que geralmente eu costumo achar os filmes infantis chatos e cansativos. Mas isso não ocorre aqui, graças ao talento da dupla Burton-Depp. Gravado na HBO2.

sábado, 25 de outubro de 2008

Piratas do Caribe: A Maldição da Pérola Negra

( EUA 2003 ). Direção: Gore Verbinski. Com Johnny Depp, Geoffrey Rush, Keira Knightley, Orlando Bloom, Jack Davenport, Lee Arenberg, Mackenzie Crook, Zoe Saldana, Trevor Goddard, Jonathan Pryce. 143 min.



Sinopse: O pirata Jack Sparrow ajuda rapaz a resgatar a filha do governador que foi sequestrada por perigosos piratas, liderados pelo temível pirata Barbosa.


Comentários: Super-produção da Disney que fez tremendo sucesso nos cinemas (inclusive aqui no Brasil) e que até agora já gerou duas seqüências, também grandes sucessos. Trata-se de uma aventura de ação bastante agitada e com bons momentos de humor, comandada pelo diretor de "O Chamado", Gore Verbinski. Com boa qualidade nos efeitos sonoros e trama bem movimentada, foi interessante ver renascer nas telas o gênero "capa-espada", que teve muita popularidade nos anos 40, e que estava esquecido na atualidade. O roteiro de Ted Elliott e Terry Rossio oferece também bons instantes cômicos nos diálogos e na caracterização de alguns personagens, sobretudo o protagonista Johnny Depp que, com alguns trejeitos femininos, diverte bastante no papel do pirata Jack Sparrow. Geoffrey Rush, apesar de seus habituais excessos, também está em boa forma como o vilão e faz algumas piadas. Quem se destacam além destes, são os novatos Orlando Bloom e Keira Kneightley como o casal central que só ficam juntos , previsivelmente, no fim. É bem verdade que existem algumas situações no roteiro que não fazem sentido (por que piratas mortos-vivos querem enriquecer?). Mas não importa; não é um filme de roteiro, e as situações absurdas são compensadas pelas espetaculares cenas de lutas de espada e pelos grandes efeitos visuais e sonoros. A regra aqui, afinal de contas, é se divertir. E isso o filme consegue provocar no espectador. Teve cinco indicações ao Oscar: ator (Johnny Depp), maquiagem, efeitos visuais, edição de som e mixagem de som, mas não ganhou nada.


Por que gravei o filme: Um dos melhores filmes de aventura/ação de 2003, Piratas do Caribe foi uma boa novidade e comprova mais uma vez o eficiente trabalho técnico dos americanos. É um excelente entretenimento e conta com história engraçada e interessante. Johnny Depp comprova que nasceu para interpretar personagens esquisitos e garante bons resultados cômicos. E todos os demais atores também estão muito seguros. Portanto, por trazer momentos agradáveis de aventura e comédia, gravei Piratas do Caribe na HBO2.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Em Busca da Terra do Nunca

( EUA 2004 ). Direcão: Marc Foster. Com Johnny Depp, Kate Winslet, Dustin Hoffman, Julie Christie, Rhada Mitchell, Freddie Highmore, Joe Prospero, Nick Roud, Ian Hart, Kelly MacDonald. 101 min.


Sinopse: Em 1903, o escritor James M. Barrie se inspira em uma família formada por uma jovem mãe, seus quatro filhos e a megera avó destes, e compõe o clássico da literatura infantil: Peter Pan e os Piratas. Tudo isso ocorre num momento em que sua carreira não está bem e seu casamento, instável.

Comentários: Filme indicado a sete Oscar, ganhou trilha sonora. Foi indicado ainda para filme, ator (Johnny Depp), roteiro adaptado (de David Magee, da obra de Allan Knee), montagem, direção de arte e figurinos. Foi uma grata surpresa assistir mais uma bem-sucedida produção dirigida pelo cineasta de "A Última Ceia", Marc Foster. Seu filme é técnicamente perfeito, com excelentes fotografia e figurino, bem cuidada direção de arte e a leve trilha sonora ganhadora do Oscar. Além disso, o roteiro bem inspirado de Magee tráz uma história sensível e envolvente, com Depp em grande forma como o escritor James M. Barrie. O ator finalmente demonstra que tem competência para papéis mais sérios e tem uma interpretação bastante diferenciada dos personagens esquisitos e excêntricos que costuma fazer. Os momentos de inspiração do personagem, que através da imaginação cria histórias mirabolantes e aventurescas, são retratados com bom humor e sensibilidade. Kate Winslet comove com a mãe doente em ano que foi indicada ao Oscar, por outro filme: "Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças". Realmente, é uma atriz bastante talentosa. Julie Christie retorna aos cinemas como mãe de Kate e Dustin Hoffman tem papel pequeno como produtor teatral. Não gosto muito da atriz que interpreta a esposa de Depp, Rhada Mitchell, em atuação fria e robotizada. Sempre com a mesma expressão, parece sempre estar sussurrando. E o ator mírim Freddie Highmore, como a inspiração do Peter Pan, brilha menos do que em "A Fantástica Fábrica de Chocolate", do mesmo ano e também com Depp. Mas o elenco infantil, em sua totalidade, é competente, salvando os estragos de Freddie. Bastante comovente, agrada adultos e crianças.

Por que gravei o filme: Gravei na HBO2, simplesmente porque é o filme americano mais emocionante de 2004, isso sem cair no piegas. Em Busca da Terra do Nunca é encantador e envolvente, e prende a atenção do espectador a cada cena que é mostrada. Gosto muito do trabalho do promissor Foster e aprendi a admirar a atuação de Johnny Depp e me encantei mais uma vez com a talentosa Kate Winslet. Enfim, com tantas produções repletas de clichês e descartáveis que estouram em Hollywood, o filme de Foster se destaca como uma sensível novidade. E das boas.

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