( EUA 2001 ). Direção: Jessie Nelson. Com Sean Penn, Michelle Pfeiffer, Dakota Fanning, Laura Dern, Dianne Wiest, Loretta Devine, Richard Schiff, Brad Silverman, Rosalind Chao, Kimberly Scott, Mary Steenburgen. 132 min.
Sinopse: Homem deficiente mental, pai de uma garotinha, perde a guarda da filha por não ter condições intelectuais para sustentá-la. Solicita ajuda de uma atarefada advogada, e luta para conseguir ter a filha de volta.
Comentários: Excelente e comovente interpretação de Sean Penn como retardado mental. Por esse papel, inclusive, Sean foi indicado ao Oscar de melhor ator. Na verdade, o filme de Nelson (também autora do roteiro, em parceria com Kristine Johnson) reserva boas interpretações para todo o elenco: Michelle Pfeiffer continua linda, apesar da idade (na ocasião 43 anos), e interpreta muito bem a advogada, alternando momentos dramáticos e cômicos; Dianne Wiest tem papel pequeno, mas está magnífica como a vizinha e amiga de Sean; Laura Dern interpreta a mãe adotiva, e Mary Steenburgen tem ponta não creditada. Mas a estrela do filme, sem dúvida, é a talentosa Dakota Fanning, uma excelente atriz-mírim. Sua interpretação é convincente e segura, ela merecia ter sido indicada ao Oscar. E , além disso, a menina tem seguido grande carreira em Hollywood, algo bastante raro para crianças. Claro que a sua personagem, a garota Lucy (de apenas 7 anos) é madura demais para a idade. Certamente, nenhuma criança dessa idade conseguiria ser tão "adulta"como a personagem. Em todo caso, o filme é agradável; é repleto de várias canções pop-românticas, tem boa direção de arte e fotografia, e boas cenas cômicas, que impedem o filme de ser piegas demais. Esse alívio cômico fica por conta de Michelle Pfeiffer, propositalmente atrapalhada (apenas nas cenas certas, sem dúvida) e dos atores que interpretam os amigo de Sean Penn, todos coincidentemente débeis como o personagem de Sean: tem o fanático pelo filme "Kramer vs. Kramer", o super-protegido pela mãe, o que tem mania de perseguição... (a cena do tribunal, com as interrupções deles, são bem engraçadas). Mas, não se enganem: não é comédia, e sim drama. Daqueles bem sentimentais, açucarados, bonitinhos, e com final feliz. Sem grandes novidades, portanto. O melhor são as interpretações, sobretudo de Sean e Dakota.
Por que gravei o filme: Como disse, é um filme sem grandes novidades, apesar de interessante. Gravei na HBO2, principalmente pelo elenco estelar. Tenho gostado muito das mais recentes interpretações de Sean Penn; é um grande astro sem dúvida. E o elenco feminino traz grandes atrizes. Sou fã de carteirinha de Michelle Pfeiffer, e fico entristecido ao saber que a moça não tem emplacado muito em Hollywood. Ela era uma das grandes estrelas dos anos 80, já foi três vezes indicadas ao Oscar (a última vez foi em 92) e está meio sumida. Torço muito para o seu grande retorno. Laura Dern, outra que está desaparecendo, também é uma atriz que eu gosto e a veterana Dianne Wiest é sempre envolvente, mesmo quando suas personagens não roubam a cena. Tive, também, o prazer de conhecer a excelente Dakota Fanning. Concluo, afirmando que gosto do filme. Não sou muito exigente em relação aos roteiros (já sei que Hollywood está bem decadente para boas idéias). Além disso, é óbvio que Uma Lição de Amor não é um filme de arte; E se não é arte, é entretenimento. O filme cumpre essa missão; e se conseguiu isso, fez o seu trabalho.
( EUA 1993 ). Direção: Brian DePalma. Com Al Pacino, Sean Penn, Penelope Ann Miller, John Leguizamo, Viggo Mortensen, Luiz Guzman, James Rebhorn, Adrian Pasdar, Ingrid Rogers, Richard Foronjy, Jorge Porcel, Rick Aviles, Paul Mazursky. 144 min.
Sinopse: Um famoso traficante de drogas, Carlito Brigante, após ser liberto da prisão, resolve mudar de vida e abandona o crime. Mas acaba se metendo com gângsteres corruptos e com as paranóias do seu desequilibrado advogado.
Comentários: Brian DePalma está menos hitchcockiano que de costume, e voltou a seguir a linha de filmes como "Scarface" e "Os Intocáveis". Contou mais uma vez com o astro do primeiro filme, Al Pacino, nesse policial um tanto longo, mas que mantém o interesse. DePalma continua fazendo seus jogos de câmeras, ainda que com menor freqüência, se comparado com outros trabalhos do diretor. Aqui, isso ocorre na cena inicial do jogo de bilhar, na cena do elevador e principalmente nos momentos de perseguição final, quando Pacino soa a camisa ao fugir dos gângsteres (em uma das cenas ela atira neles, enqaunto desce uma escada-rolante deitado!). Apesar de bons enquadramentos de câmera, e de grandes momentos de pura adrenalina, O Pagamento Final não apresenta maiores novidades, uma vez que após o lançamento de "Os Bons Companheiros", de 1990, dirigido por Scorsese, esse gênero tornou-se muito comum e um tanto repetitivo (até mesmo a metragem desses filmes é propositalmente longa). O filme, roteirizado por David Koepp, é uma adaptação de duas obras de Edwin Torres, e começa com um prólogo revelador: sabemos que Pacino será assassinado no fim, e se prestarmos bastante atenção, saberemos até quem será o assassino. Depois, há uma seqüência de tribunal bem- humorada em que Pacino, sabendo que deixará a prisão, começa a fazer um interminável discurso de agradecimentos, como se tivesse numa cerimônia do Oscar. Em seguida, ocorre os previsíveis clichês: o protagonista tenta mudar de vida, mas não consegue abandonar o crime; passa a ser perseguido por perigosos mafiosos que querem sua cabeça a prêmio; é apaixonado por uma bela mulher (Penelope Ann Miller), que espera que ele tome juízo, etc. No elenco, Sean Penn compõe um personagem bizarro e bem esquisitão. Ele aparece em cena com cabelos ruivos cacheados, no papel do advogado viciado em cocaína. E o futuro galã Viggo Mortensen tem participação pequena como um traficante aleijado. Há no filme uma canção bem famosa, e que foi bastante tocada nas rádios: You Are So Beautiful", cantada por Joe Cocker; aliás, o que soa um tanto estranho, já que se espera esse tipo de música em comédias românticas, e não em filmes do gênero. O Pagamento Final, apesar disso e dos habituais clichês, mantém o interesse graças ao típico estilo de Brian DePalma, que segura a atenção por conta de seus infalíveis movimentos de câmera.
Por que gravei o filme: Sou admirador desse cineasta contemporâneo, um dos discípulos mais fiéis de Hitchcock, apesar de alguns trabalhos frustrantes. Não é o caso desse "O Pagamento Final", que aliás, também não é o seu grande filme. Mas aprecio o gênero "gângster", e o estilo do diretor. Por isso, gravei o filme no canal AXN.