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sábado, 25 de março de 2017

A Bela e a Fera

 Não iria mesmo demorar muito para uma versão com personagens de carne e osso desse grande clássico da Disney; mesmo porque, é a tendência do momento: refilmar animações com atores. E "A Bela e a Fera" fez um sucesso gigantesco, chegando mesmo a ser a primeira animação a ser indicada ao Oscar como melhor filme.

 Essa nova versão, atualizada por Stepehen Chbosky e Evan Spiliotopoulos, e tendo a experiência de Bill Condon na direção, que fez de tudo um pouco (desde "Deuses e Monstros" até  "A Saga Crepúsculo") é esplendidamente luxuosa, com um cuidado técnico espetacular e deslumbrantes cenários e figurinos. Ou seja, tudo o que se espera de um padrão Disney "classe A".

 Quanto a história, todo mundo já conhece, a tal "fera" do título era um príncipe arrogante, que enfeitiçado por uma bruxa, torna-se um ogro detestável e rabugento. Assim como ele, os empregados de seu palácio também são amaldiçoados, e se transformam em objetos. A jovem Bela, que teve seu pai capturado pela Fera, se oferece como prisioneira em troca do pai, e passa a conviver com o cotidiano do ogro ranzinza e seus criados transformados em objetos falantes. Aos poucos, ela se afeiçoa por ele. Mas um outro príncipe ganancioso surge no caminho como obstáculo.

 As canções que existiam no desenho, todas elas, estão de volta, além de alguns acréscimos (a projeção ultrapassa os 120 minutos!) Funciona tudo como um grande espetáculo para se ver no teatro, mas mesmo na tela grande, há um bom impacto. O elenco, encabeçado pela inglesa Emma Watson, que não faz jus ao adjetivo bela (mas, na verdade, nem mesmo a personagem) e o ainda pouco conhecido Dan Stevens ("O Quinto Poder") como Fera, tem ainda Luke Evans, como o antigalã Gaston, Kevin Kline como o pai da Bela, e ainda grandes nomes como os objetos, mas que aparecem no fim em carne e osso: Emma Thompsom (cantando a música tema, como o simpático bule), Ian McKellen, Stanley Tucci, Ewan McGregor, Audra McDonald, Gugu Mbatha-Raw... Além disso, o gordinho Josh Gad, que emprestou sua voz para Olaf em "Frozen - Uma Aventura Congelante", faz aquele que é conhecido como o primeiro personagem assumidamente gay da Disney, o serviçal de Gaston, mas essa condição sexual aparece de forma implícita.

 Enfim, um encanto de produção para todas as idades, mesmo não sendo superior à animação de 1991. Ou seja, certamente, vale o ingresso. Abraços!

TRAILER:

domingo, 26 de junho de 2016

Como Eu Era Antes de Você

 Como marketing, foi bastante oportuno o lançamento desse título no Brasil agora em junho, em comemoração ao dia dos namorados. Trata-se de uma adaptação de livro que segue a linha de autores como Nicholas Sparks e John Green. A diferença é que aqui a autora, Jojo Moyes, é a roteirista do filme, o que garante maior fidelidade ao livro.

 A atrapalhada Lou Clark passa por um estranho processo seletivo, e é escolhida para trabalhar em uma linda mansão, como auxiliar do milionário Will Traynor, que tornou-se paraplégico, após ser atropelado por uma moto. Aos poucos, ela precisa engolir o mau humor e a arrogância do rapaz, mas com o passar do tempo vai nascendo uma forte amizade entre ambos, que se transforma em amor. O problema é que ele está decidido a aplicar o uso da eutanásia, pois não quer mais viver. Isso deixa a moça preocupada, assim como os pais dele. Assim, ela tenta dar o melhor de si para mostrar o quanto a vida vale a pena.

 A diretora Thea Sharrock realizou uma estreia talentosa e promissora atrás das câmeras, num romance sensível, com bastante humor, e momentos dramáticos. Nem precisa dizer que a fita está repleta de clichês; porém, por outro lado, trata-se daqueles filmes que satisfaz e agrada bastante a plateia, até mesmo o público masculino, pois nunca cansa, sempre diverte e segura a atenção do espectador para o desfecho. Além disso, diversas canções pop e paisagens deslumbrantes do interior da Inglaterra, com belíssimos castelos, fascinam quaisquer olhos indiferentes.

 A escolha do elenco também foi sábia, com Emilia Clarke no papel central, fazendo comédia, numa composição bem diferente de sua personagem na popular série de rv, "Game of Thrones"; talvez esteja nascendo uma estrela no cinema também. O rapaz é interpretado por Sam Claflin, que esteve nos últimos filmes da série "Jogos Vorazes" e em "Branca de Neve e o Caçador", e sua sequência. Eles tem boa química em cena, e são auxiliados pelos bons veteranos Janet McTeer e Charles Dance, como os pais dele, além do novato Stephen Peacocke, que rouba a cena como o acompanhante que leva Will para fisioterapia e lugares do tipo.

 Nem chega a ser spoiler o fato de que o final previsível vai fazer a plateia derrubar imensas lágrimas. Mas não se pode deixar de admitir que esse simpático passatempo acaba servindo também como lição de vida e te faz refletir ao menos um pouquinho sobre o valor que se dá a ela. Enfim, uma ótima alternativa para quem quer fugir dos variáveis filmes de heróis que invadiram a telona. Eu recomendo!

 TRAILER:


terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Questão de Tempo

 Uma boa pedida para cinema em épocas natalinas é este Questão de Tempo, dirigida e roteirizada pelo mesmo diretor de "Simplesmente Amor", Richard Curtis. Trata-se de uma história leve, delicada, sensível e engraçada, daquelas capazes de deixar o espectador feliz da vida, ao término da sessão.

 A história, definitivamente, não é nada original. Afinal, o tema "de volta para o passado" já foi explorado diversas vezes. Todavia, não vejo nada tão ousado ou curioso dentro do tema, desde a comédia "Feitiço do Tempo", de 1993. Bom, o enredo: o jovem britânico Tim (o ruivo Domhnall Gleeson, de "Bravura Indômita" e "Harry Potter -  As Relíquias da Morte 1 e 2"), ao completar 21 anos, recebe uma  notícia de seu pai (o veterano Bill Nighy, que também esteve em "Simplesmente Amor"), de que a família tem o dom de voltar ao passado. Basta apenas ir para um lugar escuro, deixar o pulso ereto, e se concentrar para a época que se quer voltar. Sabendo disso, o rapaz tira proveito da situação e volta para fazer coisas que não tinha realizado no passado. Até que uma americana (a estrela Rachel McAdams) cruza sua vida, e ele se apaixona por ela. Claro que ele usa o "tempo" a seu favor, para descobrir informações sobre a garota...

 Questão de Tempo é daqueles filmes repletos de canções, e faz o público se entregar e se envolver com a história e seus personagens. Nem se vê a duração da película (e olha que passa dos habituais 120 minutos, algo típico do diretor), por conta da história cativante. O aspecto mais criativo, certamente, foi o de não se explorar constantemente a "máquina do tempo", para com isso, não correr o risco de cair no lugar comum, com piadas óbvias e previsíveis. Ao contrário, Curtis deixa o romance dos protagonistas florescer naturalmente, e registra desde o instante em que se conheceram, até se casarem e terem filhos, deixando um pouco de lado o dom do rapaz. Claro que, com o passar dos anos, às vezes se faz necessário recorrer à viagem ao passado, para corrigir coisas desagradáveis. O fato é que a mensagem de se aproveitar a vida em todos os seus aspectos é, apesar de passar uma ideia piega, bastante oportuna e desenvolvida com muita humanidade e satisfação.

 O elenco está espetacular, e outra ideia interessante foi colocar em cena um casal não especialmente bonito para encabeçar esse magnífico conto. McAdams parece ser a estrela ideal para esse tipo de filme, já que tem no currículo outras obra sensíveis como "Te Amarei Para Sempre" e "O Diário de Uma Paixão". E forma uma dupla interessante com o desconhecido Gleeson (filho do veterano Brendan Gleeson), numa interpretação, ao mesmo tempo, tocante e divertida. E os coadjuvantes brilham também, sobretudo o pouco conhecido Richard Cordery (de "Os Miseráveis") como o tio do protagonista, a jovem Lydia Wilson (de "Não Me Abandones Jamais") como a irmã, a novata de carreira promissora, muito atraente, Margot Robbie (que também está em "O Lobo de Wall Street", do Scorsese) no papel da amiga da irmã por quem Gleeson se sente balançado, a veterana Lindsay Duncan como a mãe, e principalmente o extraordinário Bill Nighy, como o pai. Tem-se falado pouco sobre as chances do filme concorrer em alguma categoria para o próximo Oscar, mas se houvesse justiça, Nighy concorreria como coadjuvante, em um grande momento nas telas.

 Enfim, tudo funciona: elenco, roteiro, fotografia, direção de arte... Tudo magnífico. Um bom fecho de ano para quem procura uma história bem contada, sensível e com descontraídos momentos de humor. Daquelas produções que te faz refletir sobre a vida, e correr atrás do tempo perdido sobre algo não resolvido. Vale a pena experimentar!

TRAILER:

sábado, 24 de novembro de 2012

A Saga Crepúsculo: Amanhecer - Parte 2

 Finalmente chegou o dia! Agora as adolescentes histéricas conseguiram controlar a ansiedade. Estreou o último filme da série Crepúsculo. Bom, como essa franquia foi um enorme sucesso de público, talvez a toda poderosa da vez, Stephanie Meyer, tenha mais alguma coisa embaixo da manga. Será? É possível, mas espero que não...

 Em todo caso, devo admitir que esse último episódio foi o melhor de toda série (pelo menos isso). E a trama acontece exatamente no mesmo instante em que acabou o Amanhecer Parte 1. Nasce a filhinha da agora vampira Bela, e com o nascimento, surgem novos problemas. Existe uma espécie de lei vampiresca, se é que se pode chamar assim, que proíbe a existência de crianças vampiras, pois estas, pela imaturidade, podem revelar para a humanidade a identidade deles. Assim, o casal Bela/Edward conta com a ajuda da família para defender a criança, e provar para todos os vampiros que a criança não é imortal, e portanto, não apresentará risco para ninguém. Além da família, o casal conta com a ajuda de vampiros de diversos lugares do mundo (inclusive duas brasileiras da Amazônia!). Ah, sim, o lobo Jacob também ajuda. E aí começa a aventura.

 O mais interessante desse grand finale é a cena da batalha entre os vampiros, muito bem conduzida pelo cineasta Bill Condon, que também esteve a frente do episódio anterior. Pode-se dizer que só essa cena já vale o ingresso do filme. Quanto ao resto, não há grandes novidades. A não ser o fato de que Kristen Stewart está menos irritante do que de costume. Ter se tornado imortal fez bem para ela: além de abrir menos a boca, ela está até bem corada! Sua imagem fotografa melhor assim, com certeza. E o próprio Robert Pattinson está menos pálido que das outras vezes, inclusive. Bom, essa foi a impressão que eu tive! ( ou será que eu já me acostumei com ele? ). Por fim, o Taylor Lautner continua arrasando a adolescentaiada  toda vez que aparece sem camisa, apesar de continuar com aquela cara de esquilo sem graça. Uma novidade, é que dessa vez o Jacob passa a se interessar pela filha de Bela (calma, ele não é pedófilo! É que existe um certo instinto entre vampiros e lobos, que faz com que eles descubram quem é ou será sua alma gêmea. Pois é, não se tem mais o que inventar...).

 Quanto aos coadjuvantes, Ashley Greene (a Alice), Nikki Reed (Rosalie) e Kellan Lutz (Emmett) ganham mais destaque em cena. Lutz, inclusive, surge como um galã de estepe para as alucinadas adolescentes (que também fizeram um auê por ele). Quem se destaca, no entanto, é o excelente britânico Michael Sheen, como o vilão Aro. Sua aparência demoníaca causa pavor em todas as cenas. Junto com ele, a ex-mirim Dakota Fanning também tem destaque como a vampira Jane. Por fim, ressalto que não havia percebido nos outros filmes o quanto estranha é Elizabeth Reaser, que faz a mãe de Edward. Não sei se é trabalho de maquiagem, mas não havia reparado o rosto esquisito que ela tem.

 O final da série faz lembrar um pouco o fim da saga Harry Potter. Ou seja, não se descarta uma nova sequência ou safra. Essa parece a mensagem... E, como eu disse, vai depender da vontade de Stephanie Meyer (que mais uma vez, foi adaptada pela roteirista Melissa Rosemberg), que no final das contas, foi a manda chuva da versão cinematográfica também. Independente disso, nos letreiros finais, o filme faz uma homenagem especial a todos os atores que apareceram durante a saga, do começo ao fim. Foi o momento mais nostálgico e simpático da produção!

 Finalizando, já admiti inúmeras vezes que eu não sou fã da série, mas, apesar disso, acompanhei a projeção em sua pré estreia (sim, minha esposa Gisele é a causa disso). E, se toda a série não foi lá grande coisa, pelo menos essa última parte não decepciona, graças a cena da batalha final. Por outro lado, o filme é um tanto preconceituoso com nós brasileiros em alguns momentos (falha imperdoável para os responsáveis pela produção, uma vez que o Brasil já foi cenário em Amanhecer Parte 1. Será que eles já não deveriam se informar melhor sobre nossos costumes?). Fora isso, quem nunca assistiu os outros episódios, não vai entender muita coisa. Agora, nem preciso dizer que Amanhecer-Parte 2 já é considerado o melhor filme do ano pelo seu "respeitável" público fiel. E quem não é tão fanático pela saga, mas quer conferir a conclusão na tela grande, fique despreocupado: ela ainda ficará em cartaz por um tempo bem longo... Salve Bela!

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sábado, 24 de dezembro de 2011

Noite de Ano Novo

Seguindo a tradição de "Idas e Vindas do Amor", o cineasta Garry Marshall e a roteirista Katharine Fugate, os responsáveis pelo filme mencionado, apresentam agora mais uma estória repleta de tramas paralelas e personagens agradáveis, trata-se de Noite de Ano Novo.

Como se pode prever, é um roteiro banal, óbvio e repleto de clichês, representado por um elenco estelar da mais alta qualidade. Se "Idas e Vindas" focalizava a trama no dia dos namorados (uma data, aliás, que não bate com a comemoração brasileira), dessa vez tudo se torna mais mágico, mais sensível, mais bonitinho... Afinal, a hora da virada é um dos momentos mais aguardados pelo brasileiro no geral. E Nova York aparece bem chamativa, atraente, encantadora. Ela e o grande elenco conseguiram, e ainda conseguem, lotar as nossas plateias. Isso sem falar das diversas canções que contagiam o clima.

Enfim, sem dar muitos detalhes na sinopse, são vários encontros e desencontros que ocorrem na véspera de fim de ano. Temos a Michelle Pfeiffer, já envelhecida e desglamourizada, se demitindo do emprego, e tentando realizar suas vontades antes do término do ano com a ajuda do garoto Zac Effron (tentando no cinema o público da tv); Robert DeNiro faz um paciente que agoniza numa cama de hospital, enquanto é consolado pela boa enfermeira Halle Berry; Jon Bon Jovi faz um cantor (novidade...) tentando reconquistar a ex Katharine Heigl, enquanto é vítima da tietagem da Sofia Vergara; Ashton Kutcher e Lea Michele (do megasucesso "Glee"; sim, ela canta em cena!) ficam presos no elevador (algo bastante clichê no cinema americano) e se envolvem; Hilary Swank faz a pessoa responsável pelo maior evento das últimas horas: quando resolvem soltar do alto da Times Square, a bola que marca a virada do ano! Só que a bola emperra no meio do caminho, e o técnico Hector Elizondo (um dos grande favoritos do diretor) é chamado pra solucionar o caso; Sarah Jessica Parker faz a mãe superprotetora que impede que sua filha Abigail Breslin (agora crescida, depois de "Pequena Miss Sunshine") namore; E a gestante Jessica Biel tenta parir antes da meia noite para ganhar um concurso... E por aí vai...

Repararam no elenco ilustre? E ainda temos Matthew Broderick, James Belushi, Carla Gugino, Til Schweiger, Seth Meyers, Sarah Paulson, Josh Duhamel, Alyssa Milano, Cary Elwes... E apesar da obviedade do roteiro, a roteirista apresenta algumas pistas falsas sobre os relacionamentos das personagens, e acaba trazendo algumas surpresas bacanas...

Bom, apesar de todos os clichês, Noite de Ano Novo, é o típico filme que nós gostamos de assistir no fim de ano. Por isso, mandei tudo às favas, e me diverti bastante com as tramas paralelas... Deixar de lado o preconceito, e encarar o filme de Marshall como uma agradável diversão, é o melhor que temos a fazer. Então, quem não viu ainda, vá ao cinema mais próximo, até 31/12, e se divirta com "Noite de Ano Novo"... Quem sabe algum diretor brasileiro resolva se inspirar e fazer um filme com essa temática sobre São Paulo no fim de ano... Por que não? Feliz Natal a todos!!!!

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quinta-feira, 24 de novembro de 2011

A Saga Crepúsculo: Amanhecer - Parte 1

Aconteceu. Se eu não fosse ao cinema conferir esse novo filme da série Crepúsculo, minha esposa Gisele iria me fuzilar. Então, fazer o que? O jeito foi conferir! E ainda tivemos que comprar os ingressos com um mês de antecedência, o que eu achei um baita dum exagero por parte de minha esposa. Enfim... O fato é que assistimos a versão legendada, e mesmo quando as cópias não são dubladas, as adolescentes histéricas de plantão não nos deixam em paz... Bom, já passou.

Nesse momento, após assistir aos três episódios anteriores, não tenho muito o que criticar. Afinal, já se sabe muito bem o que vai se suceder em cena. Também resolvi parar de criticar o trio central da fita; afinal, permanece óbvio o fato de que Kristen Stewart, Robert Pattinson e Taylor Lautner são inexpressivos e canastrões. Aliás, talvez a péssima atuação do trio seja um fator essencial para a existência do filme, ou seja, são tão ruins que nós nos acostumamos com eles. E o garotão Lautner, definitivamente, virou o atro popular entre a meninada fanática. Talvez, essa tenha sido uma surpresa inesperada para os produtores da série, pois, conforme os gritos histéricos, as tietes o preferem em relação ao protagonista Pattinson. Nada mal para um coadjuvante, ainda que tenha cara de esquilo vesgo.

Quanto a sinopse, a mocinha Bella finalmente se casa com o vampiro anêmico Edward, e ambos vão passar a lua de mel no (adivinhem...) Rio de Janeiro. O que acaba sucedendo, ainda que não seja tão surpreendente, é o fato de que Bella engravida, e tenta decidir se tem a criança, ou se realiza um aborto. O problema é que se trata de um neném-vampiro sedento por sangue, e se ela resolver tê-lo, pode morrer.

Para mim, foi o capítulo mais romântico, e também o mais sonolento, parado e irritante. Quase não há cenas de ação, os vampiros do mal não aparecem aqui, e tudo gira em torno da decisão da bocudona da Bella. Além disso, o Rio de Janeiro é mal fotografado e aparece, em sua curta duração, como um lugar abaixo do subdesenvolvido (exceto pelas cenas em Paraty, que recebe outro nome, e aparece como um paraíso distante e inabitável [!]). Sem contar, a presença de uma personagem brasileira chamada Kaure (não conheço ninguém com esse nome aqui), que parece uma índia e é vidente (ela sente o mal se aproximando de Bella). Ou seja, mais uma visão estereotipada e preconceituosa que o americano tem do Brasil. Pelo menos, essa personagem e o marido (que são caseiros do resort em Paraty) falam português, e não espanhol. Falando nisso, Pattinson, ao menos, não se sai tão mal ao falar o nosso idioma em algumas cenas.

Mas, como estava dizendo, em seus 117 minutos em cena, Amanhecer - Parte 1 só tende a agradar mesmo o seu público fiel, pois demora muito pra passar e é muito arrastado. A impressão que eu tenho é que isso foi feito propositalmente para deixar o melhor (se é que se pode dizer assim) para a parte 2. Nem mesmo precisava haver essa divisão em dois filmes; seria melhor prolongar um pouco a projeção, e colocar tudo de uma vez na projeção. No entanto, como se trata de um produto que vende muito, os produtores pensam nos zilhões que arrecadarão com mais um episódio da série.

No elenco, nenhuma novidade. Apenas a Sarah Clarke, que faz a mãe da Bella, aparece um pouco mais em cena; e o que roteiro não esconde é que a personagem Rose, feita pela atriz Nikki Reed, ganhará mais destaques na 2ª parte. Incomodo-me apenas com o excesso de maquiagem branca nos personagens vampiros. Não me recordo se nos outros filmes os personagens eram tão pálidos assim, sobretudo o vampiro feito pelo ator Peter Facinelli, que faz o médico (os olhos doem se olha muito para ele). A roteirista permanece sendo a mesma de toda série, Melissa Rosenberg, e o diretor da vez é o oscarizado pelo roteiro de Chicago, Bill Condon (de "Deuses e Monstros" e "Dreamgirls - Em Busca de Um Sonho"), que aliás, também dirigirá a 2ª parte.

Concluindo, Amanhecer - Parte 1 não aborrece tanto, mas cansa; e muito! Se você nunca assistiu a nenhum filme da série, desista de querer assistir a esse episódio, pois não entenderá nada. Há, pelo menos, uma cena mórbida que eu achei bizarra no melhor sentido da palavra: a tonta da Bella toma sangue no canudinho, naqueles copos típicos do MacDonalds, para alimentar o bebê. Que essa moda não pegue por aqui... Bom, pelo menos só resta mais um filme para conferir. Coragem, Robson, está acabando! Pelo menos minha esposa, que leu o livro, gostou bastante. Então, pelo menos as fãs vão aprovar. E só elas. Até!

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sábado, 10 de julho de 2010

A Saga Crepúsculo: Eclipse

Apesar de minhas fracassadas tentativas de recusa, não teve jeito: minha amada esposa me obrigou a assistir esse terceiro episódio da série ( e obviamente, não escaparei dos próximos), e tivemos as companhias das amigas Carol e Jennifer. É claro que a saga entretém e até diverte, mas cada vez mais me aborreço com essa baboseira adolescente...

O que eu poderia colocar como sinopse? Nada de mais: a sonsa Bella (Kristen Stewart) continua sendo o vértice do triângulo amoroso que inclui o vampiro Edward (Robert Pattinson) e o lobisomem Jacob (Taylor Lautner). Os rapazes não se bicam, evidentemente, mas se unem com o intuito de proteger a "donzela" da fúria da vampira do mal, Victoria (Bryce Dallas Howard), e de um novo comparsa dela, Riley (Xavier Samuel).

Ou seja, nada de especial. O cenário continua o mesmo dos filmes anteriores, Lautner continua a ficar sem camisa naquele tremendo frio de rachar (uma escrachada campanha de marketing para promover os dotes físicos do rapaz... Como as adolescentes de hoje estão histéricas, Meu Deus!), Pattinson continua apático, e mais anêmico ainda, e a tonta da Kristen Stewar continua... tonta! Aliás, nessa altura do campeonato, eu me questiono: é a atriz ou a personagem que é tonta? Ela persiste em ficar com aquele perfil irritante e com a boca aberta o tempo todo! Fica difícil imaginar que ninguém tenha percebido isso, e deixá-la permanecer desse jeito. Concluo, afinal, que ambas, personagem e atriz, são tontas!

Fora isso, o roteiro de Melissa Rosenberg desenvolve melhor a ação de alguns personagens secundários, que relembram fatos do passado, como é o caso da vampira Rosalie ( Nikki Reed) e o Dr. Carlisle Cullen ( Peter Facinelli ). Dakota Fanning, como a vampira Jane, tem mais destaque em cena, e Bryce Dallas Howard (de "A Vila"), substituiu a atriz que fazia a Victoria nos filmes anteriores. Aliás, foi a melhor coisa desse episódio. Quem foi o responsável por essa segunda sequência foi David Slade (que fez o surpreendente e polêmico "Menina Má.com"), que acrescenta mais tensão e sustos, pelo menos em alguns instantes.

Enfim, a série não é ruim (nem mesmo esse episódio). Mas essa febre toda já passou dos limites, e os protagonistas já passaram do patamar de insuportáveis. Espero que as duas últimas partes ("Amanhecer I e II") tragam algum interesse maior, embora creio que seja difícil. Em todo caso, o diretor, Bill Condon, é bom. Vamos aguardar... Até!

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sábado, 13 de março de 2010

Idas e Vindas do Amor

Sábado passado foi um dia excelente pra ir ao cinema: uma tarde bem típica de inverno, em pleno verão. Até que num clima desses, uma comédia romântica cai muito bem. E o título acima, eu e minha esposa assistimos no habitual Santana Park Shopping. Quanto ao filme? Obviamente previsível, mas nunca deixa de ser um passatempo atraente, sobretudo por conta do elenco estelar.

Nunca escondi que gosto de filmes com diversas histórias paralelas; normalmente, aprecio tramas mais dramáticas, como Short Cuts - Cenas da Vida, de Robert Altman; Magnólia, de Paul Thomas Anderson; e Bobby, do ator Emílio Estevez, só pra citar alguns; Mas, a referência óbvia desse filme, é a comédia inglesa Simplesmente Amor, também com grandes nomes em seu elenco, e que se saiu melhor. Na verdade, o que faltou em Idas e Vindas do Amor foram cenas mais cômicas e divertidas. Ainda assim, é um filme leve e agradável, mais amado pelas mulheres (mas não aborrece os homens), e dirigido pelo especialista do gênero, Garry Marshall (de Uma Linda Mulher), e roteirizado por Katherine Fugate.

Qual a sinopse? Bom, no dia dos namorados ( o Valentine´s Day, do título original ), várias tramas paralelas de casais apaixonados, ansiosos e envolvidos com encontros, desencontros e vários obstáculos na Los Angeles da atualidade. Nesse cenário, temos o dono de uma floricultura, Ashton Kutcher, tremendamente feliz, pois sua noiva Jessica Alba aceitou seu pedido de casamento; a professora Jennifer Garner, feliz da vida com o novo namorado Patrick Dempsey; o casal de velhinhos Hector Elizondo e Shirley MacLaine, comemorando anos e anos de casamento, e por aí vai... Claro que não é tudo bonitinho assim, pois obstáculos, traições e reviravoltas tomam conta da vida de todas as personagens.

Não há, portanto, um protagonista, pois muitas personagens se destacam (algumas, nem tanto). A estrela Julia Roberts, por exemplo, aparece como uma tenente que divide o acento do avião com um ricaço; o novo galã das meninas, Taylor Lautner, está feioso e despercebido como um adolescente atleta e meio bobão. Gosto particularmente dos papéis curiosos das atrizes Anne Hathaway, que interpreta uma atendente de tele-sexo, e que trabalha com o celular em qualquer horário e local, e Jessica Biel, que faz uma mulher que promove um encontro com todos aqueles que, como ela, odeiam o dia dos namorados. Entretanto, ao meu ver, o casal central acaba sendo Ashton Kutcher e Jennifer Garner, que embora apenas amigos, têm destino altamente previsível. Previsibilidade, aliás, é a palavra para o filme. Apesar de algumas reviravoltas interessantes, é daqueles filmes que todos sabem como deve terminar; por isso, não é nada especial, mas entretém.

Enfim, indico a película para os casais românticos e apaixonados. Ainda prefiro Simplesmente Amor, mas Marshall é especialista em tramas sobre casais apaixonados. Agora, estou de saída: assistirei Ilha do Medo, de Martin Scorsese. Um grande abraço a todos.

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terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Amor Sem Escalas

É impressionante como Hollywood tem uma extrema originalidade em inventar profissões no cinema! Fora o fato de idolatrar assassinos profissionais (o que beira o absurdo), agora chegou as telas brasileiras esse filme (no original, "Up in the Air") dirigido por Jason Reitman (filho do cineasta veterano Ivan Reitman, também produtor desse filme). E foi o que eu e a Gisele assistimos ontem nesse chuvoso e cinzento mês de janeiro!

O protagonista é Ryan Bingham, feito pelo preferido das mulheres, George Clooney. É ele que tem a estranha profissão que eu mencionei no início. Clooney trabalha numa firma contratada para demitir funcionários de diversas ocupações. Ou seja, eles não têm coragem de mandar ninguém embora, e por isso, essa missão cabe a Clooney, que viaja para todas as cidades dos EUA. Em uma dessas viagens, ele conhece a executiva Alex Goran (Vera Farmiga, de Os Infiltrados), e acaba se envolvendo com ela. Com o tempo, Ryan passa a treinar a jovem Natalie Keener (Anna Kendrick, de Crepúsculo), que também se especializa nessa profissão.

Bom, e assim flui a história (roteirizada pelo próprio Jason e Sheldon Turner, adaptada do livro de Walter Kim). Clooney passa o filme todo viajando e dando palestras, um homem charmoso e solteirão, que não pensa em responsabilidades matrimoniais. O filme acaba mostrando as vantagens de ser solteiro, mas aponta também as amarguras da solidão. Num meio termo perdido entre comédia e drama, Reitman retrata muito bem o cotidiano de homens e mulheres na casa dos 30 e 40, e que tentam buscar a felicidade. Isso é percebido através das personagens de Clooney e da excelente Vera Farmiga, uma atriz talentosa, e que agora poderá ser melhor reconhecida. No entanto, quem rouba a cena é a jovem Anna Kendrick, no papel da estagiária de Ryan. Ela serve como contraste às vidas maduras de Clooney e Vera; representa a juventude idealista, cheia de planos para o futuro e repleta de receios e ansiedades. O trio central, certamente, será indicado ao Oscar, mas nenhum deles deve ganhar. O final apresenta uma surpresa interessante sobre a conduta de uma das personagens, e que pode desagradar alguns (o que ocorreu com a minha esposa).

O filme demora um pouco para engrenar, começa de uma forma muito lenta, mas depois envolve, agrada, diverte. Trata-se de uma comédia dramática realista, às vezes fria (algumas demissões acabam sensibilizando; principalmente, porque vivemos num país em que o desmprego impera!), às vezes simpática. Gostei do filme, embora admito que não é para todo o público. Quem pensa que se trata de comédia romântica, por conta de presença de Clooney, vai se decepcionar. Ainda assim, recomendo. Um forte abraço!!!

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domingo, 22 de novembro de 2009

A Saga Crepúsculo: Lua Nova

Talvez eu seja um dos únicos mortais que tenha assistido essa sequência, sem ter visto o original, Crepúsculo, o famoso best-seller de Stephenie Meyer, que, inevitavelmente, teve que se transformar em filme. Não é segredo pra ninguém que eu não aprecio filmes de adolescentes (gosto apenas das boas comédias dos anos 80, no estilo "Curtindo a Vida Adoidado"). Mas, minha amada esposa faz questão de acompanhar a saga, e eu não tive escolha, a não ser acompanhá-la nessa enrascada.

A pior coisa foi o shopping em que assistimos ao filme, um certo Plaza Sul, que eu nunca tinha ido, e que é extremamente horrendo. Para piorar ainda mais, só tinha a versão dublada no cinema; e por fim, nunca vi tanto adolescente alienado dentro de uma mesma sala de cinema. É impressionante como essa série de filmes está atraindo pré-adolescentes. Eu me senti um gaiato no navio, tive que sentar bem lá na frente (isso porque o shopping é ruim, imaginem outros!). E como é insuportável tolerar os berros das meninas quando os bonitões entram em cena. Afe...

Bom, admito que entrei na sala com o intuito de bombardear e odiar o filme (e as condições mencionadas por mim agora pouco somente favoreceram o meu intuito). Entretanto, não é um filme ruim, dá até pra se distrair e manter um pouco interesse. Por outro lado, é apenas uma produção banal, inútil, sem-graça, e que prende a atenção do seu público-alvo, apenas.

A mocinha é Kristen Stewart, que foi filha de Jodie Foster em "O Quarto do Pânicio", e que repete o papel da heroína do filme anterior. Uma atriz muito esquisita (mas não tão feia quanto dizem), e que fica de boca aberta constantemente. Aliás, isso seria aceitável se a moça fizesse o papel de uma vampira, mas não é o caso. Enfim, ela continua apaixonada pelo vampiro "emo" Robert Pattinson (um branquelo insuportável que as "ninfetas" não cansam de chamar de lindo), que dá um jeito de desaparecer do filme, por um longo tempo, quando entra numa crise existencial (pelo menos, foi o que me pareceu). A coitada, portanto, fica sozinha, começa a ter pesadelos, e cai nos braços de outro amigo, feito por Taylor Lautner, que as mesmas ninfetas berram que é gostoso, sendo que na verdade, tem cara de esquilo e tem por hobbie, se transformar em lobisomem. É óbvio que o vampiro anêmico ressurge, o triângulo amoroso fortalece, e as escandalosas da plateia entram na paranóia total. Ah, tem também uma vampirinha ruiva (uma certa Rachelle Lefevre), que não abre a boca, e tenta matar a mocinha, por conta de algo que aconteceu no primeiro episódio. Em alguns instantes, comecei a torcer por ela, mas de repente ela some...

Dessa vez quem dirigiu essa sequência, foi Chris Weitz, que fez o interessante "Um Grande Garoto", e a roteirista do anterior permaneceu, no caso, Melissa Rosemberg, de séries de tv. Ah, e a estrelinha Dakota Fanning tem participação pequena como uma vampira, que pertence a família de Pattinson. Reparem! O que me lastima é que ainda existem mais duas sequências para estreia. E eu, obviamente, terei que acompanhar a Gisele. O pior de tudo é que, mais uma vez, serei obrigado a dividir meu espaço com um excessivo número de pré-adolescentes histéricas, que anseiam o tempo todo, que os galãs (galãs????) saiam da sala e as ataquem. Bem que isso poderia acontecer! Porém, nas próximas vezes, não assistirei no Plaza Sul, um shopping detestável. Ao menos, disso, eu posso me salvar. Abraços!

TRAILER:


quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Pequeno Dicionário Amoroso

( Brasil 1996 ). Direção: Sandra Werneck. Com Andréa Beltrão, Daniel Dantas, Mônica Torres, Tony Ramos, Glória Pires, José Wilker, Denise Fraga, Marcos Winter, Cristina Amadeo. 91 min.


Sinopse: Arquiteta e biólogo se conhecem por acaso em um cemitério, e começam a se relacionar. Com o passar do tempo, se casam e com essa nova rotina, surge a crise conjugal e a monotonia do casamento.

Comentários: São raras as comédias românticas brasileiras, e Pequeno Dicionário Amoroso demonstra que o nosso país também tem potencial e boas idéias para fazer fitas do gênero. O filme da promissora Sandra Werneck (que depois fez mais filmes) é leve, engraçado, despretensioso e bem humorado. Foge dos clichês habituais, típicos do cinema americano, e tem roteiro (de Paulo Helm e José Roberto Torero) original e feito para o público adulto. O ponto de partida é inovador: o relacionamento amoroso entre duas pessoas é narrado através de palavras ordenadas em ordem alfabética, e que são extraídas de um dicionário. Cada palavra apresenta semelhança com o cotidiano do casal. O roteiro pode até ser pessimista do ponto de vista matrimonial. Afinal, o casamento é visto como uma instituição falida, e o tédio e a rotina são os vilões que destroem a vida conjugal. Por outro lado, a fita traz uma mensagem positiva ao valorizar a busca do amor. Ou seja, se a infelicidade reina dentro de um casamento, não significa que nunca mais existirá uma possibilidade para se recomeçar a amar. E tudo isso é apresentado de uma forma descontraída e simpática. Os atores estão em forma, e apesar de Andréa Beltrão e Daniel Dantas formarem um casal meio desengonçado em cena, eles dão força e credibilidade aos personagens que interpretam. Além deles, Mônica Torres e Tony Ramos, por ora, roubam a cena como os respectivos amigos de Andréa e Daniel. Há também uma participação conveniente e simpática de Glória Pires, como uma cartomante e ex-esposa de Daniel. Outro ponto alto do filme são os diálogos, muito bem construídos e elaborados, que são utilizados com naturalidade pelos atores em cena. A impressão que dá ao espectador, é que se está assistindo a uma bela crônica de Luiz Fernando Veríssimo, sobre as confusões que o amor causa na vida de pessoas que saem em sua busca. Enfim, sem cair no melodrama, Pequeno Dicionário Amoroso é uma curiosa opção para quem procura novidades no gênero comédia romântica, principalmente por ser um filme brasileiro.

Por que comprei o filme: Pequeno Dicionário Amoroso saiu na coleção "Isto É Novo Cinema Brasileiro", coleção que eu tentei adquirir na íntegra, mas não consegui por problemas financeiros (semanalmente eu pagaria uns R$ 10,00 mais ou menos, na compra da fita e da revista). Assim, comprei a fita por valor reduzido em um Sebo. E reafirmo tudo que já havia dito anteriormente nos comentários: é um filme delicioso de se assistir, com argumentos inteligentes no roteiro e elenco em boa forma. Não precisa mais nada.

domingo, 24 de maio de 2009

Melhor é Impossível

( EUA 1997 ). Direção: James L. Brooks. Com Jack Nicholson, Helen Hunt, Greg Kinnear, Cuba Gooding Jr., Shirley Knight, Skeet Ulrich, Randall Batinkoff, Yeardley Smith, Lupe Ontieveros, Bibi Osterwald, Shane Black, Jamie Kennedy, Brian Doyle-Murray, Tom McGowan, Todd Solondz, Lisa Edelstein, Lawrence Kasdan, Harold Ramis. 139 min.



Sinopse: Marvin Utall, um escritor extremamente mal-humorado e desagradável, e cheio de manias, se envolve com uma garçonete batalhadora e mãe de um menino doente. Além disso, acaba se afeiçoando a um cachorrinho, pertencente ao seu vizinho gay. O contato com essas duas pessoas acaba modificando, aos poucos, o temperamento ranzinza do escritor.

Comentários: Filme indicado a sete Oscar, ganhou dois: ator (Jack Nicholson) e atriz (Helen Hunt). Foi indicado ainda para filme, ator coadjuvante (Greg Kinnear), roteiro original (de Brooks e Mark Andrus), montagem e trilha sonora. Estranhamente, James L. Brooks não foi indicado como diretor, já que esse não só é o seu melhor filme até hoje, como também um dos melhores dos anos 90. Ou seja, injustiça total! Na verdade, deveria ganhar também como melhor filme, mas foi uma tarefa dificílima concorrer com o fenomenal Titanic. O fato é que Melhor é Impossível é um dos filmes mais humanos e sensíveis já feitos pelo recente cinema americano, com boa trilha sonora e excelentes interpretações: Jack Nicholson ganhou o seu terceiro Oscar pelo papel do rabugento Marvin Utall, comprovando ser um dos melhores atores de Hollywood ao transmitir toda a arrogância e antipatia para um dos personagens mais detestáveis de todo o cinema; Helen Hunt tem o mérito de construir uma personagem que consegue bater de frente com a excelente performance de Jack Nicholson. Ela domina muitas cenas com sua interpretação humana, verdadeira e excepcional; E Greg Kinnear, em início de carreira, mereceu a indicação ao Oscar de coadjuvante no papel do vizinho gay (Cuba Gooding Jr. interpreta o seu namorado). Os três personagens centrais se relacionam entre si e acabam ensinando e aprendendo uns com os outros os diferenciados tipos de comportamentos. Principalmente o Marvin de Nicholson, que consegue se "suavizar" através do contato com os novos amigos, na medida do possível (o que acaba explicando o título: melhor que isso é impossível). E esse é um dos pontos mais altos do bem elaborado roteiro original da dupla Brooks/Andrus que mistura drama e comédia nos momentos certos. Enfim, um filme leve, romântico, divertido, sério e encantador.

Por que gravei o filme: A última frase do comentário já esclarece, evidentemente, que eu adoro esse filme, e não me canso de assisti-lo repetidamente. O que foi mencionado anteriormente eu reafirmo, pois tudo funciona aqui: o roteiro, a trilha musical, as interpretações, o diretor... tudo! James L. Brooks nunca fez nada parecido, nem antes, nem após a conclusão desse filme. O mesmo eu digo da ótima Helen Hunt em seu melhor papel no cinema (ela está incrível!). E não há palavras para definir a habitual e formidável interpretação de Nicholson. Duas cenas me agradam de uma forma especial: a declaração de amor de Nicholson para Hunt, que pega todo mundo de surpresa; e o momento em que o protagonista tenta uma nova declaração para sua amada, e é surpreendido pelo surgimento da ótima Shirley Knight (que interpreta a mãe de Helen) com uma fala oportuna e interessante. Não digo mais nada, é um belo filme! E pronto. Gravado na HBO.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Romance

Hoje fui ao shopping de Santana com a minha esposa Gisele. Nós decidimos de última hora ir ao parque Villa Lobos; e eu achei conveniente a idéia, pois estava com a pretensão de alugar uma bike e dar umas pedaladas... No entanto, a tarde estava meio fria, e resolvemos não ir mais ao parque. Assim, fomos ao shopping, e decidimos ir ao cinema. Sim, meus caros amigos, esse cinéfilo conseguiu entrar numa sala de cinema, após a última vez que isso ocorreu: lá embaixo, agosto/2007.
Resolvemos assistir ao filme "Romance" (não tinha muita opção, pra variar; além disso, Gisele queria ver esse filme, desde algumas semanas). Esse desprotegido cinéfilo, portanto, foi até a caixa eletrônica 24 horas para tirar o pouco "cash" que restava. Assim fiz, mas descobri que isso foi desnecessário! Afinal, o filme "Romance" é brasileiro, e desde 10/11 (de segunda a quinta) os ingressos para as películas brasileiras custam R$4,00 (e eu não sabia disso!). No mais, como Gisele e eu somos professores, pagamos meia, cada um R$2,00. Enfim, nunca foi tão legal ir ao cinema depois de muita ausência...
Quanto ao filme, Romance (dirigido por Guel Arraes, e co-roteirizado por ele e Jorge Furtado), conta a história do jovem diretor e ator de peças teatrais, Pedro (Wagner Moura). Normalmente, ele dirige grandes clássicos da literatura mundial, de Othello a Cyrano. Dessa vez, Pedro resolve transportar para os palcos o clássico "Tristão e Isolda", de Joseph Bedier, em que protagoniza ao lado da namorada Ana (Letícia Sabatella). Com o tempo, Pedro e Ana vão conquistando seu público e, certa vez, um diretor de tv (José Wilker) se impressiona com a atuação da moça, e a convida para participar de uma novela que será dirigida por ele. Ana aceita o convite, e divide sua vida profissional entre o teatro em São Paulo, e as novelas no Rio de Janeiro. Com isso, a relação do casal esfria, e ambos se separam. Três anos depois voltam a se encontrar, quando Ana sugere que Pedro escreva um roteiro para um epecial de fim-de-ano na tv. O jovem , então, decide, adaptar para a tv um grande sucesso que fez nos palcos: Tristão e Isolda.
Guel Arraes e Jorge Furtado, após alguns sucessos no cinema (e depois de escreverem e adaptarem diversos roteiros para as minisséries globais), se uniram na realização dessa comédia romântica, que insiste em ser dramática. É um filme simpático, agradável e divertido, que fala do amor do artista pela arte (no caso, o teatro) e das conturbadas relações amorosas entre os seres . Contudo, apesar de não ter uma duração longa, o filme se arrasta um pouco, ao enfatizar demais alguns personagens coadjuvantes. Além disso, a falta de equilíbrio no gênero atrapalha um pouco; ou seja, por hora, não sabemos se é comédia ou drama. Outra falha, foi a escolha de Letícia Sabatella na interpretação da mocinha. Letícia é uma atriz discutível, que já teve altos e baixos, já foi estrela na globo, depois foi desperdiçada, agora voltou a ser estrela... Enfim, o fato é que ela não tem química para ser par romântico de Wagner Moura. A escolha de uma atriz mais jovem (Alinne Moraes, Débora Falabella, Mariana Ximenes...) seria mais adequada. Por outro lado, alguns atores roubam a cena: Andréa Beltrão, como a diretora de elenco e amiga do casal, serve como alívio cômico; Marco Nanini surpreende e diverte nas poucas cenas em que aparece; e Vladimir Brichta, quem diria, revela bom talento cômico. Apenas Wilker exagera e super-representa como sempre. E Wagner Moura se consagra como o maior ator do cinema brasileiro da atualidade (ao lado de Lázaro Ramos). Outro equívoco é percebido o roteiro, no instante em que a personagem Ana passa a se relacionar amorosamente com o namorado e o colega de trabalho (Brichta), e essa relação é facilmente compreendida por todos (inclusive pelo namorado!). Ou seja, a personagem tenta convencer que atração física e amor sejam sinônimos, o que soa muito incoerente. Ainda assim, dá pra se divertir com o filme, que apresenta uma conclusão interessante e satisfatória.
Vale ressaltar, por fim, que o cinema brasileiro tem encontrado seu público, já que as pessoas estão perdendo o preconceito que tinham em relação aos filmes nacionais. Afinal, as produções um tanto "pornográficas" dos anos 70/80 trouxeram uma imagem negativa para o nosso cinema. Porém, por outro lado, o cinema brasileiro também está (infelizmente) perdendo um estilo interessante e bem típico que conseguiu conservar durante um certo tempo, ou seja, o cinema novo. Onde estão os discípulos de Glauber Rocha e Nélson Pereira dos Santos? Essa nova safra de filmes, se por um lado deixou de ser erótica, por outro deixou nosso cinema mais comercial. Filmes como Romance, têm muita proximidade com produções hollywoodianas, o que denota a perda da identidade cultural do nosso cinema. Em todo caso, comercial ou não, admito que os filmes brasileiros têm conseguido bons êxitos nas bilheterias nacionais. E isso já é bem-vindo.

TRAILER: