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sábado, 4 de janeiro de 2020

Minha Mãe é Uma Peça 3: O Filme

 Para fechar a trilogia de enorme sucesso nas bilheterias brasileiras, o show de humor do talentoso Paulo Gustavo como Dona Hermínia está de volta; e mais uma vez as salas de cinema ficaram cheias, comprovando o quanto o público aplaude o estilo de humor de Paulo Gustavo e sua carismática personagem. A direção ficou por conta de Susana Garcia, após o sucesso no ano passado com "Os Homens são de Marte".

 Garcia também colabora no roteiro, ao lado de Paulo Gustavo e Fil Braz. Entretanto, não existe exatamente uma história, mas sim um alongamento de cenas cômicas e divertidas. Tanto que a projeção aqui se aproxima das duas horas, bem diferene dos outros dois filmes, que se chegavam a passar de uma hora e meia, era pouco (caso do segundo episódio).

 Mas em nenhum momento o público sai da sala de exibição com a ideia de que assistiu a uma fita arrastada e sem novidades. Ao contrário, as gargalhadas são garantidas do início ao fim, e a duração longa da fita nem é sentida; na verdade, se tivesse mais cenas, o público somente iria agradecer. Méritos de Paulo Gustavo, defintivamente o humorista do ano, que tem um poder impressionante sobre as plateias. Bem, a Dona Hermínia anda entediada em seu apartamento, pois os filhos não moram mais com ela. Além do filho mais velho, Garib, que mora em Brasília com esposa e filho, os outros dois, Marcelina e Juliano, já decidiram as vidas deles, pois a moça está grávida e vai morar com o namorado hippie, e Juliano decide se casar com o namorado. Para piorar, o ex marido Carlos Alberto resolve ser vizinho dela, deixando-a mais irritada. Bem, agora Dona Hermínia consegue ocupar seus dias em comprar roupinhas para o netinho (ou netinha) e implicar com a sogra do filho, Ana, uma megera  ricaça e prepotente. E nas horas vagas ela arranja tempo para ir para Nova York ao lado da vizinha Dona Lourdes.

 Enfim, ao ler a sinopse, já se pode perceber que tudo o que se sucede em cena é apenas com o pretexto de matar o público de rir. E realmente, Paulo Gustavo apenas conseguiu melhorar o humor nas sequências. Quase todo o elenco retorna aqui, como Mariana Xavier e Rodrigo Pandolfo como os filhos Marcelina e Juliano, Patrícia Travassos e Alexandra Richter como as irmãs, Hérson Capri como o ex-marido, Samantha Schmütz como a empregada, Malu Galli como a vizinha Dona Lourdes... Acrescentam-se ao grupo, a atriz Stella Maria Rodrigues como a sogra do filho de Hermínia e Cadú Fávero, como o hippie que se casa com Marcelina.

 Percebe-se que provavelmente não teremos um episódio 4, já que Gustavo fez questão de prestar uma homenagem à família dele nos letreiros finais, especialmente para a mãe dele, aliás, outros momentos divertidos em que a própria mãe do ator/roteirista aparece em cena, o que demonstra onde ele tirou a inspiração para criar Dona Hermínia. Tal homenagem soa como uma despedida das telas de uma das personagens mais carismáticas do cinema brasileiro. Por outro lado, a série já foi confirmada, e a turma toda, em breve, irá invadir a telinha. Não percam e divirtam-se! Abraços!

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sexta-feira, 10 de maio de 2019

De Pernas Pro Ar 3

As comédias brasileiras estão num bom momento de popularidade, sobretudo pelo fato de renderem sequências. É exatamente o que succede aqui com as aventuras da empresária do mundo do sex shop, Alice Segretto, nessa terceira aventura.

 O humor, dessa vez, está mais discreto. Isso porque a diretora Julia Rezende (dos dois "Meu Passado Me Condena") resolveu focar no amadurecimento de sua protagonista, e em suas inseguranças e escolhas. Claro que isso tudo rende muitas gargalhadas, sem dúvida. Mas, com um cantinho de sensibilidade também.

 Bem, o fato é que Alice agora resolve se aposentar para cuidar mais da família: seu marido João Luiz, e os filhos, o adolescente Paulinho, e a pequena Clarinha. Por essa razão, deixa seus negócios nas mãos da mãe, Marion. Contudo, volta a ativa quando se sente ameaçada por uma jovem concorrente na área, Leona, que inventa um óculos ultramoderno, capaz de satisfazer os maiores desejos sexuais. Para piorar, a garota passa a namorar o filho de Alice, deixando a empresária mais irritada,

 O time de roteiristas (Rene Belmonte, Paulo Cursino, Marcelo Saback e a própria estrela Ingrid Guimarães) retomam situações hilárias das fitas anteriores, além de acrescentar novos "produtos", como o mencionado óculos, além de uma boneca inflável. As locações externas também são convidativas, já que parte da trama se passa em Paris, onde Alice participará de congressos. Ingrid continua arrasando em cena, demonstrando ser uma das melhores comediantes do país. Bruno Garcia, como o marido, também apresenta um personagem mais maduro e reflexivo. A excelente Denise Weinberg, como a mãe Marion, chega a roubar a cena no início, mas depois parece ser esquecida pelo roteiro (o que foi um vacilo tremendo). Em compensação, Cristina Pereira, como a empregada Rosa, diverte a plateia com suas atrapalhadas,

 Há várias participações especiais interessantes, como Cauã Reymond interpretando a si próprio numa cena hilária, Fernanda Lima, também como ela mesma, num momento de entrevista, além da co-estrela das fitas anteriores, Maria Paula, que retorna numa participação, na qual faz meditação.

 A bela mensagem sobre os valores que importam na vida das pessoas, apesar de clichês, rendem momentos reflexivos, contribuindo para o clima alto astral e romântico da narrativa. Enfim, "De Pernas Pro Ar" rendeu uma franquia de três filmes de grande sucesso e com diversão garantida. Podem conferir! Abraços!

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quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Minha Vida em Marte

 Se tem um gênero que se afirmou muito bem aqui no Brasil é a comédia. Muitos críticos até podem dizer que fitas comerciais como "Se Eu Fosse Você" e "Minha Mãe é Uma Peça" se inspiram em fitas americanas, mas certas características de nossa "brasilidade"é o que faz a diferença nestes filmes. Entre elas, está o humor. Afinal, nas fitas citadas é comum ver o público explodir em gargalhada, até mesmo muito mais do que em qualquer fita americana do Jim Carrey. Nesse Minha Vida em Marte, também sucede isso.

 Trata-se de uma sequência de "Os Homens São de Marte... E É Pra Lá Que Eu Vou", realizado em 2014, com a mesma dupla central, Mônica Martelli e Paulo Gustavo. Aliás, os protagonistas também são responsáveis pelo roteiro, escrito em parceria com a diretora estreante Susana Garcia, e também com Emanuel Araújo e Júlia Lordello.

 Aqui, a administradora de um buffett Fernanda Garcia (Mônica) está em crise no casamento com Tom (Marcos Palmeira, que também esteve no filme anterior). Tenta de tudo para fugir da rotina, e conta com a ajuda de seu sócio homossexual, Aníbal (Paulo Gustavo). Porém, as coisas caminham para a separação. Nesse caso, para levantar a moral da amiga, Aníbal lhe proporciona várias atividades de entretenimento, incluindo uma viagem para Nova York, onde ambos passam por diversas situações divertidas.

 Apesar da simplicidade da história, fazia tempo que eu não gargalhava com gosto. Os dois comediantes são perfeitos na arte da diversão, sobretudo Paulo Gustavo, simplesmente um fenômeno nas tiradas, nos diálogos e nos trejeitos. A mensagem também não deixa de ser poética e positiva para o ser humano, que muitas vezes precisa aprender a valorizar a si próprio, acima de qualquer relacionamento.

 No elenco, a presença ilustre de vários atores populares na telinha, como Ricardo Pereira, no papel de um interesse romântico de Mônica lá em Nova York, Heitor Martinez Mello como um paquera em uma festa, Dudu Pelizzari como o instrutor da academia, Fiorella Mattheis como a namorada do ex-marido, Guida Vianna como a dona do sex shop, além da cantora Anitta interpretando ela mesma.

 Enfim, uma verdadeira injeção contra o mau-humor. É daqueles filmes que deixa o público na expectativa de uma nova sequência, para se divertir ainda mais. Assista sem preconceito, e tenha a garantia de que rir é sempre prazeroso, sobretudo quando de forma espontânea. Abraços!

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terça-feira, 17 de outubro de 2017

A Morte te dá Parabéns!

 De vez em quando, é bacana observar alguma produção menor e discreta que está passando nos cinemas, normalmente produções de terror, que acabam sendo curiosas e divertidas. É o que acontece com esse modesto filme, com uma história interessante.

 Não é exatamente uma fita de terror, está mais para um suspense bem-humorado; na verdade, quase comédia, já que o tom de sátira é bastante presente. E, também, não se trata de uma narrativa original, é praticamente uma versão teen do já cult "Feitiço do Tempo", com Andie MacDowell e Bill Murray (aliás, no fim, é feita uma homenagem a esse clássico dos anos 90, através da fala de um dos personagens).

 A jovem Tree Gelbman é uma estudante de medicina bonita e atraente. No entanto é também arrogante, rabugenta e insuportável como ser humano. Justamente por isso, é assassinada. Porém, após receber o golpe que lhe tira a vida, acorda na cama de um garoto que conheceu na noite anterior, e revive o mesmo dia. Toda vez que é assassinada, vai acontecendo tudo novamente. Enfim, após se acostumar com a nova rotina, Tree tenta descobrir, dentre as várias pessoas que têm motivos de sobra para matá-la, qual deles é seu assassino.

 Assim como sucedeu em "Feitiço do Tempo", não espere que aqui tenha alguma explicação sobre a repetição do tal dia. O que chama a atenção no roteiro, de Scott Lobdell, é a típica  sátira com as high school americanas, em que a luta pela popularidade e sucesso são as preocupações centrais das estudantes. As situações do assassinato da garota são engraçadas e repeltas de reviravoltas. Aliás, o final já apresenta uma situação inesperada, que pode ser decifrada antes, caso o espectador seja bem observador.

 O elenco é completamente desconhecido, repeleto de jovens iniciantes. Destaque para a protagonista, Jessica Rothe (de "La La Land: Cantando Estações") que passa por inúmeras situações inusitadas; aos poucos, o público tende a torcer por ela, pois é justamente depois que ela morre, que se torna mais simpática e, ironicamente, mais humana. O diretor Christopher Landon é jovem, mas já demonstrou talento no gênero com "Atividade Paranormal: Marcados Pelo Mal" e "Como Sobreviver a um Ataque Zumbi".

 Enfim, é um passatempo agradável e descontraído, pode ser encarado dessa forma tranquilamente; até mesmo por quem não curte fitas de horror. Abraços.

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terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Minha Mãe é Uma Peça 2: O Filme

 Algo que tem dado certo no cinema brasileiro e arrecadado muito dinheiro nas bilheterias são as comédias. Desde "Se Eu Fosse Você", em 2006, a fórmula está funcionando, mesmo a inspiração sendo nas comédias pipocas norte americanas. E sequências fazem sucesso maior ainda, o que explica o bom tempo em cartaz nas salas de cinema do filme "Minha Mãe é Uma Peça 2".

 Além disso, comédias protagonizadas por especialistas em humor são aplaudidas pelo público. E Paulo Gustavo repete o popular papel de Dona Hermínia, a dona de casa atarefada, que também apresenta um programa na tv. Aqui, ela vive em pé de guerra com o casal de filhos, o rapaz sexualmente confuso, e a menina que sonha em ser atriz. Também vive uma saia justa com o ex-marido, que não para de assediá-la. Para piorar, recebe a visita da irmã escandalosa, que acaba de chegar de Nova York. Assim, Dona Hermínia tenta levar a vida, mesmo se estressando constantemente.

 Pela sinopse, pode perceber que tudo é desculpa esfarrapada para Paulo Gustavo improvisar e dar o seu show no estilo "stand-up". E, graças a isso, o diretor (que agora é César Rodrigues, substituindo André Pellenz) consegue obter excelentes êxitos, já que a plateia gargalha constantemente nas tiradas dele, principalmente ao colocar um contexto regional em falas irônicas que transparecem a velha rivalidade existente entre as duas principais metrópoles do Brasil, Rio de Janeiro e São Paulo. Tudo isso, parte da criatividade do próprio Paulo Gustavo, autor do roteiro ao lado de Fil Braz.

 Outro fato interessante é que em fitas com homens interpretando papéis femininos, espera-se caricatura esteriotipada nos trejeitos e caras e bocas. Bom, isso acontece, claro, mas Paulo evita os excessos e tenta, no ponto de vista que se trata de uma comédia, deixar sua Dona Hermínia mais humana; e até que ele consegue esse feitio.

 O elenco é basicamente o mesmo do original, Patrícia Travassos e Alexandra Richter como as irmãs, Hérson Capri como o ex-marido, Rodrigo Pandolfo e Mariana Xavier como os filhos, a veterana Suely Franco como a tia idosa... Tem até uma participação bacana da apresentadora Fátima Bernardes como ela mesma.

 Assim como eu havia feito com "Meu Passado Me Condena 2", aliás outra comédia protagonizada por um ator de "stand-up", Fábio Porchat, eu assisti a esta sequência sem ter a assistido ao "Minha Mãe é Uma Peça 1". E admito que gostei, é um antídoto formidável contra qualquer tipo de mau humor. Por isso, vale a pena conferir e prestigiar nossos humoristas brazucas, competentes na arte de fazer rir. Abraços!

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sábado, 23 de julho de 2016

Caça-Fantasmas

 Já que a moda de atualizar clássicos dos anos 80, e quem sabe refazer franquias, continua de pé em Hollywood, chegou a vez de uma nova versão de "Ghostbusters", enorme sucesso de 1984, e que teve uma sequência em 1989. A diferença é que agora temos caçadoras como protagonistas.

 Tudo começa quando Erin Gilbert torna-se acadêmica e respeitada, por isso deixa de lado essa história de caçar fantasmas. Porém, quando sua colega Abby Yates publica um livro que revela sobre essa estranha especialidade de ambas, compromete a carreira de Erin. Assim, desmoralizada, e como passa a acreditar que fantasmas estão atacando Nova York, se junta a antiga parceira, e ainda com outras duas -Jillian Holtzman e Patty Tolan (esta útlima, ex guichê de metrô)- e passa a exterminar tudo o que é fantasma que encontra pela frente.

 O mais bacana dessa fita, e que mantém o charme nostálgico das duas produções anteriores, é que o logotipo dos caça-fantasmas permanece o mesmo, assim como a aparição do monstrengo Geleia (ainda que ele não seja chamado pelo nome por ninguém), e principalmente a excelente trilha sonora. O diferencial aqui, nesse roteiro escrito pelo próprio diretor Paul Feig, junto com Katie Dippold, é o fato de se ter protagonistas mulheres, todas elas comediantes. Isso, aliás, é hábito na filmografia de Feig, que sempre coloca mulheres como as heroínas em suas comédias de ação. Falando nisso, é exatamente o que ocorre aqui: ação. Há muito humor, mas dessa vez Feig está discreto e não escracha muito. Por isso, sua atriz favorita, Melissa McCarthy, aparece mais discreta (e menos gorda também), não brilhando muito como em outras fitas que fez com Feig, como "Missão Madrinha de Casamento" e "A Espiã Que Sabia de Menos".

 Ainda no elenco, a protagonista de fato é Kristen Wiig (também de "Missão Madrinha de Casamento"), que faz a mais cerebral, e também a mais atrapalhada, do quarteto. As outras duas são menos famosas, Kate McKinnon e Leslie Jones, ambas do humorístico ""Saturday Night Live", cada uma com seu humor peculiar. Entre os homens, o bonitão "Thor" Chris Hemsworth surpreende e rouba a cena como o secretário lesado e fora de órbita. Há também um tanto envelhecido Andy Garcia como o prefeito e Charles Dance como o chefe de Wiig, fora as pequenas participações de astros do original, como Bill Murray, Dan Aykroyd, Sigourney Weaver, Ernie Hudson e Annie Potts, realçando a força da nostalgia.

 Enfim, ainda que não se dê grandes gargalhadas, é simpático e divertido. Quem sabe faça a nova geração sentir curiosidade e conhecer o original; isso seria formidável! Abraços!

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terça-feira, 12 de julho de 2016

Porta dos Fundos: Contrato Vitalício

 Uma das séries de grande sucesso de humor da internet, o Porta dos Fundos, ganhou o seu primeiro longa metragem, e trouxe para a tela grande boa parte de seu elenco original, encabeçado pelo humorista da década, Fábio Porchat, e dirigido pelo seu habitual parceiro, Ian SBF, que também era da série.

 O bacana do roteiro, feito pelos próprios Ian e Fábio, e também Gabriel Esteves, é a metalinguagem satírica da história, que tem seu início ambientado no festival de Cannes, na França. O ator Rodrigo Assis (Fábio) e o cineasta Miguel (Gregório Duvivier) estão lá na expectativa de ter seu filmes ganhando algum prêmio. Isso acaba acontecendo, e eles caem literalmente na gandaia. Na empolgação, Rodrigo assina o tal contrato vitalício do título se comprometendo em atuar em todos os filmes de Miguel. Porém, este desaparece misteriosamente, após entrar no banheiro do quarto de hotel. Dez anos depois ele volta totalmente estranho, e diz ter sido abduzido por extraterrestres. Volta a ativa, e dirige mais um filme a ser protagonizado por Rodrigo. No entanto, em consequência de seu sinistro "sequestro", comete atitudes inesperadas e completamente fora do normal.

 A partir de então, todo o clima de paranóia e sátira acontece em cena, com destaque aos bons, e desconhecidos, coadjuvantes, que roubam a cena em situações que nem Freud explica. Além de satirizar o universo do cinema, o diretor também brinca com as celebridades brasileiras da tv, e inclusive alguns deles aparecem em cena interpretando eles mesmos, como é o caso de Nélson Rubens, Xuxa Meneghel, Sérgio Mallandro, Marília Gabriela e outros. O resultado disso é uma comédia extremamente divertida, daquelas que arrancam gargalhadas da plateia que aprecia fitas americanas ao estilo "American Pie" e "Todo Mundo em Pânico", mas com características bem brasileiras.

 No talentoso elenco de comediantes, em que quase todos, com exceção de Porchat e Duvivier, tem pouca popularidade com o público, fica difícil escolher quem se destaca, já que todos são promissores. Particularmente, gosto do empresário Ulisses, feito por Luis Lobianco (responsável pelas falas mais hilárias) e do ator Paulo, vivido por Rafael Portugal, que passa por maus bocados, ao ser treinado pela insana diretora de elenco, interpretada por Júlia Rabello. Há também, a mocinha vivida por Thati Lopes, que também tem seus momentos hilários.

 Enfim, o filme é recomendado para quem gosta de humor escrachado mesmo, e nem precisa ser espectador assíduo da série para se envolver com a narrativa. Tudo indica possibilidades para sequências que, se conservarem a originalidade do humor, poderão ter uma carreira bem sucedida como esse aqui. Vá ao cinema com o intuito de se divertir e encontrará o passatempo ideal com a turma amalucada de Porta dos Fundos. Até mais!

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domingo, 26 de junho de 2016

Como Eu Era Antes de Você

 Como marketing, foi bastante oportuno o lançamento desse título no Brasil agora em junho, em comemoração ao dia dos namorados. Trata-se de uma adaptação de livro que segue a linha de autores como Nicholas Sparks e John Green. A diferença é que aqui a autora, Jojo Moyes, é a roteirista do filme, o que garante maior fidelidade ao livro.

 A atrapalhada Lou Clark passa por um estranho processo seletivo, e é escolhida para trabalhar em uma linda mansão, como auxiliar do milionário Will Traynor, que tornou-se paraplégico, após ser atropelado por uma moto. Aos poucos, ela precisa engolir o mau humor e a arrogância do rapaz, mas com o passar do tempo vai nascendo uma forte amizade entre ambos, que se transforma em amor. O problema é que ele está decidido a aplicar o uso da eutanásia, pois não quer mais viver. Isso deixa a moça preocupada, assim como os pais dele. Assim, ela tenta dar o melhor de si para mostrar o quanto a vida vale a pena.

 A diretora Thea Sharrock realizou uma estreia talentosa e promissora atrás das câmeras, num romance sensível, com bastante humor, e momentos dramáticos. Nem precisa dizer que a fita está repleta de clichês; porém, por outro lado, trata-se daqueles filmes que satisfaz e agrada bastante a plateia, até mesmo o público masculino, pois nunca cansa, sempre diverte e segura a atenção do espectador para o desfecho. Além disso, diversas canções pop e paisagens deslumbrantes do interior da Inglaterra, com belíssimos castelos, fascinam quaisquer olhos indiferentes.

 A escolha do elenco também foi sábia, com Emilia Clarke no papel central, fazendo comédia, numa composição bem diferente de sua personagem na popular série de rv, "Game of Thrones"; talvez esteja nascendo uma estrela no cinema também. O rapaz é interpretado por Sam Claflin, que esteve nos últimos filmes da série "Jogos Vorazes" e em "Branca de Neve e o Caçador", e sua sequência. Eles tem boa química em cena, e são auxiliados pelos bons veteranos Janet McTeer e Charles Dance, como os pais dele, além do novato Stephen Peacocke, que rouba a cena como o acompanhante que leva Will para fisioterapia e lugares do tipo.

 Nem chega a ser spoiler o fato de que o final previsível vai fazer a plateia derrubar imensas lágrimas. Mas não se pode deixar de admitir que esse simpático passatempo acaba servindo também como lição de vida e te faz refletir ao menos um pouquinho sobre o valor que se dá a ela. Enfim, uma ótima alternativa para quem quer fugir dos variáveis filmes de heróis que invadiram a telona. Eu recomendo!

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quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Meu Passado Me Condena 2

 Quando um sucesso brasileiro comercial cai na graça do público, os executivos não pensam duas vezes: lançam a sequência. E foi o que aconteceu com essa divertida comédia, que reuniu o elenco e a diretora do original para mais uma sessão das aventuras atrapalhadas do casal.

 Como é do conhecimento de todos, a inspiração do primeiro longa foi uma série da Rede Globo. Fábio Porchat e Miá Mello voltam a representar o casal que recebe os nomes dos intérpretes em seus personagens. Ela permanece imaturo, e ela cada vez mais irritada e frustrada com essa situação. Quando Miá está prestes a terminar o relacionamento de vez, eis que a salvação vem por telefone para Fábio. Afinal, ele recebe a notícia do falecimento da avó, que morava em Portugal, e parte para lá com Miá para o enterro, e para dar uma força ao seu avô. As confusões permanecem, quando Fábio reencontra uma antiga namorada que se mostra bastante interessada por ele. E como se nada pudesse piorar, o casal ainda se esbarra com o malandro Wilson e sua companheira Suzana.

 A fita não foge a regra no referente a sequências: menos criativo, mas com muito mais piada. O diferencial são as belas locações no interior de Portugal, tornando o passatempo bem turístico. Além disso, o roteiro, de Tati Bernardi, Leandro Muniz e Patricia Corso, capricha nos monólogos declamados por Fábio Porchat, definitivamente, o Jim Carrey brasileiro, um mestre do improviso e do humor. Miá Mello também não faz feio em cena como sua parceira, e torna-se curioso perceber que há cinco anos atrás ninguém sabia da existência dessa talentosa dupla. Quem rouba o espetáculo, entretanto, é a ótima Inez Viana, no papel da golpista Suzana, que junto com o Wilson do Marcelo Valle, resolve abrir um negócio de vendas de sepulturas em Portugal.

 Ainda no elenco, os portugueses Ricardo Pereira e Mafalda Pinto (que também atuam no Brasil) como os interesses românticos do casal central, e o veterano Antônio Pedro como o avô de Pedro. Outro personagem que volta em cena é o Cabeça, o melhor amigo de Fábio, vivido por Rafael Queiroga.

 Enfim, um bom trabalho da realizadora Júlia Rezende, ainda que não seja nada magistral, evidentemente, e mesmo seguindo produções do gênero como "Se Eu Fosse Você", ela consegue rasgar boas gargalhadas da plateia. Por isso, vale conferir e se divertir.

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sábado, 7 de dezembro de 2013

Crô - O Filme

 Ultimamente tem se tornado comum adaptar personagens que marcaram nas novelas para o cinema. É o que sucede aqui, com a comédia Crô. Quem não lembra, Crô era o mordomo afeminado da perua socialite Thereza Cristina, interpretada por Christiane Torloni, na novela "Fina Estampa", de Aguinaldo Silva, que aqui, obviamente, é o autor do roteiro.

 Bom, Crô tem berço, é de família rica, mas desde pequeno sabia que seu "dom" era o de servir a "deusas chiquérrimas e maravilhosas". Justamente por isso, ele resolve fazer uma seleção para escolher a "madame" de quem ele cuidará e obedecerá por toda sua vida. Entretanto, um inescrupuloso casal, que trafica mulheres e crianças bolivianas para trabalhar com costura, armam plano diabólico para fazer com que a escolhida seja a perigosa Vanusa.

 Dirigido pelo veterano Bruno Barreto, Crô diverte e arranca gargalhadas da plateia, por conta dos trejeitos de seu protagonista, mais uma vez interpretado pelo bom ator Marcelo Serrado. Entretanto, as piadas não seguram o filme, e o público conclui que o personagem era muito mais engraçado na tv, do que no cinema. O que acaba atrapalhando também, é a introdução de personagens vilões (feitos por Milhem Cortaz, o eterno Capitão Fábio de "Tropa de Elite" e Carolina Ferraz), e um contexto de tráfico bastante dramático para estar inserido numa comédia, que deveria ser leve e divertida. Os próprios vilões têm cenas cômicas, mas a perversidade cometida por eles com uma garotinha boliviana (a estreante Urzula Canaviri) atrapalha o tom, e gera até revolta no espectador. Por outro lado, para contribuir ainda mais com o humor, outros empregados da telenovela surgem para auxiliar Crô: a faxineira Marilda (Kátia Moraes) e o motorista Baltazar (Alexandre Nero), este roubando a cena como o serviçal homófobo.

 Ainda no elenco, participações de Ivete Sangalo (como a mãe de Crô), a veterana Karin Rodrigues, no papel de outra socialite que disputa os serviços do refinado mordomo, e Gaby Amarantos e Ana Maria Braga interpretando elas mesmas. Enfim, o filme diverte e torna-se um passatempo descontraído. Infelizmente, por conta das limitações do roteiro, é facilmente esquecível. Em tempos de "Félix", quem sabe outro personagem popular do público invada as telas de cinema. Talvez essa não seja uma boa ideia. Abraços!

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segunda-feira, 10 de setembro de 2012

O Diário de Tati

 Pareceu bastante curiosa essa adaptação de um quadro humorístico do Fantástico, de curta duração, para as telas grandes. A preocupação maior foi a possibilidade de o filme não possuir gás ou piadas suficientes para a projeção do filme, uma vez que o formato original é bastante limitado. Mas foi uma experiência que deu certo! Trata-se de uma excelente opção pra quem quer se distrair e dar risadas sem compromisso.

 A estrela Heloísa Perissé, que colabora no roteiro junto com Paulo Cursino, faz um trabalho interessante, sem cair na caricatura convencional ou em certos exageros. A voz que ela coloca na personagem, junto com os excessos de gírias clamadas por sua Tati, convencem o espectador de que é uma adolescente mesmo que está na tela, e não uma mulher madura de 46 anos. E os diálogos travados com a mãe interpretada por Louise Cardoso, assim como na tv, também contribuem para os bons momentos de humor.

 Lógico, não é o típico filme que se espera um roteiro que preza pela originalidade. Aliás, há bastante influência das comédias teen americanas dos anos 80, com direito a patricinha chefe de torcida ( Thaís Fersoza ) e o bonitão popular ( Thiago Rodrigues ). Bom, a Tati é apaixonada por esse tal bonitão, enquanto mal percebe que o melhor amigo de seu irmão ( Marcelo Adnet ) pode ser o partido ideal para ela. E como sugere o título, Tati escreve tudo em seu diário, e compartilha tudo com suas melhores amigas.

 Leve, agradável, divertido, despretensioso e sem as falhas temidas que eu mencionei, O Diário de Tati é o típico filme família. E retomo o que disse: não desagrada ver Perissé interpretando adolescente. Afinal, pra quem está acostumado a ver Adam Sandler como "gêmea" de si próprio, ou Martin Lawrence como Vovó Zona, a atriz está acima da média! Ainda no elenco, Pedro Neshling faz o irmão da heroína; Marcos Caruso interpreta o pai, e Márcia Cabrita rouba a cena como a madrasta que adora cantar música espanhola; a veterana e sumida da telinha Sura Berditchevsky faz a odiosa professora, e Maria Clara Gueiros faz a típica tia perua. O diretor é Mauro Farias, do clã de Farias famosos ( Reginaldo, Roberto, Marcelo... ), e que já tinha dirigido "Duas Vezes com Helena". 

 Enfim, o filme tem a cara do clima atual. Nesse seco inverno de verão, torna-se mais fácil se divertir com as atrapalhadas dessa simpática protagonista. Divirtam-se!

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terça-feira, 31 de julho de 2012

Para Roma Com Amor

 Essa foi a 1ª vez que assisti a um filme de Woody Allen no cinema! Não podia deixar de ver uma obra dirigida por um dos grandes gênios do cinema, e que ainda está em atividade nos dias de hoje. Como se sabe muito bem, Allen já não é mais o mesmo de antes, e tem feito filmes abaixo da média. De vez em quando acerta, como ocorreu com "Vicky Cristina Barcelona", "Match Point" e "Meia-Noite em Paris". Os demais recentes não tiveram boa recepção, nem de crítica, nem de público. Mas eu considero esse "Para Roma com Amor" um grande acerto desse grande cineasta!

 Aqui, temos uma comédia muito divertida, e provoca gargalhadas dos telespectadores (coisa um tanto rara nos últimos filmes de Allen). E trata-se também de um enredo com diversas tramas paralelas envolvendo um leque de personagens excêntricos que, eventualmente, acabam se cruzando. 

 Em Roma, Woody Allen interpreta o pai de uma jovem que está prestes a se casar com um italiano. Então, ele parte pra lá, junto com a esposa feita por Judy Davis, com o intuito de conhecer o noivo da filha ( o casal é feito por dois desconhecidos, a já veterana Alison Pill e o italiano Flavio Parenti ). Na ciade, há também um jovem casal (também feito por dois novatos, Alessandro Tiberi e Alessandra Mastronardi) que acaba passando por uma série de apuros quando a moça de perde no centro de Roma, enquanto ele é seduzido, ainda que equivocadamente, por uma prostituta feita por Penelope Cruz. Além disso, temos o  jovem arquiteto, inteligente, mas inseguro, feito por Jesse Eisemberg ( de "A Rede Social" ) que se deixa envolver pelos encantos de uma jovem atriz, interpretada por Ellen Page ( de "Juno" ). O problema é que ela é melhor amiga de sua futura esposa ( Greta Gerwig, de "Sexo Sem Compromisso" ). Finalizando, um cidadão comum romano, Roberto Benigni, é confundido com celebridade e tem seus dias de estrela.

 Esse é o painel traçado por Allen. Como eu já admiti aqui, adoro filmes que exploram tramas paralelas; e por esse motivo, deixei-me envolver com essa inovação que o cineasta e roteirista produziu, ao londo de sua carreira. É claro que os elementos "allenianos" estão todos presentes (afinal, é logicamente óbvio que Allen auto-interpreta o mesmo personagem de sempre). E a trama é recheada com diversas citações irônicas, filosóficas, psicológicas... Mas tudo é feito com muito bom humor e bastante sensibilidade. Gosto particularmente do episódio com Benigni, em que Allen demonstra que a fama incomoda, mas que a superação dela pode incomodar ainda mais, pois o fantasma chamado rotina persiste em desanimar.

 O elenco atua muito a vontade, como é de se esperar, mas não sei se teremos alguma indicação ao OSCAR, que é bastante habitual na filmografia de Allen. Penelope Cruz faz uma prostituta bem interessante, mas não tem nenhuma cena surpreendente para ser roubada; a excelente Judy Davis tem uns diálogos bacanas e hilários, mas também está discreta; Alec Baldwin também atua no curioso papel de um arquiteto veterano e que serve de inspiração para o personagem de Eisemberg ( ás vezes parece ser um espírito apenas visto pelo rapaz ), mas, também, de uma forma pacata. Quem se sobressai é a talentosa Ellen Page, como a sedutora Monica, e a novata italiana Alessandra Mastronardi, que foi a grande revelação da película. Fora as duas, o também desconhecido Fábio Armilato dá um show a parte na pele do pai do noivo, e que Allen insiste em transformar num grande tenor. Há uma cena memorável protagonizada por ele, e que eu acho conveniente não revelar...

 Enfim, estou adorando essa ideia de Allen em transferir suas estórias para o esfero europeu. Admiro bastante o anterior "Meia Noite em Paris", tanto quanto este "Para Roma...". Aguardo com muita expectativa a conclusão dessa suposta trilogia europeia. Não vou afirmar categoricamente que esse é o maior trabalho do diretor (mesmo porque suas obras primas estão entre as décadas de 70 e 80); mas se consagra entre os melhores de sua obra recente. Por isso, recomendo a todos! Sim, a todos! Creio que até quem não é fã de Allen, irá se divertir bastante com o filme!

 Ah!... Apenas para não ficar batido! Assisti ao filme no Espaço Unibanco (agora Itaú) da Rua Augusta. Fazia tempo que eu não frequentava as salas de lá. E a companhia foi bastante agradável: além de minha esposa e parceira de cinema, Gisele, meu grande amigo Leandro e sua namorada Luzia nos acompanharam nessa projeção. E eu aconselho vocês a assistirem em grupo. Afinal, "Para Roma Com Amor" é o típico filme que sentimos vontade de comentar na saída do cinema. Uma pequena grande obra prima! Abraços!!!

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sábado, 21 de abril de 2012

Espelho, Espelho Meu

Não posso usar como desculpa o fato de eu ser casado com uma adoradora de contos de fada, e por esse motivo ter assistido ao filme do título. Na verdade, eu me interessei por Espelho, Espelho Meu ao saber que se tratava de uma versão bem humorada do clássico infantil Branca de Neve e os Sete Anões. E, realmente, o diretor Tarsem Singh ( de Imortais ) e a dupla de roteiristas ( Jason Keller e Melisa Wallack ) não deixaram a peteca cair.

 A ação é centralizada na personagem da rainha má, e por conta disso, a escolha para o papel não poderia ser melhor: a estrela Julia Roberts. Bom, todos sabem sobre a sinopse. A garota Branca de Neve, feita por Lilly Collins, de "Sem Saída", e que parece ter nascido para interpretá-la, sofre os maus-tratos da madrasta, após perder seu pai. A madrasta por sua vez, movida pela inveja, não mede esforços para permanecer sempre atraente ( e detalhe, os artifícios que ela usa para tanto são no mínimo espantosos, para não dizer nojentos!). Resolve se casar novamente, e a escolha é um príncipe nada típico do cavalheiro nobre dos contos de fadas (feito por Armie Hammer, de "J. Edgar"). Mas, Branca de Neve torna-se um empecilho para a rainha, pois além do espelho insistir em afirmar da superioridade estética da beleza que a garota tem, ao compará-la com a madrasta, esta resolve.... adivinhem? sim, matá-la! Assim, Branca de Neve foge e, adivinhem quem ela encontra???? Sim, os sete anões. Entretanto, aqui eles não são trabalhadores honestos, mas sim, sete malandros que vivem de roubos e assaltos. E a história vai seguindo, até chegarmos no típico final feliz que todos conhecemos.

Admito que me diverti com as situações satíricas do filme, bem diferentes do universo clássico dos irmãos Grimm, e que foi infantilizado por Disney. Pra começar, os sete anões têm nomes e características diferentes daquelas conhecidas por nós ( e todos os atores são bons e interessantes ); e as caracterizações da Branca de Neve, do príncipe e da madrasta tornam o filme mais ágil, divertido e, às vezes, inesperado ( a maçã não é esquecida, e ganha uma atenção especial e diferente no final ). No elenco, ainda temos o comediante Nathan Lane, como o criado de confiança da rainha, e que se mostra incapaz de matar a princesa ( aliás, ele e Julia são os responsáveis pelas falas mais cômicas ); Sean Bean como o pai de Branca, e Mare Winningham como uma das empregadas do castelo. Mare, aliás uma ex-estrela teen dos anos 80, muito sumida das telas, ressurge bem envelhecida e sem aquele rostinho de bebê que tanto a caracterizou. Sinal dos tempos...

Enfim... não há muito o que dizer. Não é a grande película do ano, e o filme nem tem essa pretensão, mas dá para se divertir bastante com essa espécie de sátira das versões anteriores. Além do mais, é sempre agradável rever Julia Roberts na tela grande. Aguardo, agora, a estreia da nova versão de Branca de Neve, dessa vez mais séria e ousada, com Charlize Theron (madrasta) e Kristen Stewart (Branca de Neve). Nesse caso, vai ficar muito difícil Kristen convencer que é mais bela que Charlize. Mas, aí já é papo para outra postagem, hehehehehe... Até mais!!!!!

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terça-feira, 13 de março de 2012

A Mulher de Preto / Cada um tem a Gêmea que Merece

Fiquei bastante tempo afastado dos cinemas, pois conferi, mesmo que em casa, os filmes indicados ao OSCAR. Definitivamente, o cinema está muito caro, e encontrei uma forma de acompanhar os últimos lançamentos cinematográficos em casa através da internet. Não acho isso formidável, pois valorizo muito a tela grande. Enfim, lógico que não abandonei o cinema, e assisti a dois filmes pouco badalados, se comparados com os acadêmicos.

O primeiro deles foi o suspense A Mulher de Preto, dirigido pelo pouco conhecido James Watkins (que é roteirista de alguns filmes do gênero), adaptado do livro de Susan Hill pela roteirista Jane Goldman. Trata-se de um thriller eficiente e até assustador sobre um jovem corretor viúvo que é designado para o interior da Inglaterra, com o intuito de vender um casarão abandonado e assombrado. Conforme a lenda, esse local é possuído pelo espírito da personagem-título da trama. Quando alguém vê o seu vulto, uma criança morre misteriosamente. Dessa forma, o nosso herói é visto com maus olhos pela população local, pois acreditam que ele poderá atraí-la e fazer com que as misteriosas mortes continuem.

Gostei bastante do filme, pois é uma boa sacada para o gênero. Tem um clima perturbador e angustiante, além de uma bela fotografia. Apenas faço concessão na escolha do protagonista, o para sempre eternizado Harry Potter, Daniel Radcliffe, que não convence em hipótese alguma como viúvo. Não sei se essa foi a escolha adequada para fugir do esteriótipo adquirido com o famoso bruxinho interpretado por ele. Em todo caso, ele também não estraga o passatempo.

No elenco, presenças também de Ciarán Hinds ("Munique", "Miami Vice", "Sangue Negro") e a indicada ao OSCAR desse ano, Janet McTeer (por "Albert Nobbs") como o único casal da cidade que acolhe Radcliff, e que teve seu filho morto em circunstâncias misteriosas. Com um final surpreendente, embora um pouco decepcionante para muitos, A Mulher de Preto torna-se um agradável passatempo para os fãs do gênero.

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O outro filme, me arrependo até agora de tê-lo visto na tela grande. Trata-se daquela bobagem chamada "Cada um tem a Gêmea que Merece". Atribuo a culpa à minha esposa Gisele, que, ingenuamente, deixou-se enganar pelo trailer.

Nunca gostei de Adam Sandler, o acho um ator forçado, canastrão, e nem um pouco engraçado (o único filme dele que eu me simpatizei foi o "Click"). Aqui, o cineasta Dennis Dugan, que já fez diversas parcerias com Sandler, compromete mais uma vez o ator, dessa vez em dose duplas: como um produtor de comerciais de tv e sua irmã gêmea, solteirona e desengonçada!

Pois é, a partir daí, qualquer comentário torna-se inócuo. O que posso dizer, é que a gêmea do título resolve passar uma temporada com o irmão e a família, e apronta as mais bizarras confusões, por conta de seu jeito atrapalhado e exagerado de ser. O que acaba chamando a atenção é que o interesse romântico para a "protagonista" é o ator Al Pacino, que interpreta a si próprio (!), o que demonstra o estado de bom humor do veterano ator, de "O Poderoso Chefão" e "Perfume de Mulher" (há até uma brincadeira com o OSCAR que ele ganhou por esse último filme). Ainda no elenco, a sra. Tom Cruise, Katie Holmes, interpreta a esposa de Sandler, de uma forma apática e com cara de paisagem, enfim, com pouco o que fazer; e Johnny Depp também faz uma ponta como ele mesmo.

Como era de se supor, o filme foi indicado a diversos framboesas de ouro, premiação dedicada aos piores do ano. Obviamente, Sandler concorre, assim como Pacino e Holmes. Pior ainda é assistir ao filme dublado. A forçada (e proposital) voz feminina da irmã gêmea é tão ridícula, que pode provocar gargalhadas. E o final apresenta o típico clichê de que, apesar de tudo, o que vale é a união da família. Isso, aliás, até soa grosseiro, pois uma gêmea dessas é bem melhor manter distância.

Concluindo, quem tolera Sandler (e ele, apesar de tudo, tem seus defensores!), e apenas estes, vão se divertir. E o filme tem mesmo a cara dele, pois ele é um dos roteiristas, ao lado de Steve Koren. Em todo caso, aceitem meu conselho e fujam! É melhor esperar chegar na sessão da tarde da globo! Abraços!!!

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sábado, 24 de dezembro de 2011

Noite de Ano Novo

Seguindo a tradição de "Idas e Vindas do Amor", o cineasta Garry Marshall e a roteirista Katharine Fugate, os responsáveis pelo filme mencionado, apresentam agora mais uma estória repleta de tramas paralelas e personagens agradáveis, trata-se de Noite de Ano Novo.

Como se pode prever, é um roteiro banal, óbvio e repleto de clichês, representado por um elenco estelar da mais alta qualidade. Se "Idas e Vindas" focalizava a trama no dia dos namorados (uma data, aliás, que não bate com a comemoração brasileira), dessa vez tudo se torna mais mágico, mais sensível, mais bonitinho... Afinal, a hora da virada é um dos momentos mais aguardados pelo brasileiro no geral. E Nova York aparece bem chamativa, atraente, encantadora. Ela e o grande elenco conseguiram, e ainda conseguem, lotar as nossas plateias. Isso sem falar das diversas canções que contagiam o clima.

Enfim, sem dar muitos detalhes na sinopse, são vários encontros e desencontros que ocorrem na véspera de fim de ano. Temos a Michelle Pfeiffer, já envelhecida e desglamourizada, se demitindo do emprego, e tentando realizar suas vontades antes do término do ano com a ajuda do garoto Zac Effron (tentando no cinema o público da tv); Robert DeNiro faz um paciente que agoniza numa cama de hospital, enquanto é consolado pela boa enfermeira Halle Berry; Jon Bon Jovi faz um cantor (novidade...) tentando reconquistar a ex Katharine Heigl, enquanto é vítima da tietagem da Sofia Vergara; Ashton Kutcher e Lea Michele (do megasucesso "Glee"; sim, ela canta em cena!) ficam presos no elevador (algo bastante clichê no cinema americano) e se envolvem; Hilary Swank faz a pessoa responsável pelo maior evento das últimas horas: quando resolvem soltar do alto da Times Square, a bola que marca a virada do ano! Só que a bola emperra no meio do caminho, e o técnico Hector Elizondo (um dos grande favoritos do diretor) é chamado pra solucionar o caso; Sarah Jessica Parker faz a mãe superprotetora que impede que sua filha Abigail Breslin (agora crescida, depois de "Pequena Miss Sunshine") namore; E a gestante Jessica Biel tenta parir antes da meia noite para ganhar um concurso... E por aí vai...

Repararam no elenco ilustre? E ainda temos Matthew Broderick, James Belushi, Carla Gugino, Til Schweiger, Seth Meyers, Sarah Paulson, Josh Duhamel, Alyssa Milano, Cary Elwes... E apesar da obviedade do roteiro, a roteirista apresenta algumas pistas falsas sobre os relacionamentos das personagens, e acaba trazendo algumas surpresas bacanas...

Bom, apesar de todos os clichês, Noite de Ano Novo, é o típico filme que nós gostamos de assistir no fim de ano. Por isso, mandei tudo às favas, e me diverti bastante com as tramas paralelas... Deixar de lado o preconceito, e encarar o filme de Marshall como uma agradável diversão, é o melhor que temos a fazer. Então, quem não viu ainda, vá ao cinema mais próximo, até 31/12, e se divirta com "Noite de Ano Novo"... Quem sabe algum diretor brasileiro resolva se inspirar e fazer um filme com essa temática sobre São Paulo no fim de ano... Por que não? Feliz Natal a todos!!!!

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domingo, 25 de setembro de 2011

Missão Madrinha de Casamento

Uma grata surpresa foi ter visto nos cinemas Missão Madrinha de Casamento, comédia extremamente engraçada, daquelas pra você gargalhar a vontade. Certamente, se for bem divulgada, fará um enorme sucesso aqui no Brasil, e desde já recomendo para pessoas com nível de stress elevadíssimo, pois asseguro que o filme pode ser a cura ( eu sou professor da rede pública, e conheço muito bem o que é stress. Minha esposa também é, e se divertiu muito também ).

Bom, o filme já está sendo considerado como a versão feminina de "Se Beber, Não Case", o que é bom sinal, já que este fez tanto sucesso, que até teve sequência. No caso desse "Madrinha", o diretor Paul Feig não é muito conhecido, fez mais episódios de séries de tv ( ele também é ator ), mas contou com o roteiro escrito por duas atrizes do filme: Annie Mumolo, que faz ponta como passageira do avião, e Kristen Wiig, a protagonista do papel-título do filme.

Wiig interpreta Annie, uma mulher já se aproximando dos 40 anos, que trabalha numa joalheria, divide o apartamento com um casal de irmãos meio abobalhados e que tem um caso sexual de rotina. A grande novidade da vida dela é que a melhor amiga Lilian (Maya Rudolph) fica noiva e a convida para ser madrinha de casamento. Tudo seria perfeito, se não fosse pela presença da milionária Helen (Rose Byrne), também madrinha de casamento de Lilian, e muito íntima dela, situação que deixa Annie abalada. Afinal, tudo para Annie dá errado, e sente que a amizade com Lilian também está por um fio. A partir de então, protagoniza diversas situações absurdas para se manter como melhor amiga da noiva.

Não deixem se enganar pela sinopse, não existe nenhuma trama homossexual. O filme, simplesmente, aborda o tema da amizade feminina com muito humor e tom de gozação. Não gosto muito das semelhanças com o masculino "Se Beber, Não Case", pois as piadas aqui não são tão grosseiras quanto ele. É bem verdade que a cena mais famosa envolve situações grotescas entre as protagonistas, como as madrinhas vomitando uma na outra e a noiva defecando no próprio vestido no meio da rua (tudo isso após elas almoçarem numa churrascaria brasileira, uma piada de mal gosto que fere o sentimento nacional). Porém, apesar disso, o filme tem um tom sentimental e traz uma mensagem bonita sobre a amizade. Ou seja, apesar das cenas "pesadas", Missão Madrinha de Casamento acaba sendo terno, agradável e singelo. Mas, muito engraçado também ( lógico, principalmente por conta da famosa cena mencionada, fora outras cenas bem divertidas ).

Guardem o nome Kristen Wiig. Ela não é muito famosa ( fez papéis pequenos em filmes como "Ligeiramente Grávidos" e "Uma Noite Fora de Série", e muita tv), nem muito jovem (tem 38 anos). Mas, certamente, é a grande revelação do ano. Se encaixa perfeitamente no papel, demonstrando ser uma excelente comediante. Como o OSCAR normalmente menospreza interpretações cômicas, tenho 99% de certeza que ela será indicada ao Globo de Ouro como atriz de comédia ou musical (e com muitas chances de ganhar). Fora Kristen, todo o elenco feminino brilha. A mais famosa é Rose Byrne ("Star Wars 2 - O Ataque dos Clones", "Extermíno 2", "Sobrenatural") que convence como a patricinha mimada e fútil. Mas quem rouba a cena de fato é Melissa McCarthy ("Quem não Matou Mona", "As Panteras", "Plano B"), outra desconhecida, mas que está bastante hilária como a irmã do noivo. O roteiro brinca com o fato dela ser gordinha, e a responsabiliza pelas grandes cenas de gargalhadas. Ainda no elenco, a veterana Jill Clayburgh, no papel da mãe da protagonista, em seu último papel nos cinemas, pois morreu no ano passado.

Enfim, reafirmo o que foi dito no início: se você procura algo para rir e desestressar de vez, Missão Madrinha de Casamento é o melhor remédio. Talvez o melhor dia para assisti-lo seja numa segunda-feira a noite, após um dia intenso e repleto de trabalho. De fato, Kristen Wiig não deixa a peteca cair, e por ela vale a pena. Não quero exagerar, mas acredito que acabei de escrever sobre a comédia mais engraçada do ano. Duvidam? Então não percam tempo, e vão conferir! Abraços!!!

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segunda-feira, 12 de setembro de 2011

O Homem do Futuro

Não escondo de ninguém que eu estou adorando essa nova cara do cinema brasileiro. Ele está sendo bastante comercial, e isso é simplesmente ótimo!!!!!!! Afinal, as pessoas estão frequentando as salas para assistir à produções nacionais. Isso mostra, que o preconceito ficou pra trás, junto com aquela estética questionável de pornografia barata, típica dos anos 70/80. E este O Homem do Futuro tem o ritmo ideal que agrada ao público.

Tá certo, esse novo filme de Cláudio Torres ( do também sucesso "A Mulher Invisível") não é original ou diferente. Segue a linha de diversos filmes americanos como a série "De Volta Para o Futuro", a ficção científica "Efeito Borboleta", a comédia romântica "Kate & Leopold" ou o clássico "A Felicidade não se Compra". Mas, qual o problema? Acho bacana ver novas versões desses roteiros com estilo brasileiro.

Wagner Moura interpreta o cientista Zero, professos universitário, mas frustrado na vida. Ele acredita que não conseguiu exatamente tudo o que queria graças a uma decepção amorosa do passado, em que foi humilhado pela namorada Helena ( Alinne Moraes ). Então, com a famosa "máquina do tempo" criada por ele, Zero resolve voltar ao passado, na mesma noite em que foi humilhado ( o ano era 1991 ), e tentar reverter a situação para melhorar o futuro. Mas nem tudo se resolve como ele queria...

Envolvendo emoção e humor na dose certa, e mesmo apesar da obviedade da sinopse apresentada, O Homem do Futuro trás situações novas e hilariantes, disfarçando um pouco os clichês do roteiro ( escrito pelo próprio Cláudio ). Gosto particularmente dos diálogos que Zero trava com com suas duas versões(!) do passado. Outra coisa que emociona muito é a bela canção "Tempo Perdido" da Legião Urbana, que é a música tema do filme, tornando-o bem nostálgico. Aliás, nesse aspecto, Alinne Moraes se surpreende também como cantora, além de convencer como atriz.

Fora Alinne e Wagner Moura ( definitivamente, o maior astro do cinema brasileiro do momento, aliás, ele também canta ), o filme também acerta com os coadjuvantes: a esposa do diretor, e um tanto sumida das novelas, Maria Luísa Mendonça tem um papel chave na história, como Sandra, a amiga do protagonista, e que está sempre presente nos momentos de impacto. Fora ela, foi bacana colocar como antagonista um dos galãs do momento da tv, Gabriel Braga Nunes, que foi vilão na última novela das 9. E há também um ator desconhecido, mas interessante, chamado Fernando Ceylão, que interpreta o melhor amigo de Zero.

Elenco agradável, trama divertida, música contagiante, enfim, tudo isso supera qualquer clichê, e trás uma bela mensagem sobre a vida e sobre o tempo, e uma injeção de bom humor para quem pretende ir ao cinema para relaxar. Recomendo com toda certeza, vocês vão adorar!!!!! Abraços!!!

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segunda-feira, 20 de junho de 2011

Qualquer Gato Vira Lata

As férias de meio de ano não apresentam grandes opções para o cinema. E é o que está acontecendo ultimamente, com diversas sequências ou novas franquias de grandes sucessos. E foi por isso, que resolvi evitar "Piratas do Caribe", "X-Men", "Kung Fu Panda", etc... O jeito foi assistir a essa adaptação da famosa peça de Juca de Oliveira (adaptada por Cláudia Levay e Júlia Spadaccini), "Qualquer Gato Vira Lata Tem Uma Vida Sexual Mais Sadia Que A Nossa", cujo título foi encurtado para chamar mais a atenção.

Aliás, falando nisso, tem se tornado comum no nosso cinema, adaptações recentes para as telas de peças teatrais, como foi o caso de 'Trair e Coçar é Só Começar" e "Caixa Dois". O legal dessa nova adaptação, diferente das mencionadas, é que ela não tem cara de teatro filmado, na verdade é bem semelhante a várias comédias românticas americanas (associo principalmente com um filme da Meg Ryan, "Surpresas do Coração").

Não recrimino o filme por essa semelhança. Realmente, não apresenta nenhuma novidade, há muita coisa parecida por aí, e é bastante previsível. Mas acho interessante essa tentativa de deixar mais comercial o nosso cinema. Oras, por que não? Creio que o público não quer ver apenas as injustiças sociais de um país repleto de desigualdades. E tal como mostrou "Se Eu Fosse Você", as comédias românticas brasileiras têm grande repercussão. Então, apoio muito o filme do estreante na direção Tomas Portella (que foi assistente de diretor em "O Incrível Hulk" e "Ensaio Sobre a Cegueira").

Mas o enredo é de fato um balde de clichês. Cleó Pires interpreta Tati, uma jovem que acabou de levar um fora do namorado mulherengo e irresponsável, Marcelo (Dudu Azevedo). Disposta a reconquistá-lo, ela conta com a ajuda de Conrado (Malvino Salvador), um biólogo que tenta defender a tese exemplificada pelo título da peça. E, como é de se esperar, eles acabam se apaixonado, mas tentam resistir a essa paixão.

Quem leu a sinopse, certamente deve ter lembrado de diversos filmes assim. Em todo caso, continuo defendendo essa comédia despretenciosa e hilária, que fez a plateia (que me surpreendeu, estava repleta!) gargalhar em diversos instantes. Eu e a Gisele deixamos a diversão tomar conta, e nem nos importamos com os clichês. Essa recepção apenas mostra que o público está perdendo o preconceito com filmes brasileiros. Ainda bem! E, de fato, se faz necessário mesmo explorar no gênero para conseguir bons êxitos.

Cléo Pires demonstrou que se sai bem em comédias, e aqui está melhor que na tv. Talento cômico também apresenta Malvino Salvador, que tem boa química com Cléo. No elenco ainda, Rita Guedes, como a ex-mulher de Malvino, e Álamo Facó, um ator jovem que faz o Magrão, melhor amigo de Marcelo. Ele fez alguns filmes e novelas, e pode ser que se torne astro, aqui ele rouba a cena; vamos aguardar...

Bom, o recado está dado. Já que nos acostumamos facilmente com enlatados americanos, minha sugestão é que você confira "Qualquer Gato Vira Lata". Realmente, você não irá encontrar grandes novidades, mas vai se divertir bastante, como eu me diverti! Abraços!!!!

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domingo, 8 de agosto de 2010

O Bem Amado

Depois do grande sucesso que fez nos anos 70, como telenovela da Rede Globo, chegou às telas O Bem Amado, com direção de Guel Arraes ( especialista em comédias nordestinas ), e roteiro do próprio Guel e Cláudio Paiva, adaptado da obra de Dias Gomes ( que já tinha adaptado seu próprio texto para a novela ).

Não sou da geração da novela, mas sei que o sucesso que fez foi gigantesco. Agora, quanto a adaptação cinematográfica, trata-se de uma comédia leve e bem-sucedida, mas um tanto esticada, mais ou menos semelhante a um capítulo especial de novela, bem estendido.

Marco Nanini interpreta Odorico Paraguaçu, o prefeito da fictícia cidade de Sucupira ( que fica em algum lugar do nordeste brasileiro ). O maior empreendimento de sua gestão é um enorme cemitério. No entanto, acaba não vendo vantagem em tal empreendimento, pois as pessoas insistem em não morrer. Assim, contrata o jagunço Zeca Diabo ( José Wilker ), para providenciar alguns "moradores" para o cemitério. Enquanto isso, é assediado por três irmãs solteironas, as Cajazeiras ( Zezé Polessa, Andréa Beltrão e Drica de Moraes ), e luta contra o jornal da oposição, liderado pelo jornalista Vladmir ( Tonico Pereira ).

Diverti-me com o filme, dei algumas gargalhadas, e aprecio muito o texto de Dias Gomes. Entretanto, só pela sinopse que resenhei, não é difícil perceber que o filme tornou-se insistentemente novelesco. Há excesso de personagens, e Guel não vai direto ao foco ao destacar demais as personagens secundárias ( sobretudo, o romance entre Caio Blat e Maria Flor ).

Obviamente, o elenco é competente, e todos estão bem ( até mesmo Maria, que normalmente é irregular ). Marco Nanini compõe com bastante eficiência o famoso Odorico que foi personificado na tv pelo grande Paulo Gracindo. Matheus Nachtergaele ( como o secretário assexuado Dirceu Borboleta ), o não muito conhecido Edmilson Barros ( como o mendigo Nezinho ), Drica de Moraes ( a melhor das Cajazeiras, embora a mais desperdiçada ) e José Wilker surpreendem. Apenas Tonico Pereira exagera um pouco na sua caracterização.

No fim das contas, a sátira é interessante, ao mostrar uma típica cidade do coronelismo passível de diversas corrupções e hipocrisias. A crítica vai mais além, ao denunciar os extremos políticos, pois tanto a direita quanto a esquerda são mostradas com deficiência de moral. Enfim, uma excelente ideia; mas, sem o ritmo adequado para cinema. Em todo caso, vale uma conferida. Abraços!

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sábado, 13 de março de 2010

Idas e Vindas do Amor

Sábado passado foi um dia excelente pra ir ao cinema: uma tarde bem típica de inverno, em pleno verão. Até que num clima desses, uma comédia romântica cai muito bem. E o título acima, eu e minha esposa assistimos no habitual Santana Park Shopping. Quanto ao filme? Obviamente previsível, mas nunca deixa de ser um passatempo atraente, sobretudo por conta do elenco estelar.

Nunca escondi que gosto de filmes com diversas histórias paralelas; normalmente, aprecio tramas mais dramáticas, como Short Cuts - Cenas da Vida, de Robert Altman; Magnólia, de Paul Thomas Anderson; e Bobby, do ator Emílio Estevez, só pra citar alguns; Mas, a referência óbvia desse filme, é a comédia inglesa Simplesmente Amor, também com grandes nomes em seu elenco, e que se saiu melhor. Na verdade, o que faltou em Idas e Vindas do Amor foram cenas mais cômicas e divertidas. Ainda assim, é um filme leve e agradável, mais amado pelas mulheres (mas não aborrece os homens), e dirigido pelo especialista do gênero, Garry Marshall (de Uma Linda Mulher), e roteirizado por Katherine Fugate.

Qual a sinopse? Bom, no dia dos namorados ( o Valentine´s Day, do título original ), várias tramas paralelas de casais apaixonados, ansiosos e envolvidos com encontros, desencontros e vários obstáculos na Los Angeles da atualidade. Nesse cenário, temos o dono de uma floricultura, Ashton Kutcher, tremendamente feliz, pois sua noiva Jessica Alba aceitou seu pedido de casamento; a professora Jennifer Garner, feliz da vida com o novo namorado Patrick Dempsey; o casal de velhinhos Hector Elizondo e Shirley MacLaine, comemorando anos e anos de casamento, e por aí vai... Claro que não é tudo bonitinho assim, pois obstáculos, traições e reviravoltas tomam conta da vida de todas as personagens.

Não há, portanto, um protagonista, pois muitas personagens se destacam (algumas, nem tanto). A estrela Julia Roberts, por exemplo, aparece como uma tenente que divide o acento do avião com um ricaço; o novo galã das meninas, Taylor Lautner, está feioso e despercebido como um adolescente atleta e meio bobão. Gosto particularmente dos papéis curiosos das atrizes Anne Hathaway, que interpreta uma atendente de tele-sexo, e que trabalha com o celular em qualquer horário e local, e Jessica Biel, que faz uma mulher que promove um encontro com todos aqueles que, como ela, odeiam o dia dos namorados. Entretanto, ao meu ver, o casal central acaba sendo Ashton Kutcher e Jennifer Garner, que embora apenas amigos, têm destino altamente previsível. Previsibilidade, aliás, é a palavra para o filme. Apesar de algumas reviravoltas interessantes, é daqueles filmes que todos sabem como deve terminar; por isso, não é nada especial, mas entretém.

Enfim, indico a película para os casais românticos e apaixonados. Ainda prefiro Simplesmente Amor, mas Marshall é especialista em tramas sobre casais apaixonados. Agora, estou de saída: assistirei Ilha do Medo, de Martin Scorsese. Um grande abraço a todos.

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