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terça-feira, 5 de março de 2019

Aquaman

 Nesse duelo de Marvel vs. DC por bilheteria no cinema, é difícil saber quem leva a melhor, já que ambas apresentam produções classe A na tela. A DC/Warner lançou recentemente o filme sobre o rei do mar, "Aquaman", que já havia apareceido em "Batman vs. Superman" e "Liga da Justiça", mas que agora ganhou seu filme solo.

 Aquaman na verdade se chama Arthur, fruto de um relacionamento entre um humano e uma figura mítica do mar, uma espécie de sereia. Desde pequeno é consciente de seus superpoderes, e é treinado por um ser marítimo, Vulko. Quando cresce, Arthur recebe a missão de ir para o mar conquistar o trono que lhe pertence por direito, pois seu meio-irmão Orm, inescrupuloso, tem planos de destruir a Terra. Nessa aventura, conta com a ajuda da Princesa Mera, prometida para Orm, mas que despreza os planos diabólicos dele.

 O aspecto visual da belíssima fotografia e da competente direção de arte cria cenários espetaculares nas profundezas do Oceano, e destaca toda a diversidade marítima que se tem direito. Méritos do jovem cineasta malaisiano  James Wan, especialista em fitas de terror, como "Jogos Mortais" e "Invocação do Mal", mas que tem demonstrado excepcional talento em produções de ação, tal como fez mostrou em "Velozes & Furiosos 7". Além disso, paisagens exuberantes no deserto do Saara e na Sicília surpreendem o espectador pelo aspecto da beleza focalizada. Aliás, nunca se viu antes a bela Sicília ser alvo de pancadaria e destruição, em cenas extraordinárias, que adicionam mais um ponto para se assistir ao filme na tela grande.

 Jason Momoa, o astro do momento, nasceu para viver Aquaman, embora demonstre facilmente sua canastrice, além de não convencer nas sequências de alívio cômico. A bela Amber Heard faz a heroína, e tenta fazer algo além do interesse romântico. O elenco ainda reune nomes consagrados, como Willm Dafoe, como o mentor de Aquaman, Patrick Wilson como o vilão King Orm, o veterano Dolph Lundgren (quem diria!) como King Nereus e a incansável Nicole Kidman, como a mãe do herói. Há também a voz da estrela Julie Andrews como o monstro Karathen na parte final.

 O roteiro, de David Leslie Johnson-McGoldrick e Will Beall, não economiza nos detalhes, e o resultado é uma projeção de quase duas horas e meia. De qualquer jeito, todo o cuidado visual e sonoro faz o tempo passar despercebido, e garante um prazer delicioso de se acompanhar as eletrizantes aventuras dentro do oceano. James Wan já está confirmado como diretor da sequência, anuncaiada para 2022.   

TRAILER:

sábado, 16 de dezembro de 2017

Assassinato no Expresso do Oriente

 Fazia tempo que a grande escritora Agatha Christie não era adaptada para os cinemas. Mas o diretor e ator Kenneth Branagh resolveu fazer um remake de uma das maiores obras dela, que teve sua primeira versão assumida por Sidney Lumet em 1974. Aqui, com roteiro adaptado por Michael Green, também conseguiu reunir um elenco estelar, na qual ele próprio interpreta o protagonista: o popular detetive Hercule Poirot.

  Em um luxuoso expresso, repelto de diversos passageiros, partindo de Istambul para vários pontos da Europa, acontece um inesperado assassinato e a vítima é o milionário Edward Ratchett, que mais tarde o tempo vai mostrar ser ele um homem inescrupuloso. O detetive Hercule Poirot, que se autodenomina como o melhor detetive do mundo, está presente no trem e começa as investigações. A conclusão que ele chega é a de que todos os tripulantes tinham razões suficientes para matar Ratchett, o que deixa o trabalho do carismático detetive muito mais denso e difícil.

 A reconstiuição de época, a direção de arte, a belíssima fotografia, as belas paisagens e os figurinos são de qualidades inquestionáveis. Para quem não conhece o filme original, e nem mesmo a obra de Agatha Christie, vale a recomendação de que este suspense policial não atende aos padrões de quem procura um entretenimento blockbuster com explosões, correria e sangue. Aqui tudo é refinado e exige uma compreensão de um público com um bom raciocínio lógico para não perder as informações que vão surgindo. Isso não significa que se trata de uma história difícil ou entediante; ao contrário, a diversão é garantida para quem se acostumar com o ritmo e os instantes de alívio cômico.

 Para o público que conhece o livro ou filme original, não há mudanças sobre a identidade do assassino, mas alguns elementos são modificados ou atualizados para trazer mais sabor para a narrativa. Na introdução, já acontece um crime solucionado por Poirot, feito de maneira irreverente, e que serve para deixar o público bem a vontade.

 No mencionado elenco estelar, Kenneth Branagh tem extraordinária caracterização, sobretudo nos longos bigodes, e consegue ser mais inspirado, e menos exagerado, que Albert Finney no filme de 1974. Há também Michelle Pfeiffer como uma rica viúva, Willem Dafoe como um professor, Judi Dench como uma princesa e Johnny Depp como o assassinato, todos perfeitos. A figura feminina central está caracterizada na jovem Daisy Ridley, como a governanta que mantem um caso com um médico negro (o pouco conhecido Leslie Odom Jr.), como um pretexto para mencionar também a questão racial (a trama é ambientada nos anos 30). Penelope Cruz tem pouco a fazer como uma missionária fanática, e está péssima. Há ainda outros nomes poucos conhecidos, mas em papéis importantes, como o veterano Derek Jacobi, Josh Gad, Olivia Colman e Lucy Boynton, todos entre os suspeitos.

 O que se pode dizer é que tudo é bem amarrado no roteiro, até chegar no surpreendente desfecho. Ou seja, uma história de suspense a moda antiga, bem realizada e interpretada, um brinde para um público que está esgotado com fitas de super-heróis ou  comédias escrachadas. No fim, há um ponto de partida sobre outra história de Christie, "Morte Sobre o Nilo", que provavelmente também será realizada por Branagh na direção e Green no roteiro. Vamos aguardar. Abraços!

 TRAILER:

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

O Aviador

( EUA 2004 ). Direção: Martin Scorsese. Com Leonardo DiCaprio, Cate Blanchett, Alan Alda, Alec Baldwin, Kate Backinsale, Ian Holm, John C. Reilly, Willem Dafoe, Gwen Stefani, Edward Herrmann, Danny Huston, Kelli Garner, Brent Spiner, Jude Law. 170 min.



Sinopse
: A biografia do produtor hollywoodiano Howard Hughes, um homem cheio de manias e que não economizava um centavo em suas caríssimas produções cinematográficas. Além disso, Howard pilotava os aviões produzidos por sua firma e colecionava casos amorosos com estrelas do cinema.

Comentários: Indicado a onze Oscar, ganhou cinco: atriz coadjuvante (Cate Blanchett), edição, fotografia, direção de arte e figurino. Foi indicado ainda para filme, diretor, ator (Leonardo DiCaprio), ator coadjuvante (Alan Alda), roteiro original (de John Logan) e som. Todos esperavam que dessa vez o Oscar de direção iria para Martin Scorsese, após a falsa espectativa de Gangues de Nova York. Afinal, O Aviador é uma super-produção luxuosa e repleta de efeitos especiais. Além disso, trata-se de um gênero aclamado pela academia: o filme biográfico. Mas, ainda não tinha sido dessa vez. Na ocasião, o melhor diretor Foi Clint Eastwood por Menina de Ouro. Em todo caso, é um filme pretensioso que narra a vida de uma das figuras mais ricas e estranhas de Hollywood, mas que é pouco conhecida aqui no Brasil. Talvez seja por isso que o público daqui rejeitou o filme. Ou seja, nem a presença de Leonardo DiCaprio foi suficiente para chamar a atenção. Óbvio, já que não se trata de um novo Titanic. O Aviador é um filme para adultos, mas com enredo que agrada poucos. Leonardo DiCaprio está excepcional na composição complexa de Howard Hughes, um homem que vivia perdido em suas crises meio esquizofrênicas e excesso de higiene. Enfim, uma figura difícil que teve em Leonardo DiCaprio o intérprete ideal. Mas quem rouba a cena, é a oscarizada Cate Blanchett, que interpreta ninguém mais, ninguém menos que a estrela Katharine Hepburn, uma das amante de Howard. Cate teve um intenso trabalho de composição, e convence perfeitamente como Katharine, até mesmo os trejeitos típicos da estrela são conduzidos com naturalidade por Cate. Se por um lado o enredo possa parecer um tanto desinteressante para a platéia que geralmente freqüenta as salas de cinema, os adolescentes, por outro, O Aviador oferece cenas de grande impacto e ótima sonorização nas cenas em que Leo pilota seus aviões. A cena do acidente fatal é de extrema qualidade, e demonstra a competência técnica dos filmes hollywoodianos. A bela fotografia da cidade do pós-guerra é uma atração a parte. Ainda no elenco, a bela Kate Beckinsale se sai muito bem como Ava Gardner; Jude Law surge quase irreconhecível como Errol Flynn; Alec Baldwin interpreta o grande rival de Howard; e John C. Reilly, no papel do secretário "faz tudo" do aviador. O único exagero foi a indicação ao Oscar de coadjuvante para Alan Alda. Este veterano ator é excelente, mas o personagem, o senador Brewster, é facilmente esquecível, e não tem nenhuma grande cena. Como o ator tem uma longa carreira no cinema, e como nunca havia sido indicado pela academia, teve aqui seu prêmio de consolação. No geral, O Aviador é um grande espetáculo, muito bem dirigido e interpretado. Mas ainda não foi o grande filme de Scorsese.

Por que gravei o filme: Já havia assistido ao O Aviador no cinema, e gravei na HBO2 porque sou um grande fã de Scorsese. E admito que gostei do filme também. E, óbvio, foi surpreendente para mim, ele não ter levado os Oscars de filme e diretor, já que é uma produção bem acadêmica. O fato é que, com "O Aviador" aprendi a parar de ter preconceito com Leonardo DiCaprio. Ele realmente é um grande ator, e merece ser reconhecido pelo seu grande talento. E Cate Blanchett consegue tornar o mito Katharine Hepburn bastante alegre e mais vivo do que nunca. Assim, concluo que, mesmo se não tivesse gostado do filme, ele valeria pela presença da dupla central.