segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Gladiador


( EUA 2000 ). Direção: Ridley Scott. Com Russell Crowe, Joaquin Phoenix, Connie Nielsen, Richard Harris, Oliver Reed, Derek Jacobi, David Hemmings, Djimon Hounsou, Spencer Treat Clark. 149 min.



Sinopse: Na Roma antiga a.C., Maximus é eleito pelo imperador como seu substituto. Entretanto, o real herdeiro do trono, por inveja, mata o próprio pai e manda matar Maximus, que consegue fugir. Acaba se tornando escravo e obrigado a lutar em arenas. Ele resolve se vingar do tirano assassino que também matou sua família.

Comentários: Super-produção indicada a 12 Oscar. Ganhou melhor filme, ator (Russell Crowe), figurinos, som e efeitos especiais. Foi indicado ainda para diretor, ator coadjuvante (Joaquin Phoenix), roteiro original (de Douglas Wick, David Franzoni e Branko Lustig), montagem, fotografia, direção de arte e trilha sonora. Trata-se de um tremendo espetáculo visual com brilhantes efeitos sonoros e especiais, além de apresentar bela fotografia e exuberantes figurinos. Ou seja, técnicamente é um filme perfeito, mas não é o melhor de Ridley Scott. Em todo caso, trata-se de um grande campeão de bilheteria que, no fim das contas, tráz um bom roteiro (ainda que não seja excelente) da trinca de autores já mencionados. Gladiador é um filme de aventura que se passa em plena Roma antiga com seqüências de acão que não decepcionam o espectador mais exigente. Além disso, retrata um período da História ao mostrar o cotidiano da época, repleta de tirania, traições, vingança, pão e circo. Hollywood se precipitou em dar o Oscar de melhor ator para Russell Crowe, que deveria ter ganho no ano posteior por Uma Mente Brilhante. Ainda assim, o ator está muito bem no papel-título, seguido por um elenco competente e em boa forma (embora a caracterização de Joaquin Phoenix como vilão seja um tanto exagerada). E num ano muito fraco, Gladiador ganhou merecidamente o Oscar de melhor produção de 2000, ainda que seja bastante violento. Apesar disso, é um filme bom que foi o responsável por salvar a carreira de Scott, após alguns fracassos de crítica e público. Mas não é um filme cerebral, é daqueles entretenimentos holywoodianos que agrada o público de massas, seu maior espectador. E faz isso muito bem, com cenas impressionantes e produção impecável.

Por que comprei o filme: É um filme ágil, bem-produzido e dirigido, com qualidade de som nota 10 e história atraente. Tudo isso, dentro de um dos filmes mais caros de Hollywood, que eu adqüiri em um sebo da cidade pelo risório valor de R$3,00. As melhores cenas, sem dúvida, são aquelas em que Russell Crowe tem que lutar nas arenas com gladiadores e tigres ferozes. São cenas impressionates e bem violentas. Só elas já são suficentes o bastante para ter esse filme em minha videoteca. Por fim, há além de Crowe, boas interpretações de Richard Harris, Connie Nielsen e Oliver Reed em seu último filme (ele morreu durante as filmagens). Espetacular.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Títulos Bizarros

Olá! Aqui estou, dessa vez não para adicionar comentários da minha coleção de filmes. Inspirado em uma postagem de meu amigo Rafel (sobre as estranhas alcunhas dos candidatos a vereadores), posto aqui os títulos de filmes brasileiros mais bizarros que eu já vi! A maioria desses filmes pertence aos anos 70/80, época em que o cinema brasileiro era conhecido por suas produções quase pornográficas. Isso acabou trazendo um aspecto negativo para o cinema brasileiro, pois foi rotulado como o "cinema do sexo e da pouca vergonha". Felizmente, hoje em dia, o Brasil produz um cinema de qualidade, e as pessoas estão compreendendo melhor a nova safra de filmes brasileiros. Todavia, esses títulos bizarros são no mínimo curiosos; muitos são tão grotescos, baixos, vulgares e horrendos, que até provocam risos. Para deixar bem claro, não assisti a nenhum dos títulos que estão listados abaixo (e, honestamente, nem tenho intenção de assisti-los!). Mas, os títulos chamam a atenção. É curioso, inclusive, a obsessão que alguns deles demonstram ter com os cavalos! Confiram:

-Um Transformista Original
-Toda Donzela Tem um Pai que é uma Fera
-Em Busca do Su$exo
-Os Maridos Traem... E as Mulheres Subtraem
-Piranhas do Asfalto
-Memórias de Um Estrangulador de Loiras
-Eu Transo... Ela Transa
-Introdução à Sacanagem Interna
-Um Marido Sem... É Como um Jardim sem Flores
-Nua e Atrevida
-Sinal Vermelho, as Fêmeas
-Como Era Boa a Nossa Empregada
-Os Garotos Virgens de Ipanema
-O Homem que Descobriu o Nu Invisível
-Um Macho à Prova de Bala
-Pedro Canhoto - O Vingador Erótico
-O Poderoso Garanhão
-A Superfêmea
-Ainda Agarro Esta Vizinha
-Banana Mecânica
-As Cangaceiras Eróticas
-Oh! Que Delícia de Patrão
-As Secretárias... Que Fazem de Tudo
-Ainda Agarro Esse Machão
-Efigênia Dá Tudo Que Tem
-Eu Dou o que Ela Gosta
-Fracasso de um Homem nas Duas Noites de Núpcias
-I Love Bacalhau
-Nós, os Canalhas
-Onanias - O Poderoso Machão
-Essa Mulher é Minha... E dos Amigos
-Eu Faço... Elas Sentem
-A Ilha das Cangaceiras Virgens
-As Mulheres que Dão Certo
-Nem as Enfermeiras Escapam
-A Noite das Fêmeas
-Pura Como um Anjo, Será Virgem?
-Sabendo Usar Não Vai Faltar
-Socorro! Eu não Quero Morrer Virgem!
-Zé Sexy... Louco, Muito Louco Por Mulher
-Empregada Para Todo o Serviço
-O Garanhão no Lago das Virgens
-A Mulher que Põe a Pomba no Ar
-Prá Ficar Nua, Cachê Dobrado
-Os Galhos do Casamento
-A Noite dos Duros
-Roberta - A Moderna Gueixa do Sexo
-Seu Florindo e Suas Duas Mulheres
-As Taradas Atacam
-Tem Piranha no Garimpo
-Traí... Minha Amante Descobriu
-A Banda das Velhas Virgens
-Uma Fêmea do Outro Mundo
-Paula - A História de Uma Subversiva
-Os Rapazes da Difícil Vida Fácil
-Aqui, Tarados!
-Gugu - O Bom de Cama
-Pequenas Taras
-Por Que as Mulheres Devoram os Machos?
-Sofia e Anita, Deliciosamente Impuras
-Chapéuzinho Vermelho - A Gula do Sexo
-Como Faturar a Mulher do Próximo
-A Fábrica de Camisinhas
-Um Marciano em Minha Cama
-Me Deixa de Quatro
-A Pistola Que Elas Gostam
-O Sexo Nosso de Cada Dia
-As Taras de Todos Nós
-A Virgem e o Bem-Dotado
-Piranha de Véu e Grinalda
-Tem Piranha no Aquário
-Ivone, a Rainha do Pecado
-Põe Devagar... Bem Devagarinho
-Taradas no Cio
-O Analista de Taras Deliciosas
-Como Afogar o Ganso
-A Doutora é Boa Pacas
-O Orgasmo de Miss Jones
-Ou Dá... Ou Desce
-Quando "Abunda" não Falta
-Bum Bum, a Coisa Erótica
-Experiências Sexuais de um Cavalo
-A Ilha dos Cornos
-Não Mexe Que Eu Gozo!
-Rabo I
-Sexo a Cavalo
-Aberrações Sexuais de um Cachorro
-O Beijo da Mulher Piranha
-Boca Quente - Quando a Boca Engole Tudo
-O Cavalo e a Potranca
-Emoções Sexuais de um Cavalo
-A Garota do Cavalo
-Um Jumento na Minha Cama
-Loucas Por Cavalos
-Masculino... Até Certo Ponto
-Meu Cachorro, Meu Amante
-Meu Marido, Meu Cavalo
-Minha Cabrita, Minha Tara
-A Mulher do Touro
-Mulheres e Cavalos
-Mulheres Taradas Por Animais
-Patrícia, Só Sacanagem
-Seduzida Por Um Cavalo
-Alucinações Eróticas de um Jegue
-As Amantes de um Jumento
-Comer e Gozar é Só Começar
-Emoções Sexuais de um Jegue
-A Galinha do Rabo de Ouro
-Quatro Noivas Para Sete Orgasmos
-Terezinha Topa Tudo
-Viciadas em Cavalos
-O Gozo da Pistola
-A Noiva Piranha
-A Poupança Tá Rendendo
-Soltando a Franga
-Tudo Por um Cavalo
-Coça Que Cresce
-Confissões de uma Xoxota
-Dama de Paus
-Elas Fazem de Tudo
-Meu Pipi no seu Popó
-Puxa Que Estica
-O Ônibus da Suruba
-Alucinações Sexuais de um Macaco
-Batxota, a Mulher Morcego
-E o Pau Come Solto
-Safadas e Chifrudos
-Se a Galinha é Boa, o Pinto não Falha
-Se a Mulher Solta o Rabo, o Marido Leva o Chifre

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

O Aviador

( EUA 2004 ). Direção: Martin Scorsese. Com Leonardo DiCaprio, Cate Blanchett, Alan Alda, Alec Baldwin, Kate Backinsale, Ian Holm, John C. Reilly, Willem Dafoe, Gwen Stefani, Edward Herrmann, Danny Huston, Kelli Garner, Brent Spiner, Jude Law. 170 min.



Sinopse
: A biografia do produtor hollywoodiano Howard Hughes, um homem cheio de manias e que não economizava um centavo em suas caríssimas produções cinematográficas. Além disso, Howard pilotava os aviões produzidos por sua firma e colecionava casos amorosos com estrelas do cinema.

Comentários: Indicado a onze Oscar, ganhou cinco: atriz coadjuvante (Cate Blanchett), edição, fotografia, direção de arte e figurino. Foi indicado ainda para filme, diretor, ator (Leonardo DiCaprio), ator coadjuvante (Alan Alda), roteiro original (de John Logan) e som. Todos esperavam que dessa vez o Oscar de direção iria para Martin Scorsese, após a falsa espectativa de Gangues de Nova York. Afinal, O Aviador é uma super-produção luxuosa e repleta de efeitos especiais. Além disso, trata-se de um gênero aclamado pela academia: o filme biográfico. Mas, ainda não tinha sido dessa vez. Na ocasião, o melhor diretor Foi Clint Eastwood por Menina de Ouro. Em todo caso, é um filme pretensioso que narra a vida de uma das figuras mais ricas e estranhas de Hollywood, mas que é pouco conhecida aqui no Brasil. Talvez seja por isso que o público daqui rejeitou o filme. Ou seja, nem a presença de Leonardo DiCaprio foi suficiente para chamar a atenção. Óbvio, já que não se trata de um novo Titanic. O Aviador é um filme para adultos, mas com enredo que agrada poucos. Leonardo DiCaprio está excepcional na composição complexa de Howard Hughes, um homem que vivia perdido em suas crises meio esquizofrênicas e excesso de higiene. Enfim, uma figura difícil que teve em Leonardo DiCaprio o intérprete ideal. Mas quem rouba a cena, é a oscarizada Cate Blanchett, que interpreta ninguém mais, ninguém menos que a estrela Katharine Hepburn, uma das amante de Howard. Cate teve um intenso trabalho de composição, e convence perfeitamente como Katharine, até mesmo os trejeitos típicos da estrela são conduzidos com naturalidade por Cate. Se por um lado o enredo possa parecer um tanto desinteressante para a platéia que geralmente freqüenta as salas de cinema, os adolescentes, por outro, O Aviador oferece cenas de grande impacto e ótima sonorização nas cenas em que Leo pilota seus aviões. A cena do acidente fatal é de extrema qualidade, e demonstra a competência técnica dos filmes hollywoodianos. A bela fotografia da cidade do pós-guerra é uma atração a parte. Ainda no elenco, a bela Kate Beckinsale se sai muito bem como Ava Gardner; Jude Law surge quase irreconhecível como Errol Flynn; Alec Baldwin interpreta o grande rival de Howard; e John C. Reilly, no papel do secretário "faz tudo" do aviador. O único exagero foi a indicação ao Oscar de coadjuvante para Alan Alda. Este veterano ator é excelente, mas o personagem, o senador Brewster, é facilmente esquecível, e não tem nenhuma grande cena. Como o ator tem uma longa carreira no cinema, e como nunca havia sido indicado pela academia, teve aqui seu prêmio de consolação. No geral, O Aviador é um grande espetáculo, muito bem dirigido e interpretado. Mas ainda não foi o grande filme de Scorsese.

Por que gravei o filme: Já havia assistido ao O Aviador no cinema, e gravei na HBO2 porque sou um grande fã de Scorsese. E admito que gostei do filme também. E, óbvio, foi surpreendente para mim, ele não ter levado os Oscars de filme e diretor, já que é uma produção bem acadêmica. O fato é que, com "O Aviador" aprendi a parar de ter preconceito com Leonardo DiCaprio. Ele realmente é um grande ator, e merece ser reconhecido pelo seu grande talento. E Cate Blanchett consegue tornar o mito Katharine Hepburn bastante alegre e mais vivo do que nunca. Assim, concluo que, mesmo se não tivesse gostado do filme, ele valeria pela presença da dupla central.

O Corpo

( Brasil 1991 ). Direção: José Antônio Garcia. Com Antônio Fagundes, Marieta Severo, Cláudia Jimenez, Carla Camuratti, Sérgio Mamberti, Maria Alice Vergueiro, Lala Deheizelen, Ricardo Pettine, Vera Zimmermann, Mara Carvalho, Christiane Tricerri, Roberto Talma, Daniel Filho, Arrigó Barnabé, Carlos Reichenbach, Guilherme de Almeida Prado. 80 min.



Sinopse: Homem mantém vida de casado com duas mulheres, e vive com ambas no mesmo lar. O que elas não sabem, contudo, é que ele tem um caso com uma prostituta. Quando descobrem, elaboram um plano de vingança.

Comentários: Comédia de humor negro inspirada em conto de Clarice Lispector (adaptado por Alfredo Oroz). O filme mostra uma cidade comum, com suas habituais hipocrisias, e que se escandaliza com o relacionamento totalmente assumido entre um dono de farmácia e duas mulheres. Com esse ponto de partida, Garcia satiriza os valores morais da sociedade ao mostrar, com muita simplicidade, uma relação matrimonial fora-do-comum (e como se isso não bastasse, o cínico protagonista ainda consegue manter uma amante às escondidas). Antônio Fagundes está divertido como o malandro "bígamo" e "adúltero", mas quem realmente rouba a cena são as atrizes centrais: Marieta Severo, como a esposa inteligente, e a gordinha Cláudia Jimenez, como a esposa cozinheira. Elas dão um espetáculo! E Carla Camuratti (que também colaborou no roteiro) tem participação especial como a amante-prostituta. Apesar de ser de 1991, o filme demorou cinco anos para estrear. Isso porque ele teve a infelicidade de ter sido produzido na era da ditadura Collor, que confiscava toda a produção cultural (e outras coisas também...). Por outro lado, o filme teve a oportunidade de ser conhecido em 1996, período em que o cinema nacional já estava em alta. Sem ser excelente (e não indicados para moralistas de primeira), O Corpo é uma produção bem simples, com boas interpretações e com uma boa idéia no roteiro (ainda que apresente um final pouco convincente, mesmo que surpreendente). Despretencioso e divertido.

Por que comprei o filme: A fita saiu na segunda coleção da revista Isto É, sobre o cinema brasileiro. Foi uma oportunidade que tive para acrescentar esse filme no meu acervo, que infelizmente possui poucos filmes brasileiros. Além disso, eu já conhecia a fita, mas ainda não havia assistido-na. Assim, tive a oportunidade de assistí-la. Claro que não é um grande filme (pode até mesmo ser esquecível), mas foi interessante ter descoberto que O Corpo é uma adaptação de um conto de uma das minhas autoras da literatura favoritas, Clarice Lispector (ainda que no filme não estão presentes seus temas mais famosos. Aliás, eu ainda preciso ler o conto, que está no livro A Via Crucis.). E além disso, a trinca de atores está perfeita e garante o divertimento.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Trocas Macabras

( EUA 1993 ). Direção: Fraser C. Heston. Com Ed Harris, Max von Sydow, Bonnie Bedelia, Amanda Plummer, J.T. Walsh, Deborah Wakeham, Ray McKinnon, W. Morgan Sheppard, Valerie Bromfield. 120 min.



Sinopse: Na pacata cidadezinha Castle Rock, um senhor misterioso abre uma loja de antigüidades. Ele oferece sua mercadoria aos habitantes do lugar em troca de pequenos favores mal intecionados, que causam o caos no lugar.

Comentários: Boa adaptação de um livro de Stephen King, adaptado por W.D. Richter, torna esse filme de terror interessante e original. Realmente, trata-se de um enredo curioso, ao colocar a figura do mal (no caso, o dono da loja) como personagem central. É bem verdade que Hollywood já produziu diversos filmes em que o próprio diabo é uma referência dominante na vida de pessoas inocentes (O Exorcista, A Profecia, além das cópias descaradas destes filmes). Mas aqui, ele aparece encarnado e se diverte com maldades que faz o homem provocar em seu próximo, por troca de bens materiais. Aliás, o livre arbítrio e o condicionamento humano, com suas fraquezas e limitações, são o que favorecem os diversos tipos de maldades que são praticadas no decorrer do filme. Essa parece ser a intenção do filme dirigido por Fraser C. Heston (filho de Charlton Heston), que parecia ter um futuro promissor, mas não fez mais nada de importante. Trocas Macabras até tem alguma semelhança com o posterior "Advogado do Diabo", só que com produção mais simples, ainda que tenha um roteiro que consegue prender mais a atenção do espectador, em relação ao outro filme. Quem interpreta o "mal" é o bergniano Max von Sydow, numa interpretação convincentemente cínica e pavorosa. Ed Harris faz o xerife que pretende botar órdem no lugar, e Bonnie Bedelia interpreta a mocinha que é seduzida pela besta. Ainda que não seja sanguinolento (mas tem sangue), uma característica do gênero, Trocas Macabras é assustador e irônico nos momentos certos, apresenta cenas de tensão surpreendentes e merece ser conhecido, já que é uma novidade num gênero decadente e repetitivo.

Por que comprei o filme: Comprei no sebo da Penha por R$2,00 ou R$3,00. Levando em consideração que os sebos valorizam muito os filmes de terror, cobrando valores mais caros, até que não foi mal o fato de "Trocas Macabras" não ser um filme famoso. Assim saí lucrando! Mas é uma das melhores adaptações de Stephen King, um autor bastante explorado no cinema, geralmente em filmes mal-sucedidos. Uma das cenas que mais gosto é àquela em que duas mulheres (Amanda Plummer e Valerie Bromfield), manipuladas pelo diabo, duelam até a morte ao som de Ave-Maria! Além desta, a cena em que mostra os desentendimentos entre um padre e um pastor batista faz uma crítica à falta de fé de alguns líderes religiosos, e como estes também podem ser fácilmente corrompidos pelo mal. Enfim, um filme acima da média.

O Professor Aloprado

( EUA 1963 ). Direção: Jerry Lewis. Com Jerry Lewis, Stella Stevens, Del Moore, Kathleen Freeman, Med Flory, Howard Morris, Henry Gibson, Norman Alden, Skip Ward, Julie Parrish, Les Bron. 107 min.



Sinopse: Professor de uma universidade, feio e atrapalhado, sofre um acidente em seu laboratório químico, e por conta disso, se transforma em um homem belo. Descobre a fórmula, e se aproveita da situação: utiliza-na várias vezes, com o intuito de ser admirado por todos e conquistar o coração de uma de suas alunas, que se encanta com ele, sem saber sua real identidade.

Comentários: Um dos mais famosos filmes do comediante Jerry Lewis, que não só atuou, como também dirigiu e roteirizou o filme (em parceria com Bill Richmond). O filme faz uma brincadeira com o grande clássico da literatura inglesa, O Médico e o Monstro, de Robert Louis Stevenson, mas em tom de sátira e humor. Apesar das brincadeiras com o clássico livro de Stevenson, o filme revela, no fim, uma bela mensagem (um tanto clichê, convenhamos), de que a beleza exterior não tem validade nenhuma, se falta no caráter humano a beleza interior. Em todo caso, o público consegue dar boas gargalhadas com o tipo de humor bem pastelão de Lewis, quase inexistente nos dias de hoje. Stella Stevens, bem jovem na época, faz o interesse romântico, enquanto Del Moore, como o diretor da universidade, interpreta a "vítima" das atrapalhadas inocentes de Lewis. Houve uma refilmagem em 1996 com Eddie Murphy no papel-título. Divertimento leve e agrdável, ainda que um tanto copiado, pode ser assistido por toda a família.

Por que gravei o filme: Gravado no Retro Channel, O Professor Aloprado é o único filme de Jerry Lewis que possuo em minha coleção de VHSs. É bem interessante, para conhecer o tipo de humor desse famoso comediante, hoje com 80 anos. Uma curiosidade: na minha infância, entre os nove e os dez anos de idade, eu era apelidado como Jerry Lewis. Na ocasião, eu nem conhecia o ator, mas acredito que esse apelido pegou pelo fato d'eu ser magrinho e usar óculos (naquela época, e hoje também).Uma boa referência do grande Jerry Lewis, O Professor Aloprado merece ser conservado e conhecido pela nova geração, que infelizmente prestigia comédias estúpidas e apelativas.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

O Xangô de Baker Street

( Brasil 2001 ). Direção: Miguel Faria Jr. Com Joaquim de Almeida, Maria de Medeiros, Marco Nanini, Cláudia Abreu, Anthony O`Donnell, Marcello Anthony, Letícia Sabatella, Cláudio Marzo, Thalma de Freitas, Christine Fernandes, Caco Ciocler, Emiliano Queiroz, Agildo Ribeiro, Martha Overbeck, Castrinho, Malu Valle, Marcelo Escorel, Antônio Pedro, Antônio Pômpeo, Maurício Gonçalves, Isabel Gúeron, Maria Ribeiro, Otávio Mueller, Roberto Bomfim, Camilo Bervilacqua, André Mattos, Hélio Ary, Cândido Damm, Eliana Guttman, Luciano Chirolli, João D'Avilla, júlio Levy, Vanessa Pascale, Jô Soares. 118 min.



Sinopse: No Rio de Janeiro do século XIX, Jack, o Estripador começa a assassinar várias mulheres seqüencialmente. Sherlock Holmes e seu fiel companheiro Dr. Watson desembarcam em terras brasileiras para solucionarem o caso, enquanto tentam se adaptar aos costumes brasileiros.

Comentários: O famosos romance de Jô Soares, após alguns anos no aguardo, finalmente foi adaptado para o cinema, pelo roteiro de Patrícia Melo e direção de Walter Lima Jr. A idéia de trazer figuras famosas da história, sejam elas fictícias ou reais (Jack, Holmes, Watson, Sarah Berhnard, José do Patrocínio, Chiquinha Gonzaga...) é interessante e conveniente. Contudo, o humor que a fita sugere não é tão explícito como poderia ser. A impressão que dá é que estamos assistindo a um filme policial com bons momentos cômicos, e não uma comédia escrachada e satírica, como sugere o título e o nome do autor Jô Soares (que faz participação como chefe de polícia. Em todo caso, é um bom divertimento ver os ingleses Holmes e Watson como dois "estranhos no ninho", e que precisam se adaptar ao clima e à cultura brasileira, para conseguirem êxito no trabalho que eles desenvolvem no Rio de Janeiro. Eles acabam conhecendo outro tipo de antropologia, ao entrarem em contato com o candomblé, a culinária, a sensualidade brasileira, a caipirinha... Enfim, situações divertidas e com bons diálogos irônicos. Por outro lado, a ação policial é fraca e não causa grandes impactos. A identidade do assassino não surpreende, já que se trata de um personagem fraco, com poucas falas e que passa desapercebido quase o tempo todo. Apesar disso, o final é curioso e inesperado (o único momento em que o ator que interpreta o estripador tem um certo destaque). Outro problema do filme é o excesso de personagens mal-aproveitados. Maria de Medeiros, por exemplo, como a atriz francesa Sarah Berhnard tem falas interessantes, mas o personagem que ela interpreta não tem conexão nenhuma com a trama central. A personagem poderia ser um mero figurante, sem uma grande estrela portuguesa para interpretá-la. Em contrapartida, o roteiro poderia aproveitar mais personagens como Chiquinha Gonzaga (Malu Valle) e Olavo Bilac (Marcelo Escorel), que figuram em cena quase despercebidos. Quanto aos demais atores do elenco, Marco Nanini atua com seu típico humor no papel de um policial brasileiro que ajuda Sherlock nas investigações; Cláudio Marzo tem boa participação como o imperador D. Pedro II; a gracinha Cláudia Abreu transmite simpata como a baronesa infiel; o galã Marcello Anthony também está fora de foco (e um tanto irreconhecível) em (outro) papel desperdiçado, como o homem que contrata os serviços de Sherlock; e o português Joaquim de Almeida encarna o detetive particular mais famoso da literatura inglesa, e fala portugês e inglês alternadamente. Há ainda o ator Anthony O 'Donnell, como o Dr. Watson, que tem uma cena bem cômica quando recebe o espírito da "pomba-gira". Enfim, apesar das derrapadas, O Xangô de Baker Street é um passatempo descontraído e um pouco engraçado, além de apresentar boa reconstituição de época e figurinos interessantes.

Por que gravei o filme: Gosto muito do apresentador Jô Soares, e sempre assisto ao programa do apresentador, quando tenho oportunidade. Não li o livro em que o filme se baseia, mas estava aguardando com expectativa o lançamento do filme. Lembro que em uma das entrevistas do programa, o Jô conversou com os astros portugueses da fita, Joaquim de Almeida e Maria de Medeiros, e admitiu que adorou a versão de seu livro para as telas grandes. Ou seja, algo bastante raro, já que geralmente os autores de livros não gostam do resultado final, quando suas obras são adaptadas para roteiros cinematográficos. Isso já mantém o interesse. E apesar de O Xangô de Baker Street ser um tanto decepcionante em alguns aspectos, não deixa de ser uma atração curiosa e bem-humorada. Gravado no Cinemax

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