quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Pequeno Dicionário Amoroso

( Brasil 1996 ). Direção: Sandra Werneck. Com Andréa Beltrão, Daniel Dantas, Mônica Torres, Tony Ramos, Glória Pires, José Wilker, Denise Fraga, Marcos Winter, Cristina Amadeo. 91 min.


Sinopse: Arquiteta e biólogo se conhecem por acaso em um cemitério, e começam a se relacionar. Com o passar do tempo, se casam e com essa nova rotina, surge a crise conjugal e a monotonia do casamento.

Comentários: São raras as comédias românticas brasileiras, e Pequeno Dicionário Amoroso demonstra que o nosso país também tem potencial e boas idéias para fazer fitas do gênero. O filme da promissora Sandra Werneck (que depois fez mais filmes) é leve, engraçado, despretensioso e bem humorado. Foge dos clichês habituais, típicos do cinema americano, e tem roteiro (de Paulo Helm e José Roberto Torero) original e feito para o público adulto. O ponto de partida é inovador: o relacionamento amoroso entre duas pessoas é narrado através de palavras ordenadas em ordem alfabética, e que são extraídas de um dicionário. Cada palavra apresenta semelhança com o cotidiano do casal. O roteiro pode até ser pessimista do ponto de vista matrimonial. Afinal, o casamento é visto como uma instituição falida, e o tédio e a rotina são os vilões que destroem a vida conjugal. Por outro lado, a fita traz uma mensagem positiva ao valorizar a busca do amor. Ou seja, se a infelicidade reina dentro de um casamento, não significa que nunca mais existirá uma possibilidade para se recomeçar a amar. E tudo isso é apresentado de uma forma descontraída e simpática. Os atores estão em forma, e apesar de Andréa Beltrão e Daniel Dantas formarem um casal meio desengonçado em cena, eles dão força e credibilidade aos personagens que interpretam. Além deles, Mônica Torres e Tony Ramos, por ora, roubam a cena como os respectivos amigos de Andréa e Daniel. Há também uma participação conveniente e simpática de Glória Pires, como uma cartomante e ex-esposa de Daniel. Outro ponto alto do filme são os diálogos, muito bem construídos e elaborados, que são utilizados com naturalidade pelos atores em cena. A impressão que dá ao espectador, é que se está assistindo a uma bela crônica de Luiz Fernando Veríssimo, sobre as confusões que o amor causa na vida de pessoas que saem em sua busca. Enfim, sem cair no melodrama, Pequeno Dicionário Amoroso é uma curiosa opção para quem procura novidades no gênero comédia romântica, principalmente por ser um filme brasileiro.

Por que comprei o filme: Pequeno Dicionário Amoroso saiu na coleção "Isto É Novo Cinema Brasileiro", coleção que eu tentei adquirir na íntegra, mas não consegui por problemas financeiros (semanalmente eu pagaria uns R$ 10,00 mais ou menos, na compra da fita e da revista). Assim, comprei a fita por valor reduzido em um Sebo. E reafirmo tudo que já havia dito anteriormente nos comentários: é um filme delicioso de se assistir, com argumentos inteligentes no roteiro e elenco em boa forma. Não precisa mais nada.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Up - Altas Aventuras

Era para eu ter assistido a esse filme no sábado com a Gisele, e com o casal de amigos Rafel e Aline. No entanto, tivemos contratempo no sábado, e eu e minha esposa fomos ver Up ontem. O que falar sobre essa simpática produlção da Pixar/Disney? Trata-se de uma história interessante, original e divertida. Mas admito que esperava um pouco mais.

O trailer já chamava a atenção, ao mostrar uma casa voando com um velhinho e um garoto oriental dentro. A partir de então, a perspectiva de muito humor e ação, num ponto de partida um tanto exótico, tomou conta da minha mente. O velhinho Carl Fredricksen, após o falecimento de sua amada esposa, e prestes a perder a casa, resolve realizar para si o sonho da falecida, que queria conhecer uma exuberante cachoeira localizada em algum lugar da América do Sul. Dessa forma, Fredricksen amarra centenas de balões no telhado de sua casa, e sai voando com o objetivo de chegar ao destino escolhido. Para sua maior surpresa, o garoto Russell embarca clandestinamente nessa viagem, e o velhinho precisa aprender lições de convivência com alguém que é o oposto dele.

Os diretores e roteiristas Pete Docter e Bob Peterson surpreendem o público com um início bastante comovente, quando nos deparamos com a infância de Fredricksen, desde pequeno, uma pessoa de poucas palavras. Em seguida, presenciamos o excepcional relacionamento dele com sua amada Ellie, a mulher de sua vida, que ele conheceu na infância. Tudo isso é mostrado de uma forma tocante e repleta de sensibilidade. Contudo, após a viagem, o filme muda um pouco o foco, e encontramos o mal-humorado Fredricksen, acompanhado do travesso Russell, em diversas aventuras pela América do Sul, onde encontram figuras um tanto bizarras, como cães falantes e um pássaro gigante (além de um humano vilão). Ou seja, o tom de humor absurdo que o trailer reservava, e a emoção que ocorre no primeiro momento do filme, são substituídos por cenas de ação e aventura típicas do gênero "Indiana Jones", e acompanhamos a nossa simpática dupla carregando (literalmente!) a casa pelas costas.

Não era exatamente o que eu esperava, pois estava imaginando uma narrativa no estilo "História Real" de David Lynch. Entretanto, esse tipo de história não agrada ao universo infantil, que é o público específico de Up. No todo não é tão emocionante assim, é um passatempo agradável e divertido. Tenho um amigo que, embora não seja muito adepto ao sentimentalismo, se emocionou e chorou em algumas cenas. Não acho que seja caso para choro, mas indico o filme para quem quiser tirar suas próprias conclusões. Gosto particularmente da cena em que a casa vai para o céu. Nesse momento, surgem os diversos balões que sustentam a casa, e brindam o público com um esplêndido festival de cores. O velhinho, na versão nacional (a única que está pasando nos cinemas), é dublado por Chico Anysio. Enfim, assistam Up - Altas Aventuras, e se preparem para cenas agradáveis e divertidas!

TRAILER:

sábado, 5 de setembro de 2009

Dia dos Pais

Há mais ou menos um mês atrás foi o dia dos pais. Na ocasião, eu já estava com essa postagem na cabeça, mas estava sem computador também. Bom, agora, próximo ao meu aniversário, resolvi postar esse texto que fala sobre dez filmes da minha coleção, que têm nas figuras paternas, os grandes heróis da sétima arte. Claro que dedico essa postagem ao meu saudoso pai, que faz muita falta na minha vida.

1) 2 Filhos de Francisco (2005), de Breno Silveira. Esse famoso campeão de bilheteria do recente cinema nacional conta a trajetória da popular dupla sertaneja, Zezé DiCamargo & Luciano. O protagonista, entretanto, é o seu Francisco do título, o pai da dupla, que foi interpretado por Ângelo Antônio. O filme narra todos os esforços e apuros que a dupla passou, desde a infância, para tirar a família da miséria. E graças ao incentivo e ao treinamento rigoroso do pai, os meninos se tornaram os grandes cantores que todo mundo conhece. Não sou fã da dupla, mas gosto muito do filme, que centraliza a narrativa nesse grande pai-coragem.

2) Um Ato de Coragem (2002), de Nick Cassavetes. Denzel Washington passa por momentos difíceis, quando seu filho de oito anos precisa urgentemente de um transplante de coração para sobreviver. Como seu plano de saúde não cobre o transplante, e após diversas tentativas frustradas para levantar o dinheiro necessário, acaba mantendo médicos e pacientes como reféns no hospital, com o intuito de negociar com a polícia a liberdade destes pela vida de seu filho. Enfim, apesar do ato criminal, mais um grande pai-coragem para a nossa galeria.

3) A Cor da Fúria (1995), de Desmond Nakano. Filme pouco conhecido, mas muito interessante, sobre o racismo às avessas. Um trabalhador branco (John Travolta) é demitido de seu emprego pelo patrão negro (Harry Belafonte), por mero preconceito racial. Para escapar do estado de miserabilidade total, e sustentar o casal de filhos pequenos e a esposa, Travolta acaba por sequestrar o patrão, nesse polêmico filme sobre conflito etnico-social. Pode-se dizer também, que é um filme sobre o sacrifício em que um pai se vê submetido, para garantir a vida dos filhos.

4) Disposto a Tudo (1994), de James L. Brooks. Outra raridade do cinema, o filme menos famoso do cineasta Brooks. Nick Nolte interpreta um ator decadente, que descobre ser pai de uma garotinha de cinco anos. A situação se complica quando ele descobre que precisa cuidar da filha, pois a mãe passará uma temporada na cadeia. A partir de então, terá de aprender o ofício da arte de ser pai. Trata-se de uma comédia dramática cativante e divertida, sobre as dificuldades de adaptação e relacionamento entre pai e filha.

5) O Império Contra-Ataca ( 1980), de Irvin Kershner. Ok, o tema desse clássico da ficção científica não é sobre paternidade, nem coisa afim. Mas, parece óbvia a inclusão desse filme na lista. Afinal, essa sequência de Guerra nas Estrelas (que não foi dirigida por George Lucas!) surpreendeu diversas plateias com uma das maiores revelações do cinema, quando o popular e carismático vilão Darth Vader anuncia para o herói: Luke, eu sou seu pai! Esse filme não poderia ficar distante da minha lista...

6) Ladrões de Bicicleta (1948), de Vittorio de Sica. Clássico do realismo italiano, esse filme (já postado aqui) é uma obra-prima da sétima arte. Mostra a trajetória de um pai de família que passa por diversos apuros, ao tentar recuperar a bicicleta que acabara de vender, pois necessita dela para trabalhar em seu novo ofício. Uma das cenas que mais emociona, é aquela em que o pai, convincentemente interpretado por Lamberto Maggiorani, incompreendido por todos, é mal tratado pelas pessoas em praça pública, e recebe apenas o afeto do filho que corre em sua defesa. Uma grande lição de vida!

7) Mr. Holland - Adorável Professor (1995), de Stepehen Herek. Ricahrd Dreyfuss interepreta um compositor que resolve trabalhar em uma escola como professor de música, temporariamente, para sustentar a esposa e o filho deficiente (por ironia do destino, surdo-mudo) e pagar o aluguel do apartamento. O contraste que pode existir entre a música (o pai) e o silêncio (o filho) é mostrado de forma singela nesse belo filme, que deu a Dreyfuss uma indicação ao Oscar de melhor ator. A cena mais comovente, é quando o pai dedica ao filho, na linguagem de libras, a canção "Beautiful Boy", de John Lennon.

8) O Pai da Noiva (1991), de Charles Shyer. O tema também abre as portas para comédias. Steve Martin, no papel título, diverte o público com os excessos de paranóia e crise emocional, ao descobrir que a única filha está prestes a casar. Diversão garantida e um pai bem-humorado, pra ninguém botar defeito.

9) Tempo de Matar (1996), de Joel Schumacher. Na racista Mississipi dos anos 60, um homem negro (Samuel L. Jackson) resolve fazer justiça com as próprias mãos, ao matar à queima-roupa, dois homens brancos que estupraram sua filha de onze anos. Filme forte e polêmico, que leva ás últimas consequências a fúria de um pai em busca de justiça. Ótima interpretação de Jackson.

10) A Vida é Bela (1998), de Roberto Benigni. Finalizo com essa popular produção italiana, dirigida e estrelada por Benigni. Ambientado na segunda guerra mundial, o filme mostra a capacidade criativa que um homem judeu desenvolve, ao tentar convencer seu filho que não existe nenhuma guerra. Com mistura de humor e tragédia, Benigni personificou um pai exemplar que, ao esconder do filho os horrores da guerra, tenta convencê-lo de que a vida é bela. Grande filme!

Paro por aqui, uma boa noite a todos. E, apesar de atrasado, feliz dia dos pais! Pai, te amo!!!!!

domingo, 30 de agosto de 2009

Arraste-me Para o Inferno

Quando eu postei Halloween - O Início, eu havia comentado que gostaria muito de assistir o novo filme de terror de Sam Raimi. E isso aconteceu ontem, quando assisti ao filme do título. Bom, finalmente posso dizer: assisti a um filme de terror decente, impactante, eletrizante e assustador ( e um pouco engraçado também).

Raimi entrou para o time de primeira dos cineastas de Hollywood, após dirigir os filmes da série "Homem-Aranha", mas ele, nos anos 80, foi responsável por um grande sucesso do gênero horror, com os filmes da série "A Morte do Demônio". A diferença, é que na ocasião, seus filmes eram de baixo-orçamento. Nessa sua fase pós Spider Man, presenciamos uma produção classe A, repleta de bons efeitos especiais.

Com roteiro do próprio diretor (junto com seu irmão Ivan Raimi), o tema do filme se situa numa atmosfera dividida entre a ganância e a maldição. Christine Brown (Alison Lohman, de "Deixa-me Viver" e "Peixe Grande") é uma bancária ambiciosa, que almeja o cargo de gerente no banco em que trabalha. Quando uma frágil e decadente senhora (a atriz de tv Lorna Raver) aparece no estabelecimento, e implora um empréstimo para não perder sua casa, os problemas começam a surgir na vida de Christine. Afinal, a jovem, querendo se destacar perante o chefe, recusa o empréstimo, e é amaldiçoada pela velhinha. A partir de então, sua vida se transforma num verdadeiro (e literalmente) inferno.

Mais não digo. O que posso afirmar é que Arrasta-me Para o Inferno é uma produção capaz de satisfazer qualquer fã exigente do gênero. A partir do instante em que Lohman é amaldiçoada, o espectador é pego desprevenido pelos diversos sustos que Raimi proporciona. Sem contar, os excessos de "nojera" e "vômitos" explícitos, que já eram típicos em "Evil Dead". Além disso, apesar de tremendamente assustador, Arrasta-me Para o Inferno consegue ser engraçado (por mais masoquista que isso possa soar!). Se não vejamos: imagine você, cara leitora, se no dia em que estivesse em um jantar, para conhecer os pais do noivo, o que faria para não deixar os sogros perceberem que estás sendo atacada por espíritos malignos? Confira o que fez nossa jovem heroína... Fora isso, teve uma outra cena que eu não conseguia me segurar de tanto rir; aliás, tal cena dividiu opiniões: uns riram, outros ficaram apavorados. Coisas de Raimi...

No elenco, a protagonista Alison Lohman demonstra que está no caminho certo para se tornar estrela e a desconhecida Lorna Raver rouba a cena no papel da bruxa gosmenta. Há ainda o feioso Justin Long (como o noivo de Lohman; uma péssima escolha, aliás), a mexicana Adriana Barraza (indicada ao Oscar por "Babel", como uma médium) e o veterano David Paymer (no papel do chefe da jovem bancária).

Enfim, um grande espetáculo do cinema do horror contemporâneo, fortíssimo candidato para se tornar um cult daqui a alguns anos. Mérito, sem dúvida, do competente Raimi, que sabe narrar muito bem, além de surpreender diversas vezes. Apesar das nojeras explícitas (e cômicas), creio que até quem não gosta do gênero, vai se envolver com a trama. Recomendo mesmo, pelo menos assistam ao trailer. Forte abraço!

TRAILER:

domingo, 23 de agosto de 2009

Retorno a Howard`s End

( Inglaterra 1992 ). Direção: James Ivory. Com Anthony Hopkins, Emma Thompson, Helena Bonham-Carter, Vanessa Redgrave, James Wilby, Samuel West, Prunella Scales, Jemma Redgrave, Simon Callow. 142 min.


Sinopse: No início do século XX, a jovem inglesa Margaret, uma moça extrovertida que gosta de debater vários assuntos, torna-se amiga de Sra. Wilcox, matriarca de uma conservadora família inglesa. Ao morrer, a Sra. Wilcox escreve em um pedaço de papel seu último desejo: que sua antiga casa Howards End seja entregue a Margaret. Entretanto, a família da falecida insiste em resistir ao último pedido dela.

Comentários: Retorno a Howards End é mais uma gostosa adaptação inglesa do romance de E.M. Foster, assumida pelo trio diretor/produtor/roteirista de Uma Janela Para o Amor, outra adaptação de Foster: James Ivory/Ismail Merchant/Ruth Prawer Jhabvala. Essa deslumbrante produção, tão boa e requintado quanto ao filme anterior, teve nove indicações ao Oscar. Ganhou três: atriz (Emma Thompson), roteiro adaptado e direção de arte. Foi indicada ainda para filme, diretor, atriz coadjuvante (Vanessa Redgrave), fotografia, figurinos e trilha sonora. A jovem Helena Bonham-Carter volta a atuar com o trio após "Janela", só que em um papel diferente. Deixou de ser a ingênua romântica, e se tornou uma idealista meio "socialista", bastante inquieta e falante. Faz um bom par com a oscarizada Emma Thompson, que interpreta a irmã mais velha. Emma, aliás, conquistou Hollywood com esse filme, e passou a acumular outras indicações ao Oscar nos três anos posteriores. Ainda no elenco, Anthony Hopkins (bem diferente do Hannibal Lecter do ano anterior) interpreta o marido da matriarca Vanessa Redgrave (ótima como o habitual), e alterna momentos de elegância e hipocrisia. O roteiro de Jhabvala faz uma crítica ao comportamento da nobreza inglesa, ao mostrar personagens falsos, gananciosos e egoístas, que cometem atos puramente mesquinhos, e ainda assim, tentam preservar suas imagens de finos e educados perante a sociedade. Por isso, os filhos de Redgrave, e o marido Anthony Hopkins escondem da simples Emma Thompson, a todo instante, o desejo que a nobre senhora tinha em entregar à moça a casa Howards End. A trama é bem novelesca, com excesso de personagens, e reserva alguns momentos de humor (como a mania que a personagem de Helena tem em roubar guarda-chuva em dias chuvosos). Contudo, há alguns instantes trágicos, que acabam demonstrando que membros de uma refinada família inglesa são capazes até de matar para defender suas imagens sociais. Apesar do lado crítico, Retorno a Howards End é uma produção leve, gostosa, interessante e agrada principalmente o público feminino. Os deslumbrantes figurinos e a esplêndida direção de arte apenas contribuem para o resultado final.

Por que comprei o filme: Saiu na coleção da "Videoteca Caras". Quando adqüiri a fita, eu ainda não havia assistido ao filme, e imaginava-o como uma grande película sim, mas esperava que fosse um filme exaustivo e interminável. Tudo bem, a duração é longa, mas me surpreendi, pois o roteiro é ótimo e amarra muito bem as diversas situações novelescas. Nem vi o filme passar, pois mantive o interesse o tempo todo. E, por fim, o elenco extraordinário encara os personagens com muita vontade e determinação. A partir de então, parei de ter preconceito com produções britânicas.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

True Lies

( EUA 1994 ). Direção: James Cameron. Com Arnold Schwarzenegger, Jamie Lee Curtis, Charlton Heston, Bill Paxton, Tia Carrere, Tom Arnold, Art Malik, Eliza Dushku, Karina Lombard, Grant Heslov. 140 min.


Sinopse: Um agente secreto tem a missão de desvendar os planos terroristas de árabes que querem explodir os EUA. Paralelo a isso, precisa continuar convencendo a esposa de que ele é um vendedor de computadores, pois ela desconhece sua verdadeira profissão.

Comentários: Super produção milionária que não economiza nenhum centavo nas eficientes cenas de explosão e nos surpreendentes efeitos especiais. Ou seja, um típico filme de James Cameron (também autor do roteiro), que adora esbanjar e abusar dos efeitos em suas produções. E quem se une mais uma vez ao diretor, após os sucessos de O Exterminador do Futuro 1 e 2, é o mega-astro Arnold Schwarzenegger, que continua péssimo como sempre, mas que tem carisma e compõe com humor o seu personagem. Ao menos dessa vez, ele não permanece invicto na pancadaria, já que leva algumas porradas também. Quem, entretanto, rouba a cena, é a versátil Jamie Lee Curtis, excelente e cômica, como a esposa de Arnold. True Lies, na verdade, é um blockbuster de primeiríssima qualidade, apresentando cenas de ação originais e frenéticas, e não desaponta os fãs do gênero. Prova disso, são as cenas em que Arnold persegue, a cavalo, o vilão (Art Malik) por toda a cidade (inclusive, entra no elevador junto com o cavalo!) e aquela em que Arnold precisa resgatar Jamie de helicóptero, enquanto o carro em que ela permanece, está prestes a cair da ponte quebrada. E outras imagens de pura adrenalina como essas não faltam nesse filme, em que encontramos na tela até o último centavo gasto nessa produção classe A de ação. O que acaba irritando o entretenimento é o fato de que Hollywood, constantemente, adora colocar os americanos como heróis se contrastando com os vilões de outras nacionalidades. Aqui, os inimigos são árabes (pra variar), e olha que estávamos anos antes dos ataques terroristas ao World Trade Center. Enfim, basta não levar a sério o patriotismo barato e se divertir. Ainda no elenco, a presença pequena do veteraníssimo Charlton Heston, que aparece no início, como o chefe de Arnold. Indicado ao Oscar de efeitos visuais.

Por que gravei o filme: A justificativa é única: é uma diversão espetacular, um entretenimento que prende a atenção, além de ser muito engraçado. Em meio a tanta produção capenga, True Lies se destaca graças aos recursos de alta tecnologia utilizados por Cameron e sua equipe. Não sou fã de Schwarzenegger, mas admito que gosto dele nos filmes de Cameron (gosto da cena em que ele faz paródia com o sucesso "Perfume de Mulher", ao dançar tango, primeiro com Tia Carrere, e depois, com Jamie). Além disso, adoro Jamie Lee Curtis, que aproveita muito bem o seu papel para demonstrar a excelente comediante que é. Tudo isso destaca essa riquíssima produção que melhora visualmente, ao ser assistida na tela grande. E, como cinema também é pipoca, True Lies é bem-vindo na minha videoteca. Gravado no AXN.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Cold Mountain

( EUA 2003 ). Direção: Anthony Minghella. Com Jude Law, Nicole Kidman, Renée Zellweger, Eileen Atkins, Brendan Gleeson, Philip Seymour Hoffman, Natalie Portman, Giovani Ribisi, Donald Sutherland, Ray Winstone, Kathy Baker, James Gammon, Claire Hunnan, Jack White, Ethan Suplee, Jena Malone, Melora Walters. 154 min.


Sinopse: Em 1864, na Guerra da Sessessão Americana, jovem se alista para lutar pelo sul. Ao descobrir os horrores da guerra, resolve desertar. Dessa forma, é considerado como traidor e passa a ser perseguido pelas tropas. Enquanto isso, sua amada aguarda seu retorno, enquanto tenta administrar suas terras ao lado de uma jovem selvagem.

Comentários: Indicado a sete Oscar, Cold Mountain ganhou apenas na categoria atriz coadjuvante (Renée Zellweger). Foi indicado ainda para ator (Jude Law), montagem, fotografia, trilha sonora e canções (duas, uma de Sting, e outra da dupla T-Bone Burnet/Elvis Costelo). Na verdade foi o grande injustiçado do Oscar. Em um ano de produções fracas, Cold Mountain era o único que poderia bater o mega sucesso de O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei. Mas não foi indicado para filme, diretor (o melhor de Anthony Minghella, bem superior ao oscarizado "O Paciente Inglês"), atriz (Nicole Kidman esteve bem também em outros filmes do ano) e roteiro adaptado (do próprio Minghella, adaptado do romance de Charles Franzier). Na verdade, é fácil deduzir porque essas injustiças foram cometidas com este, que foi o melhor filme americano do ano: trata-se de um filme anti-americano (mesmo que não intencionalmente). Realizado no auge da desnecessária guerra dos EUA contra o Iraque, o tema central de Cold Mountain se posiciona totalmente contra qualquer tipo de guerra. E um roteiro assim mexe profundamente com o excelentíssimo (ex) presidente Bush e com qualquer patriota extremo de carteirinha. Por fim, é óbvio que vários votantes do Oscar pensam como Bush, o que acabou eliminando maiores possibilidades de outras indicações ao Oscar. Em todo caso, Cold Mountain é uma produção luxuosa e cativante, que consegue atrair a atenção da crítica (por sua posição perante a guerra) e do público (por sua narrativa bem novelesca). Ou seja, têm alguns excessos de sentimentalismo e final trágico mais ou menos previsível. Mas, isso não estraga a excelente mensagem e o corajoso posicionamento do diretor Minghella, em tempos de guerra. Quanto ao elenco, além de Nicole, o galã Jude Law mereceu sua indicação ao Oscar no papel do soldado desertor. E a estrela Renée Zellweger fez por merecer seu Oscar de coadjuvante, como a moça rebelde e meio masculinizada (mas não lésbica) que ajuda a personagem de Nicole no cuidado com a propriedade desta. E tem ainda boas interpretações de Donald Sutherland (o pai de Nicole), Kathy Baker (a vizinha que depois fica muda) e Natalie Portman (uma jovem mãe que oferece abrigo para Law).

Por que gravei o filme: Assisti a Cold Mountain no cinema, e fiquei bastante emocionado com o filme. Adorei tudo que vi na tela, e não perdi a oportunidade de gravá-lo quando passou na HBO. A mensagem anti-guerra, mencionada nos comentários, é a melhor coisa do filme de Minghella, e é interessante para discussões e debates sobre o tema. E todos os atores estão realmente bem nessa grande película, que merecia mais premiações. Não canso de assistir, e já coloquei o filme na lista dos melhores americanos dos anos 2000.