domingo, 1 de novembro de 2009

Tá Chovendo Hambúrguer

Longas em animação não são o "forte" da Columbia, mas admito que me diverti bastante com esse filme, que assisti ontem com a minha esposa Gisele no Shopping D. Aliás, ela estava doida para assistir a uma produção em 3D. Essa foi a oportunidade.

O título é aparentemente falso, uma vez que na trama chovem diversos tipos de alimentos, não apenas hambúrguer (esse apenas é o primeiro a cair). Enfim, o cientista Flint Lockwood vive numa pequena cidade marítima, com o pai, onde os frutos do mar são os únicos alimentos da população local. Cansado dessa rotina, Flint (conhecido por suas invenções atrapalhadas) resolve construir uma máquina que tem a capacidade de fazer chover alimentos do céu. A partir de então, hambúrgueres, pizzas, sorvetes, carnes, gelatinas, enfim toda a diversidade de alimentos começa a cair sobre a cidade, alimentando seus habitantes e causando a alegria geral. Flint passa a ser cobiçado pelo inescrupuloso prefeito, enquanto se deixa enamorar pela garota do tempo, que surge em cena para cobrir esse estranho evento. Só que as coisas fogem do controle, quando a máquina passa a produzir alimentos em excesso, que sofrem certas mutações...

Tá Chovendo Hambúrguer é um excelente entretenimento, divertido, interessante, curioso e muito engraçado. Admito que não tinha dado muita atenção para essa animação dirigida e roteirizada pela dupla Phil Lord e Chris Miller (adaptada do livro de Judi e Ron Barrett), e demorei para assistir. Mas me surpreendi, e gostei mais do que Up, filme em que depositei maiores expectativas. Aqui, como em diversas produções do gênero, alguns personagens coadjuvantes roubam a cena, como o camera-man da Guatemala, que também é médico e sabe pilotar máquinas voadoras. Além dele, o garoto propaganda da cidade, o chefe de polícia e sua família, e o pai de Flint são responsáveis pelo alívio cômico. Gostei também da mensagem, que faz referência ao descontrole humano, ao mostrar uma sociedade disposta a satisfazer suas vontades, sem se preocupar com os excessos e as consequências desastrosas que eles podem trazer.

É verdade que Tá Chovendo Hambúrguer é repleto de clichês (mesmo porque é difícil evitá-los, principalmente nesse gênero), mas eu gargalhei constantemente (teve uma hora que a Gisele teve que chamar minha atenção). Ou seja, adoro animações em longa metragem, principalmente quando elas são mais voltadas para a comédia. Recomendo a todos! Agora, eu quero ver o "Planeta 51", e a adaptação de "Alice no País das Maravilhas", novamente com o amalucado trio Tim Burton (diretor) e os atores Johnny Depp e Helena Bonham-Carter. Bom domingo!

TRAILER:

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Matrix

( EUA 1999 ). Direção: Larry Wachowski, Andy Wachowski. Com Keanu Reeves, Laurence Fishburne, Carrie-Anne Moss, Hugo Weaving, Joe Pantoliano, Gloria Foster, Marcus Chong, Robert Taylor, Paul Goddard, Julian Arahanga, Matt Doran, Belinda McClory, Ray Anthony Parker. 136 min.


Sinopse: Um jovem analista de sistemas, Neo, descobre que o mundo em que vivemos é, na verdade, uma grande ilusão, conhecida como Matrix. Acaba por descobrir, através da misteriosa Trinity e do astuto Morpheu, que o mundo verdadeiro foi dominado pelas máquinas, e que ele (Neo) é o ser "enviado'' para conter as máquinas, e salvar o mundo.

Comentários: Matrix se consagrou no final dos anos 90 como uma absoluta inovação técnica para o cinema. Os efeitos visuais estão extremamente impecáveis, permitindo ao espectador visualizar cenas fora do comum e criativas. A produção foi indicada a quatro Oscar, e ganhou todos: montagem, efeitos visuais, efeitos sonoros e som. Além de ter alcançado méritos na área técnica e o reconhecimento pela Academia, Matrix colocou no mapa o nome de dois diretores, que são irmãos: Larry e Andy Wachowski (também autores do roteiro), que já vinham feito o pouco conhecido "Ligadas Pelo Desejo", um filme menor. Mas, apesar dos efeitos e dos som serem os grandes responsáveis pelo espetáculo, o filme conta uma interessante história filosófica. Tendo como ponto de referência a "Alegoria da Caverna" de Platão, os irmãos Wachowski mostram a nossa realidade como um sonho, ou seja, algo totalmente em desacordo com o caos que o mundo se tornou, após o controle das máquinas sobre os homens. Elas, as máquinas, construíram a "matrix", e as pessoas que vivem nela são, na verdade, escravizadas naquele mundo de mentiras e estão impedidas de conhecer a verdade; tal como na Caverna do Platão, em que os seres humanos viviam acorrentados nela, desde a infância, sem a possibilidade de conhecer a verdade que existe no exterior dela. E o personagem Neo, vivido por Keanu Reeves (convincente no papel), se compara a um dos homens da Caverna que, como sugere Platão, consegue se libertar dela, descobre a verdadeira realidade e tenta libertar os outros prisioneiros; é o que acontece com o personagem de Reeves, que também consegue se libertar da caverna/matrix. Claro que as conseqüências negativas que o homem da Alegoria da Caverna sofre, não acontecem com o personagem central de Matrix; afinal, de contas, aqui, é um filme hollywoodiano de ação. Em todo caso, assistindo ao filme é impossível não refletirmos, se nós também não estamos presos dentro da Matrix. Será que nossa sociedade consegue conhecer os problemas reais que nós enfrentamos (guerra, violência,miséria...)? Ou será que nos entretemos exageradamente com a cultura de massas, a nossa matrix, enquanto o mundo se dirige ao caos da corrupção e da desigualdade? Bom, concluo que Matrix realmente tem um ótimo roteiro. Além disso, não posso deixar de reconhecer que as seqüências de kung fu e a trajetória das balas de revólver, que Keanu Reeves consegue desviar, são impressionantes e tornaram-se as marcas registradas do filme (foram satirizadas em Todo Mundo em Pânico, As Panteras, Shrek...). Além disso, destaco também as interpretações de Laurence Fishburne como Morpheus, o líder da resistência humana contra as máquinas, e a então estreante Carrie-Anne Moss como Trinity, parceira de Neo. O filme teve duas seqüências filmadas simultaneamente, tecnicamente superiores, mas com roteiros fracos e superficiais.

Por que gravei o filme: Gravei na HBO, e já havia assistido anteriormente no cinema. Matrix, na verdade, é um filme popular, todo mundo conhece e não é novidade para ninguém. É um filme de ficção científica, repleto de cenas de ação. Sem dúvida. É verdade também, que o filme arrecadou zilhões nas bilheterias, e que é prestigiado na maioria das vezes por adolescentes sem cultura, e que gostam apenas de ver pancadaria e violência na tela grande. Acredito que, por conta disso, as pessoas têm preconceito em assistir ao filme. Os mais cultos consideram o filme apenas como mais uma super-produção hollywoodiana de ficção científica. Claro que é uma super-produção, mas não podemos nos esquecer que Matrix tem referências filosóficas interessantes. Antes, poucos filmes haviam trabalhado com a idéia de uma possível associação entre o mundo e a Alegoria da Caverna (há, na verdade, "O Show de Truman" de Peter Weir, que também trata do tema). Portanto, o roteiro do filme também é inovador e curioso, mesmo que seja coadjuvante do show de efeitos especiais. Ambos, efeitos e roteiro, se completam, tornando Matrix uma produção acima da média. É necessário, portanto, as pessoas perderem o preconceito e encararem Matrix como o bom filme que ele é.

domingo, 11 de outubro de 2009

Salve Geral

Em 2006, quando ocorreram os ataques promovidos pelo PCC (Primeiro Comando da Capital), imaginei que esse fato poderia um dia virar uma produção cinematográfica. Não demorou muito, e o experiente cineasta Sérgio Rezende ("Lamarca", "Zuzu Angel") acabou assumindo a direção desse filme, roteirizado por ele mesmo e também por Patrícia Andrade.

Outro fato curioso é que esse foi o filme brasileiro escolhido para disputar uma vaga ao Oscar 2010, na categoria filme estrangeiro. Entretanto, após assistí-lo, comecei a questionar: por que justamente Salve Geral? Será que este ano foi muito fraco para o cinema nacional?

Vejam bem, o filme não é ruim, e apresenta temática que levanta o interesse de qualquer espectador (não podemos nos esquecer que o povo ainda é preconceituoso com fitas nacionais). A professora de piano, e também formada em direito, Lúcia (Andréa Beltrão) se encontra numa tremenda enrascada, quando seu filho (o estreante Lee Thalor) acaba matando, sem intenção, uma garota num racha. O rapaz vai preso, e sua mãe tenta de tudo para tirá-lo do inferno carcerário. Ela acaba conhecendo, por acaso, a advogada Ruiva (Denise Weinberg), que resolve ajudar Lúcia. Porém, o que professora de piano começa a descobrir aos poucos, é que Ruiva é filiada a um partido de presidiários, que intencionam provocar um grande alvoroço em São Paulo, caso seus desejos não sejam atendidos. Assim, Lúcia acaba se "infiltrando" no partido, levando recados de Ruiva para os presos, com o intuito de conseguir tirar o filho da cadeia. Até que finalmente explode a revolução do partido, em pleno dia das mães.

Mais uma vez, afirmo que a ideia do roteiro é interessante. O problema é que ele acaba se tornado bastante confuso, já que Rezende desenvolve diversas tramas paralelas entre os prisioneiros. Fora isso, as atitudes da protagonista acabam se tornando um tanto bizarras. Por exemplo, fica difícil de entender o que faz com que ela se envolva amorosamente com um dos líderes dos presos (na verdade, um dos possíveis "Marcolas" do filme, já que há pelo menos outros dois que possuem tal perfil). Enfim, mesmo inocentemente, ela acaba se tornando cumplíce da "máfia" dos criminosos, e por isso, fica muito complicado torcer por ela.

Andrea Beltrão foi bastante elogiada no papel da protagonista, mas não gosto muito da atriz em papéis dramáticos. Acho-a muito fria e neutra demais. Na verdade, ela não tem uma grande cena. Por outro lado, quem se destaca é a pouco conhecida Denise Weinberg (da minissérie "Maysa"), no papel da advogada Ruiva. Ela acaba sendo a alma do filme, e rouba as cenas. Os demais atores também atuam bem (Kiko Mascarenhas, Taiguara Nazareth, Eucir de Souza, Chris Couto...).

Em Salve Geral, Rezende fez uma crítica à corrupção policial, ao mostrar algumas parcerias entre bandido e polícia na promoção dos atentados, o que acabou sendo uma atitude corajosa. Aliás, em nenhum momento é citado o nome da facção, "PCC", que sempre é referenciada como o "partido". Mas, honestamente, acho praticamente impossível Salve Geral ser indicado ao Oscar. Os excessos de cenas de ação e os conflitos entre os personagens não irão satisfazer os americanos. Além disso, o tema inspirado em fatos reais, se teve alguma repersussão nos EUA, já caiu no esquecimento, sem dúvida. A conclusão apresenta um não merecido final feliz, e prejudica ainda mais o resultado. Enfim, vale a pena para discutir um momento aterrorizante que São Paulo sofreu recentemente, e pela presença marcante de Denise Weinberg. Mas Rezende já fez melhor. Boa noite!

TRAILER:

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

1 Ano de Arquivo Cinéfilo

Nem parece verdade, mas hoje completa exatamente 1 ano de existência, desse singelo e modesto blog sobre o meu hobbie predileto, os filmes. Apesar de ser bastante simplório, já publiquei 77 postagens nesse meu espaço. Ainda pretendo encrementá-lo e torná-lo visualmente melhor. Vamos aguardar... Até o instante, foram mais de 4.500 acessos. Pra mim, tá bom; afinal, não o divulguei muito...

Enfim, quero agradecer a todos que visitaram meu blog, principalmente os comentaristas, que enumero aqui por ordem de comentários publicados:

Rafel Saitar (29 comentários): Foi quem me aconselhou a abertura desse blog, meu grande amigo e irmão (criador do blog "The House of the Finarfin").

Leandro Souza (26 comentários): Outro amigão do peito (se não são os amigos pra comentar, rssssss). Ele também tem um blog interessante, "Divagações nos fragmentos das horas" , mas o blogueiro está virtualmete sumido.

Gisele (9 comentários): esposa também vale? É claro! te amo, meu amor!!!!!! Eternamente!!!

Déia (4 comentários): minha prima Andréia, e grande amigona também. Valeu!

Gladys POIE (2 comentários): a diretora da escola em que trabalho, o Alvino Bittencourt. Seu blog é "Gladys and scrapbooking".

Fernanda (2 comentários): minha ex-aluna do Loureiro Junior. Valeu, garota!

Rob Seixas (2 comentários): eu também posso comentar minhas postagens, né?

Aline Mubarack (1 comentário): a esposa do elfo, e minha amiga também (do blog "Tsubasa"). Brigaduuuuuuu!

Inkling (1 comentário): acho que é amiga do elfo, obrigado também!

Mariana Barioni (1 comentário): não sei quem é, mas me pediu emprestado o Short Cuts.
Desculpe eu não ter emprestado, tentarei ser mais atencioso na próxima vez!!!
Por fim, além do Rafel e da Gladys, o Rubão Almeida (do blog, "Da Boca Sai") e a professora Ana Paula (que trabalha comigo no Alvino) também acompanham meu blog. Agradecido!

É isso aí! O Arquivo Cinéfilo permanece. Continuem acessando, e comentem sempre! Obrigadão!!!

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Pequeno Dicionário Amoroso

( Brasil 1996 ). Direção: Sandra Werneck. Com Andréa Beltrão, Daniel Dantas, Mônica Torres, Tony Ramos, Glória Pires, José Wilker, Denise Fraga, Marcos Winter, Cristina Amadeo. 91 min.


Sinopse: Arquiteta e biólogo se conhecem por acaso em um cemitério, e começam a se relacionar. Com o passar do tempo, se casam e com essa nova rotina, surge a crise conjugal e a monotonia do casamento.

Comentários: São raras as comédias românticas brasileiras, e Pequeno Dicionário Amoroso demonstra que o nosso país também tem potencial e boas idéias para fazer fitas do gênero. O filme da promissora Sandra Werneck (que depois fez mais filmes) é leve, engraçado, despretensioso e bem humorado. Foge dos clichês habituais, típicos do cinema americano, e tem roteiro (de Paulo Helm e José Roberto Torero) original e feito para o público adulto. O ponto de partida é inovador: o relacionamento amoroso entre duas pessoas é narrado através de palavras ordenadas em ordem alfabética, e que são extraídas de um dicionário. Cada palavra apresenta semelhança com o cotidiano do casal. O roteiro pode até ser pessimista do ponto de vista matrimonial. Afinal, o casamento é visto como uma instituição falida, e o tédio e a rotina são os vilões que destroem a vida conjugal. Por outro lado, a fita traz uma mensagem positiva ao valorizar a busca do amor. Ou seja, se a infelicidade reina dentro de um casamento, não significa que nunca mais existirá uma possibilidade para se recomeçar a amar. E tudo isso é apresentado de uma forma descontraída e simpática. Os atores estão em forma, e apesar de Andréa Beltrão e Daniel Dantas formarem um casal meio desengonçado em cena, eles dão força e credibilidade aos personagens que interpretam. Além deles, Mônica Torres e Tony Ramos, por ora, roubam a cena como os respectivos amigos de Andréa e Daniel. Há também uma participação conveniente e simpática de Glória Pires, como uma cartomante e ex-esposa de Daniel. Outro ponto alto do filme são os diálogos, muito bem construídos e elaborados, que são utilizados com naturalidade pelos atores em cena. A impressão que dá ao espectador, é que se está assistindo a uma bela crônica de Luiz Fernando Veríssimo, sobre as confusões que o amor causa na vida de pessoas que saem em sua busca. Enfim, sem cair no melodrama, Pequeno Dicionário Amoroso é uma curiosa opção para quem procura novidades no gênero comédia romântica, principalmente por ser um filme brasileiro.

Por que comprei o filme: Pequeno Dicionário Amoroso saiu na coleção "Isto É Novo Cinema Brasileiro", coleção que eu tentei adquirir na íntegra, mas não consegui por problemas financeiros (semanalmente eu pagaria uns R$ 10,00 mais ou menos, na compra da fita e da revista). Assim, comprei a fita por valor reduzido em um Sebo. E reafirmo tudo que já havia dito anteriormente nos comentários: é um filme delicioso de se assistir, com argumentos inteligentes no roteiro e elenco em boa forma. Não precisa mais nada.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Up - Altas Aventuras

Era para eu ter assistido a esse filme no sábado com a Gisele, e com o casal de amigos Rafel e Aline. No entanto, tivemos contratempo no sábado, e eu e minha esposa fomos ver Up ontem. O que falar sobre essa simpática produlção da Pixar/Disney? Trata-se de uma história interessante, original e divertida. Mas admito que esperava um pouco mais.

O trailer já chamava a atenção, ao mostrar uma casa voando com um velhinho e um garoto oriental dentro. A partir de então, a perspectiva de muito humor e ação, num ponto de partida um tanto exótico, tomou conta da minha mente. O velhinho Carl Fredricksen, após o falecimento de sua amada esposa, e prestes a perder a casa, resolve realizar para si o sonho da falecida, que queria conhecer uma exuberante cachoeira localizada em algum lugar da América do Sul. Dessa forma, Fredricksen amarra centenas de balões no telhado de sua casa, e sai voando com o objetivo de chegar ao destino escolhido. Para sua maior surpresa, o garoto Russell embarca clandestinamente nessa viagem, e o velhinho precisa aprender lições de convivência com alguém que é o oposto dele.

Os diretores e roteiristas Pete Docter e Bob Peterson surpreendem o público com um início bastante comovente, quando nos deparamos com a infância de Fredricksen, desde pequeno, uma pessoa de poucas palavras. Em seguida, presenciamos o excepcional relacionamento dele com sua amada Ellie, a mulher de sua vida, que ele conheceu na infância. Tudo isso é mostrado de uma forma tocante e repleta de sensibilidade. Contudo, após a viagem, o filme muda um pouco o foco, e encontramos o mal-humorado Fredricksen, acompanhado do travesso Russell, em diversas aventuras pela América do Sul, onde encontram figuras um tanto bizarras, como cães falantes e um pássaro gigante (além de um humano vilão). Ou seja, o tom de humor absurdo que o trailer reservava, e a emoção que ocorre no primeiro momento do filme, são substituídos por cenas de ação e aventura típicas do gênero "Indiana Jones", e acompanhamos a nossa simpática dupla carregando (literalmente!) a casa pelas costas.

Não era exatamente o que eu esperava, pois estava imaginando uma narrativa no estilo "História Real" de David Lynch. Entretanto, esse tipo de história não agrada ao universo infantil, que é o público específico de Up. No todo não é tão emocionante assim, é um passatempo agradável e divertido. Tenho um amigo que, embora não seja muito adepto ao sentimentalismo, se emocionou e chorou em algumas cenas. Não acho que seja caso para choro, mas indico o filme para quem quiser tirar suas próprias conclusões. Gosto particularmente da cena em que a casa vai para o céu. Nesse momento, surgem os diversos balões que sustentam a casa, e brindam o público com um esplêndido festival de cores. O velhinho, na versão nacional (a única que está pasando nos cinemas), é dublado por Chico Anysio. Enfim, assistam Up - Altas Aventuras, e se preparem para cenas agradáveis e divertidas!

TRAILER:

sábado, 5 de setembro de 2009

Dia dos Pais

Há mais ou menos um mês atrás foi o dia dos pais. Na ocasião, eu já estava com essa postagem na cabeça, mas estava sem computador também. Bom, agora, próximo ao meu aniversário, resolvi postar esse texto que fala sobre dez filmes da minha coleção, que têm nas figuras paternas, os grandes heróis da sétima arte. Claro que dedico essa postagem ao meu saudoso pai, que faz muita falta na minha vida.

1) 2 Filhos de Francisco (2005), de Breno Silveira. Esse famoso campeão de bilheteria do recente cinema nacional conta a trajetória da popular dupla sertaneja, Zezé DiCamargo & Luciano. O protagonista, entretanto, é o seu Francisco do título, o pai da dupla, que foi interpretado por Ângelo Antônio. O filme narra todos os esforços e apuros que a dupla passou, desde a infância, para tirar a família da miséria. E graças ao incentivo e ao treinamento rigoroso do pai, os meninos se tornaram os grandes cantores que todo mundo conhece. Não sou fã da dupla, mas gosto muito do filme, que centraliza a narrativa nesse grande pai-coragem.

2) Um Ato de Coragem (2002), de Nick Cassavetes. Denzel Washington passa por momentos difíceis, quando seu filho de oito anos precisa urgentemente de um transplante de coração para sobreviver. Como seu plano de saúde não cobre o transplante, e após diversas tentativas frustradas para levantar o dinheiro necessário, acaba mantendo médicos e pacientes como reféns no hospital, com o intuito de negociar com a polícia a liberdade destes pela vida de seu filho. Enfim, apesar do ato criminal, mais um grande pai-coragem para a nossa galeria.

3) A Cor da Fúria (1995), de Desmond Nakano. Filme pouco conhecido, mas muito interessante, sobre o racismo às avessas. Um trabalhador branco (John Travolta) é demitido de seu emprego pelo patrão negro (Harry Belafonte), por mero preconceito racial. Para escapar do estado de miserabilidade total, e sustentar o casal de filhos pequenos e a esposa, Travolta acaba por sequestrar o patrão, nesse polêmico filme sobre conflito etnico-social. Pode-se dizer também, que é um filme sobre o sacrifício em que um pai se vê submetido, para garantir a vida dos filhos.

4) Disposto a Tudo (1994), de James L. Brooks. Outra raridade do cinema, o filme menos famoso do cineasta Brooks. Nick Nolte interpreta um ator decadente, que descobre ser pai de uma garotinha de cinco anos. A situação se complica quando ele descobre que precisa cuidar da filha, pois a mãe passará uma temporada na cadeia. A partir de então, terá de aprender o ofício da arte de ser pai. Trata-se de uma comédia dramática cativante e divertida, sobre as dificuldades de adaptação e relacionamento entre pai e filha.

5) O Império Contra-Ataca ( 1980), de Irvin Kershner. Ok, o tema desse clássico da ficção científica não é sobre paternidade, nem coisa afim. Mas, parece óbvia a inclusão desse filme na lista. Afinal, essa sequência de Guerra nas Estrelas (que não foi dirigida por George Lucas!) surpreendeu diversas plateias com uma das maiores revelações do cinema, quando o popular e carismático vilão Darth Vader anuncia para o herói: Luke, eu sou seu pai! Esse filme não poderia ficar distante da minha lista...

6) Ladrões de Bicicleta (1948), de Vittorio de Sica. Clássico do realismo italiano, esse filme (já postado aqui) é uma obra-prima da sétima arte. Mostra a trajetória de um pai de família que passa por diversos apuros, ao tentar recuperar a bicicleta que acabara de vender, pois necessita dela para trabalhar em seu novo ofício. Uma das cenas que mais emociona, é aquela em que o pai, convincentemente interpretado por Lamberto Maggiorani, incompreendido por todos, é mal tratado pelas pessoas em praça pública, e recebe apenas o afeto do filho que corre em sua defesa. Uma grande lição de vida!

7) Mr. Holland - Adorável Professor (1995), de Stepehen Herek. Ricahrd Dreyfuss interepreta um compositor que resolve trabalhar em uma escola como professor de música, temporariamente, para sustentar a esposa e o filho deficiente (por ironia do destino, surdo-mudo) e pagar o aluguel do apartamento. O contraste que pode existir entre a música (o pai) e o silêncio (o filho) é mostrado de forma singela nesse belo filme, que deu a Dreyfuss uma indicação ao Oscar de melhor ator. A cena mais comovente, é quando o pai dedica ao filho, na linguagem de libras, a canção "Beautiful Boy", de John Lennon.

8) O Pai da Noiva (1991), de Charles Shyer. O tema também abre as portas para comédias. Steve Martin, no papel título, diverte o público com os excessos de paranóia e crise emocional, ao descobrir que a única filha está prestes a casar. Diversão garantida e um pai bem-humorado, pra ninguém botar defeito.

9) Tempo de Matar (1996), de Joel Schumacher. Na racista Mississipi dos anos 60, um homem negro (Samuel L. Jackson) resolve fazer justiça com as próprias mãos, ao matar à queima-roupa, dois homens brancos que estupraram sua filha de onze anos. Filme forte e polêmico, que leva ás últimas consequências a fúria de um pai em busca de justiça. Ótima interpretação de Jackson.

10) A Vida é Bela (1998), de Roberto Benigni. Finalizo com essa popular produção italiana, dirigida e estrelada por Benigni. Ambientado na segunda guerra mundial, o filme mostra a capacidade criativa que um homem judeu desenvolve, ao tentar convencer seu filho que não existe nenhuma guerra. Com mistura de humor e tragédia, Benigni personificou um pai exemplar que, ao esconder do filho os horrores da guerra, tenta convencê-lo de que a vida é bela. Grande filme!

Paro por aqui, uma boa noite a todos. E, apesar de atrasado, feliz dia dos pais! Pai, te amo!!!!!