segunda-feira, 5 de abril de 2010

Gangues de Nova York

( EUA 2002 ). Direção: Martin Scorsese. Com Daniel Day-Lewis, Leonardo DiCaprio, Cameron Diaz, Jim Broadbent, Henry Thomas, John C. Reilly, Brendan Gleeson, David Hemmings, Liam Neeson. 166 min.

Sinopse: No século XIX, em Nova York, duas gangues rivais se enfrentam: Os Nativistas e os Coelhos Mortos, liderados por um padre e com participação das massas carentes. O líder dos nativistas, corrupto e cruel, assassina o líder da outra gangue. Anos depois, o filho do assassinado, de descendência irlandesa, resolve se vingar e reorganiza a gangue.

Comentários: Super-produção da Miramax indicada a dez Oscar: filme, diretor, ator (Daniel Day-Lewis), roteiro original (de Jay Cooks, Steven Zaillian e Kenneth Lonergan), fotografia, figurino, direção de arte, montagem, som e canção, mas não ganhou nada. A maior surpresa, entretanto, foi a não premiação de Martin Scorsese como melhor diretor de 2002, já que essa categoria era uma das únicas que o filme disputava como favorita. Quem ganhou, na ocasião, foi Roman Polanski, por "O Pianista", aliás, outro cineasta normalmente esquecido pela Academia. Na verdade, Scorsese era o favorito na categoria, não exatamente pelo filme, mas sim pelo conjunto da obra, já que ele é um grande cineasta e nunca tinha sido premiado pela academia. E certamente, o famoso diretor de "Taxi Driver - Motorista de Táxi"e "Os Bons Companheiros" fez filmes melhores antes de "Gangues", e também depois (O Aviador, Os Infiltrados). Ou seja, o Oscar não surgiu na hora errada. Em relação ao filme, Gangues de Nova York trás um eficiente trabalho de direção de arte, na reconstituição da Nova York dos anos mil e oitocentos, com bons figurinos e fotografia. O roteiro é inspirado em fatos que marcaram a história nova-iorquina, e oferece cenas bem violentas e sangrentas. Daniel Day-Lewis também era favorito no Oscar (e também perdeu por um ator de "O Pianista", Adrien Brody), e está muito bem como o vilão Bill Cutting, bem sádico e sanguinolento (além de assassino, o personagem é açougueiro). Ele está um tanto irreconhecível com bigodão, e um pouco exagerado em algumas cenas. Leonardo DiCaprio se consagrou em 2002 como um dos atores mais detestados pela academia de artes e ciências cinematográficas, que não indicou o rapaz ao Oscar. Num ano em que ele se destacou em dois filmes (o outro é Prenda-me se For Capaz, de Spielberg), Leonardo demonstrou que realmente é um bom ator (apesar da voz um tanto enjoada), e merecia uma indicação. E a bela Cameron Diaz, no papel de uma ladra trapaceira, surge como a moça dividida entre os dois astros centrais. Scorsese fez em seu filme uma analogia às guerras da era Bush, ao mostrar, paralelamente entre as brigas de gangues, o alistamento obrigatório para a guerra civil do governo Lincoln. O que se destaca na cena, é a resistência dos pobres, que organizam passeatas e tentam fazer valer o direito de não irem para a guerra. Claro que as conseqüências disso são lamentáveis e desfavoráveis às classes mais baixas (sobretudo, aos negros). Enfim, Gangues é um filme que denuncia a guerra e o racismo (os irlandeses imigrantes também são vítimas da intolerância racial), mas sem ser anti-patriota. Afinal, na conclusão, Nova York é consagrada e enaltecida, vista como um local que, apesar das sangrentas batalhas, conseguiu se recompor e se tornou uma das cidades mais ricas do mundo. E é também um filme que tem como ideal a justiça com as próprias mãos: ou seja, o herói sofre bastante, inocentes morrem, ficamos com ódio de Day-Lewis que está sempre por cima... mas, no final, os vilões pagam caro por suas maldades. Concluindo, Gangues é um bom filme, mas não excelente, bastante arrastado, longo, violento, confuso e sem grandes surpresas.

Por que gravei o filme: Admiro o conjunto da obra de Martin Scorsese, por isso gravei o filme no Max Prime. E mesmo não sendo o meu filme favorito de Scorsese, gostei da mensagem que a fita acabou trazendo (mesmo sem saber se foi ou não intencional) contra as guerras. E os atores estão competentes nos papéis, até mesmo Liam Neeson, que tem participação pequena como o padre que lidera a "gangue do bem" na primeira parte do filme. E, por fim, o filme se sustenta como um bom épico de aventura, com cenas de batalha bem elaboradas, e garante o entretenimento.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Ilha do Medo

Conforme havia mencionado na postagem anterior, no último sábado assistimos Ilha do Medo, o novo filme de Martin Scorsese. Como gosto muito do cineasta, já aguardava assistir ao filme com alguma expectativa. E admito: gostei.

Scorsese é aquele tipo de diretor que faz de tudo: ainda que, frequentemente, dirija filmes de gângsters (Os Bons Companheiros, Cassino, Os Infiltrados), já fez comédia (Depois de Horas), drama romântico (A Época da Inocência), biografia (O Aviador) e até terror (Cabo do Medo). E está de volta no gênero sobrenatural com esse suspense acima da média.

Leonardo DiCaprio (atualmente, o ator predileto do diretor) interpreta o policial Teddy Daniels que, junto com seu parceiro, Chuck Aule (Mark Ruffalo, de E Se Fosse Verdade), é convocado para investigar o misterioso desaparecimento de uma mulher chamada Rachel, uma paciente de um hospital psiquiátrico, localizado numa ilha chamada Shutter. A história se passa nos anos 50, e enqaunto DiCaprio tenta solucionar o mistério, é assombrado por alucinações do passado, em que recorda sua atuação profissional contra os nazistas, e a morte acidental de sua esposa, Dolores Chanal (Michelle Williams), que morreu queimada no prédio em que moravam. As coisas se complicam, quando o policial começa a desconfiar que está envolvido numa possível cilada.

Com muitas reviravoltas no roteiro, escrito por Laeta Kalogridis ( e adaptado do livro de Dennis Lehane), além de contar com boa direção de arte e fotografia, Ilha do Medo surpreende o espectador, por conta de algumas pistas falsas que a trama apresenta e que, aos poucos, vai mostrando onde quer chegar. A conclusão pode desagradar àqueles que esperam um suspense previsível e com desfecho feliz para o herói. Isso pode ocorrer facilmente, porque o tempo todo estamos torcendo para DiCaprio solucionar o mistério. Mas, Scorsese, reserva algumas surpresas no desenvolvimento da história, que lembra um pouco produções como O Sexto Sentido, Os Outros e Identidade. Espero não estar revelando nada; em todo caso, relaxem: DiCaprio não é um morto-vivo, que depois descobre que morreu.

No elenco, destaque também para a participação de Patricia Clarkson que, apenas em uma cena, desenvolve uma personagem interessante, e que trás informações surpreendentes para a história. Talvez se a personagem surgisse novamente, próximo ao fim, o filme tomaria um rumo mais agradável ao espectador. Os veteranos e excelentes Ben Kingsley e Mas Von Sydow, interpretam os médicos/diretores do hospital, que tornam-se obstáculos para as investigações de DiCaprio. E Jackie Earle Haley ( o novo Freddy Krueger, da nova safra A Hora do Pesadelo ) faz um lunático, que apresnta algumas pistas para o desfecho. Paro por aqui, estou revelando muita informação.

Enfim, Ilha do Medo é um thriller eficiente, muito bem dirigido e protagonizado, e que prenderá a atenção dos fãs do gênero. Após a conclusão do filme, existe a possibilidade de diversas leituras alegóricas sobre a personagem de DiCaprio. Recomendo com o maior prazer. Abraços!

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sábado, 13 de março de 2010

Idas e Vindas do Amor

Sábado passado foi um dia excelente pra ir ao cinema: uma tarde bem típica de inverno, em pleno verão. Até que num clima desses, uma comédia romântica cai muito bem. E o título acima, eu e minha esposa assistimos no habitual Santana Park Shopping. Quanto ao filme? Obviamente previsível, mas nunca deixa de ser um passatempo atraente, sobretudo por conta do elenco estelar.

Nunca escondi que gosto de filmes com diversas histórias paralelas; normalmente, aprecio tramas mais dramáticas, como Short Cuts - Cenas da Vida, de Robert Altman; Magnólia, de Paul Thomas Anderson; e Bobby, do ator Emílio Estevez, só pra citar alguns; Mas, a referência óbvia desse filme, é a comédia inglesa Simplesmente Amor, também com grandes nomes em seu elenco, e que se saiu melhor. Na verdade, o que faltou em Idas e Vindas do Amor foram cenas mais cômicas e divertidas. Ainda assim, é um filme leve e agradável, mais amado pelas mulheres (mas não aborrece os homens), e dirigido pelo especialista do gênero, Garry Marshall (de Uma Linda Mulher), e roteirizado por Katherine Fugate.

Qual a sinopse? Bom, no dia dos namorados ( o Valentine´s Day, do título original ), várias tramas paralelas de casais apaixonados, ansiosos e envolvidos com encontros, desencontros e vários obstáculos na Los Angeles da atualidade. Nesse cenário, temos o dono de uma floricultura, Ashton Kutcher, tremendamente feliz, pois sua noiva Jessica Alba aceitou seu pedido de casamento; a professora Jennifer Garner, feliz da vida com o novo namorado Patrick Dempsey; o casal de velhinhos Hector Elizondo e Shirley MacLaine, comemorando anos e anos de casamento, e por aí vai... Claro que não é tudo bonitinho assim, pois obstáculos, traições e reviravoltas tomam conta da vida de todas as personagens.

Não há, portanto, um protagonista, pois muitas personagens se destacam (algumas, nem tanto). A estrela Julia Roberts, por exemplo, aparece como uma tenente que divide o acento do avião com um ricaço; o novo galã das meninas, Taylor Lautner, está feioso e despercebido como um adolescente atleta e meio bobão. Gosto particularmente dos papéis curiosos das atrizes Anne Hathaway, que interpreta uma atendente de tele-sexo, e que trabalha com o celular em qualquer horário e local, e Jessica Biel, que faz uma mulher que promove um encontro com todos aqueles que, como ela, odeiam o dia dos namorados. Entretanto, ao meu ver, o casal central acaba sendo Ashton Kutcher e Jennifer Garner, que embora apenas amigos, têm destino altamente previsível. Previsibilidade, aliás, é a palavra para o filme. Apesar de algumas reviravoltas interessantes, é daqueles filmes que todos sabem como deve terminar; por isso, não é nada especial, mas entretém.

Enfim, indico a película para os casais românticos e apaixonados. Ainda prefiro Simplesmente Amor, mas Marshall é especialista em tramas sobre casais apaixonados. Agora, estou de saída: assistirei Ilha do Medo, de Martin Scorsese. Um grande abraço a todos.

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sábado, 6 de março de 2010

Constantine

( EUA 2005 ). Direção: Francis Lawrence. Com Keanu Reeves, Rachel Weisz, Shia LaBeouf, Djimon Hounsou, Max Baker, Peter Stormare, Pruitt Taylor Vince, Tilda Swinton. 121 min.

Sinopse: John Constantine é um exterminador de demônios, tipo um exorcista. Após a misteriosa morte de uma mulher, ele se une à irmã gêmea dela, uma policial, na investigação do homicídio. Ao mesmo tempo, se depara com criaturas malignas que pretendem trazer à terra, o filho de Satã.

Comentários: Baseado em quadrinhos, Constantine apresenta eficientes cenas de ação, e uma excelente direção de arte, sobretudo na composição do inferno. Entretanto, o roteiro adaptado por Kevin Brodbin e Frank Cappello é bastante confuso e não esclarece muito bem a relação existente entre as gêmeas e as criaturas. Enfim, porque que elas são perseguidas? O fato de uma delas ter o dom de ver fantasmas não é tão esclarecedor. Quem interpreta as irmãs é Rachel Weisz, antes do Oscar por "O Jardineiro Fiel", na ascenção de seu estrelato. Faz parceria com Keanu Reeves, canastrão como sempre. A novidade é que aqui ele faz umas expressões faciais que o torna bem esquisito, além de fumar excessivamente. Mas continua inconvincente. No elenco, também estão Djimon Hounsou, no papel de um barman que estabelece relações com os fantasmas, e a estranha Tilda Swinton como o anjo Gabriel (!). O que garante o interesse no filme, realmente, são os duelos que são travados entre Reeves e as criaturas malignas. Além disso, o clima de histórias em quadrinhos também chama a atenção, sobretudo do público que curte esse gênero. Ou seja, fica claro que, apesar do tema, não é terror, e sim ação. Após os intermináveis letreiros finais, o filme reserva uma surpresa envolvendo um dos personagens. Constantine, portanto, agradará aos adolescentes, mas decepcionará àqueles que esperam uma trama mais séria, no estilo Advogado do Diabo (também com Reeves) ou O Bebê de Rosemary.

Por que gravei o filme: Não vi Constantine nos cinemas, porque já havia intuído que não se tratava de um suspense com trama sobrenatural e assustadora, apesar do chamativo "pôster"que dá uma impressão errada ao filme. Em todo caso, gravei na HBO2, mais pelo fato de Constantine ser um blockbuster campeão de audiência, do que por ele mesmo. Mas Constantine não é de todo ruim, e apresenta alguns shows de bizarrices que chamam a atenção (sobretudo no personagem de Tilda). Keanu Reeves está tão canastrão, que até funciona na tela. Afinal, o personagem dele é tão canastra como o ator, que eu não consigo imaginar outra pessoa vivendo Constantine. No fim, também gosto das cenas de ação, e por isso o filme permanece na minha videoteca.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

O Lobisomem

Faz uma semana que assisti a esse filme no cinema. Nunca demorei tanto tempo para postar um filme inédito que vejo na tela grande, mas as férias foram embora, o que dificultou um pouco a minha pontualidade no blog. Esse filme, eu e a Gisele assistimos no Shopping Aricanduva, quando não conseguimos entrar na piscina do Sesc Itaquera... Assistimos no Cinemark do Interlar, onde as salas são muito ruins!

Bom, o filme é um passatempo agradável, alternando momentos de humor e outros aterrorizantes (achei um tanto sangrento demais). Trata-se de uma refilmagem do clássico de 1942, estrelado por Lon Chaney Jr., Claude Rains e Bela Lugosi. Aqui, quem interpreta o personagem título é Benicio Del Toro, que se enquadra bem no papel, mesmo não tendo pinta de galã (o pior é que ele tenta convencer). Enfim, Del Toro surge na Inglaterra vitoriana após descobrir que seu irmão fora brutalmente assassinado por algo ou alguém, que não parece ser humano. Hospeda-se no castelo de seu pai ( Anthony Hopkins, com seu típico humor britânico ), e se apaixona pela viúva de seu irmão ( Emily Blunt, que apesar de apática aqui, está se tornando estrela ). Sua vida se modifica, quando é atacado por um lobo. E todo mundo sabe o que acontecerá quando surgir a lua cheia...

O cineasta Joe Johnston ( do espetacular Jumanji ) trabalhou propositalmente com uma fotografia escurecida, com o intuito de apresentar um clima perturbador e sombrio. Eu ainda não assisti a produção original de 42, mas o roteiro de Andrew Kevin Walker e David Self seguiu, linearmente, a história do filme anterior. Como disse no início, achei bastante violento para um "terror de época", no estilo "Drácula de Bran Stoker (1992)" ou "Frankenstein de Mary Shelley (1994)". Entertanto, O Lobisomem , mesmo que esquecível, cumpre seu tempo de projeção e entretém o público. Ainda no elenco, o australiano Hugo Weaving (o melhor do filme) no papel do detetive, e a filha do grande Chaplin, Geraldine Chaplin, como uma cigana. Enfim, não há muita coisa a ser dita sobre o filme; achei razoável. O que irrita, de fato, é a deixa, na conclusão, para a possibilidade de uma nova sequência. Infelizmente, isso parece inevitável. Até a próxima!

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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Premonição 4

Meus leitores mais constantes sabem que eu gosto de falar sobre os motivos que me levaram a assistir tal filme. Eu e minha esposa fomos ao Shopping Bourbon ver se tinha alguma coisa interessante, mas não havia nada que nos agradasse. Pretendo deixar para assistir o tão aguardado "Alice no País das Maravilhas", do Tim Burton, nas salas IMAX. Aí sim, valerá a pena! Bom, o jeito foi ir ao Center Norte, e o filme que leva o título da postagem foi o que assistimos (em 3D, ainda por cima!).

Não achei tão empolgante assistir Avatar em 3D, mas esse ainda é um filme digno. O meu fraco por filmes de terror fez com que eu pensasse: o 3D valerá a pena. Como estive enganado... Como um bom cinéfilo que se preze, eu sei que sequências de filmes de terror são descartáveis. Mas, o que acaba valendo uma espiada, são as cenas de morte que são mais originais e impactantes. Até isso decepciona... O diretor David R. Ellis e o roteirista Eric Bress, que trabalharam juntos em "Premonição 2" demonstram preguiça e total falta de criatividade, nessa continuação que repete todas as fórmulas dos três filmes anteriores: sempre alguém tem uma premonição, "vê" o desastre que ocorrerá no futuro, tenta alertar as pessoas, não é ouvido, e a morte se prepara para realizar sua função...

Em outras palavras, o filme dispensa comentários; apenas estou postando, porque prometi a mim mesmo, que postaria tudo que assistir na tela grande. Apenas menciono que dessa vez, o cenário escolhido pela morte é uma pista de carros de corrida. Há até uma tentativa de surpresa no fim, mas ela acaba mais aborrecendo do que agradando. No elenco de nomes desconhecidos, o nome mais famoso é do ator negro Mykelti Williamson, que interpreta um guarda, e que fez o amigo retardado mental de Tom Hanks em "Forrest Gump - O Contador de Histórias". Finalizando, economizem o dinheiro e façam algo mais interessante. Abraços!

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terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

OSCAR 2010 - indicados

Muitas vezes, eu me pergunto: por que existem premiações como o Oscar? Ou melhor: por que essa insistência em indicar cinco personalidades em cada categoria, sendo que todo mundo já sabe quem vai vencer? Não há suspense algum (raramente, acontece alguma zebra). Deveriam premiar logo, sem indicações. Mas se fosse assim, os americanos não iriam achar graça nenhuma na cerimônia.

Na categoria melhor filme, por exemplo, dessa vez cometeram o absurdo de indicar 10 filmes. Grande asneira! Todo mundo sabe que a disputa está entre Avatar e Guerra ao Terror. Indicar outros três já é inócuo, imagina mais oito! Enfim, os outros que são no mínimo "indicáveis" são: Amor Sem Escalas, Preciosa - Uma História de Esperança e o meu favorito, Bastardos Inglórios, que ficará a ver navios. Quem completa o time nas indicações são o interessante Educação, o amalucado Um Homem Sério (apenas para prestigiar os irmãos Coen), os desnessários Um Sonho Possível e Distrito 9, e o simpático Up - Altas Aventuras. Este, pelo menos, ganhará como melhor animação!

Quanto aos diretores, a briga também será entre Avatar (James Cameron) e Guerra ao Terror (Kathryn Bigelow), óbvio. James Cameron já ganhou Oscar antes, e já arrebatou o globo de ouro; e Kathryn, sua ex-esposa, é apenas a 4ª mulher a ser indicada como diretora. As outras três (Lina Wertmuller, Jane Campion e Sofia Coppola) não ganharam. Se Kathryn ganhar, será um fato inédito na Academia. Em todo caso, não sei se o filme dela é tudo isso que dizem... Os que completam a lista para ficar de enfeite são: Lee Daniels (Preciosa - Uma História de Esperança), Jason Reitman (Amor Sem Escalas) e Quentin Tarantino (Bastardos Inglórios).

Agora comentarei sobre os astros e estrelas:

atores:

Jeff Bridges: 60 anos, 5ª indicação. Foi indicado antes em 71 (A Última Sessão de Cinema, coadjuvante), 74 ( O Último Golpe, coadjuvante), 84 ( Starman - O Homem das Estrelas, principal ) e 2000 ( A Conspiração, coadjuvante ). Um ator bastante querido por Hollywood, e que dessa vez ganhará a estatueta pela 1ª vez por Coração Louco.

George Clooney: 48 anos, 3ª indicação. Foi indicado antes em 2005 ( Syriana, coadjuvante, ganhou ), e 2007 ( Conduta de Risco, principal ). Agora concorre por Amor Sem Escalas. Um filme simpático, em que o astro está bastante carismático, como de costume. Apenas isso. Mas é também, obviamente, muito querido pelos americanos.

Colin Firth: 49 anos, 1ª indicação. Esse ótimo ator inglês foi indicado pelo filme Direito de Amar. Muitos dizem que, se houvesse justiça, ele ganharia. E realmente merece, já que é um ator esplêndido. Mas ficará apenas na indicação.

Morgan Freeman: 72 anos, 5ª indicação. Foi indicado antes em 87 ( Armação Perigosa, coadjuvante ), 89 ( Conduzindo Miss Daisy, principal ), 94 ( Um Sonho de Liberdade, principal ) e 2004 ( Menina de Ouro, coadjuvante, ganhou ). Agora interpreta ninguém mais, ninguém menos que Nelson Mandela, em Invictus. Ouço falar de sua grande performance, mas têm poucas chances ao prêmio.

Jeremy Renner: 39 anos, 1ª indicação. Ator pouco conhecido, mas que já atuou em muitos filmes e seriados. Concorre por sua atuação em Guerra ao Terror. Essa indicação, certamente, servirá para promover sua carreira. Apenas isso já é prêmio.

atrizes:

Sandra Bullock: 45 anos, 1ª indicação. Nunca pensei que um dia Sandra Bullock seria indicada ao Oscar. E o mais engraçado é que ela é a favorita a estatueta. Também pudera: é a única estrela do momento, indicada ao Oscar. Ela concorre pelo filme Um Sonho Possível. De fato, seu sonho se concretizará!

Helen Mirren: 64 anos, 4ª indicação. Foi indicada antes em 94 ( As Loucuras do Rei George, coadjuvante ), 2001 ( Assassinato em Gosford Park, coadjuvante ) e 2006 ( A Rainha, principal, ganhou ). Agora concorre por A Última Estação. Definitivamente, Helen é uma das melhores atrizes inglesas, uma grande dama das telas. Mas ela já ganhou a pouco tempo, e não deve ganhar de novo.

Carey Mulligan: 24 anos, 1ª indicação. Jovem atriz que estreou em 2005 com o filme Orgulho e Preconceito. Pode se tornar estrela em breve, pois seu nome já consta em diversas produções. A indicação já está ajudando sua carreira.

Gabourey Sidibe: 26 anos, 1ª indicação. Desconhecida atriz negra ( participou apenas de alguns seriados )que foi indicada pelo filme Preciosa- Uma História de Esperança. Dificilmente ficará famosa, já que foge do esteriótipo das estrelas hollywoodianas; mas está muito comovente no filme em que recebeu a indicação.

Meryl Streep: 60 anos, 16ª indicação. Foi indicada antes em 78 ( O Franco Atirador, coadjuvante ), 79 ( Kramer vs. Kramer, coadjuvante, ganhou ), 81 ( A Mulher do Tenente Francês, principal ), 82 ( A Escolha de Sofia, principal, ganhou ), 83 ( Silkwood - Retrato de Uma Coragem, principal ), 85 ( Entre Dois Amores, principal ), 87 ( Ironweed, principal ), 88 ( Um Grito no Escuro, principal ), 90 ( Lembranças de Hollywood, principal ), 95 ( As Pontes de Madison, principal ), 98 ( Um Amor Verdadeiro, principal ), 99 ( Música do Coração, principal ), 2002 ( Adaptação, coadjuvante ), 2006 ( O Diabo Veste Prada, principal ) e 2008 ( Dúvida, principal ). Ufa... ! Agora foi indicada por Julie & Julia. Meryl é definitivamente a grande recordista de indicações ao Oscar! Quando será que vão parar de indicá-la? E quando, finalmente, ganhará seu 3° Oscar? É a única que tem alguma possibilidade de tirar a estatueta de Sandra Bullock. Vamos aguardar...

atores coadjuvantes

Matt Damon: 39 anos, 2ª indicação. Foi indicado antes em 97 ( Gênio Indomável, principal ). Agora foi indicado por Invictus. Não terá grandes chances, mas já teve a oportunidade de ser indicado novamente, após 12 anos.

Woody Harrelson: 48 anos, 2ª indicação. Foi indicado antes em 96 ( O Povo Contra Larry Flynt, principal ). Concorre pelo filme O Mensageiro. É um bom ator, ás vezes caricato, mas é correto. Mas também não vai ganhar nada.

Christopher Plummer: 80 anos, 1ª indicação. É impressionante, mas esse veteraníssimo ator, que já atuou em centenas de filmes, só agora conseguiu sua 1ª indicação por A Última Estação. Até merecia ganhar pela carreira, mas também não será premiado.

Stanley Tucci: 49 anos, 1ª indicação. O famoso coadjuvante que todo mundo conhece de rosto, mas nunca recorda o nome. Ator simpático, concorre por Um Olhar no Paraíso. E outro que ficará de mãos abanando.

Christoph Waltz: 53 anos, 1ª indicação. Pra que tanto suspense? Todos sabem que esse ator austríaco pouco conhecido levará o prêmio por sua atuação em Bastardos Inglórios. Mas ele merece; foi de fato uma excelente interpretação!

atrizes coadjuvantes

Penelope Cruz: 35 anos, 3ª indicação. Foi indicada antes em 2006 ( Volver, principal ) e 2008 ( Vicky Cristina Barcelona, coadjuvante, ganhou ). Agora concorre por Nine. Dificilmente, levará uma 2ª estatueta em tão pouco tempo. Mas, essa espanhola se tornou, de fato, uma grande estrela!

Vera Farmiga: 36 anos, 1ª indicação. Gosto bastante dessa atriz, que agora está conquistando seu lugar ao sol. Foi indicada por Amor Sem Escalas. A indicação já pode ser considerada um prêmio, porque não ganhará ainda.

Maggie Gyllenhaal: 32 anos, 1ª indicação. Essa jovem atriz deveria ter sido indicada alguns anos atrás por Secretária. Como isso não ocorreu, Hollywood encontrou um jeito de lhe pedir desculpas. Sua indicação foi a maior surpresa: a única dos 20 atores, que não foi indicada nem no globo de ouro, nem no SAG. E, claro, aqui não vai ganhar nada. Concorre por Coração Louco.

Anna Kendrick: 24 anos, 1ª indicação. Mais uma jovem promissora tentando o sucesso em Hollywood. Ainda pouco conhecida, atuou em Crepúsculo, e aqui concorre por Amor Sem Escalas. Ela tem talento, mas não será dessa vez.

Mo`Nique: 42 anos, 1ª indicação. Popular apresentadora de tv (menos que Oprah Winfrey) é a grande favorita por sua performance em Preciosa - Uma História de Esperança. É praticamente impossível ela não vencer, já que arrebatou todos os prêmios.

Bom, essas são minhas apostas! Vamos aguardar a transmissão do Oscar, no início de março. Um forte abraço!