sábado, 10 de julho de 2010

A Saga Crepúsculo: Eclipse

Apesar de minhas fracassadas tentativas de recusa, não teve jeito: minha amada esposa me obrigou a assistir esse terceiro episódio da série ( e obviamente, não escaparei dos próximos), e tivemos as companhias das amigas Carol e Jennifer. É claro que a saga entretém e até diverte, mas cada vez mais me aborreço com essa baboseira adolescente...

O que eu poderia colocar como sinopse? Nada de mais: a sonsa Bella (Kristen Stewart) continua sendo o vértice do triângulo amoroso que inclui o vampiro Edward (Robert Pattinson) e o lobisomem Jacob (Taylor Lautner). Os rapazes não se bicam, evidentemente, mas se unem com o intuito de proteger a "donzela" da fúria da vampira do mal, Victoria (Bryce Dallas Howard), e de um novo comparsa dela, Riley (Xavier Samuel).

Ou seja, nada de especial. O cenário continua o mesmo dos filmes anteriores, Lautner continua a ficar sem camisa naquele tremendo frio de rachar (uma escrachada campanha de marketing para promover os dotes físicos do rapaz... Como as adolescentes de hoje estão histéricas, Meu Deus!), Pattinson continua apático, e mais anêmico ainda, e a tonta da Kristen Stewar continua... tonta! Aliás, nessa altura do campeonato, eu me questiono: é a atriz ou a personagem que é tonta? Ela persiste em ficar com aquele perfil irritante e com a boca aberta o tempo todo! Fica difícil imaginar que ninguém tenha percebido isso, e deixá-la permanecer desse jeito. Concluo, afinal, que ambas, personagem e atriz, são tontas!

Fora isso, o roteiro de Melissa Rosenberg desenvolve melhor a ação de alguns personagens secundários, que relembram fatos do passado, como é o caso da vampira Rosalie ( Nikki Reed) e o Dr. Carlisle Cullen ( Peter Facinelli ). Dakota Fanning, como a vampira Jane, tem mais destaque em cena, e Bryce Dallas Howard (de "A Vila"), substituiu a atriz que fazia a Victoria nos filmes anteriores. Aliás, foi a melhor coisa desse episódio. Quem foi o responsável por essa segunda sequência foi David Slade (que fez o surpreendente e polêmico "Menina Má.com"), que acrescenta mais tensão e sustos, pelo menos em alguns instantes.

Enfim, a série não é ruim (nem mesmo esse episódio). Mas essa febre toda já passou dos limites, e os protagonistas já passaram do patamar de insuportáveis. Espero que as duas últimas partes ("Amanhecer I e II") tragam algum interesse maior, embora creio que seja difícil. Em todo caso, o diretor, Bill Condon, é bom. Vamos aguardar... Até!

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terça-feira, 22 de junho de 2010

Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo

Não me considero um comentarista extremamente chato, e nem creio que eu seja exigente demais com os filmes. Reclamo demais de clichês, é verdade, mas eu sei que eles são inevitáveis. E se o filme cumpre sua missão de entreter o público de uma forma ousada, descontraída, emocionante e divertida, então os clichês são bem-vindos! Refiro-me ao filme que consta no título da postagem, que assisti sábado passado no Bourbon, com minha esposa Gisele, e o casal de amigos, Rafel e Aline.

Ambientado no século VI, mostra a luta do príncipe Dastan (Jake Gyllenhaal), que é acusado injustamente de ter assassinado o próprio pai, em provar sua inocência. Por isso, ele foge e recebe a ajuda da princesa Tamina (Gemma Arterton), que por sua vez, tem a missão de guardar as areias do tempo, inseridas em uma adaga mágica. Tal adaga, por seu extremo valor, é cobiçada por muitos homens, e Dastan descobre que existe uma relação entre ela e o assassinato de seu pai.

Pensei que não fosse gostar do filme, pois normalmente não aprecio as adaptações de games para as telas. O início, aliás, é puro videogame. O herói luta com diversos adversários ao mesmo tempo, enquanto passa por inúmeros obstáculos. São cenas impressionantes e espetaculares, com um belo visual (aliás, a fotografia de todo o filme é esplêndida). Todavia, para os leigos em games (como é o meu caso), tais cenas soam um tanto cansativas. Mas os roteiristas Boaz Yakin e Doug Miro, felizmente, não se prendem à cenas de batalhas interminávies. Desenvolvem no roteiro humor, aventura e suspense em doses certas. Tive a impressão de estar assistindo a um novo episódio de Indiana Jones ou, como lembrou Gisele, A Múmia (também lembrei de Tudo Por Uma Esmeralda, com Michael Douglas e Kathleen Turner). É impressionante também o fato de Gyllenhaal, mais lembrado como o cowboy gay de O Segredo de Brokeback Mountain, surgir em cena em boa forma física, na pele do herói. Nunca o achei uma escolha perfeita para esse tipo de papel (mesmo porque, não tem pinta de galã), mas acaba surpreendendo. A jovem Gemma Arterton (de Fúria de Titãs) também é uma grata revelação, assim como o inglês Richard Coyle, que interpreta Tus, irmão de Dastan ( e que atuou em filmes como O Libertino e Um Bom Ano ). Mas quem rouba a cena é o sempre ótimo Alfred Molina, no papel do pequeno comerciante Sheik Amar que, para sobreviver, promove corrida de avestruz(!). Ainda no elenco, o veterano Ben Kingsley, em papel com conclusão um tanto óbvia (a sinopse do IMDB já revela algo sobre ele, que deveria ser surpresa, mesmo que nada surpreendente).

Pode-se dizer que, se comparado com os filmes mencionados, Príncipe da Pérsia não apresenta grandes novidades. Mas o cineasta inglês Mike Newell, que já dirigiu desde comédias românticas (Quatro Casamentos e um Funeral), até filmes de arte (O Amor nos Tempos do Cólera), demonstra capacidade para engrenar qualquer gênero, inclusive "aventuras-pipoca", como fez com Harry Potter e o Cálice de Fogo, e agora, Pérsia. Sabe conduzir com dignidade a ação da película, e prender a atenção do espectador satisfatoriamente. Gostei do filme, e classifico Pérsia como a melhor adaptação de game já produzida para a tela grande. Certamente, surgirão as sequências (como o Rafel, que entende mais de games do que eu [aliás, qualquer um entende mais de desse assunto do que eu, rsss...], havia mencionado), e espero que elas também sejam bem-sucedidas. Enfim, temos em Príncipe da Pérsia, uma opção classe A em diversão e entretenimento. Abraços!

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quarta-feira, 2 de junho de 2010

Pânico na Neve

Não conhecia o diretor Adam Green, um cineasta promissor do gênero terror/suspense, que fez bastante sucesso em premiações de filmes de terroc com Hatchet (que eu também desconheço). Por isso, assisti Pânico na Neve sem grandes expectativas. Mas é, definitivamente, acima da média.

Green, que também é o roteirista do filme, em sua metragem não muito longa, nos apresenta um filme perturbador, angustiante e assustador. Não é exatamente um filme de terror, pois os vilões não são nem fantasmas, nem qualquer outro tipo de ser sobrenatural. Mas, as situações apresentadas na tela, são capazes de amedrontar muito mais do que um assassino mascarado com uma faca na mão.

Com elenco desconhecido (praticamente três atores em cena), Pânico na Neve fala sobre três jovens (um rapaz, a namorada e o melhor amigo) que resolvem esquiar no gelo, em um típico parque de diversões. O problema se acentua quando todos eles são esquecidos em um teleférico, enquanto o parque é fechado. A partir de então o desespero toma conta da cena, já que a temperatura cai, surge uma tempestade de gelo (que queima o rosto deles) e, de quebra, lobos ferozes e famintos os vigiam lá de baixo. Enquanto tentam encontrar uma solução para sair dessa enrascada, passam por conflitos pessoais (em que as diferenças tornam-se claras) e muito desespero. Principalmente, quando suas vidas passam a estar por um fio.

Enfim, fiquei bastante entusiasmado com o filme, sobretudo por conta da originalidade do roteiro, em trabalhar com uma sinopse que apresenta uma situação não muito fora do comum, e sem superficializar as personagnes (que não são heróis, apenas pobres mortais lutando para salvar sua vidas). Como eu disse, é um tema perturbador e que chega a incomodar àqueles que não têm domínio sobre as emoções. Mas fica aqui minha dica de recomendação. E vamos guardar o nome Adam Green, que promete um futuro bem-sucedido nas telas. Fiquem com Deus!

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quarta-feira, 19 de maio de 2010

Alice no País das Maravilhas

Finalmente assisti a essa super-produção , talvez a mais aguardada do ano. E tive o prazer de assisti-la na sala IMAX do Shopping Bourbon (na verdade, a expectaiva de ver o filme nesse formato era maior), no domingo passado às 22h15! O que posso dizer referente a sala, é que ela não é muito diferente das salas 3Ds, afinal, possui a mesma estrutura que elas. O diferencial, de fato, é a mega tela, que é específica para espetáculos grandiosos como Alice. Aliás, tive vontade de assistir Avatar em uma sala IMAX (talvez eu teria apreciado mais). Em todo caso, pretendo frequentar essas salas mais vezes, nem que seja para ver o documentário de animação, Um Mar de Aventuras. O trailer foi excepcional!

Quanto ao filme, admito que foi bom assistir no IMAX. Caso contrário, não teria gostado muito. Afinal, o entusiasmo para assistir ao filme era tanto, que acabei me decepcionando um pouco. O autor Lewis Carroll trabalha com o fantástico e o absurdo em sua obra literária. Portanto, não conseguia imaginar outro cineasta comandando essa produção. Tinha que ser mesmo Tim Burton, um diretor com estilo próprio e único. Porém, achei tudo tão rápido, pouco criativo, previsível. No começo, quando a jovem Alice (no livro, ela é criança) começa a dançar uma quadrilha bem bizarra, senti mais do que nunca a presença irreverente de Burton, e aguardei bastante atento outras esquisitices burtinianas. Mas não apareceram muitas. Claro que os cenários, a maquiagem e a caracterização das personagens são extraordinários (particularmente, gosto dos garotos gêmeos), e isso acaba sendo o ponto alto do filme.

Acho que Alice no País das Maravilhas dispensa qualquer comentário referente a sinopse, já que esse clássico é bastante popular, e já foi filmado outras vezes. O que muda é a idade da heroína, que aqui é uma jovem prestes a ser pedida em casamento. Quem interpreta Alice é a estreante Mia Wasikowska, que se encaixa como uma luva no papel. Contudo, quem tem mais chances no roteiro de Linda Woolverton é o Chapeleiro Maluco, que é interpretado pelo ator predileto de Burton, Johnny Depp. Seu personagem tem participação de destaque no filme, bem diferente do que acontecia no livro. E ele se encaixa bem em personagens estranhos, definitivamente é um bom ator ( e os momentos de humor são graças a ele). Ainda no elenco, a musa de Burton, Helena Bonham- Carter, no papel da Rainha Vermelha. Pelo que parece, a atriz abandonou de vez as personagens aristocratas de filmes de época, e tem uma caracterização bastante hilária como a rainha de cabeça enorme e que adora cortar cabeças! Por fim, Anne Hathaway transmite charme e encanto como a Rainha Branca. Não posso me esquecer das vozes dos britãnicos Stephen Fry, Michael Sheen e Alan Rickman, respectivamente, como o gato, o coelho e a lagarta azul, todos competentes.

Não digo que não gostei do filme; ao contrário, apreciei muito. Mas, como sou admirador da obra de Burton, esperava uma aventura mais ousada e mais bizarra. Não gostei também da luta estilo "capa-espada" entre a heroína e um monstro; definitivamente, fora de contexto. Há também uma surpresa no fim, que esclarece o espanto que as personagens tem com a presença de Alice (pra mim, dispensável). Mas, me diverti bastante com o filme (minha esposa também) e o recomendo! Preferencialmente, assistam na sala IMAX. Em todo caso, ainda aguardo uma produção burtiniana, ao estilo de "Os Fantasmas se Divertem" e "Ed Wood", na minha humilde opinião, os melhores filmes do cineasta. Abraços!

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segunda-feira, 3 de maio de 2010

Seven - Os Sete Crimes Capitais

( EUA 1995 ). Direção: David Fincher. Com Brad Pitt, Morgan Freeman, Gwyneth Paltrow, Kevin Spacey, R. Lee Ermey, John C. McGuinley, Richard Rowndtree, Richard Partnow, Mark Boone Jr., Julie Araskog. 127 min.


Sinopse: Dois detetives, um veterano e presItálicotes a se aposentar, e outro jovem e idealista, investigam misteriosas mortes, praticadas por assassino que mata pessoas que cometeram um dos sete pecados capitais.

Comentários: Eficiente thriller de suspense, com roteiro inteligente (de Andrew Kevin Walker), e que revelou o nome do diretor David Fincher, que antes havia feito "Alien 3". Fincher, inclusive, tornou-se um cineasta de prestígio e de estilo próprio, após esse bem-sucedido trabalho. O filme pegou carona com o sucesso de "O Silêncio dos Inocentes", a quem faz uma rápida referência, mas desenvolveu-se de uma forma original e extremamente perturbadora (não há final feliz). Ponto paras os realizadores, que conseguiram construir um clima mórbido, sombrio e assustador, repleto de reviravoltas e surpresas, a ponto de fazer o espectador ficar preso na tela e alheio aos bizarros acontecimentos que aparecerão. Apesar de tudo, não é um filme violento; ao contrário, é até discreto, já que o roteiro poupa o público de presenciar as vítimas morrendo, uma vez que os corpos aparecem nos locais do crime já sem vidas. Ou seja, o mais assustador do filme é exatamente aquilo que não é mostrado, permitindo ao espectador a oportunidade de imaginar como as mortes foram executadas. Quanto ao elenco, Morgan Freeman leva a melhor como o detetive veterano. Aliás, esse é o papel que se tornou habitual na carreira desse grande ator, após Seven. Kevin Spacey, como o assassino (não se preocupem; aqui, a identidade do assassino não é nenhum segredo), demonstra que o Oscar que recebeu em 95 não foi em vão. Bem, como é sabido, Spacey não ganhou o Oscar de coadjuvante por esse filme, mas sim por "Os Suspeitos", do mesmo ano. Ou seja, foi de qualquer forma um prêmio super-merecido pelo conjunto da obra, já que ele esteve excelente em ambos os filmes (apesar de aqui não aparecer creditado). Gwyneth Paltrow, como a esposa de Pitt (na época, eram noivos na vida real), está apenas apática, mas não estraga. Portanto, o único canastrão é o galã, o próprio Brad Pitt. Atua sem emoção e com texto decorado. Quase estraga a última cena, inclusive. Em todo caso, nem ele atrapalhou a grande surpresa que Seven acabou sendo para o gênero que, apesar das várias imitações, sempre consegue manter seu status, graças ao ótimo roteiro e a competente direção de Fincher. Indicado ao Oscar de montagem.

Por que gravei o filme: Foi gravado na HBO, simplesmente pelos motivos que já foram expostos no comentário acima. Seven abriu as portas para que o público pudesse conhecer o novo cineasta que surgia na época, apesar de seus filmes posteriores terem oscilado entre bons e maus. Mas Fincher é sempre interessante, e seus filmes merecem, dignamente, mais do que uma espiada. Freeman e Spacey dão um show de interpretação, o que acaba tornando o filme mais atraente e digno de credibilidade.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Ladrão de Casaca

( EUA 1955 ). Direção: Alfred Hitchcock. Com Cary Grant, Grace Kelly, Jessie Royce Landis, Brigitte Auber, Charles Vanel, John Williams, Georgette Anys. 106 min.


Sinopse: Famoso ladrão de jóias, atualmente "aposentado", é perseguido pela polícia quando é acusado de ser o principal suspeito de uma nova onda de roubo de jóias. Tenta descobrir a identidade do verdadeiro criminoso, enquanto foge, e se envolve com bela mulher.

Comentários: Um dos filmes mais diferentes do grande mestre Hitchcock, Ladrão de Casaca é um suspense bastante humorado. Aqui, os instantes de tensão são substituídos por momentos de refinado humor, ainda que com boas sequências de perseguição. Cary Grant continua esbanjando seu charme, ainda que na época já tivesse 51 anos. E forma uma dupla perfeita com uma das estrelas favoritas de Hitchcock, a futura princesa de Mônaco Grace Kelly, que esbanja talento, beleza e, naturalmente, sua habitual elegância, já que aparece vestida com luxuosos figurinos. A cena de maior impacto é quando Grace dirige seu automóvel em alta velocidade, tentando despistar a polícia, ao lado de um amedrontado Cary Grant, que tenta disfarçar o seu medo perante essa situação. Com Ladrão de Casaca, sem dúvida, sentimos falta de momentos mais macabros e assustadores, existentes na maioria dos filmes do mestre. Além disso, o roteiro de John Michael Hayes (adaptado do livro de David Dodge), não fornece chances para cenas mais assustadoras, como àquelas existentes em filmes como Disque M Para Matar ou Janela Indiscreta (ambos com Kelly, inclusive), e as cenas de maior suspense são algumas de perseguições, como a já mencionada anteriormente. E, por fim, o final é fraco. Em todo caso, a direção de Hitchcock permanece segura e intacta, a dupla central tem química perfeita e a fotografia é deslumbrante. Sem dúvida, um ótimo entretenimento. Indicado a três Oscar, ganhou melhor fotografia, e foi indicado ainda para direção de arte e figurino.

Por que gravei o filme: Sem dúvida porque é um filme de Hitchcock. Este não é dos meus filmes favoritos, mas qualquer produção assinada pelo grande mestre do suspense, bem-sucedida ou não, é indispensável na coleção de qualquer cinéfilo. E Cary Grant e Grace Kelly formam sempre uma dupla digna de ser assistida. O único problema é que foi gravado no excelente Retro Channel, que apresenta um único defeito: o ruim sistema de legendagem. Mas não atrapalha muito, e dá para assistir à esse bom clássico.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Gangues de Nova York

( EUA 2002 ). Direção: Martin Scorsese. Com Daniel Day-Lewis, Leonardo DiCaprio, Cameron Diaz, Jim Broadbent, Henry Thomas, John C. Reilly, Brendan Gleeson, David Hemmings, Liam Neeson. 166 min.

Sinopse: No século XIX, em Nova York, duas gangues rivais se enfrentam: Os Nativistas e os Coelhos Mortos, liderados por um padre e com participação das massas carentes. O líder dos nativistas, corrupto e cruel, assassina o líder da outra gangue. Anos depois, o filho do assassinado, de descendência irlandesa, resolve se vingar e reorganiza a gangue.

Comentários: Super-produção da Miramax indicada a dez Oscar: filme, diretor, ator (Daniel Day-Lewis), roteiro original (de Jay Cooks, Steven Zaillian e Kenneth Lonergan), fotografia, figurino, direção de arte, montagem, som e canção, mas não ganhou nada. A maior surpresa, entretanto, foi a não premiação de Martin Scorsese como melhor diretor de 2002, já que essa categoria era uma das únicas que o filme disputava como favorita. Quem ganhou, na ocasião, foi Roman Polanski, por "O Pianista", aliás, outro cineasta normalmente esquecido pela Academia. Na verdade, Scorsese era o favorito na categoria, não exatamente pelo filme, mas sim pelo conjunto da obra, já que ele é um grande cineasta e nunca tinha sido premiado pela academia. E certamente, o famoso diretor de "Taxi Driver - Motorista de Táxi"e "Os Bons Companheiros" fez filmes melhores antes de "Gangues", e também depois (O Aviador, Os Infiltrados). Ou seja, o Oscar não surgiu na hora errada. Em relação ao filme, Gangues de Nova York trás um eficiente trabalho de direção de arte, na reconstituição da Nova York dos anos mil e oitocentos, com bons figurinos e fotografia. O roteiro é inspirado em fatos que marcaram a história nova-iorquina, e oferece cenas bem violentas e sangrentas. Daniel Day-Lewis também era favorito no Oscar (e também perdeu por um ator de "O Pianista", Adrien Brody), e está muito bem como o vilão Bill Cutting, bem sádico e sanguinolento (além de assassino, o personagem é açougueiro). Ele está um tanto irreconhecível com bigodão, e um pouco exagerado em algumas cenas. Leonardo DiCaprio se consagrou em 2002 como um dos atores mais detestados pela academia de artes e ciências cinematográficas, que não indicou o rapaz ao Oscar. Num ano em que ele se destacou em dois filmes (o outro é Prenda-me se For Capaz, de Spielberg), Leonardo demonstrou que realmente é um bom ator (apesar da voz um tanto enjoada), e merecia uma indicação. E a bela Cameron Diaz, no papel de uma ladra trapaceira, surge como a moça dividida entre os dois astros centrais. Scorsese fez em seu filme uma analogia às guerras da era Bush, ao mostrar, paralelamente entre as brigas de gangues, o alistamento obrigatório para a guerra civil do governo Lincoln. O que se destaca na cena, é a resistência dos pobres, que organizam passeatas e tentam fazer valer o direito de não irem para a guerra. Claro que as conseqüências disso são lamentáveis e desfavoráveis às classes mais baixas (sobretudo, aos negros). Enfim, Gangues é um filme que denuncia a guerra e o racismo (os irlandeses imigrantes também são vítimas da intolerância racial), mas sem ser anti-patriota. Afinal, na conclusão, Nova York é consagrada e enaltecida, vista como um local que, apesar das sangrentas batalhas, conseguiu se recompor e se tornou uma das cidades mais ricas do mundo. E é também um filme que tem como ideal a justiça com as próprias mãos: ou seja, o herói sofre bastante, inocentes morrem, ficamos com ódio de Day-Lewis que está sempre por cima... mas, no final, os vilões pagam caro por suas maldades. Concluindo, Gangues é um bom filme, mas não excelente, bastante arrastado, longo, violento, confuso e sem grandes surpresas.

Por que gravei o filme: Admiro o conjunto da obra de Martin Scorsese, por isso gravei o filme no Max Prime. E mesmo não sendo o meu filme favorito de Scorsese, gostei da mensagem que a fita acabou trazendo (mesmo sem saber se foi ou não intencional) contra as guerras. E os atores estão competentes nos papéis, até mesmo Liam Neeson, que tem participação pequena como o padre que lidera a "gangue do bem" na primeira parte do filme. E, por fim, o filme se sustenta como um bom épico de aventura, com cenas de batalha bem elaboradas, e garante o entretenimento.