segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Expresso do Amanhã

 Chega ao cinema com certo atraso essa diferente ficção científica, realizada em 2013, por um bom cineasta da Coreia do Sul, Joon-ho Bong (de "O Hospedeiro" e "Mother - A Busca Pela Verdade"), que também é autor do roteiro ao lado de Kelly Masterson (inspirado em uma graphic novel francesa).

 Num futuro bem próximo (pra ser preciso, em 2031), o mundo todo foi congelado, e as pessoas dizimadas. Os sobreviventes encontram refúgio num quilométrico expresso, que não para de correr sobre trilhos, que ligam praticamente todo o planeta. Nele, há divisões sociais, os mais favorecidos ocupam os lugares mais luxuosos, enquanto os menos favorecidos se encontram amontoados no mesmo vagão, e são praticamente escravizados e com escassez de alimento. Entre os pobres, está o revolucionário Curtis, que almeja acabar com toda a injustiça que ele e seus parceiros sofrem, e organiza um grupo para chegar até o criador do expresso, Wilford, e fazer sua própria justiça. No entanto, para chegar até ele, passará por maus bocados...

 É difícil de entender os motivos que fizeram com que essa talentosa fita (e, certamente, se tornará cult no futuro) tenha recebido pouca repercussão, e até mesmo seu atraso em nossos cinemas é questionável (fora ter sido esnobada no último Oscar). O fato é que o competente diretor brinda o público com uma aventura de ficção científica espetacular, não apenas no cuidado técnico e visual, mas também com um roteiro inteligente, que não poupa em mostrar o descaso social de forma real e crua. Afinal, não seria o expresso uma alegoria sobre o mundo em que vivemos? As desigualdades e os esquemas de corrupção e violência que se vê na tela não são muito diferentes do que acontece hoje em dia em qualquer sociedade do planeta. Bong faz uma variação de diversos gêneros, com destaque para as violentas cenas de luta (bem ao estilo oriental), e mistura um pouco de drama, humor, aventura e até mesmo um momento musical (certamente, o ponto mais surreal de toda a história, que surpreende).

 Num elenco excepcional, o protagonista é o Capitão América Chris Evans, com uma maquiagem que o torna muito distante do galã que impressiona e arranca suspiros do público feminino (ainda assim, ele seria um trunfo para uma propaganda de marketing, com o intuito de arrecadar ingressos, se não houvesse má vontade das distribuidoras). Além dele, o grupo é composto pelo sempre admirável John Hurt (como o mentor do grupo), Octavia Spencer (no papel da mulher guerreira) e Jamie Bell (que faz o rebelde contestador e melhor amigo do personagem de Evans). Ed Harris interpreta o grande vilão, que apenas aparece no fim, mas com grande destaque (faz lembrar o personagem que interpretou em "O Show de Truman", com o Jim Carrey). E o grande destaque, sem sombra de dúvida, vai para a excelente Tilda Swinton, em mais uma perfeita composição bizarra, no papel da ministra Mason; ela está irreconhecível, numa interpretação digna de Oscar. E para encerrar, sem ser menos importante, há uma dupla coreana, que já havia trabalhado com o diretor em "O Hospedeiro", Kang-ho Song e Ah-sung Ko, respectivamente pai e filha, que auxiliam o grupo de militantes liderados por Evans.

 A cada vagão que os heróis penetram, novas surpresas e cenários magníficos invadem à mente do espectador, fazendo o interesse aumentar cada vez mais. O final é satisfatório para uma possibilidade otimista (ainda que remota), e deixa uma janela para uma provável sequência (se de fato isso acontecer, temo que comprometa o bom resultado desse filme). Enfim, um espetáculo que cumpre seu papel no entretenimento, e ainda convida o público para uns momentos de reflexão sobre ética e sociologia. Quem ainda não viu, não perca a oportunidade. Abraços!

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quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Missão Impossível: Nação Secreta

 O quinto episódio da famosa série iniciada em 1996, e adaptada de popular seriado dos anos 60, chega às telas, mais uma vez com o astro Tom Crise no papel do agente Ethan Hunt. E dessa vez o diretor é Christopher McQuarrie (também roteirista ao lado de Drew Pearce), que já havia feito outra fia de ação com Cruise, "Jack Reacher - O Último Tiro".

 Sobre essa sequência, "Nação Secreta", pode-se dizer que ela é espetacular em todos os sentidos. Aliás, se existe uma cinessérie de ação bem-sucedida na tela grande é justamente Missão Impossível, que consegue algo praticamente raro: quanto mais continuações são feitas, mais elas melhoram os filmes anteriores.

 Analisando com detalhes o gênero "ação", o anterior "Protocolo Fantasma" era mesmo superior, por conta das eletrizantes sequências no edifício em Dubai. Mas "Nação Secreta" não perde feio, e McQuarrie já começa com uma abertura para lá de eletrizante, com Cruise pendurado na asa do avião em movimento. O astro, como já se sabe em todo canto do mundo, dispensou dublês nessa perigosa cena, o que já deixa de imediato a plateia boquiaberta (aliás, ele havia feito o mesmo na já mencionada cena do prédio mais alto do mundo em Dubai).

 A sinopse é um tanto complexa, e um pouco confusa (como de costume). Ethan Hunt está com os dias contados, pois estão querendo fechar sua agência de "Missão Impossível". Tudo isso na verdade é um golpe de uma entidade conhecida como "Sindicato", que planeja seus esquemas corruptos em terrenos internacionais, sem a intromissão da equipe de Hunt para atrapalhar suas inescrupulosas ações. Mas o nosso herói desconfia, e mesmo sendo impedido de desempenhar seu trabalho, tenta desmascarar o tal sindicato, com a ajuda dos parceiros William Brandt, Benji Dunn e Luther Stickell. E encontrará uma mistura de aliança e perigo na pele de Ilsa Faust, uma agente misteriosa.

 As locações são as mais variáveis para dar movimento à história: Inglaterra, Áustria, Cuba... Mas, sem sombra de dúvida, o cenário protagonista das exuberantes cenas de impacto é o Marrocos, em que o espectador ficará em puro estado de êxtase com as perseguições de moto no deserto, sem dúvida, o grande momento da produção.

 Como se pode perceber a dois parágrafos acima, Jeremy Renner, Ving Rhames e Simon Pegg voltam a atuar na série. Pegg, inclusive, tem maior destaque em relação os dois episódios anteriores, e também é responsável pelos momentos de alívio cômico. Ainda no elenco, o veterano Alec Baldwin interpreta a autoridade responsável na (difícil) tentativa de capturar Ethan Hunt; os britânicos Sean Harris ("Prometheus") e Simon McBurney ("A Teoria de Tudo") se encarregam com os papéis de vilões, e o grande destaque está na pele da bela sueca Rebecca Ferguson (que esteve na nova versão de "Hércules"), como a habilidosa agente Ilsa Faust.

 Um blockbuster de primeira linha, repleto de reviravoltas e surpresas (inclusive, muitos disfarces mirabolantes e surpreendentes), e inúmeros momentos memoráveis, como uma sufocante luta contra o relógio debaixo da água, outra que está entre as melhores cenas. O astro Tom Cruise, aliás, aos 53 anos, comprova excelente forma física e já deixa claro que não abandonará tão cedo seu personagem Ethan Hunt...

 Enfim, até o momento, é o entretenimento do ano, capaz de agradar aos mais exigentes fãs do gênero, e deixa um sabor de quero mais. Por isso, é altamente recomendável se assistir na tela grande este "Nação Secreta", e essa missão, certamente, não é nada impossível. Abraços!

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domingo, 16 de agosto de 2015

Divertida Mente

 Estava resistindo para assistir a uma nova animação no cinema, não me interessei muito pelos títulos (nem mesmo por "Minions", que fez uma certa febre por aqui), mas felizmente tive o prazer de assistir a Divertida Mente, uma produção simpática e bem-humorada, recomendável para pessoas de todas as idades.

 A Disney, de uns tempos pra cá, ganhou muito no requisito criatividade, e largou um pouco suas histórias de princesas, repletas de canções bonitinhas, mas intermináveis. Dessa vez, sob a batuta de Pete Docter (que dirigiu os ótimos "Monstros S.A." e "Up - Altas Aventuras") e seu co-diretor Ronaldo Del Carmen (ambos também são roteiristas, ao lado de Meg LeFauve e Josh Cooley), o estúdio oferece essa surpreendente história, protagonizada pelos sentimentos.

 Quanto a sinopse, dentro da garotinha Riley há os sentimentos Alegria, Tristeza, Medo, Raiva e Nojo. Eles atuam numa sala de "controles" com o intuito de organizar de forma balanceada os acontecimentos e rotinas na vida da garota. Alegria é a líder do grupo, e conforme sua principal característica, tenta dar um ânimo para todos seus parceiros. No entanto, quando acidentalmente Alegria, e também Tristeza, saem da tal sala de controles, a garota Riley, que acabara de se mudar contra sua própria vontade, começa a ficar mais rebelde e resolve fugir de casa. Para piorar, os sentimentos que restaram não possuem as competências necessárias para tentar impedir a fuga da menina. Assim, temendo essa situação adversa, Alegria e Tristeza passam por diversas aventuras com o intuito de retornar para seus lugares, e resgatar Riley. Elas contarão com a ajuda do amalucado Bing Bong, o amigo imaginário da menina, e lutarão contra o tempo para ajeitar essa situação.

 O roteiro surpreende simplesmente por colocar as emoções como personagens. Se o público pensa que a narrativa é dramática por esse motivo, se engana completamente; afinal, todos são carismáticos, e seus diálogos são repletos de ironias. Fora eles, como de costume em produções Disney, há o elemento coadjuvante que rouba a cena, aqui representado pelo tal amigo imaginário Bing Bong, que é uma mistura de diversos animais. No fim das contas, como é de se esperar, há uma mensagem, e é ela que se destaca nos momentos mais dramáticos da história. Nela, até mesmo o sentimento da tristeza tem sua importância fundamental, e a conclusão deixa a plateia satisfeita, divertida, emocionada, e até mesmo reflexiva; afinal, existe esse trabalho cooperativo dos sentimentos em nossas mentes?

 Finalizando, não canso de elogiar os nossos competentes dubladores que sempre apresentam uma performance digna em desenhos animados. Todos se destacam, sobretudo a Tristeza, interpretada pela humorista Katiuscia Canoro. Divertida Mente, muito provavelmente, será indicada ao OSCAR 2016 como melhor animação, e desde já torço para sua consagração. Embarquem nessa, com toda a família e amigos. Abraços!

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quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Meu Passado Me Condena 2

 Quando um sucesso brasileiro comercial cai na graça do público, os executivos não pensam duas vezes: lançam a sequência. E foi o que aconteceu com essa divertida comédia, que reuniu o elenco e a diretora do original para mais uma sessão das aventuras atrapalhadas do casal.

 Como é do conhecimento de todos, a inspiração do primeiro longa foi uma série da Rede Globo. Fábio Porchat e Miá Mello voltam a representar o casal que recebe os nomes dos intérpretes em seus personagens. Ela permanece imaturo, e ela cada vez mais irritada e frustrada com essa situação. Quando Miá está prestes a terminar o relacionamento de vez, eis que a salvação vem por telefone para Fábio. Afinal, ele recebe a notícia do falecimento da avó, que morava em Portugal, e parte para lá com Miá para o enterro, e para dar uma força ao seu avô. As confusões permanecem, quando Fábio reencontra uma antiga namorada que se mostra bastante interessada por ele. E como se nada pudesse piorar, o casal ainda se esbarra com o malandro Wilson e sua companheira Suzana.

 A fita não foge a regra no referente a sequências: menos criativo, mas com muito mais piada. O diferencial são as belas locações no interior de Portugal, tornando o passatempo bem turístico. Além disso, o roteiro, de Tati Bernardi, Leandro Muniz e Patricia Corso, capricha nos monólogos declamados por Fábio Porchat, definitivamente, o Jim Carrey brasileiro, um mestre do improviso e do humor. Miá Mello também não faz feio em cena como sua parceira, e torna-se curioso perceber que há cinco anos atrás ninguém sabia da existência dessa talentosa dupla. Quem rouba o espetáculo, entretanto, é a ótima Inez Viana, no papel da golpista Suzana, que junto com o Wilson do Marcelo Valle, resolve abrir um negócio de vendas de sepulturas em Portugal.

 Ainda no elenco, os portugueses Ricardo Pereira e Mafalda Pinto (que também atuam no Brasil) como os interesses românticos do casal central, e o veterano Antônio Pedro como o avô de Pedro. Outro personagem que volta em cena é o Cabeça, o melhor amigo de Fábio, vivido por Rafael Queiroga.

 Enfim, um bom trabalho da realizadora Júlia Rezende, ainda que não seja nada magistral, evidentemente, e mesmo seguindo produções do gênero como "Se Eu Fosse Você", ela consegue rasgar boas gargalhadas da plateia. Por isso, vale conferir e se divertir.

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sexta-feira, 26 de junho de 2015

Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros

 Tenho assistido a muito blockbuster nos cinemas; e como a onda do momento é remake/sequência/nova franquia, acabei assistindo uma mistura de tudo isso com Jurassic World, dessa vez sem a mão de Spielberg na direção (ele é apenas o produtor executivo), que foi substituído pelo novato Colin Trevorrow (do pouco conhecido "Sem Segurança Nenhuma").

 Pode-se dizer que essa requintada e exuberante produção é caprichada em todos os detalhes, e torna-se um passatempo a la Hopi Hari acompanhar o filme. Ele chega a se assemelhar em muitos aspectos à produção original de 1993, e apresenta um parque bastante atraente e repleto de tecnologia.

 Ambientado no exuberante país Costa Rica, o parque temático recebe a visita de diversos turistas, com muitas atrações típicas da Disneylandia. No entanto, um dos dinossauros, após experiências genéticas, adquire sua própria inteligência, e solto, passa a ser uma ameaça para todos os habitantes do parque. Assim, o biólogo Owen, treinador dos dinossauros, se une a uma das administradoras do local, Claire, para deter a fera; principalmente quando os dois sobrinhos dela passam a correr sério risco de vida.

 Pode-se aguardar os variados clichês do gênero, assim como diversos coadjuvantes com função previsível na história: servir de almoço para o monstrengo. A versão em 3D pode até surpreender algumas plateias, embora, para mim, a diversão não é corrompida se o filme for visto numa sala comum. O que mais chama a atenção no roteiro, comandado pelo próprio cineasta, ao lado de Rick Jaffa, Amanda Silver e Derek Connolly, são as diversas espécies jurássicas que ganham a cena, alguns bonzinhos, e outros surpreendentes, como uma espécie aquática, que funciona como uma mistura de "tubarão" com "Free Willy".

 No elenco, um dos galãs da nova geração, Chris Pratt (de "A Hora Mais Escura" e "Guardiões da Galáxia") interpreta o herói, a mocinha é feita pela sumida Bryce Dallas Howard (de "A Vila" e "Histórias Cruzadas", filha do cineasta Ron Howard, e que faz lembrar a Julianne Moore de "O Mundo Perdido - Jurassic Park", pelo visual), e os vilões, nada memoráveis, são feitos por B.D. Wong (que poderia ter o personagem melhor explorado) e pelo veterano Vincent D´Onofrio, mais um infeliz oportunista do que outra coisa. Há também o indiano Irrfan Khan (de "As Aventuras de Pi"), que deveria funcionar como alívio cômico, mas não sucede dessa forma, o francês Omar Sy (de "Intocáveis"), também num papel desperdiçado de um dos treinadores dos dinossauros, e a boa atriz Judy Greer (de "Os Descendentes"), como a mãe dos garotos (feitos pelos meninos Ty Simpkins e Nick Robinson). Em suma, nenhum deles está especialmente notável, afinal, todos são coadjuvantes das grandes estrelas, os pré-históricos répteis.

 Enfim, obviamente a diversão está mais do que garantida. Particularmente, me cansou um pouco, já que tudo é previsível ao extremo. Mas algumas cenas garantem o espetáculo, sobretudo o passeio turístico pelo parque em uma cabine, em que se destaca o belo visual e a excepcional fotografia. Em época de férias escolares, a garotada vai se divertir, e quem sabe se inspira para conhecer o excelente original de Spielberg. Por isso, vale se aventurar. Ate mais!

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domingo, 14 de junho de 2015

Terremoto: A Falha de San Andreas

 Na terra das refilmagens, estava demorando o remake de um dos desaster movies mais famosos da história do cinema, e que arrecadou muita bilheteria na década de 70. Pois bem, essa produção luxuosa já está em cartaz, e é a pedida certa para quem quer ver ação do começo ao fim.

 Recentemente, ao falar do último episódio da saga Mad Max, eu comentei sobre o ritmo frenético da produção de George Miller, e da adrenalina que envolvia toda a produção. O mesmo ocorre aqui. A sinopse torna-se dispensável, portanto. Afinal, o terremoto acontece na Califórnia, arrasa e destrói tudo, movimenta mares, inunda todo o estado, os prédios vão caindo, e por aí vai. Eis que o exageradamente fortão Dwayne Johnson lidera a resistência contra o terremoto. Sua filha, interpretada pela jovem Alexandra Daddario (da série Percy Jackson) corre sérios riscos no avião em que se encontra, e isso motiva ainda mais o herói a lutar; e ele recebe a ajuda da ex-esposa Carla Gugino (que andava meio sumida das telas), o que já indica provável reconciliação. Enfim, a partir daí os intermináveis clichês e puro sentimentalismo tomam conta da tela. Aliás, o atual marido de Carla, interpretado por Ioan Gruffudd (de "Quarteto Fantástico"), para manter a coerência, revela-se um covarde bundão; afinal, ele está casado com a paixão do herói, e isso não pode!

 Enfim, no final das contas, não acho a fita ruim não. Quem compra ingresso para esse tipo de produção, quer ver ação; e nesse ponto, o público sai da sala bastante satisfeito, afinal, isso tem de sobra, e não deixa os clichês atrapalhar (mesmo porque, a diversão principal é apreciar as características típicas de um desaster movie). O diretor Brad Peyton não é muito famoso (dirigiu sequências, como "Cães e Gatos 2" e "Viagem 2"), mas comanda com bastante competência o gênero, e o roteiro de Carlton Cuse, Andre Fabrizio e Jeremy Passmore não chega a "forçar" tanto a situação. Claro, nem preciso mencionar que a qualidade técnica é impecável, com destaque aos efeitos sonoros. No elenco ainda, Paul Giamatti como um sismólogo tenta dar força a uma trama paralela muito fraca; no fim das contas, no entanto, Dwayne Johnson, o "the rock" como é conhecido, comanda o show. Para fãs do astro e do gênero. Boa diversão!

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quinta-feira, 4 de junho de 2015

Mad Max: Estrada da Fúria

 Quando você imaginava que uma franquia clássica blockbuster entre o fim dos anos 70 e início dos 80 já tinha sido encerrada, e sonhando com a possibilidade de remake, eis que o veterano George Miller ressuscita a série, e lança o 4º episódio de Mad Max, dessa vez batizado como "Estrada da Fúria", exatamente 30 anos após o último filme. E Miller não derrapa na condução dessa sequência, além de ser responsável pelo roteiro, ao lado de Brendan McCarthy e Nick Lathouris.

 Dessa vez, sai de cena Mel Gibson, e entra o novo astro do momento, Tom Hardy, que ainda não é tão popular assim no Brasil, embora tenha tido bastantes destaques em "A Origem" e "Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge". Enfim, Hardy sua a camisa e causa bastante impacto na pele de Max, que vaga pelas estradas australianas sem rumo, e já desiludido com a vida, após perder sua família, assassinada por gangues de motoqueiros, no primeiro filme da série. O fato é que  mundo pós apocalíptico desse novo episódio, é mais pessimista e assustador do que os outros três. Os vilões, inclusive, possuem caracterizações medonhas e macabras, parecendo os zumbis de "The Walking Dead", aproximando um pouco ao terror. Nesse caso, quem se destaca é o ditador interpretado pelo indiano Hugh Keays-Byrne (que também esteve no 1° Mad Max), uma figura aterrorizante.

 Mas Max recebe a ajuda do jovem Nux (o simpático protagonista de "Meu Namorado é um Zumbi", Nicholas Hoult), a princípio um "soldado" do mal, mas que acaba ajudando o herói por uma questão de consequência dos fatos. A grande figura de cena, contudo, é feminina: a excelente Charlize Theron domina todo o espetáculo na pele de Furiosa (e faz jus ao nome), uma guerreira de um braço só, que tenta escapar do domínio de Immortan Joe (o personagem mencionado de Hugh), e leva junto a ela as cinco esposas dele, uma delas grávida, inclusive.

 Enfim, tudo isso num cenário totalmente dominado pelas areias, não há mais nada na tela, não se vê casas, estradas concretas, jardins.... Nada! Segundo a visão de Miller, todo o planeta foi coberto pela terra. A partir de então, o espectador se surpreende com a excelente qualidade técnica da produção, começando pela fotografia, e se estendendo aos efeitos visuais e a sonoridade, prováveis babadas para o Oscar 2016. Quem espera momentos de alívio cômico, vai se frustrar, afinal a edição é ágil, e o que se vê constantemente é ação do início ao fim, com poucos momentos de conversa. Isso, talvez, possa incomodar um pouco uma plateia mais leiga, que necessita de maiores esclarecimentos, mas não prejudica o resultado final.

 Sem dúvida, o pessimismo amargo e cruel para um futuro sem perspectivas de sobrevivência (com a escassez de água) não deixa de impressionar. As inevitáveis sequências já estão sendo desenvolvidas, e existe uma remota possibilidade um episódio a ser estrelado pela Furiosa de Charlize Theron. Afinal, definitivamente, ela comanda o espetáculo, e rouba a cena, sem desmerecer o Max de Tom Hardy. No mais, uma boa sugestão de blockbuster para o feriado. Abraços!

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