sábado, 5 de março de 2016

Orgulho & Preconceito e Zumbis

 Como está na moda o tema "zumbis", graças especialmente ao seriado de grande sucesso, "The Walking Dead", Hollywood agora resolve inserir os seres comedores de carne humana na literatura clássica. Assim, o diretor e roteirista Burr Steers adaptou os quadrinhos de Seth Grahame-Smith, que por sua vez adaptou o clássico romance de Jane Austen. E o resultado é essa sátira, que conferi no cinema.

  Bom, não se trata exatamente de sátira. Ou seja, não espere comédia escrachada e grosseira no estilo "Todo Mundo em Pânico" ou "Inatividade Paranormal". Há humor, claro, já que a situação absurda pede isso, mas de forma refinada. E há também muito romance, já que a obra de Austen não foi deixada de lado, jamais.

 Quanto a história, as irmãs Bennett tiveram aulas de defesa na China, com o intuito de conseguir se defender de ataques de ferozes zumbis que, sabe-se lá como, voltaram a vida e atacam as pessoas. A mais velha delas, Elizabeth, é geniosa e destemida, não pensa em se casar jamais. No entanto, tudo pode mudar, ao ser cortejada pelo policial, e caçador de zumbis Mr. Darcy, e mais tarde, também por outro oficial, George Wickham. Mas os inconvenientes mortos não querem deixar os vivos em paz. Por isso, Elizabeth está mais atenta à sua defesa e não ao amor.

 Essa mistura de romance, aventura e horror funciona bem, trata-se de um passatempo despretencioso e divertido, que reserva algumas interessantes surpresas no final (inclusive, o final aberto deixa claro que haverá sequência). O elenco bacana, composto por jovens promissores como Jack Huston, Sam Riley, Bella Heathcote, Douglas Booth, e outros veteranos como Lena Headey (também vilã como em "Game of Thrones") e Charles Dance, atua a vontade. Apenas a protagonista Lily James, que recentemente viveu "Cinderella", não tem porte e nem beleza suficiente para heroínas românticas (isso, inclusive, é até satirizado na fita); todavia, também não atrapalha.

 Enfim, um bom programa, não é repulsivo para quem não aprecia filmes de terror, mas também não deixa os fãs do gênero entediados; dá para curtir tranquilamente. Abraços!

 TRAILER:










segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Snoopy & Charlie Brown: Peanuts, o Filme

 Este clássico desenho animado de minha saudosa infância finalmente ganhou uma versão cinematográfica em animação, e é uma oportunidade bacana para as crianças da geração de hoje conhecer esses simpáticos personagens criados por Charles M.Schulz. O marketing, aliás, favorece a fita, já que o McDonalds, por exemplo, vendeu brinquedos da linha Snoopy.

 O garoto Charlie Brown, sempre frustrado e com complexo de inferioridade, se apaixona pela garotinha ruiva, aluna nova de seu colégio, e foi matriculada justamente em sua classe. Tenta se aproximar dela, mas a timidez e a falta de postura o atrapalham muito. Isso tudo, no momento em que surpreende seus colegas, ao ser classificado como o aluno do ano, por sua nota altíssima em uma prova. Paralelo a isso, seu cachorro Snoopy imagina uma história em que precisa derrotar o mal caráter Barão Vermelho e resgatar sua amada Fifi, também aviadora como ele.

 Embora possa parecer profundo, filosófico e satírico demais para os pequenos, não há como não se encantar com toda a turma e suas características típicas, como a rabugenta e competitiva Lucy, o melhor amigo e sábio Linus, o amante da música de Beethoven Schroeder, a "moleca" Paty Pimentinha, a nerd Marcie, a irmã caçula Sally, o garoto que não toma banho Big Ben e todos os demais. O roteiro adaptado por Bryan Schulz, Craig Schulz e Cornelius Uliano insere na narrativa, mesmo atualizada para os dias de hoje, as boas sacadas dos clássicos desenhos animados, normalmente proferidas pelo garoto Charlie, um ser que não tem ideia do quanto grandioso e humano ele é. Ponto para o diretor Steve Martino, de "A Era do Gelo 4", que conduziu o projeto com habilidade e competência.

 Enfim, há ótimos instantes de alívio cômico, boas aventuras, e a presença carismática do cachorrinho Snoopy que, mesmo sendo coadjuvante no final das contas, rouba a cena várias vezes, sempre acompanhado pelo seu melhor amigo, o canário Woodstock. Torna-se obrigação dos pais compartilhar com os filhos esse formidável espetáculo, para que eles também possam apreciar o cotidiano da turma do doce e atrapalhado Charlie Brown. Bora conferir!

 TRAILER:




quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

OSCAR 2016 - Indicados

Como é de praxe, todo ano eu comento sobre os indicados ao OSCAR nas 6 categorias principais: filme, diretor, ator, atriz, ator coadjuvante e atriz coadjuvante. Dessa vez, sinto-me orgulhoso de ter assistido aos oito filmes indicados na categoria principal, e por isso tenho mais informações sobre eles. Antes de mais nada, quero fazer menção a um fato muito bacana: a animação brasileira "O Menino e o Mundo" está entre os cinco finalistas na categoria melhor animação. Mesmo sendo o azarão num grupo onde "Divertida Mente" domina (e é justo), já fico feliz com esse reconhecimento, principalmente porque, de novo, o Brasil não está na categoria filme estrangeiro. Bom, vamos aos indicados:

FILMES

 BROOKLYN: Essa foi a surpresa entre os indicados. A produção é estilosa, e capricha nos figurinos, cenários, reconstituição de época. A história é boitinha e encantadora, daquelas que atrai mais ao público feminino, e a indicação foi merecida sim.Mas, provavelmente, é o azarão entre os nomeados, já que sua repercussão tem sido bem discreta. Mas eu tenho simpatia pelo filme.

 A GRANDE APOSTA: Aqui está um filme que foi crescendo aos poucos, e ainda está em ascensão. A maior polêmica é saber defini-lo enter drama ou comédia. Na verdade, seu conteúdo é bastante satírico, e o filme fala sobre corrupção, envolvendo grandes bancos americanos. A ideia é excelente, e o tom de crítica, perfeito. Porém, o filme é muito chato, interminável, confuso, e de pouco interesse para as plateias brasileiras. Creio que aqui passará em branco. Em todo caso, o filme tem seus méritos, conforme seu tema relevante e pertinente. E apesar do crescimento, não é o favorito.

 MAD MAX: ESTRADA DA FÚRIA: Quem poderia imaginar que uma fita de ação, blockbuster mesmo, e ainda por cima, sequência de uma grande cinessérie estaria entre os finalistas? E digo mais: com chances altas de ser o filme do ano! Até o momento, foi o vencedor do National Board of Review e do Chicago Film Critics Association Awards, o que o coloca entre os favoritos. E diga-se de passagem: tecnicamente falando, é a melhor produção cinematográfica do ano! Em todo caso, penso que falta um pouco de conteúdo no roteiro, já que tudo é frenético, acelerado, paranóico.... Mas seria bacana ter uma continuação do gênero como melhor filme (acho que isso não acontece desde "O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei").

 PERDIDO EM MARTE: Apesar do esquecimento de seu realizador, Ridley Scott, entre os cinco finalistas na categoria direção (o que chocou!), essa ficção científica bem humorada (mas séria) é interessante, tanto no aspecto técnico, como na história. Um belo filme, mas pelo jeito, suas chances diminuíram. Por enquanto, ganhou apenas o globo de ouro como melhor comédia ou musical (!?!?!?!?!?!).

 PONTE DOS ESPIÕES: Temos aqui mais um bom Spielberg em excelente forma, contando uma história intrigante sobre espionagem. No entanto, está longe de ser o blockbuster típico do diretor de "Jurassic Park" e "Indiana Jones", assim como também não é uma história dramática como "A Lista de Schindler" ou "O Resgate do Soldado Ryan". Mas é uma produção muito bem realizada, que certamente não está enter os favoritos, já que o próprio Spielberg também foi deixado de lado na categoria de direção.

 O QUARTO DE JACK: Se eu pudesse votar, para mim esse é o melhor do ano. Bem contado, dirigido, surpreendente, com ótimo roteiro e excelentes atuações. Mas é um filme pequeno, modesto, tem poucas chances, e infelizmente, está entre os azarões. Mas é um filme que eu recomendo, e vai uma dica, tente saber o menos possível da sinopse, para ter riscos com possíveis "spoilers".

 O REGRESSO: Se existe um filme entre os indicados que voltou a crescer depois de uma queda, é este "O Regresso", após a vitória no globo de ouro como filme em drama. E, realmente, é uma produção que surpreende, é um blockbuster com uma narrativa que faz refletir, e tem tema mais ou menos semelhante com o "Perdido em Marte", a sobrevivência do homem no espaço. Agora, é observar as demais tendências das premiações que antecedem ao Oscar para saber suas reais chances. Meu palpite é o de que não ganha. Vamos ver...

 SPOTLIGHT - SEGREDOS REVELADOS: Por fim, tem essa produção com cara de favorita, pois tem faturado muitos prêmios: Gotham Awards, Boston Society of Film Critics AwardsLos Angeles Film Critics Association AwardsNational Society of Film Critcs Awards. Inesperadamente, não ganhou o globo de ouro. Em todo caso, trata-se de um filme denúncia, o que já ganha a simpatia dos jornalistas americanos, e a fita já foi comparada com o clássico do gênero dos anos 70, "Todos os Homens do Presidente". Mas, apesar do tema polêmico e curioso, falta ação para a história, e tudo é feito de forma ágil e direta, sem emoção, com personagens que não estimulam o público torcer ou se identificar com eles. Enfim, não gostei muito. Ainda assim, parece ser o filme do momento.

 DIRETORES

 Os cinco indicados foram: Lenny Abrahamson ( O Quarto de Jack), Alejandro Gonzalez Iñarritu ( O Regresso), Thomas McCarthy ( Spotlight - Segredos Revelados ), Adam McKay ( A Grande Aposta ) e George Miller ( Mad Max: Estrada da Fúria ). Desses, Abrahamson e McKay, os dois menos populares, surpreenderam, pois não estavam entre os mais cotados. McCarthy, por Spotlight, concorre pelo filme aparentemente favorito, mas ele próprio não ganhou nada até agora, o que é mal sinal. Iñarritu acabou de ganhar o globo de ouro, e isso pode significar algo; porém, ele ganhou o Oscar ano passado, por Birdman, e dificilmente a Academia premia a mesma pessoa por dois anos consecutivos. Por fim, George Miller tem ganhado muito prêmio: Los Angeles Film Critics Association AwardsChicago Film Critics Association Awards. Outro nome que tem confirmado presença constante em festivais, Todd Haynes, por "Carol", não foi indicado aqui; e outro esquecimento imperdoável foi o de Ridley Scott, por "Perdido em Marte".

 ATORES

 Bryan Cranston: 59 anos, 1ª indicação. Concorre por "Trumbo". Cranston é um veterano pouco conhecido, que atua mais como caodjuvante no cinema. Por outro lado, tem destaque na tv, com a série "Breakind Bad". Quando começaram as especulações sobre OSCAR 2016, ele estava enter os mais cotados; Depois, porém, foi caindo, e agora voltou ao topo. Em todo caso, creio que ela seja o azarão do quinteto.

 Matt Damon: 45 anos, 3ª indicação. Foi indicado antes por "Gênio Indomável" (1997, principal) e "Invictus" (2009, coadjuvante). Concorre agora por "Perdido em Marte". Ele atua bem como o astronauta Mark Watney, e por essa atuação, ganhou o globo de ouro de ator em comédia ou musical, além do National Board of Review. Mas não creio que vença.

 Leonardo DiCaprio: 41 anos, 5ª indicação. Foi indicado antes por "Gilbert Grape - Aprendiz de sonhador" (1993, coadjuvante), "O Aviador" (2004, principal), "Diamante de Sangue" (2006, principal) e "O Lobo de Wall Street" (2013, principal). Agora concorre por "O Regresso", e aparentemente é o favorito. Se ganhar, o prêmio será merecido, já que sua interpretação dramática surpreende muito. Até o momento, faturou o Boston Society of Film Critics Awards, o Chicago Film Critics Association Awards e o globo de ouro.

 Michael Fassbender: 38 anos, 2ª indicação. Foi indicado antes por "12 Anos de Escravidão" (2013, coadjuvante). O filme do momento é "Steve Jobs", em que ele interpreta o personagem título, e sua interpretação está sendo badalada. Ele ganhou o Los Angeles Film Critics Association Awards, e tem alguma chance. Seu maior adversário, sem dúvida, é o Leonardo DiCaprio.

 Eddie Redmayne: 34 anos, 2ª indicação. Foi indicado antes por "A Teoria de Tudo" (2014, principal), e ganhou. Pela segunda vez consecutiva, Redmayne consegue ser finalista e foi indicado por "A Garota Dinamarquesa". Ele interpreta o personagem título, ou seja, um homem que quer mudar de sexo. Acho a interpretação dele caricata, mas ele tem seus defensores. Em todo caso, não ganhará de novo tão cedo...

ATRIZES

 Cate Blanchett: 46 anos, 7ª indicação. Foi indicada antes por "Elizabeth" (1998, principal), "O Aviador" (2004, coadjuvante, ganhou!), "Notas Sobre Um Escândalo" (2006, coadjuvante), "Elizabeth: A Era do Ouro" (2007, principal), "Não Estou Lá" (2007, coadjuvante) e "Blue Jasmine" (2013, principal, ganhou!). Agora, concorre por "Carol". Cate é a atriz do momento desde o início dos anos 2000, e como se percebe, é constantemente indicada ao Oscar. Já ganhou duas vezes, e certamente ganhará mais vezes ainda, mas não será agora, em que ela atua divinamente como sempre, mas não é a favorita.

 Brie Larson: 26 anos, 1ª indicação. Concorre pelo filme "O Quarto de Jack". Apesar de não ser estreante, Larson é um nome pouco popular, e tem a chance do momento de se tornar estrela em Hollywood. Sua interpretação é magistral, e ela parece ser a favorita a estatueta. Até o instante, ganhou o National Board of Review, o Chicago Film Critics Association Awards e o globo de ouro.Ou seja, se ganhar, será merecido!

 Jennifer Lawrence: 25 anos, 4ª indicação. Foi indicada antes por "Inverno da Alma" (2010, principal), "O Lado Bom da Vida" (2012, principal, ganhou!) e "Trapaça" (2013, coadjuvante). Agora concorre por "Joy: O Nome do Sucesso", filme pelo qual ganhou o globo de ouro de atriz em comédia ou musical. Trata-se de um papel forte e popular, daqueles com quem o público feminino se identifica e torce, estilo "Erin Brockovich". E Jennifer domina o espetáculo, evidentemente. Porém, mesmo sendo a estrela entre as indicadas, creio que seja a azarona do grupo.

 Charlotte Rampling: 70 anos, 1ª indicação. Ela concorre por "45 Anos". Por mais estranho que possa parecer, essa brilhante e veterana atriz inglesa, bastante popular, e com muitos papéis de destaque em sua carreira, apenas agora recebe sua indicação ao Oscar. Afinal, ela atua com mais frequência em produções de circuito alternativo, mais fitas de arte. Está soberba no filme, e já ganhou muitos prêmios: o Boston Society of Film Critics Awards, o Los Angeles Film Critics Association Awards e o National Society of Film Critcs Awards. Poderia ser a favorita, se tivesse sido indicada às principais prévias do Oscar, as ficou de fora tanto do globo de ouro, quanto do sindicato de atores. Mas seria justo e formidável sua vitória.

 Saoirse Ronan: 21 anos, 2ª indicação. Foi indicada antes por "Desejo e Reparação" (2007, coadjuvante). Agora concorre por "Brooklyn". Essa ex-atriz mirim tem interpretação correta e segura nesse belo filme de época. Por ele, já ganhou o New York Film Critics Circle Awards, e até pode ter alguma chance. Mas não será fácil vencer...

ATORES COADJUVANTES

 Christian Bale: 42 anos, 3ª indicação. Foi indicado antes por "O Vencedor" (2010, coadjuvante, ganhou!) e "Trapaça" (2013, principal). Agora concorre por "A Grande Aposta". Na verdade, difícil saber se seu personagem deveria ter sido classificado como protagonista ou coadjuvante. Em todo caso, Bale dá um show de interpretação, e demonstra ser um ator bastante versátil. Em categoria sem franco favorito até o instante, ele pode ter alguma chance sim.

 Tom Hardy: 38 anos, 1ª indicação. Concorre por "O Regresso", e surpreendeu ter sido indicado, já que ficou de fora de outros festivais. É o ator do momento em Hollywood, e foi o "Mad Max". Não sei se leva, mas fica difícil saber se é o azarão do grupo.

 Mark Ruffalo: 48 anos, 3ª indicação. Foi indicado antes por "Minhas Mães e Meu Pai" (coadjuvante, 2010) e "Foxcatcher - Uma História Que Chocou o Mundo" (coadjuvante, 2014). Dessa vez, concorre por "Spotlight - Segredos Revelados". Ruffalo, assim como todo o elenco desse filme, tem desempenho profissional e correto. Porém, também assim como seus colegas de elenco, nada marcante. Por isso, acho difícil ganhar.

 Mark Rylance: 56 anos, 1ª indicação. Concorre pro "Ponte dos Espiões". Esse ator britânico fez pouco cinema, já que atua com mais frequência no teatro. Aqui, tem bom desempenho, e está faturando muitos prêmios: New York Film Critics Circle AwardsBoston Society of Film Critics Awards e National Society of Film Critcs Awards, o que pode colocá-lo como provável favorito na categoria. O que eu não gosto, no entanto, é que seu personagem no filme tem bastante destaque, mas vai perdendo o brilho durante a projeção. Em todo caso, sem dúvida, é um grande ator.

 Sylvester Stallone: 69 anos, 2ª indicação. Foi indicado antes por "Rocky - Um Lutador" (1976, principal). Stallone retorna agora ao papel de Rocky, no filme "Creed: Nascido Para Lutar", e pelo mesmo papel, recebe sua segunda nomeação ao Oscar (só que dessa vez, fora do ringue). Para um ator massacrado constantemente pela crítica, Stallone se sai muito bem, demonstra maturidade como ator, e tem possibilidades de ganhar. Até o momento, venceu o National Board of Review e o globo de ouro. Agora é aguardar: será que ele ganha?

ATRIZES COADJUVANTES

 Jennifer Jason Leigh: 54 anos, 1ª indicação. Concorre por "Os Oito Odiados". Apesar de ser veterana, e de ter tido popularidade como estrela nos anos 80 e 90, apenas agora Jennifer tem sua chance ao Oscar. Ela atua muito bem no papel da prisioneira Daisy Domergue, e até pode ter alguma chance de ganhar, numa categoria, até o momento, sem franca favorita. Ela ganhou o National Board of Review, e é para quem eu torço.

 Rooney Mara: 30 anos, 2ª indicação. Foi indicada antes por "Millenium - Os Homens que não Amavam as Mulheres" (2011, principal). Agora concorre por "Carol", um filme em que ela poderia concorrer como protagonista. Ela saiu vitoriosa no festival de Cannes, mas tem estado esquecida nos mais recentes festivais. Ainda assim, também tem chances de ganhar, numa interpretação contida e discreta.

 Rachel McAdams: 37 anos, 1ª indicação. Concorre por "Spotlight - Segredos Revelados". Rachel é uma das queridinhas do momento em Hollywood, e já protagonizou diversos filmes, sobretudo comédias românticas. Certamente, é boa atriz. Mas não está nada excepcional no filme em que foi indicada (na verdade, mais culpa da personagem que da atriz). Por isso, creio que ela seja a azarona entre as finalistas.

 Alicia Vikander: 27 anos, 1ª indicação. Concorre por "A Garota Dinamarquesa". Essa atriz sueca é a estrela do momento, já que está em tudo quanto é filme. Sua interpretação tem sido muito bem avaliada pela crítica e público. No entanto, o filme pelo qual ela está sendo premiada não é esse, mas sim "Ex-Machina: Instinto Artificial". Nessa fita, A Garota Dinamarquesa, ela, na verdade, é mais protagonista que coadjuvante. Enfim, pela popularidade que tem, pode ser que ganhe; por outro lado, por ser indicada pelo filme errado, pode ficar de mãos abanando.

 Kate Winslet: 40 anos, 7ª indicação. Foi indicada antes por "Razão e Sensibilidade" (1995, coadjuvante), "Titanic" (1997, principal), "Íris" (2001, coadjuvante), "Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças" (2004, principal), "Pecados Íntimos" (2006, principal) e "O Leitor" (2008, principal, ganhou!). Agora concorre por "Steve Jobs". Kate é formidável, além de ser figura constante ao Oscar. Já ganhou como protagonista, mas não como coadjuvante; e pode ser agora! Até o momento, venceu apenas o globo de ouro, e não se sabe se ela é de fato a favorita, pois as principais premiadas nessa categoria, não foram indicadas ao Oscar(!). Por isso, tudo pode acontecer!

 Ufa, terminei... O resultado final vai demorar muito para sair, apenas no dia 28/02. Enquanto isso, tentem assistir aos filmes indicados, e façam suas apostas. Ah, sim, apenas o apelo que eu faço sempre: assistam pela internet ou pelo canal de tv  a cabo TNT. Não vejam pela Rede Globo, pois ela é expert em desrespeitar o público, e apresentar a cerimônia pela metade, simplesmente, um ato deselegante e mal educado. Fica a dica. Abraços!














sábado, 26 de dezembro de 2015

Star Wars: O Despertar da Força

 O público sempre se entusiasma quando descobre que uma nova franquia de cinessérie clássica de sucesso é produzida. E, obviamente, nada é mais popular na telona do que os filmes de Star Wars. Este episódio VII promete mais uma safra espetacular, e já é garantia de recordes de bilheterias, mundo afora, algo nada surpreendente.

 Um dos diretores da moda do momento, J.J. Abrams, responsável por "Missão Impossível 3" e "Além da Escuridão - Star Trek", é a escolha ideal para essa super aventura de ficção científica. Ele também comanda o roteiro, ao lado do experiente, e também cineasta, Lawrence Kasdan (Michael Arndt também colabora nessa saga idealizada por George Lucas). Outro fator evidente, é que trata-se de uma produção tecnicamente perfeita, desde os efeitos, passando pela direção de arte, fotografia e figurinos, até a trilha sonora. Tudo agradável!

 O que mais surpreende mesmo é o retorno dos protagonistas dos episódios IV, V e VI. Harrison Ford comanda a fita, e transmite bom humor como o seu Han Solo (Peter Mayhew também retorna como o seu inseparável Chewbacca). Carrie Fisher também está de volta como a princesa Leia. E Mark Hamill, ao menos nesse filme, tem apenas uma cena como o herói Luke Skylwalker, mas já fica óbvio que ele ganhará a ação nos próximos filmes.

 Fora os veteranos, Abrams comanda um elenco de novatos que segura bem a responsabilidade de seus personagens. Quem protagoniza dessa vez é uma figura feminina, a catadora de lixo Rey (Daisy Ridley) que, acidentalmente, acaba tendo acesso a um mapa que leva ao mito Luke Skywalker, objeto de cobiça das forças do mal. Isso ocorre, quando ela encontra o simpático robozinho BB-8, possuidor do mapa que lhe foi entregue pelo seu dono, o piloto Poe Dameron (Oscar Isaac), perseguido pelos militares comandados pelo obscuro e maligno Kylo Ren (Adam Driver) que almeja o poder. Dameron recebe a ajuda do soldado Finn (John Boyega), tido como traidor, e eles acabam cruzando o caminho de Rey, Han Solo e Chewbacca, e todos se unem para derrotar o mal. 

 A sinopse que eu tentei esboçar foi de uma forma para não divulgar spoiler, nem contar as surpresas que vão surgindo, e não são poucas. Algumas delas, que fique bem claro, não vão agradar aos fãs, mas há muito ainda para se observar nos próximos episódios. Enfim, um entretenimento de alto padrão, garante a diversão da plateia, e apenas demonstra que toda a série Star Wars é de fato bem sucedida em todos os detalhes. Ainda no elenco, o veterano Max von Sydow no comecinho, e uma mal aproveitada Lupita Nyong´o num papel em que ela não dá as caras, literalmente. Há também Andy Serkis, Donhnall Gleeson, Simon Pegg e Anthony Daniels também de volta como o simpático cativante robô C-3PO. 

 Que o despertar da força acompanhe todo o público para essa eletrizante produção! E que venham os próximos filmes!!!! Até mais.

TRAILER:

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Jogos Vorazes: A Esperança - O Final

 Finalmente, a saga da heroína Katniss Everdeen se finaliza nesse último capítulo, que na verdade é a segunda parte de uma fita dividida em dois tempos (algo habitual nesses últimos anos). O cineasta permanece o mesmo Francis Lawrence, no comando desde "Em Chamas", assim como os roteiristas do "Esperança Parte 1", Peter Craig e Danny Strong, mais uma vez juntos com a poderosa do momento Suzanne Collins, que adaptou seu próprio livro.

 O ponto de partida inicial, como de costume, segue desde o instante em que o episódio anterior tinha parado. Katniss se une a um grupo de pessoas, com objetivos pontuais: com o apoio da presidente Alma Coin, eles almejam destruir de vez o presidente Snow, o responsável pelos jogos vorazes, que dizimaram diversos jovens de todos os distritos. No entanto, para se chegar até ele, os obstáculos serão os mais perigosos possíveis.

 Com esse desfecho, a série é finalizada, e pode-se dizer que as bilheterias em todo mundo respondem positivamente ao sucesso de todos os filmes. De uma certa forma, essa cinessérie foi a que melhor trabalhou com o tema distopia, que aliás, está em voga no momento. No entanto, assim como os demais episódios, a aventura demora para engrenar; porém, quando isso acontece, o público confirma que os produtores e Francis Lawrence reservaram espetaculares sequências de ação, com bons ritmos e suspense.

 Em todo caso, também fica evidente que a estrela Jennifer Lawrence é a grande responsável pelo sucesso, domina o filme do começo ao fim, e transmite seu carisma a cada momento. Menos sorte têm os galãs, Josh Hutcherson e Liam Hemsworth, que insiste na permanência do triângulo amoroso. O fato é que os personagens deles não brilham, o Peeta de Hutcherson tem dupla personalidade, enquanto o Gale de Hawthone poderia ter tido melhor conclusão. Aliás, os coadjuvantes ficam a desejar nesse grand finale, com alguns fazendo pouco mais que pontas (Stanley Tucci, Jena Malone, Jeffrey Wright) e outros com poucos destaques, mas que são rapidamente esquecíveis (Woody Harrelson, Philip Seymour Hoffman, este, por razões óbvias, já que faleceu em fevereiro de 2014). Elizabeth Banks está mais discreta que de costume, e sua Effie Trinket é praticamente dispensável aqui, com poucas cenas. Melhor chance tem Julainne Moore, que mostra sua verdadeira face, e principalmente Donald Sutherland, magnífico aos 80 anos como o perverso presidente Snow (não dá para acreditar que ele nunca foi indicado a um Oscar!). Há também espaço maior para personagens novos, como as guerreiras interpretadas por Natalie Dormer (que na verdade, já está na série desde "Esperança 1") e Michelle Forbes.

 No fim das contas, apesar de conseguir atrair a atenção do público no desenvolvimento da história, Francis Lawrence deixou a desejar, naquilo que poderia ser a conclusão perfeita. Alguns pontos poderiam ter sido melhor esclarecidos em cena. Fora isso, a ação da heroína na principal sequência de ação, que deveria ser surpreendente, resulta óbvia e previsível. De qualquer forma, entretanto, o resultado geral é satisfatório, e o público aprova o trabalho, por mais que tenha sido, em grande parte das vezes, carregado pela estrela Jennifer Lawrence. E, sinceramente, ela merece todas as honras. Fica a dica. Abraços!

TRAILER:

terça-feira, 15 de setembro de 2015

O Pequeno Príncipe

 O famoso clássico literário de Antoine de Saint-Exupéry ganha mais uma nova versão cinematográfica, vinda diretamente da França, e em forma de animação.Quem comanda o espetáculo é o diretor de Kung Fu Panda, Mark Osborne.

 Diferente de outras versões, aqui o roteiro, de Irena Brignull e Bob Persichetti, faz algumas modificações na obra literária, e acrescenta o personagem da "garota", que, na atualidade, mantém contato com o aviador, que conta para ela sobre suas experiências com o pequeno príncipe do título. A menina está sendo preparada pela mãe para ser uma excelente profissional no futuro, e estuda constantemente. No entanto, ela encontra tempo para ouvir e se aventurar com as histórias sobre o príncipe que vivia em um pequeno asteróide com sua amada rosa.

 Todo o encanto e as belas passagens filosóficas e profundas que marcaram a obra de Exupéry estão presentes aqui, fazendo o espectador se emocionar e se envolver com a narrativa. A animação assume duas faces, e se assemelha com diversas produções americanas do gênero em seu aspecto técnico e na caracterização das personagens. A outra face está inserida nas memórias do aviador, ao relatar para a garota o seu encontro no deserto com o pequeno príncipe; a partir de então, a animação ganha uma forma mais rústica e simplificada propositalmente, dando a ideia de uma pintura realizada por uma criança.

 A história, contudo, se arrasta no instante em que a garota e o príncipe (em sua fase adulta) travam um duelo com os executivos, que aprisionaram todas as estrelas. Nesse momento, a ação, repleta de clichês e situações previsíveis, deixam o filme um pouco cansativo. Em todo caso, a grande essência da obra, em suas belas e poéticas frases declamadas pelo simpático personagem-título, trazem muita emoção e simpatia para esse formidável entretenimento. Por isso, torna-se uma boa alternativa, sobretudo para a nova geração que não tem muito conhecimento sobre a obra de Exupéry. Fica a dica. Abraços! 

TRAILER:

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Expresso do Amanhã

 Chega ao cinema com certo atraso essa diferente ficção científica, realizada em 2013, por um bom cineasta da Coreia do Sul, Joon-ho Bong (de "O Hospedeiro" e "Mother - A Busca Pela Verdade"), que também é autor do roteiro ao lado de Kelly Masterson (inspirado em uma graphic novel francesa).

 Num futuro bem próximo (pra ser preciso, em 2031), o mundo todo foi congelado, e as pessoas dizimadas. Os sobreviventes encontram refúgio num quilométrico expresso, que não para de correr sobre trilhos, que ligam praticamente todo o planeta. Nele, há divisões sociais, os mais favorecidos ocupam os lugares mais luxuosos, enquanto os menos favorecidos se encontram amontoados no mesmo vagão, e são praticamente escravizados e com escassez de alimento. Entre os pobres, está o revolucionário Curtis, que almeja acabar com toda a injustiça que ele e seus parceiros sofrem, e organiza um grupo para chegar até o criador do expresso, Wilford, e fazer sua própria justiça. No entanto, para chegar até ele, passará por maus bocados...

 É difícil de entender os motivos que fizeram com que essa talentosa fita (e, certamente, se tornará cult no futuro) tenha recebido pouca repercussão, e até mesmo seu atraso em nossos cinemas é questionável (fora ter sido esnobada no último Oscar). O fato é que o competente diretor brinda o público com uma aventura de ficção científica espetacular, não apenas no cuidado técnico e visual, mas também com um roteiro inteligente, que não poupa em mostrar o descaso social de forma real e crua. Afinal, não seria o expresso uma alegoria sobre o mundo em que vivemos? As desigualdades e os esquemas de corrupção e violência que se vê na tela não são muito diferentes do que acontece hoje em dia em qualquer sociedade do planeta. Bong faz uma variação de diversos gêneros, com destaque para as violentas cenas de luta (bem ao estilo oriental), e mistura um pouco de drama, humor, aventura e até mesmo um momento musical (certamente, o ponto mais surreal de toda a história, que surpreende).

 Num elenco excepcional, o protagonista é o Capitão América Chris Evans, com uma maquiagem que o torna muito distante do galã que impressiona e arranca suspiros do público feminino (ainda assim, ele seria um trunfo para uma propaganda de marketing, com o intuito de arrecadar ingressos, se não houvesse má vontade das distribuidoras). Além dele, o grupo é composto pelo sempre admirável John Hurt (como o mentor do grupo), Octavia Spencer (no papel da mulher guerreira) e Jamie Bell (que faz o rebelde contestador e melhor amigo do personagem de Evans). Ed Harris interpreta o grande vilão, que apenas aparece no fim, mas com grande destaque (faz lembrar o personagem que interpretou em "O Show de Truman", com o Jim Carrey). E o grande destaque, sem sombra de dúvida, vai para a excelente Tilda Swinton, em mais uma perfeita composição bizarra, no papel da ministra Mason; ela está irreconhecível, numa interpretação digna de Oscar. E para encerrar, sem ser menos importante, há uma dupla coreana, que já havia trabalhado com o diretor em "O Hospedeiro", Kang-ho Song e Ah-sung Ko, respectivamente pai e filha, que auxiliam o grupo de militantes liderados por Evans.

 A cada vagão que os heróis penetram, novas surpresas e cenários magníficos invadem à mente do espectador, fazendo o interesse aumentar cada vez mais. O final é satisfatório para uma possibilidade otimista (ainda que remota), e deixa uma janela para uma provável sequência (se de fato isso acontecer, temo que comprometa o bom resultado desse filme). Enfim, um espetáculo que cumpre seu papel no entretenimento, e ainda convida o público para uns momentos de reflexão sobre ética e sociologia. Quem ainda não viu, não perca a oportunidade. Abraços!

TRAILER: