quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

Vidro

 Eu já tinha perdido a esperança no cineasta M. Night Schyamalan, que surgiu bastante promissor com o aterrorizante "O Sexto Sentido", em 1999. Contudo, a sucessão de filmes ruins, sobretudo os de ficção científica, demonstravam uma infeliz decadência, inclusive na história, já que ele é roteirista de seus filmes, como também acontece aqui em "Vidro". Mas ele voltou com tudo em 2016 com "Fragmentado", e felizmente seu novo filme não decepciona.

 Falando em Fragmanetado esse Vidro é uma sequência desse e também de um outro filme que ele fez lá atrás, "Corpo Fechado", em 2000. A ideia de ligar todos esses filmes demonstra que Schyamalan tem excelente criatividade, pois entrelaçar todas essas histórias não parece algo fácil; e ele conseguiu com maestria.

 Para quem não lembra de Corpo Fechado (ou para quem não viu), o protagonista David Dunn, que era segurança, tem o dom de sentir o "caráter" das pessoas com um simples toque. No passado, ele foi o único sobrevivente num acidente ferroviário, e isso causou espanto, já que não havia chances de alguém sobreviver; e como ele saiu ileso, seu filho concluiu que ele só poderia ser um super-herói. No presente ele e o filho (agora adulto) trabalham na caça de um perigoso serial killer, que possui 24 personalidades, e que sequestrou um grupo de garotas. Quando Dunn o localiza, com a personalidade da Fera (visto em Fragmentado), o duelo de titãs é interrompido pela polícia, que os deixam sobre o controle da psicóloga Ellie Staple, que tenta convencê-los de que são homens comuns. Aí entra outro personagem de Corpo Fechado, Elijah Price, debilitado e em cadeira de rodas (o oposto de Dunn, representando a extrema fraqueza), que também passa pelo tratamento da doutora. Entretanto, todos eles juntos, no mesmo espaço, fazem surgir ideias perigosas.

 A trama pode parecer complexa, mas faz uma leitura bacana sobre o mito do super-herói, destacando suas habilidades, mas também os pontos fracos. A expectativa de suspense, de que algo inusitado e surpreendente vai acontecer em cena, acompanha constantemente o espectador. E, de fato, há boas reviravoltas em uma conclusão eficiente, que faz lembrar um pouco os filmes da franquia "X-Men".

 O elenco conta com três astros em forma, James McAvoy comprovando ser um dos grandes atores de sua geração, ao reviver as 24 personalidades em um corpo só (embora a maioria seja "figurante"), com uma expressão aterrorizante e demoníaca; Bruce Willis não faz feio, embora conserve o irritante biquinho ao interpretar mais uma vez David Dunn; e o melhor do elenco, Samuel L. Jackson, em uma entrada triunfal e enigmática, além de responsável pelos momentos de grande tensão, como Elijah Price, o "vidro" do título. Há também a excelente Sarah Paulson (de "12 Anos de Escravidão" e da série "American Horror Story") como a psicóloga, e a sobrevivente de Fragmentado, Anya Taylor-Joy (na verdade não faz muito sentido o retorno dela, mas não deixa de ser um ponto importante na conclusão). Juntam-se a eles outros atores de Corpo Fechado: Spencer Treat Clark, o filho de Bruce Willis, e Charlayne Woodard, como a mãe de Samuel L. Jackson (curiosamente, ela é cinco anos mais nova que ele na vida real!).

 Enfim, um eletrizante suspense, que requer paciência e concentração para se deliciar e se envolver com uma trama muito bem escrita e conduzida por Schyamalan, que agora parece ter recuperado a mão cheia. Abraços!

TRAILER:

terça-feira, 22 de janeiro de 2019

OSCAR 2019 - indicados

 Saíram hoje os indicados ao OSCAR 2019. Como já é tradição, eu faço uma análise nas categorias de interpretações aqui (ator, atriz, ator coadjuvante e atriz coadjuvante), além de mencionar os filmes e diretores indicados.
 Sobre os filmes, A academia tem seus métodos estranhos quando informa que os filmes indicados são entre oito e dez; aí fazem os cálculos para ver quantos serão indicados. Deveriam indicar sempre dez, pois no ano que nomeados são em quantidade menor, passa a ideia de que o ano recorrente foi um ano ruim. Agora, por exemplo, foram oito os indicados: Bohemian Rhapsody, A Favorita, Greeen Book: O Guia, Infiltrado na Klan, Nasce Uma Estrela, Pantera Negra, Roma e Vice. Assisti mais da metade desses filmes até o momento, e por enquanto aprecio mais o Infiltrado na Klan, do genial Spike Lee. Porém, todos já sabem que o superestimado da Netflix, Roma, será o vencedor. É a Academia em mais uma tentativa de ousadia, em premiar uma produção streaming, que não passou no cinema. O filme não é ruim, mas o exagero todo em torno dele é bem irritante.

 Quanto aos diretores, são esses os indicados: Alfonso Cuarón por Roma; Yorgos Lanthimos por A Favorita; Spike Lee por Infiltrado na Klan; Pawel Pawlikowski por Guerra Fria; e Adam McKay por Vice.  O favorito, óbvio, é Algonso Cuarón com seu Roma, e que já venceu antes por Gravidade. Adam McKay já teve indicação antes por A Grande Aposta, e os demais são indicados pela primeira vez. Spike Lee já teve indicações antes como roteirista e documentário, mas, como diretor, pasmem, é a primeira vez! O azarão é o polonês Pawel Pawlikowski que, surpreendentemente, consguiu uma indicação.

ATORES

Christian Bale, 45 anos, 4ª indicação. Foi indicado antes por O Vencedor (2010, coadjuvante, ganhou!), Trapaça (2013, principal) e A Grande Aposta (2015, coadjuvante). Agora concorre pelo filme Vice, onde tem uma caracterização surpreendente, na interpretação do vice presidente de George W. Bush. Aparentemente é o favorito, podendo ganhar seu srgundo Oscar, além de ser uma figura muito querida pelos americanos.

Bradley Cooper, 44 anos, 4ª indicação. Foi indicado antes por O Lado Bom da Vida (2012, principal), Trapaça (2013, coadjuvante) e Sniper Americano (2014, principal). Agora concorre por Nasce Uma Estrela. Foi esnobado como diretor, mas já era presença garantida entre os indicados para ator. Teve bastante força no começo das campanhas, mas agora enfraqueceu. Certamente, não ganhará.

Willem Dafoe, 63 anos, 4ª indicação. Foi indicado antes por Platoon (1986, coadjuvante), A Sombra do Vampiro (2000, coadjuvante) e Projeto Flórida (2017, coadjuvante). Agora, pela primeira vez como ator principal, concorre por No Portal da Eternidade, onde interpreta ninguém mais ninguém menos que o pintor Vincent van Gogh. Ainda não vi esse filme, mas sei que Dafoe é o azarão do grupo, já que sua indicação foi uma surpresa. Seria bacana se ganhasse, por ser um ator extraordinário.

Rami Malek, 37 anos, 1ª indicação. O ator tem interpretação elogiadíssima pelo público ao interpretar o cantor Freddie Mercury em Bohemian Rhapsody. Realmente, uma incorporação surpreendente! Ele é o obstáculo de Christian Bale, o único capaz de tirar o Oscar dele, vamos aguardar...

Viggo Mortensen, 60 anos, 3ª indicação. Foi indicado antes por Senhores do Crime (2007, principal) e Capitão Fantástico (2016, principal). Agora é a vez da comédia Green Book: O Guia, que tem recebido alguns elogios da crítica alternativa. Creio ter poucas chances, mesmo sendo um ótimo ator.

ATRIZES

Yalitza Aparicio, 25 anos, 1ª indicação. Certamente, a grande surpresa da categoria, pois se o filme pela qual ela recebeu a indicação, Roma, é esperado em diversas categorias, não o era na categoria de interpretações. E aqui nós temos uma triz inexperiente, que nunca fez absolutamente nada antes, e já estreia com indicação ao Oscar. Sorte dela, mesmo sendo a azarona entre as cinco indicadas. Em todo caso, a indicação é merecida, já que a naturalidade dela na personagem é o coração do filme.

Glenn Close, 71 anos, 7ª indicação. Foi indicada antes por O Mundo Segundo Garp (1982, coadjuvante), O Reencontro (1983, coadjuvante), Um Homem Fora de Série (1984, coadjuvante), Atração Fatal (1987, principal), Ligações Perigosas (1988, principal) e Albert Nobbs (2011, principal). Agora concorre por A Esposa. Uma estrela do calibre de Glenn Close que nunca ganhou um Oscar até hoje é admirável. Talvez por essa razão ela possa vir a ganhar pelo filme A Esposa, uma produção simples, em que ela tem competente atuação, mas sem ser algo extraordinário. Pode até vencer por ser muito querida, e pela carreira. Mas ele tem duas fortes adversárias na categoria.

Olivia Colman, 45 anos, 1ª indicação. Ela concorre pelo filme A Favorita, que fez bastante suceso entre os críticos, no papel da rainha Anne da Inglaterra do século XVIII. Ela ganhou diversos prêmios e concorre entre as favoritas ao Oscar. Porém, por ser britânica, pode ser que as outras adversárias, americanas,  tenham mais chances...

Lady Gaga, 32 anos, 1ª indicação. Se tem uma estrela do momento nessa categoria, é Lady Gaga, que concorre por Nasce Uma Estrela, onde ela faz o que mais sabe fazer: cantar. Preconceitos a parte, tem forte atuação dramática, e é a concorrente de Glenn Close e Olivia Colman. Lembrando que esse ano ela teve indicação por uma das canções em que ela canta no filme, "Shallow", e nessa categoria ela ganha. Já teve indicação na categoria também, por um documentário de 2015 chamado "The Hunting Ground".

Melissa McCarthy, 48 anos, 2ª indicação. Foi indicada antes por Missão Madrinha de Casamento (2011, coadjuvante), e agora concorre por Poderia Me Perdoar?. Melissa, uma grande comediante, teve altos elogios numa atuação dramática. Ganhou alguns prêmios no começo, mas se distanciou de suas concorrentes, por isso não deve ganhar.

ATORES COADJUVANTES

Mahershala Ali, 45 anos, 2ª indicação. Foi indicadao antes por Moonlight: Sob a Luz do Luar (2016, coadjuvante, ganhou!), e agora é indicado por Green Book: O Guia. Por ter vencido o globo de ouro e o critics choice, é apontado como provável favorito. Porém, como ganhou um Oscar bem recentemente, pode ser que não ganhe novamente agora. Em todo caso, há um concorrente bem forte disputando pau-a-pau com ele.

Adam Driver, 35 anos, 1ª indicação. Concorre por Infiltrado na Klan, no papel do policial que faz jus ao título (embora não seja ele o protagonista). O filme é excelente, mas a interpretação do ator é apenas competente, nada especial. Por essa razão, certamente não ganhará.

Sam Elliott, 74 anos, 1ª indicação. Concorre por Nasce Uma Estrela. Esse veteraníssimo ator, que tem uma trajetória imensa na tv e no cinema, sempre em papéis coadjuvantes, somente foi lembrado agora, por incrível que pareça. Infelizmente, entretanto, não deve vencer, já que seu érsonagem não é marcante, facilmente sai da memória do público, mesmo sendo Sam um ator excelente. Uma pena...

Richard E. Grant, 61 anos, 1ª indicação. Concorre por Poderia Me Perdoar?. Esse ator veterano, que nasceu na Suazilândia (!), mas fez carreira na Inglaterra, também tem uma grande trajetória no cinema, embora esteja sendo lembrado apenas agora. É o concorrente mais próximo de Mahershala Ali, já que está colecionando prêmios... Será que ganha?

Sam Rockwell, 50 anos, 2ª indicação. Foi indicado antes por Três Anúncios Para Um Crime (2017, coadjuvante, ganhou!), e agora concorre por Vice. Interpreta George W. Bush, e arrancou muitos elogios da crítica. Ainda assim, é o azarão do grupo, e dessa vez não ganhará.

ATRIZES COADJUVANTES

Amy Adams, 44 anos, 6ª indicação. Foi indicada antes por Retrato de Família (2005, coadjuvante), Dúvida (2008, coadjuvante), O Vencedor (2010, coadjuvante), O Mestre (2012, coadjuvante) e Trapaça (2013, principal). Agora concorre por Vice. Uma das estrelas da atualidade, apesar de ter diversas indicações, Amy nunca ganhou um Oscar. Se a categoria não tivesse uma franca favorita, ela certamente levaria a estatueta. Porém, não será dessa vez...

Marina de Tavira, 44 anos, 1ª indicação. Concorre pelo superestimado Roma. Tal como sua colega de elenco, teve indicação inesperada. Ela interpreta a patroa de Yalitza Aparicio, atua com bastante competência, mas é a azarona na categoria. A indicação já é um prêmio.

Regina King, 48 anos, 1ª indicação. Concorre por Se a Rua Beale Falasse, e é a grande babada do evento. Ganhou quase todos os prêmios até agora e é a favoritíssima ao Oscar. Justo! Afinal, tem uma longa trajetória, sempre em papéis coadjuvantes e nunca lembrada pela crítica. Agora chegou o seu momento.

Emma Stone, 30 anos, 3ª indicação. Foi indicada antes por Birdman (2014, coadjuvante) e La La Land - Cantando Estações (2016, principal, ganhou!). Junto com Amy Adams, uma das estrelas da categoria, e concorre por A Favorita. Poderia concorrer de igual por igual com as demais indicadas, se não tivesse Kig na parada...

Rachel Weisz, 48 anos, 2ª indicação. Foi indicada antes por O Jardineiro Fiel (2005, coadjuvante, ganhou!). Agora concorre, assim como Emma Stone, por A Favorita. Apesar de ser excelente atriz, infelizmente também só está completando a lista das indicadas, pois o prêmio já tem dona.

Bom, é isso. A cerimônia acaontecerá no dia 24/02 a partir das 22h, e eu como sempre, irei ver no canal pago TNT, pois a Globo pouco se importa com o telespectador, e vai preferir apresentar o Big Brother no lugar. Enfim, aguardemos o reultado. 

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Halloween

 Os produtores de Hollywood não se cansam em refilmar, fazer sequências ou começar uma nova frnquia através de clássicos do cinema. Seria isso ausência de criatividade coletiva por parte dos roteiristas? Enfim, o fato é que, pela segunda vez, resolvem refazer Halloween, o clássico do terror de John Carpenter.

 Na verdade, o que ocorre aqui não é uma nova franquia; isso ocorreu sim em 2007, com uma continuação em 2009. Dessa vez, contudo, a ideia foi outra: fazer uma sequência direta do clássico de 1978, e ignorar todas as diversas sequências que a fita originou. Isso explica a presença da heroína Laurie Strode, morta em "Halloween: A Ressurreição" (simplesmente a coisa mais desastrosa já feita na vida, um "big brother" de terror!), mais uma vez vivida pela excelente Jamie Lee Curtis.

 Laurie é uma idosa que vive sozinha, e totalmente neurótica, perturbada com os acontecimentos de exatos quarenta anos atrás, em que o assassino psicopata Michael Myers a aterrorizou e matou seus amigos. Quando ela descobre que ele fugiu do hospital psiquiátrico em que se encontrava, parte para a defesa, e tenta proteger sua família: a filha com quem mal se relaciona, e a neta, uma adolescente rebelde. Essas três mulheres mostrarão a força através da união.

 A excepcional trilha sonora angustiante e amedrontadora , presença fixa em todos os filmes "Halloween" permanece aqui. A introdução, como Michael Myers sendo visitado por uma dupla de médicos, é arrepiante e deixa uma boa sensação de expectativas. Entretanto, o roteiro, do próprio diretor David Gordon Green, ao lado de Danny McBride e Jeff Fradley, é muito ruim. Tudo o que sucede em cena é previsível, e as cenas de mortes são fracas. Para piorar, alguns personagens são esquecidos no meio da trama, e outros assumem condições de idiotas (como o pai da mocinha). Além disso, um conflito dramático que sugere um ajuste de contas entre mãe, filha e neta, fica a desejar, e nunca chega a acontecer.

 No elenco, além de Jamie Lee Curtis, envelhecida, mas em forma aos 59 anos, a boa atriz Judy Greer está desperdiçada como a filha de Jamie, deixando uma personagem que deveria ser importante, relegada a coadjuvante sem força. A verdaeira heroína da vez é uma novata chamada Andi Matichak, que não deixa impressões. Aliás, quem foi responsável pelo elenco não soube escolher bem, pois os rapazes, além de péssimos atores, são feios demais, nenhum convencem como galãs. Por fim, há também a presença do veterano Will Patton, como um policial.

 Por que resolveram fazer essa sequência? Em 1998, o diretor Steve Miner já havia realizado uma boa continuação, intitulada "H20: Vinte Anos Depois", em que Jamie já ressurgia poderosa. E mesmo tendo sido realizado depois o desastre "Ressurreição", não deveriam ter constrangido Jamie mais uma vez. Como terror resulta numa produção fraca, cansativa, previsível e com uma falsa propaganda de expectativa no início. Não vale a pena. Abraços!

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sexta-feira, 5 de outubro de 2018

A Freira

 Para a galera que curtiu as franquias de "Invocação do Mal" e "Annabelle", não podem perder "A Freira", a demoníaca personagem que foi citada em ambos os filmes mencionados. A popularidade que ela adquiriu em comunidades de redes sociais criou uma certa expectativa para a estreia do filme.

 A história é ambientada na década de 50, quando um padre e uma noviça são designados para investigarem um convento numa comunidade distante na Romênia, pois uma jovem freira foi encontrada brutalmente morta. Assim, associam-se com um jovem trabalhador rural (que encontrou o corpo da freira) e passam a investigar. Estranhas aparições causam o pânico dos três, junto com as demais freiras que povoam o convento.

 Como se pode esperar, há sustos eletrizantes, que pegam o espectador desprevinido (ainda que isso já seja um clichê). As locações na Romênia favorecem para um clima de pânico e terror, o que contribui ainda mais para a diversão. Entretanto, os momentos de alívio cômico, constantes na figura do galã, interpretado pelo jovem belga Jonas Bloquet, atrapalham o que deveria ser uma trama sobrenatural e tensa. Além disso, a expectativa sobre a origem da personagem título é quebrada, se alguém esperava uma biografia ou coisa parecida.

 No elenco, fora Bloquet, o mexicano Demián Bichir, já indicado ao Oscar, faz o exorcista, acompanhado da jovem Taissa Farmiga, como a noviça Irene. Taissa, aliás, é irmã mais nova de Vera Farmiga, a protagonista dos filmes "Invocação do Mal". A própria Vera, junto com Patrick Wilson, faz participação no fim. Ambos revivem seus personagens de "Invocação" (Vera também aparece no início). 

 Enfim, o excesso de sustos fáceis, sempre acompanhados por trilha sonora tensa, podem parecer lugar comum para o habituado fã. Ao menos, há cenas que ficam marcadas, como o momento da reza coletiva entre as freiras, atrapalhado pela presença do mal. O final também surpreende e deixa a porta aberta para uma sequência. O novo mestre do terror, James Wan, diretor de "Sobrenatural" e o já mencionado "Invocação do Mal" é apenas o produtor e colaborou no roteiro de Gary Dauberman. O diretor da vez é Corin Hardy, que já tinha feito o interessante "A Maldição da Floresta" três anos antes, e consegue fazer um razoável entretenimento do terror. Para quem não for muito exigente, vale conferir.

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domingo, 29 de julho de 2018

Missão Impossível: Efeito Fallout

 Quem diria que a série "Missão Impossível" iria ter vida longa no cinema! Este já é o sexto episódio, e o bacana é que tecnicamente um vai sempre superando o outro, além de todos serem grandes espetáculos visuais para se ver na tela grande.

 A direção de Christopher McQuarrie no episódio anteior, "Nação Secreta",deu certo e ele assumiu mais essa agitada aventura, além de ser autor do roteiro, sempre se inspirando na popular série de tv da década de 60, criada por Bruce Geller.

 Sem dúvida, o que torna a série mais complexa, sobretudo essa sequência, é o roteiro extremamente confuso, em que as missões impossíveis são acompanhadas de ordens complicadas e surreais mesmo. Aqui, o agente Ethan Hunt precisa recuperar uma pulseira de plutônio, ou coisa parecida, e deter um perigoso vilão, Solomon Lane (visto em "Nação Secreta") e entregá-lo para uma quadrilha, chefiada pela Viúva Branca, que querem a cabeça dele. Assim, Hunt e sua turma embarcam para missões perigosíssimas.

 O legal da série é que ela não cansa nunca. Mesmo as cenas de perseguições e explosões se assemelharem a tantos outros filmes, são sempre dinâmicas, bem elaboradas e prendem a atenção. Aqui, nem mesmo a duração excessiva (duas horas e meia) atrapalha a diversão. As locações turísticas dessa vez são Paris, Londres e Caxemira, que prometem situações eletrizantes. No começo, já há uma sequência de salto de helicóptero com para-quedas surpreendente. De qualquer forma, é bom admitir que a melhor sequência no quesito ação é mesmo a quarta parte, cujo subtítulo é "Protocolo Fantasma".

 Vamos ao elenco. Tom Cruise já prometeu que esse é seu último filme de ação, principalmente pelo fato de ter se machucado para valer, já que sempre dispensa dublês. Além disso já está sentindo o peso da idade também. Ving Rhames e Simon Pegg, os habituais parceiros, dão um jeito no alívio cômico. A bela sueca Rebecca Ferguson, também de "Nação Secreta", está em boa forma e garante bons momentos de impacto. Alec Baldwin também retorna representando a autoridade do agente Hunt. A novidades estão por conta da presença de um novo parceiro vivido pelo canastrão Henry Cavill, outra autoridade governamental vivida pela ótima Angela Bassett, a jovem Vanessa Kirby como vilã, outro reotno, o do vilão do episódio anterior, Sean Harris e também retorna Michelle Monaghan, como a ex-esposa de Hunt.

 O espetáculo é garantido, e cria uma expectativa de "quero mais", um possível novo episódio, mesmo sem Tom Cruise (será????). Só não entendi muito bem, no fim, a lógica da personagem de Angela Bassett, mas nada estraga o prazer de se apreciar um blockbuster eficiente, divertido e eletrizante. Recomendo.

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domingo, 22 de julho de 2018

Jurassic World: Reino Ameaçado

 Três anos após o início de uma nova safra sobre uma franquia de enorme sucesso que estreou em 1993, "Jurassic Park", comandado por ninguém mais ninguém menos que Steven Spielberg, surge essa sequência, que ganha novo diretor , o espanhol J.A. Boyona (de "O Orfanato" e "O Impossível"), e conta com o cineasta do anterior, Colin Trevorrow, no roteiro, junto com Derek Connolly.

 Claire Dearing (Bryce Dallas Howard) é convidada para retornar à ilha Nublar para salvar os dinossauros de um vulcão que está prestes a entrar em erupção. Organiza sua equipe e convence Owen Grady (Chris Pratt) a retornar também. Mas há uma conspiração por parte de quem a convidou, Eli Mills (Rafe Spall), que pretende leiloar os dinossauros e se tornar milionário. Entretanto, novas e aterrorizantes raças de dinossauros estão lá para acabar com tudo e todos, e podem estragar os planos do vilão.

 Quando o primeiro Jurassic World estreou (sempre nos créditos consta o nome do autor do livro original, Michael Crichton, embora a adaptação mesmo é a do filme de 1993), fez um razoável sucesso, contando uma história empolgante, divertida, assustadora e repleta de sequências de ação e suspense. Aqui, contudo, tudo é previsível, cansativo, e sem maiores surpresas. O casal central que retorna, Pratt e Dallas Howard, está mais apáticos. Alguns críticos acharam que essa nova produção está bem próixima do gênero terror, especialidade do diretor. No entanto, o Jurassic Park 3 parecia muito mais terror do que esse. As sequências finais, com os vilões sendo devorados pelos dinossauros, trazem mais entusiasmo para a narrativa. Mas, de forma geral, esse aqui ficou abaixo das expectativas (nem mesmo o show de efeitos visuais e sonoros me convenceu).

 No elenco, além dos heróis, Rafe Spall faz um vilão nada memorável, Jeff Goldblum (que atuou em Jurassic Park 1 e 2) retorna numa participação no mesmo papel, na cena inicial e na final, mas sem grandes chances, o veterano James Cromwell faz o novo proprietário do parque (faz lembrar Richard Attenborough na safra anterior), Toby Jones faz o vilão nanico, a veterana Geraldine Chaplin está num papel que é rapidamente esquecido, há uma criança chata feita por uma certa Isabella Sermon (aliás, todas as crianças de qualquer filme Jurassic são chatas) e há também uma dupla de coadjuvantes que auxiliam o casal central, e servem como alívio cômico (mas sem sucesso), interpretada por dois rostos novos, Justice Smith e Daniella Pineda.

 Enfim, sabe-se que o Jurassic World 3 está em pré produção e vai estrear em 2021, novamente com Trevorrow (do primeiro) na direção, e também Chris Pratt e Bryce Dallas Howard de novo no elenco. Espera-se que tenha mais criatividade na história e cenas de ação mais ousadas, pois esse aqui é daqueles entretenimentos que caem facilmente no esquecimento. Abraços!

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domingo, 20 de maio de 2018

Vingadores: Guerra Infinita

 Muita coisa mudou desde o primeiro filme da franquia até os dias de hoje. O fato mais interessante é que a toda poderosa Marvel tornou-se agora estúdio de cinema, e esteve a frente dessa super produção, ao lado da Disney. Como era de se esperar, as filas de cinema tornaram-se mais do que quilométricas.

 Os irmãos Russo, Anthony e Joe, permanecem na direção na história adaptada do mundo de Stan Lee, por Christopher Markus e Stephen McFeely. E a impressão que fica é que eles não querem nem saber se o público é leigo ou não; por essa razão, seria razoável os espectadores mais distantes do universo Marvel assistir aos dois episódios anteriores. Mesmo porque a quantidade de personagens é absurdamente gigante, ficando de fora apenas o Arqueiro e o Homem Formiga.

 Falando na história, o grande vilão aqui é Thanos que almeja conquistar uma coleção de seis poderes diferentes entre si, que o tornará poderoso e acabará com metade da população na Terra. Para isso, os vingadores se unem para combatê-lo, incluindo so guardiões da galáxia, e a turma do Pantera Negra.

 Honestamente, esse episódio acaba sendo o mais entediante dos três, e também o mais longo. Creio que isso acontece pelo fato de boa parte das cenas ser ambientada em território intergaláctico, tornando o filme mais próximo da ficção científica, o que não é comum na série. Mas o interese e o ritmo vão melhorando no decorrer do desenvolvimento, e não podemos esquecer dos bons instantes de alívio cômico, o que deixa o entretenimento mais suave, e com direito a uma sessão cinematográfica de nostalgia com as citações dos clássicos filmes dos anos 80, feitas pelo Homem Aranha.

 Quanto ao elenco e seus respectivos personagens, essa é a parte mais complexa, pois com um número gigantesco de protagonistas, nem todos se destacam. Devo mencionar que o vilão personalizado por Josh Brolin é o melhor do filme: temível, impiedoso e o mais indestrútive entre todos. Entre os heróis, a protagonista é mesmo a Gamora de Zoe Saldana, dos guardiões da galáxia, que tem uma relação afetiva de paternidade com o vilão; ela é o núcleo da história, bem amparada por Chris Pratt (também fazendo gracinhas), o que deixa o público que ainda nãoa assistiu "Guardiões da Galáxia", como eu, meio sem chão.

 Entre nossos populares heróis,  Robert Downey Jr. (Homem de Ferro), Chris Hemsworth (Thor), Elizabeth Olsen (Feiticeira), Paul Bettany (Vision) e Benedict Cumberbatch (Dr. Estranho) levam a melhor, além do já mencionado "palhaço" Homem Aranha, vivido pelo fraquinho Tom Holland. Por outro lado, Mark Ruffalo (com um Hulk bem ausente), Chris Evans (sem o uniforme de Capitão América) e Scarlett Johansson (sempre bela Viúva Negra) estão desperdiçados e sem grandes momentos. A turma do Pantera Negra, vivido por Chadwick Boseman, dá uma força também. O "dúbio" Loki de Tom Hiddleston tem uma participação interessante no começo, mas logo desaparece. E pra fehcar o elenco estelar, diversos atores que participaram das franquias individuais de cada herói, revivem seus personagens, como é o caso de Don Cheadle, Karen Gillan, Anthony Mackie, Sebastian Stan, Idris Elba, Danai Gurira, Peter Dinklage, Benedict Wong, Dave Bautista, Gwyneth Paltrow, William Hurt, Letitia Wright, as vozes de Bradley Cooper e Vin Diesel, além de cena pós crédito com Samuel L. Jackson e Cobie Smulders.

 É óbvio falar da excepcional competência técnica, garantia necessária para a diversão, mas não se pode deixar de mencionar, mesmo porque quem já viu não cansa de fazer spoiler, que a conclusão desagrada praticamente a todos, incluindo a cena já mencionada pós créditos, e que os fãs já estão contando os segundos para assistir a sequência desse "inacabável" filme. Enfim, nesse ponto, a expectativa aumenta ainda mais os méritos dessa superprodução, pois foi realmente a aventura mais fraca dos queridos heróis da Marvel. Em todo caso, não deixaremos de acompanhar tudo sobre o próximo filme, provavelmente no ano que vem. Abraços!

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