Finalmente assisti a essa super-produção , talvez a mais aguardada do ano. E tive o prazer de assisti-la na sala IMAX do Shopping Bourbon (na verdade, a expectaiva de ver o filme nesse formato era maior), no domingo passado às 22h15! O que posso dizer referente a sala, é que ela não é muito diferente das salas 3Ds, afinal, possui a mesma estrutura que elas. O diferencial, de fato, é a mega tela, que é específica para espetáculos grandiosos como Alice. Aliás, tive vontade de assistir Avatar em uma sala IMAX (talvez eu teria apreciado mais). Em todo caso, pretendo frequentar essas salas mais vezes, nem que seja para ver o documentário de animação, Um Mar de Aventuras. O trailer foi excepcional!
Quanto ao filme, admito que foi bom assistir no IMAX. Caso contrário, não teria gostado muito. Afinal, o entusiasmo para assistir ao filme era tanto, que acabei me decepcionando um pouco. O autor Lewis Carroll trabalha com o fantástico e o absurdo em sua obra literária. Portanto, não conseguia imaginar outro cineasta comandando essa produção. Tinha que ser mesmo Tim Burton, um diretor com estilo próprio e único. Porém, achei tudo tão rápido, pouco criativo, previsível. No começo, quando a jovem Alice (no livro, ela é criança) começa a dançar uma quadrilha bem bizarra, senti mais do que nunca a presença irreverente de Burton, e aguardei bastante atento outras esquisitices burtinianas. Mas não apareceram muitas. Claro que os cenários, a maquiagem e a caracterização das personagens são extraordinários (particularmente, gosto dos garotos gêmeos), e isso acaba sendo o ponto alto do filme.
Acho que Alice no País das Maravilhas dispensa qualquer comentário referente a sinopse, já que esse clássico é bastante popular, e já foi filmado outras vezes. O que muda é a idade da heroína, que aqui é uma jovem prestes a ser pedida em casamento. Quem interpreta Alice é a estreante Mia Wasikowska, que se encaixa como uma luva no papel. Contudo, quem tem mais chances no roteiro de Linda Woolverton é o Chapeleiro Maluco, que é interpretado pelo ator predileto de Burton, Johnny Depp. Seu personagem tem participação de destaque no filme, bem diferente do que acontecia no livro. E ele se encaixa bem em personagens estranhos, definitivamente é um bom ator ( e os momentos de humor são graças a ele). Ainda no elenco, a musa de Burton, Helena Bonham- Carter, no papel da Rainha Vermelha. Pelo que parece, a atriz abandonou de vez as personagens aristocratas de filmes de época, e tem uma caracterização bastante hilária como a rainha de cabeça enorme e que adora cortar cabeças! Por fim, Anne Hathaway transmite charme e encanto como a Rainha Branca. Não posso me esquecer das vozes dos britãnicos Stephen Fry, Michael Sheen e Alan Rickman, respectivamente, como o gato, o coelho e a lagarta azul, todos competentes.
Não digo que não gostei do filme; ao contrário, apreciei muito. Mas, como sou admirador da obra de Burton, esperava uma aventura mais ousada e mais bizarra. Não gostei também da luta estilo "capa-espada" entre a heroína e um monstro; definitivamente, fora de contexto. Há também uma surpresa no fim, que esclarece o espanto que as personagens tem com a presença de Alice (pra mim, dispensável). Mas, me diverti bastante com o filme (minha esposa também) e o recomendo! Preferencialmente, assistam na sala IMAX. Em todo caso, ainda aguardo uma produção burtiniana, ao estilo de "Os Fantasmas se Divertem" e "Ed Wood", na minha humilde opinião, os melhores filmes do cineasta. Abraços!
( EUA 1995 ). Direção: David Fincher. Com Brad Pitt, Morgan Freeman, Gwyneth Paltrow, Kevin Spacey, R. Lee Ermey, John C. McGuinley, Richard Rowndtree, Richard Partnow, Mark Boone Jr., Julie Araskog. 127 min.
Sinopse: Dois detetives, um veterano e prestes a se aposentar, e outro jovem e idealista, investigam misteriosas mortes, praticadas por assassino que mata pessoas que cometeram um dos sete pecados capitais.
Comentários: Eficiente thriller de suspense, com roteiro inteligente (de Andrew Kevin Walker), e que revelou o nome do diretor David Fincher, que antes havia feito "Alien 3". Fincher, inclusive, tornou-se um cineasta de prestígio e de estilo próprio, após esse bem-sucedido trabalho. O filme pegou carona com o sucesso de "O Silêncio dos Inocentes", a quem faz uma rápida referência, mas desenvolveu-se de uma forma original e extremamente perturbadora (não há final feliz). Ponto paras os realizadores, que conseguiram construir um clima mórbido, sombrio e assustador, repleto de reviravoltas e surpresas, a ponto de fazer o espectador ficar preso na tela e alheio aos bizarros acontecimentos que aparecerão. Apesar de tudo, não é um filme violento; ao contrário, é até discreto, já que o roteiro poupa o público de presenciar as vítimas morrendo, uma vez que os corpos aparecem nos locais do crime já sem vidas. Ou seja, o mais assustador do filme é exatamente aquilo que não é mostrado, permitindo ao espectador a oportunidade de imaginar como as mortes foram executadas. Quanto ao elenco, Morgan Freeman leva a melhor como o detetive veterano. Aliás, esse é o papel que se tornou habitual na carreira desse grande ator, após Seven. Kevin Spacey, como o assassino (não se preocupem; aqui, a identidade do assassino não é nenhum segredo), demonstra que o Oscar que recebeu em 95 não foi em vão. Bem, como é sabido, Spacey não ganhou o Oscar de coadjuvante por esse filme, mas sim por "Os Suspeitos", do mesmo ano. Ou seja, foi de qualquer forma um prêmio super-merecido pelo conjunto da obra, já que ele esteve excelente em ambos os filmes (apesar de aqui não aparecer creditado). Gwyneth Paltrow, como a esposa de Pitt (na época, eram noivos na vida real), está apenas apática, mas não estraga. Portanto, o único canastrão é o galã, o próprio Brad Pitt. Atua sem emoção e com texto decorado. Quase estraga a última cena, inclusive. Em todo caso, nem ele atrapalhou a grande surpresa que Seven acabou sendo para o gênero que, apesar das várias imitações, sempre consegue manter seu status, graças ao ótimo roteiro e a competente direção de Fincher. Indicado ao Oscar de montagem.
Por que gravei o filme: Foi gravado na HBO, simplesmente pelos motivos que já foram expostos no comentário acima. Seven abriu as portas para que o público pudesse conhecer o novo cineasta que surgia na época, apesar de seus filmes posteriores terem oscilado entre bons e maus. Mas Fincher é sempre interessante, e seus filmes merecem, dignamente, mais do que uma espiada. Freeman e Spacey dão um show de interpretação, o que acaba tornando o filme mais atraente e digno de credibilidade.
( EUA 1955 ). Direção: Alfred Hitchcock. Com Cary Grant, Grace Kelly, Jessie Royce Landis, Brigitte Auber, Charles Vanel, John Williams, Georgette Anys. 106 min.
Sinopse: Famoso ladrão de jóias, atualmente "aposentado", é perseguido pela polícia quando é acusado de ser o principal suspeito de uma nova onda de roubo de jóias. Tenta descobrir a identidade do verdadeiro criminoso, enquanto foge, e se envolve com bela mulher.
Comentários: Um dos filmes mais diferentes do grande mestre Hitchcock, Ladrão de Casaca é um suspense bastante humorado. Aqui, os instantes de tensão são substituídos por momentos de refinado humor, ainda que com boas sequências de perseguição. Cary Grant continua esbanjando seu charme, ainda que na época já tivesse 51 anos. E forma uma dupla perfeita com uma das estrelas favoritas de Hitchcock, a futura princesa de Mônaco Grace Kelly, que esbanja talento, beleza e, naturalmente, sua habitual elegância, já que aparece vestida com luxuosos figurinos. A cena de maior impacto é quando Grace dirige seu automóvel em alta velocidade, tentando despistar a polícia, ao lado de um amedrontado Cary Grant, que tenta disfarçar o seu medo perante essa situação. Com Ladrão de Casaca, sem dúvida, sentimos falta de momentos mais macabros e assustadores, existentes na maioria dos filmes do mestre. Além disso, o roteiro de John Michael Hayes (adaptado do livro de David Dodge), não fornece chances para cenas mais assustadoras, como àquelas existentes em filmes como Disque M Para Matar ou Janela Indiscreta (ambos com Kelly, inclusive), e as cenas de maior suspense são algumas de perseguições, como a já mencionada anteriormente. E, por fim, o final é fraco. Em todo caso, a direção de Hitchcock permanece segura e intacta, a dupla central tem química perfeita e a fotografia é deslumbrante. Sem dúvida, um ótimo entretenimento. Indicado a três Oscar, ganhou melhor fotografia, e foi indicado ainda para direção de arte e figurino.
Por que gravei o filme: Sem dúvida porque é um filme de Hitchcock. Este não é dos meus filmes favoritos, mas qualquer produção assinada pelo grande mestre do suspense, bem-sucedida ou não, é indispensável na coleção de qualquer cinéfilo. E Cary Grant e Grace Kelly formam sempre uma dupla digna de ser assistida. O único problema é que foi gravado no excelente Retro Channel, que apresenta um único defeito: o ruim sistema de legendagem. Mas não atrapalha muito, e dá para assistir à esse bom clássico.
( EUA 2002 ). Direção: Martin Scorsese. Com Daniel Day-Lewis, Leonardo DiCaprio, Cameron Diaz, Jim Broadbent, Henry Thomas, John C. Reilly, Brendan Gleeson, David Hemmings, Liam Neeson. 166 min.
Sinopse: No século XIX, em Nova York, duas gangues rivais se enfrentam: Os Nativistas e os Coelhos Mortos, liderados por um padre e com participação das massas carentes. O líder dos nativistas, corrupto e cruel, assassina o líder da outra gangue. Anos depois, o filho do assassinado, de descendência irlandesa, resolve se vingar e reorganiza a gangue.
Comentários: Super-produção da Miramax indicada a dez Oscar: filme, diretor, ator (Daniel Day-Lewis), roteiro original (de Jay Cooks, Steven Zaillian e Kenneth Lonergan), fotografia, figurino, direção de arte, montagem, som e canção, mas não ganhou nada. A maior surpresa, entretanto, foi a não premiação de Martin Scorsese como melhor diretor de 2002, já que essa categoria era uma das únicas que o filme disputava como favorita. Quem ganhou, na ocasião, foi Roman Polanski, por "O Pianista", aliás, outro cineasta normalmente esquecido pela Academia. Na verdade, Scorsese era o favorito na categoria, não exatamente pelo filme, mas sim pelo conjunto da obra, já que ele é um grande cineasta e nunca tinha sido premiado pela academia. E certamente, o famoso diretor de "Taxi Driver - Motorista de Táxi"e "Os Bons Companheiros" fez filmes melhores antes de "Gangues", e também depois (O Aviador, Os Infiltrados). Ou seja, o Oscar não surgiu na hora errada. Em relação ao filme, Gangues de Nova York trás um eficiente trabalho de direção de arte, na reconstituição da Nova York dos anos mil e oitocentos, com bons figurinos e fotografia. O roteiro é inspirado em fatos que marcaram a história nova-iorquina, e oferece cenas bem violentas e sangrentas. Daniel Day-Lewis também era favorito no Oscar (e também perdeu por um ator de "O Pianista", Adrien Brody), e está muito bem como o vilão Bill Cutting, bem sádico e sanguinolento (além de assassino, o personagem é açougueiro). Ele está um tanto irreconhecível com bigodão, e um pouco exagerado em algumas cenas. Leonardo DiCaprio se consagrou em 2002 como um dos atores mais detestados pela academia de artes e ciências cinematográficas, que não indicou o rapaz ao Oscar. Num ano em que ele se destacou em dois filmes (o outro é Prenda-me se For Capaz, de Spielberg), Leonardo demonstrou que realmente é um bom ator (apesar da voz um tanto enjoada), e merecia uma indicação. E a bela Cameron Diaz, no papel de uma ladra trapaceira, surge como a moça dividida entre os dois astros centrais. Scorsese fez em seu filme uma analogia às guerras da era Bush, ao mostrar, paralelamente entre as brigas de gangues, o alistamento obrigatório para a guerra civil do governo Lincoln. O que se destaca na cena, é a resistência dos pobres, que organizam passeatas e tentam fazer valer o direito de não irem para a guerra. Claro que as conseqüências disso são lamentáveis e desfavoráveis às classes mais baixas (sobretudo, aos negros). Enfim, Gangues é um filme que denuncia a guerra e o racismo (os irlandeses imigrantes também são vítimas da intolerância racial), mas sem ser anti-patriota. Afinal, na conclusão, Nova York é consagrada e enaltecida, vista como um local que, apesar das sangrentas batalhas, conseguiu se recompor e se tornou uma das cidades mais ricas do mundo. E é também um filme que tem como ideal a justiça com as próprias mãos: ou seja, o herói sofre bastante, inocentes morrem, ficamos com ódio de Day-Lewis que está sempre por cima... mas, no final, os vilões pagam caro por suas maldades. Concluindo, Gangues é um bom filme, mas não excelente, bastante arrastado, longo, violento, confuso e sem grandes surpresas.
Por que gravei o filme: Admiro o conjunto da obra de Martin Scorsese, por isso gravei o filme no Max Prime. E mesmo não sendo o meu filme favorito de Scorsese, gostei da mensagem que a fita acabou trazendo (mesmo sem saber se foi ou não intencional) contra as guerras. E os atores estão competentes nos papéis, até mesmo Liam Neeson, que tem participação pequena como o padre que lidera a "gangue do bem" na primeira parte do filme. E, por fim, o filme se sustenta como um bom épico de aventura, com cenas de batalha bem elaboradas, e garante o entretenimento.
Conforme havia mencionado na postagem anterior, no último sábado assistimos Ilha do Medo, o novo filme de Martin Scorsese. Como gosto muito do cineasta, já aguardava assistir ao filme com alguma expectativa. E admito: gostei.
Scorsese é aquele tipo de diretor que faz de tudo: ainda que, frequentemente, dirija filmes de gângsters (Os Bons Companheiros, Cassino, Os Infiltrados), já fez comédia (Depois de Horas), drama romântico (A Época da Inocência), biografia (O Aviador) e até terror (Cabo do Medo). E está de volta no gênero sobrenatural com esse suspense acima da média.
Leonardo DiCaprio (atualmente, o ator predileto do diretor) interpreta o policial Teddy Daniels que, junto com seu parceiro, Chuck Aule (Mark Ruffalo, de E Se Fosse Verdade), é convocado para investigar o misterioso desaparecimento de uma mulher chamada Rachel, uma paciente de um hospital psiquiátrico, localizado numa ilha chamada Shutter. A história se passa nos anos 50, e enqaunto DiCaprio tenta solucionar o mistério, é assombrado por alucinações do passado, em que recorda sua atuação profissional contra os nazistas, e a morte acidental de sua esposa, Dolores Chanal (Michelle Williams), que morreu queimada no prédio em que moravam. As coisas se complicam, quando o policial começa a desconfiar que está envolvido numa possível cilada.
Com muitas reviravoltas no roteiro, escrito por Laeta Kalogridis ( e adaptado do livro de Dennis Lehane), além de contar com boa direção de arte e fotografia, Ilha do Medo surpreende o espectador, por conta de algumas pistas falsas que a trama apresenta e que, aos poucos, vai mostrando onde quer chegar. A conclusão pode desagradar àqueles que esperam um suspense previsível e com desfecho feliz para o herói. Isso pode ocorrer facilmente, porque o tempo todo estamos torcendo para DiCaprio solucionar o mistério. Mas, Scorsese, reserva algumas surpresas no desenvolvimento da história, que lembra um pouco produções como O Sexto Sentido, Os Outros e Identidade. Espero não estar revelando nada; em todo caso, relaxem: DiCaprio não é um morto-vivo, que depois descobre que morreu.
No elenco, destaque também para a participação de Patricia Clarkson que, apenas em uma cena, desenvolve uma personagem interessante, e que trás informações surpreendentes para a história. Talvez se a personagem surgisse novamente, próximo ao fim, o filme tomaria um rumo mais agradável ao espectador. Os veteranos e excelentes Ben Kingsley e Mas Von Sydow, interpretam os médicos/diretores do hospital, que tornam-se obstáculos para as investigações de DiCaprio. E Jackie Earle Haley ( o novo Freddy Krueger, da nova safra A Hora do Pesadelo ) faz um lunático, que apresnta algumas pistas para o desfecho. Paro por aqui, estou revelando muita informação.
Enfim, Ilha do Medo é um thriller eficiente, muito bem dirigido e protagonizado, e que prenderá a atenção dos fãs do gênero. Após a conclusão do filme, existe a possibilidade de diversas leituras alegóricas sobre a personagem de DiCaprio. Recomendo com o maior prazer. Abraços!
Sábado passado foi um dia excelente pra ir ao cinema: uma tarde bem típica de inverno, em pleno verão. Até que num clima desses, uma comédia romântica cai muito bem. E o título acima, eu e minha esposa assistimos no habitual Santana Park Shopping. Quanto ao filme? Obviamente previsível, mas nunca deixa de ser um passatempo atraente, sobretudo por conta do elenco estelar.
Nunca escondi que gosto de filmes com diversas histórias paralelas; normalmente, aprecio tramas mais dramáticas, como Short Cuts - Cenas da Vida, de Robert Altman; Magnólia, de Paul Thomas Anderson; e Bobby, do ator Emílio Estevez, só pra citar alguns; Mas, a referência óbvia desse filme, é a comédia inglesa Simplesmente Amor, também com grandes nomes em seu elenco, e que se saiu melhor. Na verdade, o que faltou em Idas e Vindas do Amor foram cenas mais cômicas e divertidas. Ainda assim, é um filme leve e agradável, mais amado pelas mulheres (mas não aborrece os homens), e dirigido pelo especialista do gênero, Garry Marshall (de Uma Linda Mulher), e roteirizado por Katherine Fugate.
Qual a sinopse? Bom, no dia dos namorados ( o Valentine´s Day, do título original ), várias tramas paralelas de casais apaixonados, ansiosos e envolvidos com encontros, desencontros e vários obstáculos na Los Angeles da atualidade. Nesse cenário, temos o dono de uma floricultura, Ashton Kutcher, tremendamente feliz, pois sua noiva Jessica Alba aceitou seu pedido de casamento; a professora Jennifer Garner, feliz da vida com o novo namorado Patrick Dempsey; o casal de velhinhos Hector Elizondo e Shirley MacLaine, comemorando anos e anos de casamento, e por aí vai... Claro que não é tudo bonitinho assim, pois obstáculos, traições e reviravoltas tomam conta da vida de todas as personagens.
Não há, portanto, um protagonista, pois muitas personagens se destacam (algumas, nem tanto). A estrela Julia Roberts, por exemplo, aparece como uma tenente que divide o acento do avião com um ricaço; o novo galã das meninas, Taylor Lautner, está feioso e despercebido como um adolescente atleta e meio bobão. Gosto particularmente dos papéis curiosos das atrizes Anne Hathaway, que interpreta uma atendente de tele-sexo, e que trabalha com o celular em qualquer horário e local, e Jessica Biel, que faz uma mulher que promove um encontro com todos aqueles que, como ela, odeiam o dia dos namorados. Entretanto, ao meu ver, o casal central acaba sendo Ashton Kutcher e Jennifer Garner, que embora apenas amigos, têm destino altamente previsível. Previsibilidade, aliás, é a palavra para o filme. Apesar de algumas reviravoltas interessantes, é daqueles filmes que todos sabem como deve terminar; por isso, não é nada especial, mas entretém.
Enfim, indico a película para os casais românticos e apaixonados. Ainda prefiro Simplesmente Amor, mas Marshall é especialista em tramas sobre casais apaixonados. Agora, estou de saída: assistirei Ilha do Medo, de Martin Scorsese. Um grande abraço a todos.
( EUA2005 ). Direção: Francis Lawrence. Com Keanu Reeves, Rachel Weisz, Shia LaBeouf, Djimon Hounsou, Max Baker, Peter Stormare, Pruitt Taylor Vince, Tilda Swinton. 121 min.
Sinopse: John Constantine é um exterminador de demônios, tipo um exorcista. Após a misteriosa morte de uma mulher, ele se une à irmã gêmea dela, uma policial, na investigação do homicídio. Ao mesmo tempo, se depara com criaturas malignas que pretendem trazer à terra, o filho de Satã.
Comentários: Baseado em quadrinhos, Constantine apresenta eficientes cenas de ação, e uma excelente direção de arte, sobretudo na composição do inferno. Entretanto, o roteiro adaptado por Kevin Brodbin e Frank Cappello é bastante confuso e não esclarece muito bem a relação existente entre as gêmeas e as criaturas.Enfim, porque que elas são perseguidas?O fato de uma delas ter o dom de ver fantasmas não é tão esclarecedor. Quem interpreta as irmãs é Rachel Weisz, antes do Oscar por "O Jardineiro Fiel", na ascenção de seu estrelato. Faz parceria com Keanu Reeves, canastrão como sempre. A novidade é que aqui ele faz umas expressões faciais que o torna bem esquisito, além de fumar excessivamente. Mas continua inconvincente. No elenco, também estão Djimon Hounsou, no papel de um barman que estabelece relações com os fantasmas, e a estranha Tilda Swinton como o anjo Gabriel (!). O que garante o interesse no filme, realmente, são os duelos que são travados entre Reeves e as criaturas malignas. Além disso, o clima de histórias em quadrinhos também chama a atenção, sobretudo do público que curte esse gênero. Ou seja, fica claro que, apesar do tema, não é terror, e sim ação. Após os intermináveis letreiros finais, o filme reserva uma surpresa envolvendo um dos personagens. Constantine, portanto, agradará aos adolescentes, mas decepcionará àqueles que esperam uma trama mais séria, no estilo Advogado do Diabo (também com Reeves) ou O Bebê de Rosemary.
Por que gravei o filme: Não vi Constantine nos cinemas, porque já havia intuído que não se tratava de um suspense com trama sobrenatural e assustadora, apesar do chamativo "pôster"que dá uma impressão errada ao filme. Em todo caso, gravei na HBO2, mais pelo fato de Constantine ser um blockbuster campeão de audiência, do que por ele mesmo. Mas Constantine não é de todo ruim, e apresenta alguns shows de bizarrices que chamam a atenção (sobretudo no personagem de Tilda). Keanu Reeves está tão canastrão, que até funciona na tela. Afinal, o personagem dele é tão canastra como o ator, que eu não consigo imaginar outra pessoa vivendo Constantine. No fim, também gosto das cenas de ação, e por isso o filme permanece na minha videoteca.