quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Enrolados

Nesse final de férias, ainda está em tempo para assistir um dos primeiros filmes de animação do ano, o bem-humorado Enrolados. Como já estava prevendo, eu me diverti e gargalhei bastante com o longa, embora ele não seja todo comédia.

As animações americanas de qualidade, isto é da Disney, Pixar, Dreamworks, apresentam histórias divertidas (às vezes satíricas), e conseguem captar a atenção inclusive dos adultos. Coisa que não ocorre com as produções japonesas, tal como O Mundo Encantado de Gigi, que foi minha postagem mais recente. Por isso, admito que adoro ver na tela grande tais animações.

Não me recordo de nenhuma produção famosa, para o cinema, da história de Rapunzel. Portanto, a diversão flui ainda melhor. Admito, aliás, que não imaginava ser uma adaptação do conto infantil da princesa dos longos cabelos, mas sim, uma sátira aos contos de fada, no estilo Shrek (principalmente por conta do título e do pôster do filme).

Quanto a história, muito bem dirigida por Nathan Greno e Byron Howard (roteiro adaptado por Dan Fogelman, do clássico dos irmãos Grimm ), vou poupá-los da sinopse, uma vez que todos conhecem o famoso conto da princesa que possui cabelos mágicos, e que é mantida prisioneira pela perversa madrasta em uma torre. No entanto, o que pode desagradar a alguns é a mistura de ritmo proporcionada pelo roteiro. Começa com tom de sátira, depois torna-se romântico e sentimentalista, com direito a belas canções (não se esqueçam, é produção da Disney!), vira aventura, e vai se revezando com todos os gêneros até o óbvio final feliz.

Em outras palavras, realmente não se trata de um novo Shrek. Mas, e daí? O fato é que Enrolados diverte e agrada em todos os instantes. E, como é comum em diversos filmes do gênero, os coadjuvantes roubam a cena. Fora a Rapunzel e o príncipe "anti-herói", há a presença carismática do lagarto Pascal, e do cavalo policial Maximus, sem contar, um grupo de piratas que, aparentemente, são perversos, mas na verdade são bem divertidos.

Apenas lamento a excessiva produção de filmes para 3D, que, pelo que parece, tem sua razão de existir, com o intuito de cobrar mais caro o ingresso. Afinal, fora a cena das lanternas mágicas, não vejo o porquê do filme ter sido feito para essa tecnologia. Fora isso, não deixem de conferir Enrolados, a produção mais divertida das férias. Abraços!

TRAILER:

OSCAR 2011

Mais uma vez a Academia resolveu, assim como no ano anterior, indicar 10 produções para melhor filme. Admito que já estou me acostumando com isso, mesmo porque, a lista está melhor este ano.

Bom, o favoritíssimo é de fato A Rede Social, que ganhou o globo de ouro, e outros prêmios. Porém, O Discurso do Rei surpreendeu com o maior número de indicações. Ainda não assisti, mas desde já é pra ele que eu torço, pois não gosto da Rede Social. Outros filmes indicados são O Vencedor, Inverno da Alma, Bravura Indômita, 127 Horas, Cisne Negro, Minhas Mães e Meu Pai, A Origem e Toy Story 3. Só lamento o excesso de indicações, já que todos sabem que o prêmio está entre os dois que citei anteriormente. Em todo caso, uma certeza: Toy Story 3 ganhará como melhor animação!

Os diretores são cinco. Evidentemente, estão na lista o David Fincher, por A Rede Social, e o Tom Hooper por O Discurso do Rei. E o que acaba colocando O Vencedor, Bravura Indômita e Cisne Negro numa colocação privilegiada em relação aos demais, é a indicação de seus diretores. São, respectivamente, David O. Russell, Etah & Joel Coen e Darren Aronofsky. Mas, esse Oscar já tá ganho: Se O Discurso do Rei tem chances para melhor filme, seu diretor, Hooper, não tem a mesma sorte; Fincher será o melhor diretor!

Agora os astros:

Atores

- Javier Bardem, 41 anos, 3ª indicação. Antes concorreu por Antes do Anoitecer (2000, principal) e Onde os Fracos não Tem Vez (2007, coadjuvante, ganhou!). Agora concorre pelo mexicano Biutiful. A indicação de Bardem foi a maior surpresa, já que entre os 20 atores indicados, ele foi o único que não esteve na lista do globo de ouro, nem do SAG. Não o vejo como azarão por esse motivo. Acho que tem chance, ainda que pequena.

- Jeff Bridges, 61 anos, 6ª indicação. Antes concorreu por A Última Sessão de Cinema (1971, coadjuvante), O Último Golpe (1974, coadjuvante), Starman - O Homem das Estrelas (1984, principal), A Conspiração (2000, coadjuvante) e Coração Louco (2009, principal, ganhou!). Agora, concorre por Bravura Indômita. Ou seja, é a sua 2ª indicação consecutiva. Evidentemente, o ator foi indicado por ser uma figura carismática e bastante querida entre os americanos. Mas, não vai ganhar novamente.

- Jesse Eisemberg, 27 anos, 1ª indicação. Ele concorre pelo detestável personagem real Mark Zuckerberg de A Rede Social. E esse é um OSCAR que o filme de Fincher não leva. Além disso, não acho que a interpretação de Eisemberg seja digna de indicação ao OSCAR...

- Colin Firth, 50 anos, 2ª indicação. Antes concorreu por Direito de Amar (2009, principal). Agora concorre por O Discurso do Rei, e é o grande favorito para a estatueta de ouro. Ele só não ganha, se der zebra (ainda assim, acho difícil). Enfim, é um excelente ator, e o prêmio será merecido.

- James Franco, 32 anos, 1ª indicação. Concorre por 127 Horas, filme pelo qual recebeu muitos elogios. O coadjuvante de "Spider Man" está se tornando astro em Hollywood e, inclusive, será o mestre de cerimônias da festa (se eu não me engano, creio que ninguém foi mestre no mesmo ano em que concorria). Enfim, ele já pode se sentir premiado com isso, já que certamente não ganhará o OSCAR.

Atrizes

- Annette Bening, 52 anos, 4ª indicação. Antes concorreu por Os Imorais (1990, coadjuvante), Beleza Americana (1999, principal) e Adorável Júlia (2004, principal). Agora concorre por Minhas Mães e Meu Pai. Bening é uma de minhas atrizes prediletas, mas não tem sorte no OSCAR. Toda vez que é indicada, ela acaba sendo a 2ª colocada. Infelizmente, é o que ocorre aqui. Ainda assim, por mais que as chances sejam pequenas, torço pra ela!

- Nicole Kidman , 43 anos, 3ª indicação. Antes concorreu por Moulin Rouge - Amor em Vermelho (2001, principal) e As Horas (2002, principal, ganhou!). Agora concorre por Reencontrando a Felicidade. Tmbém uma figura bastante querida por Hollywood, Kidman já foi injustiçada várias vezes pela Academia, que esqueceu de indicá-la em outros anos. Aqui, num filme pouco comercial, ela completa o time de indicadas. Apenas.

- Jennifer Lawrence, 20 anos, 1ª indicação. Sempre tem uma novata na lista de atrizes indicadas. Esse ano, é a vez de Lawrence, que concorre por Inverno da Alma. Sua interpretação foi premiada em alguns festivais, mas aqui já pode se considerar premiada com a indicação. A partir de agora, vamos saber se ela se tornará estrela, ou se simplesmente desaparecerá.

- Natalie Portman, 29 anos, 2ª indicação. Antes concorreu por Closer - Perto Demais (2004, coadjuvante). Aqui, concorre por Cisne Negro, e é a grande favorita. Até o momento, ganhou diversos prêmios. De fato, é uma personagem difícil, e digna de OSCAR. Se ganhar, será bastante merecido. Para o desespero de Bening, dificilmente dará zebra...

- Michelle Williams , 30 anos, 2ª indicação. Antes concorreu por O Segredo de Brockeback Mountain (2005, coadjuvante). Agora, concorre por Namorados Para Sempre. Tal como Kidman, concorre por um filme pouco comercial. É boa atriz, mas ainda não emplacou. Também só está completando a lista.

Atores Coadjuvantes

- Christian Bale, 37 anos, 1ª indicação. Finalmente, o astro dos últimos filmes da série "Batman" recebeu sua 1ª indicação ao OSCAR. E o ator está com sorte, pois é o grande favorito por O Vencedor. O que tende a atrapalhar é sua fama de bad boy. Ainda assim, é um prêmio bastante provável.

- John Hawkes, 51 anos, 1ª indicação. Concorre por Inverno da Alma. Trata-se do típico ator veterano, coadjuvante em diversos filmes, desde os anos 80, mas que ninguém conhece. Aqui, tem sua chance em interpretação elogiada em alguns festivais. Mas, só completa a lista.

- Jeremy Renner, 40 anos, 2ª indicação. Concorre por Atração Perigosa, filme de ação dirigido por Ben Affleck. Apesar da fama de arrogante, Hollywood demonstra gostar do ator, pois essa 2ª indicação é consecutiva. Antes concorreu por Guerra ao Terror (2009, principal). Também só está completando a lista.

- Mark Ruffalo, 43 anos, 1ª indicação. Concorre por Minhas Mães e Meu Pai. Um ótimo ator, pouco conhecido pelo público, e pouco lembrado pelos festivais. Aqui, tem o momento de sua carreira, em ótima interpretação. Mas só a indicação já serve como prêmio, pois não ganhará.

- Geoffrey Rush, 59 anos, 4ª indicação. Antes concorreu por Shine - Brilhante! (1996, principal, ganhou!), Shakespeare Apaixonado (1998, coadjuvante) e Contos Proibidos do Marquês de Sade (2000, principal). Agora concorre por O Discurso do Rei. E se existe alguém que pode tirar o OSCAR de Bale, é exatamente Rush, em extraordinária interpretação, e bastante aclamado pela crítica. Vamos aguardar...

Atrizes Coadjuvantes

- Amy Adams, 36 anos, 3ª indicação. Antes concorreu por Juneburg (2005, coadjuvante) e Dúvida (2008, coadjuvante). Agora concorre por O Vencedor. É a única estrela entre as 5 indicadas, e por isso tem chance de ganhar. Além disso, o que ajuda é o fato de não ter favorita nessa categoria, e também sua excelente performance.

- Helena Bonham-Carter, 44 anos, 2ª indicação. Antes concorreu por Asas do Amor ( 1997, principal). Agora concorre por O Discurso do Rei. É uma excelente artiz, com longa trajetória no cinema, bastante conhecida por seus papéis em filmes de época, e também pelas amalucadas comédias de seu marido Tim Burton. Aqui, volta as origens. Torço pra ela!

- Melissa Leo, 50 anos, 2ª indicação. Antes concorreu por Rio Congelado (2008, principal). Agora concorre por O Vencedor. O que coloca Leo na frente das outras, é o fato de ter ganho o globo de ouro. Ainda assim, não se pode dizer que seja a favorita. Enfim, será justiça se ganhar, pois sua interpretação é impecável!

- Hailee Steinfield, 14 anos, 1ª indicação. Concorre por Bravura Indômita. Não assisti ao filme, mas creio que a atriz está sendo exageradamente valorizada. Não sei se a interpretação é tão grandiosa assim. No entanto, tem alguma chance de ganhar.

- Jacki Weaver, 63 anos, 1ª indicação. Concorre por Reino Animal, filme pelo qual foi bastante premiada e elogiada. Por isso, tem chances de ganhar essa veterana e desconhecida atriz australiana, que já havia feito o clássico de Peter Weir, Pic Nic na Montanha Misteriosa.

Bom, essas são as principais categorias. Só fico meio chateado pela fácil previsibilidade de saber quem vai ganhar. Se isso continuar, não existirá motivo de se fazer listas. Enfim, vamos torcer para alguma surpresa. A transmissão ocorrerá no dia 27/02 na TNT. Por favor, não assistam na Rede Globo! Trata-se, simplesmente, da emissora que mais desrespeita o público do OSCAR! Abraços!!!!!!

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

O Mundo Encantado de Gigi

Sem ter um leque de opções, resolvi assisti a esse longa animado. Desde quando vi o cartaz pela primeira vez, eu tive curiosidade. Contudo, quando descobri ser um desenho japonês (gênero que não aprecio), o preconceito falou mais alto e resolvi não assistí-lo. Entretanto, venci o preconceito e encarei essa razoavelmente interessante animação, dirigida por Rintaro e roteirizada por Tomoko Konparu.

Os desenhos japoneses são, normalmente, muito violentos. Mas, tive a impressão de que Gigi seria um filme mais leve e mais infantil, quando me deparei com os primeiros minutos da projeção. E, de fato, não se trata de uma fita violenta; mas, um principal elemento de animes japoneses consta aqui: a eterna luta entre o bem e o mal.

Gigi é uma garotinha fanática por pinguins. Ela, inclusive, está sempre fantasiada dessa forma, e acredita que pode voar. Certa vez, ela acaba indo parar numa civilização povoada por duendes. Estes, acreditam que ela é o grande pássaro sem asas, e que está ali para salvá-los de um grande vilão, Boukkha Boo, que domina o local. Assim, ela se aventura nessa terra estranha, aprende muito sobre si própria, combate o inimigo e tenta resgatar a bondade num anjo caído.

Bom, já admiti diversas vezes o quanto adoro longas de animação. Esse, se não me surpreendeu muito, também não me irritou; até que manteve o interesse, mesmo estando longe de ser um dos meus favoritos. Creio que será um tanto irritante para os adultos, e também, um pouco cansativo para as crianças. Em todo caso, com poucas animações em cartaz (ainda mais nessas épocas de fim de ano, o que é bem estranho), Gigi acaba sendo uma opção não descartável. Quem quiser conferir, o filme ainda está em cartaz em algumas salas. Enfim, agora só escrevo em 2011. Feliz Ano Novo para todos!!!

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sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Enterrado Vivo

Eu sei que por ser véspera de Natal, hoje não seria o dia ideal para postar esse filme. Mas, paciência, foi, até então, o mais recente que vi no cinema. Além do mais, li críticas satisfatórias sobre o filme, e por isso resolvi conferir.

Bom, o grande mérito do cineasta espanhol Rodrigo Cortés (na verdade, um roteirista que aqui estreia na direção) é conseguir prender, literalmente, a respiração do espectador, com essa trama sufocante.

Como o próprio título informa, alguém está enterrado vivo. Trata-se de Ryan Reynolds, que interpreta um caminhoneiro à serviço no Iraque. O que se sabe é que seu grupo foi exterminado, e ele foi enterrado em algum lugar no país. Em sua cova, há apenas um isqueiro, uma caneta e um celular. Com esse aparelho, ele tenta se comunicar com o mundo, em luta pela própria sobrevivência. A situação se complica, quando ele recebe uma ligação de um iraquiano, que exige uma quantia alta em dinheiro, em troca de seu resgate. Assim, o desespero aumenta e ele fará de tudo para escapar da cova. Há sim, mais tarde ele também recebe a visita de uma cobra.

Quem sofre de ansiedade, não vai suportar o filme (inclusive, na sala em que eu assisti, muitas pessoas abandonaram a sessão). Fora a cobra, Reynolds é o único ator em cena, do começo ao fim. E fora ele, diversas vozes atuam, quando o personagem tenta estabelecer contato com as pessoas através do celular ( esposa, sogra, mãe, sequestrador, embaixada, FBI... etc ).

O roteiro de Chris Sparling apresenta algumas pistas falsas, e aumenta a tensão. Enterrado Vivo, de fato, é um ótimo exercício para testar os nervos do espectador. Mas essa atmosfera angustiante acaba ocasionando um mal estar; afinal, definitivamente, trata-se de um filme de tortura, tanto física quanto psicológica. E o espectador que consegue acompanhar a projeção até o fim, espera aguardar um final feliz para o protagonista. Mas isso não acontece. Eu posso até estar informando demais, contudo prefiro agir dessa forma e prevenir as pessoas de ver aquilo que elas não querem ver. Admito, inclusive, que também fiquei decepcionado com o desfecho.

Minha esposa e minha sobrinha Luana quase me lincharam, na saída do Cinemark do Shopping D. Por isso também, recordo mais uma vez que não existirá aqui um "happy end". Se serve como dica também, não aceitem convite de ir ao Iraque, nem a trabalho, rsssss. Agora é com vocês, forte abraço e Feliz Natal!

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sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

As Crônicas de Nárnia: A Viagem do Peregrino da Alvorada

Meio a contra-gosto, acompanhei minha esposa Gisele ao cinema para assistir ao terceiro filme da série Nárnia. Não estava muito a fim porque o primeiro não me surpreendeu muito, e o segundo passou despercebido por mim, tanto que eu nem assisti. Mas, admito que não me arrependi e apreciei bastante esse terceiro episódio. Nem me irritei com o fato de ter assistido à cópia dublada.

Após "Toy Story 3" e "Tropa de Elite 2" percebo um fato inusitado: as sequências estão superando os filmes originais. E o mesmo acontece aqui, em que somos surpreendidos por uma história repleta de aventuras, ao estilo Piratas do Caribe.

A obra de C.S. Lewis (roteirizada por Chirstopher Markus, Stephen McFeely e Michael Petroni) elimina os irmão mais velhos, Susan e Peter, porque cresceram. Portanto, os irmão mais novos, Lucy e Edmund, passam a ser os protagonistas, ao lado do irritante primo Eustace. Todos eles entram em um quadro, em que está pintado um navio em alto mar, e partem para a terra de Nárnia, onde reencontram Caspian. Nessa aventura, enfrentam perigosos bandidos, enquanto procuram as espadas encantadas dos sete Lordes de Telmar.

Os ensinamentos cristãos e as lições morais permanecem nesse episódio (ainda que o Leão apareça pouco, mas numa cena importante e que chega a emocionar), mas o que se destaca em A Viagem do Peregrino da Alvorada, são as movimentadas batalhas no navio e os momento de humor (na maior parte, responsáveis pelo rato falante).

No elenco de poucos famosos, a agora oscarizada Tilda Swinton repete o papel da feiticeira (dessa vez, apenas em participação especial) e Liam Neeson, empresta mais uma vez sua voz ao Leão. Normalmente, eu não gosto de ver no cinema filmes infanto-juvenis (exceto desenhos animados, claro) porque sempre acabam sendo cansativos. Mas isso não ocorre aqui, e os méritos são do diretor Michael Apted ("Medidas Extremas", "007- O Mundo não é o Bastante"), que é experiente em fitas de aventura. Então, recomendo a toda família esse delicioso passatempo. Só espero que as próximas continuações também sejam eficientes. Até mais!

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quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

A Rede Social

Este, até o momento, está sendo considerado como o melhor filme para o OSCAR 2011, o que simplesmente comprova que 2010 foi um ano fraco para filmes. Claro que não é uma péssima produção, mas apenas um filme com um tema bastante atual, e que será facilmente rejeitado e esquecido pelo público daqui a alguns anos.

A expectativa toma conta do espectador, quando se depara com o nome de David Fincher como o diretor do filme. Seus filmes são impactantes, prendem atenção e até viram sinônimos de adoração para muitos fãs. Dessa vez, temos a impressão de que A Rede Social foi dirigida por outro cineasta, talvez algum pupilo de Oliver Stone ou Jonathan Demme. Resumindo, trata-se de um filme exaustivamente chato!

Admito que a ideia de se fazer um roteiro (aqui, feito por Aaron Sorkin, adaptado do livro de Ben Mezrich) sobre um dos maiores fenômenos da internet, o facebook (que aqui no Brasil, por enquanto, perde para o Orkut) é ousada e interessante. Afinal, trata-se de um aplicativo de consumo utilizado por "zilhões" de pessoas em todo o continente. Mas tudo é feito através de diálogos excessivamente longos e batalhas judiciais intermináveis (afinal, tudo que gera lucro é presa fácil da corrupção).

Bom, o nerd de Harvard Mark Zuckerberg (Jesse Eisemberg), após levar um fora da namorada Erica Albright ( Rooney Mara) resolve se vingar dela, criando o Facemash, um site em que os estudantes da universidade possam votar na estudante mais gostosa. Com a ajuda do melhor amigo (e talvez, único) Eduardo Saverin (Andrew Garfield), e através de parcerias com os irmãos Cameron e Tyler Winklevoss (ambos feitos por Armie Hammer), Zuckerberg, aos poucos, cria o enorme êxito chamado facebook. A partir daí, uma vida relegada a dinheiro, sexo, mentiras e traições reinam em sua vida.

O pior problema do filme é que, em determinados instantes, temos a sensação de que não se trata de um filme sobre os bastidores do facebook, mas sim a biografia de Mark Zuckerberg. E, honestamente, Zuckerberg não é o tipo de pessoa que valha algum ingresso. Afinal, apesar de ser um gênio da informática de Harvard, trata-se de um nerd frustrado, feioso e idiota, e que faz fortuna após uma grande desilusão amorosa. Ou seja, um tipo de pessoa facilmente detestável. Quem o interpreta é o novato Jesse Eisemberg (que fez A Vila e Zumbilândia). Há fortes rumores de uma indicação ao Oscar por esse papel, mas a atuação dele não é nenhum sinônimo de brilhantismo. O mesmo eu digo do ator que faz o melhor amigo, Andrew Garfield (Leões e Cordeiros), que é possível candidato como coadjuvante. Quem se supera é o cantor Justin Timberlake, no papel de Sean Parker, outro associado do facebook.

Qual o interesse do filme então? Bom, o paradoxo. Afinal, o facebook foi criado por um desajustado anti-social e sem amigos. Ou seja, se por um lado, todos a sua volta nem reparam na existência de Zuckerberg, por outro lado, estas mesmas pesoas (e milhares de outras) acessam a rede de amigos criada por ele. Enfim, o site acabou sendo uma forma fantástica de se vingar do mundo que o rejeita e o esnoba, bem melhor que o banho de sangue promovido por Sissy Spacek, em Carrie - A Estranha; e diga-se de passagem, uma vingança bastante lucrativa.

Fora isso, o filme foca também o excesso de consumo vicioso que a era da informática traz na nossa sociedade. Todos estão plugados diariamente em sites de relacionamentos, fazendo tudo aquilo que se poderia fazer pessoalmente. Essa crítica é interessante, e se fosse melhor desenvolvida, aumentaria o interesse do filme. Mas, o tom biográfico sobre a vida de alguém que nós mesmos ajudamos a se tornar milionário, é muito irritante. E, como eu disse, não é alguém que merece atenção especial (se o biografado, de fato, tem esse perfil na vida real, não sei; critico apenas o que eu vi na tela). Em todo caso, A Rede Social merece ser discutido por alguns méritos que eu mencionei, por isso eu indico. Mas, se puderem, levem um travesseiro também. Abraços!

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segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Tropa de Elite 2 - O Inimigo Agora é Outro

Olá! Depois de uma ausência de quase dois meses, estou de volta. E nada melhor do que um retorno agradável, com um filme interessante, inteligente e repleto de reviravoltas. Não imaginava que a sequência do fenômeno Tropa de Elite pudesse ser tão boa; afinal, sequências geralmente são fracas (principalmente no Brasil, em que há poucas continuações) e o 1° parecia ser imbatível. Enfim, inesperadamente esse segundo filme é melhor que o original. Ponto para o cineasta José Padilha e para o roteirista Bráulio Montovani.

Bom, aqui o capitão Nascimento (o insubstituível Wagner Moura ), após uma falha de comando no BOPE, passa a trabalhar agora como sub secretário da inteligência. A partir daqui, ele começa a perceber os esquemas de corrupção entre o governo e a polícia ( o que explica o subtítulo ), com os traficantes dos morros carioca. E descobre que esses últimos são menos perigosos. Ao tentar controlar a situação, coloca em risco a vida de seu filho adolescente Rafael ( Pedro Van Held), de sua ex-esposa Rosane ( Maria Ribeiro ) e do deputado Diogo Fraga ( Irandhir Santos ), com quem tem conflitos ideológicos, e que agora está casado com Rosane.

Em ano eleitoral, foi uma sacada brilhante do roteiro em trazer essa crítica ácida contra as promessas que são feitas, estrategicamente, contra a violência. Mais que isso, funciona como um alerta à sociedade, ao mostrar as ciladas que são criadas pelo governo ( o filme deixa bem claro que a trama é uma ficção, e não baseada em fatos reais; ainda assim, custa a acreditar ). O espectador, ao se envolver com o filme, se encontra numa situação tremendamente assustadora e bastante próxima da realidade. Outra vez, ponto para Padilha, que se consagra como um dos melhores cineastas de nosso país.

O elenco também se destaca, principalmente um ator desconhecido chamado Sandro Rocha, no papel do corrupto major Russo, e o hilário André Mattos, como "um Datena candidato a deputado". Os atores André Ramiro e Milham Cortaz voltam com os seus papeis do episódio anterior, e Seu Jorge faz uma participação especial como um traficante. Mas o melhor ator do filme, sem dúvida, é Wagner Moura, cada vez mais convincente e magnífico, e convencendo ser um dos melhores atores do cinema brasileiro, ao lado de Selton Mello.

Também é interessante a união de pontos de vistas distintos a favor de um bem maior. O capitão Nascimento é contra qualquer tipo de criminalidade e deixa bem claro que bandido merece o pior de todos os castigos; por outro lado, seu oponente, o deputado Fraga, é a favor dos direitos humanos, e critica o sistema carcerário. No entanto, ambos se aliam ao descobrir os verdadeiros esquemas não bem intencionados, promovidos pelo governo. Outro ótimo recurso do roteiro que, de propósito, traça uma trilha falsa no começo, mas depois explicita seus objetivos.

Enfim, se o primeiro filme criticava, não só o tráfico de drogas como também o usuário, esse aqui tem um inimigo maior e mais poderoso: o próprio governo. Por isso, é um filme brilhante e corajoso. Uma pérola rara do nosso cinema, não percam Tropa de Elite 2 - O Inimigo Agora é Outro.

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