sábado, 30 de novembro de 2013

Jogos Vorazes - Em Chamas

 Este é o tipo de franquia que agrada o público destinado. Adaptações de livros do momento, lidos frequentemente por seus fãs adolescentes, contribuem para uma boa carreira nas bilheterias. Foi o que aconteceu com diversos filmes/livros diferentes entre si, desde "Harry Potter" e "O Senhor dos Anéis", passando por "Percy Jackson" e "Crepúsculo". Agora é a hora do segundo filme de "Jogos Vorazes", Em Chamas

Este novo episódio, adaptado da popular obra de Suzanne Collins (por Simon Beaufoy e Michael Arndt) começa justamente a partir do instante em que o primeiro acaba. Ou seja, recomenda-se que o espectador já tenha visto o anterior, pois este é daqueles que são incompreensíveis se visto independente do primeiro. Bom, a direção de arte e os figurinos (sobretudo os da personagem Effie Trinket, cada vez mais bizarros) são um espetáculo a parte, e estão mais caprichosos que a primeira parte. E o diretor da vez passa a ser Francis Lawrence (de "Constantine"), o mesmo responsável pelas próximas sequências.

 A garota Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence) e seu parceiro Peeta Mellark (Josh Hutcherson) participam mais uma vez da maratona dos jogos vorazes, dessa vez, com apenas vencedores de edições anteriores. Isso ocorre por conta da ideia do inescrupuloso Presidente Snow (Donald Sutherland) em conseguir maiores êxitos no seu programa. Mais uma vez, a dupla é auxiliada por Haymitch Abernathy (Woody Harrelson) e Effie Trinket (Elizabeth Banks), e se preparam para novas aventuras, concorrendo com veteranos especialistas do reality show.

 Embora as cenas de ação sejam de tirar o fôlego (principalmente por colocar os participantes num rio no início do jogo), o filme demora para engrenar. A primeira hora é bastante chata, embora apresente alguns momentos interessantes, como a postura ditatorial dos "guardiões" do programa, que não exitam em matar qualquer um que represente qualquer tipo de subversão aos jogos vorazes. Essa ideia de sociedade oprimida por um inimigo perigoso e cruel, a saber, a própria mídia, é oportuna e irônica. Entretanto, uma tesoura teria resolvido o problema do interminável começo.

 No elenco, além dos mencionados, Liam Hemsworth ganha mais cenas como o namorado de Katniss; Lenny Kravitz também volta com o papel do figurinista da dupla, assim como Stanley Tucci mais uma vez representando a imprensa sensacionalista. E entre os "novos" participantes surgem o inglês Sam Claflin (de "Branca de Neve e o  Caçador") no papel do obstinado Finnick Odair, um rapaz que pode ou não ser confiável para a dupla; Jena Malone (de "Orgulho e Preconceito") como Johanna Mason, uma variante feminina do personagem de Claflin; Jeffrey Wright e a esquisitona Amanda Plummer como mais uma dupla inserida na competição, e por aí vai. Há também o ótimo Philip Seymour Hoffman como um tipo de auxiliar do Presidente Snow.

 Próximo ao fim da projeção, o público percebe algumas reviravoltas e conspirações envolvendo alguns personagens. O que acaba irritando, contudo, é que o o filme não termina aqui. Fica exatamente em aberto para a terceira parte (que, aliás, será dividida em duas) que somente estreará no próximo ano. Ou seja, você sai da sala com uma estranha sensação de vazio e algumas confusões na cabeça. Essa sem vergonha estratégia de marketing já virou clichê, após isso ter ocorrido com Harry Potter, Crepúsculo, etc. Enfim, independente disso, trata-se uma aventura eletrizante, de qualidade técnica perfeita. Esperamos, desde já, que as conclusões para essa segunda parte sejam satisfatórias. Abraços!

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sábado, 19 de outubro de 2013

5 Anos de Arquivo Cinéfilo

Nossa, passou batido! Dia 30/09, meu blog fez 5 anos! O tempo passa depressa demais... Vou, em breve, publicar filmes da minha coleção também, como eu já fazia nos primórdios, e não só os que estão em cartaz no cinema, como tenho feito ultimamente... Vou tentar disponibilizar também o download dos filmes (alguns já estão disponíveis aqui)... Aguardem!

Tá Chovendo Hambúrguer 2

 Estava demorando, mas a sequência do grande sucesso de público de 2009 finalmente estreou. Logicamente, em épocas de feriado de 12 de outubro, que cai justamente no dia das crianças, as filas tornam-se quilométricas, o que dificulta a compra do ingresso. Para piorar, o maior número de salas fornece a versão do filme em 3D, o que eu digo mais uma vez: uma grande bobagem com intuito lucrativo. Sorte minha, que assisti numa segunda-feira, dia que o valor do ingresso é bem barato.

 Quanto a esta sequência, que ganha nova dupla de diretores, Cody Cameron e Kris Pearn e equipe de roteiristas (liderada por John Francis Daley), pode-se dizer que é simpática e agradável, mas está aquém do original. O nosso herói Flint Lockwood volta para a  ilha  do episódio anterior, sua terra natal, e descobre que ela é habitada por diversos alimentos "mutantes". Junto com ele, estão os companheiros do "Tá Chovendo Hambúrguer 1", como seu pai Tim e a namorada Sam Sparks, além dos demais. Bom, Lockwood, sem perceber, está sendo manipulado por um inescrupuloso cientista, Chester V, que almeja obter a famosa máquina de comidas com o intuito de ficar milionário. Mas a esperta Sam e o restante da turma estão juntos para ajudar o inocente e atrapalhado inventor.

 Dessa vez, diferente do original, os alimentos não caem do céu, o que pode não agradar os fãs do primeiro filme. Por outro lado, o espectador se envolve facilmente com o grupo de alimentos que habitam a ilha e que tem vida própria. Aparentemente parecem ser vilões; contudo, o lado "humano" deles (se é que se pode dizer isso) será evidenciado aos poucos. O maior destaque vai para o morango, com certeza o personagem "mais gracinha" do filme, e que agradará em cheio, sobretudo, o público feminino. Há também um grupo picles ingênuos que pretendem aprender a pescar. E, por fim, há também a primata (que detesta ser chamada de macaca), que é assistente do vilão, mas que não é exatamente má.

 Os maiores instantes de humor são evidenciados por conta dos personagens coadjuvantes, como é hábito típico em produções do gênero. Porém, demora um pouco para a aventura engrenar, e o começo, com apresentações de congresso do cientista, pode parecer um tanto prolixo para o público infantil. E, torno a dizer, o filme não tem a mesma originalidade do anterior. Apesar disso, a diversão é garantida e o entretenimento não aborrece. Claro, não sei se a série sustentaria uma outra sequência. Mas vale o ingresso sim! Boa tarde!

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domingo, 13 de outubro de 2013

Gravidade

 A temporada está aberta para ficções científicas! Contudo, esqueça meus comentários sobre Elysium, que era agitado e até divertido. Dessa vez, temos um suspense dramático e assustador, com apenas alguns instantes descontraídos. E fala-se muito nas boas possibilidades de indicações que Gravidade pode ter em 2014. E eu acredito que muita coisa boa vai mesmo acontecer, de fato.

 O diretor Alfonso Cuáron, que contou com a colaboração de seu filho Jonas Cuáron no roteiro, se destaca por dirigir filmes com temáticas diferentes entre si. Enveredou pelo mundo infantil com "A Princesinha", drama romântico com "Grandes Esperanças", comédia erótica com "E Sua Mãe Também" e o melhor filme da série "Harry Potter", com "O Prisioneiro de Azkaban". Aqui, ele eleva sua originalidade fazendo uma ficção científica diferente de tudo que já se viu no gênero (aliás, abro um parênteses; ele também já investiu no gênero com "Filhos da Esperança", mas com história bem distinta).

 No elenco há apenas dois atores em cena, Sandra Bullock e George Clooney. Eles interpretam dois astronautas que estão em missão no espaço (pouco importa qual é a missão, que se torna coadjuvante perto do que se sucede). Enquanto eles, e mais um, estão do lado de fora da nave, tentando solucionar algum problema externo de satélite, uma chuva de meteoros mata o companheiro deles,e a situação se complica quando descobrem que os demais tripulantes também estão mortos. Precisam flutuar em direção à nave, e os problemas persistem quando perdem contato com a central de Houston, e começam a perder o pouco oxigênio que insiste em diminuir em seus trajes.

 O que torna Gravidade uma produção bastante diferenciada em relação a outras do gênero, é o fato de que a maior parte da ação acontece na parte de fora da nave, no espaço mesmo, nu e cru! Ou seja, ambos exploram o espaço constantemente enquanto lutam contra o tempo. Nesses instantes, o espectador se depara com cenas belíssimas e com a "aparente" tranquilidade que o cenário demonstra. Toda essa beleza é mérito da competente direção de arte, e também de uma eficiente fotografia. O espaço nunca pareceu, como aqui, um lugar infinito, misterioso e repleto de curiosidades para exploração. A angústia toma conta quando a personagem de Bullock permanece sozinha na aventura, após perder o contato com o astronauta de Clooney.

 A atriz, aliás, está em excepcional atuação, como a novata que está em sua primeira missão no espaço, após uma tragédia pessoal (perdeu a filha num acidente de carro). Fala-se muito numa provável indicação ao OSCAR do próximo ano, o que eu não descarto. Aqui, ela segura uma personagem ao mesmo tempo sensível e determinada, superando o papel que lhe rendeu a estatueta de ouro em 2009 ("Um Sonho Possível"). Clooney, por sua vez, é responsável pelos momentos de alívio cômico. Por ser um veterano de viagem espacial, ele procura sempre manter a tranquilidade e faz piadinhas o tempo todo. No fim, seu personagem (com destino infelizmente previsível) é um alter ego de si próprio, o cara boa praça, simpático e descontraído, o típico papel que ele costuma fazer em comédias românticas (ainda, que aqui seja outro terreno). Por isso, a indicação dele é menos provável...

 O final não deixa a peteca cair, é eletrizante também, e termina de forma satisfatória. O filme, porém, pode desagradar a alguns por falta de mais personagens e tramas paralelas. Além disso, o clima angustiante e sufocante pode causar um certo mal estar (principalmente se o ar condicionado da sala estiver desligado). Em todo caso, dessa vez eu gostei do 3D do filme, bastante oportuno e responsável por bons momentos de tensão. Até as lágrimas de Bullock parecem como partículas sólidas. Creio que Gravidade será uma grata surpresa nos festivais do próximo ano, não só na parte técnica, como nas categorias principais. O diretor Cuáron e a estrela Sandra Bullock devem figurar entre os indicados. Vamos aguardar... Abraços!

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quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Elysium

 Uma ficção científica interessante, reflexiva, agitada e divertida! Em poucas palavras, assim se resume as qualidades de Elysium, filme que assisti no cinema recentemente. Só lastimo o fato de que ultimamente temos um excesso de filmes dublados por todas as salas de projeção da cidade. Toda a veracidade se perde quando ouvimos vozes que não são as verdadeiras. Isso acontece porque vivemos num país em que pouco se lê, e a demanda solicita cópias dubladas. Uma pena! Enfim, pelo menos as vozes dos astros brazucas do filme são dubladas por eles mesmos. Ainda bem!

 Bom, broncas a parte, Elysium é a nova produção do cineasta sul africano Neill Blomkamp, que teve popularidade merecida com o ótimo "Distrito 9". Aqui em sua nova pelicula ele continua focando a crítica social, que também esteve presente no filme anterior. No ano de 2154, o planeta Terra está um verdadeiro caos, e é apenas habitado por pessoas pobres. A minoria privilegiada , os ricos, refugiaram para Elysium, uma espécie de "supernave", ou "miniplaneta" projetada com todo luxo e conforto para atender as acomodações de seus habitantes. Nas mansões do lugar, existem mesas que têm o poder de curar àqueles que tem algum tipo de doença. Por isso, o operário Max precisa desesperadamente desse recurso medicinal, pois, após sofrer um acidente de trabalho, ele tem poucos dias de vida. Com o intuito de chegar até Elysium, ele necessita da ajuda de Spider, que financia viagens "clandestinas" para lá. No entanto, Max terá que tomar o máximo de cuidado com Delacourt, uma das "poderosas" do lugar, e do temível vilão Kruger.

 Blomkamp, também roteirista, brinda os fãs do gênero com as mais interessantes cenas de ação que poderia colocar, apesar dos habituais clichês que não estragam a diversão. Curioso é visualizar a Terra de 2154 bastante parecida com bairros do subúrbio de São Paulo e morros com diversas favelas que lembram muito bem a periferia do Rio de Janeiro. Paralelo a isso, a famosa Elysium tem todo conforto sofisticado e moderno típico de qualquer país de "primeiro mundo". Com esse contraste, Blomkamp acentua muito bem a divisão de classes, objeto de sua crítica.

 No elenco, os "brazucas" mencionados no começo do texto são a já estrela por lá nos States, Alice Braga, no papel da mocinha, e Wagner Moura, tentando a sorte no cinemão americano, após o êxito obtido com o Capitão Nascimento de "Tropa de Elite". Moura interpreta Spider, que ajuda o mocinho feito pelo galã Matt Damon (curiosamente, ele parece ser o único loiro de olho azul que habita a Terra, bastante povoada por negros e latinos). Jodie Foster interpreta a inescrupulosa Delacourt. A estrela, aliás, aparece bastante envelhecida e sem maquiagem, aos 50 anos. O grande vilão, contudo, é o ator sul africano que foi o herói de "Distrito 9", um certo Sharlto Copley, que rouba a cena em alguns instantes. Por fim, há também no elenco, presença do mexicano Diego Luna, como o amigo de Damon. 

 Elysium certamente não é melhor que Distrito 9, mas apresenta uma boa reflexão e um alerta para se pensar em como preservar o futuro. Com tanto pessimismo em cena, é bastante natural ficarmos chocados e inconformados com a possibilidade de vivermos num lugar que vai piorando com o passar do tempo. E, reafirmo, há os habituais clichês, e a gente sabe como tudo vai acabar (apesar de alguma surpresa ou outra inesperadas). Porém, o filme atinge as expectativas, e Elysium se conclui como uma boa alternativa do cinema-pipoca. Mas, se conseguir, tente evitar a versão dublada! Abraços!

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quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Os Smurfs 2

 Sempre nessa época, entre o mês de julho e o começo de agosto, encontramos uma diversidade de filmes em desenhos animados, destinados ao público infantil, que está de férias. Entre filmes como "Meu Malvado Favorito 2" e "Universidade Monstros", optamos eu e Gisele, por conta de nossa sobrinha Isabela, à "Os Smurfs 2", sequência de homônimo que fez bastante sucesso a dois anos. Eu não estava tão estimulado a assistir, mas fui vencido pela insistência da minha sobrinha.

 O diretor, Raja Gosnell, é o mesmo da aventura anterior. O cenário das vez não é Nova York, e sim Paris, onde o temível Gargamel (novamente Hank Azaria) atua em um show de mágicas. Ah, claro! Sua obsessão excessiva em capturar smurfs permanece. E, por isso, o roteiro de um time liderado por J. David Stem, nos apresenta dois novos personagens criados pelo vilão, com o intuito de sequestar as criaturinhas azuis: o atrapalhado Hackus e, para sair de vez do clube do Bolinha, a esperta Vexy, versão morena da Smurfette. Aliás, o alvo do trio, sempre acompanhado pelo maquiavélico gato Cruel, é justamente Smurfette, que se encontra tristonha, pois faz aniversário e acredita que ninguém se lembra disso (situação óbvia e previsível, é que todos se fazem de esquecidos, enquanto preparam uma bela surpresa para a garota).

 Bom, Smurfette, então, é capturada e seduzida por Gargamel. Encara o outro lado da situação, e até se diverte em ter uma "irmã". Tal situação pode prejudicar seus amigos "encogumelados", pois o vilão almeja descobrir a fórmula para conseguir "fabricar" diversos smurfs. Se isso acontecer, ele dominará o mundo, e o caos terá início.

 Com exceção da nova locação do momento, a bela Paris com seus típicos atributos, e da nova garota, não há muitas novidades que saia do previsível. Apesar disso, dessa vez alguns personagens ganham  destaque maior na tentativa de resgatar a Smurfette. Agora, o Papai Smurf recruta Desastrado, Ranzinza e Vaidoso, este, com seus trejeitos efeminados, torna-se o responsável pela comédia com os diálogos mais engraçados. E quanto aos personagens de carne e osso, o casal amigo dos simpáticos duendes, feitos por Neil Patrick Harris e Jayma Mays, retornam. Além deles, o veterano Brendan Gleeson interpreta o padrasto de Harris, com quem tem alguns desenlaces e situações do passado não resolvidas. Essa subtrama é um tanto inadequada para as crianças, pois torna a aventura um pouco cansativa (apesar disso, o padrasto é transformado em ave, na tentativa de tornar o personagem mais atraente para o público).

 Achei a duração do filme um pouco longa e, no fim das contas, acaba mais parecendo um remake do anterior, com alguns "incrementozinhos a mais" e locação nova. Porém, também não aborrece, em partes, graças aos nossos dubladores, que são muito competentes na interpretação de personagens de desenhos animados. Abraços!

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quinta-feira, 18 de julho de 2013

O Homem de Aço

 Mais uma superprodução em cartaz nos nossos cinemas! O que demonstra, de fato, que julho é a época dos blockbusters. E com tanto herói na moda, agora estreia aquele que talvez seja o mais famoso de todos os heróis, o superman. Com roteiro e produção do badalado Christopher Nolan, o responsável pela nova saga do Batman, o filme é dirigido por Zach Snyder, o mesmo de 300

 Se vocês estão pensando em ver o homem de aço disfarçado de repórter com aparência de nerd e meio atrapalhado, esqueçam! Isso talvez ocorra na inevitável sequência, mas aqui a ação ganha outro foco. Ou seja, não se trata de um remake do clássico de 1978, estrelado por Christopher Reeve e Marlon Brando. Nem mesmo o popular vilão Lex Luthor aparece aqui.

 Mas, assim como o clássico de Richard Donner, a ação aqui começa no fictício planeta Krypton, que está em guerra. Os pais do nosso herói, aqui chamado de Kal-El, querem mandá-lo para Terra, com a esperança de mantê-lo vivo. Enfrentam resistência, entretanto, do vilão da vez, o General Zod, que não mede esforços para lutar pelo planeta, mesmo que para isso use de artifícios inescrupulosos, e não aprova a decisão dos pais do garoto. Na Terra, Kal-El, agora Clark Kent, adotado por um simples casal de fazendeiros, tem conhecimento de sua força fora do normal, se comparado com os terráqueos, e precisa controlar os seus impulsos para não chamar a atenção (ele, inclusive, é vítima de bullying). Os problemas surgem quando o general Zod o localiza, e tenta destruir a Terra.

 Como é de se esperar, a projeção ultrapassa os 120 minutos, e se assemelha aos diversos filmes temáticos, que também têm duração elevada. Os clichês são compensados por grandes cenas de batalha, uma delas, quando o herói e o vilão se enfrentam pelos ares de Nova York, e colocam os famosos prédios em risco a cada golpe. O roteiro, que foi co-escrito por David S. Goyer, alterna momentos do presente e do passado do personagem que, enquanto tenta encontrar alguma forma de salvar o planeta, se recorda dos ensinamentos do já falecido pai adotivo e da busca de sua origem na juventude. O que se sente falta, em torno da longa projeção, são momento de humor, praticamente ausentes aqui. Talvez isso se deva ao fato de Nolan ser o roteirista. Ele acertou com o tom sombrio e pesado da nova safra "Batman", que de fato, consta com um herói que possui essas qualidades do scrypt. Aqui, contudo, deveria existir algo mais leve e dinâmico. Nem mesmo a famosa personagem Lois Lane apresenta momentos para alívio cômico.

 No elenco, quem veste a camisa da vez é o ainda pouco conhecido Henry Cavill (de "Stardust - O Mistério da Estrela" e "Imortais") que agora tem tudo pra se tornar o galã do momento em Hollywood. Ele tem até certa semelhança com Reeve, e não faz feio em cena. O vilão também é outro jovem astro, que inclusive já foi indicado ao Oscar, Michael Shannon (de "Foi Apenas Um Sonho"), que lembra bastante Joaquin Phoenix. E a bela e simpática Amy Adams, marca presença como a bisbilhoteira repórter Lois Lane. Ainda no elenco, Russell Crowe tem participação destacada como o pai do homem de aço. Ele não só aparece no início, como arranjam um jeito de colocá-lo como uma espécie de fantasma durante a projeção, em que orienta o filho. Os pais adotivos são interpretados pelos populares Kevin Costner e Diane Lane (esse talvez seja o primeiro filme em que Costner não seja o mega astro da fita, o que indica que o estrelato não é eterno). Há ainda o bom Laurence Fishburne, como o chefe de Lois, e uma personagem bastante curiosa feita por uma atriz israelense chamada Ayelet Zurer ( de "Munique" e "Anjos e Demônios"), que interpreta a vilã, braço direito do General Zod.

 Enfim, percebe-se que O Homem de Aço possui todos os elementos para se tornar o blockbuster perfeito do momento: superprodução milionária com todos os "zilhões" mostrados na tela, versão em 3D (que eu não vi), um produtor bastante referenciado como cineasta, o diretor do sucesso de bilheteria "300" no comando e um elenco estelar. Fora isso, o roteiro intenciona ser bastante fiel aos fãs dos clássicos quadrinhos. Bom, eu particularmente, me distraí e achei um passatempo até diferente daquilo que se esperava (boa parte da ação, afinal, ocorre no planeta Krypton, e não na Terra). Contudo, não foi o melhor filme de heróis dos últimos anos, está aquém do já mencionado Batman, e de produções da Marvel, como "Os Vingadores". Não aborrece, e deixa as postas abertas para a sequência, essa sim, terá que ser bem elaborada para não cair no tolo e no convencional. Mas este aqui vale o ingresso. Até!

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