domingo, 16 de fevereiro de 2014

A Menina Que Roubava Livros

 Gosto bastante de filmes que retratam a época da Segunda Guerra Mundial e o período nazista. Por isso, tive vontade em assistir ao filme do título; e a empolgação aumentou, pois eu já havia lido o livro de Markus Zusak, pelo qual foi adaptado para a tela.

 A garotinha Liesel Meminger é entregue pela própria mãe a um simples casal, pois está com alguns problemas relacionados à política do momento (certamente é comunista). A partir de então, a menina tem um novo cotidiano, ao lado do pai adotivo que adora, da mal humorada mãe adotiva que vive lhe dando broncas (mas no fundo é bondosa), do amiguinho Rudy Steiner, com quem vive apostando corridas, etc. No entanto, o que surpreende a garota é a chegada do judeu Max Vandenburg, acolhido no porão dos Hubermann, os novos pais de Liesel, que são solidários a ele. A garota começa uma grande amizade com ele, enquanto conserva como melhor passatempo o ato de roubar livros.

 Não vou cair no habitual clichê de dizer que "o livro é bem melhor". Porém, quando se lê a este best seller, no momento já da pra imaginar uma adaptação cinematográfica, e talvez por isso, nem tudo tenha saído perfeito, o que não quer dizer que o filme seja ruim. Um dos momentos que causou muita ansiedade em minha leitura é o desfile de judeus pelas ruas da pequena vila da história, comandados por oficiais nazistas, e que escandalizavam o leitor pela riqueza de descrições. No filme, contudo, isso aparece pouco e de uma forma que não emociona tanto, principalmente depois de se ver a outros momentos muito mais impactantes.

 O grande problema, talvez, esteja na emoção. Afinal, A Menina Que Roubava Livros é o tipo de narrativa que facilmente leva o leitor às lágrimas. Porém, na tela, a impressão que fica é a de que o roteirista Michael Petroni, sob a batuta do pouco conhecido diretor Brian Percival, tentou reunir o máximo possível das situações contidas no livro, sem exatamente destacar algum momento mais dramático. A própria personagem que narra, a morte, às vezes desaparece da história, e quando volta a contar os relatos em off, o espectador se questiona: "Quem está narrando mesmo?". Apesar disso, na sessão em que estive presente, constatei alguns soluços e choros intermináveis (certamente, de alguma leitora da obra, que se apegou aos detalhes da literatura, mas que foram adaptados superficialmente). Outro fato curioso é que a menina Liesel, no filme, rouba menos livros do que na obra literária. Um bom momento que poderia ter sido melhor explordo é o encontro dela com a esposa do prefeito.

 Mas não se pode dizer que a película não prende a atenção. Afinal, o entretenimento é garantido, e o público se deixa envolver facilmente com a história (mesmo o desfecho querendo ser ligeiro demais para os personagens, após a longa duração). Tecnicamente, o filme é excepcional, com bela fotografia, direção de arte e a famosa trilha sonora do popular John Williams, que conseguiu mais uma indicação ao Oscar (a única do filme). Quanto ao elenco, os veteranos Geoffrey Rush e Emily Watson interpretam os pais adotivos de Liesel (quando li o livro, nunca imaginei Emily como a "ranzinza" Rosa Hubermann, imaginava uma atriz mais corpulenta, como Kathy Bates, por exemplo. Mas ela atua muito bem no papel!). Fora eles, nenhum nome mais famoso, a não ser o do britânico Roger Allam (de "A Rainha" e "Piratas do Caribe 4"), personificando a voz da morte. O garoto loirinho Nico Liersch impressiona pelo seu visual, e a menina Sophie Nélisse foi a escolha ideal para a personagem-título.

 Enfim, vale a pena conferir e deixar-se interessar pela história, principalmente se for deixar de lado detalhes que seriam fundamentais para o filme, não só para os leitores da obra, como também para o público em geral (como o contexto histórico que mal é informado). Em todo caso, o filme mais agrada do que irrita. Abraços!

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sábado, 18 de janeiro de 2014

Frozen: Uma Aventura Congelante

Nesse clima de férias, a opção mais bem sucedida para os pimpolhos é este "Frozen", uma produção Disney sobre o melhor que o estúdio já produziu em suas animações: história de princesas. Apesar disso, não se trata de interesse exclusivamente feminino. Os garotos também vão se divertir.

As irmãs princesas Anna e Elsa eram muito unidas na infância. Contudo, Elsa é uma criança diferente: congela tudo o que toca. Para não ser um perigo para ninguém no reino, a garota é isolada de todos. Com o passar do tempo, elas crescem, e Elsa será coroada rainha. Entretanto, ela continua promovendo a destruição, ainda que acidentalmente, e por isso foge e constrói um castelo de gelo para ela, longe de todos. Sua irmã Ana resolve procurá-la, e conta com o apoio do viajante atrapalhado Kristoff. Apesar de existir um clima entre os dois, Anna é apaixonada pelo príncipe Hans.

 Toda magis Disney que se possa imaginar está contida nessa bela história, repleta de diversas canções, que são emocionantes e animadas. Ou seja, não são irritantes como costuma acontecer em alguns filmes animados do estúdio. E como toda boa animação que se preze, tem que ter os coadjuvantes responsáveis pelo alívio cômico, que roubam a cena, e que ganham a simpatia do público. Aqui, isso ocorre com o boneco de neve Olaf, que reproduz alguns comentários hilários e divertidos. Além dele, existe uma sociedade de trolls que, infelizmente, aparecem pouco. Mas, não é a penas o humor que domina a história. Há bons instantes de ação, e até mesmo a revelação de um vilão que dá uma reviravolta na ação (apesar de ser uma situação clichê).

 Enfim, tudo perfeito e agradável, trata-se de uma boa pedida para toda a família. Frozen ganhou o globo de ouro de melhor animação, e certamente ganhará também o Oscar, num ano bastante fraco para produções do gênero. Mérito da dupla de diretores, Chris Buck e Jennifer Lee (também roteiristas, ao lado de Shane Morris, adaptando o clássico conto de Hans Christian Andersen). No elenco, não há nomes famosos, o que pouco importa para um desenho animado dublado, em que se ouve as vozes dos dubladores brasileiros (que aliás, são muito bons!). No mais, divirtam-se com essa agradável animação! Abraços!

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quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

INDICADOS AO OSCAR 2014

Dessa vez, demorou um pouco para ser disponibilizada a lista de indicados. Ocorreu antes a cerimônia do globo de ouro, domingo passado 12/01/2014, e os indicados foram anunciados somente agora, em vésperas de outra cerimônia importante, ao do sindicato dos atores (SAG), que ocorrerá nesse sábado, 18/01. ivemos algumas surpresas interessantes. E, como de costume, faço comentário apenas das seis principais categorias: filme, diretor, ator, atriz, ator coadjuvante e atriz coadjuvante.

FILMES:

Mais uma vez, os candidatos são 9: 12 Anos de Escravidão, de Steve McQueen; Capitão Philips, de Paul Greengrass; Clube de Compras Dallas, de Jean-Marc Vallée; Ela, de Spike Jonze;Gravidade, de Alfonso Cuarón; O Lobo de Wall Street, de Martin Scorsese;Nebraska, de Alexander Payne; Philomena, de Stephen Frears; e Trapaça, de David O. Russell. As maiores surpresas foram as inclusões de Ela, filme sempre lembrado como roteiro nos festivais, mas não como melhor filme; e Clube de Compras Dallas, que só vem sendo lembrado pelas boas interpretações masculinas. O Loobo de Wall Street dividiu opiniões, mas reina aqui entre os nove. Os favoritos, contudo, são três: 12 Anos de Escravidão, Gravidade e Trapaça. O melhor filme está entre esses três.

DIRETORES:

Dos nove filmes, cinco permanecem na categoria direção: Gravidade (Alfonso Cuarón), 12 Anos de Escravidão (Steve McQueen obs: não confundir com o já falecido astro de mesmo nome), Trapaça (David O. Russell), Nebraska (Alexander Payne) e O Lobo de Wall Street (Martin Scorsese). Tal como a categoria melhor filme, o diretor premiado deve estar entre os três melhores filmes mencionados acima: Cuarón/McQueen/O. Russell. Porém, Scorsese é o nome de luxo da lista, e Hollywood adora ele. Mas creio que, tal como o globo de ouro, Cuarón e seu Gravidade leve a melhor. Ou não...

ATORES:

CHRISTIAN BALE: 40 anos, 2ª indicação. Foi indicado antes como coadjuvante, em 2010, por O Vencedor, e ganhou. Agora, teve inesperada indicação em filme bastante popular. Embora possivelmente seja o azarão entre os candidatos, ele se dedicou bastante ao papel pelo qual concorre pelo filme Trapaça (chegou a engordar 20 quilos). Tem boa atuação, e é bastante querido, e tem a seu avor estar indicado no filme recorde de indicações do ano.

BRUCE DERN: 77 anos, 2ª indicação. Foi indicado antes em 1978, como coadjuvante, pelo filme Amargo Regresso. Agora, tem sua primeira chance como ator central, por Nebraska. Dern já foi bastante premiado por esse filme em alguns festivais, e justiça seria feita se ganhasse o Oscar também. Mesmo porque ele tem uma longa trajetória no cinema e só é indicado agora pela segunda vez. Em todo caso, raramente a Academia entrega a estatueta para atores idosos. Se bem que no ano retrasado, entregou um Oscar de coadjuvante para Christopher Plummer. Então, pode ter alguma chance. Tomara!

LEONARDO DiCAPRIO: 39 anos, 4ª indicação. Foi indicado antes por Gilbert Grape - Aprendiz de Sonhador (1993, coadjuvante), O Aviador (2004, principal) e Diamante de Sangue (2006, principal). Agora concorre por O Lobo de Wall Street. DiCaprio é conhecido por ser detestado pela Academia, que já poderia tê-lo indicado mais umas duas ou três vezes antes. Entertanto, agora teve uma indicação um tanto inesperada, e faturou o globo de ouro como melhor ator em comédia ou musical por este papel. Por isso, ele não está descartado e entra no jogo.

CHIWETEL EJIOFOR: 36 anos, 1ª indicação. Ejiofor tem nome difícil, impronunciável em alguns momentos, mas já fez diversos filmes. Agora tem sua 1ª chance em emocionante atuação como o negro sequestrado em 12 Anos de Escravidão. Aparentemente é um dos favoritos ao prêmio, e já faturou alguns prêmios em festivais.

MATTEW McCONAUGHEY: 44 anos, 1ª indicação. O astro bastante popular, que até já foi eleito alguns anos atrás como o homem mais sexy do planeta é casado com a modelo brasileira Camila Alves, e já foi alvo de sérias críticas, pois nunca foi levado a sério como ator. Contudo, do ano passado pra cá, tem demonstrado com rigor sua versatilidade, e até já deveria ter sido indicado no último Oscar por diversos papéis que representou. Agora concorre por Clube de Compras Dallas, e faturou o globo de ouro de ator em drama por esse filme. Por isso, é um dos favoritos.

ATRIZES:

AMY ADAMS: 39 anos, 5ª indicação. Foi indicada antes, sempre como coadjuvante, por Retratos de Família (2005), Dúvida (2008), O Vencedor (2010) e O Mestre (2012). Essa é a 1ª vez da atriz como principal, por Trapaça. Ou seja, a Academia tem uma dívida muito grande com ela, e seria o momento oportuno de premiá-la, já que está perfeita no papel, se a categoria não tivesse uma favorita absoluta. Porém se der zebra, será o momento de Amy, que faturou o globo de ouro de atriz em comédia ou musical pelo papel.

CATE BLANCHETT: 44 anos, 6ª indicação. Foi indicada antes por Elizabeth (1998, principal), O Aviador (2004, coadjuvante, ganhou), Notas Sobre Um Escândalo (2006, coadjuvante), Elizabeth: A Era do Ouro (2007, principal) e Não Estou Lá (2007, coadjuvante). Agora concorre por Blue Jasmine, e é a grande favorita à estatueta, já que está ganhando tudo o que é prêmio por este papel (incluindo o globo de ouro de atriz em drama). Sem dúvida, é a estrela do momento, e se ganhar o seu segundo Oscar, será o primeiro como principal. Será uma grande surpresa se ela não ganhar.

SANDRA BULLOCK: 49 anos, 2ª indicação. Antes, foi premiada melhor atriz em 2009 por Um Sonho Possível. Agora concorre por Gravidade. Sandra é o típico caso de estrela que só passou a ser valorizada pela Academia depois que passou dos 40. Tem atuação forte e intensa em filme aclamado pela crítica. Porém, tem poucas chances de ganhar pela segunda vez.

JUDI DENCH: 80 anos, 7ª indicação. Foi indicada antes por Sua Majestade Mrs. Brown (1997, principal), Shakespeare Apaixonado (1998, coadjuvante, ganhou), Chocolate (2000, coadjuvante), Iris (2001, principal), Sra. Henderson Apresenta (2005, principal) e Notas Sobre Um Escândalo (2006, principal). Dessa vez, concorre por Philomena. Judi é uma máquina de trabalho que, mesmo idosa, continua atuando com grande intensidade. Trata-se de um caso raro de quem se tornou estrela depois dos 60 anos. Se houvesse justiça, ela ganharia seu primeiro Oscar de atriz principal. Mas parece que não será agora.

MERYL STREEP: 64 anos, 18ª (!) indicação. Foi indicada antes por O Franco Atirador (1978, coadjuvante), Kramer vs. Kramer (1979, coadjuvante, ganhou), A Mulher do Tenente Francês (1981, principal), A Escolha de Sofia (1982, principal, ganhou), Silkwood - O Retrato de Uma Coragem (1983, principal), Entre Dois Amores (1985, principal), Ironweed (1987, principal), Um Grito No Escuro (1988, principal), Lembranças de Hollywood (1990, principal), As Pontes de Madison (1995, principal), Um Amor Verdadeiro (1998, principal), Música do Coração (1999, principal), Adaptação (2002, coadjuvante), O Diabo Veste Prada (2006, principal), Dúvida (2008, principal), Julie & Julia (2009, principal) e A Dama de Ferro (2011, principal, ganhou). Ufa! E agora concorre por Álbum de Família. Simplesmente, um grande recórde de interpretação no Oscar. Nunca ninguém chegou a esse número, e duvido que algum dia chegue. E a indicação foi merecida sim. Afinal, ela dá um show de interpretação no filme. Mas, obviamente, não será agora que ganhará seu 4°Oscar.

ATORES COADJUVANTES

BARKHAD ABDI, 28 anos, 1ª indicação. Esse ator, nascido na Somália, é amador e chama a atenção pela naturalidade com a qual interpreta um dos sequestradores de Tom Hanks no filme pelo qual foi indicado, Capitão Philips. A impressão do rapaz surpreende, de fato, mas tem pouquíssimas chances. Ainda assim, sem ser profissional e já ganhar uma indicação ao Oscar, já é sinônimo de prêmio.

BRADLEY COOPER: 39 anos, 2ªindicação. Foi indcado antes no ano passado, como ator central, por O Lado Bom da Vida, o mesmo diretor do filme pelo qual agora recebe nova indicação, Trapaça. Embora um pouco caricato, ele rouba algumas cenas no filme, e teve merecida indicação. Tem poucas chances de ganhar, mas já está ganhando notoriedade e reconhecimento da Academia, que antes nunca o levava a sério. Isso já é motivo de comemoração.

MICHAEL FASSBENDER, 36 anos, 1ª indicação. Esse ator surgiu derepente e já foi alvo de diversos elogios pela crítica. Nos últimos dois anos chegou a ser cogitado ao Oscar, mas é apenas agora que tem sua primeira chance, pelo filme 12 Anos de Escravidão, em que interpreta um odioso vilão. No entanto, creio que não será agora que será premiado. Por enquanto...

JONAH HILL, 30 anos, 2ª indicação. Foi indicado antes, também como coadjuvante, por O Homem Que Mudou o Jogo, de 2011. Agora concorre por O Lobo de Wall Street. Sua indicação surpreendeu um pouco, já que esteve fora de outras premiações. Talvez por isso, seja o azarão da lista.

JARED LETO, 42 anos, 1ª indicação. Concorre por Clube de Compras Dallas, e é o grande favorito da categoria. É o típico ator bonitinho que nunca foi levado a sério. Embora tenha mais popularidade na tv, inclusive pelo público brasileiro, teve poucas chances no cinema. E agora é o momento certo de provar que interpreta bem. E, de fato, ele está ótimo no filme. Será difícil ele não ganhar.

ATRIZES COADJUVANTES

SALLY HAWKINS, 37 anos, 1ª indicação. Ela concorre por Blue Jasmine, e quase já foi indicada alguns anos atrás. Ela é pouco conhecida, embora tenha importantes trabalhos em seu currículo. Aqui, infelizmente, tem poucas chances de faturar a estatueta, embora tenha excelente atuação no filme de Woody Allen.

JENNIFER LAWRENCE, 23 anos, 3ª indicação. Foi indicada antes por Inverno da Alma (2010, principal) e O Lado Bom da Vida (2012, principal, ganhou). Agora é sua primeira indicação como coadjuvante por Trapaça. Ela já ganhou o globo de ouro, o que significa que ela tem grandes chances ao seu segundo Oscar consecutivo. E é a estrela do momento dentre as cinco candidatas. De fato, tem grandes chances. No entanto, não sei se é a favorita.

LUPITA NYONG´O: 30 anos, 1ª indicação. Concorre por 12 Anos de Escravidão, essa atriz nascida no México, mas de origem queniana.É estreante e  atua como veterana, emocionando com muita sensibilidade no papel da escrava humilhada pelo patrão. Lupita ganhou alguns festivais e tem chances ao Oscar. Se ganhar, será merecido. Vamos aguardar...

JULIA ROBERTS: 46 anos, 4ª indicação. Foi indicada antes por Flores de Aço (1989, coadjuvante), Uma Linda Mulher (1990, principal) e Erin Brockovich - Uma Mulher de Talentos (2000, principal, ganhou). Agora concorre por Álbum de Família, em que demonstra que voltou para ficar e atua com muita intensidade. De fato, um excelente trabalho. Entretanto, é uma das azaronas. Seu segundo Oscar não chegará agora.

JUNE SQUIBB: 84 anos, 1ª indicação. Concorre por Nebraska. Apesar da idade, June estreou nos cinemas com mais de 60 anos, sempre fazendo papéis pequenos e esquecidos. Dessa vez, contudo, a veterana rouba a cena e tem merecida indicação. Teve algumas vitórias em recentes festivais por esse papel, o que lhe dá alguma chance. No entanto, por ser idosa, pode não ganhar. Afinal, a Academia adora premiar suas jovens estrelas. Ainda assim, pode acontecer.

Enfim, essas são as principais categorias. Lembrando que com a premiação do SAG, alguns novos favoritos podem surgir, já que se trata de uma prévia do Oscar. Vamos conferir! Ah, claro... Novamente, o Brasil ficou de fora na categoria filme estrangeiro. Quem sabe um dia... Abraços!

sábado, 28 de dezembro de 2013

O Hobbit: A Desolação de Smaug

 Bom, tomei o máximo de cuidado para não repetir aqui as mesmas impressões do primeiro Hobbit. Por isso, reli a minha postagem sobre o anterior, para lembrar de alguns detalhes, e não repetir o que já foi colocado (por exemplo, ao sair da sala de cinema já tive o impulso de escrever que Martin Freeman nasceu para fazer o personagem título, coisa que eu já havia explicitado anteriormente). Dessa vez, não me preocupei em assistir em sala IMAX, nem na versão 48 fps, vi em uma sala comum no formato 3D mesmo. E saí de lá satisfeito com o resultado, e aliviado por não ter acontecido duas situações que eu previa, mas que depois falarei melhor.

 Quanto a sinopse, o hobbit Bilbo e os anões continuam em sua jornada para reaver toda a riqueza roubada pelo dragão Smaug. Passam por diversas aventuras ao entrarem em uma perigosa floresta, são surpreendidos pelos horrendos Orcs, com quem duelam, e como se isso ainda não fosse o bastante, também precisam se livrar de elfos que encontram pelo caminho. Mesmo assim, persistem no objetivo inicial, e seguem caminho. Não quero revelar mais para não estragar. Essa sequência possui detalhes que, creio eu, não possam ser revelados para não prejudicar o prazer de se assistir essa produção na tela grande.

 Sim, confesso que gostei muito dessa sequência, e supera o original. Os meus receios eram os seguintes: 1) Trata-se da segunda parte de uma trilogia. O livro, como todas sabem, é curto. E, normalmente, tal como sucedeu com "As Duas Torres", de O Senhor dos Anéis, a tendência é deixar a segunda parte arrastada e cansativa; e 2) Achei algumas cenas de luta de "Uma Aventura Inesperada", óbvias e excessivamente cansativas. Por isso, esperava o pior. Surpreendentemente, entretanto, e felizmente, estava errado. A Desolação de Smaug, afinal, é daquelas produções que segura o espectador do começo ao fim, raramente cansa, e os momentos de batalhas são de deixar o mais criterioso fã do gênero satisfeito com tudo o que se sucede. Duas das melhores cenas são a fuga dos anões dentro de barris pela correnteza (em que se destaca, ainda que só nesse momento, o anão ruivo feito por um certo Stephen Hunter. O personagem poderia ser melhor explorado como alívio cômico, aliás...), e obviamente, o confronto com o dragão. Evidentemente, esse momento clímax é bastante longo e impressionante em todos os detalhes. O que posso dizer é que o danado, literalmente, solta fogo pelas ventas, e não está mesmo para brincadeira. A novidade foi colocar um dos astros do momento, Benedict Cumberbatch (de "Cavalo de Guerra" e "Além da Escuridão -Star Trek"), que está em tudo quanto é filme ultimamente, na voz de Smaug.

Isso tudo é mérito do time de roteiristas comandados por Pete Jackson, os mesmos da trilogia, a esposa Fran Walsh, o cineasta amalucado Guillermo del Toro, mais Philippa Boyens, que tiveram o cuidado e a inteligência de superar Uma Viagem Inesperada, com todos esses grandes momentos de ação. E, diga-se de passagem: tudo o que se espera de uma produção com a grife Peter Jackson está lá. De olho no Oscar, certamente a película será indicada nas categorias que se referem ao som, essa é a grande barbada! Terá chances também na trilha sonora, na excelente fotografia, direção de arte, maquiagem, e em menor escala, na montagem, que é competente, mas não está entre os favoritos. E, desculpem ser mais uma vez repetitivo, Jackson dirigiu no passado "Trash - Náusea Total"! Inacreditável.

 Ainda sobre o roteiro adaptado do universo de J.R.R. Tolkien (que também não terá chance no Oscar, uma pena!), escutei alguns comentários negativos de "tolkienianos" fanáticos, que se posicionaram contra algumas modificações. Oras, cinema e literatura são duas manifestações com linguagens diferenciadas. Muitas vezes, para se concretizar uma obra satisfatoriamente, existe a necessidade de se fazer algumas atualizações. Eu, embora já tenha lido o livro nessa altura do campeonato (ainda que na versão de português de Portugal, emprestado pelo meu amigo Rafel), considero-me leigo no que se refere à obra de Tolkien. Ainda assim, arrisco dizer que a adaptação para as telas beira a perfeição (claro, sem considerar o episódio final que só estreia daqui um ano). Apenas não me recordo do personagem Bard (interpretado por Luke Evans, de "Imortais" e "Velozes e Furiosos 6"). Acho que tal personagem ganhou muito destaque na tela, com núcleo próprio, afinal, mostra-se onde vive com as filhas e o filho, numa cidade que lembra uma espécie de "Veneza dos pobres", e com o risco de sofrer a ira de Smaug no próximo filme (seria spoiler, isso?). Esse, talvez, seja o momento mais cansativo da projeção, mas não compromete, afinal. Todavia, a grande reclamação dos "tolkienianos" é o fato de que na obra não há personagens femininos (ainda que, enquanto lia o livro, imaginava as aranhas como fêmeas, portanto "mulheres", hehehe). E aqui, nós temos a elfa Tauriel, interpretada por Evangeline Lilly (a Kate da série "Lost"). Eu achei oportuna a participação dessa personagem. Afinal, aguentar quase três horas sem nenhuma mulher em cena é sofrível! E, apesar de enxergar a guerreira elfa em atrizes como Jennifer Garner ou Kate Beckinsale, Lilly defende bem a personagem, e pode ser que consiga mais prestígio no cinema. Por outro lado, achei desnecessário, e até bizarro, a possibilidade (ALTA) de interesse romântico entre ela e um anão chamado Kili (interpretado por um certo irlandês chamado Aidan Turner, que eu nem lembrava do anterior). Enfim, tentam colocar o cara como galã, na verdade inexpressivo e sem graça. Seria melhor colocar então o Richard Armitage, que já tinha pretensões de "anão galã" (ele faz o líder Thorin), o que comprometeria menos. Aliás, unir amorosamente uma elfa com um anão seria uma proposta do politicamente correto? Uma mensagem subliminar para se aceitar as diferenças entre as raças? Enfim...

 Quanto ao elenco, além dos mencionados, sinto falta de Christopher Lee (Saruman), o melhor ator do anterior, e também de Hugo Weaving (Elrond) e, evidentemente, Cate Blanchett e sua Galadriel. Cate, ao menos, tem uma rápida ponta, e uma deixa para participação maior no próximo episódio (espero! Afinal, querem colocar mulher em cena, e se esquecem dela? Simplesmente a melhor atriz do ano!). Ah, sim! Nada de Smeagol também... Mas ainda temos Ian McKellen, sempre magnífico como Gandalf, Martin Freeman (desculpa, mas tenho que dizer: NASCEU MESMO PARA SER HOBBIT, não há escolha melhor!), Lee Pace (de "Lincoln") como Thranduil, o "deus" dos elfos, ou coisa que o valha (gosto desse ator, marca presença, e tem possibilidades de se tornar astro) e o britânico Stephen Fry, numa discreta participação como "Master of Laketown", a saber, o mestre da "Veneza dos Pobres". Ah, e aqui, temos o retorno de Orlando Bloom, e seu personagem Legolas da trilogia dos anéis, um ator que particularmente não gosto, acho canastrão e caricato. 

 Enfim, uma superprodução com S maiúsculo, eletrizante, espetacular, ousado e grandioso. Termina de forma satisfatória, deixando o espectador contando os dias para a próxima estreia (foi bem superior ao término da segunda parte de "Jogos Vorazes", esse sim, arrastado e manipulador). Espero mesmo que Jackson feche a trilogia com chave de ouro, e entregue no próximo ano um esplêndido trabalho, como fez agora. Se conseguir a mesma repercussão que o fecho da trilogia dos anéis, "O Retorno do Rei", o que eu acho bem difícil, seria maravilhoso. Em todo caso, sem grandes pretensões, conseguindo o mesmo resultado com essa obra do meio, já está excelente. Bem-vindos a essa grande aventura!

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terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Questão de Tempo

 Uma boa pedida para cinema em épocas natalinas é este Questão de Tempo, dirigida e roteirizada pelo mesmo diretor de "Simplesmente Amor", Richard Curtis. Trata-se de uma história leve, delicada, sensível e engraçada, daquelas capazes de deixar o espectador feliz da vida, ao término da sessão.

 A história, definitivamente, não é nada original. Afinal, o tema "de volta para o passado" já foi explorado diversas vezes. Todavia, não vejo nada tão ousado ou curioso dentro do tema, desde a comédia "Feitiço do Tempo", de 1993. Bom, o enredo: o jovem britânico Tim (o ruivo Domhnall Gleeson, de "Bravura Indômita" e "Harry Potter -  As Relíquias da Morte 1 e 2"), ao completar 21 anos, recebe uma  notícia de seu pai (o veterano Bill Nighy, que também esteve em "Simplesmente Amor"), de que a família tem o dom de voltar ao passado. Basta apenas ir para um lugar escuro, deixar o pulso ereto, e se concentrar para a época que se quer voltar. Sabendo disso, o rapaz tira proveito da situação e volta para fazer coisas que não tinha realizado no passado. Até que uma americana (a estrela Rachel McAdams) cruza sua vida, e ele se apaixona por ela. Claro que ele usa o "tempo" a seu favor, para descobrir informações sobre a garota...

 Questão de Tempo é daqueles filmes repletos de canções, e faz o público se entregar e se envolver com a história e seus personagens. Nem se vê a duração da película (e olha que passa dos habituais 120 minutos, algo típico do diretor), por conta da história cativante. O aspecto mais criativo, certamente, foi o de não se explorar constantemente a "máquina do tempo", para com isso, não correr o risco de cair no lugar comum, com piadas óbvias e previsíveis. Ao contrário, Curtis deixa o romance dos protagonistas florescer naturalmente, e registra desde o instante em que se conheceram, até se casarem e terem filhos, deixando um pouco de lado o dom do rapaz. Claro que, com o passar dos anos, às vezes se faz necessário recorrer à viagem ao passado, para corrigir coisas desagradáveis. O fato é que a mensagem de se aproveitar a vida em todos os seus aspectos é, apesar de passar uma ideia piega, bastante oportuna e desenvolvida com muita humanidade e satisfação.

 O elenco está espetacular, e outra ideia interessante foi colocar em cena um casal não especialmente bonito para encabeçar esse magnífico conto. McAdams parece ser a estrela ideal para esse tipo de filme, já que tem no currículo outras obra sensíveis como "Te Amarei Para Sempre" e "O Diário de Uma Paixão". E forma uma dupla interessante com o desconhecido Gleeson (filho do veterano Brendan Gleeson), numa interpretação, ao mesmo tempo, tocante e divertida. E os coadjuvantes brilham também, sobretudo o pouco conhecido Richard Cordery (de "Os Miseráveis") como o tio do protagonista, a jovem Lydia Wilson (de "Não Me Abandones Jamais") como a irmã, a novata de carreira promissora, muito atraente, Margot Robbie (que também está em "O Lobo de Wall Street", do Scorsese) no papel da amiga da irmã por quem Gleeson se sente balançado, a veterana Lindsay Duncan como a mãe, e principalmente o extraordinário Bill Nighy, como o pai. Tem-se falado pouco sobre as chances do filme concorrer em alguma categoria para o próximo Oscar, mas se houvesse justiça, Nighy concorreria como coadjuvante, em um grande momento nas telas.

 Enfim, tudo funciona: elenco, roteiro, fotografia, direção de arte... Tudo magnífico. Um bom fecho de ano para quem procura uma história bem contada, sensível e com descontraídos momentos de humor. Daquelas produções que te faz refletir sobre a vida, e correr atrás do tempo perdido sobre algo não resolvido. Vale a pena experimentar!

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domingo, 15 de dezembro de 2013

Carrie - A Estranha (2013)

 Como tornou-se moda refilmar filmes famosos de terror nos anos 70 e 80, agora aconteceu com esse remake de um clássico do gênero de terror, que havia sido dirigido por Brian DePalma em 1976, e foi responsável por colocar no mapa os nomes de Stephen King, Sissy Spacek, John Travolta e do próprio DePalma. A diretora da vez é Kimbery Peirce (de "Meninos não Choram").

 Creio que o filme seria mais interessante se fosse feita uma nova leitura do popular livro do Stephen King, com momentos inéditos, não explorados pelo filme de DePalma, nem pela versão feita para tv em 2002. Contudo, o roteiro de Lawrence D. Cohen e Roberto Aguirre-Sacasa, prefere seguir a risca o filme de 76, mais que o livro. Ou seja, com algumas atualizações para o nosso tempo (com direito a tablets e sites de relacionamentos) e com algumas alterações em cenas, trata-se praticamente de uma xerox do original.

 Para quem não conhece ainda a história, vamos lá. Carrie White é uma garota reprimida pela mãe fanática religiosa, e é vítima de bullying na escola. Após ter sua primeira menstruação no chuveiro do colégio, é vítimas das brincadeiras de mal gosto das garotas. Uma delas, Sue Snell, contudo, se arrepende da brincadeira de mal gosto, e para se redimir, pede para o próprio namorado, Tommy Ross, convidar Carrie para o baile. A garota acaba por aceitar, contrariando a vontade da mãe, e vai para o baile onde a vingativa Chris Hargensen prepara algo terrível contra a garota. O que ninguém imagina, todavia, é que Carrie tem poderes telecinéticos, e se vinga de todos que a humilharam, num verdadeiro banho de sangue em que até os inocentes são punidos.

 O problema do filme é que sentimos constantemente a falta da mão experiente do talentoso DePalma, com sua típica linguagem cinematográfica: a trilha sonora angustiante, a divisão da tela em partes, a câmera lenta nos momentos mais arrepiantes... Tudo isso faz falta! As cenas de morte, por outro lado, são mais detalhadas. Porém até isso, emburrece! A cena em que Carrie se  vinga de Chris é longa demais e nada interessante. Aliás, a atriz que interpreta a vilã, uma certa Portia Doubledday (de "Vovó Zona 3"), é muito ruim e feia, fazendo os saudosistas sentirem falta da intérprete original, Nancy Allen.

 Falando nisso, no elenco a já popular e veterana garota Chloe Grace Moretz, após chamar a atenção da crítica e público no terror sobre uma vampira mírim, "Deixe-me Entrar", não faz feio e segura bem o papel. A excelente Julianne Moore interpreta a mãe fanática, em mais um bom papel e com maquiagem pesada, e outra boa atriz, Judy Greer (de "Os Descendentes") faz a professora de educação física, que defende Carrie. Há também uma garotada atraente nos outros papéis,Gabriella Wilde como Sue, Ansel Elgort como Tommy, Alex Russell como Billy... etc.

 No fim das contas, não é um filme ruim. Mas exaustivamente lento para quem conhece o original de letra. Nem mesmo as atualizações chamam a atenção. Apenas me irrita o fato de ter assistido ao filme em sua versão dublada. Pelas barbas do profeta: Por que essa moda infeliz de dublar tudo que é filme ? Quase não há mais produções originais com legendas em português! Isso aborrece ainda mais o passatempo... Abraços!

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sábado, 7 de dezembro de 2013

Crô - O Filme

 Ultimamente tem se tornado comum adaptar personagens que marcaram nas novelas para o cinema. É o que sucede aqui, com a comédia Crô. Quem não lembra, Crô era o mordomo afeminado da perua socialite Thereza Cristina, interpretada por Christiane Torloni, na novela "Fina Estampa", de Aguinaldo Silva, que aqui, obviamente, é o autor do roteiro.

 Bom, Crô tem berço, é de família rica, mas desde pequeno sabia que seu "dom" era o de servir a "deusas chiquérrimas e maravilhosas". Justamente por isso, ele resolve fazer uma seleção para escolher a "madame" de quem ele cuidará e obedecerá por toda sua vida. Entretanto, um inescrupuloso casal, que trafica mulheres e crianças bolivianas para trabalhar com costura, armam plano diabólico para fazer com que a escolhida seja a perigosa Vanusa.

 Dirigido pelo veterano Bruno Barreto, Crô diverte e arranca gargalhadas da plateia, por conta dos trejeitos de seu protagonista, mais uma vez interpretado pelo bom ator Marcelo Serrado. Entretanto, as piadas não seguram o filme, e o público conclui que o personagem era muito mais engraçado na tv, do que no cinema. O que acaba atrapalhando também, é a introdução de personagens vilões (feitos por Milhem Cortaz, o eterno Capitão Fábio de "Tropa de Elite" e Carolina Ferraz), e um contexto de tráfico bastante dramático para estar inserido numa comédia, que deveria ser leve e divertida. Os próprios vilões têm cenas cômicas, mas a perversidade cometida por eles com uma garotinha boliviana (a estreante Urzula Canaviri) atrapalha o tom, e gera até revolta no espectador. Por outro lado, para contribuir ainda mais com o humor, outros empregados da telenovela surgem para auxiliar Crô: a faxineira Marilda (Kátia Moraes) e o motorista Baltazar (Alexandre Nero), este roubando a cena como o serviçal homófobo.

 Ainda no elenco, participações de Ivete Sangalo (como a mãe de Crô), a veterana Karin Rodrigues, no papel de outra socialite que disputa os serviços do refinado mordomo, e Gaby Amarantos e Ana Maria Braga interpretando elas mesmas. Enfim, o filme diverte e torna-se um passatempo descontraído. Infelizmente, por conta das limitações do roteiro, é facilmente esquecível. Em tempos de "Félix", quem sabe outro personagem popular do público invada as telas de cinema. Talvez essa não seja uma boa ideia. Abraços!

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