quarta-feira, 12 de março de 2014

Sem Escalas

 Sem Escalas é o novo projeto do diretor Jaume Collet-Serra, que se uniu mais uma vez ao astro Liam Neeson, após o thriller "Desconhecido" de 2011. E ambos investem mais uma vez no gênero, e oferecem um suspense repleto de ação e reviravoltas.

 Neeson interpreta um policial, especialista em garantir a segurança em vôos. Em um desses, da Inglaterra para os EUA, ele passa a receber mensagens de texto anônimas em seu celular de um criminoso, que ameaça aterrorizar o avião, caso não receba uma alta quantia de dinheiro em troca. A partir de então, o policial tenta controlar a situação e tenta investigar por conta própria a identidade do vilão. No entanto, este começa a cumprir a promessa de matar 1 pessoa a cada meia hora. E a situação se complica quando o próprio policial torna-se o principal suspeito de tais crimes.

 Esperem aqui diversos clichês do gênero, desde uma criança inocente que surge como presa fácil do incidente, passando pela mocinha da história que conhece o herói no dia em que toda a ação ocorre, até chegar a um leque de suspeitos que estão presentes no vôo (sm, há um árabe no meio, e piadinhas esteriotipadas previsíveis). Apesar disso, o filme cumpre sua função: consegue deixar a plateia atenta constantemente durante toda a projeção. Mérito do time de roteiristas (John W. Richardson, Christopher Roach e Ryan Engle) que armam situações inesperadas, principalmente na originalidade das mortes das vítimas (ainda que no fim das contas sejam um tanto "forçadas"). Em todo caso, é daquelas fitas que nunca caem no tédio e despertam o interesse, principalmente por conta da complexidade do personagem central, na realidade, um policial melancólico, fumante compulsivo e aparentemente autodestrutivo.

 O elenco conta com a presença carismática da excelente Julianne Moore, como a passageira que puxa conversa com Neeson, o auxilia em diversas situações, e também acaba se tornando suspeita das ameças. Há também a bela inglesa Michelle Dockery (de "Hanna" e "Anna Karenina"), ainda pouco conhecida pelo público, no papel da aeromoça que também ajuda o personagem de Neeson. A maior novidade fica por conta da presença da recém oscarizada por "12 Anos de Escravidão", Lupita Nyong´o em seu 1° papel após o Oscar pelo filme mencionado. Há também um bom time de coadjuvantes, desde Shea Wighman (de "O Lobo de Wall Street"), como um outro agente no vôo e Scoot McNairy (de "Argo" e também de "12 Anos de Escravidão"), como um outro passageiro, ambos suspeitos de comprometer a segurança de todos.

 No final das contas, não há tantas novidades na história, principalmente pelo fato de que o gênero conta com diversas histórias semelhantes, tanto clássicas ("Aeroporto") como produções mais recentes ("Plano de Vôo"). As diversas pistas falas também são típicas de clichês, e a identidade revelada do criminoso, e seus reais motivos, não convencem satisfatoriamente. Ainda assim, Collet-Serra foi bem sucedido em armar um clima repleto de tensão. Ou seja, gostando ou não do resultado final, a plateia acompanha a projeção com muita empolgação e curiosidade até o fim. Por isso, está acima da média e merece uma conferida, principalmente em dias nublados ou chvosos. Até mais!

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domingo, 2 de março de 2014

OSCAR 2014 - OS 9 FILMES INDICADOS

 Bom, hoje a noite teremos a cerimônia do OSCAR na TNT. Não deixa de ser uma boa opção para quem não gosta de carnaval. Aliás, falando nisso, ainda não consigo entender como deixam a Rede Globo com os direitos da transmissão do Oscar. Afinal, ela sempre desrespeitou o público dessa cerimônia, começando a festa peça metade, pois não podia antecipar o Big Brother. Agora, quando o carnaval está em jogo, ela altera a programação da grade com muita agilidade! Enfim...

 Como eu fiz ano passado, vou fazer minha lista de preferências em relação aos filmes indicados. Começarei com o último de minha lista, até chegar o primeiro. Ah, sim! Antes que eu me esqueça: Apesar de serem 9 os indicados, os favoritos são apenas 3, e eu estou ciente disso. Portanto, não elaboro uma lista referente aos que tem mais ou menos chance em ordem crescente ou decrescente. Não! Elaboro uma ordem conforme as minhas preferências! E em ordem decrescente. Vamos lá:

9° Capitão Phillips, de Paul Greengrass. A história real do capitão do título impressiona pela parte técnica e pela eficiente qualidade de som. Até a metade é bastante fácil se envolver com a história e com o clima de tensão. No entanto, depois torna-se cansativo e bastante previsível, ou seja, chega uma hora que sabe-se como a história vai acabar, e aquilo que outrora provocava tensão, começa a ficar chato, sonolento, cansativo... Para piorar ainda mais, recentemente foi divulgado na imprensa americana que o biografado não era tão heróico como o filme supõe. Falam-se muito na ausência do astro Tom Hanks entre os cinco finalistas para melhor ator. No entanto, eu não senti sua ausência. Afinal, Hanks é um grande ator como todos sabem, mas aqui atua com muita competência, e mais nada. Não apresenta aqui uma qualidade excepcional que poderia tê-lo colocado em lugar de algum dentre os reais indicados. Outra coisa: o novato Barkhad Abdi, indicado como coadjuvante, tem recebido muito prestígio e seu nome figura em tudo que é festival por aí. Um grande absurdo! Nada contra ele, mas o rapaz atua com muita determinação de forma igualitária aos demais atores do elenco, todos amadores e da Somália, como o próprio Abdi. Por que apenas ele foi lembrado? Enfim, o filme não me empolgou.


8º Philomena, de Stephen Frears. Outra história real, que causou bastante expectativas para mim, que não via a hora de assisti-lo. No fim das contas, me decepcionei um pouco. Afinal, o filme do talentoso Frears tinha tudo para ser uma história tocante, sensível e profundamente dramática. Nesse ponto, poderia cair no erro de ser muito piegas, e até mesmo abusar de clichês inevitáveis. No entanto, talvez essa opção teria sido melhor sucedida do que adicionar humor para uma trama em que a comédia não se encaixa adequadamente. Isso acaba por prejudicar o tom e o ritmo. Vale pela magnífica presença da grande Judi Dench, merecidamente lembrada pela academia, no papel título, da mãe que tenta descobrir o paradeiro do filho, depois de longos anos, já que foi obrigada a antrega-lo para adoção quando pariu na adolescência. Uma última análise e algum retoque aqui ou ai poderia melhorar o filme. De qualquer jeito, é um dos azarões.


7º Trapaça, de David O. Russell. Este está entre os três favoritos, certamente o 3º colocado. E um grande número de indicações! Sorte dos envolvidos, graças ao grande marketing e promoção que Hollywood fez desse filme. No entanto, não há nada mais chato e irritante do que uma comédia que não te faz rir. Tem um roteiro satírico, fala sobre política, a produção é esplêndida, mas a fita é interminável. Cansativa a exaustão, tem alguns poucos momentos que faz o espectador soltar alguns risos amarelos e mais nada. Contudo, o elenco -isso eu preciso admitir- está formidável! Pelos atores, vale a pena assistir. Até mesmo Jeremy Renner, o único do elenco principal não indicado, rouba a cena em alguns momentos. A melhor, sem dúvida, é a talentosa Jennifer Lawrence, que está entre as favoritas de coadjuvante. A jovem atriz atua como veterana e está impressionante como a esposa de Christian Bale (se tem algum instante para rir, é quando ela está em cena). E o próprio Bale também está excelente, assim como Bradley Cooper (que demonstra que milagres existem, tornou-se mesmo um bom ator!) e Amy Adams, atriz carismática e maravilhosa. Se não houvesse uma Cate Blanchett no caminho, a estatueta seria dela. Agora, tirando o elenco, os figurinos, a direção de arte e a fotografia, o que temos? Uma verdadeira fraude, ou como diz o título nacional, uma grande trapaça!


6°Nebraska, de Alexander Payne. A partir de agora, torna-se mais difícil ordenar os meus preferidos, pois gosto de todos eles. Este aqui, simpático e agradável, coloquei em 6° lugar por ser o menos memorável, embora seja uma fita muito talentosa (apesar da fotografia em preto e branco, o que causa muita rejeição entre as plateias). Ainda assim, é difícil não se envolver na história do simpático velhinho que acredita que ganhou um prêmio muito valioso, e precisa se deslocar até Nebraska para recebê-lo (ele está em Lincoln, do outro lado do estado!). Ao lado dele, o filho que acha melhor "não contrariar". Enfim, um road movie poético, divertido e tocante. Bruce Dern, aos 77 anos, exibe um grandioso talento e esplêndida lucidez. Melhor que ele, apenas a veterana e pouco conhecida June Squibb, no papel da esposa. Se houvesse justiça, essa simpática velhinha de 84 anos seria contemplada com o Oscar. É pra quem eu torço, embora sua vitória seja uma grande ilusão... No todo, vale a pena conhecer esse modesto e interessante filme.


5° Ela, de Spike Jonze. O cineasta sempre foi talentoso, com histórias diferentes e curiosas, desde "Quero Ser John Malkovich". E agora ele mesmo roteiriza esta surpreendente comédia romântica dramática, sobre os desajustes e a solidão num futuro próximo. Joaquin Phoenix, em atuação que merecida uma indicação também, faz o sujeito abandonado pela esposa, e que tenta encontrar a felicidade ao lado de alguém. Até que encontra a "Ela" do título, na verdade, um sistema operacional de computador, com a bela voz de Scarlett Johansson. Temos aqui, portanto, a personagem mais humana de todos os tempos, representada por um ser inanimado. De fato, é um filme muito bonit, ousado e diferente. A maior barbada está no Oscar de roteiro original. Merece ser conhecido pelo público este filme que demonstra que criatividade é algo que não falta para o diretor Jonze.


4º Clube de Compras Dallas, de Jean-Marc Vallée. Uma grata surpresa encontrar esse filme independente entre os finalistas. A maior barabada, certmente, está para os prêmios de ator (Matthew McConaughey) e ator coadjuvante (Jared Leto). Mas o filme tem poucas chances, o que é uma pena, já que é polêmico e original. Ambos os atores estão esplêndidos em seus respectivos papéis de um homem aidético, a princípio homófobo e machista, e um travesti, também portador do vírus de HIV, que traficam medicamentos para controlar o vírus, em uma época (anos 80) que o governo praticamente nada fazia em relação a isso. Daqueles filmes impactantes que a princípio você sente raiva e repulsa pelo protagonista, mas que em seguida, acaba torcendo por ele. Para fechar com chave de ouro, há também a simpática presença de Jennifer Garner, como a médica que os ajuda nessa batalha. Vale a pena conhecer!


3º O Lobo de Wall Street, de Martin Scorsese. Dividiu críticos de todo o mundo. Muitos amaram, outros tantos odiaram (pelo que eu percebi, a maioria odiou). Eu adorei! Simplesmente um grande Scorsese em plena forma. Um filme longo, com quase 3 horas de duração, mas que você não sente passar em hipótese alguma. É divertido, inusitado, polêmico e arrebatador. Algumas das críticas surgiram por conta da possível exautação do consumo de drogas. No entanto, isso é uma questão de ponto de vista. Afinal, as consequências são desastrosas para os personagens que levam "a vida loka", e o excessivo uso de drogas está inserido como uma crítica aos personagens. O elenco está soberbo, tanto Leonardo DiCaprio quanto Jonah Hill mereceram as indicações respectivas de ator e coadjuvante nos seus papéis, que reservam cenas que ficarão para a história, como àquela em que Hill se engasga e a turbulência no navio. Ainda, há performance extarordinária de Matthew McCoanughey, no início, e a bela novata Margot Robbie. Enfim, tudo aquilo que Trapaça tentou ser, mas não conseguiu. Imperdível!


2° 12 Anos de Escravidão, de Steve McQueen. Este é o grande favorito, mas coloco em 2° lugar. De fato, dentre os indicados, esté tem a cara de filme que a academia adora prestigiar: passa das duas horas de duração, é de época, tecnicamente excepcional, emociona o público, grnades intepretações. De fato, uma história muito bem contada e dirigida. O ainda pouco conhecido, mas já veterano, Chiwetel Ejiofor dá um show na pele do homem negro livre, propositalmente confundido como escravo, e vendido tal como para diversos colonos. Os maus tratos e as injustiças sociais pelas quais passa são denunciados atráves das fortes imagens de tortura e violência. Enfim, daqueles filmes que deixa o público revoltado, e por isso, faz grande sucesso. Outro destaque é a novata Lupita Nyong´o, em grande atuação, como outra escrava humilhada constantemente. Grande filme, merecedor de todos os pr~emios que tem recebido.


1º Gravidade, de Alfonso Cuáron. O meu favorito é certamente o 2° favorito pela Academia. Este foi o único que assisti no cinema, e não queria, a princípio, colocá-lo como meu favorito, pois não acho o roteiro excepcional, por conta de alguns diálogos sem fundamento. No entanto, não se pode negar o grande valor cinematogáfico que esta obra insere ao cinema em geral, e mais particularmente, ao gênero ficção científica. Enfim, um filma tecnicamente inovador, mostrando um espaço sideral nunca visto antes. A grande maioria das cenas se passa no exterior da nave, e tudo o que se vê impressiona e convida o espectador a participar dessa incrível jornada. Definitivamente, é o filme do ano, e merece ter seu talento reconhecido. Sandra Bullock fez a melhor escolha de toda sua carreira, pois é um filme que já entrou para a história. Magnífico, estupendo, enfim, perfeito!


 Então é isso. Que vença o melhor! Até hoje a noite, creio que por volta das 22h na TNT. Abraços!

sábado, 1 de março de 2014

Robocop

 Robocop marca a estreia na direção americana do nosso cineasta brasileiro, José Padilha, que ganhou fama com os dois "Tropa de Elite". Fui conferir na tela grande essa aventura, principalmente por se tratar de um remake bastante esperado, do clássico dos anos 80, que inaugurou o holandês Paul Verhoevem em Hollywood, já famoso em sua Holanda natal.

 Como era de se esperar, não temos aqui uma xerox perfeita do original, o que é bom, já que os tempos são outros. O roteiro, de Joshua Zetumer, dá uma ideia mais futurista que o original de 1987, e conseguimos visualizar com facilidade uma era dominada por avanços tecnológicos de última geração. Além disso, nós temos um Robocop com traje mais escuro, e pilotando uma moto frequentemente. E a parceira dele, a policial Anne Lewis, vivida por Nancy Allen no filme de Verhoeven, está fora da história e foi substituída por um policial de mesmo sobrenome chamado Jack, interpretado pelo ator Michael K. Williams (que também está em "12 Anos de Escravidão").

 Dessa vez, no lugar de Peter Weller, nós temos o novato sueco Joel  Kinnaman (que atuou em "A Hora da Escuridão" e "Protegendo o Inimigo") interpretando o herói, o policial Alex Murphy. Diferente do clássico de 87, ele não morre, mas sofre um terrível acidente, ao ter seu carro explodido por perigosos bandidos. Assim, uma coorporação chefiada pelo político Raymond Sellars (o sumido Michael Keaton, de volta à ativa) tem uma brilhante ideia: criar um robô policial para defender os civis e trazer mais segurança para a população de Detroit, com o intuito de conseguir votos e ser eleito (creio que a senador, ou coisa parecida). Para tanto, contrata o cientista Dennett Norton (o sempe ótimo Gary Oldman), que é o responsável pela nova identidade de Murphy. No entanto, o desejo de vingança de nosso herói persiste, e ele deseja acabar com aqueles que quase o mataram. A partir de então, descobre um esquema de corrupção policial, e acaba por perceber que o pior inimigo agora é outro.

 José Padilha adicionou elemntos de "Tropa de Elite 2" na construção da figura pública governamental como vilã, o que torna a aventura ainda mais interessante. Claro que tudo é tecnicamente perfeito, o visual é impressionante e o ritmo é ágil. Apesar disso, muitas cenas de ação são banais e repetitivas. Mas nada estraga essa nova versão, bastante pessimista em relação ao futuro. No elenco ainda, destaque para o excepcional Samuel L. Jackson, no papel de um apresentador sensacionalista de telejornal (tal como o interpretado por André Mattos em "Tropa 2"). E para não ficar restrito ao clube do Bolinha, há algumas personagens femininas interessantes que substituem muito bem a policial Lewis da série clássica. A loirinha Abbie Cornish (de "O Brilho de Uma Paixão" e "Sete Psicopatas e um Shih Tzu") faz a esposa de Murphy, uma personagem pouco desenvolvida no original; a boa atriz Jennifer Ehle interpreta a assistente do vilão Keaton; e a já indicada ao Oscar, Marianne-Jean Baptiste (por "Segredos e Mentiras", de Mike Leigh) faz a chefa de Murphy.

 O final deixa portas abertas para prováveis sequências, mesmo porque não esclarece os destinos de alguns personagens. Enfim, trata-se de um remake bem-sucedido, que contou com a mão firme de Padilha, demonstrando ter um futuro bastante promissor nos States. Assistam a Robocop, e preparem-se para um eficiente filme de ação.

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domingo, 16 de fevereiro de 2014

A Menina Que Roubava Livros

 Gosto bastante de filmes que retratam a época da Segunda Guerra Mundial e o período nazista. Por isso, tive vontade em assistir ao filme do título; e a empolgação aumentou, pois eu já havia lido o livro de Markus Zusak, pelo qual foi adaptado para a tela.

 A garotinha Liesel Meminger é entregue pela própria mãe a um simples casal, pois está com alguns problemas relacionados à política do momento (certamente é comunista). A partir de então, a menina tem um novo cotidiano, ao lado do pai adotivo que adora, da mal humorada mãe adotiva que vive lhe dando broncas (mas no fundo é bondosa), do amiguinho Rudy Steiner, com quem vive apostando corridas, etc. No entanto, o que surpreende a garota é a chegada do judeu Max Vandenburg, acolhido no porão dos Hubermann, os novos pais de Liesel, que são solidários a ele. A garota começa uma grande amizade com ele, enquanto conserva como melhor passatempo o ato de roubar livros.

 Não vou cair no habitual clichê de dizer que "o livro é bem melhor". Porém, quando se lê a este best seller, no momento já da pra imaginar uma adaptação cinematográfica, e talvez por isso, nem tudo tenha saído perfeito, o que não quer dizer que o filme seja ruim. Um dos momentos que causou muita ansiedade em minha leitura é o desfile de judeus pelas ruas da pequena vila da história, comandados por oficiais nazistas, e que escandalizavam o leitor pela riqueza de descrições. No filme, contudo, isso aparece pouco e de uma forma que não emociona tanto, principalmente depois de se ver a outros momentos muito mais impactantes.

 O grande problema, talvez, esteja na emoção. Afinal, A Menina Que Roubava Livros é o tipo de narrativa que facilmente leva o leitor às lágrimas. Porém, na tela, a impressão que fica é a de que o roteirista Michael Petroni, sob a batuta do pouco conhecido diretor Brian Percival, tentou reunir o máximo possível das situações contidas no livro, sem exatamente destacar algum momento mais dramático. A própria personagem que narra, a morte, às vezes desaparece da história, e quando volta a contar os relatos em off, o espectador se questiona: "Quem está narrando mesmo?". Apesar disso, na sessão em que estive presente, constatei alguns soluços e choros intermináveis (certamente, de alguma leitora da obra, que se apegou aos detalhes da literatura, mas que foram adaptados superficialmente). Outro fato curioso é que a menina Liesel, no filme, rouba menos livros do que na obra literária. Um bom momento que poderia ter sido melhor explordo é o encontro dela com a esposa do prefeito.

 Mas não se pode dizer que a película não prende a atenção. Afinal, o entretenimento é garantido, e o público se deixa envolver facilmente com a história (mesmo o desfecho querendo ser ligeiro demais para os personagens, após a longa duração). Tecnicamente, o filme é excepcional, com bela fotografia, direção de arte e a famosa trilha sonora do popular John Williams, que conseguiu mais uma indicação ao Oscar (a única do filme). Quanto ao elenco, os veteranos Geoffrey Rush e Emily Watson interpretam os pais adotivos de Liesel (quando li o livro, nunca imaginei Emily como a "ranzinza" Rosa Hubermann, imaginava uma atriz mais corpulenta, como Kathy Bates, por exemplo. Mas ela atua muito bem no papel!). Fora eles, nenhum nome mais famoso, a não ser o do britânico Roger Allam (de "A Rainha" e "Piratas do Caribe 4"), personificando a voz da morte. O garoto loirinho Nico Liersch impressiona pelo seu visual, e a menina Sophie Nélisse foi a escolha ideal para a personagem-título.

 Enfim, vale a pena conferir e deixar-se interessar pela história, principalmente se for deixar de lado detalhes que seriam fundamentais para o filme, não só para os leitores da obra, como também para o público em geral (como o contexto histórico que mal é informado). Em todo caso, o filme mais agrada do que irrita. Abraços!

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sábado, 18 de janeiro de 2014

Frozen: Uma Aventura Congelante

Nesse clima de férias, a opção mais bem sucedida para os pimpolhos é este "Frozen", uma produção Disney sobre o melhor que o estúdio já produziu em suas animações: história de princesas. Apesar disso, não se trata de interesse exclusivamente feminino. Os garotos também vão se divertir.

As irmãs princesas Anna e Elsa eram muito unidas na infância. Contudo, Elsa é uma criança diferente: congela tudo o que toca. Para não ser um perigo para ninguém no reino, a garota é isolada de todos. Com o passar do tempo, elas crescem, e Elsa será coroada rainha. Entretanto, ela continua promovendo a destruição, ainda que acidentalmente, e por isso foge e constrói um castelo de gelo para ela, longe de todos. Sua irmã Ana resolve procurá-la, e conta com o apoio do viajante atrapalhado Kristoff. Apesar de existir um clima entre os dois, Anna é apaixonada pelo príncipe Hans.

 Toda magis Disney que se possa imaginar está contida nessa bela história, repleta de diversas canções, que são emocionantes e animadas. Ou seja, não são irritantes como costuma acontecer em alguns filmes animados do estúdio. E como toda boa animação que se preze, tem que ter os coadjuvantes responsáveis pelo alívio cômico, que roubam a cena, e que ganham a simpatia do público. Aqui, isso ocorre com o boneco de neve Olaf, que reproduz alguns comentários hilários e divertidos. Além dele, existe uma sociedade de trolls que, infelizmente, aparecem pouco. Mas, não é a penas o humor que domina a história. Há bons instantes de ação, e até mesmo a revelação de um vilão que dá uma reviravolta na ação (apesar de ser uma situação clichê).

 Enfim, tudo perfeito e agradável, trata-se de uma boa pedida para toda a família. Frozen ganhou o globo de ouro de melhor animação, e certamente ganhará também o Oscar, num ano bastante fraco para produções do gênero. Mérito da dupla de diretores, Chris Buck e Jennifer Lee (também roteiristas, ao lado de Shane Morris, adaptando o clássico conto de Hans Christian Andersen). No elenco, não há nomes famosos, o que pouco importa para um desenho animado dublado, em que se ouve as vozes dos dubladores brasileiros (que aliás, são muito bons!). No mais, divirtam-se com essa agradável animação! Abraços!

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quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

INDICADOS AO OSCAR 2014

Dessa vez, demorou um pouco para ser disponibilizada a lista de indicados. Ocorreu antes a cerimônia do globo de ouro, domingo passado 12/01/2014, e os indicados foram anunciados somente agora, em vésperas de outra cerimônia importante, ao do sindicato dos atores (SAG), que ocorrerá nesse sábado, 18/01. ivemos algumas surpresas interessantes. E, como de costume, faço comentário apenas das seis principais categorias: filme, diretor, ator, atriz, ator coadjuvante e atriz coadjuvante.

FILMES:

Mais uma vez, os candidatos são 9: 12 Anos de Escravidão, de Steve McQueen; Capitão Philips, de Paul Greengrass; Clube de Compras Dallas, de Jean-Marc Vallée; Ela, de Spike Jonze;Gravidade, de Alfonso Cuarón; O Lobo de Wall Street, de Martin Scorsese;Nebraska, de Alexander Payne; Philomena, de Stephen Frears; e Trapaça, de David O. Russell. As maiores surpresas foram as inclusões de Ela, filme sempre lembrado como roteiro nos festivais, mas não como melhor filme; e Clube de Compras Dallas, que só vem sendo lembrado pelas boas interpretações masculinas. O Loobo de Wall Street dividiu opiniões, mas reina aqui entre os nove. Os favoritos, contudo, são três: 12 Anos de Escravidão, Gravidade e Trapaça. O melhor filme está entre esses três.

DIRETORES:

Dos nove filmes, cinco permanecem na categoria direção: Gravidade (Alfonso Cuarón), 12 Anos de Escravidão (Steve McQueen obs: não confundir com o já falecido astro de mesmo nome), Trapaça (David O. Russell), Nebraska (Alexander Payne) e O Lobo de Wall Street (Martin Scorsese). Tal como a categoria melhor filme, o diretor premiado deve estar entre os três melhores filmes mencionados acima: Cuarón/McQueen/O. Russell. Porém, Scorsese é o nome de luxo da lista, e Hollywood adora ele. Mas creio que, tal como o globo de ouro, Cuarón e seu Gravidade leve a melhor. Ou não...

ATORES:

CHRISTIAN BALE: 40 anos, 2ª indicação. Foi indicado antes como coadjuvante, em 2010, por O Vencedor, e ganhou. Agora, teve inesperada indicação em filme bastante popular. Embora possivelmente seja o azarão entre os candidatos, ele se dedicou bastante ao papel pelo qual concorre pelo filme Trapaça (chegou a engordar 20 quilos). Tem boa atuação, e é bastante querido, e tem a seu avor estar indicado no filme recorde de indicações do ano.

BRUCE DERN: 77 anos, 2ª indicação. Foi indicado antes em 1978, como coadjuvante, pelo filme Amargo Regresso. Agora, tem sua primeira chance como ator central, por Nebraska. Dern já foi bastante premiado por esse filme em alguns festivais, e justiça seria feita se ganhasse o Oscar também. Mesmo porque ele tem uma longa trajetória no cinema e só é indicado agora pela segunda vez. Em todo caso, raramente a Academia entrega a estatueta para atores idosos. Se bem que no ano retrasado, entregou um Oscar de coadjuvante para Christopher Plummer. Então, pode ter alguma chance. Tomara!

LEONARDO DiCAPRIO: 39 anos, 4ª indicação. Foi indicado antes por Gilbert Grape - Aprendiz de Sonhador (1993, coadjuvante), O Aviador (2004, principal) e Diamante de Sangue (2006, principal). Agora concorre por O Lobo de Wall Street. DiCaprio é conhecido por ser detestado pela Academia, que já poderia tê-lo indicado mais umas duas ou três vezes antes. Entertanto, agora teve uma indicação um tanto inesperada, e faturou o globo de ouro como melhor ator em comédia ou musical por este papel. Por isso, ele não está descartado e entra no jogo.

CHIWETEL EJIOFOR: 36 anos, 1ª indicação. Ejiofor tem nome difícil, impronunciável em alguns momentos, mas já fez diversos filmes. Agora tem sua 1ª chance em emocionante atuação como o negro sequestrado em 12 Anos de Escravidão. Aparentemente é um dos favoritos ao prêmio, e já faturou alguns prêmios em festivais.

MATTEW McCONAUGHEY: 44 anos, 1ª indicação. O astro bastante popular, que até já foi eleito alguns anos atrás como o homem mais sexy do planeta é casado com a modelo brasileira Camila Alves, e já foi alvo de sérias críticas, pois nunca foi levado a sério como ator. Contudo, do ano passado pra cá, tem demonstrado com rigor sua versatilidade, e até já deveria ter sido indicado no último Oscar por diversos papéis que representou. Agora concorre por Clube de Compras Dallas, e faturou o globo de ouro de ator em drama por esse filme. Por isso, é um dos favoritos.

ATRIZES:

AMY ADAMS: 39 anos, 5ª indicação. Foi indicada antes, sempre como coadjuvante, por Retratos de Família (2005), Dúvida (2008), O Vencedor (2010) e O Mestre (2012). Essa é a 1ª vez da atriz como principal, por Trapaça. Ou seja, a Academia tem uma dívida muito grande com ela, e seria o momento oportuno de premiá-la, já que está perfeita no papel, se a categoria não tivesse uma favorita absoluta. Porém se der zebra, será o momento de Amy, que faturou o globo de ouro de atriz em comédia ou musical pelo papel.

CATE BLANCHETT: 44 anos, 6ª indicação. Foi indicada antes por Elizabeth (1998, principal), O Aviador (2004, coadjuvante, ganhou), Notas Sobre Um Escândalo (2006, coadjuvante), Elizabeth: A Era do Ouro (2007, principal) e Não Estou Lá (2007, coadjuvante). Agora concorre por Blue Jasmine, e é a grande favorita à estatueta, já que está ganhando tudo o que é prêmio por este papel (incluindo o globo de ouro de atriz em drama). Sem dúvida, é a estrela do momento, e se ganhar o seu segundo Oscar, será o primeiro como principal. Será uma grande surpresa se ela não ganhar.

SANDRA BULLOCK: 49 anos, 2ª indicação. Antes, foi premiada melhor atriz em 2009 por Um Sonho Possível. Agora concorre por Gravidade. Sandra é o típico caso de estrela que só passou a ser valorizada pela Academia depois que passou dos 40. Tem atuação forte e intensa em filme aclamado pela crítica. Porém, tem poucas chances de ganhar pela segunda vez.

JUDI DENCH: 80 anos, 7ª indicação. Foi indicada antes por Sua Majestade Mrs. Brown (1997, principal), Shakespeare Apaixonado (1998, coadjuvante, ganhou), Chocolate (2000, coadjuvante), Iris (2001, principal), Sra. Henderson Apresenta (2005, principal) e Notas Sobre Um Escândalo (2006, principal). Dessa vez, concorre por Philomena. Judi é uma máquina de trabalho que, mesmo idosa, continua atuando com grande intensidade. Trata-se de um caso raro de quem se tornou estrela depois dos 60 anos. Se houvesse justiça, ela ganharia seu primeiro Oscar de atriz principal. Mas parece que não será agora.

MERYL STREEP: 64 anos, 18ª (!) indicação. Foi indicada antes por O Franco Atirador (1978, coadjuvante), Kramer vs. Kramer (1979, coadjuvante, ganhou), A Mulher do Tenente Francês (1981, principal), A Escolha de Sofia (1982, principal, ganhou), Silkwood - O Retrato de Uma Coragem (1983, principal), Entre Dois Amores (1985, principal), Ironweed (1987, principal), Um Grito No Escuro (1988, principal), Lembranças de Hollywood (1990, principal), As Pontes de Madison (1995, principal), Um Amor Verdadeiro (1998, principal), Música do Coração (1999, principal), Adaptação (2002, coadjuvante), O Diabo Veste Prada (2006, principal), Dúvida (2008, principal), Julie & Julia (2009, principal) e A Dama de Ferro (2011, principal, ganhou). Ufa! E agora concorre por Álbum de Família. Simplesmente, um grande recórde de interpretação no Oscar. Nunca ninguém chegou a esse número, e duvido que algum dia chegue. E a indicação foi merecida sim. Afinal, ela dá um show de interpretação no filme. Mas, obviamente, não será agora que ganhará seu 4°Oscar.

ATORES COADJUVANTES

BARKHAD ABDI, 28 anos, 1ª indicação. Esse ator, nascido na Somália, é amador e chama a atenção pela naturalidade com a qual interpreta um dos sequestradores de Tom Hanks no filme pelo qual foi indicado, Capitão Philips. A impressão do rapaz surpreende, de fato, mas tem pouquíssimas chances. Ainda assim, sem ser profissional e já ganhar uma indicação ao Oscar, já é sinônimo de prêmio.

BRADLEY COOPER: 39 anos, 2ªindicação. Foi indcado antes no ano passado, como ator central, por O Lado Bom da Vida, o mesmo diretor do filme pelo qual agora recebe nova indicação, Trapaça. Embora um pouco caricato, ele rouba algumas cenas no filme, e teve merecida indicação. Tem poucas chances de ganhar, mas já está ganhando notoriedade e reconhecimento da Academia, que antes nunca o levava a sério. Isso já é motivo de comemoração.

MICHAEL FASSBENDER, 36 anos, 1ª indicação. Esse ator surgiu derepente e já foi alvo de diversos elogios pela crítica. Nos últimos dois anos chegou a ser cogitado ao Oscar, mas é apenas agora que tem sua primeira chance, pelo filme 12 Anos de Escravidão, em que interpreta um odioso vilão. No entanto, creio que não será agora que será premiado. Por enquanto...

JONAH HILL, 30 anos, 2ª indicação. Foi indicado antes, também como coadjuvante, por O Homem Que Mudou o Jogo, de 2011. Agora concorre por O Lobo de Wall Street. Sua indicação surpreendeu um pouco, já que esteve fora de outras premiações. Talvez por isso, seja o azarão da lista.

JARED LETO, 42 anos, 1ª indicação. Concorre por Clube de Compras Dallas, e é o grande favorito da categoria. É o típico ator bonitinho que nunca foi levado a sério. Embora tenha mais popularidade na tv, inclusive pelo público brasileiro, teve poucas chances no cinema. E agora é o momento certo de provar que interpreta bem. E, de fato, ele está ótimo no filme. Será difícil ele não ganhar.

ATRIZES COADJUVANTES

SALLY HAWKINS, 37 anos, 1ª indicação. Ela concorre por Blue Jasmine, e quase já foi indicada alguns anos atrás. Ela é pouco conhecida, embora tenha importantes trabalhos em seu currículo. Aqui, infelizmente, tem poucas chances de faturar a estatueta, embora tenha excelente atuação no filme de Woody Allen.

JENNIFER LAWRENCE, 23 anos, 3ª indicação. Foi indicada antes por Inverno da Alma (2010, principal) e O Lado Bom da Vida (2012, principal, ganhou). Agora é sua primeira indicação como coadjuvante por Trapaça. Ela já ganhou o globo de ouro, o que significa que ela tem grandes chances ao seu segundo Oscar consecutivo. E é a estrela do momento dentre as cinco candidatas. De fato, tem grandes chances. No entanto, não sei se é a favorita.

LUPITA NYONG´O: 30 anos, 1ª indicação. Concorre por 12 Anos de Escravidão, essa atriz nascida no México, mas de origem queniana.É estreante e  atua como veterana, emocionando com muita sensibilidade no papel da escrava humilhada pelo patrão. Lupita ganhou alguns festivais e tem chances ao Oscar. Se ganhar, será merecido. Vamos aguardar...

JULIA ROBERTS: 46 anos, 4ª indicação. Foi indicada antes por Flores de Aço (1989, coadjuvante), Uma Linda Mulher (1990, principal) e Erin Brockovich - Uma Mulher de Talentos (2000, principal, ganhou). Agora concorre por Álbum de Família, em que demonstra que voltou para ficar e atua com muita intensidade. De fato, um excelente trabalho. Entretanto, é uma das azaronas. Seu segundo Oscar não chegará agora.

JUNE SQUIBB: 84 anos, 1ª indicação. Concorre por Nebraska. Apesar da idade, June estreou nos cinemas com mais de 60 anos, sempre fazendo papéis pequenos e esquecidos. Dessa vez, contudo, a veterana rouba a cena e tem merecida indicação. Teve algumas vitórias em recentes festivais por esse papel, o que lhe dá alguma chance. No entanto, por ser idosa, pode não ganhar. Afinal, a Academia adora premiar suas jovens estrelas. Ainda assim, pode acontecer.

Enfim, essas são as principais categorias. Lembrando que com a premiação do SAG, alguns novos favoritos podem surgir, já que se trata de uma prévia do Oscar. Vamos conferir! Ah, claro... Novamente, o Brasil ficou de fora na categoria filme estrangeiro. Quem sabe um dia... Abraços!

sábado, 28 de dezembro de 2013

O Hobbit: A Desolação de Smaug

 Bom, tomei o máximo de cuidado para não repetir aqui as mesmas impressões do primeiro Hobbit. Por isso, reli a minha postagem sobre o anterior, para lembrar de alguns detalhes, e não repetir o que já foi colocado (por exemplo, ao sair da sala de cinema já tive o impulso de escrever que Martin Freeman nasceu para fazer o personagem título, coisa que eu já havia explicitado anteriormente). Dessa vez, não me preocupei em assistir em sala IMAX, nem na versão 48 fps, vi em uma sala comum no formato 3D mesmo. E saí de lá satisfeito com o resultado, e aliviado por não ter acontecido duas situações que eu previa, mas que depois falarei melhor.

 Quanto a sinopse, o hobbit Bilbo e os anões continuam em sua jornada para reaver toda a riqueza roubada pelo dragão Smaug. Passam por diversas aventuras ao entrarem em uma perigosa floresta, são surpreendidos pelos horrendos Orcs, com quem duelam, e como se isso ainda não fosse o bastante, também precisam se livrar de elfos que encontram pelo caminho. Mesmo assim, persistem no objetivo inicial, e seguem caminho. Não quero revelar mais para não estragar. Essa sequência possui detalhes que, creio eu, não possam ser revelados para não prejudicar o prazer de se assistir essa produção na tela grande.

 Sim, confesso que gostei muito dessa sequência, e supera o original. Os meus receios eram os seguintes: 1) Trata-se da segunda parte de uma trilogia. O livro, como todas sabem, é curto. E, normalmente, tal como sucedeu com "As Duas Torres", de O Senhor dos Anéis, a tendência é deixar a segunda parte arrastada e cansativa; e 2) Achei algumas cenas de luta de "Uma Aventura Inesperada", óbvias e excessivamente cansativas. Por isso, esperava o pior. Surpreendentemente, entretanto, e felizmente, estava errado. A Desolação de Smaug, afinal, é daquelas produções que segura o espectador do começo ao fim, raramente cansa, e os momentos de batalhas são de deixar o mais criterioso fã do gênero satisfeito com tudo o que se sucede. Duas das melhores cenas são a fuga dos anões dentro de barris pela correnteza (em que se destaca, ainda que só nesse momento, o anão ruivo feito por um certo Stephen Hunter. O personagem poderia ser melhor explorado como alívio cômico, aliás...), e obviamente, o confronto com o dragão. Evidentemente, esse momento clímax é bastante longo e impressionante em todos os detalhes. O que posso dizer é que o danado, literalmente, solta fogo pelas ventas, e não está mesmo para brincadeira. A novidade foi colocar um dos astros do momento, Benedict Cumberbatch (de "Cavalo de Guerra" e "Além da Escuridão -Star Trek"), que está em tudo quanto é filme ultimamente, na voz de Smaug.

Isso tudo é mérito do time de roteiristas comandados por Pete Jackson, os mesmos da trilogia, a esposa Fran Walsh, o cineasta amalucado Guillermo del Toro, mais Philippa Boyens, que tiveram o cuidado e a inteligência de superar Uma Viagem Inesperada, com todos esses grandes momentos de ação. E, diga-se de passagem: tudo o que se espera de uma produção com a grife Peter Jackson está lá. De olho no Oscar, certamente a película será indicada nas categorias que se referem ao som, essa é a grande barbada! Terá chances também na trilha sonora, na excelente fotografia, direção de arte, maquiagem, e em menor escala, na montagem, que é competente, mas não está entre os favoritos. E, desculpem ser mais uma vez repetitivo, Jackson dirigiu no passado "Trash - Náusea Total"! Inacreditável.

 Ainda sobre o roteiro adaptado do universo de J.R.R. Tolkien (que também não terá chance no Oscar, uma pena!), escutei alguns comentários negativos de "tolkienianos" fanáticos, que se posicionaram contra algumas modificações. Oras, cinema e literatura são duas manifestações com linguagens diferenciadas. Muitas vezes, para se concretizar uma obra satisfatoriamente, existe a necessidade de se fazer algumas atualizações. Eu, embora já tenha lido o livro nessa altura do campeonato (ainda que na versão de português de Portugal, emprestado pelo meu amigo Rafel), considero-me leigo no que se refere à obra de Tolkien. Ainda assim, arrisco dizer que a adaptação para as telas beira a perfeição (claro, sem considerar o episódio final que só estreia daqui um ano). Apenas não me recordo do personagem Bard (interpretado por Luke Evans, de "Imortais" e "Velozes e Furiosos 6"). Acho que tal personagem ganhou muito destaque na tela, com núcleo próprio, afinal, mostra-se onde vive com as filhas e o filho, numa cidade que lembra uma espécie de "Veneza dos pobres", e com o risco de sofrer a ira de Smaug no próximo filme (seria spoiler, isso?). Esse, talvez, seja o momento mais cansativo da projeção, mas não compromete, afinal. Todavia, a grande reclamação dos "tolkienianos" é o fato de que na obra não há personagens femininos (ainda que, enquanto lia o livro, imaginava as aranhas como fêmeas, portanto "mulheres", hehehe). E aqui, nós temos a elfa Tauriel, interpretada por Evangeline Lilly (a Kate da série "Lost"). Eu achei oportuna a participação dessa personagem. Afinal, aguentar quase três horas sem nenhuma mulher em cena é sofrível! E, apesar de enxergar a guerreira elfa em atrizes como Jennifer Garner ou Kate Beckinsale, Lilly defende bem a personagem, e pode ser que consiga mais prestígio no cinema. Por outro lado, achei desnecessário, e até bizarro, a possibilidade (ALTA) de interesse romântico entre ela e um anão chamado Kili (interpretado por um certo irlandês chamado Aidan Turner, que eu nem lembrava do anterior). Enfim, tentam colocar o cara como galã, na verdade inexpressivo e sem graça. Seria melhor colocar então o Richard Armitage, que já tinha pretensões de "anão galã" (ele faz o líder Thorin), o que comprometeria menos. Aliás, unir amorosamente uma elfa com um anão seria uma proposta do politicamente correto? Uma mensagem subliminar para se aceitar as diferenças entre as raças? Enfim...

 Quanto ao elenco, além dos mencionados, sinto falta de Christopher Lee (Saruman), o melhor ator do anterior, e também de Hugo Weaving (Elrond) e, evidentemente, Cate Blanchett e sua Galadriel. Cate, ao menos, tem uma rápida ponta, e uma deixa para participação maior no próximo episódio (espero! Afinal, querem colocar mulher em cena, e se esquecem dela? Simplesmente a melhor atriz do ano!). Ah, sim! Nada de Smeagol também... Mas ainda temos Ian McKellen, sempre magnífico como Gandalf, Martin Freeman (desculpa, mas tenho que dizer: NASCEU MESMO PARA SER HOBBIT, não há escolha melhor!), Lee Pace (de "Lincoln") como Thranduil, o "deus" dos elfos, ou coisa que o valha (gosto desse ator, marca presença, e tem possibilidades de se tornar astro) e o britânico Stephen Fry, numa discreta participação como "Master of Laketown", a saber, o mestre da "Veneza dos Pobres". Ah, e aqui, temos o retorno de Orlando Bloom, e seu personagem Legolas da trilogia dos anéis, um ator que particularmente não gosto, acho canastrão e caricato. 

 Enfim, uma superprodução com S maiúsculo, eletrizante, espetacular, ousado e grandioso. Termina de forma satisfatória, deixando o espectador contando os dias para a próxima estreia (foi bem superior ao término da segunda parte de "Jogos Vorazes", esse sim, arrastado e manipulador). Espero mesmo que Jackson feche a trilogia com chave de ouro, e entregue no próximo ano um esplêndido trabalho, como fez agora. Se conseguir a mesma repercussão que o fecho da trilogia dos anéis, "O Retorno do Rei", o que eu acho bem difícil, seria maravilhoso. Em todo caso, sem grandes pretensões, conseguindo o mesmo resultado com essa obra do meio, já está excelente. Bem-vindos a essa grande aventura!

TRAILER: