segunda-feira, 30 de junho de 2014

Transcendence - A Revolução

 Esta nova ficção científica chegou nos cinemas agora nesse período de férias, e chama a atenção pelo trailer e por ter um elenco atraente. Por esse motivo, fui conferir essa longa que marca a estreia na direção do fotógrafo Wally Pfister. Falando em férias, abro um parêntese para demonstrar minha irritação com o excesso de filmes dublados que dominaram o Brasil. E pelo andar da carruagem, em breve as produções com o áudio original serão uma extinção. Triste que isso aconteça num país em que a leitura é algo pouco investido... Uma pena!

 Quanto ao filme, Will (Johnny Depp) é um cientista que cria um computador consciente. Isso é visto com maus olhos por um grupo de radicais anti-tecnologia, e acaba sendo assassinado. Porém, a esposa (Rebecca Hall) consegue transferir o cérebro de Will para um computador, e ele permanece na máquina. Mas sua personalidade não é a mesma.

 Seria uma aventura eletrizante, se não fosse muito confusa. O roteiro de Jack Paglen se perde na prolixidade da linguagem científica, e arrasta o filme. As cenas de ação demoram para surgir, e o espectador não consegue conter a impaciência de presenciar situações mal explicadas e confusas demais. Nos 40 minutos finais, a história consegue ter um ritmo mais ágil, mas custa chegar até lá. E não deixa de ser estranho ver Johnny Depp (dessa vez contido) ressurgir na máquina como se fosse a noiva do frankenstein. A partir desse momento, a impressão que fica é a de que os herói tornou-se vilão, e os vilões, mocinhos.

 No elenco, além de Depp e Rebecca, o veterano Morgan Freeman em mais um papel de coadjuvante-auxiliar do herói (a impressão que fica é a de que o veterano ator está aceitando qualquer coisa agora). E há também Paul Bettany e Cillian Murphy como agentes aliados a Depp, e ainda Kate Mara (de "Homem de Ferro 2"), como uma revolucionária anti-tecnologia.

 Enfim, o filme garante o seu público que curte ficção científica. Mas se fosse menos confuso e mais movimentado, teria resultado satisfatoriamente, o que não acontece. Enfim, quem quiser se arriscar... Abraços!

 TRAILER:



domingo, 8 de junho de 2014

Malévola

 A estrela Angelina Jolie está de volta nas telas, após uma certa ausência para resolver problemas de saúde. E volta com estilo na pele de uma das grandes vilãs da Disney, que agora ganha um filme exclusivo para ela. Quem não se recorda da perversa e cruel Malévola do longa "A Bela Adormecida" (1959)? Pois é, e nessa fita dirigida pelo estreante Robert Stromberg (que na verdade é diretor de efeitos visuais), o público passa a saber detalhes sobre essa popular vilã.

 No entanto, não esperem uma figura diabólica, tal como a clássica animação. Afinal, o roteiro (de Linda Woolverton), mostra um lado mais positivo e até mesmo humano de Malévola. Bom, ela era uma pequena fada órfã, que vivia na natureza, como se fosse uma espécie de guardiã, e com o objetivo de estabelecer a paz entre as espécies. Ela conhece o garoto humano Stefan, por quem se apaixona, e ambos passam a se encontrar com frequência. Porém, o que Malévola não conseguia enxergar, é que seu amado esconde uma grande ambição, e almeja viver no castelo. O tempo passa, e o rei promete dar a mão de sua filha em casamento para o herói que conseguir deter Malévola, que funcionava como obstáculo para os planos do rei de explorar a floresta em que ela vive. Stefan, agindo de forma covarde, corta as assas dela enquanto a moça dormia, e afirma ao rei que a fada está morta. A partir de então, um desejo de vingança toma conta da heroína. Enquanto isso, Stefan se casa com a filha do rei, e ambos têm uma filha: Aurora. E a pobre garota está nos planos de vingança de Malévola. A partir de então, o público conhece a história. Exceto pelo fato de que, a fada "das trevas", se afeiçoa pela garota.

 Acho bastante pertinente a ideia de se dedicar um filme para uma vilã famosa, e que mostre o outro lado da moeda. A partir daqui, o público descobre que aquela história de que Malévola não foi convidada para o batizado de Aurora, porque não haviam porcelanas suficiente para todos, é uma grande lorota. Não é necessário falar que os efeitos especiais e a qualidade técnica do filme são de primeira (evidentemente, estão disponíveis versões em 3D). Mas, alguns personagens estão fora de foco. A própria rainha, mãe da bela adormecida, por exemplo, aparece muito pouco, interpretada por uma quase figurante. E as três fadas do bem quase não têm cenas com Aurora. Fora isso, o elenco é irregular. O sul africano Sharlto Copley, após "Distrito 9" e "Elysium" está sendo superestimado em excesso em Hollywood, e aqui interpreta o grande vilão da história, Stefan. Mas é um tipo muito feio, com nariz enorme; difícil acreditar que Angelina Jolie tenha algum interesse nele. O galãzinho Sam Riley (de "Na Estrada") interpreta o corvo de Malévola, mas embora tenha boa aparência, é muito fraquinho. Há também um certo Brenton Thwaites, um novo rosto em Hollywood, que não tem nada para fazer como o príncipe Felipe; aliás, outro personagem fora de foco, com poucas cenas, e piorado pela inexpressividade do ator. A veterana inglesa Imelda Staunton lidera as fadas do bem, mas todas elas (as outras são feitas por Juno Temple e Lesley Manville), que deveriam funcionar como alívio cômico, também se perdem na história. Por fim, a nova estrelinha Elle Fanning (irmã mais nova de Dakota) faz a bela adormecida Aurora. A atriz até transmite certa graciosidade, mas não tem o perfil para se fazer uma princesa. Sua Aurora, aliás, soa bastante caricata.

 Com tanta irregularidade no elenco, destaca- se a estrela Angelina Jolie, num filme feito exclusivamente para ela brilhar. De fato, ela é o centro das atenções de toda a projeção, e a razão única de se embarcar nessa produção. O tão esperado desfecho, ou seja, o beijo que que despertará a princesa, torna-se óbvio e previsível, principalmente depois de se assistir a animação "Frozen". Certamente por isso, a película não termina aí, e o diretor reserva algumas cenas de ação no fim. No final das contas, Malévola não é um filme ruim. O espectador, sobretudo o público feminino, apreciará o enredo com facilidade. Contudo, não fosse a forte presença de Jolie, o fracasso seria inevitável. Mas vale conhecer! Com certeza, a temível vilã Malévola nunca mais será a mesma, após assistir a esse belo espetáculo visual. Abraços!

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segunda-feira, 21 de abril de 2014

Confia em Mim

 Uma sugestão bem alternativa para quem gosta de produções nacionais é justamente esse Confia em Mim, a esteria em longas do cineasta Michel Tikhomiroff. A grande novidade é que se trata de uma história de suspense, algo fora do comum no cinema brasileiro.

 O roteiro, escrito por Fábio Danesi, não nega inspiração em filmes do mestre Hitchcock, e o filme não é tão surpreendente, se compararmos com outras produções americanas do gênero. Ainda assim, está acima da média, e tudo é feito redondinho e com um bom desfecho.

 Quanto a história, a chef de um restaurante Mariana (Fernanda Machado, de "Tropa de Elite"), após um longo dia de trabalho, vai com a amiga para um barzinho e conhece o sedutor Caio (Mateus Solano). O clima esquenta, ambos começam a namorar e até passam a morar juntos. O sonho tende a virar pesadelo quando Caio sugere que Mariana peça dinheiro emprestado para a própria mãe, que é rica, com o intuito dela mesma abrir um restaurante. Ela age dessa forma, confia o dinheiro e a parte burocrática nas mãos do namorado, e se surpreende quando ele desaparece de vez do mapa. A partir de então, ela tenta descobrir o paradeiro dele, enquanto tenta conviver com o fato de ter sido enganada.

 Ou seja, não há nada mais preocupante, principalmente para nós brasileiros, de sermos passados para trás e "entrarmos bem" após um investimento furado como esse que a protagonista passa. Não há como ficar indiferente aos problemas que ela passa, mesmo porque é muito fácil se sentir na pele dela. Há algumas reviravoltas e surpresas interessantes, e um excelente clima de suspense que deixa o espectador instigado até a conclusão, que termina de forma satisfatória (desculpe o spoiler).

 Tudo poderia dar errado se o diretor não tivesse sabedoria na hora de escolher seus protagonistas. Afinal, tanto Fernanda quanto Mateus estão esplêndidos e convincentes em seus papéis nesse embaraçoso jogo de gato e rato. Mateus, aliás, por conta da popularidade de seu recente personagem Félix, da novela "Amor à Vida", é o tipo de ator que consegue arrastar uma boa bilheteria. O que acaba sendo engraçado, e ao mesmo tempo constrangedor, é a ideia de que os trejeitos do efeminado Félix persistem no Caio, que não tem nada de homossexual. Isso apenas demonstra o quanto Mateus ficou marcado com o carismático vilão da novela. E os coadjuvantes ajudam em cena, como a pouco conhecida Fernanda D´Umbra, no papel da amiga Tereza (e responsável pelo alívio cômico) e Bruno Giordano, no papel do detetive Vicente, que se solidariza com a personagem de Fernanda (um fato bastante inusitado é termos aqui um policial que se entrega de corpo e alma ao caso, algo muito distante da realidade brasileira.)

 Enfim, recomendo este suspense com muito estilo e com uma característica bem brasileira. Afinal, se o mercadão americano de blockbusters possui muitas produções do gênero, nenhuma dela se compara com as características dessa estreia promissora do diretor Michel. Pague pra ver e divirta-se!

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sábado, 19 de abril de 2014

Capitão América: O Soldado Invernal

 Como era previsto, e como se preza com qualquer popular super herói da Marvel, há a necessidade de uma sequência do filme original. E é justamente o que sucede aqui com O Soldado Invernal, dessa vez comandada pelos irmãos Anthony e Joe Russo (de "Dois é Bom, Três é Demais"). 

 O que temos aqui é tudo aquilo que se espera de uma super produção de fitas de ação: duração que ultrapassa os habituais 120 minutos, efeitos técnicos e sonoros de última qualidade, cenas de lutas e ação esplêndidas e vilões odiosos.Diferente do original de 2011, dessa vez os roteiristas Christopher Markus e Stephen McFeely concentraram a ação para os dias de hoje, e colocaram o Capitão América, em esplêndida forma, tentando derrotar o vilão da vez que, óbvio, pretende dominar o mundo. Há, inclusive, um momento bastante nostálgico em que o herói visita uma museu exclusivo sobre o Capitão América, e assiste uma palestra sobre a ação dele na época do nazismo. Outro momento marcante é quando ele visita a já idosa Peggy Carter (um trabalho muito bem feito que envelheceu a jovem Hayley Atwell, que dessa vez tem apenas uma cena), em seu leito.

 Quanto a ação, tirando o fato de se passar na atualidade, não há muita novidade. As cenas de ação, inclusive, ora cansam, ora impressionam, o que demonstra que, com o tempo, a originalidade das lutas já está por um fio (em todos os filmes do gênero, na verdade). No entanto, há um prólogo bastante divertido e bacana, com o América fazendo um cooper, ao lado de um simpático rapaz, que se transformará no herói Falcão na metade da fita. Ele é interpretado pelo negro Anthony Mackie (de "Menina de Ouro" e "Guerra ao Terror"), que ainda não é astro, mas certamente se tornará; afinal, ele rouba a cena, e ganha a simpatia da plateia. Na verdade, junto com Mackie, Samuel L. Jackson, que retorna como Nick Fury (aliás, a melhor cena de ação é protagonizada por ele em um carro que está prestes a ser distruído pela polícia), a bela Scarlett Johansson que entra em cena com sua Viúva Negra (ou Natasha Romanoff) e o veteraníssimo Robert Redford, em grande forma aos 77 anos, como o vilão Alexander Pierce, garantem mais o interesse do que o herói feito por Chris Evans, bastante apático, previsível e sem graça. Ainda no elenco, a canadense Cobie Smulders (de "Os Vingadores") atua na pela da agente Maria Hill (aliás, há muitas personagens femininas no filme, que não levam desaforo pra casa), Sebastian Stan, que agora, numa curiosa caracterização, "mudou de lado" e deixou de ser o melhor amigo de Steve Rogers, para ser o vilão Winter Soldier, e Frank Grillo (de "A Hora Mais Escura" e "A Perseguição") como o vilão mais fiel de Redford.

 Há algumas surpresas e reviravoltas na história (sobretudo por conta do personagem de Jackson), e o interesse se mantém graças a isso. Caso contrário, seria apenas mais uma mera sequência de ação, com o único cuidado de ter mais momentos de adrenalina. Enfim, os irmãos Russo, no fim das contas, realizaram um trabalho satisfatório. Ah, e como de rotina, há mais uma sequência após os letreiros finais, legal e surpreendente, que deixa o espectador curioso para assistir ao 3° episódio. Vale conferir. Abraços!

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terça-feira, 8 de abril de 2014

Noé

 Mês de semana santa e páscoa, normalmente, trás algum filme focado nesse contexto para as telas de abril. Esse ano é o blockbuster hollywoodiano Noé, comandado pelo diretor Darren Aronofsky (de "Cisne Negro"). Nas semanas de estreia, mesmo nas segundas-feiras, as filas são quilométricas. Por isso, vai o conselho de se comprar o ingresso antecipadamente.

 O ponto de partida qualquer um que algum dia fez catecismo, ou que seja membro de família cristã já conhece (aliás, Noé é um personagem batante popular até mesmo para quem é ateu!). Ou seja, Noé recebeu um chamado de Deus para construir uma gigantesca arca, colocar nela um par de animais de cada espécie, além dele próprio e sua família. Afinal, Deus (sempre mencionado como "o criador"), entristecido com a humanidade, resolver fazer um dilúvio e destruir todo mundo! Claro, com a exceção de Noé e sua família. No entanto, há pessoas que farão de tudo para conseguir mais uma vaga para entrar na arca.

 Antes de mais nada, desde o começo da produção, já havia ficado bem claro que não se trata de uma reprodução literária da passagem bíblica que se fala de Noé. Mesmo porque a película tem quase 2 horas e 20 minutos de duração, e na passagem não há tanto elemento que preencha essa mentragem extensa. Por isso, para trazer mais ação e conflitos para a história, Aranofsky, também roteirista ao lado de Ari Handel, tomou a liberdade de criar mais personagens e situações que, obviamente, não se encontram no texto bíblico. Resumindo, de nada adianta os diversos protestos de religiosos católicos e evangélicos, que ficaram insatisfeitos com a versão cinematográfica. Oras, não se trata daquela série feita para tv estrelada por personagens da Bíblia, e que passou na Record durante um bom tempo. Ao contrário! Trata-se de uma superprodução hollywoodiana, com tudo que se tem direito, da mesma forma que "Os Dez Mandamentos" foi em sua época.

 E como é de se esperar em produções classe A do gênero, o diretor e sua equipe técnica capricharam em todos os detalhes, transformando Noé numa fita luxuosa, e repleta dos mais avançados efeitos especiais. Isso é comprovado, principalmente, na cena do dilúvio, um arrasa quarteirão fantástico que deixa a plateia em estado eufórico. Outro detalhe que chama atenção são os gigantes de pedra, que possuem uma estranha caracterização visual. A princípio parecem ser vilões, mas acabam se simpatizando com Noé e sua turma (imagina que isso estaria na bíblia...). O personagem título, interpretado por Russell Crowe em mais uma caracterização de herói do cinema de ação, acaba desagrando o espectador, no meio da projeção, por conta de uma atitude extremamente fanática e impiedosa. Há um determinado instante em que ele se recusa a salvar uma mulher inocente, que acaba sendo pisoteada pela população (isso também incomoda o espectador que conhece as escrituras).

 Fora Crowe, o elenco ainda conta com Jennifer Connelly (em mais uma parceria com ele, após "Uma Mente Brilhante" e "Um Conto do Destino") no papel da esposa de Noé, aqui batizada como Naameh. Sem dúvida, a melhor atuação do filme; uma grande estrela definitivamente! Anthony Hopkins tem interessante participação como Matusalém, pai de Noé. Há um característico vilão interpretado pelo britânico Ray Winstone (de "Violento e Profano" e "Os Infiltrados"), que causa em determinado momento o efeito contrário do que aquele que sucede com Crowe; ou seja, há instantes em que a plateia se vê torcendo por ele! Por fim, a inglesa Emma Watson demonstra que está mesmo deixando de lado a bruxinha Hermione da série "Harry Potter", tal como já havia demonstrado no interessante "As Vantagens de Ser Invisível". Aqui ela interpreta Ila, uma garota adotada pelo casal, e que posteriormente viria a ser interesse romântico de Sem (o novato Douglas Booth). Ah, claro! Ila também não está na bíblia! Fechando o elenco o popular "Percy Jackson", Logan Lerman, interpreta o outro filho, Cam.

 Enfim, há momentos cansativos também por conta da longa duração, a arca demora muito para ser construída, os animais quase não aparecem e a turma de Noé está sempre correndo de alguém. Porém, isso tudo não estraga a diversão de se assistir a um épico bem produzido, com impecável qualidade técnica. Basta apenas se ter a ciência de que os fatos mostrados na tela estão longe de serem verídicos ou 100% de acordo com as escrituras sagradas. Sabendo disso, explore o espetáculo visual e divirta-se! Abraços!

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quarta-feira, 12 de março de 2014

Sem Escalas

 Sem Escalas é o novo projeto do diretor Jaume Collet-Serra, que se uniu mais uma vez ao astro Liam Neeson, após o thriller "Desconhecido" de 2011. E ambos investem mais uma vez no gênero, e oferecem um suspense repleto de ação e reviravoltas.

 Neeson interpreta um policial, especialista em garantir a segurança em vôos. Em um desses, da Inglaterra para os EUA, ele passa a receber mensagens de texto anônimas em seu celular de um criminoso, que ameaça aterrorizar o avião, caso não receba uma alta quantia de dinheiro em troca. A partir de então, o policial tenta controlar a situação e tenta investigar por conta própria a identidade do vilão. No entanto, este começa a cumprir a promessa de matar 1 pessoa a cada meia hora. E a situação se complica quando o próprio policial torna-se o principal suspeito de tais crimes.

 Esperem aqui diversos clichês do gênero, desde uma criança inocente que surge como presa fácil do incidente, passando pela mocinha da história que conhece o herói no dia em que toda a ação ocorre, até chegar a um leque de suspeitos que estão presentes no vôo (sm, há um árabe no meio, e piadinhas esteriotipadas previsíveis). Apesar disso, o filme cumpre sua função: consegue deixar a plateia atenta constantemente durante toda a projeção. Mérito do time de roteiristas (John W. Richardson, Christopher Roach e Ryan Engle) que armam situações inesperadas, principalmente na originalidade das mortes das vítimas (ainda que no fim das contas sejam um tanto "forçadas"). Em todo caso, é daquelas fitas que nunca caem no tédio e despertam o interesse, principalmente por conta da complexidade do personagem central, na realidade, um policial melancólico, fumante compulsivo e aparentemente autodestrutivo.

 O elenco conta com a presença carismática da excelente Julianne Moore, como a passageira que puxa conversa com Neeson, o auxilia em diversas situações, e também acaba se tornando suspeita das ameças. Há também a bela inglesa Michelle Dockery (de "Hanna" e "Anna Karenina"), ainda pouco conhecida pelo público, no papel da aeromoça que também ajuda o personagem de Neeson. A maior novidade fica por conta da presença da recém oscarizada por "12 Anos de Escravidão", Lupita Nyong´o em seu 1° papel após o Oscar pelo filme mencionado. Há também um bom time de coadjuvantes, desde Shea Wighman (de "O Lobo de Wall Street"), como um outro agente no vôo e Scoot McNairy (de "Argo" e também de "12 Anos de Escravidão"), como um outro passageiro, ambos suspeitos de comprometer a segurança de todos.

 No final das contas, não há tantas novidades na história, principalmente pelo fato de que o gênero conta com diversas histórias semelhantes, tanto clássicas ("Aeroporto") como produções mais recentes ("Plano de Vôo"). As diversas pistas falas também são típicas de clichês, e a identidade revelada do criminoso, e seus reais motivos, não convencem satisfatoriamente. Ainda assim, Collet-Serra foi bem sucedido em armar um clima repleto de tensão. Ou seja, gostando ou não do resultado final, a plateia acompanha a projeção com muita empolgação e curiosidade até o fim. Por isso, está acima da média e merece uma conferida, principalmente em dias nublados ou chvosos. Até mais!

TRAILER:

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domingo, 2 de março de 2014

OSCAR 2014 - OS 9 FILMES INDICADOS

 Bom, hoje a noite teremos a cerimônia do OSCAR na TNT. Não deixa de ser uma boa opção para quem não gosta de carnaval. Aliás, falando nisso, ainda não consigo entender como deixam a Rede Globo com os direitos da transmissão do Oscar. Afinal, ela sempre desrespeitou o público dessa cerimônia, começando a festa peça metade, pois não podia antecipar o Big Brother. Agora, quando o carnaval está em jogo, ela altera a programação da grade com muita agilidade! Enfim...

 Como eu fiz ano passado, vou fazer minha lista de preferências em relação aos filmes indicados. Começarei com o último de minha lista, até chegar o primeiro. Ah, sim! Antes que eu me esqueça: Apesar de serem 9 os indicados, os favoritos são apenas 3, e eu estou ciente disso. Portanto, não elaboro uma lista referente aos que tem mais ou menos chance em ordem crescente ou decrescente. Não! Elaboro uma ordem conforme as minhas preferências! E em ordem decrescente. Vamos lá:

9° Capitão Phillips, de Paul Greengrass. A história real do capitão do título impressiona pela parte técnica e pela eficiente qualidade de som. Até a metade é bastante fácil se envolver com a história e com o clima de tensão. No entanto, depois torna-se cansativo e bastante previsível, ou seja, chega uma hora que sabe-se como a história vai acabar, e aquilo que outrora provocava tensão, começa a ficar chato, sonolento, cansativo... Para piorar ainda mais, recentemente foi divulgado na imprensa americana que o biografado não era tão heróico como o filme supõe. Falam-se muito na ausência do astro Tom Hanks entre os cinco finalistas para melhor ator. No entanto, eu não senti sua ausência. Afinal, Hanks é um grande ator como todos sabem, mas aqui atua com muita competência, e mais nada. Não apresenta aqui uma qualidade excepcional que poderia tê-lo colocado em lugar de algum dentre os reais indicados. Outra coisa: o novato Barkhad Abdi, indicado como coadjuvante, tem recebido muito prestígio e seu nome figura em tudo que é festival por aí. Um grande absurdo! Nada contra ele, mas o rapaz atua com muita determinação de forma igualitária aos demais atores do elenco, todos amadores e da Somália, como o próprio Abdi. Por que apenas ele foi lembrado? Enfim, o filme não me empolgou.


8º Philomena, de Stephen Frears. Outra história real, que causou bastante expectativas para mim, que não via a hora de assisti-lo. No fim das contas, me decepcionei um pouco. Afinal, o filme do talentoso Frears tinha tudo para ser uma história tocante, sensível e profundamente dramática. Nesse ponto, poderia cair no erro de ser muito piegas, e até mesmo abusar de clichês inevitáveis. No entanto, talvez essa opção teria sido melhor sucedida do que adicionar humor para uma trama em que a comédia não se encaixa adequadamente. Isso acaba por prejudicar o tom e o ritmo. Vale pela magnífica presença da grande Judi Dench, merecidamente lembrada pela academia, no papel título, da mãe que tenta descobrir o paradeiro do filho, depois de longos anos, já que foi obrigada a antrega-lo para adoção quando pariu na adolescência. Uma última análise e algum retoque aqui ou ai poderia melhorar o filme. De qualquer jeito, é um dos azarões.


7º Trapaça, de David O. Russell. Este está entre os três favoritos, certamente o 3º colocado. E um grande número de indicações! Sorte dos envolvidos, graças ao grande marketing e promoção que Hollywood fez desse filme. No entanto, não há nada mais chato e irritante do que uma comédia que não te faz rir. Tem um roteiro satírico, fala sobre política, a produção é esplêndida, mas a fita é interminável. Cansativa a exaustão, tem alguns poucos momentos que faz o espectador soltar alguns risos amarelos e mais nada. Contudo, o elenco -isso eu preciso admitir- está formidável! Pelos atores, vale a pena assistir. Até mesmo Jeremy Renner, o único do elenco principal não indicado, rouba a cena em alguns momentos. A melhor, sem dúvida, é a talentosa Jennifer Lawrence, que está entre as favoritas de coadjuvante. A jovem atriz atua como veterana e está impressionante como a esposa de Christian Bale (se tem algum instante para rir, é quando ela está em cena). E o próprio Bale também está excelente, assim como Bradley Cooper (que demonstra que milagres existem, tornou-se mesmo um bom ator!) e Amy Adams, atriz carismática e maravilhosa. Se não houvesse uma Cate Blanchett no caminho, a estatueta seria dela. Agora, tirando o elenco, os figurinos, a direção de arte e a fotografia, o que temos? Uma verdadeira fraude, ou como diz o título nacional, uma grande trapaça!


6°Nebraska, de Alexander Payne. A partir de agora, torna-se mais difícil ordenar os meus preferidos, pois gosto de todos eles. Este aqui, simpático e agradável, coloquei em 6° lugar por ser o menos memorável, embora seja uma fita muito talentosa (apesar da fotografia em preto e branco, o que causa muita rejeição entre as plateias). Ainda assim, é difícil não se envolver na história do simpático velhinho que acredita que ganhou um prêmio muito valioso, e precisa se deslocar até Nebraska para recebê-lo (ele está em Lincoln, do outro lado do estado!). Ao lado dele, o filho que acha melhor "não contrariar". Enfim, um road movie poético, divertido e tocante. Bruce Dern, aos 77 anos, exibe um grandioso talento e esplêndida lucidez. Melhor que ele, apenas a veterana e pouco conhecida June Squibb, no papel da esposa. Se houvesse justiça, essa simpática velhinha de 84 anos seria contemplada com o Oscar. É pra quem eu torço, embora sua vitória seja uma grande ilusão... No todo, vale a pena conhecer esse modesto e interessante filme.


5° Ela, de Spike Jonze. O cineasta sempre foi talentoso, com histórias diferentes e curiosas, desde "Quero Ser John Malkovich". E agora ele mesmo roteiriza esta surpreendente comédia romântica dramática, sobre os desajustes e a solidão num futuro próximo. Joaquin Phoenix, em atuação que merecida uma indicação também, faz o sujeito abandonado pela esposa, e que tenta encontrar a felicidade ao lado de alguém. Até que encontra a "Ela" do título, na verdade, um sistema operacional de computador, com a bela voz de Scarlett Johansson. Temos aqui, portanto, a personagem mais humana de todos os tempos, representada por um ser inanimado. De fato, é um filme muito bonit, ousado e diferente. A maior barbada está no Oscar de roteiro original. Merece ser conhecido pelo público este filme que demonstra que criatividade é algo que não falta para o diretor Jonze.


4º Clube de Compras Dallas, de Jean-Marc Vallée. Uma grata surpresa encontrar esse filme independente entre os finalistas. A maior barabada, certmente, está para os prêmios de ator (Matthew McConaughey) e ator coadjuvante (Jared Leto). Mas o filme tem poucas chances, o que é uma pena, já que é polêmico e original. Ambos os atores estão esplêndidos em seus respectivos papéis de um homem aidético, a princípio homófobo e machista, e um travesti, também portador do vírus de HIV, que traficam medicamentos para controlar o vírus, em uma época (anos 80) que o governo praticamente nada fazia em relação a isso. Daqueles filmes impactantes que a princípio você sente raiva e repulsa pelo protagonista, mas que em seguida, acaba torcendo por ele. Para fechar com chave de ouro, há também a simpática presença de Jennifer Garner, como a médica que os ajuda nessa batalha. Vale a pena conhecer!


3º O Lobo de Wall Street, de Martin Scorsese. Dividiu críticos de todo o mundo. Muitos amaram, outros tantos odiaram (pelo que eu percebi, a maioria odiou). Eu adorei! Simplesmente um grande Scorsese em plena forma. Um filme longo, com quase 3 horas de duração, mas que você não sente passar em hipótese alguma. É divertido, inusitado, polêmico e arrebatador. Algumas das críticas surgiram por conta da possível exautação do consumo de drogas. No entanto, isso é uma questão de ponto de vista. Afinal, as consequências são desastrosas para os personagens que levam "a vida loka", e o excessivo uso de drogas está inserido como uma crítica aos personagens. O elenco está soberbo, tanto Leonardo DiCaprio quanto Jonah Hill mereceram as indicações respectivas de ator e coadjuvante nos seus papéis, que reservam cenas que ficarão para a história, como àquela em que Hill se engasga e a turbulência no navio. Ainda, há performance extarordinária de Matthew McCoanughey, no início, e a bela novata Margot Robbie. Enfim, tudo aquilo que Trapaça tentou ser, mas não conseguiu. Imperdível!


2° 12 Anos de Escravidão, de Steve McQueen. Este é o grande favorito, mas coloco em 2° lugar. De fato, dentre os indicados, esté tem a cara de filme que a academia adora prestigiar: passa das duas horas de duração, é de época, tecnicamente excepcional, emociona o público, grnades intepretações. De fato, uma história muito bem contada e dirigida. O ainda pouco conhecido, mas já veterano, Chiwetel Ejiofor dá um show na pele do homem negro livre, propositalmente confundido como escravo, e vendido tal como para diversos colonos. Os maus tratos e as injustiças sociais pelas quais passa são denunciados atráves das fortes imagens de tortura e violência. Enfim, daqueles filmes que deixa o público revoltado, e por isso, faz grande sucesso. Outro destaque é a novata Lupita Nyong´o, em grande atuação, como outra escrava humilhada constantemente. Grande filme, merecedor de todos os pr~emios que tem recebido.


1º Gravidade, de Alfonso Cuáron. O meu favorito é certamente o 2° favorito pela Academia. Este foi o único que assisti no cinema, e não queria, a princípio, colocá-lo como meu favorito, pois não acho o roteiro excepcional, por conta de alguns diálogos sem fundamento. No entanto, não se pode negar o grande valor cinematogáfico que esta obra insere ao cinema em geral, e mais particularmente, ao gênero ficção científica. Enfim, um filma tecnicamente inovador, mostrando um espaço sideral nunca visto antes. A grande maioria das cenas se passa no exterior da nave, e tudo o que se vê impressiona e convida o espectador a participar dessa incrível jornada. Definitivamente, é o filme do ano, e merece ter seu talento reconhecido. Sandra Bullock fez a melhor escolha de toda sua carreira, pois é um filme que já entrou para a história. Magnífico, estupendo, enfim, perfeito!


 Então é isso. Que vença o melhor! Até hoje a noite, creio que por volta das 22h na TNT. Abraços!